sexta-feira, 7 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - Ayrton Senna beija Adriane Galisteu antes do GP de Mônaco




Entre os preparativos e a largada, ele ficou entregue a outro de seus anjos da guarda, que eu vim a conhecer também naquele dia: o Joseph, um austríaco que trabalhava na infra da McLaren e que, além de servir como uma espécie de escudeiro dos pilotos, é um expert em massagens curativas e em poções mágicas.
Os sessenta minutos que precedem a largada são aquele corre-corre entre os boxes e os motor homes, não há quem não tenha ímpetos de comer as unhas ou arrancar os cabelos. Posso dizer que conheci, naqueles minutos, o verdadeiro sentido da palavra nervosismo. Curiosamente, minha melhor terapia era quem mais devia estar ansioso: Béco surgiu sei lá de onde, faltando vinte minutos para a bandeirada, pegou-me pela mão e me convidou a ir para o boxe da McLaren com ele.
- Pro boxe? - estranhei.
Nem respondeu. Saiu me arrastando diante da arquibancada, que explodia de entusiasmo. O boxe da McLaren era um ovo, onde mal cabiam meia dúzia de mecânicos e os pilotos. Como se fosse um ato proibido de dois meninos, ele me fez esconder com ele atrás de um tapume de papelão e me sapecou um beijo:
- É hoje!
- É hoje! - eu não conseguia encontrar nada senão o óbvio para empurrá-lo para a vitória.
Com o polegar direito do tamanho de uma bola de tênis, mas devidamente enfaixado, Ayrton entrou na pista para vencer. Joseph, o massagista, ajudou; o carro, também; mas eu gostaria de reivindicar o meu modesto mérito. Na minha estréia na Fórmula 1 como namorada dele, dei sorte. Eu e o Oscar Guerra rezamos mais do que o papa. Mas, aí, ao final, corrida cabine da Globo para o pódio, disparada mesmo, sem fôlego. Ouvi ainda ao longe os acordes do Hino Nacional Brasileiro, lágrimas rolavam pelo meu rosto enquanto eu continuava tentando me aproximar do pódio, mas só pude vê-lo depois, na reprodução daquela cena típica da vida dele, a multidão compacta que caminha e empurra, lá no meio, o impávido boné azul. Ao me ver, ele abriu passagem com os cotovelos e me confidenciou ao ouvido coisas muito mais doces do que aquelas trufas suíças:
- Foi muito bom... Você sabe que foi pra você, não sabe?


Um comentário:

  1. Oi. Acabei de fazer um vídeo sobre o ayrton e a adriane, se quiser dar uma olhada :)

    http://www.youtube.com/watch?v=F-XNLgNAibE

    abraço,

    Paula

    ResponderExcluir