Mostrando postagens com marcador Patrocínios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Patrocínios. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de março de 2017

O Primeiro Patrocinador

Matheus Schnaider e Ayrton Senna em 1983

Hoje a 22 anos perdemos um dos maiores idolos que o Brasil já conheceu, Ayrton Senna. Quando ainda era jovem, procurava uma oportunidade de mostrar seu potencial ao mundo, mas as portas não se abriam. Tudo mudou quando Ayrton conheceu um jovem executivo, presidente do banco carioca BANERJ. Matheus Schnaider foi o primeiro patrocinador da vida profissional de Senna, Matheus Schnaider era meu pai. Na ocasião desta foto, Ayrton Senna pediu esta foto ao meu pai, e este respondeu "Algo me diz que um dia serei eu que vou querer uma foto com você"


Daniel Schnaider, 01 de maio de 2016, em postagem no Facebook.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O boné do Banco Nacional de Ayrton Senna [Especial]


O extinto banco brasileiro Nacional foi o principal patrocinador de Ayrton Senna durante toda sua carreira na Formula 1. Desse contrato de patrocínio surgiu um dos bonés mais conhecidos no Brasil: o boné azul do Senna, que curiosamente chegou a ser proibido pela equipe Lotus.

Conheça a história completa desse famoso boné do Banco Nacional em “Continue lendo” abaixo:

A Formula 1 é um esporte no topo da pirâmide do automobilismo profissional, onde cada espaço de exposição publicitária alcança altos valores monetários. Um dos mais visados espaços publicitários são os bonés de patrocinadores, utilizados em entrevistas, coletivas, na concentração nos boxes e, claro, no pódio. Essa posição de destaque era discutida em cláusulas de contrato, garantindo esse lugar para os maiores investidores financeiros nas equipes.

(Senna em 1984)

(Senna em 1984)

Em sua estreia na Formula 1, Senna foi visto utilizando bonés Michelin e da Pirelli,  fornecedores de pneus da Toleman, sua primeira equipe. Foi só na temporada de 1985, quando foi correr pela escuderia Lotus, que o Banco Nacional se tornou o patrocinador pessoal de Senna. A partir desse ano, Senna e o Nacional iniciaram uma parceria que se manteve até o fim de sua carreira.

(Senna com o boné do Nacional, em 1985).

Na terceira temporada de Senna na F1, a equipe Lotus recebia o patrocínio das marcas Elf (combustível), Honda (motor) e Camel (indústria tabagista) e seus logotipos eram estampados no chassi dos bólidos, bordados nos macacões dos pilotos e aplicados em seus capacetes, além de patrocinadores pessoais de cada corredor. Quando foi renovar seu contrato com a equipe, em Janeiro de 1987, uma cláusula dizia o seguinte:

“Em todo momento de aparição pública nas corridas, treinos, entrevistas para imprensa e televisão ou outros eventos promocionais,  o Piloto deve, se necessário e requerido, utilizar um boné com publicidade indicada pela Lotus e substituir o uso do boné ‘Nacional’, como ocorreu durante a temporada de 1986″ (trecho retirado do contrato de renovação da equipe Lotus com Senna, em Janeiro de 1987).

(engenheiro da Lotus Steve Hallam e Senna, com o boné do Nacional, em 1986).

Para manter essa boa relação com o banco, que rendia para Senna um bônus considerável em seus ganhos financeiros, no mesmo dia que recebeu esse contrato de renovação restringindo o uso do boné do Nacional, os advogados de Senna solicitaram uma mudança na cláusula, se baseando em uma excessão do contrato original:

“Vocês concordaram com a excessão das provisões de patrocínios proscritas nos apêndices do contrato que Ayrton Senna da Silva pode usar um boné com desenho aprovado por seus patrocinadores pessoais para entrevistas aqui descritas. São entrevistas com duração menor de 3 minutos exclusivas para a TV Globo, limitada a uma entrevista antes da corrida e outra depois, longe da área da pista.” (trecho retirado da carta dos advogados de Senna para a Lotus, em Janeiro de 1987).

(Senna com o boné do Nacional, em 1986).

Após uma conturbada noite de negociações, o contrato de Ayrton Senna com a Lotus foi renovado por mais duas temporadas, a excessão do uso dos bonés do Nacional em entrevistas para a Globo foi aceita.

