segunda-feira, 3 de junho de 2013

O DEMOLIDOR DE RECORDES



Os recordes e limites pulverizados sem piedade por Ayrton Senna em dez temporadas de F1 impressionaram rivais, desafetos e gigantes da categoria. "É muito triste perder um piloto que bateu quase todas as marcas", lamentou Nelson Piquet, tricampeão como Senna. "Perdemos o maior de uma época, talvez o maior de todos os tempos", resumiu o escocês Jackie Stewart, outro tricampeão. "Jamais existiu um igual. Jamais nascerá outro igual", sintetizou o austríaco Niki Lauda, ele também um tricampeão.
Senna teve um F1 nas mãos pela primeira vez em julho de 1983. O carro - ironia suprema - era um Williams, modelo FW08. Logo nas primeiras voltas, ele atropelou solenemente o recorde do circuito inglês de Donnington Park e deixou Frank Williams boquiaberto. "Impressionante", balbuciou o boss da equipe ao fim do treino. Em dezembro do mesmo ano, após a conquista do bicampeonato inglês de F3, ele assina um contrato de três anos com a limitada Toleman.
Senna estreou na F1 em março de 1984, em pleno GP Brasil, no Rio de Janeiro, com um frustrante abandono na 7ª volta. Marcos seu primeiro ponto no GP seguinte (África do Sul) e, meses depois, protagonizou um dos mais sensacionais pegas da história do circo. Chovia à cântaros em Mônaco. Senna, que largara em 13º lugar, deixava adversários para trás com habilidade assustadora, como se as ruas estivessem secas e os concorrentes, parados. Era o 2º colocado na 31ª volta quando o líder, Alain Prost, pediu a suspensão da prova. Foi atendido. Nascia o rei da chuva. Nascia o rei de Mônaco, que iria vencer seis vezes no charmoso e sinuoso circuito do principado. Um ano depois, sob uma legítima tempestade, conquista sua primeira vitória na categoria, no autódromo português de Estoril.
Senna foi campeão em 88, na McLaren-Honda, com oito vitórias e 94 pontos, bicampeão em 90, com seis vitórias e 78 pontos e tricampeão em 91, com sete vitórias e 91 pontos. Foram 41 vitórias, 614 pontos. No final do ano passado, Senna fez um pedido ao amigo argentino Juan Manoel Fangio, único pentacampeão da categoria (51, 54, 55, 56 e 57): ele queria ser coroado com uma coroa guardada pelo próprio ídolo, se ele igualasse um dia o feito do piloto portenho.

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