Não sei bem qual era a minha intenção, mas, por via das
dúvidas, comprei quinze fichas de telefone e me dirigi para o orelhão
mais próximo. Nervosa, porque não sabia nem com que nome chamá-lo. Ayrton?
Ayrton Senna? Quase desliguei quando a secretária sacou do "quem gostaria?”
- Adriane... - respondi, desenxabida, me culpando pela
certeza de que ele jamais viria ao telefone.
Veio, interessado:
- E o teste, como foi?
- Legal, fui bem, eu acho.
- Mas que teste é esse?
Pensei: me pegou. Ou quase:
- Sou modelo da Elite... É um comercial de tevê... - desviei.
Cara minucioso, esse:
- Mas que comercial?
- Com seu amigo Nelson Piquet - entreguei (se o conhecesse
naquele momento como vim a conhecê-lo depois, nem por brincadeira mencionaria o
tal nome).
Ele engoliu seco, silenciou por um minuto e mudou de assunto:
- Mas e a churrascada em Angra, você vem?
Senti que não daria para despistar mais. No nervosismo,
escapei para o horóscopo:
- Escuta, de que signo você é?
- Do nada - ele brincou. - Sou de Áries.
- Eu também - comemorei.
- Sou meio tímido, você me entende, não é?
- Tímida e confusa, eu...
- Meio difícil dizer as coisas... Mas queria convidá-la... -
Entendo... Mas, me desculpa: não o conheço.
- Como não me conhece?! - ele reagiu, com ímpeto ariano. -
Todo mundo me conhece.
- De matéria de jornal, de entrevista na tevê... Mas, como
homem, como pessoa, não o conheço. Não tenho a menor idéia de quem você é.
Cabeça dura de ariano:
- Então, vai ter hoje uma boa chance de conhecer. Estou
dando um jantar às nove da noite no The Place. Você está convidada.
Sei lá, nem registrei. Chovia em São Paulo, deu aquela
preguiça, ainda estava cansada das emoções do GP - enfim, não apareci.

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