Aqueles homens de fibra e de aço chorarem como criancinhas.
Alguns deles recostavam seu rosto no meu ombro - pediam socorro logo a quem? A
morte do companheiro de pista expunha a fragilidade deles. Poderia ter acontecido
comigo - é o que com certeza passava pela cabeça de cada um. Pois bem, naquele
dia de luto e de dor, ficou provado que circula vida nas veias dos super-heróis
da quilometragem. Eles vibram, amam, choram. Têm outros sentimentos, além da
ânsia da velocidade, com cara de quem não está nem aí para o perigo.
Estão, sim.
Em Mônaco, em maio de 1993, comecei a travar contato com
esses moços e com suas histórias arriscadas e atrapalhadas. Ayrton, que adorava
atazanar os amigos, era um coroinha diante de outros pilotos. Dizia, por
exemplo, com toda a seriedade:
- Eu tenho um amigo louco (pronunciava a palavra louco como
a pronunciaria um médico psiquiatra). - O nome dele é Gerhard Berger.
Companheiro de escuderia na McLaren, o grandalhão austríaco
conviveu com Senna, numa certa época, mais do que os outros pilotos. Senna o
conhecia bem. Gostava um bocado dele. O sentimento era recíproco. Quando tudo
aconteceu, Berger tomou um avião na Europa, desembarcou em São Paulo para o
velório e o enterro, voltou na mesma noite para a Europa porque não queria
perder o velório e o enterro de seu compatriota Roland Ratzenberger, a outra
vítima do massacre de Ímola. Nessa, acabou esquecendo a mala no hotel.

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