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quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Ayrton Senna Hockenheim 1986 (Foto)


Ayrton Senna Hockenheim 1986


GP F1 Alemanha / Alemanha 1986 Hockenheim


Autor / Copyright: Bernard Bakalian



Ayrton Senna Hockenheim 1986


GP F1 Germany / Germany 1986 Hockenheim


Autor / Copyright: Bernard Bakalian

quarta-feira, 8 de setembro de 2021

Ayrton Senna Hockenheim 1986 Cockpit (Foto)

Ayrton Senna Hockenheim 1986 Cockpit


Ayrton Senna GP F1 Alemanha Hockenheim 27/07/1986


Autor/Copyright: Bernard Bakalian


Ayrton Senna Hockenheim 1986 Cockpit


Ayrton Senna GP F1 Germany Hockenheim 07/27/1986


Author/Copyright: Bernard Bakalian

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Após série de Ayrton Senna, Netflix terá documentário de Michael Schumacher

Além de desenvolver drama roteirizado sobre piloto brasileiro, Netflix adquire direitos de filme sobre outra lenda da Fórmula 1

Bruno Tomé

PUBLICADO EM 30/7/2021

POR BRUNO TOMÉ

Observatório do Cinema - observatoriodocinema.uol.com.br


A Netflix volta a trazer produções da Fórmula 1 aos assinantes. Além de desenvolver uma série sobre Ayrton Senna, o serviço agora terá um documentário sobre o alemão Michael Schumacher.

O Deadline afirma que a plataforma adquiriu os direitos para exibição global do filme Schumacher. A estreia estaria marcada para 15 de setembro.

O projeto vem dos diretores Hanns-Bruno Kammertöns, Vanessa Nöcker e Michael Wech. O documentário Schumacher traz entrevistas com familiares do piloto da Fórmula 1, como a esposa, filhos e irmão, e personalidades do esporte.

Entre os entrevistados estão Jean Todt, Bernie Ecclestone, Sebastian Vettel, Mika Häkkinen, Damon Hill, Flavio Briatore e David Coulthard. O documentário da Netflix promete ainda imagens inéditas de arquivo.

Michael Schumacher conquistou sete títulos de Fórmula 1 e desde 2013 se recupera de um grave acidente de esqui. O piloto não foi mais visto em público desde o caso.

Netflix trabalha em série de Ayrton Senna

Ainda em 2020, a Netflix anunciou a série de ficção sobre a vida de Ayrton Senna. Inicialmente, a produção terá oito episódios.

“Foi dada a largada para um projeto que vai deixar o Brasil inteiro emocionado: a história por trás do herói nacional e ídolo mundial da Fórmula 1, Ayrton Senna. Estou adaptando a trajetória do piloto para uma minissérie de drama com 8 episódios”, afirmou a Netflix no anúncio.

A plataforma ainda informa que o lançamento é previsto para 2022. Se sabe que as gravações vão acontecer em português e inglês. Além disso, a família de Senna está envolvida no projeto.

Essa será a primeira produção do gênero sobre o piloto brasileiro de Fórmula 1. Ayrton Senna foi tricampeão da modalidade e morreu de forma trágica em 1994, em um acidente em corrida no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália.

A série de Ayrton Senna, como citado, chega em 2022. Já o documentário Schumacher deve chegar em 15 de setembro na Netflix, como informado pelo Deadline.



FONTE PESQUISADA

TOMÉ, Bruno. Após série de Ayrton Senna, Netflix terá documentário de Michael Schumacher. Disponível em:<https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/07/apos-serie-de-ayrton-senna-netflix-tera-documentario-de-michael-schumacher>. Acesso em: 02 de agosto 2021.

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Lotus 1987 - Ayrton Senna - Satoru Nakajima - Lotus 99T (Fotos)

(Da esquerda para a direita): Ayrton Senna (BRA) Lotus, com o companheiro de equipe Satoru Nakajima (JPN) no lançamento do Lotus 99T com motores Honda e marca Camel.

Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1987.

(L to R): Ayrton Senna (BRA) Lotus, with team mate Satoru Nakajima (JPN) at the unveiling of the Lotus 99T with Honda engines and Camel branding.

1987 Formula One World Championship.


Foto do grupo Team Lotus com Ayrton Senna (BRA) e Satoru Nakajima.

Grande Prêmio do Brasil, Rio de Janeiro, 12 de abril de 1987


The Team Lotus group photo with Ayrton Senna (BRA) and Satoru Nakajima.

Brazilian Grand Prix, Rio de Janeiro, 12 April 1987



Satoru Nakajima (JPN) e Ayrton Senna (BRA), esquerda

Campeonato Mundial de Fórmula 1 1987


Satoru Nakajima (JPN) and Ayrton Senna (BRA), left

Formula One World Championship 1987

sábado, 10 de julho de 2021

Dilema de Gabriel e Yasmin gera comparação inevitável com Ayrton e Adriane

Postado por Diogo Mourão | jul 9, 2021

É possível traçar um paralelo entre as histórias de Gabriel Medina e Ayrton Senna. Ambos ficaram mais felizes, mas suas escolhas não foram bem recebidas pelas famílias.

Todo este barulho em volta do casal, motivou-me a escrever sobre algo que venho pensando desde que a briga de Medina com a família virou assunto nacional. Guardemos devidas proporções, por favor, mas tracei um paralelo entre as histórias Yasmin & Medina e Ayrton Senna & Adriane Galisteu. Adriane parecia levar ao tricampeão mundial de Fórmula-1 a leveza que ele nunca tinha mostrado antes. Desde que começara a namorar a então modelo, Senna aparentava estar mais feliz, mais sorridente.

O mesmo ocorre com Medina na atual temporada ao lado de Yasmin. O bom astral aparece nos resultados espetaculares, que inclusive o garantiram nas finais mundiais (WSL Finals), além da espontanedade antes nunca vista, durante as entrevistas após baterias. Um Medina menos contido, sem medir tanto as palavras.

