Numa dessas fugas estratégicas, a dois, fomos de jet ski até
a praia dos Macacos. Caminhamos de mãos dadas, acobertados pela natureza
selvagem. Foi sempre assim o nosso amor: algumas palavras essenciais e muito
silêncio. Os gestos, os toques, os olhares tinham a equivalência carinhosa de
um dicionário de verbetes românticos. Ele continuou a caminhar, enquanto eu me
esticava numa canga preta, com estampas de Bali. Ele parou e veio deitar-se a
meu lado. Espremidinhos naquele pedaço de pano, sem trocar palavras,
adormecemos. Se alguém passasse por perto não haveria de acreditar que um sono
plácido embalava, numa tarde de sol, o tricampeão de velocidade - um homem
sobressaltado pela obrigação do desempenho e da vitória. Ele dormiu, eu dormi -
duas, três horas. Quando despertamos, Vênus já brilhava e a noite começava a
dominar o céu.
Ele abriu o olho:
- Viajei... Você me fez viajar, com seu peso-pena em cima de
mim.
Pode haver imagem mais bonita para guardar na memória?

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