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terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Os Pilotos do Piloto

 


Comandantes Waldemir de Oliveira "Neno" e Paulo Jorge no aeroporto de Congonhas preparados para levar o nosso campeão Ayrton Senna para mais uma corrida de Fórmula 1 na temporada de 1990.

Revista A Semana em Ação Nº 15

domingo, 20 de junho de 2021

Exclusivo: como incêndio criminoso destruiu perua Mercedes que foi de Senna

Rodrigo Mora                                                                                      Colunista do UOL                                                                                19/06/2021 04h00



(SÃO PAULO) - Premidos pela efeméride, a cada 1º de maio nos dispomos a formular a lista de carros que Ayrton Senna teve fora das pistas. Por ter contado com a memória de Leonardo, irmão do piloto, a mais completa provavelmente seja a que UOL Carros elaborou ano passado.

Um NSX 1991 preto e um S4 Avant 1993 prata - os dois últimos carros que usou no Brasil - sempre protagonizam esse elenco. O Honda encontrou a garagem do piloto em São Paulo no ano em que Senna conquistou seu terceiro e último título na Fórmula 1, pela McLaren, então embalada por motores da marca japonesa. A perua chegou dois anos depois, quando Ayrton e Leonardo se tornaram importadores da Audi.

Endeusados, transcendem a condição de meros automóveis. Dificilmente sairão das mãos da família Senna e saem da toca apenas em situações excepcionais, quando saem. Eu mesmo já estive tête-à-tête com o Audi e confesso que dá um tremelique. 

Nada famoso, quase desconhecido, foi um 300 TE 1986 azul. Segundo Leonardo, "o Ayrton ficou bastante tempo com uma perua Mercedes-Benz. Ele gostava muito daquele carro e principalmente de peruas, por causa do porta-malas generoso para levar os aviões de controle remoto dele".

Viva, ainda sob os cuidados do antigo curador em um galpão na Zona Oeste de SP Imagem: Murilo Góes/UOL

Pena que a perua não gozou da mesma vida de holofotes, zelos e paparicos da dupla nipo-germânica: um incêndio reduziu toda a vanguarda tecnológica e a elegante sisudez dos Mercedes dos anos 1980 a um esqueleto torrado. O que no passado fora o porta-malas que carregou o hobby de um dos esportistas mais famosos do mundo virou um cinzeiro gigante.

Foto feita a partir do boletim de ocorrência dá noção de como ficou a perua da Mercedes Imagem: Rodrigo Mora

A coluna teve acesso exclusivo ao boletim de ocorrência que resume o que aconteceu na noite de 4 de outubro de 2019: "dois indivíduos desconhecidos adentraram ao local dos fatos, renderam o vigia, dispararam um tiro para o alto, e mandaram que o vigia abrisse as portas do barracão. O vigia informou que não tinha as chaves e o prenderam no 'quartinho' nos fundos do barracão e atearam fogo no local".

Nas páginas seguintes, o B.O. se desenrola: "o vigia escutou alguns barulhos no local e passado algum tempo, cerca de oito minutos, ouviu um barulho de porta se abrindo. Então alguém teria perguntado a ele 'quem está aí', 'o que está acontecendo'. Foi então que o vigia respondeu que estava rendido e trancado no local. Após isto, ele teria aberto o portão do quartinho, se identificado e liberado o vigia. O GCM estava com uma arma de fogo nas mãos e de toalha de banho". 

A casa do Guarda Civil Metropolitano ficava nos fundos do galpão e dava acesso ao local. Tempos atrás, era ele quem tomava conta dos veículos, de acordo com fontes ouvidas pela coluna.

Ainda segundo o B.O., "ouvimos também um dos proprietários dos carros que estavam no local. Em resumo, ele teria se desentendido com o guarda civil, pois este estava levando pessoas sem sua autorização para ver a coleção de carros. Ainda teria proibido o vigia de guardar o veículo seu e de sua esposa no interior do barracão. Fato que foi desrespeitado por algumas vezes. Ainda de acordo com o depoimento, o guarda não teria gostado dessa atitude de proibir que seus carros não pudessem ser guardados no interior do local".

O documento também aponta que o guarda estava com as chaves do quartinho onde o vigia foi trancado e que não atendeu a intimação para depor, tampouco justificou sua ausência. Também não há sinais de arrombamento, e câmeras de segurança da empresa oposta ao galpão não apresentam imagens que sugiram invasão. 

"Já no início das investigações, por meio de depoimentos informais colhidos até aquele momento, havia a suspeita de que o vigia poderia estar envolvido no crime de incêndio e de disparo de arma de fogo", revela o B.O.

Consta ainda que os agentes da GCM que atenderam a ocorrência localizaram o estojo do projétil deflagrado, mas não o apresentaram para devida apreensão - o guarda tomou o estojo da mão de um colega, alegando que poderia ser seu, pois havia dado alguns tiros no local em outra ocasião. 

O inquérito policial está encerrado. Concluiu que o incêndio foi criminoso, mas que o autor é indefinido. Agora cabe ao Ministério Público dar ou não sequência nas investigações para indiciar suspeitos. 

Mas, afinal, como um Mercedes-Benz que pertenceu a um tricampeão mundial de Fórmula 1 foi parar num galpão em Limeira?

Coleção J.O.R.M. 

Eram pra lá de ambiciosos os planos para a coleção J.O.R.M.: convertê-la em um museu de três andares, desenhado por Oscar Niemeyer, incrustado sob o heliponto do Autódromo de Interlagos. Isso segundo o curador do acervo, Paulo "Loco" Figueiredo. 

