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sábado, 4 de outubro de 2025

Dia Mundial dos Animais


Ayrton Senna, além de ser uma lenda nas pistas, sempre teve a companhia de seus leais pets. De Ford, seu parceiro de infância, o Bucks, Mouse, Kinda e Samanta, cada um trouxe alegria e carinho ao tricampeão. 

 Vamos aproveitar o Dia Mundial dos Animais para valorizar o amor pelos amigos peludos. Compartilhe uma história do seu pet e mostre o quanto eles significam para você! 🐶 



quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Casa que abrigou escritório de Ayrton Senna virou escola infantil em São Paulo

Na casa que ambientou o escritório do ex-piloto, hoje funciona a Escola Raposa Vermelha

Por Redação Casa e Jardim

revistacasaejardim.globo.com

02/10/2025 06h45  Atualizado agora

Antiga residência de Ayrton Senna na Zona Norte de São Paulo, que abrigou seu escritório, hoje funciona como escola de educação infantil bilíngue

Antiga residência de Ayrton Senna na Zona Norte de São Paulo, que abrigou seu escritório, hoje funciona como escola de educação infantil bilíngue — Foto: São Paulo Antiga/Reprodução | Montagem: Casa e Jardim

Desde 2021, uma antiga residência do piloto Ayrton Senna, localizada no bairro da Vila Maria Alta, Zona Norte de São Paulo, abriga a sede de uma escola de educação infantil bilíngue. A propriedade, que agora atende crianças do berçário ao pré-escolar, foi o escritório da empresa Ayrton Senna Promoções e Empreendimentos LTDA entre as décadas de 1980 e 1990.

Após a morte do tricampeão mundial de Fórmula 1, o imóvel de 601 m², construído em 1970, foi transformado em um espaço inteiramente dedicado à preservação de sua memória, conhecido como Torcida Ayrton Senna (TAS), e permaneceu ativo até 2013 — a casa foi alugada pela escola infantil em 2021 e não há registros oficiais que indiquem quem administrou ou ocupou a propriedade nesse intervalo de tempo.

Ayrton Senna em frente à residência onde funcionou seu escritório na Vila Maria Alta, Zona Norte de São Paulo  — Foto: São Paulo Antiga/Reprodução; Acervo de Armando Botelho/Divulgação

O piloto sempre manteve uma forte ligação com a Zona Norte da capital paulista. Durante sua infância, nas décadas de 1960 e 1970, viveu em uma casa na Rua Condessa Siciliano, no bairro Jardim São Paulo.

Em homenagem ao piloto, a estação de metrô mais próxima do local passou a se chamar Estação Jardim São Paulo–Ayrton Senna, eternizando sua presença na região onde cresceu.

Fachada da antiga casa de Ayrton Senna na Zona Norte de São Paulo, hoje transformada em escola de educação infantil bilíngue — Foto: São Paulo Antiga/Reprodução 

Apesar das mudanças na fachada, a casa — agora escola infantil — segue marcada pela memória de Ayrton, que faleceu tragicamente em 1º de maio de 1994, durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. O endereço permanece como um ponto simbólico da trajetória do piloto brasileiro.

Fachada da antiga residência de Ayrton Senna na Zona Norte de São Paulo, que sediou seu escritório e, antes de se tornar uma escola infantil, esteve disponível para locação — Foto: São Paulo Antiga/Reprodução 



FONTE PESQUISADA

CASA E JARDIM - ​​Casa que abrigou escritório de Ayrton Senna virou escola infantil em São Paulo. Disponível em: <https://revistacasaejardim.globo.com/noticias/noticia/2025/10/casa-que-abrigou-escritorio-de-ayrton-senna-virou-escola-infantil-em-sao-paulo.ghtml>. Acesso em: 02 de outubro de 2025.

terça-feira, 29 de março de 2022

Ayrton Senna no Programa Flávio Cavalcanti em 1984 (Foto)

 


Em 1984, Senna vivia sua 1ª temporada na F-1 e já dava mostras do espetacular piloto que era. Logo nessa  temporada, largou em 13º para alcançar um 2º lugar em Monaco. Foi seu 1º pódio, o que rendeu participação no "Programa Flávio Cavalcanti", do SBT, onde posou nos bastidores.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O dia que Senna atingiu os 1.700 km/h


Em 1989 o piloto mais famoso de todos os tempos voo a bordo do caça Mirage III da FAB acima da velocidade do som

Por: Edmundo Ubiratan | Imagem: Divulgação em 31 de Março de 2019 às 17:00
Aero Magazine - aeromagazine.uol.com.br


Há 30 anos o então campeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna, realizava seu primeiro voo supersônico abordo de um Mirage III da FAB, atingindo a marca de Mach 1.4, correspondente a 1.728 km/h.

Na manhã do dia 29 de março de 1989, dois Mirage III do Esquadrão Jaguar (1º GDA), localizado na então Base Aérea de Anápolis, interceptavam um King Air (PT-ASN) que levava o piloto para uma visita oficial as instalações da Força Aérea.

Ao desembarcar em Anápolis, Senna foi equipado para o voo e recebeu o briefing para embarcar no Mirage III. Segundo relatos da FAB, durante a instrução, Senna afirmou que gostaria de sentir a velocidade do caça, que na época era o principal avião de combate brasileiro. Além de piloto de Fórmula 1, Senna também pilotava alguns aviões da família e iniciava seus passos nas asas rotativas, pilotando também helicópteros.


