quarta-feira, 18 de julho de 2018

Alegre, ele estava, quando ele conheceu Adriane Galisteu



"Alegre, ele estava, quando ele conheceu Adriane Galisteu. Ele ficou outra pessoa. Mais alegre, mais falante, mais solto, dava para perceber uma diferença no Ayrton." (Walderez Zanetti (Amiga e cabeleireira que cortava o cabelo de Ayrton Senna)

Foto: Ayrton em Suzuka 1993.

Fonte: Walderez Zanetti em entrevista ao documentário Ayrton Senna do Brasil, programa Esporte Espetacular, TV Globo, 2014.

terça-feira, 17 de julho de 2018

O Maior Sonho da Vida de Ayrton Senna

Amor por Adriane Galisteu faz Ayrton Senna sonhar cada vez mais forte com casamento e filhos

Ayrton Senna sonhava com casamento e herdeiros

Qual é seu maior sonho?

Meu maior sonho não está ligado a minha vida profissional e sim pessoal. É que um dia me case novamente, estabelecer uma extensão da minha família atual, ter filhos, saber quem são eles, o que fazem, o que gostam, educá-los.

Falta muito para isso?

Não sei quanto tempo. Eu só sei o que vai acontecer. Não quando.


Fonte: Ayrton Senna em entrevista à extinta revista esportiva argentina El Gráfico 3862, 12/10/1993


Prints da revista


Capa da revista


FONTE PESQUISADA


EL GRÁFICO – A solas con Ayrton Senna. Revista El Gráfico, Buenos Aires, Nº 3862, 12 de outubro 1993.



segunda-feira, 16 de julho de 2018

Adriane Galisteu Descreve em Seu Livro a Ótima Relação Que Tinha Com a Família de Ayrton Senna

Ayrton Senna, Adriane Galisteu e Viviane Senna passeando de lancha por Angra dos Reis em 1994