José Oswaldo Ribeiro de Mendonça era o proprietário dos veículos e, em nome do anonimato, incumbiu Figueiredo, personagem famoso na cena antigomobilista nacional, de constituir a coleção, cujo valor, segundo especialistas, é incalculável. 

Tudo começou quando Mendonça comprou de Figueiredo um High Boy 1929.

"Com o passar do tempo, ele começou a gostar de carros e partimos para compras de veículos históricos da indústria nacional, da indústria europeia, carros de pilotos. Nos tornamos amigos e uma hora virei curador. O mais importante é que ele não fez isso por vaidade ou investimento financeiro", revelou Figueiredo à reportagem de UOL Carros em 2017, momento em que o acervo somava 500 peças. 

Entre elas, além do Mercedes 300 TE de Senna, um Porsche 911 com cara de GT1, que pertenceu a Paulo Maluf; um Brabham 1972 pilotado por Wilson Fittipaldi na F-1, um Opel Olympia de Getúlio Vargas, um raríssimo Lister Storm de 1.200 cv, além de um punhado de Bentleys, Rolls-Royces e Ferraris. 

Mas nada saiu como o planejado: Figueiredo e Mendonça, herdeiro do Grupo Colorado - empresa do setor agroindustrial sediada em Orlândia, no interior de São Paulo -, se desentenderam e a união foi desfeita. Quando o empresário morreu, em dezembro de 2017, a família resolveu se desfazer dos carros. 

Eles então foram alocados em um galpão em Limeira (SP), sob cuidados do então namorado da filha de Mendonça - o personagem interrogado pela polícia e que teria se desentendido com o segurança.

A reportagem procurou os envolvidos para esclarecer quantos carros havia no galpão e quais foram queimados junto com a perua de Senna. Também questionar de quem eram os veículos no momento do incêndio e por que a coleção não estava mais sob os cuidados de Figueiredo. 

A família Mendonça respondeu, por meio de advogado, que "exercerá seu direito de não manifestar a respeito dos fatos e não responderá os questionamentos apresentados".

Figueiredo também ignorou os apelos da coluna.


FONTE PESQUISADA

MORA, Rodrigo. Exclusivo: como incêndio criminoso destruiu perua Mercedes que foi de Senna. Disponível em: <https://www.uol.com.br/carros/colunas/mora-nos-classicos/2021/06/19/exclusivo-como-incendio-criminoso-destruiu-perua-mercedes-que-foi-de-senna.htm>. Acesso em: 20 de junho 2021.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Que fim levou o Fiat Uno que Ayrton Senna deu para Adriane Galisteu?

Carro tem placa personalizada e era pilotado pelo tricampeão de Fórmula 1

Por Rodrigo Ribeiro

01/05/2021 07h40  Atualizado há um dia

Arquivo Pessoal/Instagram

Se um tricampeão mundial de Fórmula 1 lhe perguntasse qual carro você teria, como seria sua resposta? Quando Ayrton Senna fez esse questionamento para sua então namorada Adriane Galisteu a resposta não poderia ser mais surpreendente: um Fiat Uno.

"Era o sonho de qualquer menina da minha época, que era de classe média baixa. Para mim era um carro muito inalcançável", revelou Galisteu em entrevista exclusiva para a Autoesporte. A apresentadora da Record TV até hoje nutre um grande carinho pelo carro, que continua sob seus cuidados após 28 anos.

Então modelo, Galisteu namorou Senna até a morte do piloto de Fórmula 1 — Foto: Ari Lago/Agência O Globo

Galisteu conta que Senna não acreditou em um primeiro momento quando ela falou do Fiat Uno. "Ele ficou me olhando e disse: que carro você quer? (...) Para ele era um presente muito simples, mas ele [quando foi dar o carro de presente] encheu de rosas (...) e colocou um buquê de flores lindo no capô do carro", continua a apresentadora.

A troca das calotas foi uma das poucas mudanças no hatch ao longo dos anos — Foto: Arquivo Pessoal

Senna também teve uma atitude carinhosa que Galisteu mantém até hoje: colocar as iniciais DRI na placa do veículo. A sequência é adotada em todos os carros da apresentadora, que atualmente dirige um Porsche Cayenne e um Hummer H3.

A placa com as iniciais DRI inicou uma tradição que Galisteu mantém até hoje em seus carros — Foto: Arquivo Pessoal


Memórias sobre rodas

A associação do carro com Ayrton Senna é algo que permanece até hoje com Galisteu, que revelou algo curioso. "Eu ficava brava, porque ele queria correr com o meu carro. Morria de medo dele bater o carro (risos)". O Uno era sempre guiado por Senna quando o casal saía nos momentos em que o piloto estava no Brasil.

A opção de Senna guiar o pequeno compacto 1.0 surpreende considerando que, na época, o então piloto da McLaren tinha à sua disposição no Brasil um Honda NSX e uma Audi S4 Avant — o superesportivo japonês foi um presente da marca que patrocinava e fornecia motores para sua equipe, enquanto a perua alemã ajudava a divulgar a fabricante que Ayrton começaria a representar por aqui.

O interior impecável reforça o cuidado que Galisteu tem com o Uno — Foto: Arquivo Pessoal

A paixão por automóveis era compartilhada com Galisteu: "Sempre gostei de dirigir. Eu brinco com todo mundo que tive um ótimo professor", fala a apresentadora, que raramente opta por motorista particulares no seu dia a dia. Boa parte dos quase 40 mil quilômetros rodados pelo Uno, inclusive, foram com ela atrás do volante.