Longe das câmera da Globo, durante toda a temporada de 1987 Senna utilizava um boné da Elf:




(Senna em 1987, com boné do Nacional, em entrevista para a Rede Globo).


Quando trocou a Lotus pela McLaren, em 1988, a restrição com o boné do Banco Nacional acabou.

A extensa exposição de Senna utilizando o boné do Banco Nacional em entrevistas, sejam elas oficiais ou particulares, campanhas publicitárias e aparições públicas transformaram o boné azul em um ícone local.

Originalmente, o boné não era vendido ao público, mas era utilizado como peça promocional para novos clientes e prêmio para correntistas antigos do banco, porém era possível encontrar “réplicas” do boné em camelôs das grandes cidades brasileiras.




(Adriane Galisteu com boné do Nacional e Senna andando de moto em Mônaco, 1993).

Senna continuou usando o boné do Banco Nacional até o final de sua carreira, carregando seu patrocinador para todas as equipes que ele correu. Em raras ocasiões Senna trocou o Nacional por outro boné, como seus momentos no pódio que, por contrato, obrigava os primeiros lugares a usarem um boné da Goodyear.

O Banco Nacional fechou em 1995.


Na grande maioria das vezes em que foi visto, o boné do Banco Nacional é um H-Panel azul, com um gráfico do logo do banco no painel frontal, silkado na cor branca. A assinatura de Senna, no painel lateral, era silkada na cor amarela. Hoje, é possível comprar réplicas oficiais do boné, que pecam em não reproduzir com exatidão o boné original.


(Réplicas atuais do boné do Nacional).


Assista uma seleção de comerciais de Senna utilizando o boné do banco Nacional.









Fontes: Folha, ESPN, Formula1.com, Wikipedia, Ayrton Senna Vive, AyrtonSenna.com.br, Youtube.


FONTE PESQUISADA


BONÉSBR - O boné do Banco Nacional de Ayrton Senna [Especial]. Disponível em: <http://bonesbr.com/post/117838336815/o-bon%C3%A9-do-banco-nacional-de-ayrton-senna>. Acesso em: 30 de dezembro 2016.

sábado, 17 de setembro de 2016

Senna Assina Contrato Com a Sonax


Em setembro de 1993, Senna assinou em Spa, autódromo que se realiza o Grande Prêmio da Bélgica, um contrato com a Sonax, uma empresa Alemã com sede em Neuburgo do Danúbio, de produtos químicos e serviços para cuidados automotivo. O contrato era vigente por três anos, a partir de 1994. 


****************************************

TRADUÇÃO LIVRE DO ALEMÃO

IE FÓRMULA 1 EM VISTA

Especialmente para o desenvolvimento internacional SONAX teve desde o início do patrocínio de atividades a fórmula 1 em sua mira. Além de algumas atividades isoladas, como o patrocínio pessoal de Hans-Joachim Stuck conseguiu SONAX 1994 como a primeira empresa alemã para trazer um patrocínio pessoal do automobilismo lenda Ayrton Senna assinado e selado.

Senna já celebrado em 1988 ganhando seu primeiro título de Fórmula 1 Campeonato Mundial no Team Honda Marlboro McLaren. Em 1994, a Fórmula 1 lenda e SONAX selou o início de uma parceria de sucesso, mas infelizmente muito curto. Os brasileiros simpáticos apresentou a marca SONAX nesse ano fatídico em pessoa em seu traje de corrida e a obrigatória "corrida Cap". Ele já tinha ganho três títulos mundiais - todos na cabine de Honda McLaren Marlboro - antes dele 1993, a saída da Honda da Fórmula 1 com a equipe Rothmans Williams Renault levou. Por esta altura os três vezes campeão mundial de 41 vitórias em Grandes Prémios para o seu crédito e foi colocado mais de 12.000 Fórmula 1 km à frente. Ele chegou 65 vezes a pole position e agiu assim o nome "Magic Senna" a. Como o primeiro parceiro alemão da Fórmula 1 lendário Campeões da marca SONAX levantou abruptamente mundo no centro das atenções.
Seu trágico acidente no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, em 01 de maio de 1994 chocou o mundo e provocou na sede corporativa da SONAX profunda consternação.

