quinta-feira, 6 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - Béco bem diferente de Ayrton Senna


Constrangimento absoluto na manhã seguinte - constrangimento e dúvida. Aquela história de agenda lotada me incomodava. Não estava a fim de ser apenas mais uma aventura de verão. Lá mesmo, ele tinha outras meninas disponíveis, pensei comigo. Tomei uma distância proposital. Juntei-me à moçada. Mas não tinha como não observá-lo, de esguelha. E, toda vez que eu olhava, lá estavam os olhos dele, mais meigos do que gulosos, cravados em mim.
Desconcertada, eu não sabia nem como me dirigir a ele. Ayrton? Soava estranho, nenhum de seus amigos o chamava assim (minha mãe, quando me chamava de "Adriane" é  porque vinha bronca certa). Senna? Institucional demais. Senna era o piloto campeão, não aquele menino lindo que pouco a pouco se revelava para mim. Béco? Era o apelido da família, dos amigos de infância. Eu ainda não me sentia assim tão íntima. Ficou meio ridículo, mas o que fiz, aquele dia, e continuei fazendo, nos seguintes,  era ir até ele e puxá-lo pela camisa, ou pelo braço, assim sem jeito:

- Ô, olha aqui...

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