O comandante do voo seria o tenente-coronel Alberto de Paiva Cortes, que havia recém-assumido o comando do 1º GDA. “Nós queríamos demonstrar a capacidade do Mirage III, realizar algumas manobras e romper a barreira do som” comenta.  “Senna queria, acima de tudo, sentir a velocidade da aeronave supersônica, porque ele queria sentir a diferença entre pilotar um caça e pilotar um carro de Fórmula 1”, disse o agora coronel da reserva.

Ayrton Senna havia sido campeão mundial no ano anterior e iniciava a temporada de 1989, que seria uma das mais memoráveis da história do automobilismo, rivalizando com seu companheiro de equipe, o francês Alain Prost.


Voando a 36.000 pés, aproximadamente 11 km de altitude, o caça acelerou até romper a barreira do som, voando a mais de 1.700 km/h. Contudo, a altitude inibe a sensação da velocidade pela falta de referências que demonstrem a aceleração. A pedido de Senna, o piloto realizou um voo a baixa altura, bastante próximo do solo, em um rasante o avião atingiu Mach 0.95 (1.173 km/h), velocidade superior ao voo de cruzeiro da maioria dos aviões comerciais. A velocidade era tão alta que surpreendeu os fotógrafos e cinegrafistas que tentavam registrar o voo.

De acordo com relatos de presentes no evento, ao contrário da maioria das pessoas não acostumadas com a força G, Senna não demonstrava qualquer sinal de cansaço ou enjoo – falava bastante e mostrava empolgação com a experiência, inclusive recebendo o controle da aeronave, orientado pelo piloto. Ao aterrissar os membros do Esquadrão Jaguar celebraram o voo abrindo uma garrafa de espumante, ato tão repetido por Senna nas comemorações no pódio da Fórmula 1.

Senna ainda permaneceu com o esquadrão após o voo, onde trocou lembranças e recebeu um certificado do voo supersônico, ainda levando a tarjeta do macacão personalizada com seu nome e o brevê da FAB.

Hoje, o Mirage III, matrícula FAB 4904, utilizado no histórico voo está exposto para visitação no Museu Aeroespacial, localizada no Rio de Janeiro.



FONTE PESQUISADA

UBIRATAN, Edmundo. O dia que Senna atingiu os 1.700 km/h. Disponível em: <https://aeromagazine.uol.com.br/artigo/o-dia-que-senna-atingiu-os-1700-kmh_4226.html>. Acesso em: 03 de abril 2019.





quarta-feira, 21 de novembro de 2018

"Ayrton tinha o temperamento forte, mas muito maleável", diz Viviane Senna, irmã do ex-piloto


Ayrton Senna 


Revista Neo Mondo, abril de 2009.

Neo Mondo: O Brasil conhece a figura do grande campeão, que por sua postura exemplar espelha o melhor aspecto dos brasileiros. Mas como era o brasileiro Ayrton: como ele era quando criança, como era a convivência com a família e com os irmãos? Do que gostava, qual era seu temperamento?

Viviane: Meu irmão era uma criança esperta, vivaz. Desde pequeno, as rodas e a velocidade o encantavam. Aos 4 anos, ganhou o primeiro kart do meu pai. Embora ele fosse um pouco tímido com as pessoas, não deixava de se relacionar do jeito mais simples. Lembro de um aniversário, acho que dos 6 ou 7 anos, que ele quis fazer uma festinha. Ele saiu na rua convidando toda a criança que via pela frente. Encheu nossa casa. E minha mãe, depois que tudo acabou, perguntou de onde conhecia toda aquela gente. Ayrton respondeu que não conhecia quase ninguém. A adolescência foi bastante madura, já que a carreira começou a ser traçada, profissionalmente, aos 13 anos, quando também conquistou sua primeira vitória numa corrida oficial. Ayrton era uma criança feliz, um adolescente comprometido com seu futuro, um filho e um irmão carinhoso, afetivo. Temperamento forte, mas muito maleável. Ele sabia o que queria e lutava para conseguir. Sempre foi muito determinado.


Ayrton Senna seguido pela irmã Viviane, pela sobrinha Bianca e o cunhado Flávio Lalli


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Maleável não tem a ver com ser manipulável. Maleável é ser mais flexível, menos rigoroso/a nas ideias e atitudes. Uma pessoa compreensiva, entende a pessoa, se coloca no lugar dela.


Me lembrei daquele episódio dos grampos onde no livro "Ayrton Senna Saudades" do jornalista português Francisco Santos, ele relatou que "Mais grave terá sido – principalmente para Ayrton – o fato da família ter mandado grampear os telefones de seu apartamento em São Paulo e de sua casa em Angra dos Reis. Isso o terá desgostado muito, a ponto de, segundo informações que tive, lhe terem provocado uma reação para depois de Imola, que jamais aconteceu.". Assim sendo, o Ayrton perdeu totalmente a paciência com a família no final de sua vida devido a essas armações deles para separá-lo de Adriane. 

Mas, infelizmente era tarde demais...


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FONTE PESQUISADA

UECHI, Uane. Amor pago com amor. Revista Neomondo, Santo André, nº 21, ano 2, p. 6-17, Editora Abril, abril de 2009.

