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domingo, 22 de fevereiro de 2015

Pelé Enaltece Homenagens a Senna: "Nosso País Não é só Futebol"

Globo Esporte - globoesporte.globo.com
02/05/2014 17h32 - Atualizado em 03/05/2014 15h29

Na boate Limelight em 1993. Pelé abraça Senna após o piloto conquistar a vitória no GP do Brasil daquele ano

Ex-jogador foi questionado sobre pesquisa Datafolha, que apontou tricampeão da Formula 1 como esportista mais admirado entre os paulistanos

Por Cleber Akamine
Ribeirão Preto, SP

Pelé enaltece homenagens a Ayrton Senna (Foto: Érico Andrade)

O Brasil pode até ser o país do futebol, mas é também de outras modalidades esportivas. Assim entende Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que se rendeu ao talento de Ayrton Senna, apontado pelos paulistanos como o esportista mais admirado, segundo pesquisa Datafolha, publicada nesta quinta-feira, dia em que o ex-piloto recebeceu inúmeras homenagens por causa dos 20 anos de sua morte.

Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, durante a Agrishow - considerada a maior feira de agronegócios da América Latina, sediada em Ribeirão Preto -, o tricampeão do mundo relembrou a amizade que manteve com Senna, e celebrou a gama de ídolos brasileiros que existe nos mais diversos esportes.

- Isso é muito bom para o nosso país. Temos pessoas que engrandecem o Brasil em vários setores. Tive a felicidade de ser amigo do Ayrton Senna, de conversar com ele várias vezes. Tenho orgulho de ser mais um brasileiro a levar o nosso país para um lugar tão alto. Essa pesquisa mostra que nosso país é grande, e não é só futebol.

Na pesquisa do Datafolha, Senna foi considerado o esportista mais admirado por 47% dos entrevistados. Pelé foi o segundo lugar, com 23%, Ronaldo (2%), Garrincha (2%), Oscar (1%), Zico (1%), Sócrates (1%), Rogério Ceni (1%) e Romário (1%) foram outros nomes citados.

Reencontro 


Antes de assumir a mesa e atender aos jornalistas, Pelé reencontrou o ex-zagueiro Píter, do Comercial, considerado pelo próprio santista um dos melhores marcadores que ele enfrentou em sua carreira. Ao rever o antigo adversário, além de abraços e sorrisos, sobraram elogios e recordações dos embates dentro de campo.

- Estou ao lado de uns marcadores mais chatos que já enfrentei. Quando eu estava no campo e a bola estava do outro lado, eu fingia estar machucado. Eu dizia: "vai jogar". Ele respondia: "Não, não. Se precisar, eu caso contigo". Isso é maravilhoso. Ele nunca me deu um pontapé ou cuspiu na minha cara - disse Pelé.

Além de atender a imprensa, Pelé, garoto-propaganda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, autografou camisetas e visitou a feira de agronegócios, que terminou nesta sexta-feira.


FONTE PESQUISADA

AKAMINE, Cleber. Pelé enaltece homenagens a Senna: "Nosso país não é só futebol". Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/sp/ribeirao-preto-e-regiao/noticia/2014/05/pele-enaltece-homenagens-senna-nosso-pais-nao-e-so-futebol.html>. Acesso em: 22 de fevereiro 2015.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Audiência da F1 na Época de Ayrton Senna

Senna no pódio depois da vitória no GP da Europa 1993
Foto: Norio Koike

Doze anos depois da conquista do terceiro e último título mundial de Ayrton, e também último título mundial do Brasil na F1, Carlos Augusto Montenegro, diretor-presidente do Ibope, comparou a audiência das corridas de Fórmula 1 na época de Senna, de 35 a 40 pontos, dependendo do momento do campeonato, à do mais importante noticiário da tevê brasileira, o Jornal Nacional, no ano 2000. E lembrou que as transmissões ficaram de tal modo integradas à cultura brasileira, que "o domingo só começava depois da corrida":

"O fenômeno fica ainda mais claro quando se analisa a audiência das corridas de Senna pelo share, ou seja, pela porcentagem entre os aparelhos ligados: 70 a 80%. Uma audiência comparável à Copa do Mundo, com uma diferença que acentua ainda mais a importância de Ayrton: na Copa, os jogos eram concentrados e aconteciam de quatro em quatro anos. No caso da Fórmula 1 dos tempos de Ayrton, o fenômeno era o fato de milhões de pessoas terem o costume de ligar a tevê de manhã, no domingo, de três em três semanas.”

Montenegro jamais confundiu Ayrton Senna com Fórmula 1, no que diz respeito aos brasileiros:
"O que deu ibope foi Ayrton Senna, sua postura. Ele estava acima da Fórmula 1.”

Uma pesquisa realizada com leitores do jornal O Globo, um mês depois da conquista do tricampeonato de Ayrton, mostrou que 39,46% deles consideravam Senna o maior ídolo do esporte brasileiro. O segundo lugar da pesquisa era da jogadora de basquete Hortência, com apenas 7,36%, seguida da colega Paula, com 3,01%, dos jogadores de futebol Júnior, com 2,68%, e Bebeto, com 2,34%, e de Nelson Piquet, com 1,67%. Curiosamente, de acordo com a mesma pesquisa, a Fórmula 1, como esporte, ficava apenas em quarto lugar na preferência do público, com 7,02%, atrás do futebol, com 46,49%, do vôlei, com 20,07%, e do basquete, com 11,37%.

Senna dá entrevista para a TV Globo depois de vencer o GP Brasil 1993
Foto: Lukas Gorys


O Boom de Brasileiros na F1 devido ao sucesso de SENNA na categoria

Senna era uma exceção espetacular. Pouco se sabia, na sua época, sobre pilotos competentes como Mário Ferris, Egon Hertzfeld, Thales Polis, Belmiro Júnior, Ayron Cornelsen, Luiz Antônio Teleco Veiga e outros pilotos anônimos que tinham voltado da Europa sem conseguir fazer carreira nas pistas. Contratos mal negociados e equipes mal escolhidas costumavam dizimar sonhos e dólares rapidamente. Djalma Fogaça, um dos que foram e voltaram sem conquistas, resumia:

"Se você contar os pilotos que foram lá fora e não se deram bem, enche um jumbo.”
Eles eram quase quatro mil, regularmente inscritos como pilotos de competição na Confederação Brasileira de Automobilismo, naquele ano do tri de Senna. Um deles foi o campeão inglês de Fórmula 3, correndo pela West Surrey Racing, a mesma equipe pela qual Ayrton conquistara o mesmo título, oito anos antes. E também chegaria à Fórmula 1.
Era Rubens Barrichello.

tags: Ibope TV Brasil Brasileira Globo


FONTE PESQUISADA

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.