domingo, 6 de dezembro de 2015

Lembranças do Béco

Madrinha de Senna, Wanda conta como ex-piloto era custoso quando criança e relata com carinho as visitas, mesmo as tumultuadas, já depois da fama

Wanda se diverte lembrando das brincadeiras do afilhado

O Popular - opopular.com.br
30/04/2014 22:44

Ayrton Senna, aos 4 anos, brinca com seu primeiro kart, feito pelo pai, Milton e construído por um médico da família: foto é guardada por madrinha de ex- piloto, que mora em Goiânia e tem outras relíquias

Em Tatuí (SP), em 1993, foi bem descontraído, leve. Quando ele estava com a família, era o Béco. Eu o vi pilotando o helicóptero, onde estavam ele, lindo, o piloto e a Adriane (Galisteu). Foi a última cena.” - Elizabeth de Souza, goiana, amiga de infância de Ayrton Senna, sobre a última vez em que o viu, meses antes do acidente fatal

Em Goiás, fosse na Ilha do Bananal, na Pousada do Rio Quente ou na fazenda em Dianópolis (hoje no Tocantins), ele sempre foi só o Beco.

Quando criança, durante as férias, Ayrton Senna passava alguns dias na Pousada do Rio Quente (GO). Junto com sua família e padrinhos, o garotinho brincava, nadava nas cachoeiras e se divertia com os irmãos e primos

O apelido carinhoso era usado pela família e amigos muito próximos. Era assim que os padrinhos Benedito de Souza e Wanda Oliveira de Souza o conheciam, mesmo depois de ele se tornar o fenômeno do automobilismo internacional, Ayrton Senna. 

Uma relação familiar que começou quando Benedito recebeu o pai de Béco em sua fazenda, no interior de Goiás. A amizade se estendeu. O casal goiano batizou o primeiro filho homem do casal de amigos paulistas. Antes, Wanda tinha crismado a primogênita deles, Viviane. “Imagina uma jacu ir lá em São Paulo crismar uma menina...”, brinca Wanda. 

Benedito morreu há mais de um ano [em 2012]. Ele gostava de lembrar de histórias do afilhado, que, por aqui, era só Béco mesmo. “O Ayrton Senna era o Ayrton Senna, o Béco era o Béco, o menino levado que a gente viu nascer”, explica Wanda, que mora em Goiânia e ficou com a tarefa de contar as histórias. “Só de falar dele, eu fico feliz.”

Ela gosta de recordar como sempre foi confundida com a mãe de Senna, Neyde Senna – para ela, só Záza –, chegando a ouvir chamarem-nas de irmãs gêmeas. Semelhança que fez com que algumas pessoas a cumprimentassem como se fosse a mãe do piloto no dia do velório. Algumas lembranças ainda a emocionam e fazem sua filha, Elizabeth de Souza, segurar as lágrimas. 

“Tenho assistido (a reportagem sobre os 20 anos da morte de Senna) e vejo o Béco... O Béco que jogava areia em mim, que puxava meu cabelo... Eu acho linda a carreira dele, mas eu sinto falta do Béco, do meu primo”, lamenta Beth, que só tem adjetivos para ele. Brincalhão, companheiro, espirituoso, piadista, arteiro... “O Béco era terrível”, comenta Wanda, que tinha sempre de fazer empadinhas de frango para receber o afilhado.

Na estante, uma garrafa de champanhe, com a qual ele comemorou um dos pódios que fez em pistas brasileiras de Fórmula 1. Mas não é nela, nem nas fotos, que estão o elo entre as famílias e a lembrança do afilhado e amigo morto. Estão, sim, nas palavras, no discurso de quem parece ainda esperar que o Béco ligue e marque um encontro surpresa para jantar ou venha para a fazenda pescar e jogar baralho – canastra, sempre. Ou, ainda, mande buscar a família Souza, de Goiânia, para passar um tempo com ele em Angra dos Reis.


Assista mais histórias do menino Béco contadas pela madrinha dona Wanda:



FONTE PESQUISADA

O POPULAR - Lembranças do Beco. Disponível em: <http://www.opopular.com.br/editorias/esporte/lembranças-do-béco-1.535569>. Acesso em: 06 de dezembro 2015.










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