Revista A Semana em Ação Nº 15
Rodrigo Mora Colunista do UOL 19/06/2021 04h00
(SÃO PAULO) - Premidos pela efeméride, a cada 1º de maio nos dispomos a formular a lista de carros que Ayrton Senna teve fora das pistas. Por ter contado com a memória de Leonardo, irmão do piloto, a mais completa provavelmente seja a que UOL Carros elaborou ano passado.
Um NSX 1991 preto e um S4 Avant 1993 prata - os dois últimos carros que usou no Brasil - sempre protagonizam esse elenco. O Honda encontrou a garagem do piloto em São Paulo no ano em que Senna conquistou seu terceiro e último título na Fórmula 1, pela McLaren, então embalada por motores da marca japonesa. A perua chegou dois anos depois, quando Ayrton e Leonardo se tornaram importadores da Audi.
Endeusados, transcendem a condição de meros automóveis. Dificilmente sairão das mãos da família Senna e saem da toca apenas em situações excepcionais, quando saem. Eu mesmo já estive tête-à-tête com o Audi e confesso que dá um tremelique.
Nada famoso, quase desconhecido, foi um 300 TE 1986 azul. Segundo Leonardo, "o Ayrton ficou bastante tempo com uma perua Mercedes-Benz. Ele gostava muito daquele carro e principalmente de peruas, por causa do porta-malas generoso para levar os aviões de controle remoto dele".
Pena que a perua não gozou da mesma vida de holofotes, zelos e paparicos da dupla nipo-germânica: um incêndio reduziu toda a vanguarda tecnológica e a elegante sisudez dos Mercedes dos anos 1980 a um esqueleto torrado. O que no passado fora o porta-malas que carregou o hobby de um dos esportistas mais famosos do mundo virou um cinzeiro gigante.
A coluna teve acesso exclusivo ao boletim de ocorrência que resume o que aconteceu na noite de 4 de outubro de 2019: "dois indivíduos desconhecidos adentraram ao local dos fatos, renderam o vigia, dispararam um tiro para o alto, e mandaram que o vigia abrisse as portas do barracão. O vigia informou que não tinha as chaves e o prenderam no 'quartinho' nos fundos do barracão e atearam fogo no local".
Nas páginas seguintes, o B.O. se desenrola: "o vigia escutou alguns barulhos no local e passado algum tempo, cerca de oito minutos, ouviu um barulho de porta se abrindo. Então alguém teria perguntado a ele 'quem está aí', 'o que está acontecendo'. Foi então que o vigia respondeu que estava rendido e trancado no local. Após isto, ele teria aberto o portão do quartinho, se identificado e liberado o vigia. O GCM estava com uma arma de fogo nas mãos e de toalha de banho".
A casa do Guarda Civil Metropolitano ficava nos fundos do galpão e dava acesso ao local. Tempos atrás, era ele quem tomava conta dos veículos, de acordo com fontes ouvidas pela coluna.
Ainda segundo o B.O., "ouvimos também um dos proprietários dos carros que estavam no local. Em resumo, ele teria se desentendido com o guarda civil, pois este estava levando pessoas sem sua autorização para ver a coleção de carros. Ainda teria proibido o vigia de guardar o veículo seu e de sua esposa no interior do barracão. Fato que foi desrespeitado por algumas vezes. Ainda de acordo com o depoimento, o guarda não teria gostado dessa atitude de proibir que seus carros não pudessem ser guardados no interior do local".
O documento também aponta que o guarda estava com as chaves do quartinho onde o vigia foi trancado e que não atendeu a intimação para depor, tampouco justificou sua ausência. Também não há sinais de arrombamento, e câmeras de segurança da empresa oposta ao galpão não apresentam imagens que sugiram invasão.
"Já no início das investigações, por meio de depoimentos informais colhidos até aquele momento, havia a suspeita de que o vigia poderia estar envolvido no crime de incêndio e de disparo de arma de fogo", revela o B.O.
Consta ainda que os agentes da GCM que atenderam a ocorrência localizaram o estojo do projétil deflagrado, mas não o apresentaram para devida apreensão - o guarda tomou o estojo da mão de um colega, alegando que poderia ser seu, pois havia dado alguns tiros no local em outra ocasião.
O inquérito policial está encerrado. Concluiu que o incêndio foi criminoso, mas que o autor é indefinido. Agora cabe ao Ministério Público dar ou não sequência nas investigações para indiciar suspeitos.
Mas, afinal, como um Mercedes-Benz que pertenceu a um tricampeão mundial de Fórmula 1 foi parar num galpão em Limeira?