O tricampeão Mundial Ayrton Senna e a então modelo Adriane Galisteu, que namorava o piloto e parecia estar deixando a vida dele mais leve. Crédito: Revista Ana Maria/UOl/reprodução Intagram

Não havia as redes sociais para Senna e Galisteu compartilharem momentos de amor e felicidade com todos, como fazem hoje Medina e Yasmin. Era uma época de observações nas corridas e nos momentos que Senna passava em sua casa de Angra dos Reis (RJ), por exemplo.

Como setorista de F-1, muitas e muitas vezes fui mandado até Portogalo, onde ficava a casa do piloto, para fazer um plantão na esperança de que ele falasse com a imprensa, o que deve ter acontecido uma, no máximo duas vezes, em anos sentado numa pedra. Geralmente com três, quatro palavras, sem responder nada e apenas mostrar um bilhete pedindo para que o deixassem em paz, apesar de ele saber que ídolos não têm paz.

De longe, era possível ver alguns cômodos da casa e o jardim grande. Invariavelmente, Senna passava alguns momentos se divertindo no mar, na maioria das vezes esquiando. Maravilha para os fotógrafos, já os repórteres não tinham nada o que comemorar, apenas a tradicional parada numa churrascaria na volta.

Atenção aos detalhes

No jornalismo, observar os detalhes é importante, pois pode ser que os detalhes só venham a ser usados lá na frente. É no “lá na frente”, que peguei um tubo (túnel) do tempo para traçar o paralelo entre os ídolos e suas respectivas paixões, Yasmin e Galisteu.

Senna nunca chegou a romper com a família como Medina, mas passou a usar seu tempo livre para namorar, roubando sua presença dos encontros familiares. Quando estava em Angra com Adriane, normalmente ficavam sozinhos, sem parentes por perto, e ele gastava menos tempo na água, para desespero dos fotógrafos. Minha opinião era que, pela primeira vez, Senna estava gostando mais de ficar com a namorada do que entre motores (mesmo que de lanchas), velocidade e adrenalina.

Ao que parece, Yasmin não foi bem recebida pela família do bicampeão mundial de surfe. A família do tricampeão de F-1 nunca fez barulho, mas era claro que não gostavam muito da mulher que poucos anos trabalhava como modelo de feiras e eventos. Preferiam a namorada anterior, ninguèm mais, ninguém menos que Maria da Graça Xuxa Meneghel.

Senna e Adriane ficaram juntos por pouco mais de um ano, até o fatídico acidente na curva Tamburello, em 1 de maio de 1994. Impressionante como até hoje, só de lembrar, me embrulha o estômago.

Fui designado para ir a São Paulo acompanhar os funerais. Uma das coberturas mais cansativas e emocionantes que fiz. Passei a noite na Assembleia Legislativa, acompanhando o velório. Mais uma vez, minha principal atividade era observar. Ver quem passava por lá, como eram recebidos, quem ficava mais tempo, etc. No dia seguinte, mais observações, desta vez no cemitério, onde ocorreria o sepultamento, em local sem acesso à imprensa.

Muita atenção aos detalhes

Tive a ajuda do fotógrafo Daniel Augusto Jr, fundamental para juntar as peças e escrever uma das matérias mais comentadas do dia seguinte, na qual mostramos a forma diferente com que Xuxa e Adriane foram tratadas pela família do piloto morto.

Reprodução da página do jornal o Globo.

Para montar o quebra-cabeça, entraram informações da época da pedrinha em Portogalo e muito do que observei nos funerais, além do que Daniel, que estava dento no cercadinho do sepultamento, me contou.

No velório, o encontro das duas foi evitado com passagens em momentos diferentes, embora separados por poucos minutos. Já foi possível perceber um tratamento diferente e mais frio para Adriane, mas nada assim que valesse registro. Porém, no enterro, tudo ficou mais evidente.

Xuxa chegou no segundo carro da comitiva, logo atrás ao veículo que trazia a família, enquanto Adriane, num dos últimos. Durante o sepultamento, como me relatou o repórter fotográfico Daniel, Xuxa sentou-se ao lado do irmão de Senna, Leonardo, enquanto Adriane ficou numa fila mais distante. Na saída, o fato mais marcante, decisivo para a publicação da matéria e que transcrevo exatamente como foi publicado em 1994.

“Na saída, o momento de maior constrangimento para Adriane. Depois de se despedir de todos os pilotos, ela se dirigiu ao carro que levaria a família até o aeroporto. Foi breve: entrou e saiu em menos de um minuto. Fez todo o percurso até a saída do cemitério a pé. Lá fora, embarcou no ônibus reservado para os amigos da família”

“Antes de deixar o local do enterro, Xuxa se abaixou, pegou uma flor no chão, a beijou e depois a devolveu ao solo. Caminhou então para o carro da família, acompanhada por Viviane, a irmã de Senna”.

De volta ao surfe

Bom, vamos sair desta viagem por dentro do deste tubo do tempo e voltar para Yasmin e Medina. Da minha parte, fica a torcida para que ele consiga botar uma pedra no assunto e concentrar-se em ir buscar uma medalha na estreia do surfe nas Olimpíadas. Pelo que conhecemos do fenômeno, as possibilidades são enormes, mesmo com esse turbilhão de coisas ao redor.

Boa sorte, Medina!


FONTE PESQUISADA

MOURÃO, Digo. Dilema de Gabriel e Yasmin gera comparação inevitável com Ayrton e Adriane. Disponível em:<https://origemsurf.folha.uol.com.br/2021/07/09/dilema-gabriel-yasmim-gera-comparacao-com-ayrton-e-adriane/>. Acesso em: 11 de julho 2021.


