sábado, 8 de junho de 2013

CAMINHO DAS BORBOLETAS - O amor de Adriane e Ayrton. A avó de Adriane piora no hospital




Privilégio meu sentir isso de perto, juntinha, agarradinha. Concordo com Nuno: um corpo que era uma escultura. Se era assim, por que ter ciúme? Um ídolo mundial, com milhões de mulheres sonhando em estar no meu lugar. E, no entanto, por alguma misteriosa razão, era eu. Seria impossível viver perseguida por um ciúme desse tamanho. Em janeiro de 1994, eu escrevi a ele: "Béco, não me importo de ser a sombra, quando você é a figura; ser a situação quando você é o assunto".
Não é meu, isso. É do marido da Glória Pires, Orlando Moraes, que compôs esta música para ela.
Toda vez que o Ayrton viajava, eu escondia um bilhetinho na sua carteira, ou em algum canto de sua mala. Esse, foi com ele numa daquelas viagens rápidas que ele fez no início do ano, para testes com o Williams novo, na Europa. Tenho anotado na minha agenda: 24 de janeiro, segunda-feira, 18h30, vôo 901 da Varig. Béco chega ao Rio. Dali, direto para Angra. Não pude esperá-lo, dessa vez. Minha avó fora operada cinco dias antes. Tinha um tumor cerebral do tamanho de uma laranja. Estava no hospital, em São Paulo. Fui visitá-la. Ela já não respondia a nenhum estímulo. Uma das pessoas mais vitais que eu conhecera - e, agora, jazia num quarto de hospital, inerte. Eu tinha trazido para ela, de Portugal, um terço de Nossa Senhora de Fátima, feito de pétalas de rosas. Pendurei-o acima da cama dela. Olhei mais uma vez para seu rosto e pensei: ela viveu, sofreu, foi feliz. Chorava e orava. Rezei a Deus, rezei muito. Com todas as minhas forças, pedia pela sua morte.


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