Nossa primeira viagem internacional incluiu uma vitória, muita alegria e muito amor. Era hora de voltar à realidade - e, por mais que eu tivesse certeza de meu amor, não tinha a menor certeza de que realidade seria essa. Mas o próprio Béco - eu já podia chamá-lo assim, sem medo de parecer abusadamente íntima - me deu uma dica e uma lustrada na vaidade:
- Quero você sempre assim como você é.
- O que você quer dizer com isso? - vacilei.
- Por favor, não mude jamais. Se eu tivesse que lhe pedir alguma coisa, seria ser exatamente o que você é. Só não precisa tomar tanta Coca-Cola, freqüentar tanto McDonald's e, agora, falando sério, acho que você deveria estudar inglês.
Senti que estava implícito, ali, o convite para acompanhá-lo no circuito internacional. Foi o avião tocar o chão em Cumbica, dia 26 de maio, e eu corri para festejar com a minha melhor e mais incondicional confidente, minha mãe: - Foi um sonho!
Olhando com os olhos de hoje, entendo que houve uma conjunção favorável: meu primeiro giro no exterior com ele seria o mais gostoso de todos. Porque depois  as coisas se complicaram na pista, surgiram problemas na McLaren, as vitórias escassearam, a tensão cresceu e por mais que ele me pedisse, me implorasse, "me ajuda a separar minha vida profissional da minha vida pessoal", você sabe que nem sempre isso é possível.
- Quando estou com você, eu me esqueço dos problemas - recostava-se ele em mim. Da mesma forma, com ele eu me esquecia de meus problemas.
Minha carreira de modelo eu não tinha como abandonar. Contas a pagar, um reforcinho aqui e ali no orçamento doméstico da mamãe... Reapresentei-me na Elite e voltei à ciranda dos testes. Mas uma transformação tinha acontecido na minha vida. Definitivamente, mudei de turma.
Mesmo quando o Béco viajava sozinho, a negócio ou para correr, como aconteceu logo depois, no GP do Canadá, dia 13 de junho, era com o Leozinho Senna que eu ia jantar, com a patota de Angra, sob a estrita vigilância dos amigos dele, da velha camaradagem de Santana e da Vila Maria. Ao Léo, por exemplo, quantas vezes eu não emprestei meu ombro, para ele chorar suas dúvidas. Gosto ou não gosto da Luciana? (Luciana Sargologos, uma morenona imponente, tinha sido namorada dele por muitos anos.) Sentia-o completamente diferente do irmão. Mas gostava dele. E da Sonaly, outra modelo da Elite, um metro e oitenta de mulher que passou a acompanhá-lo em nossas jornadas de Angra. Era eu que fazia o supermercado, que ia ao Santa Luzia fazer as compras do apartamento da Paraguai. Léo e eu éramos confidentes. Para mim, nada melhor para definir uma genuína amizade. Aos 21 anos, já aprendi da vida que amizade é um produto muito mais raro do que parece ser.
Para nós, o que Angra era no Brasil, o Algarve era na Europa. Há dois anos e meio Ayrton fazia daquele cantinho ensolarado do sul de Portugal o seu mix de refúgio e escritório ao longo de toda a temporada européia - que, com uma ou outra alteração de calendário, coincidia com o período mais agradável de final de primavera, verão e comecinho de outono. De mais a mais, as férias escolares brasileiras, em julho, sempre davam chance para que a família, ou parte dela, se achegasse - como aconteceu em 1993. Pude curtir meus primeiros momentos de verdadeira  intimidade com a Zaza, mãe dele - a quem eu ainda tratava pelo cerimonioso "dona Neide". Intimidade é isso: café da manhã juntas, preparar na cozinha uma comidinha especial para o filho, sair às compras com ela e a Juraci, a caseira. Viver essas coisas banais do cotidiano. Viviane, a irmã mais velha de Ayrton, apareceu com as meninas, Bia e Paulinha. Bruno ficou com o avô na fazenda de Tatuí, treinando no seu kart.
Pude sentir, nas palavras trocadas à mesa ou à beira da piscina, o que o Béco significava para eles: o xodó, o filho vitorioso, o arrimo, o eixo, quase a motivação de cada uma daquelas vidas. Uma mulher a mais, uma namorada, seria sempre uma ameaça à ordem natural da rotina familiar, um perigo. Namoradinha, que fosse - mas  que não passasse daí. Isso eu vejo agora. Não pela cabeça naqueles dias, naquelas semanas. Eu só sabia repartir com eles, o Béco e a família, coisas boas.
Por exemplo, a vontade súbita de fazer umas comprinhas em outras cidades da Europa. O jato do Béco estava quase sempre disponível, nos intervalos entre as provas e lá fomos nós, a mãe, a irmã e as crianças para uma temporada de aquisições em Londres. Sendo que, uma tarde, saindo só nós duas, Bia e eu, ela simplesmente evaporou, dentro da Harrods. Eu, desesperada, descabelada, procurando. Nada. Perguntei por ela, no meu inglês estropiado. Nada. Fui até a porta. Nada. Meu desespero me obrigou  a uma última saída:
- Biiiiaaaaaa!
Dei um berro que toda a gigantesca loja de departamentos ouviu.
Inclusive ela, ainda bem. Calmamente, experimentava roupa num daqueles provadores.
Próxima escala: Paris. Desembarcamos no hotel e saímos em disparada, à procura de um táxi. Estava tudo estranhamente calmo. O porteiro nos deteve:
- Mesdames, vocês sabem que dia é hoje?
14 de julho, feriado nacional. Tudo fechado. E só tínhamos mais um dia. Saímos assim mesmo, lambendo as vitrines. Conseguimos descobrir duas lojinhas antipatrióticas: uma de perfumes, outra de cristais.
Béco foi nos encontrar lá, já a caminho dos testes do GP da Alemanha. Abriu nossos quartos e quase desmaiou:
- Vocês estão malucas?
Teve a pachorra de contar: 38 malas, para quatro mulheres. O paciente Mahonney conseguiu acomodá-las, todas, no avião. Posou, antes, para uma foto que mostrasse toda aquela bagagem. Simpaticíssimo personagem, do qual sentirei falta, o Mahonney. Lembro-me de que ele reclamava apenas de uma coisa: de tão próximo do Béco, nunca ninguém se lembrara de fotografá-los juntos, piloto e piloto. Soube, aliviada, que às vésperas do acidente fatal em Ímola a foto foi feita.



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Descemos. Esperava por mim um Uno Mille Electronic zero, prata, igualzinho ao que eu queria comprar. Com um buquê de rosas no capô e o detalhe da chapa: DRI 7770. Só faltava laçarote e papel celofane.

- Isso é um presente de agosto.
- Mas por que agosto? - estranhei. - Não é Dia dos Namorados, não é nada...
- Por isso mesmo: não tem data nenhuma. É um presente de agosto.
Enchi o Béco de beijos. Fiquei sem palavras. Entrei como louca no carro e corri para mostrar a minha mãe. Liguei também para a mãe dele:
- Ganhei um carro novinho.
- Ele me contou - disse a Zaza. - Vem cá que eu quero dar uma volta.
Zaza, Bia, a sobrinha mais velha, e eu, lá fomos nós - depois, jantamos todos no apartamento do Pacaembu. Nosso convívio na Europa me dava a idéia de fazer parte da família. A Bia - Bix, eu a chamava - era como uma irmã mais novinha. Passamos aquele fim de semana na fazenda de Tatuí e, na volta, acompanhei a Zaza ao shopping. Éramos confidentes de copa e cozinha, do tipo de ficar conversando enquanto se fazem as unhas. Tanto que, depois de levar o Béco ao aeroporto, no Mercedes dele, naquela noite de terça-feira, 24 de agosto, para Frankfurt e, de lá, para o GP da Bélgica, fiz o que achei mais natural: Eu fui dormir na casa dos pais dele, na cama dele.

