quinta-feira, 6 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - Adriane Galisteu conhece Braguinha e Ayrton Senna pede seu telefone

Adriane Galisteu, Ayrton Senna e Braguinha


Novo alvoroço: caminhada pelos boxes. A cada uma das meninas correspondiam dez convidados. Todas querendo se escalar para a McLaren. Eu, me fazendo de modesta: "Para mim, tanto faz". Knockdown: ganho exatamente a McLaren. A caminhada me provoca um sentimento de compaixão para com aquele moço, cara de menino, que fica zanzando pelo boxe, visivelmente tenso pela responsabilidade de disputar um Grand Prix em casa - e ele, ali, indefeso em meio ao assédio dos fãs e dos pedidos de autógrafo, sem desfrutar da mais remota privacidade. Dura é a vida de um Ayrton Senna, pensei comigo mesma. Sua expressão carregada confirmava minha apreensão.
- Olhou pra você - provocou a Nara.
- Foi pra você - devolvi.
Pra mim, pra você.
Era o domingo da corrida e houve esse novo passeio pelos boxes, com os convidados, entre o warm up e a largada. Dia comprido para mim. Às cinco da manhã já estava acordada, às 6h30 desembarcava no autódromo. Trabalho difícil: muita gente, muita correria. Mas houve o tal pitwalk, como de praxe, e, nas vizinhanças do boxe da  McLaren, um gordinho simpático, de cara bonitinha, me abordou:
- Sou o assessor para assuntos particulares do Ayrton Senna - apresentou-se. - Ele me pediu pra pegar o seu telefone.
Achei que era gaiatice, mas dei. O da minha casa, o do trabalho. Incrédula, vi aproximar-se um senhor, que repetiu:
- Dá o fax também.
Eu, silenciosa.
- É isso mesmo, garotinha. O cara está paradão em você.
(Guardo no baú de minhas melhores lembranças a primeira vez em que o ouvi pronunciar a palavra garotinha. Eu amo o Braga, doutor Braga, o Braguinha, o Bragota; eu amo ouvi-lo dizer garotinha, eu amo a Luiza, mulher dele, eu amo a Joana e a Maria, as duas filhas do casal, tenho uma gratidão que jamais poderei exprimir em palavras. O outro, o tal "assessor para assuntos particulares" do Ayrton, era, eu logo ficaria sabendo, o Jacir, ou Jaça, amigo de longa data do Béco, que tinha, e só ele  tinha, autoridade para chamá-lo, sem represália, pelo apelido de Baleia.)


Nenhum comentário:

Postar um comentário