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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

"A Fórmula-Indy é um show e não um desafio" (1994)


Uma coisa é certa: não pretendia encerrar a carreira na Fórmula-Indy que, filosoficamente, definia assim:

"A Fórmula-Indy é uma alternativa de viagem para os que não têm mais espaço na Fórmula-1. É um show e não um desafio. Não é válida para quem começa, mas é boa para quem está acabando."

Que o Emerson Fittipaldi não saiba disso... 











FONTE PESQUISADA

BIANCHI, Ney. Ayrton Senna no vácuo do tetra. Revista Manchete, Rio de Janeiro, nº 2184, ano 42, p. 28-31, Bloch Editores S.A., 12 de fevereiro de 1994.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

‘Emerson botando fogo’: Relembre do teste de Senna na Indy, há 25 anos

Cleber Bernuci
21 Dezembro 2017 | 15h09
#FERA - esportefera.com.br

A quase bem-sucedida aventura de Fernando Alonso na Formula Indy, neste ano, nos fez lembrar de outra incursão de um piloto de Fórmula 1 na categoria norte-americana. Há 25 anos, Ayrton Senna deixava a F1 em choque e testava um carro da Indy pela primeira e única vez. Foi com a Penske, em dezembro de 1992, a convite de Emerson Fittipaldi, que Senna acelerou o PC-21 equipado com motor turbo Chevrolet e calçado com pneus Goodyear no curto circuito de Firebird, próximo a Phoenix, no Arizona.


Primeiro, o contexto. Senna estava profundamente descontente com a falta de competitividade da McLaren na Fórmula 1, com a dominância da Williams de suspensão ativa e repleta de controles eletrônicos, e com o fato de que sua equipe usaria motores Ford de segunda geração em 1993 com a saída da Honda da categoria. Por isso, o tricampeão estava livre, leve e solto no mercado – tanto que, no ano seguinte, correu a temporada com contratos assinados a cada corrida.

Assim, o teste de Senna na Indy era também uma forma de pressionar a própria F1, que acabara de perder uma de suas estrelas – Nigel Mansell, campeão antecipado de 1992 com AQUELA Williams, correria nos Estados Unidos pela Newman-Haas, onde acabou sagrando-se também campeão. A “pulada de cerca” de Ayrton visava mostrar à F1 que ela poderia perder seu principal piloto, bem como apertar a McLaren em busca de mais competitividade – e porque não, um salário mais alto.

Foi neste cenário que Ayrton aceitou o convite de Emerson Fittipaldi para testar com a Penske nos Estados Unidos. O jornalista Bruce Martin, da revista inglesa Autosport, falou com personagens daquele dia frio no Arizona para relembrar, 25 anos depois, daquilo que poderia ter sido caso o brasileiro ficasse para correr na ascendente Fórmula Indy.




O jovem canadense Paul Tracy, que fizera algumas etapas pela Penske em 1992, estava em estado de definição de seu contrato com a equipe para 93. Ele ainda não sabia se faria toda a temporada ou parte dela com o time. Como o próprio se recorda, ele já estava amarrado ao carro quando viu duas limousines chegando ao circuito. “O teste já havia iniciado. Estou nos pits e vejo as limousines chegando do lado de fora. O pessoal da equipe abriu os portões do circuito para que os carros entrassem, e achei aquilo muito estranho. Aí, saem Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna”, lembra.

“Senna trazia uma bolsa com seu capacete, no que pensei: ‘meu Deus, lá vamos nós’. A equipe tinha outro carro pronto para o teste. Eu estava pisando em ovos porque ainda não sabia se faria toda a temporada com a Penske. Havia alguns rumores circulando de que Senna iria assinar com a equipe e eu queria ver se ele iria entrar no carro”, contra Tracy.

Roger Penske, dono da equipe, conta como se deu o acerto para que Senna fizesse o teste. “Emerson me ligou e perguntou se Ayrton poderia experimentar o carro. Claro que aceitei na hora”, disse, lembrando que havia certo interesse do brasileiro em disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Roger redigiu um contrato de uma página somente para o teste, Ayrton assinou e aí foi só vestir macacão e capacete para acelerar.

Abaixo, a matéria da Band cobrindo o teste de Ayrton.