 




segunda-feira, 28 de junho de 2021

GP Brasil 1984 - Toleman TG1983B - (10 Fotos)

 



 Campeonato Mundial de Fórmula 1: Ayrton Senna (BRA), Toleman TG183B, GP do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de março de 1984

Formula One World Championship: Ayrton Senna(BRA), Toleman TG183B, DNF Brazilian GP, Rio de Janeiro, 25 March 1984


Ayrton Senna (BRA), Toleman TG183B, não finalizou.
GP do Brasil, Rd1, Rio de Janeiro, Brasil, 25 de março de 1984.

Ayrton Senna (BRA), Toleman TG183B, did not finish.
Brazilian GP, Rd1, Rio de Janeiro, Brazil, 25 March 1984.



Ayrton Senna (BRA) Toleman TG183B.
Campeonato Mundial de Fórmula 1, Rodada 1, Grande Prêmio do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de março de 1984.

Ayrton Senna (BRA) Toleman TG183B.
Formula One World Championship, Rd 1, Brazilian Grand Prix, Rio de Janeiro, 25 March 1984.








Campeonato Mundial de Fórmula 1: Ayrton Senna (BRA), Toleman TG183B, GP do Brasil, Rio de Janeiro, 25 de março de 1984

Formula One World Championship: Ayrton Senna(BRA), Toleman TG183B, DNF Brazilian GP, Rio de Janeiro, 25 March 1984




quinta-feira, 20 de maio de 2021

De carona com Ayrton Senna pelas ruas de São Paulo

Em uma de suas últimas entrevistas, no final de 1993, Senna levou nosso repórter em sua perua Mercedes-Benz 300 e abriu o coração. Relembre

Sergio Quintanilha

8 nov 2019

Terra - terra.com.br

"Muitos olham para mim e pensam: 'Pô, esse cara ganha um monte de dólares num país com crianças na miséria!'. Sou cobrado, sim. Mas não fico falando se faço alguma coisa e o que faço."
Foto: Divulgação

Em outubro de 1993, pouco depois de assinar com a Williams, Ayrton Senna concedeu à extinta revista Grid a seguinte entrevista. Minha intenção, na época como editor-chefe da revista, era apenas agendar uma entrevista. Mas Ayrton decidiu falar naquele mesmo dia e me convidou a ir de carona em sua perua Mercedes-Benz 300 de um hotel na região da Avenida Paulista até o consultório de seu oftalmologista, na Avenida Faria Lima. 

Durante o percurso, Ayrton dirigiu de forma cuidadosa, enquanto via a pressa de outros motoristas no trânsito. Chegou a errar o caminho, por estar concentrado na entrevista, o que aumentou o tempo da carona. Ayrton abriu o coração e falou sobre vários aspectos da Fórmula 1, especialmente de sua relação com Alain Prost e com o então novato Michael Schumacher. Infelizmente, em 1993 não havia smartphones, então não temos fotos do dia, mas a entrevista foi gravada. Quando Ayrton disse que daria a entrevista ali mesmo, depois de um almoço com o presidente da Ford, corri numa loja do lado e comprei um gravador. Venha com a gente de carona com Ayrton Senna pelas ruas de São Paulo. 

De carona com Ayrton Senna

Não é todo dia que se pode pegar carona com Ayrton Senna. Mas, numa deferência especial aos leitores de Grid, o tricampeão abriu o bloqueio: vamos andar ao lado dele, em seu carro particular, num passeio pelas ruas de São Paulo. No trajeto, o novo piloto da campeoníssima Williams-Renault, favorito ao título de 1994, fala sobre o momento especial de sua carreira e sobre a Fórmula 1 em geral. Evita entrar em detalhes sobre os assuntos mais polêmicos, mas deixa escapar o seu sentimento, algumas mágoas e, principalmente, uma postura de autovalorização muito forte – seja falando de sua entrada na Williams ou dos acordos com os patrocinadores. “Estou numa boa, estou muito bem”, ele diz a certa altura. Vez ou outra, despe-se da condição de super-homem e lamenta não ter visto na TV Globo a reportagem em que Reginaldo Leme mostrou a Frank Williams seu primeiro teste na F1, com um  Williams, em 1983: “Putz! Cheguei em casa e, quando liguei a TV, estava terminando a reportagem”. Vamos em frente então…

"Prost, apenas para variar, como sempre, fala muito. Ele ganharia muito mais se falasse menos. É isso que acontece com ele: fala demais!"
Foto: Divulgação

Ayrton afivela o cinto, liga o motor e arranca, vagarosamente, acenando para os fãs na calçada. E começa a falar…

– Sou muito cobrado a respeito da situação social no Brasil. Nosso país tinha uma imagem alegre. Agora, com tanta violência, mudaram a imagem do Brasil. As pessoas me perguntam se faço alguma coisa pelas crianças. Não digo nada. Se faço, ninguém precisa saber. E se faço e fico contando o que faço, então acho que perde o valor. Muitos olham para mim e pensam: “Pô, esse cara ganha um monte de dólares num país com crianças na miséria!” Sou cobrado, sim. Mas não fico falando se faço alguma coisa e o que faço.

Esse sentimento talvez explique a insistência com que Ayrton pediu uma bandeira após vencer o GP do Japão.

– Carregar a bandeira, para mim, tem um valor simbólico forte. Olha que já estou acostumado com essa história de ouvir o hino nacional em cima do pódio, mas na hora isso sempre mexe comigo.

Vamos falar das vitórias, então. Não das quatro dezenas conquistadas em 10 anos de carreira, mas das que virão quando o tricampeão sentar no Williams-Renault número 2 para voltar a ser o número 1. Existe um clima de “já ganhou” no Brasil.