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Senna foi buscar a mãe, a irmã e a namorada Adriane, que estavam em Paris, para levá-las para a casa que alugou em Fontveille, ao lado de Montecarlo. Amanhã, todos seguirão para o Algarve, em Portugal, onde o piloto ficará até a ida para Hockenheim, marcada para quinta-feira de manhã. (jornalista Celso Itiberê, jornal O Globo, 16 de julho de 1993)




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Natal, para mim, é um convite à tristeza. Desde que meu pai morreu, em 1989, era como se a festa não existisse. Ele faleceu em outubro, como eu já contei, numa  situação inesperada, de repente - e nossa casa nunca mais foi a mesma. Minha avó materna, Agnes, que morava ao lado, tipo da mulher determinada, uma fortaleza, ainda tentava levantar nosso astral, naquele dia de má memória, recorrendo a velhas receitas de rabanadas e pães húngaros rabiscadas em cadernos antiquíssimos - e, num ano do qual não me lembro, mamãe, que sempre foi mais desanimada que vovó, bem que preparou um peru recheado com farofa e ameixas. Mas a gente não cultivava o ritual da ceia. Era um jantar comum, quem quisesse se servir que se servisse e nada de árvore enfeitada, os presentes ficando esparramados por aqui e por ali. Cada um de nós buscava, no Natal, um certo recolhimento para cicatrizar a nossa grande ferida na alma que era a ausência prematura de papai.

Agora, porém, era diferente. Béco e eu voltamos da Europa, vivíamos sob o mesmo teto no apartamento da Rua Paraguai, compartilhávamos os mesmos amigos, saíamos para jantar invariavelmente juntos, éramos dois namorados na plena acepção da palavra - se não havia aliança de noivado, sobravam intimidades do tipo dormir na mesma cama na casa da mãe e do pai dele, no Pacaembu. Sentia, no íntimo, que ele até gostava de me mostrar um pouquinho. Meu Natal, portanto, seria com ele. Zaza, pessoalmente, reiterou o convite. Quatro ou cinco dias antes,  toda a família se deslocaria para a fazenda de Tatuí, e a festa teria o duplo sentido de celebrar a ceia com filhos, sobrinhos, genros, noras e de inaugurar o casarão novo, todo restaurado.
Árvore de Natal, presentes que se acumulavam ao pé do pinheiro, a expectativa da criançada, os passeios a cavalo por aquele paraíso, as nossas pescarias, as competições de kart na pista particular construída segundo o traçado de quem começara sua carreira ali, a torcida pelo sobrinho Bruno, filho da Viviane e promessa de campeão - naquela preguiça dos compridos cafés da manhã, de almoços deliciosos e cheios de falatório e de tardes iluminadas como aquela em que um fotógrafo italiano, conhecido do Ayrton, fez nosso ensaio amoroso que correu o mundo, resgatei um  pouco da alegria da data do nascimento de Cristo.
Eu me sentia absolutamente em família, com a primazia do lugar de honra ao lado do príncipe da casa. Nem mesmo àquelas eventuais alfinetadas que cheguei a ouvir, em relação a antigas namoradas de Ayrton, especialmente a mais famosa delas, eu quis atribuir alguma intenção malévola. Iludia-me com a idéia de que, no fundo, o que eles - elas, seria mais correto dizer - queriam era me agradar.
O casarão tinha cheiro de novo, entulho das últimas obras e um quarto feito sob medida para nós. Nosso quarto tinha espaço suficiente para resguardar a intimidade recíproca tanto quanto para atulhar os armários de creminhos, loções e lavandas. Como sempre, não estranhei cama ou ambiente, mas fui despertada de madrugada por uma algazarra monumental e pela ausência dele, a meu lado, na cama. Corri para a janela e assisti a uma cena que faria a delícia daquelas câmeras indiscretas de programas como o do Faustão - que, todo domingo, era também, de uma certa maneira, um bem-vindo hóspede nosso.

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Realmente uma pena! A Fazenda no interior de TATUÍ/SP, onde possuía uma verdadeira mansão,  não conseguiu aproveitar nada.. terminou de construir no final de 1993 e ele faleceu em maio de 1994...quem usufrui tudo lá hoje em dia é seu pai, já bem idoso e sozinho, pois os outros membros [da família] querem é estar em outros lugares. Deixou tudo para a família.. uma bela mansão e fazenda. (Sandra A., moradora de Tatuí, via redes sociais)


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Mais fotos de Adriane Galisteu com a família de Senna





 Ayrton Senna, Viviane Senna (irmã de Ayrton), Adriane e Bruno Senna (sobrinho) no GP Brasil 1994