Coleção J.O.R.M.
Eram pra lá de ambiciosos os planos para a coleção J.O.R.M.: convertê-la em um museu de três andares, desenhado por Oscar Niemeyer, incrustado sob o heliponto do Autódromo de Interlagos. Isso segundo o curador do acervo, Paulo "Loco" Figueiredo.
José Oswaldo Ribeiro de Mendonça era o proprietário dos veículos e, em nome do anonimato, incumbiu Figueiredo, personagem famoso na cena antigomobilista nacional, de constituir a coleção, cujo valor, segundo especialistas, é incalculável.
Tudo começou quando Mendonça comprou de Figueiredo um High Boy 1929.
"Com o passar do tempo, ele começou a gostar de carros e partimos para compras de veículos históricos da indústria nacional, da indústria europeia, carros de pilotos. Nos tornamos amigos e uma hora virei curador. O mais importante é que ele não fez isso por vaidade ou investimento financeiro", revelou Figueiredo à reportagem de UOL Carros em 2017, momento em que o acervo somava 500 peças.
Entre elas, além do Mercedes 300 TE de Senna, um Porsche 911 com cara de GT1, que pertenceu a Paulo Maluf; um Brabham 1972 pilotado por Wilson Fittipaldi na F-1, um Opel Olympia de Getúlio Vargas, um raríssimo Lister Storm de 1.200 cv, além de um punhado de Bentleys, Rolls-Royces e Ferraris.
Mas nada saiu como o planejado: Figueiredo e Mendonça, herdeiro do Grupo Colorado - empresa do setor agroindustrial sediada em Orlândia, no interior de São Paulo -, se desentenderam e a união foi desfeita. Quando o empresário morreu, em dezembro de 2017, a família resolveu se desfazer dos carros.
Eles então foram alocados em um galpão em Limeira (SP), sob cuidados do então namorado da filha de Mendonça - o personagem interrogado pela polícia e que teria se desentendido com o segurança.
A reportagem procurou os envolvidos para esclarecer quantos carros havia no galpão e quais foram queimados junto com a perua de Senna. Também questionar de quem eram os veículos no momento do incêndio e por que a coleção não estava mais sob os cuidados de Figueiredo.
A família Mendonça respondeu, por meio de advogado, que "exercerá seu direito de não manifestar a respeito dos fatos e não responderá os questionamentos apresentados".
Figueiredo também ignorou os apelos da coluna.
FONTE PESQUISADA
MORA, Rodrigo. Exclusivo: como incêndio criminoso destruiu perua Mercedes que foi de Senna. Disponível em: <https://www.uol.com.br/carros/colunas/mora-nos-classicos/2021/06/19/exclusivo-como-incendio-criminoso-destruiu-perua-mercedes-que-foi-de-senna.htm>. Acesso em: 20 de junho 2021.
Carro tem placa personalizada e era pilotado pelo tricampeão de Fórmula 1
Por Rodrigo Ribeiro
01/05/2021 07h40 Atualizado há um dia
Se um tricampeão mundial de Fórmula 1 lhe perguntasse qual carro você teria, como seria sua resposta? Quando Ayrton Senna fez esse questionamento para sua então namorada Adriane Galisteu a resposta não poderia ser mais surpreendente: um Fiat Uno.
"Era o sonho de qualquer menina da minha época, que era de classe média baixa. Para mim era um carro muito inalcançável", revelou Galisteu em entrevista exclusiva para a Autoesporte. A apresentadora da Record TV até hoje nutre um grande carinho pelo carro, que continua sob seus cuidados após 28 anos.
Galisteu conta que Senna não acreditou em um primeiro momento quando ela falou do Fiat Uno. "Ele ficou me olhando e disse: que carro você quer? (...) Para ele era um presente muito simples, mas ele [quando foi dar o carro de presente] encheu de rosas (...) e colocou um buquê de flores lindo no capô do carro", continua a apresentadora.
Senna também teve uma atitude carinhosa que Galisteu mantém até hoje: colocar as iniciais DRI na placa do veículo. A sequência é adotada em todos os carros da apresentadora, que atualmente dirige um Porsche Cayenne e um Hummer H3.
Memórias sobre rodas
A associação do carro com Ayrton Senna é algo que permanece até hoje com Galisteu, que revelou algo curioso. "Eu ficava brava, porque ele queria correr com o meu carro. Morria de medo dele bater o carro (risos)". O Uno era sempre guiado por Senna quando o casal saía nos momentos em que o piloto estava no Brasil.