– Não me preocupo com isso. Desde que eu tenha um carro competitivo, as coisas surgem naturalmente. Já mostrei que sei vencer corridas – ele diz, acelerando mais forte para colocar o carro numa brecha aberta no trânsito engarrafado.

"Eu poderia ter uma cláusula no contrato dizendo assim: 'Se Damon estiver em primeiro e eu em segundo, tem que tirar o pé e deixar eu passar porque sou o número 1'. Mas não tenho isso no contrato. Isso é absurdo, não é competição."
Foto: Divulgação

Já imaginou Senna disparado na frente? Huummm… esse campeonato pode ficar muito chato.

– Isso não é problema meu. Se realmente acontecer, os outros é que têm de se preocupar em achar uma maneira de me alcançar.

Mas quem, afinal, pode alcançar o melhor piloto do mundo no melhor carro do mundo? Damon Hill, seu futuro companheiro de equipe?

– Damon aprendeu muito este ano, a ponto de vencer alguns grandes prêmios, conquistar poles. Há um ano, ele nem sabia direito o que era competir num carro de Fórmula 1. Tinha feito dois grandes prêmios pela Brabham, que estava no lado oposto do grid. Quanto ao relacionamento com ele, pelo contrato sou o primeiro piloto da equipe. Lógico que na prática isso não vai existir, porque a Williams tem condições técnicas e financeiras para fornecer material de ponta para dois pilotos. Ele vai ter o mesmo tratamento que eu, o que é uma vantagem para quem já está lá há um ano, conhece a equipe, conhece o carro…

A paisagem é meio repetitiva a cada esquina, o trânsito lento não deixa Ayrton dirigir como gosta, é muito acelera-freia-acelera-troca de marcha. Mas que imagem estaria passando pela sua cabeça? Vitórias? Mais um, dois títulos?

"Carregar a bandeira, para mim, tem um valor simbólico forte. Olha que já estou acostumado com essa história de ouvir o hino nacional em cima do pódio, mas na hora isso sempre mexe comigo."
Foto: Divulgação

– Não falo em vitórias porque o campeonato ainda nem começou – ele diz. – Já perdi muita corrida ganha na minha vida. Em 1989, no Canadá, eu estava poupando o carro nas voltas finais e, mesmo assim, o motor quebrou. Quem ganhou foi o Thierry Boutsen, que deu uma rodada de 360 graus na reta, num lugar em que o normal seria acabar no muro. Mas não, o carro ficou na trajetória certa e ele venceu. Por isso, aprendi uma coisa: para ganhar uma corrida, antes é preciso terminá-la.

E, para ir um pouco mais longe, para ser campeão é preciso saber atuar (e vencer) também nos bastidores.

– A parte política é mais difícil do que dirigir – concorda. – Só consegui meu lugar na Williams porque usei toda minha experiência. Aprendi não só a lidar com um carro de corrida, mas com os bastidores, o funcionamento político, o relacionamento com os organizadores de um grande prêmio, com os comissários de pista, com a imprensa, como ligar com a imagem das companhias que fazem parte da Fórmula 1. Ao longo de todos esses anos aprendi cometendo muitos erros.

"Ron sabia que eu ia sair, que era apenas uma questão de tempo para que isso se confirmasse. Naturalmente, depois de seis anos de trabalho juntos, não é uma separação fácil."
Foto: Divulgação

Ayrton erra o caminho e comenta: “Aqui não vai dar certo, não é por aqui”. Acelera mais forte para achar o rumo correto, como se estivesse recuperando o terreno perdido. Algumas esquinas depois, rumo tomado, desabafa: “Nada como a experiência!” O piloto parece estar intimamente satisfeito por ter alcançado o que queria. Mas, afinal, quem passou a perna em quem no affair Prost/Williams/Senna?

– Não tem quem passou a perna ou quem levou o tombo.

Longo silêncio. O piloto acelera, o homem pensa. Ao seu lado, muitos motoristas comuns, se virassem o rosto, veriam o ídolo de perto. Não o fazem. Todos parecem ter o mesmo objetivo: ir em frente, a qualquer custo. Ayrton sai do silêncio:

– Não tem nada disso. Minha ida para a Williams era só uma questão de tempo.

– Prost disse que, se quisesse, barraria sua entrada na equipe – provoco.

– Por que ele não fez isso, então?

– Conta como foi que aconteceu.

– Não! (nervoso) Não vou entrar em detalhes. Acho que é bobagem, não vem ao caso. A verdade é uma só: eu sou piloto da Williams e… (longa pausa)

E?

– … E ponto final. Essa é a verdade. Eu vou correr na Williams e ele não vai estar lá. Se ele disse que poderia me barrar, eu me surpreendo, pois não foi ele quem declarou tantas vezes que não tinha o direito de barrar ninguém, que isso era uma decisão da equipe? Então o Prost, apenas para variar, como sempre, fala muito. Ele ganharia muito mais se falasse menos. É isso que acontece com ele: fala demais!

Embora irritado, Ayrton não se altera ao volante. Vai dirigindo de forma tranqüila, diferente de tantos “Sennas” que andam por aí. E, por falar em inimigos, de onde vêm os problemas de relacionamento entre Senna e Michael Schumacher?

– Acho que o Schumacher, como tantos outros jovens, tem sede de vencer, mas talvez não tenha uma estrutura suficiente para administrar o sucesso tão cedo. Ele é competitivo e está tendo sucesso. Só que essa falta de estrutura acaba trazendo uma série de situações indesejáveis… no relacionamento com as pessoas, pô! Não é só comigo. Isso tem sido uma constante para ele. Schumacher não é visto da forma mais simpática dentro da Fórmula 1. Ele é visto como muito estrela. O cara venceu dois grandes prêmios na vida até hoje, nada mais, e se acha um campeão do mundo, alguma coisa assim…

Aliás, é bom que se diga, o tricampeão não perdoa, bate. Já deu uns empurrões em Schumacher. Em Suzuka, também não deixou barato o atrevimento do estreante Eddie Irvine, que também ganhou um sopapo do brasileiro. Ayrton não gostou da forma como ele pilotou e desaprovou também o comportamento de seu futuro “companheiro” Damon Hill. Senna dá o tom: faz o que quer, na pista e fora dela.