Adriane e Ayrton em Hocknheim na Alemanha e atrás a sobrinha de Ayrton, Bianca e a mãe do piloto dona Neyde

Ayrton, Viviane, Bruno, Adriane e um funcionário da Williams no GP Brasil 1994

Ayrton Senna, Viviane Senna (irmã de Ayrton), Adriane e Bruno Senna (sobrinho) no GP Brasil 1994

Bruno, Adriane e Ayrton cavalgando na fazenda Tatuí em 1994


Bruno, Adriane e Ayrton cavalgando na fazenda Tatuí em 1994

Leonardo Senna (irmão de Ayrton), Ayrton Senna e Adriane Galisteu



Adriane, Leonardo (atrás) e Ayrton




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MULHER IDEAL



Ayrton estava muito feliz com Adriane pois encontrou finalmente uma mulher que se mantivese ao seu lado nas viagens, se sentia solitário e já maduro, pelas entrevistas, falava de formar uma família e isso só seria possível ao lado de uma mulher disposta a renunciar muitas coisas, e ela deu essa prova de amor.

Marcia Lima, através do Youtube em 2016.




A chegada de Adriane a Portugal marcaria o início de um longo período vivendo juntos quando Ayrton não voltaria ao Brasil por seis meses, algo que ele nunca tinha feito antes. Provavelmente eles se casariam no fim desse período. - Tom Rubython, biógrafo de Ayrton Senna, em seu livro The Life of Senna.


"Ayrton realmente amava Adriane e ela não era mais uma garotinha na vida dele, como ele falou para pessoas chegadas..." - Francisco Santos, biógrafo de Ayrton Senna, em seu livro “Ayrton Senna Saudade”.

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FONTES PESQUISADAS

GALISTEU, Adriane. Caminho das Borboletas. Edição 1. São Paulo: Editora Caras S.A., novembro de 1994. 

ITIBERÊ, Celso. Senna já se considera líder do mundial. O Globo, 16 de Julho de 1993, Matutina, Esportes, página 24.

RUBYTHON, Tom. The Life of Senna. 1º Edição Sofback. London: BusinessF1 Books, 2006.

SANTOS, Francisco. Ayrton Senna Saudade. Edição Brasileira. São Paulo: EDIPROMO, 1999.

domingo, 15 de julho de 2018

A inesquecível carona de Mansell a Senna após a vitória em Silverstone



Ayrton parou na última volta por falta de gasolina e recebeu do rival inglês uma ajuda para chegar aos boxes; imagem que correu o mundo marcou duelo pelo campeonato mundial de 1991

Foto: Getty Images
Por Fred Sabino, Rio de Janeiro
14/07/2018 07h00  Atualizado 14/07/2018 09h31
Globo Esporte - globoesporte.globo.com

A inesquecível carona de Mansell a Senna após a vitória em Silvertone

Uma das imagens mais icônicas da Fórmula 1 foi registrada num dia 14 de julho, em 1991. Os responsáveis pela cena foram ninguém menos do que Nigel Mansell e Ayrton Senna, na volta da vitória do inglês em Silverstone. Isso porque o brasileiro parou sua McLaren sem gasolina na última volta e Mansell, ao ver o rival em pé ao lado do carro, ofereceu uma carona até os boxes. A imagem em vídeo e foto correu o planeta.

Senna e Mansell já tinham feito batalhas inesquecíveis na pista e até uma, digamos, altercação mais contundente, na Bélgica, em 1987. Mas em 1991, os dois estavam de bem. E brigavam pelo título. Com a McLaren-Honda V12, Ayrton começou o ano vencendo as quatro primeiras corridas, com Mansell - e seu companheiro de equipe Riccardo Patrese - tendo problemas com o câmbio semi-automático da Williams.

Mas o consenso era de que o modelo FW14 seria vencedor, bastava ser confiável. Dito e feito: Mansell só não venceu no Canadá porque o alternador pifou na última volta, mas Patrese ganhou no México e o próprio Nigel venceu na França. Era o momento da Williams.

Nigel Mansell nos boxes de Silverstone, em 1991 (Foto: Getty Images) 

No novo - e mais sinuoso - traçado de Silverstone, a Williams era favoritíssima, e Mansell tinha o apoio maciço da torcida. Nos treinos, o único que ameaçou a pole foi justamente Senna. Numa volta praticamente suicida, Senna subiu nas zebras e, com o câmbio na alavanca, conseguiu o que parecia ser incrível tempo. Mas aí Mansell, com o câmbio semi-automático, cerrou os dentes e abriu 0s6 sobre Senna. Pole garantida e festa na arquibancada.

Senna sabia que teria de arriscar na largada para ter alguma chance de vencer. E assim o fez: com uma partida espetacular, mesmo sem a vantagem do câmbio semi-automático, Ayrton pulou na frente de Mansell, enquanto Riccardo Patrese e Gerhard Berger se acharam na primeira curva, permitindo a Roberto Pupo Moreno assumir o terceiro lugar.