Atualmente a apresentadora roda a bordo de um Porsche Cayenne e um Hummer H3 — Foto: Divulgação/Danilo Borges

Todo esse carinho e as memórias em torno do Fiat Uno ajudam a explicar o cuidado com que Galisteu cuida do carro. "Ninguém roda com ele. Eu só deixo o motorista que trabalha com a gente, de vez em quando, para ir até o posto de combustível ou dar uma volta rápida", conta. "É um carro muito valioso, eu morro de medo de alguém bater nele, riscarem ou roubarem".

O Uno só sai da garagem para fazer manutenções eventuais, conduzido pela única pessoa autorizada a guiá-lo — Foto: Arquivo Pessoal

Por falar em valor, já teve gente que ofereceu pelo Uno R$ 200 mil, uma alta de 3.540% em relação aos R$ 5.649 estimados pela tabela Fipe. "Não vendo de jeito nenhum. (...) O que esse Uno carrega de história, eu não posso repassá-lo", afirma Galisteu. A única forma do Fiat sair da proteção de sua cuidadosa proprietária seria para ir a um museu. "Se houvesse um museu que tivesse a ver com a história do Senna, com todo o cuidado do mundo, eu deixaria [ele ser exposto]", conclui.

Enquanto (e se) esse dia não chega, os fãs podem ficar tranquilos: intacto e mais bem cuidado que muito superesportivo, o Fiat Uno que Senna comprou para Adriane Galisteu segue incólume e protegido.


Ficha técnica

Motor Dianteiro, transversal, 1.0 8V, carburador, gasolina

Potência 56 cv a 6.000 rpm

Torque 8,2 kgfm a 3.250 rpm

Câmbio Manual, 5 marchas

Suspensão Independente, tipo McPherson (dianteira) e dependente com feixe de molas semielípticas transversais (traseira)

Freios Disco sólido (dianteira) e tambor (traseira)

Rodas e pneus De aço, 145/80 R13

Comprimento 3,64 m

Largura 1,55 m

Altura 1,44 m

Entre-eixos 2,36 m

Tanque 50 litros

Peso 830 kg

Fonte: Fabricante


FONTE PESQUISADA

RIBEIRO, Rodrigo. Que fim levou o Fiat Uno que Ayrton Senna deu para Adriane Galisteu?. Disponível em: < https://autoesporte.globo.com/curiosidades/noticia/2021/05/que-fim-levou-o-fiat-uno-que-o-ayrton-senna-deu-para-adriane-galisteu.ghtml>. Acesso em: 03 de maio 2021. 


sexta-feira, 16 de abril de 2021

Há 28 anos, Ayrton Senna erguia o troféu com Sonic no GP da Europa

por Kao Tokio em 13 de abril de 2021

Em 1993, ao final do GP da Europa no circuito britânico de Donington Park, o piloto Ayrton Senna erguia vitorioso a taça de campeão no pódio, no dia 11 de abril.

À ocasião, a patrocinadora da corrida era ninguém menos que a produtora de games Sega, que ofereceu ao vencedor o troféu icônico, inspirado em Sonic, mascote da empresa e personagem de sucesso mundial até os dias de hoje.

No dia 12 de junho de 2020, a equipe da McLaren publicou nas redes sociais que o ‘Troféu do Sonic’, reencontrado em um depósito, integra sua nobre prateleira prêmios comemorativos.

Apesar de escondido por todos esses anos, o ouriço azul recebe seu devido reconhecimento no panteão de troféus da escuderia.

Vale lembrar, em 1992, Senna protagoninou o game Ayrton Senna’s Super Monaco GP II, desenvolvido pelo estúdio para Mega Drive, SG-1000 Mark III e Game Gear.






FONTE PESQUISADA

TOKIO, Kao. Há 28 anos, Ayrton Senna erguia o troféu com Sonic no GP da Europa. Disponível em: <https://dropsdejogos.uai.com.br/noticias/cultura/ha-28-anos-ayrton-senna-erguia-o-trofeu-com-sonic-no-gp-da-europa/>. Acesso em: 16 de abril 2021. 

quinta-feira, 4 de março de 2021

OS ENIGMAS DE IMOLA

 


No horário da Itália, eram 13h27 do dia 1º de maio de 1994, quando Ayrton surgiu dos fundos do boxe da Williams, macacão amarrado à cintura, pronto para entrar no carro e seguir para o grid de largada. Como fazia em todas as corridas, o cinegrafista Armand Deus, da TV Globo, apertou o botão de sua câmera Betacam e começou a captar as imagens.

 

Procedimento de rotina. Não era uma transmissão ao vivo.

 

As imagens seriam usadas para ilustrar a reportagem sobre a corrida que o correspondente Roberto Cabrini editaria no final do dia, a tempo de ser gerada para o Rio de Janeiro e exibida no programa Fantástico.

 

Não era um dia de sorrisos para ninguém no autódromo de Imola.


Menos ainda para Ayrton, que havia anos já assombrava mecânicos, engenheiros, jornalistas e namoradas com sua capacidade de se concentrar nos momentos que antecediam à largada, tornando todos à sua volta rigorosamente invisíveis e inaudíveis. Seu olhar, naqueles momentos, parecia estar em outra dimensão. Sua seriedade formava uma muralha da qual poucos ousavam se aproximar, não importando a patente familiar ou a relação contratual.