No entanto, foi decidido que uma continuação das atividades de patrocínio na Fórmula 1 com a equipe Sauber SONAX permaneceu F1. O significado literal da palavra "Clean" encaixar naturalmente bom para SONAX - crucial para a parceria, mas foi um piloto alemão Heinz-Harald Frentzen comemorado no cockpit fez sua estréia Fórmula 1. SONAX tomou a chance de abandono do patrocinador "Broker" e foi sócio de Mönchengladbach Bacher na boca de todos.


IDIOMA ORIGINAL

IE FORMEL 1 IM VISIER

Vor allem für die internationale Entwicklung hatte SONAX bereits seit Beginn der Sponsoring-Aktivitäten die Formel 1 im Visier. Neben vereinzelten Aktivitäten wie dem persönlichen Sponsoring von Hans-Joachim Stuck gelang es SONAX 1994 als erstes deutsches Unternehmen, ein persönliches Sponsoring der Motorsport-Legende Ayrton Senna unter Dach und Fach zu bringen.

Senna feierte bereits im Jahr 1988 den Gewinn seines ersten Formel-1-Weltmeistertitels im Team Honda Marlboro McLaren. Im Jahr 1994 besiegelten die Formel-1-Legende und SONAX den Anfang einer erfolgreichen, aber leider sehr kurzen Partnerschaft. Der sympathische Brasilianer präsentierte die Marke SONAX in diesem schicksalhaften Jahr höchstpersönlich auf seinem Rennanzug und auf dem obligatorischen „Rennfahrer-Cap“. Er hatte bereits drei WM-Titel gewonnen – alle im Cockpit von Honda McLaren Marlboro – bevor ihn 1993 der Ausstieg von Honda aus der Formel 1 zum Team Rothmans Williams Renault führte. Zu diesem Zeitpunkt hatte der dreifache Weltmeister 41 Grand Prix Siege auf seinem Konto und lag dabei über 12.000 Formel-1-Kilometer in Führung. Er erreichte 65 Mal die Pole-Position und handelte sich damit den Namen „Magic Senna“ ein. Als erster Deutscher Partner des legendären Formel-1-Champions stand die Marke SONAX schlagartig weltweit im Rampenlicht.
Sein tragischer Unfall beim Großen Preis von San Marino in Imola am 1. Mai 1994 schockierte die Welt und löste auch in der Unternehmenszentrale von SONAX tiefe Bestürzung aus.

Man entschloss sich dennoch für eine Fortsetzung der Sponsoring-Aktivitäten in der Formel 1. Mit dem Team Sauber blieb SONAX der Formel 1 erhalten. Die wörtliche Bedeutung des Wortes „Sauber“ passte natürlich gut zu SONAX – ausschlaggebend für die Partnerschaft war aber ein deutscher Fahrer: Heinz-Harald Frentzen feierte im Cockpit sein Formel-1-Debüt. SONAX nutzte die Chance des Ausstiegs des Sponsors „Broker“ und war als Partner des Mönchengladbachers wieder in aller Munde.

****************************************


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 

O ESTADO DE SÃO PAULO - Conformado, Senna joga a toalha. O Estado de S. Paulo, 11 de setembro de 1993, Esportes, página 33.

SONAX FOREVER - MOTORSPORT HISTORY. Disponível em: <http://www.sonaxforever.com/Motorsport/Motorsport-History>. Acesso em: 17 de setembro 2016.










quarta-feira, 8 de junho de 2016

Ayrton Senna, Mclaren e Marlboro em 1992

por Fabio Paiva • 15/12/2014 às 17:58
Quatro Rodas - quatrorodas.abril.com.br

A fabulosa McLaren de Ayrton Senna, carro lendário em vermelho e branco com a industria tabagista patrocinando, virou uma icone dos anos 1990 e marcou uma época já que hoje as leis mundiais proibem a publicidade de tabaco em qualquer meio de comunicação.