Largada do GP da Inglaterra de 1991, em Silverstone (Foto: Getty Images) 

Mas Senna não teve a mínima chance contra Mansell. Logo depois do complexo de Becketts e Maggots, o inglês desligou o limitador de giros do motor Renault e engoliu Senna na reta do Hangar. Imediatamente, Nigel abriu vantagem sobre Ayrton, que, dentro das possibilidades da McLaren, também conseguiu vantagem consistente sobre os demais.

Mais atrás, Moreno começou a perder rendimento, sendo superado por Berger e a dupla da Ferrari, formada por Alain Prost e Jean Alesi. Na primeira metade da corrida, Alesi passou por Prost e fez uma manobra ousada sobre Berger, ultrapassando o austríaco e permitindo ao companheiro fazer o mesmo. Mas Alesi errou ao tentar passar o retardatário Aguri Suzuki e tirou ambos da prova.

Senna acelera McLaren MP4/6 durante a corrida de Silverstone, em 1991 (Foto: Getty Images)

Enquanto isso, Mansell seguia disparando. A única esperança de Senna era evitar a troca de pneus, já que o inglês tinha uma parada programada. Mas a superioridade da Williams era tão grande, que o brasileiro não conseguiu manter a distância necessária para assumir a ponta em caso de a troca de Mansell ser confirmada. E, de fato, isso aconteceu. Mansell parou e voltou na ponta.

A corrida deu uma acalmada, mas Andrea de Cesaris - sempre ele - voltou a agitá-la, com um de seus espetaculares acidentes. O italiano perdeu o carro da Jordan na curva Abbey e bateu com violência no muro de concreto. Satoru Nakajima e Alain Prost frearam com força para evitar o carro de Andrea, que saiu do carro mancando mas sem grandes problemas.

Andrea de Cesaris com a Jordan destruída após acidente em Silverstone (Foto: Getty Images)

Andrea de Cesaris com a Jordan destruída após acidente em Silverstone (Foto: Getty Images)
Depois do pit stop, Mansell abriu uma tranquila vantagem de mais de 20 segundos sobre Senna, enquanto Prost era um distante terceiro, à frente de Berger e Nelson Piquet, este com uma volta de atraso. Nigel cruzou a linha de chegada para vencer pela terceira vez o GP da Inglaterra, enquanto Ayrton viu o segundo lugar escapar a meia pista do fim com a falta de gasolina da McLaren.

Aí cabe uma explicação: na corrida anterior, na França, o computador de bordo de Senna apontou nas últimas voltas que não havia gasolina suficiente para o brasileiro terminar a prova, mas o Ayrton conseguiu cruzar a linha de chegada mesmo com o painel no negativo. Aí na Inglaterra aconteceu o contrário. O computador mostrava que Senna tinha gasolina para completar a corrida, mas o tanque ficou seco... Aliás, isso aconteceria também na corrida seguinte, na Alemanha.

Mansell chega aos boxes com Senna na carona, em 1991 (Foto: Getty Images)

De qualquer forma, Senna ainda foi classificado em quarto lugar, já que tinha volta de vantagem sobre Piquet, o quinto colocado. Berger herdou a segunda posição à frente de Prost. Com o infortúnio de Ayrton, Mansell reduziu para 18 pontos a desvantagem em relação ao brasileiro, o que esquentou a briga pelo campeonato.

Talvez com dó de Senna, ou para tirar uma onda, Mansell parou o carro para conduzir o rival aos boxes. Quando subiu no carro, Ayrton foi abordado por um torcedor e deu-lhe um safanão, antes de Nigel recolocar a Williams em movimento. Os fotógrafos fizeram a festa.

- Amanhã isso vai sair em todos os jornais! - cravou Galvão Bueno na transmissão da Globo.

Mansell comemora a vitória no GP da Inglaterra de 1991 (Foto: Getty Images)

Depois de mais uma vitória de Mansell e a parada de Senna na Alemanha, a diferença caiu para oito pontos. Mas Ayrton cobrou melhorias da McLaren, e o brasileiro reagiu. Com duas vitórias seguidas, na Hungria e Bélgica, somadas a um abandono de Mansell em Spa-Francorchamps, o brasileiro encaminhou o tricampeonato, conquistado no Japão.

De qualquer forma, uma das imagens daquela temporada foi, sem dúvida, a carona de Mansell a Senna. Um momento único desses dois ídolos da F1.




FONTE PESQUISADA

SABINO, Fred. A inesquecível carona de Mansell a Senna após a vitória em Silverstone. Disponível em: < https://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/blogs/f1-memoria/post/2018/07/14/a-inesquecivel-carona-de-mansell-a-senna-apos-a-vitoria-em-silverstone.ghtml>. Acesso em: 15 de julho 2018.



