quinta-feira, 6 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - Adriane Galisteu se apaixona por Ayrton Senna



Logo notei que "o assessor" se encarregou eficientemente de colher outros telefones das meninas da Elite e desencanei. Ficou apenas a expectativa de uma nova visita do piloto, anunciada pelos diretores da Shell - e uma nova, aflita, corrida ao banheiro, batom, maquiagem, uma geral nas meninas. Eu apenas esperei. Nara ainda brincou  comigo:
- Está se fazendo de difícil, boneca?
- Olha, ele até que me atrai - respondi, moleque.
- Você reparou naquela bundinha?
Estávamos nos divertindo. E olha lá de novo aquele bonezinho azul do Banco Nacional aproximando-se, engolfado no mar de tietes. Dessa vez, ele ficou um pouco mais. Meio encabulado, subiu ao palco e falou sobre o que esperava da corrida. Dá pra vencer, disse, sem aparentar muita convicção. "Não posso garantir que vou ganhar, mas é o que eu mais quero", despistou. Nós, as dez meninas da Elite, com nossos macacõezinhos que deixavam boa parte das pernas de fora, ficamos bem diante do palco, como se formássemos um cordão de segurança entre ele e a platéia de convidados. Estacionei na frente dele, olhando para cima, fila do gargarejo. Ele falou pausadamente, remoendo cada palavra que pronunciava. Falava e olhava para baixo. Quer dizer: olhava para mim. Será? Coincidência. À saída, entre cotoveladas e pedidos de autógrafo, aí, sim, uma olhada nítida e um largo e lindo sorriso para mim. Para mim? Olho para trás e eis que vejo, de novo, a Nara - aquele um metro e setenta e muitos centímetros de pura beleza morena. Então é isso: o negócio dele, definitivamente, é a Nara.
- É com você - eu entrego os pontos. - Ele gosta é de louras - brinca Nara.
Mas alguma coisa tinha tocado em mim. Meu desinteresse pela corrida transformou-se, de repente, numa enorme ansiedade. Sinal de largada e eu, como todo mundo, passo a me revezar entre a televisão e a amurada do hospitality center. Só tenho olhos para o carro vermelho e branco da McLaren. Descubro-me torcendo freneticamente por ele. Alain Prost na frente. Um milagre: uma nuvem negra, única em todo o céu de São Paulo, sobrevoa o autódromo. Caía a chuvarada. Prost roda e sai da corrida. A torcida vem abaixo.
A chuva pára. Ayrton Senna é o vencedor.

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