A opção de Senna guiar o pequeno compacto 1.0 surpreende considerando que, na época, o então piloto da McLaren tinha à sua disposição no Brasil um Honda NSX e uma Audi S4 Avant — o superesportivo japonês foi um presente da marca que patrocinava e fornecia motores para sua equipe, enquanto a perua alemã ajudava a divulgar a fabricante que Ayrton começaria a representar por aqui.
A paixão por automóveis era compartilhada com Galisteu: "Sempre gostei de dirigir. Eu brinco com todo mundo que tive um ótimo professor", fala a apresentadora, que raramente opta por motorista particulares no seu dia a dia. Boa parte dos quase 40 mil quilômetros rodados pelo Uno, inclusive, foram com ela atrás do volante.
Todo esse carinho e as memórias em torno do Fiat Uno ajudam a explicar o cuidado com que Galisteu cuida do carro. "Ninguém roda com ele. Eu só deixo o motorista que trabalha com a gente, de vez em quando, para ir até o posto de combustível ou dar uma volta rápida", conta. "É um carro muito valioso, eu morro de medo de alguém bater nele, riscarem ou roubarem".
Por falar em valor, já teve gente que ofereceu pelo Uno R$ 200 mil, uma alta de 3.540% em relação aos R$ 5.649 estimados pela tabela Fipe. "Não vendo de jeito nenhum. (...) O que esse Uno carrega de história, eu não posso repassá-lo", afirma Galisteu. A única forma do Fiat sair da proteção de sua cuidadosa proprietária seria para ir a um museu. "Se houvesse um museu que tivesse a ver com a história do Senna, com todo o cuidado do mundo, eu deixaria [ele ser exposto]", conclui.
Enquanto (e se) esse dia não chega, os fãs podem ficar tranquilos: intacto e mais bem cuidado que muito superesportivo, o Fiat Uno que Senna comprou para Adriane Galisteu segue incólume e protegido.
Ficha técnica
Motor Dianteiro, transversal, 1.0 8V, carburador, gasolina
Potência 56 cv a 6.000 rpm
Torque 8,2 kgfm a 3.250 rpm
Câmbio Manual, 5 marchas
Suspensão Independente, tipo McPherson (dianteira) e dependente com feixe de molas semielípticas transversais (traseira)
Freios Disco sólido (dianteira) e tambor (traseira)
Rodas e pneus De aço, 145/80 R13
Comprimento 3,64 m
Largura 1,55 m
Altura 1,44 m
Entre-eixos 2,36 m
Tanque 50 litros
Peso 830 kg
Fonte: Fabricante
RIBEIRO, Rodrigo. Que fim levou o Fiat Uno que Ayrton Senna deu para Adriane Galisteu?. Disponível em: < https://autoesporte.globo.com/curiosidades/noticia/2021/05/que-fim-levou-o-fiat-uno-que-o-ayrton-senna-deu-para-adriane-galisteu.ghtml>. Acesso em: 03 de maio 2021.
por Kao Tokio em 13 de abril de 2021
Em 1993, ao final do GP da Europa no circuito britânico de Donington Park, o piloto Ayrton Senna erguia vitorioso a taça de campeão no pódio, no dia 11 de abril.
À ocasião, a patrocinadora da corrida era ninguém menos que a produtora de games Sega, que ofereceu ao vencedor o troféu icônico, inspirado em Sonic, mascote da empresa e personagem de sucesso mundial até os dias de hoje.
No dia 12 de junho de 2020, a equipe da McLaren publicou nas redes sociais que o ‘Troféu do Sonic’, reencontrado em um depósito, integra sua nobre prateleira prêmios comemorativos.
11 April 1993 ➡️ Senna wins the iconic SEGA trophy at Donington Park after one of his finest drives. 👏 🏆
— McLaren (@McLarenF1) June 12, 2020
12 June 2020 ➡️ The trophy returns to MTC. You asked, we listened! 🧡 pic.twitter.com/VubK4qz8bh
Apesar de escondido por todos esses anos, o ouriço azul recebe seu devido reconhecimento no panteão de troféus da escuderia.
Vale lembrar, em 1992, Senna protagoninou o game Ayrton Senna’s Super Monaco GP II, desenvolvido pelo estúdio para Mega Drive, SG-1000 Mark III e Game Gear.
No horário da Itália, eram 13h27 do dia 1º de maio de 1994,
quando Ayrton surgiu dos fundos do boxe da Williams, macacão amarrado à
cintura, pronto para entrar no carro e seguir para o grid de largada. Como
fazia em todas as corridas, o cinegrafista Armand Deus, da TV Globo, apertou o
botão de sua câmera Betacam e começou a captar as imagens.