SANTOS, Francisco. Ayrton Senna do Brasil. 4ª Edição. São Paulo: EDIPROMO, novembro 1994.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

A lancha de Ayrton Senna navega até hoje. E ainda como parte da família



Jorge de Souza
09/11/2018 04h00
Histórias do Mar - historiasdomar.blogosfera.uol.com.br

Faz 24 anos que Ayrton Senna morreu em um acidente na pista de Ímola, na Itália. Mas a lancha com a qual o eterno campeão brasileiro da Fórmula 1 costumava passear no mar de Angra dos Reis, nos intervalos das corridas, ainda pode ser vista navegando nas águas do litoral do Guarujá, exatamente do mesmo jeito que na época de Senna e ainda com um parente dele ao volante.

Desde a morte do piloto, em 1994, a lancha, de nome Joana II, vem sendo mantida pelo seu primo Fábio da Silva Machado, que, até hoje, nunca pensou em vendê-la. "Mas, quem sabe, um dia. O Ayrton gostava muito dela e eu também", diz Fábio, que mantém a preciosidade em um condomínio à beira-mar na praia da Enseada, no Guarujá, de onde, muito eventualmente, costuma sair para dar uma volta com o famoso barco.

No entanto, quase ninguém mais sabe que a embarcação pertenceu ao ídolo da Fórmula 1.

A lancha, construída em 1986, é um modelo esportivo Panther 33, coincidentemente projetado pelo ex-mago da Fórmula 1 Colin Chapman, o lendário criador dos carros da equipe Lotus, pela qual correram tanto Emerson Fittipaldi quanto o próprio Senna, mais de uma década depois.


Mas ela chegou às mãos do piloto por puro acaso, porque fazia parte da casa em Angra dos Reis que ele comprou, em 1991, do empresário Antonio Carlos Almeida Braga, o Braguinha – tanto que o nome da lancha, mantido até hoje, é o da filha do antigo proprietário. "Mas não é só o nome do barco que é original", diz Fábio. "A lancha inteira está exatamente como nos tempos do Ayrton", diz o primo do ex-piloto, entre orgulhoso e saudoso.

Ayrton Senna na lancha, em 1992. Foto: Reprodução

Apesar do intenso calendário das corridas, Senna usou bastante a lancha. Sempre que ia descansar na casa de Angra saía para passear com ela, não raro levando convidados igualmente famosos a bordo, como o amigo e também piloto Gerhard Berger e o então dono da equipe McLaren, Ron Dennis, além de algumas namoradas, como Adriane Galisteu.

Com a Joana II, uma lancha de alta performance mesmo para os dias de hoje, equipada com dois motores de 200 hp cada e duas hélices por motor, Senna adquiriu gosto pela velocidade também na água. Mas jamais pensou em experimentar uma corrida de lanchas, ao contrário de alguns colegas da Fórmula 1 da época e, pelo menos, um grande conhecido seu: o italiano Stefano Casiraghi, campeão mundial de motonáutica e marido da princesa Caroline, do Principado de Mônaco, onde Senna também morou.

Aliás, as semelhanças entre Senna, o "Rei de Mônaco", por suas seis vitórias nas ruas do Principado, e Casiraghi, o quase príncipe casado com uma das princesas de Mônaco, iam bem além do endereço e do prazer pela velocidade, ainda que em ambientes totalmente diferentes.

Tal qual Senna, Casiraghi também era jovem, famoso, campeão da modalidade conhecida como sendo a Fórmula 1 dos mares e tinha quase a mesma idade do brasileiro quando morreu, vítima de um brutal acidente durante uma competição, que chocou o mundo na época (como pode ser conferido clicando aqui).

De Casiraghi não restou nenhum barco. Já a lancha de Senna navega até hoje.


Foto: Otto Aquino/Revista Náutica

Fonte: https://historiasdomar.blogosfera.uol.com.br/2018/11/09/a-lancha-de-ayrton-senna-navega-ate-hoje-e-ainda-como-parte-da-familia/

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os últimos dias no Algarve



26 de abril de 1994, 16h00. Um helicóptero levanta do Aeródromo de Tires. A bordo, Ayrton Senna acena simpaticamente para a câmara de filmar. José Pinto, jornalista da RTP requisitara um helicóptero a um amigo para filmar a participação de Senna na gravação de um spot publicitário para a Sega. «Mantínhamos uma boa relação e disse-me porque é que eu não aproveitava e ia com ele no seu avião para Imola. Já tinha tudo tratado com as viagens da RTP e acabei por recusar», recorda o comentador de F1 e autor dos programas «Rotações» e «Máquinas».

O helicóptero de Ayrton Senna levava-o de volta ao Algarve, à sua Casa da Quinta do Lago, condomínio de luxo que André Jordan criara uns anos antes e onde Ayrton podia gozar da privacidade, do contacto com a natureza e do clima ameno para fazer o seu escrupuloso jogging. A casa da Quinta do Lago, avaliada atualmente em dez milhões de euros, era uma espécie de réplica europeia da sua casa em Angra dos Reis.

Ao contrário do que era habitual, Ayrton passava cada vez mais tempo no Algarve, sob os cuidados da fiel Juracy, que lhe preparava as lendárias canjas de galinha, cuidava da casa e do jardim e ainda lhe servia de competente motorista. Tudo aquilo que Ayrton chamava de «dieta espiritual» e que lhe permitia descomprimir como em nenhum outro lugar.

Ayrton parecia fugir da pressão familiar, que aumentava à medida que a sua relação com Adriane Galisteu parecia evoluir para coisa mais séria. Apenas a mãe, Neyde, parecia aceitar a relação com a plebeia de São Paulo.