FONTE PESQUISADA

QUATRO RODAS - AYRTON SENNA, MCLAREN E MARLBORO EM 1992. Disponível em: <http://quatrorodas.abril.com.br/blogs/publicidade-carburada/2014/12/15/ayrton-senna-mclaren-e-marlboro-em-1992/>. Acesso em: 08 de junho 2016.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

O Último Contrato


Espiral do Tempo - espiraldotempo.com

03 de dezembro de 2015


Senna usando relógio Tag Heuer 

Ayrton Senna era embaixador da empresa suíça de relógios Tag Heuer


A TAG Heuer sabe da força do mito Senna, até porque teve com ele uma parceria de sucesso entre as década de 80 e 90 que se revelou particularmente profícua. Potenciando então a sua herança automobilística e no âmbito da parceria com a McLaren que já vigorava na altura, a TAG Heuer escolheu Ayrton Senna — que passou a representar a escuderia britânica em 1988 — como embaixador, com o piloto a usar frequentemente no pulso um modelo da linha 6000 e sobretudo um cronógrafo da nova linha S/el (abreviação de Sport Elegance), de design moderno particularmente marcante e caraterizada por uma bracelete de elos sinuosos. Na altura, a marca tinha um lema fortíssimo que lhe granjeou prémios de marketing à escala global: ‘Don’t Crack Under Pressure’.

O modelo S/el Digital/Analog Chronograph era o preferido do brasileiro no final da década de 80.

O último contrato que Ayrton assinou, poucos dias antes da sua morte em Ímola, foi com a TAG Heuer, no sentido de criar vários modelos em edição limitada sob a sua chancela

FONTE PESQUISADA

SEABRA, Miguel. TAG Heuer: o regresso do mito Senna. Disponível em: <http://espiraldotempo.com/2015/10/08/tag-heuer-o-regresso-do-mito-senna/>. Acesso em: 03 de dezembro 2015.







quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As Empresas Que Patrocinaram Senna No Início Da Carreira

Por Flávio Gomes
DOMINGO, 14 DE MARÇO DE 2010 - 18:50 
Grande Prêmio - flaviogomes.grandepremio.uol.com.br

Uma vez, muitos anos atrás, na “Folha”, ainda, fiz uma matéria ouvindo todas as empresas que patrocinaram Senna no início da carreira, e acabaram não chegando com ele à F-1. Nessa foto aí tem duas: a casa noturna Gallery, meca dos grã-finos (gostei de grã-finos) paulistanos nos anos 80, e Banerj. Mas tinha também Estrela, jeans Pool, Transzero, Gledson… Se tinha mais, não lembro.

Ayrton, nessa época de F-Ford e, depois, F-3, costumava telefonar para as redações de jornais e emissoras de rádio de São Paulo para passar os resultados de suas corridas. Não havia internet, ele não tinha assessoria de imprensa, nem fax, e era o jeito de informar o que estava acontecendo com ele na Inglaterra. Ligava sempre a cobrar, claro. Apesar de ser de família rica, a grana lá fora era curta.


Ayrton Senna ainda na Fórmula 3, categoria de base da Fórmula 1


COMENTÁRIOS

MAURO BRAGA

Flávio, guardo o recorte da sua matéria onde dei as informações do Banerj para você. Vale lembrar que na verdade como diretor de marketing fiz de tudo para manter o patrocínio. Acontece que o novo governador não quiz dar continuidade por ser o sucesso do Ayrton coisa do outro governo.Pura falta de visão da importância da manutenção do Ayrton. Lembro que eu fazia parte da comissão de marketing da Febraban e o Furquin, diretor de marketing do Nacional apertando a minha mão, agradeceu o fato de ter cedido o Ayrton. Pedi que agradecesse ao Brizola. São coisas do passado mas que marcam a história do marketing do Banerj e deste fantástico campeão.No meu último contato para renovação junto ao Carlos Augusto, então presidente, tive o privilégio de ficar algumas horas com o Ayrton e o Armando Botelho.Lembro que perguntei o que representava para ele ir para fórmula um – respondeu – na fórmula tres os carros são iguais o que prevalece a qualidade do piloto. Agora tenho os seguintes desafios: competir com carros diferentes,pilotos mais experientes e pistas com traçados totalmente desconhecidos. Deu no que deu. Abraços Mauro Braga

FLAVIO GOMES (AUTOR DA MATÉRIA)

Puxa, lembro daquela matéria. Faz tempo, mesmo! Abração.