Procedimento de rotina. Não era uma transmissão ao vivo.
As imagens seriam usadas para ilustrar a reportagem sobre a
corrida que o correspondente Roberto Cabrini editaria no final do dia, a tempo
de ser gerada para o Rio de Janeiro e exibida no programa Fantástico.
Não era um dia de sorrisos para ninguém no autódromo de
Imola.
Menos ainda para Ayrton, que havia anos já assombrava
mecânicos, engenheiros, jornalistas e namoradas com sua capacidade de se
concentrar nos momentos que antecediam à largada, tornando todos à sua volta
rigorosamente invisíveis e inaudíveis. Seu olhar, naqueles momentos, parecia
estar em outra dimensão. Sua seriedade formava uma muralha da qual poucos
ousavam se aproximar, não importando a patente familiar ou a relação
contratual.
Para alguns, naqueles momentos ele antecipava curvas e
movimentos dos adversários. Para outros, rezava. Outros ainda achavam que
aquela era uma travessia sensorial para um mundo cheio de fúria que só cabia e
existia no cockpit. Uma travessia sem volta até que a corrida, a dele,
terminasse.
A câmera de Armand Deus continuava gravando quando Ayrton se
aproximou da parte traseira de sua Williams e pousou as mãos sobre o aerofólio.
Teve uma rápida conversa sobre a suspensão traseira com o
engenheiro David Brown. Depois, seu olhar passou a se alternar entre o nada e a
Williams, ainda suspensa nos cavaletes, sem as rodas, recebendo os últimos
ajustes dos mecânicos.
Era mais do que a concentração de sempre. Havia uma contida
inquietação. E também uma tristeza solene e impotente. Estavam ausentes, no seu
semblante, como desde o início daquele ano, a intensidade e aquele olhar de
predador dos tempos da Lotus e da McLaren. Nem mesmo o rápido comentário de Patrick
Head, o diretor da Williams, pareceu diminuir a distância que ele mantinha de
tudo que o rodeava.
Algum pensamento finalmente o resgatou daquela estranha
dispersão para o ritual do cockpit: balaclava, capacete, macacão fechado até o
pescoço e uma espera disciplinada, de pé, com as mãos cruzadas sobre a cintura,
pela ordem de entrar no carro e ajustar o cinto de segurança.
As imagens gravadas por Armand Deus no boxe da Williams e,
minutos depois, as que foram feitas no grid de largada, quando Ayrton mudou a
rotina e tirou o capacete, se tornaram históricas. Deflagraram o sofrido
exercício ao qual milhões de pessoas, especialmente os brasileiros, se
entregaram nos dias seguintes: o que estava por trás daqueles últimos olhares,
gestos e silêncios?
Havia muitas respostas possíveis, sozinhas ou combinadas.
Dentro e fora da pista.
Schumacher estava ali, quase ao lado, mais do que nunca
disposto a destroná-lo. Roland Ratzenberger morrera depois de uma batida
centenas de metros à sua frente, no dia anterior, e o fizera, pelo menos por
algumas horas, desistir de correr. Rubens Barrichello, que ele vinha tratando
como uma espécie de irmão mais novo das pistas, sobrevivera a um acidente
assustador, na sexta-feira. Aquela Williams que ele chamava de "cadeira
elétrica", um carro arisco e difícil de guiar, estava consumindo pneus com
preocupante rapidez.
A placa de um minuto foi erguida.
Vinte e cinco motores de Fórmula 1 começaram a rugir.
Ayrton, na hora de acelerar, costumava deixar todas as
preocupações de lado. Não trocava as emoções do cockpit por nada da vida. Em
mais alguns segundos, ele se entregaria de novo à aventura que tinha começado
aos quatro anos de idade, ao soar de um motor de picadeira de cana, com três
cavalos de potência.
FONTE PESQUISADA
Alessandro Reis
Do UOL, em São Paulo (SP)
05/12/2020 04h00
Da esquerda para a direita: Leonardo Senna, Ayrton Senna e Christian Schües durante visita do piloto à fábrica da VW no ABC
Imagem: Reprodução
Atualmente, o Volkswagen Gol GTI é a bola da vez entre os clássicos nacionais, atingindo preços acima de R$ 200 mil.
Pouca gente sabe, mas o tricampeão de Fórmula 1 Ayrton Senna teve um exemplar da primeira leva, com pintura azul Mônaco e entregue pessoalmente na fábrica da Volks em São Bernardo do Campo (SP).
