Sábado, de novo. Madrugada, segundo treino oficial. Os motores voltam a roncar. O Dudu, da Shell, vem, de repente, com a bomba: dali a alguns minutos, sabe quem é que iria visitar, em pessoa, o hospitality center da Shell? Isso mesmo - ele, Ayrton Senna. Frenesi nas meninas, disparada para o banheiro - cada uma delas, descabeladas, correndo em busca do espelho e de um providencial retoque na maquiagem. Todas, menos eu - tudo bem, não era o caso de esnobar nosso tricampeão do mundo. Simplesmente, eu não o conhecia. Até aquele dia, ele não era meu ídolo. Passaria a ser - para toda a eternidade.
Ele chegou. Uma cena que iria rever infinitas vezes: uma
multidão compacta, ansiosa, e, navegando no meio daquele mar, o solitário
bonezinho do Banco Nacional, anunciando a aproximação do ídolo.
Empurra-empurra, confusão, quase histeria - e ele, sem perder a calma, o timing
e o comando da situação, saía cumprimentando as pessoas, enquanto saciava seus
olhinhos curiosos e vivos com a busca de alguma novidade. Eu não saí do lugar.
Observava, apenas - afinal, estava ali a trabalho, não a passeio. Ele subiu num
pequeno palanque e começou a dizer algumas palavras. Senti que ele me olhou.
Mas era para mim ou para a Nara, que estava atrás de mim? Ou teria sido um
olhar vago, para um ponto indefinido e qualquer que acolhesse a timidez dele?

Nenhum comentário:
Postar um comentário