Quem não conhece Angra num dia de sol não tem idéia o que é
a experiência mais próxima do paraíso na Terra. Béco e eu teríamos, mais tarde,
a oportunidade de uma inesquecível viagem a Bora-Bora, com clima de lua-de-mel
e cenografia pintada pelo Gauguin, mas Angra continuará tendo a precedência
sobre todos os lugares no meu álbum íntimo.
Em noites atribuladas, reproduzo mentalmente a arquitetura
sóbria do casarão, o barulho das ondas que vinham morrer aos pés de nossa
janela, a explosão das estrelas no céu, as gargalhadas dos convidados, o ronco
dos motores dos jet-skis e das lanchas, o vôo nervoso do helicóptero, os
latidos apaixonados da Quinda - e, na contraluz do luar que banhava nosso ninho
de amor, aquele rosto esculpido por um artista, as feições delicadas, os olhos
úmidos de carinho, a boca sempre ameaçando um sorriso lindamente tímido ou, sei
lá, timidamente lindo.
Ele recrutou todos os elementos, e mais alguns, para compor
o cenário de nossa primeira noite de amor - que, na verdade, foi a última noite
de todas as que passei naquele meu maravilhoso fim de semana em Angra. Sou
capaz de jurar que Béco chamou os grilos, encomendou o pio das aves noturnas,
solicitou a presença das ondas, convidou a Lua e todas as estrelas do
zodíaco para servirem de testemunha daquele momento mágico. Orquestra e
iluminação, som e luz - a natureza de Angra, em festa, colheu os primeiros
sussurros de dois enamorados.
Não estava nos meus planos, mas aconteceu, na pureza de um
encontro não programado.

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