sexta-feira, 23 de março de 2018

Senna e Rubinho Juntos em 1993? Segundo Eddie Jordan, Houve Uma Sondagem


Ex-dono de equipe revelou que tricampeão chegou a conversar com ele sobre a possibilidade de correr na sua equipe, enquanto fazia "plano teatral" com Ron Dennis para ficar na McLaren


Por Fred Sabino, Rio de Janeiro
22/03/2018 13h00  Atualizado 22/03/2018 13h00
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Amigos, é com grande alegria que abro este novo espaço no GloboEsporte.com. O Memória F1 nasceu para relembrar histórias da categoria, com seções que vocês vão conhecer aos poucos, entrevistas com personagens históricos, bastidores e curiosidades, muitas curiosidades. E nesta semana em que Ayrton Senna completaria 58 anos, conto uma história muito curiosa, e quase desconhecida, do tricampeão.

Depois de um decepcionante quarto lugar no Mundial de 1992, com apenas três vitórias enquanto as "Williams de outro planeta" (como o próprio Ayrton as chamava) atropelavam a concorrência, Senna iniciou o ano de 1993 repleto de dúvidas: ficar na McLaren sem a Honda (que abandonara a F1) e com motor Ford de segunda especificação? Ir para a Fórmula Indy com ajuda do amigo Emerson Fittipaldi? Tirar um ano sabático como fizera o rival Alain Prost? Deixar de vez a Fórmula 1?

Nesse complexo cenário, Senna e o chefão da McLaren, Ron Dennis, desenvolviam um plano teatral para convencer a Marlboro, então patrocinadora principal da equipe, a pagar as exorbitantes exigências salariais de Ayrton, que, na real, queria testar primeiro o modelo MP4/8 com o confiável - mas não tão potente - motor Ford antes de tomar qualquer decisão. Enquanto se dava o complexo jogo de blefe e contra-blefe, surgiu uma sondagem que quase ninguém soube à época, e até mesmo depois disso não teve repercussão.

Barrichello durante o GP da África do Sul de 1993 (Foto: Getty Images) 

Em seu terceiro ano na Fórmula 1, a Jordan já havia anunciado o novato Rubens Barrichello, de 20 anos, como piloto titular, mas ainda tinha um cockpit vago. Para a maior parte dos pilotos era um assento interessante. A despeito de ter marcado apenas um ponto em 1992 com o terrível motor Yamaha, a Jordan era uma equipe bem organizada e com recursos bastante razoáveis. Teria um carro novo em folha projetado por Gary Anderson e os confiáveis motores Hart V10. Foi aí que, pasmem vocês, apareceu Ayrton Senna!

Em livro publicado apenas na Europa sobre a carreira de Rubens Barrichello (Editora Haynes, 2005), o experiente e renomado jornalista britânico David Tremayne - aliás, uma figura querida dos jornalistas brasileiros - revelou uma conversa que teve com Eddie Jordan, na qual o ex-dono de equipe e hoje comentarista contou que Senna chegou a abrir negociações com ele para 1993.

Sem saber se ficaria na F1, Sennna chegou a testar um Fórmula Indy no fim de 1992 (Foto: Reprodução / Twitter) 

Jordan tinha praticamente fechado com Martin Brundle, mas este foi para a Ligier na última hora, o que manteve a segunda vaga em aberto. Para quem não sabe ou lembra, Senna foi rival ferrenho de Eddie Jordan e de Brundle no épico campeonato inglês de Fórmula 3 em 1983, vencido pelo brasileiro. Mas a relação entre Senna e Jordan se manteve cordial, e o tricampeão fez contato, segundo Eddie.

Como todas as demais vagas importantes do grid estavam fechadas, Senna queria ter pelo menos na manga uma possibilidade de vaga (improvável, é verdade), e não ficar um ano parado caso naufragasse o plano teatral com a McLaren, que tinha confirmado Michael Andretti e já deixara de sobreaviso o futuro campeão Mika Hakkinen. Parece impensável ainda hoje, mas pelo menos segundo Eddie Jordan, a ideia de uma dupla entre Senna e Barrichello chegou a existir. Seria, claro, uma espécie de contrato-tampão, já que Ayrton queria mesmo a Williams, o que aconteceria apenas em 1994.


Ayrton Senna conquistou cinco vitórias em 1993, uma delas considerada uma atuação épica, em Donington Park (Foto: Divulgação/McLaren)

No fim das contas, Senna testou o McLaren-Ford e gostou. Conseguiu ainda êxito no plano teatral com Ron Dennis e arrancou 1 milhão de dólares por corrida da equipe, primeiro assinando contratos prova a prova, e, a partir da sétima etapa (França), com um compromisso até o fim do ano. Conquistou vitórias memoráveis, cinco no total, e conseguiu um vice-campeonato brilhante, a apenas 26 pontos de Prost, que tinha uma Williams-Renault no auge das forças, graças à potência do motor Renault e à eletrônica embarcada.

Como Ayrton infelizmente não está mais entre nós para comentar esse "causo", fica o dito pelo não dito, e essa negociação entre Senna e Jordan se torna uma daquelas famosas histórias de bastidores.

Mas que seria incrível ver Ayrton e Rubinho juntos, ah, isso seria...




FONTE PESQUISADA


SABINO, Fred. Senna e Rubinho juntos em 1993? Segundo Eddie Jordan, houve uma sondagem. Disponível em: <https://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/blogs/memoria-f1/post/2018/03/22/senna-e-rubinho-juntos-em-1993-segundo-eddie-jordan-houve-uma-sondagem.ghtml>. Acesso em: 23 de março 2018.

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