Mulheres são figurantes. Já na minha primeira viagem aos
bastidores do circuito, em Mônaco, a Fórmula 1 me ensinou essa lição. Sem meias
palavras. O jogo é viril, o combustível fede e as estrelas fazem xixi em pé.
Mulheres, namoradas, amantes enfeitam o cenário com seus rostinhos bonitinhos e
corpinhos apetitosos. Se quiserem um papel menos subalterno, que tratem bem de
seus companheiros - em casa:
Digo sem ressentimento, porque do meu namorado eu tinha o
que queria: amor, atenção, carinho, mãos dadas, acesso a setores proibidos,
beijos roubados atrás dos boxes. Éramos o casal in love por excelência. Mas que
é diferente da Fórmula Indy, por exemplo - pelo menos da Fórmula Indy como se
vê na TV -, não há a menor dúvida. Na Indy, mulheres permanecem nos
boxes, cronometram o tempo, torcem, vibram e pulam no pescoço de seus heróis
vitoriosos. Vão vestidas para a festa, naquele estilo faroeste: botas,
chapelões e cabelos de mechas.
Na Fórmula l, o figurino é jeans, camiseta e tênis. E os
primeiros roncos dos motores espaventam as companheiras. Elas se metem nos
motor homes, para assistirem pelos monitores, somem nos camarotes dos
patrocinadores, recolhem-se ao decorativo dever de coadjuvantes, como aqueles
grã-finos falsos das novelas do Gilberto Braga. Algumas, cansadas de fazer a
bonequinha de luxo, nem comparecem aos autódromos.
Vi o chefão da McLaren, Ron Dennis, cortar um dia as asinhas
da mulher de Michael Andretti, a Sandy, por sinal bela figura. Acostumada aos
hábitos da Indy, ela achou que poderia extravasar sua emoção perto da pista. Em
compensação, a Fórmula 1, quando as máquinas se calam, é um dos lugares de
maior densidade erótica do planeta - paqueras e tietagens explícitas. Não por
acaso, alguns pilotos de GP trocam de mulheres como trocam de pneus. Eu disse:
alguns.

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