– Estou começando a colher os frutos de muitos anos de trabalho. Tenho certeza de que tem muito por vir. Se eu conseguir manter uma cabeça aberta, para continuar aprendendo, absorvendo, evoluindo, as coisas vaio acontecer.

"Schumacher não é visto da forma mais simpática dentro da Fórmula 1. Ele é visto como muito estrela. O cara venceu dois grandes prêmios na vida até hoje, nada mais, e se acha um campeão do mundo, alguma coisa assim…"
Foto: Divulgação

O carro avança, agora mais velozmente. Os automóveis à frente parecem abrir espaço. Senna acelera, passa raspando num carro, corta outro, tudo com a maior segurança. E continua falando da vida, vai mostrando sua cara:

– Estou muito bem, numa boa. Estou fazendo o que gosto, corro, tenho uma posição de destaque, credibilidade não só em guiar um carro de corrida, por ter demonstrado tecnicamente ser competente, mas também por honrar, no lado profissional, os compromissos que assumo. Isso tudo é uma grande conquista na vida de um profissional.

Ele agora fala solto, sem freios. Vamos ouvindo.

– Quando você faz um contrato de um ano, oferece o serviço e a outra parte assume a responsabilidade dela. Aí, ao longo do ano, vai depender da capacidade de ambos de conviver e cumprir o compromisso, não só no papel mas no espírito da coisa. O espírito do acordo é que vale realmente. E só quem tem condições realmente de cumprir, por desejo pessoal, competência, seriedade e profissionalismo, é que tem duração, que tem vida longa, senão dura um ano, dois anos e acaba. Este ano, por exemplo, assinei o contrato com o Banco Nacional em março, depois de já ter corrido na África do Sul. A gente sabe que pode contar um com o outro na hora boa e na hora difícil. Isso é credibilidade, é uma coisa que muito pouca gente tem na minha profissão. Aliás, acho que ninguém tem, se você quer que eu seja honesto. Não estou me gabando, não, mas honestamente acho que não tem nenhum corredor de Fórmula 1 hoje, ou nos últimos cinco anos, que tenha uma credibilidade como essa.

Se ouvisse isso, Prost diria que, além de acreditar em Deus, Senna pensa que é Deus. Eles que se entendam, ou se desentendam… Na verdade, o brasileiro mal disfarça um sabor de vingança, pois há um ano, quando pensou que poderia escolher a equipe que bem entendesse, deu com a cara na porta fechada da Williams.

– Eu podia correr em qualquer equipe menos na Williams. Não podia correr porque o Prost tinha um veto específico contra mim. Só por isso: ele se recusava a competir comigo na mesma equipe.

– Você não faria o mesmo se estivesse no lugar dele?

– Isso é covardia! Você pode fazer certas exigências dentro de uma equipe para ter uma posição forte. Existem equipes pequenas que não podem ter dois pilotos número 1. Mas numa Ferrari, numa McLaren, numa Williams e numa Benetton, isso não se aplica, porque elas têm possibilidade técnicas e econômicas para ter dois pilotos de ponta. Se eu não corresse este ano, a Williams teria ganho todos os grandes prêmios, com exceção de Portugal. O que ocorreu no ano passado foi uma vergonha. Mas cada um compete do jeito que quer. Tem uns que são felizes por competir assim, estabelecer as cartas antes de dar o baralho. Eu jamais competiria dessa forma.

Ok, mas dizem as más línguas que Ayrton teria barrado Derek Warwick quando corria na Lotus. Ele jura que não. E, como é o número 1 da Williams por contrato, o pobre Damon Hill estaria destinado a perder todas as corridas…

– Não, não! Eu poderia ter uma cláusula no contrato dizendo assim: “Se Damon estiver em primeiro e eu em segundo, tem que tirar o pé e deixar eu passar porque sou o número 1”. Mas não tenho isso no contrato. Isso é absurdo, não é competição. Se o cara está na sua frente andando melhor, o problema é seu de dar um jeito de andar melhor que ele e ganhar a corrida. Agora… já aconteceu de um piloto número 2 chegar no número 1 e a equipe dizer: “Não passa”. Isso existe, sim.

"Assinei o contrato com o Banco Nacional em março, depois de já ter corrido na África do Sul. A gente sabe que pode contar um com o outro na hora boa e na hora difícil. Isso é credibilidade, é uma coisa que muito pouca gente tem na minha profissão."
Foto: Divulgação

Na McLaren, mesmo durante a guerrilha com Prost, Senna sempre teve um tratamento VIP. Por isso, após vencer o GP do Japão, já de contrato assinado com a Williams, Ayrton deu um abraço fraternal em Ron Dennis. Mas, é inegável, sobraram muitas mágoas nesse episódio. Ficou um diz-que-diz no ar… Enquanto o carro roda macio pelas ruas de São Paulo, segue um diálogo sobre Ron Dennis.

– Telefonei para o Ron antes de anunciar meu contrato com a Williams porque queria que ele ficasse sabendo por mim, e não pela imprensa. Aí ele me disse que tinha acabado de fechar um acordo de colaboração muito importante com a Peugeot, maior que aquele que a McLaren tinha com a Honda.

– Ele teria dito, nesse telefonema, que agora você iria se arrepender por ter deixado a McLaren.

– Para mim ele não disse isso e duvido que tenha dito para alguém. Quando ele me disse que tinha fechado com a Peugeot, eu o parabenizei e desejei boa sorte. Acho importante que a McLaren continue sendo uma equipe forte e torço para o bem deles.