Senna testou o carro da Indy antes mesmo que Mansell o fizesse – na mesma pista, aliás. O inglês já estava assinado, mas àquela altura ainda não havia experimentado o Lola-Ford da equipe.

Emerson foi primeiro à pista fazendo um teste de verificação dos componentes do carro. Depois disso, Senna estava livre para acelerar. Em matéria à Band, contou que precisou de umas dez voltas para aquecer os pneus corretamente, já que fazia muito frio na região à época. Os mecânicos, então, foram ao carro para ajustar a posição dos pedais para que Senna pudesse pilotar, já que Ayrton era mais baixo que Emerson. Já sentado, o tricampeão disse que não precisaria.


Rick Mears, que anunciara sua aposentadoria dias antes, esteve presente ao teste de Ayrton. “Era visível que ele estava à frente do carro, embora fosse um equipamento em que ele jamais havia andado antes, em uma pista que ele não conhecia. Lembro de vê-lo contornando a curva antes da reta, uma curva apertada e lenta à direita; ele entrou forçando, com o carro saindo de traseira e ele corrigindo de uma maneira que nos mostrou o tamanho de seu talento – não que ele precisasse nos provar nada”.

Mears conta, na reportagem, que o brasileiro era um sujeito legal, quieto, e com os pés no chão. E conta da alegria de Ayrton a ter o carro nas mãos. “Lembro dele falando dos carros de Fórmula 1 com os paddleshifts (borboletas de troca de marcha atrás do volante), e suspensão ativa. E ele disse ‘isso é legal, eu posso pilotar o carro novamente'”.


Ayrton Senna completou cerca de 15 voltas com o Penske-Chevrolet, anotando sua melhor volta em 49,09 segundos, um tempo 0,61 segundo mais rápido que o de Emerson, que pilotara pouco antes. O recorde de Fittipaldi naquela pista, com aquele carro, era de 48,5 segundos.

Segundo a equipe, a reunião de depois do teste, com os engenheiros, foi mais uma prova da maestria e do talento do brasileiro. “O debrief foi fascinante, porque ele identificou de cara as forças e as fraquezas do carro, coisas com as quais tivemos de lidar durante toda a temporada”, lembra Chuck Sprague, chefe da equipe. “Ele elogiou os freios, gostou do câmbio manual e disse que no geral era um carro muito equilibrado. Logo de cara, Ayrton estava confortável e integrado ao carro – e é o que se espera quando um cara desse naipe senta em um carro de corrida”, aponta.


O chefe dos mecânicos, Rick Rinaman, também se impressionou com o feedback de Senna. “O que mais me lembro foi dele falando quando a aerodinâmica do carro parava de fazer efeito, em que ponto da pista, e não só sobre as asas, mas também da parte de baixo do carro. Aquilo foi incrível, porque não era o tipo de coisa que estávamos acostumados a ouvir”.

Roger Penske também foi um dos que se impressionou. Confira recente entrevista do dono da equipe ao canal Senna TV:


Ayrton Senna gostou. E mostrou ter feito acordar dentro de si a paixão pelas corridas, arrefecida com o carro pouco competitivo que teve em 1992, com poucas chances contra equipes mais fortes. “Carro de corrida é uma droga no sangue da gente. Quando ligaram o motor eu lembrei da época dos turbo que tínhamos na F1, então o vírus acordou dentro de mim, porque ele estava meio adormecido”, contou, em entrevista à repórter Silvia Vinhas, que acompanhou o teste. “Depois, vendo o Emerson andar, o tesão fica muito grande pela coisa, e depois de experimentar o carro, a sensação foi ótima”, disse Senna, ressaltando que a pista era lenta e que o carro funciona de uma maneira bastante particular à que ele estava acostumado na Fórmula 1.

O brasileiro ainda passou mais uns dias com a Penske e acompanhou um teste de Emerson no oval de Phoenix, no mesmo estado. Foi oferecida a chance de pilotar no oval, mas ele declinou dizendo que queria ver mais antes de tentar. Acabou não tentando.