 

Para alguns, naqueles momentos ele antecipava curvas e movimentos dos adversários. Para outros, rezava. Outros ainda achavam que aquela era uma travessia sensorial para um mundo cheio de fúria que só cabia e existia no cockpit. Uma travessia sem volta até que a corrida, a dele, terminasse.

 

A câmera de Armand Deus continuava gravando quando Ayrton se aproximou da parte traseira de sua Williams e pousou as mãos sobre o aerofólio.

 

Teve uma rápida conversa sobre a suspensão traseira com o engenheiro David Brown. Depois, seu olhar passou a se alternar entre o nada e a Williams, ainda suspensa nos cavaletes, sem as rodas, recebendo os últimos ajustes dos mecânicos.

 

Era mais do que a concentração de sempre. Havia uma contida inquietação. E também uma tristeza solene e impotente. Estavam ausentes, no seu semblante, como desde o início daquele ano, a intensidade e aquele olhar de predador dos tempos da Lotus e da McLaren. Nem mesmo o rápido comentário de Patrick Head, o diretor da Williams, pareceu diminuir a distância que ele mantinha de tudo que o rodeava.

 

Algum pensamento finalmente o resgatou daquela estranha dispersão para o ritual do cockpit: balaclava, capacete, macacão fechado até o pescoço e uma espera disciplinada, de pé, com as mãos cruzadas sobre a cintura, pela ordem de entrar no carro e ajustar o cinto de segurança.

 

As imagens gravadas por Armand Deus no boxe da Williams e, minutos depois, as que foram feitas no grid de largada, quando Ayrton mudou a rotina e tirou o capacete, se tornaram históricas. Deflagraram o sofrido exercício ao qual milhões de pessoas, especialmente os brasileiros, se entregaram nos dias seguintes: o que estava por trás daqueles últimos olhares, gestos e silêncios?

 

Havia muitas respostas possíveis, sozinhas ou combinadas. Dentro e fora da pista.

Schumacher estava ali, quase ao lado, mais do que nunca disposto a destroná-lo. Roland Ratzenberger morrera depois de uma batida centenas de metros à sua frente, no dia anterior, e o fizera, pelo menos por algumas horas, desistir de correr. Rubens Barrichello, que ele vinha tratando como uma espécie de irmão mais novo das pistas, sobrevivera a um acidente assustador, na sexta-feira. Aquela Williams que ele chamava de "cadeira elétrica", um carro arisco e difícil de guiar, estava consumindo pneus com preocupante rapidez.

 

A placa de um minuto foi erguida.

 

Vinte e cinco motores de Fórmula 1 começaram a rugir.

 

Ayrton, na hora de acelerar, costumava deixar todas as preocupações de lado. Não trocava as emoções do cockpit por nada da vida. Em mais alguns segundos, ele se entregaria de novo à aventura que tinha começado aos quatro anos de idade, ao soar de um motor de picadeira de cana, com três cavalos de potência.


FONTE PESQUISADA

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

 









quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Como Gol GTI de Senna teve perda total antes de piloto encostar no volante

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/12/2020 04h00

Da esquerda para a direita: Leonardo Senna, Ayrton Senna e Christian Schües durante visita do piloto à fábrica da VW no ABC

Imagem: Reprodução

Atualmente, o Volkswagen Gol GTI é a bola da vez entre os clássicos nacionais, atingindo preços acima de R$ 200 mil.

Pouca gente sabe, mas o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna teve um exemplar da primeira leva, com pintura azul Mônaco e entregue pessoalmente na fábrica da Volks em São Bernardo do Campo (SP).

Quem relembra a história é Ronaldo Berg, de 73 anos, que trabalhou durante três décadas na VW e supervisionou a preparação do esportivo antes de o carro chegar às mãos do ex-piloto, no início de 1989. 

De acordo com Berg, o GTI foi um presente do Banco Nacional, então patrocinador de Senna, pela ocasião da conquista do seu primeiro título mundial, no ano anterior, correndo pela McLaren. 

O engenheiro, que era gerente de assistência técnica de produto da empresa na época, relata que a Volks separou dois exemplares ao piloto, pois o primeiro teve perda total ao cair de um elevador sobre o próprio teto.

Da esq. para a dir.: Leonardo, Ayrton, Christian Schües e Ronaldo Berg na fábrica de S. Bernardo Imagem: Arquivo pessoal 

A intenção, segundo Berg, era entregar um GTI perfeito e diferenciado ao ídolo. Mas algo deu errado e quase houve uma tragédia. 

"Fui até a fábrica de Taubaté (SP), de onde saía o Gol, para selecionar uma carroceria muito bem produzida. Esse veículo foi, então, levado para São Bernardo, onde já estava separado um conjunto de motor e câmbio especialmente para o Ayrton. Mesmo com a produção em série, alguns motores tinham mais potência. Fizemos medições e selecionamos o melhor exemplar que encontramos", diz Berg. 

Para realizar a troca do trem de força, o Gol foi colocado em um elevador da Ala Zero, como era chamada a assistência técnica "VIP" da VW - encarregada da manutenção de veículos da frota interna e também de unidades pertencentes a clientes ilustres. 

"Mecânicos removeram as rodas dianteiras e as colocaram no porta-malas. Na hora em que o motor e o câmbio originais foram retirados, o peso maior na parte traseira fez o GTI girar e despencar sobre o próprio teto. O carro não estava amarrado".