Já que Ayrton se refugiava na Europa, a pressão familiar decidiu vir ter com ele, sob a forma do seu irmão Leonardo, que iria acompanhá-lo ao GP de São Marino – talvez uma das razões pelas quais Ayrton preferiu que Adriane fosse esperar por ele ao Algarve, evitando conflitos e a exposição da sua vida privada no paddock de línguas afiadas.



Ayrton estava certo. A missão do seu irmão Leonardo era convencê-lo de que aquela relação com Adriane era um erro. Naquela noite, durante o jantar preparado por Juracy, os dois irmãos discutiram, o que deixou Ayrton perturbado e irritado – ele não conseguia entender a animosidade da sua família com Adriane. O que fizera soar os alarmes fora um Fiat Uno prateado que Ayrton oferecera a Adriane e que despoletou no pai Milton uma preocupação explicada por António Almeida Braga, o Braguinha: «O Miltão achava que todo o mundo que se aproximava do Ayrton tinha interesses, queria tirar vantagens. Bastava um relacionamento durar mais para ele não gostar.» Agora sabemos de quem Ayrton herdou o seu caráter desconfiado.

No dia seguinte, 27 de abril, uma quarta-feira, Ayrton acordou mais bem disposto, apesar da hora madrugadora. Senna gostava de dormir 10 a 12 horas quando não estava nas corridas – aí não dormia mais de quatro horas.

Na sua espaçosa suíte no Algarve não podia entrar nem um ponto de luz. Ayrton sofria de fotofobia e tivera de ser a própria Juracy a isolar milimetricamente todas as fontes de luz que pudessem perturbar o sono do seu patrão. Ayrton não ficou totalmente satisfeito, porque descortinou um minúsculo ponto de luz pelas frestas do armário. Em entrevista a Monica Bergamo da revista Playboy, Ayrton confessou que costumava ser assaltado por um sonho: «Por vezes sonho que tenho um acidente, outras que estou oferecendo um bouquet de flores para a minha namorada». 

Naquela manhã solarenga, Senna acordou bem disposto e disse a Juracy: «Já viu como a vida é bela quando a gente se sente bem?». Depois de tomarem o pequeno-almoço no terraço junto à piscina, ele e o seu irmão foram conduzidos por Juracy até ao Aeroporto de Faro. Na pista, o comandante Owen O ´ Mahoney esperava por ele com o seu BAe HS125 jet, o jato particular que naquele dia o iria a levar a cruzar os céus de meia europa num autêntico air show de compromissos comerciais. Primeira escala em Munique para uma reunião com executivos da Audi, para discutir os pormenores do negócio que pretendia tornar a empresa de Senna a representante da marca alemã no Brasil. Depois do almoço, o comandante acionou os motores do jato e levantou voo. Próxima escala, Aeroporto de Forli, próximo de Bolonha. Owen O ´ Mahoney, que achara o seu patrão particularmente sorumbático naquele dia, despediu-se com o a habitual saudação antes de cada Grande Prémio: «Eu fiz o meu trabalho agora é a sua vez». Seria a última vez que faria aquele cumprimento.

Dali, Ayrton partia num helicóptero para Pádua, onde estaria presente no lançamento de uma nova bicicleta em fibra de carbono da marca Carraro com o logótipo do duplo esse de Senna.

Na conferência de imprensa que se seguiu à apresentação da bicicleta foi instado a comentar a vantagem da Benetton e de Michael Schumacher naquele início de campeonato, que Ayrton Senna desconfiava ser fruto de uma ilegalidade com o sistema de tração do Benetton:« É difícil falar de algo que não podemos provar.»

As desconfianças públicas de Ayrton Senna deviam-se ao péssimo arranque de temporada da Williams, contrastando com a eficácia da Benetton. Cumpridas que estavam duas provas do mundial – Brasil e GP do Pacífico em Aida –, Ayrton ainda não havia somado qualquer ponto, abandonando nas duas corridas, enquanto Schumacher somara duas surpreendentes vitórias.

Neste momento, e como noticiava o Autosport inglês, o campeonato estava «Michael 20 – Ayrton 0».

Senna, que tanto lutara para chegar à Williams, estava agora no centro da panela de pressão e afirmava que o campeonato iria começar em Imola, palco da terceira prova daquele mundial de 1994.

Os problemas da Williams manifestaram-se logo desde os testes de inverno no Paul Ricard e no Estoril, que levaram Ayrton a confessar aos seus amigos mais próximos: «Este carro é uma merda».

Com efeito, a Williams perdera a sua vantagem baseada na eletrónica, porque a FIA havia banido todos os dispositivos que haviam dado a ponta do pelotão tecnológico à equipa de Didcot – suspensão ativa, controlo de tração, ABS, etc. Numa tentativa de travar a escalada tecnológica e devolver ao piloto o papel principal na F1, a FIA acabara de criar sérios problemas às equipas e aos pilotos. As primeiras foram obrigadas a um retrocesso tecnológico que, em última análise, comprometia a segurança. Os segundos tiveram de adaptar de novo a sua técnica pilotagem a carros que dispensavam ajuda eletrónica.

Mas mesmo um piloto com as extraordinárias qualidades e capacidade de adaptação de Ayrton se via a braços com um carro «mal nascido». O chassis do Williams FW16, supervisionado por Patrick Head, era instável e difícil de controlar e o pacote aerodinâmico, desenvolvido por Adrian Newey, estava longe de poder disfarçar as imperfeições do conjunto.