FONTE PESQUISADA

GOMES, Flávio. SENNA, 50 (11). Disponível em: <http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/2010/03/senna-50-11/>. Acesso em: 23 de setembro 2015. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O Banco Nacional Faliu

O Banco Nacional que patrocinou Ayrton Senna desde praticamente o começo da carreira do campeão na F1 faliu logo depois da morte do piloto. E hoje os donos querem repassar o que restou do banco e recuperar um pouco de sua fortuna perdida.

Outdoor do Banco Nacional com Ayrton Senna como garoto propaganda

Quem quer o Banco Nacional?

Os Magalhães Pinto tentam dar fim a uma liquidação que dura 19 anos e apareceu um interessado em comprar o que restou do banco, o BTG

Maria Luíza Filgueiras, de Exame - exame.abril.com.br
11/09/2014 05:55

Marcos Magalhães Pinto em 1994: corrida para recuperar o que sobrou da fortuna

São Paulo - A família Magalhães Pinto foi, até o início dos anos 90, uma das mais ricas e poderosas do Brasil. Seu banco, o Nacional, era um dos maiores do país, com 1,2 milhão de clientes, quase 400 agências (incluindo pontos em Nova York e Miami) e mais de 40 000 funcionários, o dobro do que tem o Santander hoje.

Também era um dos maiores anunciantes do país: patrocinava o piloto Ayrton Senna e clubes de futebol como Vasco e Fluminense. O fundador do banco, José de Magalhães Pinto, foi governador de Minas Gerais nos anos 60. Seu filho Marcos, que assumiu o banco, frequentava as mais tradicionais rodas da sociedade carioca.

Mas, em 1995, o Nacional sofreu uma intervenção do Banco Central, talvez a mais barulhenta de nossa história recente. A parte saudável do banco foi repassada ao Unibanco. Com a família, ficaram um banco falido e processos judiciais por fraudes administrativas descobertas depois da intervenção.

De lá para cá, os Magalhães Pinto tentam salvar o que sobrou de sua fortuna. Quase nada avançou em 19 anos. Até que André Esteves, o onipresente controlador do banco de investimento BTG Pactual, surgiu na história.

Como boa parte dos bancos que quebraram naquela época, o Nacional ficou com muito Dinheiro a receber do governo — 31 bilhões de reais em valores atualizados, para ser mais exato.

Boa parte desse dinheiro, assim como das dívidas atuais do banco, é resultado das ações do Programa de Estímulo à Rees­truturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro (Proer), criado na década de 90 para socorrer os bancos que, viciados na ciranda financeira dos tempos de hiperinflação, sofriam com os efeitos da estabilização econômica.

O Banco Central emprestou dinheiro a bancos como Nacional e Econômico para que comprassem, com descontos de 50%, títulos de dívida do Tesouro. Eram créditos do Fundo de Compensações de Variações Salariais (FCVS), criado na década de 60 para recompensar as instituições que concediam financiamento imobiliário e perdiam com juros e inflação.

Nos anos 80, por exemplo, um financiamento de 100 000 reais subia para 323 000 reais em um ano só com o ajuste pelo índice de preços. Mas o governo garantia que os compradores poderiam quitar os imóveis pelo valor acordado. A diferença era paga aos bancos em FCVS. O Nacional comprou papéis de Itaú, Unibanco, Bradesco e Real.

Dos cerca de 70 bilhões de reais em créditos FCVS ainda no mercado, quase 45% são do Nacional. Mas, por ser o Brasil o país estranho que é, esses papéis não valem nada até que a Caixa Econômica Federal e o Tesouro reconheçam que são “bons”. E fazer esse percurso nas duas instituições federais não é moleza.

Os Magalhães Pinto estão há 19 anos nesse labirinto. Eles têm os tais 31 bilhões de reais em títulos do governo, mas o próprio governo não reconhece a dívida como boa. Na rota oposta, eles devem ao Banco Central 21 bilhões de reais. Só depois de pagarem tudo é que eles podem sonhar em ter algum centavo de volta. Pelo cronograma atual, isso só aconteceria em 2027.

Mas no fim do ano passado o Nacional chamou a atenção de André Esteves. O BTG, afinal, havia comprado o também finado Bamerindus, outro banco socorrido pelo Proer. A transação custou 418 milhões de reais ao BTG — que levou, em troca, os 2 bilhões de reais em créditos tributários do Bamerindus.

