A propósito de não sei o quê, qualquer bobagem. Mas o
pensamento me voltou exatamente àquela hora e eu me sentia era fraca,
completamente fraca. Tomei uma decisão:
- Luiza, quero assistir a tudo sobre o acidente, tudo. -
Tem certeza?
- Absoluta. Me dá o telefone da SIC, da televisão. Vou ligar
e pedir para que eles me mandem os vídeos da corrida.
- Faço isso por você.
O telefone não parava, àquela hora da madrugada. Luiza ia
dispensando, um por um:
- Respeitem a menina. Por favor.
A tevê repetia e repetia a carnificina que tinha sido Ímola.
Vi e revi o acidente do Ayrton. Tentava compreender o incompreensível, explicar
o inexplicável. Passei a noite em claro, feito assombração. A Luiza velou minha
dor. Tentou me acomodar para um ligeiro descanso, umas horinhas de sono. Foi
inútil. Como eu estava absolutamente fora de controle, passo a narrar o que
escreveu uma gentil repórter de um jornal brasileiro, por conta própria, é
claro:
- Ela (no caso, eu) vagava de camisola pela casa sombria,
como um zumbi, e gritava, amparando a cabeça com as mãos: "Ayrton,
Ayrton".
Camisola? Casa sombria? Berros na madrugada? Nem forças para
isso eu tinha.

Nenhum comentário:
Postar um comentário