Nem mesmo o poderoso motor V10 da Renault, o mais potente de todos os carros da F1, conseguia dar ao FW16 um temperamento vencedor. A Williams estava consciente das deficiências do seu monolugar e na fábrica testavam-se afincadamente novas evoluções que permitissem a Ayrton Senna diminuir o fosso que o separava do Benetton de Michael Schumacher. Além da fraca competitividade do seu carro, Ayrton estava seriamente desconfiado da legalidade do Benetton.

No paddock circulava o rumor de que a equipa italiana estava a utilizar um sistema de controlo de tração no motor, que ficava à margem das regras impostas pela FIA no início daquele ano. Ayrton ligava várias vezes ao seu antigo rival Alain Prost, fazendo queixas da Williams e manifestando a sua desconfiança com a superioridade do Benetton: «Naqueles dois ou três meses antes de Imola, o comportamento do Ayrton comigo mudou radicalmente. Eu deixara de ser uma ameaça, agora era seu confidente. Ligava-me várias vezes e ficávamos falando imenso tempo. Ele estava preocupado com o Williams e com a segurança na F1, queria que eu integrasse uma comissão de pilotos para as questões de segurança», explicou o francês, em entrevista a uma série da BBC dedicada a lendas da competição automóvel.

Às 17h30 daquele dia 27 de abril, depois de terminar os seus compromissos comerciais em Pádua, Ayrton Senna apanhou de novo o helicóptero, agora com destino ao circuito de Imola, onde aterrou por volta das 18h00. Foi de imediato às boxes da equipa Williams, onde cumprimentou, como sempre, todos os membros da equipa.

Esteve alguns minutos à conversa, desta vez não com Giorgio Ascanelli, o seu engenheiro de pista da McLaren, mas com David Brown, que tinha as mesmas funções na Williams. Ayrton queria inteirar-se das evoluções que a equipa trazia para Imola e que testara no início da semana em Nogaro com o seu companheiro de equipa, Damon Hill.

Além de novos acertos aerodinâmicos, os engenheiro da Williams elevaram a posição do volante, o que obrigava os pilotos a expor mais os seus ombros, conforme depois notaria Emerson Fittipaldi.

Ayrton estava preocupado e sabia que apesar de o campeonato ainda estar na sua fase inicial, a vantagem de Schumacher era já preocupante. Senna queria acreditar que Imola iria marcar o ponto de viragem daquele campeonato, mas não estava muito confiante: «O carro é muito difícil de guiar, é tão duro que qualquer ondulação do piso faz ele saltar.»

O Autódromo Enzo e Dino Ferrari, perto da cidade de Imola, a quatro quilómetros da cidade de Bolonha e a 80 quilómetros da sede da Ferrari, em Maranello, era justamente considerado a «casa» da Ferrari e um dos mais perigosos e traiçoeiros circuitos do mundial. Ao contrário da maioria dos circuitos, este corria-se em sentido inverso aos ponteiros do relógio. Era um circuito de média-alta velocidade, com um ponto muito perigoso: a curva Tamburello.

Era uma curva de alta velocidade, normalmente feita de acelerador a fundo, com o ponteiro dos conta-quilómetros a passar dos 300 km/ h. As pequenas ondulações e ressaltos aconselhavam a que a suspensão fosse regulada com maior distância ao solo e que o apoio aerodinâmico fosse mais incisivo. O problema é que essa afinação mais segura para Tamburello iria penalizar o comportamento do monolugar nas zonas mais rápidas do circuito, fazendo-o perder velocidade de ponta e, logo, tempo, o bem mais precioso da Fórmula 1. Mas o principal problema da curva era a sua exígua escapatória, tendo em conta a velocidade que os carros atingiam naquela zona.

As dezenas de metros de brita não eram suficientes para travar embates com o muro de betão, conforme tão amargamente experimentara Gerhard Berger em 1989, quando o seu Ferrari embateu no muro e se incendiou. O austríaco foi retirado do carro em chamas e sobreviveu ao terrível acidente. No ano seguinte, ele e Ayrton Senna fizeram uma vistoria a pé à fatídica curva, na tentativa de identificar uma solução que permitisse torná-la mais segura. Quando espreitaram para lá do muro de betão, viram que por ali passava um ribeiro. Não havia nada a fazer e os dois amigos conformaram-se com a inevitabilidade daquele perigo que continuariam a desafiar todos os anos.

Depois de partilhar uma macarronada com alguns jornalistas brasileiros na motorhome da Williams, Ayrton Senna dirigiu-se ao Castello, o hotel onde habitualmente se hospedava desde os tempos da McLaren na pequena estância termal de Castel San Pietro. À sua espera, atempadamente reservado, o quarto número 200. Ayrton era um animal de hábitos e gostava de jantar nos mesmos restaurantes de sempre e ficava quase sempre nos mesmos hotéis. Gostava desta familiaridade, ainda que fictícia. Naquela noite, depois de jantar com o irmão Leonardo, com o seu empresário Julian Jakobi, com o seu amigo e preparador físico Josef Leberer, com o seu compagnon de route António Almeida Braga e com outros amigos brasileiros, igualmente hospedados no hotel, Ayrton Senna retirou-se, cansado de um dia de frenéticas viagens. Ligou para Adriane, no Brasil, que preparava as malas para embarcar no dia seguinte para Lisboa.