No dia do teste, Emerson já sabia da importância do que acabava de acontecer. “Para nós, é um dia histórico. O Ayrton gostou muito. Mais dia, menos dia, ele vai estar aqui conosco”, disse à Band. “O Emerson ficou botando fogo para eu vir. Estava tranquilo no Brasil, curtindo meu jet-ski na praia. Um dia vou guiar esse carro. É só uma questão de tempo. A gente só tem de esperar o momento e a oportunidade certa”, afirmou Senna.

Antes de ir embora, Ayrton agradeceu e cumprimentou cada um dos integrantes do time pessoalmente. O resto da história, todos sabemos. Roger Penske lembra da felicidade de ter um ícone do automobilismo em um de seus carros – ao lado de outro ícone, Fittipaldi. A pergunta que ficou foi se Senna chegou perto de assinar um contrato para correr com a Penske na Fórmula Indy. “Nunca saberemos. Ficamos muito felizes de tê-lo em nosso carro. Uma pena que ele nunca chegou a correr conosco”, diz Penske. Alívio para Paul Tracy.

Pena que nunca aconteceu.



FONTE PESQUISADA


BERNUCI, Cleber. ‘Emerson botando fogo’: Relembre do teste de Senna na Indy, há 25 anos. Disponível em: < http://esportefera.com.br/blogs/p1-nas-pistas/emerson-botando-fogo-relembre-como-foi-o-teste-de-ayrton-senna-na-indy-25-anos-atras/>. Acesso em: 22 de dezembro 2017.


sábado, 26 de agosto de 2017

A Morte de Ayrton, Para a F1 e Para Mim

“Minha opinião é que, se não tivesse morrido, Ayrton poderia ter sido campeão em 1994, 1995 e 1996 e talvez até em 1997, superando os títulos ganhos por Michael”

N° Edição: 408 Texto: Emerson Fittipaldi 25/08/2017


Quando penso na morte de Ayrton e no fim de sua carreira na Fórmula 1, inevitavelmente penso em Michael Schumacher, que começava a fazer sucesso quando Ayrton foi morto. Hoje, Michael continua em recuperação depois de um acidente de ski em 2013. Rezo por ele sempre, espero que se recupere. Michael é, claro, o mais bem-sucedido piloto da história da F1, com sete títulos mundiais. Porém, se Ayrton tivesse sobrevivido sem sequelas ao acidente de Ímola em 1994, tenho certeza que teria sido campeão naquele ano, derrotando Michael. Afinal, o parceiro de Ayrton na equipe Williams, Damon Hill, quase levou o campeonato naquele ano – não fosse aquela questionável manobra de Michael em Adelaide, no fim da temporada, teria ganhado – e, nos GPs antes de Imola, Ayrton tinha sido muito mais rápido que Damon.

Muitos especialistas já disseram que Damon deveria ter ganhado em 1995 – mais uma vez, foi batido por Michael. E finalmente Damon foi campeão em 1996, derrotando Michael de forma limpa e inquestionável. Minha opinião é que, se Ayrton tivesse saído sem ferimentos do acidente em Ímola, teria conquistado o título pela Williams em todos esses anos – 1994, 1995 e 1996 –, o que resultaria em um total de seis títulos, contra cinco de Michael. Na verdade, também poderia ser campeão pela Williams em 1997, com 37 anos, no lugar de Jacques Villeneuve, chegando a sete títulos mundiais. Mas, como disse, essa é só minha opinião.

Isso é o que a morte de Senna significou para a F1. Mas o que ela significou para mim? Pergunta difícil, mas vou tentar responder. Penso em Ayrton todo dia. Como homem de fé, sinto a presença dele em minha vida, e ela me faz melhor. Quando vejo fotos dele, especialmente sorrindo, ouço sua risada. Quando assisto a vídeos dele pilotando um F1 – especialmente em Mônaco, onde superou em muito o que qualquer homem jamais havia feito lá, ou fez depois – sinto a mais genuína admiração. De fato, tinha um talento único. De fato, ele era brilhantemente rápido. De fato, jamais veremos alguém como ele.


Tenho uma história que resume bem Ayrton. Em 1992, eu o convenci a testar meu Penske da Indycar em Phoenix uma pista oval curta. Antes de ele pilotar, ele pediu para eu dar algumas voltas para ele observar de fora. Eu estava andando rápido, com médias acima de 274 km/h. De repente, no meio da Curva Dois, eu passando a oito ou dez centímetros do muro, ele enfia a cabeça por um vão da cerca, para ver melhor como eu saía da curva.

