Saí dali, no começo da tarde, no helicóptero dele até o
aeroporto de Angra. De lá, peguei o avião. Tinha um desfile em São Paulo. Não
importava o que aconteceria a partir dali. Importava o que tinha acontecido.
Angra passou a ser minha casa - nossa casa. Compartilhei com
ele vários lares. Moramos juntos no apartamento da Rua Paraguai, em São Paulo.
Dividimos, certas noites, quarto e cama na casa dos pais dele, no Pacaembu,
onde a Zaza me acolhia como uma filha e dava colo a muitas das minhas ingênuas
confidências de menina de 20 anos. Estivemos juntos no apartamento de
Mônaco, antes do GP de 1993. Viajamos pela Europa e pelo Oriente. Freqüentamos
por longos períodos a fazenda Dois Lagos, em Tatuí, no interior de São
Paulo, com toda a família, senhor Milton, a Zaza - ela já não me perdoaria a
formalidade de um "dona Neide" -, o Leozinho, a Viviane, o marido
dela, Lalli, os sobrinhos Bia, Paulinha e Bruno, o Fábio Machado, primo como se
fosse um irmão, com a mulher, Nice, e os filhos Fábio, Fabiana e Fábia. Em
Portugal, vivemos na casa do Algarve assim como passamos momentos inesquecíveis
nesta quinta de Sintra, neste anexo que passará à posteridade como
"Casa do Ayrton" - aqui onde hoje cada detalhe me dá conta de sua
ausência, no silêncio de nosso quarto fechado, isso mesmo, trancado a
sete chaves, já que eu, covarde, nunca mais quis olhar o cenário de tão
doloridas recordações.

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