quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Fotos do Prédio Que Ayrton Senna Morava Com Adriane Galisteu em São Paulo


Fotos do prédio que Ayrton Senna e Adriane Galisteu moravam juntos na “Rua Paraguai no Jardim Paulista, bairro nobre de São Paulo

Créditos das Imagens: Veja a localização exata no Google Maps 





Adriane Galisteu fala sobre o prédio em seu livro "Caminho das Borboletas"

E, de repente, estava todo mundo comentando que ia haver uma churrascada em Angra. Relaxei: então, é uma festa. O convite é geral. Peguei o telefone e disquei para ele.

- Pô, garotinha, você não apareceu - repreendeu, carinhosamente. - E a Angra, você vem ou vai furar outra vez?

Tentei desconversar, louca, porém, para dizer sim:

- Não deu pra ir. Sobre Angra, eu já disse que preciso conhecê-lo melhor.

Contra-ataque arisco, o dele:

- Estou querendo ir amanhã. Por que, antes disso, você não passa pelo meu apartamento e a gente conversa?

Fiquei de posse daquele valioso tesouro. Escrito num pedacinho de papel, o endereço - Rua Paraguai, 64, décimo sétimo andar. Prédio de tijolinho, ele me explicou. O único da rua. Disse como chegar lá.

A aventura me atraía e me repelia. Eu, que durmo como uma teenager, tive sobressaltos aquela noite, remoendo as idéias mais estapafúrdias e regressando sempre para  o mesmo ponto de interrogação:

- Mas por que eu?

(Agora que tudo passou, é a mesma pergunta que volta, impiedosa.)

Não sabia aonde aquilo ia chegar. Mas foi alguma coisa além de curiosidade feminina que me empurrou até o apartamento dele, no final da manhã seguinte, quinta-feira, 10 de abril - foi alguma coisa que não sei bem o que é. Ele me esperava com naturalidade e aquela carinha de menino indefeso. Calça creme social, de preguinhas. Sem camisa - tórax rijo. Os pés descalços deslizando pelo carpete alto, daqueles em que fica impossível encontrar a tarracha de um brinco. Tudo muito respeitoso: ele se sentou numa poltrona a uma distância razoável - bem razoável, eu me recordo - do sofá de couro onde me instalei. Na sua mão, um copo de vitamina C efervescente.

Meu olhar de mulher passeou rapidamente pelo apartamento, que ele dividia com o irmão, Léo - flat típico de solteiro, mas com móveis de qualidade e um toque de muito bom gosto na decoração.

- E aí?

Ele se sentia tão inibido quanto eu. Dava para cortar o ar com uma faca. Ele tomou a tímida iniciativa de quebrar o gelo:

- Muito prazer. Eu me chamo Ayrton Senna da Silva. Tenho 33 anos, não tenho namorada...

- Como não? Eu conheço sua namorada!

A perplexidade dele parecia sincera:

- Eu?

- Você, sim.

- Mas quem é ela?

- A Daniela (dei o nome completo).

- Como ela é, hein?

Por uma fração de segundo, achei que estava diante de um cafajeste clássico. Descrevi: loira, olho azul, alta...

- Então é esse o nome dela? Ah, os efeitos perversos da bebida. Logo eu que não bebo, penitenciava-se ele. Mas de vez em quando acontece, de pura euforia. Ele foi enumerando: ao final do GP do Japão, em 1990, quando se sagrou bicampeão do mundo, um porre dos diabos; agora, naquelas comemorações do GP do Brasil, dias atrás... Ele podia contar nos dedos as situações em que perdera o controle.

Conversamos uma hora e meia. Em nenhum momento, eu enxergava naquele ser humano descalço, que tomava vitamina C, o mitológico personagem de macacão e capacete que enfeitiçava os fãs do automobilismo do mundo inteiro. Para mim, era um momento especial e imprevisto. Falamos de tudo. De corrida, um pouquinho. De vida, trabalho e sentimento, muito. Eu queria saber dele, mas ele também queria saber de mim - e ouviu, com a maior paciência. Até reparou na minha blusa, "linda" - rosashocking, de manga comprida, embora fizesse um calor africano lá fora. Voltou, enfim, ao assunto Angra: iam muitas pessoas, seria uma festa, nada de formalidades.

- Não sou do tipo de arrancar pedaço - brincou.

Na verdade, eu já estava decidida. Deixara a mala, prontinha, prontinha, no meu carro. Guardei o carro na garagem do prédio, entrei no Honda negro que eu tanto tinha invejado a distância, antes, e segui em frente. Naquele fim de semana prolongado, eu, Adriane Galisteu, modelo, 19 aninhos, iria experimentar o doce prazer ambicionado por milhares e milhares de mulheres de todo o planeta. O Ayrton Senna homem ia se apresentar, por inteiro, a mim. Numa noite de céu estrelado, como recomendaria  um conto de fadas.


FONTES PESQUISADAS

Disponível em: <https://www.google.com.br/maps/place/R.+Paraguai,+64+-+Jardim+Paulista,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP/@-23.570542,-46.6636716,3a,52.5y,48h,90t/data=!3m4!1e1!3m2!1sh87n5-cTxKVxbsQlxtrunw!2e0!4m2!3m1!1s0x94ce59dbabdc469d:0x6701b887bc0c37c1!6m1!1e1>. Acesso em: 18 de dezembro 2014.

GALISTEU, Adriane. Caminho das Borboletas. Edição 1. São Paulo: Editora Caras S.A., novembro de 1994. 










Nenhum comentário:

Postar um comentário