Gol GTI de Ayrton Senna é idêntico ao da foto, exibido no Salão do Automóvel de SP em 2018 Imagem: Divulgação 

Ninguém se feriu e o jeito foi escolher outro Gol e repetir a operação. A unidade perdida teve o faturamento cancelado e outra foi faturada. 

Na segunda oportunidade, nada de colocar as rodas no bagageiro. Além disso, dessa vez houve o cuidado de prender a dianteira e, assim, evitar mais problemas. 

Dessa vez, deu tudo certo e o GTI zerado e reluzente estava pronto para ser entregue a Senna. 

Conforme Ronaldo Berg, a entrega aconteceu no início de 1989 na fábrica do ABC paulista, com as presenças, além do próprio Ayrton, do seu irmão Leonardo e de Christian Schües, diretor de Relações Públicas da VW do Brasil. 

Qual é o paradeiro do carro?

Berg não tem fotos do GTI de Ayrton e destaca que há cerca de dois anos antigomobilistas iniciaram uma busca ao paradeiro daquele que seria o Gol GTI mais cobiçado e valioso do mundo. 

Em conversa com UOL Carros, o jornalista automotivo Douglas Mendonça diz que o hatch ficou cerca algum tempo com Leonardo Senna após a morte do irmão, em 1994. 

Enquanto esteve com Leonardo, o veículo chegou a ser turbinado para entregar mais desempenho. 

"Um amigo meu acredita ter localizado o GTI do Senna há alguns anos, quando o modelo ainda não era tão valorizado. Ao que tudo consta, embora não haja confirmação documental, esse carro estaria até hoje com um mecânico dono de oficina na Zona Norte da capital paulista", afirma Mendonça. 

Segundo Douglas, seu amigo foi até a oficina com a intenção, frustrada, de fechar negócio.

Na ocasião, o mecânico disse que adquiriu o Gol diretamente de Leonardo Senna em 1996, já sem a turbina e todo original. O atual proprietário teria trabalhado com Ayrton no tempo em que ele corria de kart. 

"Esse amigo ofereceu R$ 60 mil pelo GTI, quando um excelente exemplar custava em torno R$ 50 mil. A oferta foi recusada. O dono mantinha o carro em cima de um elevador para preservar as suspensões e disse que carro estava com cerca de 40 mil km no hodômetro".

Tentamos contato com Leonardo Senna para confirmar o relato, porém ainda não obtivemos sucesso.




FONTE PESQUISADA

REIS, Alessandro. Como Gol GTI de Senna teve perda total antes de piloto encostar no volante. Disponível em: <https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2020/12/05/como-gol-gti-de-senna-teve-perda-total-antes-de-piloto-encostar-no-volante.htm>. Acesso em: 27 de janeiro 2021. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Mônaco 1984: "Máfia Francesa de F1" vence Prost, paradoxalmente ajudando Lauda

Alain Prost ganhou sete grandes prêmios em 1984, seu companheiro de equipe e de fato o único competidor no campeonato mundial, Niki Lauda, apenas cinco. O campeão, no entanto, tornou-se essencialmente mais lento na Áustria. Ironicamente, um dos fatores por trás da derrota do francês foi a vitória nos negócios, que, segundo os críticos, foi "dada a ele". Como isso é possível?

18.11.2019 - 12:00  
Por Roman Klemm
ctidoma.cz



Ayrton Senna e seu novo Toleman-Hart foram as combinações mais rápidas do principado no domingo
Foto: Roman Klemm


O Grande Prêmio de Mônaco foi a sexta corrida de um total de 16 eventos do calendário em 1984, e já estava claro que normalmente um dos pilotos de Ron Dennis, McLaren - Niki Lauda ou Alain Prost se tornaria campeão. O início do ano no Brasil foi vencido pelo novo piloto da McLaren, Alain Prost, a segunda corrida na África do Sul foi "autorizado" a vencer Lauda, ​​porque o francês teve que sair do pit lane. Em Zolder, Bélgica, a hegemonia vitoriosa da McLaren-TAG / Porsche quebrou a Ferrari de Alboreto surpreendentemente, mas Prost reinou em Ímola e Lauda se regozijou em Dijon pela segunda vez, enquanto Prost diminuía a parada não planejada. 

Então, antes de Mônaco, estava claro: quão bonito o outro "lar" Prost venceria sob o brilhante sol da Côte d'Azur? Apenas parcialmente. Ele simplesmente "venceu", mas o sol em 3 de junho certamente não brilhou e, como as estrelas da corrida falaram sobre dois pilotos completamente diferentes.

Até domingo, tudo corria de acordo com notas francesas
E tudo começou de acordo com o cenário dos sonhos. O agregado sobrealimentado de Prost equipou o Mônaco com um soprador um pouco menor, que, embora produzisse menos "vapor", mas se comportou em cantos estreitos do principado. Alain estava da melhor forma em sua vida e evocou o asfalto entre o porto, hotéis e arranha-céus na volta 1: 22.661s mais rápida que nunca foi conduzida em Monte Carlo. Lauda deu à equipe 1,2 e mais uma vez mostrou a distribuição de energia na equipe. O austríaco teve um desempenho muito ruim durante todo o fim de semana e não estava procurando desculpas para o oitavo lugar de partida: "Eu sou muito lento aqui".