Ayrton Senna Colorize




infreitas.art (Ingrid Freitas, via instagram, 02/05/2018) Ayrton Senna criança. Piloto brasileiro.Formula 1. foto colorida.




FONTE PESQUISADA

INFREITAS.ART INSTAGRAM - Ayrton Senna criança. Disponível em: <https://www.instagram.com/infreitas.art/>. Acesso em: 04 de julho 2018.

terça-feira, 10 de julho de 2018

A Carta de Bruno Astuto Que Emocionou Adriane Galisteu

É SIM!

Por Bruno Astuto
Revista ELA do O GLOBO, 08 de julho de 2018

Foto: Miro

Lá se vão quase 20 anos desde que Adriane Galisteu estreou sua primeira peça,pelas mãos de ninguém menos do que Bibi Ferreira – e eu estava lá na plateia, como em todas as premières de suas outras 11 peças. Ao longo dessas duas décadas, Galisteu foi conseguindo nos palcos aquilo que parecia impossível: despir-se de sua personalidade forte e inconfundível para abrir espaço para outras personagens e vidas, ainda que a sua própria vida já valha uma novela inteira. Aliás, ela chegou ao conhecimento do público como coadjuvante de um grande homem (a quem rede sempre, in memorian, todas as homenagens, coisa rara num mundo de tanta ingratidão), mas seu talento, seu carisma e sua eterna disponibilidade para o público a trouxeram para brilhar aqui e agora como protagonista. Galisteu é Galisteu, não tem outra.

Ela nunca escondeu – nunca mesmo – que seu sonho era chegar à TV Globo. Depois de uma popularíssima participação na "Dança dos Famosos" do Faustão, eis que Galisteu chegou lá, como uma das vilãs da próxima novela das sete. Acho bem merecido que essa grande mulher – boa mãe, boa filha, boa esposa e profissional aplicadíssima – esteja onde sonhou.


É preciso mesmo paciência, disciplina e obstinação para vencer desafios e preconceitos. Tão longe mas tão perto de Galisteu estão as mulheres da Academia Militar das Agulhas Negras, como mostra a repórter Luiza Barros. Ela subiu o Pico para acompanhar o duro treinamento dessas cadetes pioneiras, que poderão seguir carreiras ligadas à logística do combate – até o início do ano, é bom lembrar, mulheres estsavam restritas às áreas de Saúde e Comunicações. Foi-se finalmente o tempo em que Maria Quitéria teve de se fantasiar de homem para lutar pelo Brasil.

Escreve esta carta de Paris, onde acompanhei os desfiles de alta-costura. Ao final da apresentação da Chanel, a modelo surgiu vestida de noiva – o look mais aguardado da temporada – foi a sul-sudanesa Adut Akech Bior, que nasceu num campo de refugiados. Exemplos como esses nos fazem acreditar que, se vida diz "não", cabe a nós pôr as mãos à obra em busca do nosso "sim". E ele vem, pode acreditar. 



Print da carta na revista Ela



As Versões do Último Encontro de Neyde Senna e Adriane Galisteu



Separei para vocês os relatos da própria Adriane Galisteu e de biógrafos do Ayrton Senna acerca dos dois últimos encontros da mãe do Ayrton, dona Neyde, com a modelo. Entretanto, no relato de Adriane sobre o tenso primeiro encontro delas na fazenda do Braguinha – local onde a modelo se hospedou após a morte do Ayrton, ao ser totalmente ignorada pela família do amado – ela não fala absolutamente nada, apenas que no OUTRO DIA ao enterro dona Neyde bateu na porta dela (lá na fazenda do Braguinha). O encontro foi para marcar para ela retirar suas coisas do apartamento. Nirlando Beirão, que entrevistou Adriane para o livro "Caminho das Borboletas", conta que a mãe de Ayrton tentou "comprar" a modelo. Desde que comecei a pesquisar essa história do Ayrton e Adriane venho notando coisas estranhas nas atitudes da dona Neyde naquela época. Mas não posso também tirar conclusões precipitadas e julgá-la injustamente. Vou ir postando aqui as histórias e os trechos que mais me chamaram atenção. Por hora deixo os relatos dos últimos encontros de Adriane com sua então sogra. Tirem suas próprias conclusões!

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ERNESTO RODRIGUES, BIÓGRAFO DE AYRTON SENNA, AUTOR DO LIVRO "AYRTON, O HERÓI REVELADO":

[O autor inverteu a ordem cronológica dos fatos, na verdade o primeiro encontro foi na fazenda do Braguinha e o segundo no apartamento de Ayrton, onde Adriane e o piloto viveram juntos, para a modelo retirar suas coisas]

O mal-estar entre Adriane e a família, percebido nos funerais de Senna, foi a origem do livro, de acordo com Nirlando Beirão, o co-autor. O assunto tornara-se pauta obrigatória de Caras. Nirlando, o diretor da revista, entendeu que era "responsabilidade profissional" da sua equipe descobrir e explicar o real significado de Adriane na vida de Ayrton:

"Ela tinha ficado em segundo plano, ofuscada pela postura de viúva adotada por Xuxa.”