– Nenhuma mágoa de Ron?

– Não tenho mágoa de ninguém. Além do convívio profissional, criamos também uma grande amizade. Sabia que sou padrinho de uma filha dele? Acho que agora, sem compromisso profissional, poderemos ficar ainda mais amigos – diz.

Ora, ora… Todo mundo sabe que o relacionamento entre Ayrton Senna e Ron Dennis chegou a ficar realmente abalado… Ayrton se abstrai, aproveita o sinal vermelho para refletir um pouco e finalmente rompe o silêncio:

– Ron sabia que eu ia sair, que era apenas uma questão de tempo para que isso se confirmasse. Naturalmente, depois de seis anos de trabalho juntos, não é uma separação fácil. Foi trabalho e amizade que cresceram nesses anos todos. Nós também tivemos grandes conquistas. Você não apaga e muda como numa compra e venda de automóvel. Existiu e existe um certo desconforto com essa mudança, não só da parte dele mas também da minha. Eu tinha relacionamento não só com ele, mas com dezenas de membros da equipe, os quais eu considero profissionalmente e pessoalmente. A mudança de um piloto depois de seis anos não é uma coisa simples. Foi tudo feito da forma mais adequada possível, com as dificuldades normais de um relacionamento.

"A parte política é mais difícil do que dirigir. Só consegui meu lugar na Williams porque usei toda minha experiência. Aprendi não só a lidar com um carro de corrida, mas com os bastidores, o funcionamento político."
Foto: Divulgação

Mas onde, diabos, Ron Dennis errou para perder um piloto como Senna?

– Ah… não vou entrar em detalhes, não vem ao caso. Não fiquei na McLaren porque não era uma proposta interessante tecnicamente para mim.

– Mesmo depois do acordo com a Peugeot? – insisto.

– A curto prazo, não. Eles vão perder para a Renault no início… e é assim que se consegue alguma coisa na Fórmula 1. A Renault também não começou a ganhar da noite para o dia. O que está acontecendo agora é resultado de um trabalho que começou há dez anos. A Peugeot tinha que fazer alguma coisa porque eles analisaram as vendas de carros da Renault e viram que a marca está crescendo com as vitórias a Fórmula 1. Eles não podiam ficar de fora.

Nosso passeio está terminando, Ayrton tem hora marcada com o oculista. Algum problema na vista? “Não, é check. Faço um controle”, ele diz. Visão perfeita, olho no futuro. Como será? Depois de ganhar cinco títulos na F1, ele iria fazer companhia para Emerson na Indy?

– Primeiro tenho que ganhar os cinco títulos. Se isso acontecer, na hora vou pensar no que fazer. O importante para mim é estar sempre numa condição competitiva.

E uma dobradinha com Nigel Mansell na Fórmula 1, como seria?

– Não daria certo. Veja: o Mansell está com 40 anos e a Fórmula 1 está se renovando rapidamente. Não é fácil, aos 40, manter o mesmo ritmo de um piloto de 23. Por isso o Mansell chegou na Indy e ganhou tudo. Lá a média de idade é muito alta.

"Não é fácil, aos 40, manter o mesmo ritmo de um piloto de 23. Por isso o Mansell chegou na Indy e ganhou tudo. Lá a média de idade é muito alta."
Foto: Divulgação

Enquanto Ayrton fala, os carros à sua volta proporcionam as cenas habituais do trânsito brasileiro. Certos motoristas ignoram o sinal vermelho, outros freiam em cima da faixa dos pedestres, alguns fazem as ultrapassagens mais malucas. Tal como Eddie Irvine em Suzuka… O que vale mais ao volante? O arrojo ou a experiência?

– Na Fórmula 1, é mais difícil correr contra a experiência – comenta Senna, meio resignado por não ter mais um Prost ou um Mansell para enfrentá-lo nas pistas. – O piloto experiente não arrisca tanto em determinadas situações, mas em compensação, deixa a porta aberta para você ultrapassar, faz as voltas no mesmo ritmo…

Mas, afinal, o que será de Senna? Vai dar uma de Prost e parar de correr após ganhar quatro ou cinco campeonatos?

– Não tenho limite. Estou com 33 anos e acho que tenho muito pela frente ainda. Aliás, quando eu ficar velho, acho que vou relaxar na Indy. (risos)

Fim do passeio. Obrigado pela carona. E, agora sim, pode acelerar à vontade.

Nota do Autor: Reportagem publicada na revista Grid em novembro de 1993. A foto de Ayrton em seu carro é ilustrativa, pois não houve fotos nem filmagem dessa carona (o tricampeão resolveu dar a entrevista na hora, sem planejamento). A entrevista aconteceu a bordo de um Mercedes-Benz 300 Estate, pois foi pouco antes de Senna anunciar a vinda da Audi para o Brasil. 

Na foto, Ayrton com um de seus carros pessoais, um Ford Escort XR3. No dia da entrevista, dirigia um Mercedes 300 Estate.
Foto: Divulgação


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QUINTANILHA, Sergio. De carona com Ayrton Senna pelas ruas de São Paulo. Disponível em: <https://www.terra.com.br/parceiros/guia-do-carro/de-carona-com-ayrton-senna-pelas-ruas-de-sao-paulo,a7246cb7be0657b42805ad3f7fa8c54cbaia4cik.html>. Acesso em: 20 de maio 2021. 



terça-feira, 4 de maio de 2021

Entrevista de Ayrton Senna: "Quando deixar a F1 não quero dizer apenas obrigado e... adeus"

Uma das últimas entrevistas de Ayrton Senna para a Revista Volante de Portugal em 1994. Feita no Grande Prêmio de Ímola, 40 horas antes de sua morte. Só tenho a primeira parte.

