quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Morte de Armando Botelho, o Segundo Pai de Ayrton Senna

A importância de Armando Botelho na vida de Ayrton Senna

Armando Botelho ajudou Ayrton Senna na carreira, planejou, injetou dinheiro, foi atrás de patrocinadores para realizar o sonho de Ayrton continuar competindo internacionalmente nas categorias de base de acesso a Fórmula 1. Sem ele Ayrton nunca teria chegado na F1 e sido tudo que foi. Ayrton era um filho para Armando Botelho. Ele nunca quis nenhum centavo do dinheiro de Ayrton como o pai Milton da Silva quisera e abriu mão da porcentagem que tinha direito de tudo que o piloto ganhava em publicidade e nos contratos da F1.


Armando Botelho tinha Ayrton como um filho e sem ele Senna nunca teria chegado a F1 e sido tudo que foi



A MORTE DE ARMANDO BOTELHO

Armando Botelho sabia que ia morrer em poucos dias quando recebeu, no quarto do hospital Sírio e Libanês, em São Paulo, a visita de Oscar Pedroso Horta Filho, o vice-presidente do Banco Nacional, com quem sacramentara, cinco anos antes, em dois pedaços de papel manuscritos, no fio do bigode, o mais longo e famoso dos contratos publicitários da carreira de Ayrton Senna. Na conversa, Armando revelou a preocupação de não deixar qualquer problema para trás, depois que fosse liquidado pelo câncer de fígado que o consumia rapidamente:

- Minha família está bem, eu não quero deixar problemas e por isso vou abrir mão do meu contrato com o Ayrton. Tudo que eu fiz foi porque gostei do Beco como meu filho.
O contrato dava a Armando e a seus descendentes, a mulher, dona Malu, e os três filhos, direito a um percentual de todos os ganhos de Senna na Fórmula 1.

Armando foi enterrado no cemitério do Morumbi, em São Paulo, dia 30 de julho, um domingo, praticamente na mesma hora em que Ayrton recebia a bandeirada pela vitória no GP da Alemanha, em Hockenheim. Uma sólida rede de proteção fora montada por parentes, amigos e jornalistas para manter Senna longe da escalada final da doença, às vésperas da corrida, decisiva na disputa do título mundial.

A notícia da morte, ocorrida por volta das oito da noite de sábado, chegou primeiro aos radialistas brasileiros que estavam em Hockenheim e foi passada a Viviane apenas no momento em que Ayrton, depois do pódio, dava uma entrevista à tevê francesa no motohome da McLaren. No exato momento em que Senna partia para a briga com dois alemães embriagados que falavam alto e tumultuavam a entrevista, Viviane estava ligando para o Brasil para confirmar a morte com a família Botelho.

Antes que uma briga começasse, várias pessoas intervieram. Quando Senna se preparava para continuar a conversa com os repórteres, Mansour Ojeh o puxou pelo braço. Já dentro do motohome da McLaren, na presença de Mansour e Viviane, Senna, desconfiado e tenso com o clima de apreensão, cobrou de Paulo Casseb, que também estava por perto:

- Vai falando, vai falando, desembucha!

- Becão, o Armando faleceu...

A reação foi tão forte, que ele não sabia o que fazer. Acabou ajoelhando no chão do motohome para um choro desesperado







REFERÊNCIAS

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.


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