FONTE PESQUISADA

PELEJÃO, Rui. A paixão de Senna. Edição 1. Editora Leya Portugal. S.A., julho de 2014. 

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Apaixonado! Ayrton Senna Contando Como Foi Especial Conquistar Adriane Galisteu (Vídeo)


Ayrton Senna contando como foi especial para ele conquistar seu grande amor Adriane Galisteu

Jornal Nacional, 1993




Na entrevista Ayrton se refere a Adriane Galisteu, logo após começarem a namorar. A modelo, inclusive, conta em seu livro "Caminho das Borboletas" o quanto foi difícil Senna consquistá-la. O piloto "comeu um dobrado".


terça-feira, 16 de outubro de 2018

Ayrton Senna Diz Que Motivaria Um Filho a Ser Piloto Também


Revista Manchete, abril de 1989

"Você correria em outra categoria que não fosse a Fórmula 1, algum dia?"

"Eu não posso dizer que não correria em nenhuma outra categoria porque isso não existe. Mas não tenho intenção. A F-1 já dá muito trabalho e dor de cabeça.Quero aproveitar o tempo livre para viver a vida de maneira melhor."

"Isto incluiria curtir seus próprios filhos?"

"E porque não? Ultimamente, as crianças tem me atraído muito, elas me fazem bem. São muito especiais para mim. Até motivaria um filho a correr se este fosse seu desejo e mostrasse competência, o que é muito importante."


FONTE PESQUISADA


CALMON, Fernando. Ayrton segundo Senna. Revista Manchete, Rio de Janeiro, nº 1928, ano 37, p. 30-33, Editora Bloch, abril de 1989.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Outro Ayrton Senna

O Sentido da vida é que ela termina. (Franz Kafka)


Há indícios de que Senna estava se cansando de sua vida espartana de esportista. Parece que antes da temporada de 1994 não se preparou fisicamente tão forte quanto fizera das vezes anteriores. Tinha mais vontade de curtir melhor a vida, usufruir os momentos agradáveis. Deixar de lado o Ayrton brincalhão da intimidade com os amigos, para vestir a roupa do Senna vencedor - mas contraído e super tenso - nas pistas de corridas, estava ficando cada vez mais difícil. Tudo indica que vivia um amor estimulante com Adriane Galisteu, queria vivenciá-lo mais. Começava a se entusiasmar pelo seu lado empresário.

Se a primeira fase da crise era a descoberta das pressões do ser interno, fazendo Ayrton até declarar que gostaria no futuro de aprofundar seu lado religioso, chegando mesmo a se transformar numa espécie de pregador do Evangelho, outra fase era essa e curtir mais a vida comum. Eventualmente casar, ter filhos.

O ser interno de Ayrton, aquela porção mais tímida da psique, à espera de sua vez, manifestava-se fortemente, em busca de espaço. Nas demais pessoas, quando eclode essa crise e não é atendida adequadamente, pode explodir um câncer, um divórcio traumático, uma perda de emprego. Todos nós, em alguma medida, funcionamos durante uma boa parte da vida atuando apenas com a nossa máquina biológica. Aquela que reage aos insultos e aplausos externos e vai se colocar competitivamente no mundo. Mas o ser interno, delicado e sutil, vai cobrar seu lugar ao sol, algum dia. O desafio é ajustar os dois lados, colocando a máquina biológica a serviço do ser interno. Evitar a posição inversa, em que a máquina escraviza a consciência interior, enquanto essa luta para sair à luz.




O grave, para um piloto de Fórmula 1, é que sua máquina biológica interage com uma máquina verdadeira, artificial, que opera sob risco fatal para o homem. Por isso, a meu ver, a porção mais íntima de Ayrton, seu lado mais humano, digamos assim, estava pressionando para tormar seu lugar de comando desde 1992. A luta de Ayrton com sua máquina biológica ganhou uma simbologia evidente e dramática quando se transferiu para a Williams e não conseguia acertar-se com o carro. Sugiro que, na verdade, o ser Ayrton rebelava-se contra a personalidade Senna. Já bastava o que Senna conquistara, era hora de mudar ou alterar o estilo. Era hora de ler os sinais, tranquilizar-se, esperar nascer de dentro a decisão para a nova empreitada. Era hora de harmonizar o Senna com o Ayrton.

Apesar de seu acesso a aspectos sutis da realidade, talvez não tenha conseguido trabalhá-los o suficiente. Talvez não tenha tido tempo para transformar-se como gostaria. Faltou tempo, faltou força, faltou intuição mais apurada ainda. Morreu nunca máquina, vitimado por ela própria, cujo pedaço atinge-lhe fatalmente o crânio. Símbolo da outra luta titânica, interna, entre o ser e a máquina biológica humana.

Está é uma leitura livre. Válida até certo ponto, mas simples hipótese. Porque no grande desígnio das coisas, na verdade, não sabemos os propósitos maiores nem as razões mais profundas que regem uma vida. Se Ayrton Senna houvesse recuado, abandonado a Fórmula 1, seu ato produziria um tipo de efeito na consciência das pessoas. Sua vida teria outro sentido. Agindo como agiu, o efeito foi outro. E o sentido, para ele, quem sabe qual era? Talvez tenha escolhido mesmo acelerar fundo nesta existência, aprender até a última gota tudo o que fosse possível, qualquer que fosse o preço. Para não precisar repetir a dose. E quem somos nós para julgar?





