sexta-feira, 7 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - Mulheres na F1


Mulheres são figurantes. Já na minha primeira viagem aos bastidores do circuito, em Mônaco, a Fórmula 1 me ensinou essa lição. Sem meias palavras. O jogo é viril, o combustível fede e as estrelas fazem xixi em pé. Mulheres, namoradas, amantes enfeitam o cenário com seus rostinhos bonitinhos e corpinhos apetitosos. Se quiserem um papel menos subalterno, que tratem bem de seus companheiros - em casa:
Digo sem ressentimento, porque do meu namorado eu tinha o que queria: amor, atenção, carinho, mãos dadas, acesso a setores proibidos, beijos roubados atrás dos boxes. Éramos o casal in love por excelência. Mas que é diferente da Fórmula Indy, por exemplo - pelo menos da Fórmula Indy como se vê na TV -, não há a menor dúvida. Na  Indy, mulheres permanecem nos boxes, cronometram o tempo, torcem, vibram e pulam no pescoço de seus heróis vitoriosos. Vão vestidas para a festa, naquele estilo  faroeste: botas, chapelões e cabelos de mechas.
Na Fórmula l, o figurino é jeans, camiseta e tênis. E os primeiros roncos dos motores espaventam as companheiras. Elas se metem nos motor homes, para assistirem pelos monitores, somem nos camarotes dos patrocinadores, recolhem-se ao decorativo dever de coadjuvantes, como aqueles grã-finos falsos das novelas do Gilberto Braga. Algumas, cansadas de fazer a bonequinha de luxo, nem comparecem aos autódromos.
Vi o chefão da McLaren, Ron Dennis, cortar um dia as asinhas da mulher de Michael Andretti, a Sandy, por sinal bela figura. Acostumada aos hábitos da Indy, ela achou que poderia extravasar sua emoção perto da pista. Em compensação, a Fórmula 1, quando as máquinas se calam, é um dos lugares de maior densidade erótica do planeta - paqueras e tietagens explícitas. Não por acaso, alguns pilotos de GP trocam de mulheres como trocam de pneus. Eu  disse: alguns.


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