Difíceis quando Ayrton estava vivo, as relações de Adriane com a família Senna haviam acabado de vez em dois encontros que ela tivera com dona Neyde, dias depois do enterro. Num deles, Adriane esteve com a mãe de Ayrton no apartamento da rua Paraguai para pegar suas roupas e pertences. Deixou o prédio com quatro malas e a escova de dentes dele.

No outro encontro, também nos dias que se seguiram ao enterro, dona Neyde fora à fazenda de Braguinha no interior de São Paulo, onde Adriane estava hospedada, para pegar o cartão de crédito do filho e dar a ela dois mil dólares, "a título de ajuda", na definição de Braguinha. Adriane não aceitou.


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TOM RUBYTHON, BIÓGRAFO DE AYRTON SENNA, AUTOR DOS LIVROS "THE LIFE OF SENNA" E "FATAL WEEKEND":

Depois do funeral, a família Da Silva voltou para sua fazenda em Tatuí para começar a reconstruir suas vidas destroçadas. Os Braga e Adriane foram para a fazenda dos Braga em Campinas. Nada seria remotamente o mesmo novamente para qualquer um deles. Por esse pequeno grupo de talvez, 30 pessoas, entre família e amigos próximos no Brasil, as suas vidas nos últimos 10 anos tinham sido unicamente sobre Ayrton Senna - eles não conheciam nada além disso.


A família Da Silva teve um outro problema que, na realidade, só existia em suas mentes. Eles estavam com medo e preocupados de Adriane querer continuar a viver no apartamento de Senna na Rua Paraguai, isso era a última coisa que eles queriam. Neyde da Silva foi a única voz discordante do restante da família quando expressaram seus medos. Ela simplesmente disse-lhes: "Não, ela não vai," e ela estava certa.

Neyde da Silva decidiu que todos eles tinham tratado Adriane muito, muito mal e resolveu fazer algo a respeito. Na sexta-feira seguinte, levantou-se da cama cedo, antes do restante da família e chamou a seu motorista. Ela ordenou ao motorista para levá-la a fazenda de Antônio Braga, onde ela sabia que Adriane estava.

Adriane teve uma surpresa quando Neyde da Silva de repente chegou sem avisar na casa do Braga. Ela queria falar com as pessoas que passaram o tempo com seu filho em seus últimos dias de vida. Neyde e Adriane sentaram-se em um grande sofá na sala de estar do Braga e conversaram por um longo tempo. Antes de ir embora, Neyde planejou encontrá-la no apartamento de Senna onde tinham vivido juntos, para que Adriane pudesse recolher suas coisas. Adriane tinha um monte de coisas lá. Ela tinha vivido com Senna por um ano, e durante o último mês, ela estava sozinha no apartamento enquanto ele estava na Europa.

No portão (do prédio de Senna), enquanto Adriane entrava no carro, Neyde agradeceu Antônio Braga e Luiza por cuidarem dela e a pediu desculpas pela forma como o restante de sua família havia se comportado. Quando Neyde se foi, Braga virou-se para sua esposa e disse-lhe: "É daí que Beco [Ayrton] saiu (Braga quis dizer que Ayrton puxou a mãe)." Luiza assentiu (concordou). Ela não precisava perguntar o que seu marido quis dizer; ela soube instintivamente.

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NIRLANDO BEIRÃO, BIÓGRAFO DE AYRTON SENNA E ADRIANE GALISTEU, CO-AUTOR DO LIVRO "CAMINHO DAS BORBOLETAS":

Da herança, ela não ficou nem com o troco, embora se saiba que a mãe do ídolo, dona Neyde – até aquele dia, para Adriane, ela era a "Záza" –, tocou no assunto dinheiro na conversa de 45 minutos que ela diligentemente quis ter com a ex-futura nora, no dia seguinte do enterro. Abalou-se em viajar uma hora de carro até a fazenda de Almeida Braga, em Campinas, onde Adriane Galisteu buscara o colo de seus protetores, para tentar comprar dela, por um humilhante pacotinho de dólares que não pagam uma passagem aérea, todas as suas lembranças do passado. Que ela esquecesse tudo, inclusive que ele a tinha amado. Em outras palavras: se quisesse, Adriane Galisteu poderia ter escrito um livro de escândalos. Acabou escrevendo uma love story.

