Hoje entendo mais do que nunca. No dia seguinte ao tetra do
Brasil, fui festejar com um grupo de amigos na Praça Luís de Camões, em
Cascais, aqui pertinho de onde me hospedei. Ninguém tanto como eu torceu e se
contorceu pela vitória. Num vídeo gravado pela Globo, os futuros tetracampeões
dedicavam a Copa a Senna. Eu festejei. Uma jornalista rancorosa, com quem eu já
tinha tido um bate-boca, me chamou de "viúva alegre". Um jornal
carioca que já foi sério reproduziu, sem me ouvir. Enfim, mais uma lição de bom
jornalismo e de integridade de caráter. Às tantas, dizia a reportagem que eu
usava um short cavado e mostrava uma felicidade excessiva.
A abaixo-assinada "viúva alegre" usava jeans e
casaco de moletom. Era tarde da noite e o verão de Sintra tem seus momentos de
Alasca. E, aos 21 anos, sinto-me dona do direito de me vestir como quiser. As
aparências nem sempre exprimem o que se passa nas profundezas do espírito. Se
tem coisa que exijo, hoje, é que respeitem a minha dor.

Nenhum comentário:
Postar um comentário