Quando voltei aos boxes, disse “Ayrton, você é louco! Eu podia ter arrancado sua cabeça! Você não sabe que nas pistas ovais da Indy sempre passamos lambendo os muros?” Ele não respondeu nada, mas, sempre quando lembro da conversa, vejo perfeitamente seu sorriso irônico, escuto perfeitamente sua risadinha inconfundível.




FONTE PESQUISADA

FITTIPALDI, Emerson. A morte de Ayrton, para a F1 e para mim. Disponível em: <http://motorshow.com.br/a-morte-de-ayrton-para-a-f1-e-para-mim/>. Acesso em: 26 de agosto 2017.

domingo, 30 de abril de 2017

domingo, 29 de janeiro de 2017

Senna Realiza Teste Secreto Com Carro da Penske em Phoenix


Sem fazer alarde, Ayrton Senna pegou um avião rumo ao Arizona em dezembro de 1992 para testar, em Phoenix, com o carro da Penske na Indy. E bateu o tempo do campeão Emerson Fittipaldi por meio segundo

RENAN DO COUTO, de São Paulo
WARM UP - grandepremio.uol.com.br
20/12/2016 08:00

Ayrton Senna não queria correr para a McLaren em 1993 — e um dos estágios da novela daquela intertemporada da F1 envolveu uma viagem para o deserto do Arizona em dezembro de 1992.
 
No dia 20 de dezembro, o tricampeão da F1 entrou no cockpit do carro que a Penske usava na CART para um teste secreto em Phoenix.
 
O arranjo para a atividade envolveu o bicampeão Emerson Fittipaldi, que corria para Roger Penske na época. E também marcou presença John Hogan, o homem que assinava o cheque da Marlboro tanto para a McLaren, quanto para a Penske.

Ayrton Senna testa carro da Penske em Phoenix, 1992 (Foto: Sutton)

 Se Senna não queria ficar na McLaren para 1993, também não queria ir para a Indy naquele momento. Era um plano para o futuro. De qualquer forma, a incerteza se dava porque a Honda havia deixado o time que dominou a F1 entre 1988 e 1991, e seria preciso utilizar motores comprados da Ford. O pacote dificilmente seria páreo para o da Williams Renault de Alain Prost — que havia bloqueado sua transferência para lá.
 
Senna observou Fittipaldi dar algumas voltas no oval antes de sentar para fazer seu treino no misto — Roger achava que seria melhor desta forma.
 
No misto, Emerson cravou sua melhor volta em 49s7. Senna, em seu primeiro contato com o carro, deu 28 voltas e cravou 49s25.

Ayrton Senna testa carro da Penske em Phoenix, 1992 (Foto: Reprodução)

 “Ele voltou para os boxes e disse ‘obrigado, aprendi o que eu precisava aprender’. Saiu do carro e foi isso”, conta o engenheiro Nigel Beresford. “Ele gostou bastante. Disse que ficou bastante impressionado com a aceleração. Não estava contente depois da primeira saída, mas na segunda foi muito rápido”, comentou Fittipaldi.
 
Naturalmente, a notícia vazou, causando ainda mais especulações a respeito do que Senna faria. Em 27 de janeiro, a Penske anunciou Fittipaldi e Paul Tracy como titulares. E, em 10 de fevereiro, a inscrição da FIA indicou Michael Andretti e Mika Häkkinen como os pilotos da McLaren. Mas, como se sabe, houve espaço para o retorno de Ayrton em 1993 e as últimas cinco vitórias de sua carreira.