 A última entrevista de Ayrton Senna: "Quando deixar a F1 não quero dizer apenas obrigado e... adeus"



domingo, 25 de abril de 2021

Senna não inclui Lotus de Piquet entre os favoritos de 89

 D-2 ESPORTES – Sexta-feira, 18 de novembro de 1988.

Folha de S. Paulo

Da Reportagem Local

Senna dá entrevista em Cumbica com uma garota da Marlboro ao fundo, contratada pelo patrocinador da McLaren

Ayrton Senna não considera a Lotus como uma das equipes com chances de vencer o Mundial de Formula 1 em 89. O campeão de 88 desembarcou anteontem no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (município da Grande São Paulo), vindo de Buenos Aires, Argentina, em voo fretado, Senna chegou às 22h30 e concedeu uma entrevista coletiva no aeroporto. Questionado sobre quais seriam seus adversários principais no ano que vem ele respondeu: "Os mesmos de sempre.” Depois pensou e detalhou citando a Ferrari, Wiliams, Benetton e March. A Lotus de Nelson Piquet e Satoru Nakajima não foi includa na lista. 

Antes de começar a entrevista, Senna tentou encontrar os torcedores que esperavam por ele no saguão de desembarque. Eram cerca de 300 pessoas, segundo avaliação da assessoria de imprensa da Infraero. O encontro não foi possível. Quando o piloto apareceu através do vidro que divide o saguão da sala de bagagens, os torcedores invadiram a alfandega, causando correria entre os fiscais aduaneiros e os policiais federais que estavam no local. Senna voltou correndo e os torcedores tentaram alcança-lo até a entrada do "Free-Shop". Nessa hora os policiais se reagruparam e organizaram contra-ofensiva para limpar a sala.

Antes de ser "devorado" pelos fãs, Ayrton preferiu enfrentar a imprensa. Ele começou a entrevista pedindo desculpas pela falta de atenção com os repórteres em 88. "Foi um ano que exigiu muito do meu esforço", e disse também que só conseguiu ter a noção efetiva de que era o novo campeão quando chegou na Austrália.

Ayrton não tem planos para o período que vai ficar no Brasil. Segundo ele, tudo vai se resumir em descansar. "Em 15 dias tenho que pegar no batente de novo" disse. Senna participa dos testes coletivos que a maioria das equipes vai realizar na Espanha, em Jerez de la Frontera, nos primeiros dez dias de dezembro.

Sobre a temporada do ano que vem, Senna comentou que "o melhor desafio vai ser dos técnicos". São eles que devem fazer os carros de acordo com o novo regulamento, segundo o piloto. Nessa hora, Ayrton comentou o potencial do novo motor aspirado da Honda. Por conta do bom desempenho do equipamento nos testes realizados em Imola, antes do GP do Japão, Senna acha que a McLaren será muito competitiva em 89.

O campeão mundial evitou comentários polêmicos sobre seu companheiro Alain Prost e também sobre a McLaren e a Honda. Todas as vezes que os jornalistas citavam alguma declaração do francês para ouvir a opinião do brasileiro ele se esquivava. Em geral dizia: "Prefiro não acreditar que essa declaração seja verdadeira". Quando o assunto passou a ser as acusações contra a Honda ou a McLaren pelo fato suspeito de favorecimento desigual aos pilotos. Ayrton procurou ser enfático. Disse que considera uma ofensa para as duas empresas qualquer dúvida quanto à honestidade e ao profissionalismo de seu trabalho.

Mesmo elogiando o profissionalismo de sua equipe, Senna fez críticas a ela. Elas aconteceram quando o campeão foi consultado sobre a reação dos Ingleses aos acidentes sofridos por ele em Mônaco e Monza. Ayrton disse que a McLaren chamou sua atenção em Mônaco, porque ele não voltou aos boxes para explicar o acidente que o tirou da prova a 11 voltas do final, indo direto para a sua casa a 500 metros do local da batida. "Mas isso aconteceu", retomou. "Eles também falharam comigo no GP do Rio, que era importante para mim e eu fiquei com a alavanca de câmbio na mão, na hora da largada" completou Senna. A importância do GP do Brasil foi ressaltada por ele mais uma vez: "Talvez agora meu maior desejo seja ganhar aqui", revelou. Senna comentou também a possibilidade de a Fórmula 1 voltar a Interlagos. Para ele, a pista paulista tem todas as condições de sediar uma prova do Mundial, e isso só não acontece por "motivos políticos".

No fim da entrevista Senna reclamou de alguns veículos de imprensa que "não foram leais" a ele durante o ano. "A folha de S. Paulo é um exemplo puro" desses veículos, disse Ayrton.

Patrocinador contrata torcida

Os patrocinadores do campeão mundial de Fórmula 1 de 88 armaram um mini-evento para recebê-lo, ontem à noite no aeroporto de Cumbica. Até torcedores contratados estiveram lá. A entrevista coletiva foi realizada no primeiro andar do prédio da Infraero. Pela avaliação da assessoria de Imprensa do Piloto "mais de 500 pessoas compareceram ao local".

Foi uma recepção típica: até o beijoqueiro José Alves de Moura compareceu para se juntar a um público bastante eclético: membros da TAS, Torcida Organizada Ayrton Senna, funcionários do aeroporto, fãs avulsos, 20 bateristas da escola de samba Nenê de Vila Matilde, jornalistas e membros de uma "torcida" do Banco Nacional, patrocinador pessoal de Senna.

Além dos ritmistas de Vila Matilde, os que faziam mais barulho era os torcedores do Nacional. Um deles Aldo Dellore, 17, disse que os 50 "torcedores", 25 rapazes e 25 moças, foram contratos por uma agência de publicidade para a recepção. Cada um recebeu Cz$ 6 mil e uma camiseta pelo serviço, segundo Dellore, Todos usavam um boné com o nome do banco mas, segundo disseram, o boné teria que ser devolvido.