Por que não repetir o modelo com o Nacional? EXAME apurou que o BTG e a família Magalhães Pinto começaram a costurar um acordo em que o BTG adquire bens e direitos do Nacional. Procurados, ambos os lados disseram que não comentariam.

O BTG, claro, vê chances de ganhar muito dinheiro com essa transação. O banco já é um dos maiores compradores de FCVS do país. E julga entender as peculiaridades do processo necessárias para transformar os papéis em dinheiro.

Para receber o FCVS, um banco tem de entrar numa longa fila de análise na Caixa Econômica Federal, instituição responsável por fazer a validação desses créditos — checar a origem da dívida, qual sua taxa de juro e a documentação — e transformá-los em CVS, o papel que pode ser descontado no Tesouro.

Isso, claro, se o Tesouro estiver disposto a pagar, o que nem sempre acontece. As validações estão suspensas desde abril de 2013 porque a Controladoria-Geral da União estuda alterações no processo de comprovação e análise dos créditos. O governo não nega a dívida, mas paga quando puder.

Agência do Bradesco: crescimento após o Plano Real



Demora
Insatisfeita com a lentidão da liquidação, a família encarregou a terceira geração de encontrar um desfecho mais rápido para o processo. Quem está à frente dessas conversas hoje é Marcos José, filho de Marcos Magalhães, presidente do banco na época da intervenção. Mas, por uma série de razões legais, os Magalhães Pinto têm pouca liberdade para negociar.

Eles não podem simplesmente vender os créditos, renegociar a dívida com o Banco Central e a forma de pagamento. Só um novo dono teria, juridicamente, essa liberdade. O que os Magalhães Pinto podem negociar agora é exatamente o controle acionário do banco, o que daria direito ao comprador de reorganizar o processo como bem entender. E é aí que entra o BTG.

Para Esteves e seus sócios, um momento foi chave para tornar o negócio atraente. Em outubro do ano passado, os responsáveis pela liquidação do banco aderiram a um programa de refinanciamento de dívidas com o governo.

Nesse programa, o banco consegue descontos de 20% a 45% sobre os juros da dívida se pagá-la antecipadamente — na melhor conta, a dívida do Nacional cairia de 21 bilhões para 16 bilhões de reais.

Assim, alguém que consiga transformar pouco mais da metade dos 31 bilhões de crédito do Nacional em dinheiro poderia pagar a dívida com o Banco Central e ficar com o troco. Além disso, o Nacional tem créditos fiscais que chegam a 12 bilhões de reais — que iriam para o novo dono.

Para os Magalhães Pinto, a venda do Nacional seria uma forma de amenizar um calvário de quase duas décadas. Parte da família ficou impedida de operar no mercado bancário devido à descoberta de fraudes contábeis.

Em fevereiro do ano passado, aos 78 anos, Marcos dormiu uma noite na prisão depois que o Superior Tribunal de Justiça revogou uma decisão do Tribunal Regional Federal, que havia declarado a prescrição do crime de gestão fraudulenta — a condenação foi em 2002 e, depois de diversos recursos, acabou extinta em 2011.

O ex-banqueiro conseguiu um habeas corpus e o processo continua aberto. É possível que os Magalhães Pinto levem pouco dinheiro numa negociação com o BTG, mas quando se livrarem da liquidação terão liberados bens como imóveis e dinheiro que estão bloqueados há quase 20 anos como garantia aos credores. Em valores atualizados, dá perto de 1 bilhão de reais.

As conversas são preliminares e, para quem está próximo aos bancos, o desfecho ainda demora. “Não é um acordo de sala fechada, entre BTG e a família. Será uma negociação longa envolvendo o Banco Central”, diz um dos envolvidos. É consenso que o Banco Central é mais simpático ao BTG do que aos Magalhães Pinto, o que pode ajudar a acelerar as coisas.

“O agente privado é mais eficiente para encerrar processos de liquidação do que o agente público”, disse André Esteves em fevereiro do ano passado. Essa liquidação de 19 anos vai ser de fato encerrada? Só os próximos capítulos da novela dos Magalhães Pinto dirão.


FONTE PESQUISADA

FILGUEIRAS, Maria Luíza. Quem quer o Banco Nacional?. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1073/noticias/quem-quer-o-nacional>. Acesso em: 11 de setembro 2014.