FONTE PESQUISADA

Do Couto, Renan. Na Garagem: Senna realiza teste secreto com carro da Penske em Phoenix. Disponível em: <http://grandepremio.uol.com.br/indy/noticias/na-garagem-senna-realiza-teste-secreto-com-carro-da-penske-em-phoenix?cmpid=native-calhau>. Acesso em: 29 de janeiro 2017.














domingo, 10 de janeiro de 2016

Engenheiro Lembra Teste De Senna Na Indy: Incrivelmente Rápido


Por: René Fagnan, Jornalista
Motorsport - br.motorsport.com
10 de janeiro de 2016

Em dezembro de 1992, a lenda da Fórmula 1 Ayrton Senna testou um carro Penske da Indy. Engenheiro do brasileiro naquele dia, Nigel Beresford, contou a Rene Fagnan a história de um dia em que dois dos grandes nomes do automobilismo juntaram forças

Ayrton Senna sabia que a temporada 1993 de Fórmula 1 era suscetível a terminar em enorme decepção. Sua equipe McLaren tinha perdido os motores Honda, e o tricampeão sabia que a Ford seria impotente em comparação a Williams-Renault de seu rival Alain Prost.

Senna estava ponderando suas opções, e queria sentir o que um carro de Indy poderia oferecer - um carro sem todos os aparelhos eletrônicos que caracterizaram as máquinas de F1 no início dos anos 90.

Nigel Beresford, hoje o diretor técnico da Dragon Racing na Fórmula E, atuou como engenheiro de Senna naquele dia - e ele contou a história que se desenrolou em 10 de Dezembro de 1992.

"Nós tínhamos planejado para testar a nova Penske PC22 por três dias", disse Beresford ao Motorsport.com.

"O primeiro era para ser realizada no Firebird Raceway Ocidente, um circuito de estrada muito curto de 1,1 milha. Tivemos uma Penske 1992 para usar como um carro de comparação e como linha de base."

Um acordo de última hora

Poucos dias antes do teste, Emerson Fittipaldi e a Marlboro chegaram a um acordo para Senna dirigir o carro de 1992.

"Foi um acordo de última hora", lembrou Beresford "Senna chegou quase sozinho.; apenas com John Hogan da Marlboro".

"A última vez que eu o tinha visto foi no Grande Prêmio da Austrália, em Adelaide, 1991. Para ver alguém como ele em um lugar tão comum um ano depois ainda parecia surreal."

Emerson Fittipaldi começou o dia dirigindo o Penske 92. "Estava frio e a pista estava escorregadia", disse. "Emmo sofreu com os pneus frios, mas finalmente encontrou o carro muito bem equilibrado e apenas faltava aderência geral".

"Ele entrou, nós mudamos os pneus, e ajustamos o equilíbrio do freio um pouco mais para trás. Ele completou uma rodada de 12 voltas e uma rodada de 13 voltas, estabelecendo um melhor tempo de 49,7 segundos duas vezes."

A vez de Senna

Depois de uma pequena pausa, Senna deslizou na cabine estreita do carro Penske Indy.

"Normalmente, pilotos de Fórmula 1 pegam o ritmo imediatamente", disse Beresford. "Ayrton começou a fazer algumas voltas muito lento inicialmente, o que foi uma surpresa".

"Este carro tinha um câmbio sequencial, e Senna teve de se acostumar com a manipulação de uma alavanca de câmbio novamente. Se não, ele perderia o seu caminho através das marchas. Ele iria parar o carro completamente, selecionar a primeira marcha e depois ir novamente".

Ayrton Senna teve de se acostumar com as características de um carro turbo. Depois de completar 14 voltas, ele voltou para os boxes com uma melhor volta de 49,5 segundos.

"Ele me disse que achou o carro muito pesado - não tão ágil quanto um carro de F1 muito mais leve - e acrescentou que não sabia as rotações que ele estava puxando porque o motor soou muito diferente", acrescentou Beresford.

"Firebird tem curvas moderadamente rápidas, e Senna estava apenas começando a forçar o carro através delas. Ele podia sentir o peso do carro. Ele não queria empurrá-lo ao limite. Não era o lugar nem o tempo para fazer isso".

"Ele queria ver a sensibilidade do carro, por isso, colocou molas mais macias na parte de trás, desconectado da barra estabilizadora traseira, e adicionou 20 litros de metanol."

Incrivelmente rápido

O tricampeão de Fórmula 1 fez outra rodada de 10 voltas com o mesmo conjunto de pneus, e definiu um melhor tempo em 49,09 segundos.

Ele voltou para os boxes e disse: 'muito obrigado, eu aprendi o que eu preciso saber'. Ele saiu do carro e foi isso ", continuou Beresford.

