terça-feira, 4 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - ADRIANE GALISTEU REVÊ O ACIDENTE VÁRIAS VEZES E O ASSÉDIO DOS JORNALISTA NA CASA DE BRAGA



A propósito de não sei o quê, qualquer bobagem. Mas o pensamento me voltou exatamente àquela hora e eu me sentia era fraca, completamente fraca. Tomei uma decisão:
- Luiza, quero assistir a tudo sobre o acidente, tudo.  - Tem certeza?
- Absoluta. Me dá o telefone da SIC, da televisão. Vou ligar e pedir para que eles me mandem os vídeos da corrida.
- Faço isso por você.
O telefone não parava, àquela hora da madrugada. Luiza ia dispensando, um por um:
- Respeitem a menina. Por favor.
A tevê repetia e repetia a carnificina que tinha sido Ímola. Vi e revi o acidente do Ayrton. Tentava compreender o incompreensível, explicar o inexplicável. Passei a noite em claro, feito assombração. A Luiza velou minha dor. Tentou me acomodar para um ligeiro descanso, umas horinhas de sono. Foi inútil. Como eu estava absolutamente fora de controle, passo a narrar o que escreveu uma gentil repórter de um jornal brasileiro, por conta própria, é claro:
- Ela (no caso, eu) vagava de camisola pela casa sombria, como um zumbi, e gritava, amparando a cabeça com as mãos: "Ayrton, Ayrton".

Camisola? Casa sombria? Berros na madrugada? Nem forças para isso eu tinha.

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