Introdução: Prost lidera à frente de Mansell e Arnoux
Foto: Roman Klemm

Enquanto treinava sob o sol bonito às quintas e sábados, o domingo de corrida estava coberto de nuvens cinzentas e chovia luz a manhã toda. Quanto mais perto estava a hora de início, mais a água caía do céu, o que, no entanto, não impediu Prost de assumir a liderança imediatamente. Atrás dele, Warwick, Tambay, Alboreto e De Cesaris colidiram na primeira curva, que à primeira vista não teve impacto no líder. Nigel Mansell (Lotus-Renault) começou a ter uma influência maior, e logo pressionou Prost e chegou ao primeiro lugar da 11ª rodada. O britânico tinha esse lugar no sol (encharcado), mas reteve apenas cinco voltas antes de deslizar para o canto de Massenet nas barreiras acidentadas. Então ele estava na ponta novamente na chuva, muito à frente de seu colega Lauda, ​​que havia trabalhado o seu caminho a seguir.

Senna e Bellof foram as verdadeiras estrelas da corrida
Mas não era Lauda quem era o maior perigo para Prost. O jovem brasileiro Ayrton Senna no novo Toleman-Hart começou a partir da 13ª posição, o abandono de vários competidores após o acidente acima mencionado e, especialmente, sua maravilhosa capacidade de "andar sobre a água" para garantir que, nesta fase, ele já estivesse respirando nas costas de Lauda. Depois de três voltas, ele deixou um mestre duplo como estudante e foi o segundo. Houve uma sensação no ar, quando Senna imediatamente começou a aumentar a vantagem de Prost e quanto mais chovia, mais rápido ele se aproximava. Enquanto isso, Lauda coroava sua estranha apresentação horas antes do Hotel de Paris. Desde a 27ª volta, outro dos "jovens tigres", o alemão Stefan Bellof, da Tyrrell-Ford, era o único carro em campo sem motor turbo. 

Prost parecia estar com problemas na ponta. Entre 20 e 30, Senna encurtou sua distância de 33 para 11 segundos, e foi na 30ª rodada, quando Prost cometeu um pequeno erro no canto do tabaco e só com sorte evitou a colisão com a barreira de impacto. Ele perdeu mais 4 segundos para o brasileiro e o alemão nessa rodada (Bellof também ficou a apenas 15 segundos atrás de Senna).

Lilo ficou mais forte e Prost gesticulou descontroladamente quando cruzou a linha de chegada. O então secretário do curso, a lenda belga Jacky Ickx, brincava há muito tempo com a idéia de terminar a corrida prematuramente e agora via um sinal claro no comportamento de Prost: depois de 31 voltas, sua bandeira vermelha anunciava que havia terminado!

Senna sentiu-se roubado e, é claro, ficou furioso, mas Prost riu amplamente. Os pontos do campeonato são mais importantes para mim. Isso é naturalmente muito melhor para mim ...” Quanto ele deveria estar errado!

A intervenção de Ickx ajudou Prost à primeira vista
Não demorou muito para que muitos jornalistas vissem a ação acordada da "Máfia Francesa da F1" e a manipulação deliberada do resultado na intervenção apressada de Ickx. “Prefiro terminar aqui uma volta mais cedo do que outra depois. Foram condições drásticas, não pude deixá-los continuar ”, explicou Ickx, muitos acusados ​​de ser um lutador mais difícil no cockpit do que como diretor de corrida. A FISA impôs uma multa de US $ 6.000 a ele por "terminar a corrida sem consultar os oficiais da FIA", e mais tarde foi revogada da licença do Grande Prêmio. Apesar do fato de que logo após a ondulação, a chuva cedeu, o que Jacky não poderia ter adivinhado.

Mas agora à teoria prometida de que Ickx realmente machucou Prost por sua ajuda altruísta (se é que de fato). A corrida teve 77 voltas e, portanto, apenas metade dos pontos foram concedidos. Prost marcou para esta vitória apenas 4,5 pontos.

Vamos observar a possibilidade de a corrida continuar e terminar após duas horas ou 77 voltas completas com o resultado "lógico" de Senna, Bellof, Prost - ou Bellof, Senna, Prost (como os fãs alemães ainda hoje vêem). A equipe de Bellof Tyrrell foi posteriormente desclassificada por fraudes sobre o peso dos carros de todo o campeonato, e Prost teria marcado seis pontos atrás do vencedor do Senna pelo segundo lugar. Ele teria 1,5 pontos a mais no final da temporada do que após a ação de Ickx. E você sabe quantos pontos ele perdeu para Lauda como campeão mundial? 0,5!


Ou Stefan Bellof venceria em Tyrrell-Ford?
Foto: Roman Klemm

Se somente então...
Facit: Se Jacky Ickx não tivesse vencido o prêmio de Mônaco prematuramente em 1984 e não tivesse dado a Prost uma "vitória quase perdida", o francês se tornaria o campeão do mundo, não Niki Lauda, ​​graças ao provável segundo lugar neste Grand Prix. Tudo isso, no entanto, desde que Prost não sofra um defeito no rolamento da roda dianteira, como havia assumido a partir da 28ª volta.

Ah, e - do ponto de vista pessoal de uma "testemunha ocular com arrepios": aos domingos, eu assistia a corrida (confiando tolamente no tempo sempre perfeito no sul da França) apenas em uma camiseta que estava irremediavelmente encharcada pela manhã. Desde a primeira rodada, meus dentes estavam batendo com o frio - então, graças ao Monsenhor Ickx, você estava um pouco aquém da minha miséria há 35 anos!