"Senna não me decepcionou em qualquer nível. Ele era apenas incrivelmente rápido. A melhor volta de Emmo foi um 49,7 em comparação com Senna de 49,09".

"No final do dia, Emerson fez um 48,5 no novo Penske, e que foi apenas 0,6s mais rápido do que Senna. Isso foi muito bom considerando que Ayrton estava dirigindo um carro velho com pneus velhos".

"Para mim isso indicou o quão extraordinariamente rápido ele foi capaz de adaptar-se e aproximar-se de tempos competitivos."

Vídeo:
Ayrton Senna testando o F Indy da Penske em 1992 Emerson Fittipaldi



FONTE PESQUISADA

FAGNAN, René. Engenheiro lembra teste de Senna na Indy: incrivelmente rápido. Disponível em: <http://br.motorsport.com/indycar/news/engenheiro-lembra-teste-de-senna-na-indy-incrivelmente-rapido-666945/>. Acesso em: 10 de janeiro 2016.



segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Na Garagem: Senna Realiza Teste Secreto Com Carro Da Penske Em Phoenix

20/12/2015 06:00


Sem fazer alarde, Ayrton Senna pegou um avião rumo ao Arizona em dezembro de 1992 para testar, em Phoenix, com o carro da Penske na Indy. E bateu o tempo do campeão Emerson Fittipaldi por meio segundo

WARM UP
RENAN DO COUTO, de São Paulo
Grande Prêmio - grandepremio.uol.com.br

Ayrton Senna não queria correr para a McLaren em 1993 — e um dos estágios da novela daquela intertemporada da F1 envolveu uma viagem para o deserto do Arizona em dezembro de 1992.

No dia 20 de dezembro, o tricampeão da F1 entrou no cockpit do carro que a Penske usava na CART para um teste secreto em Phoenix.

O arranjo para a atividade envolveu o bicampeão Emerson Fittipaldi, que corria para Roger Penske na época. E também marcou presença John Hogan, o homem que assinava o chefe da Marlboro tanto para a McLaren, quanto para a Penske.

Ayrton Senna queria ter encerrado o ciclo na McLaren ao final de 1992, junto do amigo Gerhard Berger (Foto: McLaren)

Se Senna não queria ficar na McLaren para 1993, também não queria ir para a Indy naquele momento. Era um plano para o futuro. De qualquer forma, a incerteza se dava porque a Honda havia deixado o time que dominou a F1 entre 1988 e 1991, e seria preciso utilizar motores comprados da Ford. O pacote dificilmente seria páreo para o da Williams Renault de Alain Prost — que havia bloqueado sua transferência para lá.

Senna observou Fittipaldi dar algumas voltas no oval antes de sentar para fazer seu treino no misto — Roger achava que seria melhor desta forma.

No misto, Emerson cravou sua melhor volta em 49s7. Senna, em seu primeiro contato com o carro, deu 28 voltas e cravou 29s25.

Ayrton Senna em 1993 (Foto: Getty Images)

“Ele voltou para os boxes e disse ‘obrigado, aprendi o que eu precisava aprender’. Saiu do carro e foi isso”, conta o engenheiro Nigel Beresford. “Ele gostou bastante. Disse que ficou bastante impressionado com a aceleração. Não estava contente depois da primeira saída, mas na segunda foi muito rápido”, comentou Fittipaldi.

Naturalmente, a notícia vazou, causando ainda mais especulações a respeito do que Senna faria. Em 27 de janeiro, a Penske anunciou Fittipaldi e Paul Tracy como titulares. E, em 10 de fevereiro, a inscrição da FIA indicou Michael Andretti e Mika Häkkinen como os pilotos da McLaren. Mas, como se sabe, houve espaço para o retorno de Ayrton em 1993 e as últimas cinco vitórias de sua carreira.


FONTE PESQUISADA

COUTO, Renan do. Na Garagem: Senna realiza teste secreto com carro da Penske em Phoenix. Disponível em: <http://grandepremio.uol.com.br/indy/noticias/na-garagem-senna-realiza-teste-secreto-com-carro-da-penske-em-phoenix>. Acesso em: 21 de dezembro 2015.