Tive quatro namorados em meus 21 anos. Sinto muito
decepcionar aqueles que imaginam a vida de modelo como uma fatigante liquidação
de cama e mesa. Se há conselho que já posso dar a alguém, em minha pouca idade,
é o de não se deixar levar pelas aparências. Por exemplo: beleza e glamour
podem servir de fachada a uma inconsolável solidão.
Quando conheci o Ayrton, estava vivendo os últimos momentos
de uma relação em crise. Não é você quem determina quando a paixão se vai - a
coisa simplesmente acontece. Tive poucos amores, mas de cada um deles guardo um
sentimento bom, de calor e respeito - e isso vale especialmente para o César,
com quem dividi por um ano inteiro casa e o dia-a-dia até que as tais
incompatibilidades de gênio se manifestaram. Foi bom enquanto durou. E foi
ótimo que a vida tenha me dado o alento de trocar os espinhos de uma separação
pelo buquê de um novo amor amor que, aconteça o que vier a acontecer na minha
vida, estará gravado como aqueles corações trespassados por setas que você vê
nos troncos das árvores dos parques municipais.

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