Depois de mais de três décadas, Jacky Ickx se manteve firme: "Não lembrei de ninguém, só queria a segurança dos pilotos!"
Foto: Roman Klemm



FONTE PESQUISADA

KLEMM, Roman. Monako 1984: "Francouzská mafie F1" dala vítězství Prostovi, paradoxně tak pomohla k titulu Laudovi. Disponível em: <https://www.ctidoma.cz/historie/monako-1984-francouzska-mafie-f1-darovala-vitezstvi-prostovi-paradoxne-tak-pomohla-k-titulu>. Acesso em: 18 de novembro 2019. 


domingo, 3 de novembro de 2019

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Senna número 11? Mistério sobre foto de evento do tricampeão é desvendado


Por: Jonathan Noble
Traduzido por: Vital Neto
21 de out de 2019 14:23
Motorsport - motorsport.uol.com.br

Fãs perceberam que imagem de poster divulgado pela F1 mostrava Senna em uma Lotus com um número que o tricampeão nunca usou

Mais de 25 anos após a morte de Ayrton Senna, o interesse pelo tricampeão mundial continua forte. Uma prova disso aconteceu na semana passada, quando uma intriga surgiu em torno do poster utilizado pela Fórmula 1 para anunciar um evento que homenageará Senna em São Paulo.

O festival, que será realizado na semana anterior ao GP do Brasil, trará alguns dos carros que o tricampeão pilotou, como o Toleman TG184 de 1984 e o Lotus 97T de 1985.

O cartaz do evento mostra as famosas cores do capacete de Senna, além de uma imagem do que parecia ser seu carro de F1 de 1985, mas sem o logotipo da marca de cigarros John Player Special.


Ayrton Senna Sao Paulo fan festival poster
Photo by: Formula 1

Os fãs mais atentos perceberam que o carro exibido no poster apresentava o # 11 ao invés do #12 com o qual Senna competiu durante seus anos na Lotus. Alguns aproveitaram a oportunidade para criticar a Liberty Media, proprietária da F1, por ter feito divulgado a imagem do tricampeão com um número que ele nunca havia usado.

À luz dessas críticas, a F1 respondeu em sua conta oficial no Twitter com uma cópia da fotografia na qual a obra de arte se baseava e que mostra Senna ao volante de um Lotus preto e dourado que apresenta o número 11.

A indicação imediata foi de que a fotografia não era do GP do Brasil de 1985 (já que as fotos da corrida mostram Senna usando o # 12), mas de outro evento.

Com a fotografia datada do dia da corrida no Brasil, a sugestão era que talvez o número tivesse disso usado durante o warm-up – sessão aquecimento que antecedia as corridas.

Mas uma inspeção mais minuciosa da imagem indicou que ela não era daquele fim de semana. Os logotipos John Player Special, na asa traseira, eram muito diferentes da corrida do Brasil de 1985. Além disso, Senna pode ser visto com luvas amarelas, em vez das vermelhas que ele usou em sua primeira campanha pela Lotus.


Ayrton Senna, Lotus 97T Renault


Photo by: Motorsport Images



O Motorsport Images colocou o gerente de imagens Tim Wright no caso, para ajudar a chegar à verdade sobre a fotografia.

Wright explicou que como parte do processo de digitalização de arquivos de fotografias, as imagens geralmente precisavam ser carregadas e legendadas a partir de uma tira de filme original que pode não ter sido rotulada quando as fotos foram originalmente tiradas. Isso significa que algumas datas e eventos precisam buscar outras “pistas” para serem corretamente catalogados.

Em algum momento, a imagem com de Senna com o #11 no que seria um Lotus 97T / 98T foi, portanto, legendada como sendo do GP do Brasil de 1985.

Com mais investigações e comparações com outras imagens de arquivo, constatou-se que essa foto era do testes da F1 para 1986, que aconteceu no Brasil, e que o fotógrafo seria Steve Tee.

A fotografia teria sido tirada do topo da torre de controle do circuito de Jacarepaguá no Rio de Janeiro, quando o carro chegava aos boxes.

Outra pesquisa descobriu que o carro #11 também apareceu na capa da revista AUTOSPORT também em 1985 - provando além de qualquer dúvida que Senna de fato dirigiu com esse número durante sua carreira.

Autosport title 1985

Photo by: Autosport

Mas, aconteceu uma reviravolta final na história. Apesar da capa do AUTOSPORT ter sido divulgada após os testes no Rio, uma nota na revista sobre a fotografia diz: “Ayrton Senna testou brevemente o novo Lotus 97T em Donington Park antes do carro e do motorista serem levados para os testes da F1 no Brasil".




FONTE PESQUISADA

NOBLE, Jonathan. Senna número 11? Mistério sobre foto de evento do tricampeão é desvendado. Disponível em: <https://motorsport.uol.com.br/f1/news/senna-numero-11-misterio-sobre-foto-de-evento-do-tricampeao-e-desvendado/4561264/>. Acesso em: 21 de outubro 2019. 


terça-feira, 24 de setembro de 2019

MOVIDOS A DESAFIOS: OS ENCONTROS ENTRE SENNA E A EMBRAER

Nos 25 anos de despedida do tricampeão da Fórmula 1, relembramos nossos momentos mais marcantes com o piloto

Por João Marcos Massote, Diretor Criativo

01/05/2019 10:53


Legenda: Senna no cockpit de um EMB 312 Tucano durante a Farnborough Air Show, em 1986

Chovia. A pista encharcada estendia-se intimidadoramente. Enquanto os carros esquentavam seus motores, um olhar de desânimo estampava o rosto da maioria dos pilotos. Eles sabiam que ali ao lado havia alguém de capacete amarelo envolto num silêncio confiante. Pois, quanto mais desafiador era o caminho, mais ele se destacava.