Leitura Psicológica pelo jornalista Edvaldo Pereira Lima


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Nuno Cobra esteve três semanas na casa do Algarve, para um trabalho intensivo com Senna. Disse ter formado com ela uma "aliança" para não deixar que ele voltasse a ser "aquela pessoa tensa, preocupada, responsável, lacônica, triste e taciturna":


"A Adriane dizia: 'Ataca daí, Nuno, que eu vou atacar daqui. Vamos tirar esse Senna daí. Ele está virando Senna, está ficando triste'.”

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Ex-assessora Fala do Momento Especial de Ayrton Senna ao Lado de Adriane Galisteu


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Depoimento de Nuno Cobra, ex-preparador físico e mental de Ayrton Senna

No ano passado (1993) eu estava num programa de televisão no dia do aniversário do Ayrton, 21 de março. Então me perguntaram que presente eu daria a ele. Todos ficaram estupefatos quando disse que gostaria que parasse de correr. Ficaram mudos. Foi constrangedor. Em dez anos de convivência ele me conquistou como pessoa – era amigo, era irmão, era filho. Dez anos é uma vida. Os outros me disseram: "Mas como? Ele é a alegria de todos os brasileiros". Respondi: "O que é o melhor para ele? Espero que esse tal de Senna consiga logo essas proezas todos, esses recordes, e dê um pouco de paz para o Ayrton".

Tive um relacionamento com o Ayrton, que era totalmente diferente do Senna. Eram duas figuras distintas.Meu objetivo nos encontros era dar a ele paz, momentos agradáveis em que pudesse desenvolver não apenas sua máquina humana, mas também encontrar seu equilíbrio. Esse era nosso objetivo nesses dez anos. Na paz dos gramados do Cepeusp (Centro Poliesportivo da Universidade de São Paulo, que fica na Cidade Universitária, no bairro do Butantã, em São Paulo) parece que ele encontrava oxigênio, como uma compensação. Recarregava a bateria. Naqueles momentos nunca fiz uma pergunta a ele sobre Fórmula 1. Conversávamos muito sobre esporte e olimpíadas. Ele gostava de saber dos recordes. Tinha admiração pelo Serguei Bubka (recordista mundial de salto com vara). Não era o Senna que estava lá correndo. Era o Ayrton, um amigo que soube me conquistar com sua meiguice, alegria de vida, sensibilidade. O traço mais marcante de sua personalidade, que sempre me deixava impressionado, era a simplicidade.

No início da carreira, saía no domingo daquele terra horrível que a Europa era para ele na segunda-feira já estava aqui para melhorar seu condicionamento físico e mental. Nos domingos eu assistia aos desempenhos extraordinários, às façanhas sobre-humanas dele nas pistas. Era quase um ET naquele bólido. Depois me impressionava ver aquela pessoa transmudada. Chegava uma pessoa tão simples, guiando o próprio carro. Nunca teve motoristas, nunca teve guarda-costas. Essa pessoa ninguém conheceu, infelizmente. Ele não era nada "Senna". Era aquela pessoa humilde, que me escutava, sedenta por informação, com enorme vontade de crescer – tinha o céu como limite.

Ayrton era muito empolgado com seu estado atlético, com suas conquistas. Quando ganhou o campeonato mundial no Japão (1988), me deu a maior emoção da minha vida. Ele me ligou do circuito mesmo e disse: "Eu não cansei". Tinha ultrapassado todos os carros na pista, o que é um estresse absurdo. O mérito todo foi dele. Não fiz nada. Apenas estimulava e orientava. Ele era reto, um exemplo para todo o povo brasileiro. A forma de Ayrton conseguir as coisas foi pelo trabalho, única e exclusivamente. Ele nunca ultrapassava seus limites – empurrava-os. Seu consumo máximo de oxigênio dobrou. Ele podia correr sem cansar. Aí é que está a beleza – nesses momentos em que o organismo está apto a fazer esforço.

Eu ficava com raiva da imprensa em 1986, 1987 quando ele ainda não era campeão (foi campeão em 1988, 1990 e 1991), mas já era o Senna. Diziam que era afobado, nervoso. Esqueciam os tais especialistas que, pra ser veloz e rápido, tinha de ser o mais sereno e tranquilo. Ayrton não respirava na curva para fazê-la com perfeição. Fazia com toda a segurança as ultrapassagens que pareciam absurdas para nós. Com seu talento e seu desenvolvimento orgânico, com um cérebro muito oxigenado, tinha uma visão diferente das coisas.

Ayrton disse para a Adriane (a modelo Adriane Galisteu, namorada do piloto) que não queria correr no domingo em Ímola. Essa moça foi muito importante na vida dele. Só eu sei. Foi a única coisa boa dos últimos tempos. Ele estava feliz. Era uma das poucas pessoas que percebia também esse Ayrton que ninguém conheceu. No ano passado, estivemos três semanas em Portugal em um trabalho intensivo. Ela dizia: "Ataca daí que vou atacar daqui. Vamos tirar esse Senna daí. Ele etá virando Senna, está ficando triste". Adriane foi a pessoa que lhe deu mais carinho. Ela me ajudava. Todos viam apenas o Senna, aquela pessoa tensa, preocupada, responsável, lacônia, triste, taciturna. Era óbvio que era penoso para Ayrton suportar essa figura. Eu brincava cojm ele: "Ayrton, hoje você está tão macambúzio". Em Angra (Angra dos Reis, município fluminense onde o piloto tinha uma casa), quando eu estava olhando as ondas, às vezes ele chegava por trás, me abraçava e dizia: "Você está tão macambúzio hoje". Era sua forma de expressar carinho, sempre com uma brincadeira. Numa outra vez, eu estava escorregando nas pedras e o Ayrton não perdoou: "Você não botou pneu de chuva, hein?"

