- E aí, Nono, vamos jogar?
Era o Criminoso, azucrinando.
Escapei para o banheiro, mas ouvi, através da porta, uma
conversa do Gordinho com o Ayrton:
- Nada?
- Nada - a entonação do Ayrton era chocha.
- Mas você não pode se queixar. Sua agenda está lotada, não
está?
Antes que eu ouvisse a resposta dele, abri a porta e passei
entre os dois. Um sinal de alerta piscou na minha cabeça: tudo contra, nada a
favor. Afinal, ele era o Ayrton Senna. E quem era eu?
Ainda com um sorriso amarelo, ele me seguiu. Não esperou que
eu me sentasse de novo. De pé, ele me beijou. O primeiro beijo. Um beijo de
verdade. E mais um, outro, outro mais. Beijos, beijos e beijos. Parece que a
noite estacionara em cima de nossas cabeças - tudo parou: a noite, o tempo, os
ruídos, o mar, o vento. Beijos e carícias. Não mais do que isso.
"Fique sabendo que isso, para mim, é muito sério", interrompi.
"Pra mim também", disse ele. Os convidados e o sono puseram um ponto
final no nosso primeiro momento de paixão explícita.

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