Ayrton Senna da Silva: pura determinação e disciplina combinadas a criatividade e ousadia instintivas. Sua capacidade de desafiar o status quo, sua paixão por máquinas velozes e sua busca incansável por excelência são valores profundamente compartilhados por sua conterrânea, a Embraer. Inevitavelmente, as trajetórias do piloto e da empresa acabariam se cruzando. Destacamos aqui os momentos mais marcantes.

Legenda: Senna no cockpit de um EMB 312 Tucano durante a Farnborough Air Show, em 1986

Jovem promessa


Em 1986, época em que o jovem Senna, aos 26 anos, em sua Lotus preta pegava a Fórmula 1 de surpresa, o brasileiro visitou o estande da Embraer na feira de aviação Farnborough Air Show, no Reino Unido. Conheceu de perto a aeronave de treinamento EMB 312 Tucano (entusiasmando-se com a funcionalidade de sua cabine), entrou no cockpit do EMB 120 Brasília e posou para foto em frente ao jato AMX. Durante toda a visita, autografou bonés e conversou com colaboradores da Embraer. "Ele exibia uma expressão tranqüila de quem confiava no futuro", confidenciou um deles.



Uma visita ilustre


O tricampeão da Fórmula 1 visitou o hangar da Embraer em São José dos Campos, em 1992

Em dezembro de 1992, já tricampeão de Fórmula 1 pela McLaren, Senna apareceu na fábrica da Embraer em São José dos Campos. Queria se inteirar da tecnologia empregada nas aeronaves, buscando pontos em comum com os carros de corrida. Senna demonstrou particular interesse na área de materiais compostos, que visavam tornar as aeronaves cada vez mais leves e eficientes. Passou pelos hangares onde era produzido o EMB 110 Bandeirante e o EMB 120 Brasília; pilotou os rigs eletrônicos do caça AMX e da aeronave CBA 123, a mais avançada na categoria. Por onde passava, a reação das pessoas era imediata, e ele fazia questão de atender a todos com atenção. Ao final da visita, foi surpreendido por uma multidão de colaboradores que aguardavam ansiosos por uma chance de ver o ídolo de perto.

Revista Bandeirante da época

Paixão por asas

Senna pilotava aeromodelos com muita habilidade. Ele possuía uma bela coleção dessas máquinas voadoras, entre as quais figurava um modelo do EMB-312 Tucano. Mesmo nos momentos de lazer, o piloto buscava se aperfeiçoar. Segundo ele, ao manobrar seus modelos ele exercitava também seus reflexos, tão fundamentais na Fórmula 1. "É um hobby apaixonante e nos dá muita destreza e acuidade visual", explicava.

Senna e seus aeromodelos
Foto: Reprodução | www.ayrtonsennavive.blogspot.com

Ganhando asas

Um coração foi traçado no céu, no dia 5 de maio de 1994. Em seguida, logo acima dele, o famoso S do Senna. Uma homenagem dolorida, realizada por um EMB-312 Tucano da Esquadrilha da Fumaça, no momento do enterro do ídolo. Na época, Ozires Silva, cofundador e presidente da Embraer, remeteu à família do corredor a seguinte carta:

"Estou seguro que além de falar em meu próprio nome, faço-o em nome de todos os empregados da Embraer que ao longo dos anos vêm acompanhando a vida e o sucesso do hoje grande líder nacional Ayrton Senna. Muita coisa poderia ser dita sobre sua curta e frutífera vida, mas cremos que dela tiramos os grandes exemplos da capacidade humana de realizar. Entusiasmo, fé, dedicação, disciplina, trabalho e amor ao próximo, enfim são muitas as lições que o jovem Ayrton nos deixa. Esperamos que todos nós, cidadãos brasileiros, possamos aprender com essas lições e praticá-las ao longo da vida. Ele nos faz muita falta e seguramente à sua família, que abraçamos com carinho, desejando que a sua imagem seja sempre um estímulo para cada um de nós fazer de cada dia o melhor."

Nos céus do país

Em 2014, a companhia aérea brasileira Azul, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, emocionou os céus do país ao pintar o lendário capacete amarelo de Senna na fuselagem dianteira de um Embraer E195. Uma homenagem muito justa àquele que elevou o orgulho de uma nação a alturas raramente alcançadas. E uma grata surpresa para aqueles que deram vida à aeronave.

Foto: Gianfranco Beting

Senna, para sempre

Felizmente, ainda que por curtos momentos, Senna nos deu a honra de sua presença nessa jornada fantástica. Com certeza, teria participado muito mais das décadas que se seguiram, quando a Embraer também alcançaria a liderança mundial (neste caso, na produção de jatos regionais). Mas resta uma certeza: sempre que estiverem reunidas máquinas incríveis e pessoas que colocam o coração em tudo que fazem, ele estará presente, como eterna motivação na arte de se desafiar, criar e superar.

Phenom 300 - Tributo a Senna



Lotus Preta e McLaren






FONTE PESQUISADA

MASSOTE, João Marcos. MOVIDOS A DESAFIOS: OS ENCONTROS ENTRE SENNA E A EMBRAER. Disponível em: <https://journalofwonder.embraer.com/br/pt/142-movidos-a-desafios-os-encontros-entre-senna-e-a-embraer>. Acesso em: 24 de setembro 2019.