Da praia, Norio disparava seus cliques incansáveis. Uma
multidão aportou por lá, à noite. Gente para ficar, gente só de passagem. O
proverbial estilo recatado de Ayrton não economizava gentileza quando se
tratava de receber os amigos. O QG da animação era o salão de jogos, que ficava
num plano um pouco mais alto em relação ao casarão principal. Sinuca, pebolim,
pingue-pongue, um telão magnífico, com videolaser, sofás tão aconchegantes
como colo de mãe, mesas para a gente escorar o pé - muito conforto numa
atmosfera de descontração praiana. Eu cheguei num vestidinho branco, tênis
branco, cabelo molhado do banho, cara limpa. Estava queimada de sol. Estava
feliz e me sentia bonita. Fazia tempo que eu não me dava o direito de viver
impunemente, de um jeito tão leve, tão gostoso, esse sentimento.
- Você toma o quê? - ele se achegou, gentil. - Não bebo
nada. Coca-Cola, talvez.
- Eu a acompanho.
Não só na bebida. Foi me conduzindo pelo salão,
apresentando-me um a um de seus amigos. "Meu irmão, Leonardo" - e ele
me estendeu a mão. "Esse aqui é o Jaça" - e eu, meio sem graça,
"já conheço". Galera animadinha, divertida. Jogamos pebolim, eu e
ele. Vi que não era meu esporte. Ele se divertia à minha custa. Vamos
dançar, vamos dançar. Dançamos. Horas a fio. Carinho nos gestos e nas palavras.
Beijinho de tchau. Até amanhã.

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