Atrás daquele profissional tão austero e mal-humorado, premido por tanta responsabilidade, tinha um Ayrton humilde e simples. Ele era meio no olhar, sereno nas atitudes e muito alegre. Por incrível que pareça, falava demais. Sempre tinha um chiste, uma tirada. Ficava sempre com a última palavra. Não tinha como a gente continuar depois que fazia sua gozação final. Era sempre mordaz e sutil. Ayrton tinha fluidez de pensamento e era muito rápido. Também era muito observador e atencioso.

Essa é talvez uma das possibilidades mais sagradas que Deus ofereceu ao homem: ir mudando, se transformando, crescendo e buscando a luz. A gente notava que o Ayrton ia ficando cada vez mais sensível, cada vez mias espiritual nessa mudança a que ele se propunha, de buscar seu aperfeiçoamento físico, mental, espiritual e moral.

Agora ele desfrutava o melhor momento da vida. O Senna estava cada vez mais ficando Ayrton. A imprensa às vezes se surpreendia. Era o Ayrton crescendo, mudando o próprio Senna. Mas não houve mais tempo para isso. Minha tristeza mesmo é qeu ninguém pôde conhecer esse Ayrton. Tenho a tarefa de levar ao povo esse homem, a quem não foi dada a chance de se fazer presente – empurrado e massacrado por esse mundo medonho.

A última vez que nos encontramos no Cepeusp. Ele ele me disse: "Puxa, você engordou, está melhor, mais forte". A primeira vez que fui à Europa, em 1985, na corrida de Brands Hatch (Inglaterra), os seguranças foram me tirar do boxe. Ayrton já estava colocando a balaclava (protetor contra fogo usado pelos pilotos), mas pulou por cima do carro e disse: "Esse não". Numa entrevista para a Rede Globo, ele falou de mim com muito carinho. Gostaria de ter essa fita.

Se eu tivesse nessa prova na Itália, ele não iria correr de forma nenhuma. Quando ficou passando a mão no carro alguns minutos, com aquela carinha de criança, parecia que estava sabendo, estava sentindo o que ia acontecer na pista. Ele nunca tinha feito isso. Eu teria tirado Ayrton do boxe, ia provocar um vexame. Estava tudo escrito no rosto dele. Mas ele era tão responsável que, mesmo sabendo que não tinha nenhuma segurança, se impôs cumprir seu dever. Morreu no Dia do Trabalho, trabalhando. Fazendo o que mais gostava. Foi Senna até o fim.



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FONTES PESQUISADAS


LIMA, Edvaldo Pereira. Ayrton Senna: Herói de um novo tempo. Volume 1. São Paulo: Clube de Autores, 2009.


RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

COBRA, Nuno. Nuno Cobra, o treinador de Senna. Revista Caras, São Paulo, Ano 1, Especial Nº2, Editora Abril, 04 de maio 1994.

Documentário Ayrton Senna do Brasil, Esporte Espetacular, TV Globo 2014

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Os Dois Ayrtons Sennas



Existiam dois Ayrtons Sennas, mas apenas algumas pessoas sabem, perceberam isso. Tem relatos inclusive dessas pessoas falando sobre esse outro homem, que poucos conheceram. Vamos falar nos próximos posts sobre ele, o Ayrton, não do Senna, o piloto.

Você está falando da obra de Kafka, "A Metamorfose", lançada em 1915? Não, mas tem lá as suas semelhanças também. Porque a partir do momento que esse homem começou a dominar o Senna, o piloto, houve conflitos não só internos mas com a família. Praticamente o rejeitaram. Não queriam essa completa metamorfose, transformação. Eles preferiam o Senna, que gerava riqueza (dinheiro), poder, fama e prestígio para todos. Como acontece até hoje.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Ayrton Senna Fala de Seu Amor Por Adriane Galisteu



Susana Gimenez: "Está apaixonado neste momento... está sem companheira?"

Ayrton: "Eu estou muito bem. Meu coração vai muito bem."

Susana Gimenez entrevista Ayrton Senna 

Programa argentino "Hola Susana", apresentadora Susana Gimenez, 06 de outubro de 1993.


sábado, 4 de agosto de 2018

Ayrton Senna com o "Milho Campeão" (Foto)

Senna com o milho chamado campeão

Na fazenda “Dois Lagos” que pertencia a Ayrton Senna há uma plantação de milho doce, raro no Brasil, que é comido com manteiga feita de leite caseiro e suco de caju colhido no pé. 


Senna em cima da colheita no caminhão em 1994

Senna ao lado de Chiquinho Japonês, então funcionário de sua fazenda






FONTES PESQUISADAS

MOURA, Marcelo. A casa dos brinquedos de Ayrton Senna. Disponível em:
<https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/a-casa-dos-brinquedos-de-ayrton-senna/>. Acesso em: 04 de agosto 2018.

COLOMBARI, Emanuel. Ex-funcionário homenageia Senna com "milho campeão" em SP. Disponível em: <https://www.terra.com.br/esportes/automobilismo/formula1/ex-funcionario-homenageia-senna-com-milho-campeao-em-sp,eec647ea2d8b5410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html>. Acesso em: 01 de agosto 2018.