Constrangimento absoluto na manhã seguinte - constrangimento
e dúvida. Aquela história de agenda lotada me incomodava. Não estava a fim de
ser apenas mais uma aventura de verão. Lá mesmo, ele tinha outras meninas
disponíveis, pensei comigo. Tomei uma distância proposital. Juntei-me à moçada.
Mas não tinha como não observá-lo, de esguelha. E, toda vez que eu olhava, lá
estavam os olhos dele, mais meigos do que gulosos, cravados em mim.
Desconcertada, eu não sabia nem como me dirigir a ele.
Ayrton? Soava estranho, nenhum de seus amigos o chamava assim (minha mãe,
quando me chamava de "Adriane" é porque vinha bronca certa).
Senna? Institucional demais. Senna era o piloto campeão, não aquele menino
lindo que pouco a pouco se revelava para mim. Béco? Era o apelido da família,
dos amigos de infância. Eu ainda não me sentia assim tão íntima. Ficou meio
ridículo, mas o que fiz, aquele dia, e continuei fazendo, nos seguintes, era
ir até ele e puxá-lo pela camisa, ou pelo braço, assim sem jeito:
- Ô, olha aqui...

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