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ADRIANE GALISTEU EM SEU LIVRO "CAMINHO DAS BORBOLETAS":

Zaza [mãe do Ayrton] me disse que, naquele último instante do filho no boxe, aquela longa preparação antes da tragédia, foi uma forma de oração. Ela me disse isso e outras coisas no dia seguinte ao enterro, quando foi à fazenda do Braga para conversar. Na véspera, depois do último adeus, eu também entrei na fila dos cumprimentos. A família enfileirada. Abracei a Viviane, que guardava o capacete do Béco debaixo do braço. Muitas vezes ela tinha repetido, em voz alta, abraçada àquele objeto que tanto lembrava o irmão chorado: "Valeu, Becão! Valeu!" Com o Leonardo, foi um abraço forte, muito forte, e um beijo. "Nada do que  a gente fez foi por acaso" - lembro de ele me dizer. O  pai se retirou, mas Zaza [mãe do Ayrton] estava firme, beijei-a e ouvi dela:  "Quero muito falar com você". Respondi: "Eu também".  Mas não imaginei que no dia seguinte ela já batesse à minha porta. Depois, achei que nunca mais nos veríamos [Adriane pensou que a mãe do Ayrton não estaria no dia que ela fosse retirar suas coisas do apartamento que vivia com o piloto em São Paulo]. Estava enganada.

Quando olhei pela última vez para a cova do Béco, eu  lhe disse em silêncio:

- Eu o amo, mas você me deixou, você me faz falta. Daqui para a frente, minha vida será um tormento.

No dia em que tomei coragem, enfim, de ir a nossa casa, na Rua Paraguai, para retirar as minhas coisas de lá, reencontrei a Zaza. Na fazenda do Braga, em Campinas, recebi o apoio de muitos amigos, uma longa e afetuosa visita da Betise, a Birgit, muitas amigas inesperadas e minha mãe, mas eu estava tão sem eixo, sem rumo, havia perdido tão completamente o fio da meada que me abaixei no carro quando fui a São Paulo pela primeira vez, com o motorista do Braga, depois do enterro. Só ver a cidade já me apavorava.

Fui direto ao apartamento, sem buscar minha mãe, como eu tinha prometido. Dona Neide me esperava. Dez dias depois de toda aquela tragédia. Respirei fundo para enfrentar os fantasmas da memória. Subi de elevador. A porta, entreaberta. Tudo igual - e ao mesmo tempo tudo tão diferente! Não havia nem sinal daquela baguncinha que nós dois produzíamos ali. Tudo no lugar. Não havia mais vida ali. Sentamos, a mãe do Béco e eu, no sofá e conversamos uns quarenta minutos. Ela me falou da Bíblia e, por coincidência, do salmo 81 - aquele que o Béco lia e relia. Ela não se conformava. Senti que ia desabar. Tratei de entrar no quarto. Atirava minhas coisas na mala de qualquer maneira, para poupar sofrimento. Quatro malas cheias, no final. Entrei no banheiro, estava do mesmo jeitinho: a escova de dentes dele no mesmo lugar.

Não resisti: pedi a Zaza para guardá-la. Beijei-a e guardei.

O armário dele, presentes que eu tinha dado, a gaveta com seu pijama predileto, o mais velhinho, tipo bermuda e camiseta de meia manga, azul-claro. Tinha tudo a  ver com a nossa vida. Fiquei com ele também. Mas o cartão que eu lhe tinha dado de aniversário e que ele pregou na porta, eu fiz questão de dar a dona Neide:

- É seu, fica com você - insistiu ela.

- Não, é dele, portanto fica com a senhora.

Dei as costas a um pedaço grande do meu mundo - e sabia que essa despedida seria também para sempre. Dona Neide me levou até a saída do prédio, nós nos abraçamos, eu chorei tanto, ela chorou tanto, uma no ombro da outra, que os dois porteiros que assistiam à cena também se emocionaram. Quis desanuviar:
- Se me pegarem na estrada, vão achar que sou uma sacoleira - disse eu.

Ela ainda falou sério:

- Adriane, obrigada por ter sido mulher dele e tê-lo deixado feliz. Ele foi muito feliz com você.

- Eu também fui muito feliz com ele.

- Vou rezar por você, vou torcer por você, gosto muito de você.

Peguei-lhe pela mão e disse:

- A senhora ainda vai me ver bem, pode ter certeza disso. De uma forma muito real, sincera, coerente, vou dar um jeito na minha vida.

Chovia muito, me recordo. Cada uma de nós entrou no seu carro. Até nunca mais. Uma página estava virada em minha vida.

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FONTES PESQUISADAS


RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

RUBYTHON, Tom. Fatal Weekend. 1º Edição. Great Britain: The Myrtle Press, 12 de novembro de 2015.


BEIRÃO, Nirlando. – Eu Adriane Galisteu, 21 anos, solteira... Playboy, São Paulo, p. 82 – 86, dezembro 1994.

GALISTEU, Adriane. Caminho das Borboletas. Edição 1. São Paulo: Editora Caras S.A., novembro de 1994.