A assessoria de imprensa do piloto admitiu que "havia pessoas" contratadas pelos "patrocinadores" e disse que isso é normal na F-1. O responsável pela área de promoção do Nacional, Carlos Souza, foi procurado pela reportagem da Folha, até o fechamento desta edição mas, segundo sua secretária, estava em reunião.


FONTE PESQUISADA

SOLO, Lourdes. Senna não inclui Lotus de Piquet entre os favoritos de 89. Folha de S. Paulo, 18 de novembro de 1988, D-2 Esportes.


sábado, 16 de novembro de 2019

Senna era o único que me olhava na cara, diz última mulher da F-1

Italiana Giovanna Amati correu na categoria, em 1992

15.nov.2019 às 2h00

folha.uol.com.br

Alex Sabino

Carlos Petrocilo
Luciano Trindade

São Paulo Faltavam dois meses para o início da temporada de 1992 da F-1 quando Giovanna Amati recebeu o convite para correr pela Brabham. A proposta veio do dono da equipe, o inglês Bernie Ecclestone —o mesmo que mais tarde seria presidente da categoria.


Naquele momento, a italiana, então com 34 anos, realizava um sonho que começou a cultivar na infância. "Só esqueceram de mencionar que o time estava quebrado", afirma Amati à Folha.

O modelo BT60B, com o qual a escuderia inglesa competia, não tinha condições de brigar por vitórias e, às vezes, nem mesmo de disputar as corridas. "A equipe nem chegou a terminar a temporada. Foi uma frustração enorme. Meu carro era muito ruim", diz a ex-piloto, que tentou competir as provas dos GPs da África do Sul, México e Brasil.

Em 1992, a F-1 tinha 16 equipes e mais de 30 pilotos —hoje são 10 times e 20 competidores. Nem todos se classificavam para as corridas, que tinham treinos para definir os 26 que iriam correr no domingo. Amati não conseguiu se classificar para nenhuma das três corridas que tentou. Ele abandonou o Mundial antes do quarto GP, na Espanha.


A ex-pilota Giovanna Amati na F-1

Os problemas com o carro da Brabham não foram a maior adversidade encarada por ela. Quinta mulher na história a chegar à principal categoria do automobilismo, diz ter sido vítima de preconceito, principalmente por parte dos demais pilotos.

"Sempre tive de lutar para encontrar meu caminho. Era subir a ladeira o tempo inteiro", conta.

Entre os 34 pilotos que competiram naquele ano, a italiana afirma que somente o brasileiro Ayrton Senna, então na McLaren, foi receptivo com ela.

"Senna foi a pessoa mais agradável que encontrei na F-1. Todos os outros que competiam comigo olhavam para o outro lado. Não me viam como competidora."



O sexismo nas pistas não era novidade para Amati. Antes de chegar à F-1, a italiana passou pela Fórmula Fiat, Fórmula Ford, Fórmula 3 e Fórmula 3000. Ela diz que os adversários chegavam a ser desleais com ela durante as corridas nessas categorias.

As cinco mulheres da F-1


Maria Teresa de Filippis


Lella Lombardi

Divina Galica

Desiré Wilson

Giovanna Amati


"Se você não é bom piloto, eles [adversários] não se importam. Mas se você é mulher, eles ficam loucos", diz. "No meio de um monte de pilotos, estava a Giovanna. Eles tinham de ser durões. Várias vezes bateram no meu carro para não me deixarem passar."

Ela não se abatia. Lidar com os "durões" da F-1 não parecia um desafio maior do que o trauma que sofreu na infância, quando foi sequestrada na Itália. Filha de um bem-sucedido industrial, passou três meses em um cativeiro até ser libertada com o pagamento de um resgate.

A superação de Amati até chegar à principal categoria do automobilismo nunca mais foi repetida. Desde então, nenhuma mulher teve chance de correr na categoria. Algumas tiveram oportunidades de atuar como pilotos de testes, mas não chegaram a ser efetivadas.

Democratizar o campeonato mundial está entre as metas da Liberty Media, empresa americana que comprou o controle da categoria no fim de 2016. Por enquanto, porém, as ações do grupo têm como objetivo apenas atrair mais público, sobretudo os jovens.


A ex-piloto italiana Giovanna Amati - Reprodução

Não há iniciativas para incentivar o acesso das mulheres ao grid. Em 2015, o ex-chefe da F-1, Bernie Ecclestone, chegou a sugerir a criação de um campeonato feminino. A proposta foi criticada na época por algumas competidoras, como a escocesa Susie Wollf, então piloto de testes da Williams.

"Corri toda minha carreira no automobilismo como uma competidora normal. Por que eu me interessaria por uma corrida onde eu esteja competindo apenas contra outras mulheres?", questionou Wollf.

Amati também gostaria de ver mais mulheres na F-1. No entanto, é reticente à ideia de incentivos para mulheres. "A F-1 é a melhor categoria, mas se democratizar, não será mais. Você não pode dizer: 'Temos dez vagas, 5 serão de homens, 5 de mulheres'", afirma a italiana.

Ela está atenta às transformações pelas quais o Mundial passou desde que os americanos assumiram o controle, em 2016. Uma delas foi a extinção das grid girls, modelos que circulavam entre os carros.

Ao anunciar a mudança, a F-1 justificou que "esse costume não ressona com nossos valores e está em desacordo com as normas sociais dos dias modernos".

"É uma atitude de jardim da infância isso [retirar as grid girls]", diz a Amati.











FONTE PESQUISADA

SABINO, Alex; PETROCILO, Carlos; TRINDADE, Luciano. Senna era o único que me olhava na cara, diz última mulher da F-1. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2019/11/senna-era-o-unico-que-me-olhava-na-cara-diz-ultima-mulher-da-f-1.shtml>. Acesso em: 16 de novembro 2019.