segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ayrton Senna Defende Seus Amigos Pobres de Santana de Um Empresário Rico “Metido a Besta”

Empresário rico “metido a besta” faz pouco caso de amigos pobres de Ayrton Senna e ele dá o troco



Trecho retirado do livro "Ayrton, o herói revelado":

Nas noites de Angra e redondezas, em festas em que os amigos Alfredo, Júnior e Christiano não entravam, Ayrton não ficava. Esta era a senha para entender como ele circulava naquele reduto da elite do Rio e de São Paulo. E Ayrton exercia o critério sem estardalhaço, discretamente, às vezes se permitindo uma ironia ou uma pequena molecagem com o anfitrião mal-educado com seus amigos.

A lealdade àquela turma dos tempos de Santana e do Tremembé levou Senna a uma atitude dura com um empresário paulista que convidara para passar uma noite na casa de Angra. O convidado, cujo nome Alfredo não revelou nem dez anos depois, chegou num final da tarde num iate de 32 pés de comprimento.
Assim que o marinheiro jogou as cordas, ele começou a tratar Alfredo e Matheus, o administrador da casa, como se fossem seus serviçais:

- Pega a mala, leva pra dentro e chama o Ayrton pra mim!

Matheus, conhecendo os hábitos do patrão, tentou argumentar:

- Mas ele está dormindo.

- Acorda ele, vai!

Matheus, mais uma vez, disse que não podia atender ao pedido. E o convidado acabou ficando bravo:

- Acorda que eu estou mandando!

Alfredo, nesse momento, resolveu ir até o quarto de Senna. Acordou o amigo e fez um relato do que acontecera na frente da casa, acrescentando, reconheceu, "um veneninho" que não explicou qual foi. Ayrton ficou mais acordado do que nunca. Foi até o barco, cumprimentou o empresário e chamou:

- Alfredão, vem cá. Esse aqui é o Alfredo, um grande amigo de infância. Logo em seguida, apresentou Matheus como o administrador da casa de Angra. O empresário entendeu o recado e, quando começou a se desculpar, foi interrompido pela despedida de Senna:

- Me desculpe, a gente combinou, mas eu vou ter que dormir. Ao caminhar de volta em direção à casa, Ayrton ainda cochichou para Alfredo:

- Não leve as malas dele de volta.


Senna não abandonou ou trocou seus velhos amigos, mesmo depois da fama e fortuna:





"Se fosse uma pessoa rica perguntar por ele, ele não estava para essa pessoa. Se fosse uma pessoa pobre trabalhadora, ele estava disponível para falar com essa pessoa", conta o português Felisberto, que trabalhou como jardineiro na mansão que Senna tinha em Portugal.

Assista o depoimento de Felisberto sobre seu antigo patrão no vídeo:




FONTE PESQUISADA

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.



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