Quem relembra a história é Ronaldo Berg, de 73 anos, que trabalhou durante três décadas na VW e supervisionou a preparação do esportivo antes de o carro chegar às mãos do ex-piloto, no início de 1989.
De acordo com Berg, o GTI foi um presente do Banco Nacional, então patrocinador de Senna, pela ocasião da conquista do seu primeiro título mundial, no ano anterior, correndo pela McLaren.
O engenheiro, que era gerente de assistência técnica de produto da empresa na época, relata que a Volks separou dois exemplares ao piloto, pois o primeiro teve perda total ao cair de um elevador sobre o próprio teto.
Da esq. para a dir.: Leonardo, Ayrton, Christian Schües e Ronaldo Berg na fábrica de S. Bernardo Imagem: Arquivo pessoal
A intenção, segundo Berg, era entregar um GTI perfeito e diferenciado ao ídolo. Mas algo deu errado e quase houve uma tragédia.
"Fui até a fábrica de Taubaté (SP), de onde saía o Gol, para selecionar uma carroceria muito bem produzida. Esse veículo foi, então, levado para São Bernardo, onde já estava separado um conjunto de motor e câmbio especialmente para o Ayrton. Mesmo com a produção em série, alguns motores tinham mais potência. Fizemos medições e selecionamos o melhor exemplar que encontramos", diz Berg.
Para realizar a troca do trem de força, o Gol foi colocado em um elevador da Ala Zero, como era chamada a assistência técnica "VIP" da VW - encarregada da manutenção de veículos da frota interna e também de unidades pertencentes a clientes ilustres.
"Mecânicos removeram as rodas dianteiras e as colocaram no porta-malas. Na hora em que o motor e o câmbio originais foram retirados, o peso maior na parte traseira fez o GTI girar e despencar sobre o próprio teto. O carro não estava amarrado".
Gol GTI de Ayrton Senna é idêntico ao da foto, exibido no Salão do Automóvel de SP em 2018 Imagem: Divulgação
Ninguém se feriu e o jeito foi escolher outro Gol e repetir a operação. A unidade perdida teve o faturamento cancelado e outra foi faturada.
Na segunda oportunidade, nada de colocar as rodas no bagageiro. Além disso, dessa vez houve o cuidado de prender a dianteira e, assim, evitar mais problemas.
Dessa vez, deu tudo certo e o GTI zerado e reluzente estava pronto para ser entregue a Senna.
Conforme Ronaldo Berg, a entrega aconteceu no início de 1989 na fábrica do ABC paulista, com as presenças, além do próprio Ayrton, do seu irmão Leonardo e de Christian Schües, diretor de Relações Públicas da VW do Brasil.
Qual é o paradeiro do carro?
Berg não tem fotos do GTI de Ayrton e destaca que há cerca de dois anos antigomobilistas iniciaram uma busca ao paradeiro daquele que seria o Gol GTI mais cobiçado e valioso do mundo.
Em conversa com UOL Carros, o jornalista automotivo Douglas Mendonça diz que o hatch ficou cerca algum tempo com Leonardo Senna após a morte do irmão, em 1994.
Enquanto esteve com Leonardo, o veículo chegou a ser turbinado para entregar mais desempenho.
"Um amigo meu acredita ter localizado o GTI do Senna há alguns anos, quando o modelo ainda não era tão valorizado. Ao que tudo consta, embora não haja confirmação documental, esse carro estaria até hoje com um mecânico dono de oficina na Zona Norte da capital paulista", afirma Mendonça.
Segundo Douglas, seu amigo foi até a oficina com a intenção, frustrada, de fechar negócio.
Na ocasião, o mecânico disse que adquiriu o Gol diretamente de Leonardo Senna em 1996, já sem a turbina e todo original. O atual proprietário teria trabalhado com Ayrton no tempo em que ele corria de kart.
"Esse amigo ofereceu R$ 60 mil pelo GTI, quando um excelente exemplar custava em torno R$ 50 mil. A oferta foi recusada. O dono mantinha o carro em cima de um elevador para preservar as suspensões e disse que carro estava com cerca de 40 mil km no hodômetro".
Tentamos contato com Leonardo Senna para confirmar o relato, porém ainda não obtivemos sucesso.
Dear @realsimonsays and @GPFansGlobal, it would be prudent to check facts before blaming us... Have a look at this picture, taken in Jacarepaguà on Sunday 7 April 1985… Ah, by the way, the artwork was approved by @ayrtonsenna #ObrigadoSenna #f1 #f1festival pic.twitter.com/5SdIoFSrX1— F1 Media (@F1Media) October 18, 2019