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terça-feira, 14 de agosto de 2018

'Grande piloto e pessoa muito simpática', diz ex-atleta que puxava treinos de Ayrton Senna, 30 anos após 1º título


POR WILLIAM HELAL FILHO
O Globo - blogs.oglobo.globo.com
14/08/2018 06:00

Ayrton Senna corre na pista da USP com o velocista Geraldo Maranhão, em 1988 | Foto de Fernando Pereira

Mesmo acostumado com a adrenalina dos mais de 300km/h que alcançava com seu McLaren nos grandes prêmios de Fórmula-1, o ídolo Ayrton Senna não dispensava os treinos correndo a 14km/h na pista de atletismo da Universidade de São Paulo (USP). No dia 14 de agosto de 1988, ano em que o brasileiro ganharia seu primeiro título mundial, O GLOBO publicou uma reportagem sobre a preparação física de Senna para resistir ao estresse e exaustão das provas de automobilismo. Na época com 28 anos de idade, ele costumava dar 20 voltas no trajeto da USP, muitas delas ao lado do então velocista Geraldo Maranhão Junior, que entrava na pista quando o piloto começava a dar sinais de cansaço. 

- Eu era tipo um coelho (jargão do atletismo usado para definir o atleta que entra no treino para marcar o ritmo dos demais). Entrava depois de um tempo para dar estímulo e não deixar o rendimento dele cair muito até o final das voltas - relembra Maranhão, então com 19 anos e fã declarado de Senna. - Treinamos juntos durante muito tempo, e eu assistia a todas as provas dele. Era um grande piloto e uma pessoa muito simpática também. Sempre perguntava como eu estava, se estava precisando de alguma coisa.  

Ayrton Senna corre na pista de atletismo da USP, em agosto de 1988 | Foto de Fernando Pereira

Aquele era o primeiro ano de Ayrton Senna pilotando pela McLaren e formando uma dupla endiabrada com o francês e grande rival Alain Prost, que na época já era bicampeão mundial. A reportagem sobre a preparação do brasileiro foi publicada dias depois do GP da Hungria, décima prova daquela temporada de 30 anos atrás. Em primeiro lugar no ranking, Senna tinha vencido seis etapas, contra quatro de Prost. O francês se recuperou e venceu mais três provas no segundo semestre, mas o paulista se segurou, vencendo mais dois circuitos. Senna terminou o ano apenas três pontos na frente e conquistou o primeiro de seus três títulos mundiais. 

O treinamento com os pés no chão foi essencial. Segundo a reportagem, publicada num domingo, o trabalho com o preparador físico Nuno Cobra Ribeiro, da USP, baixou a média de batimentos cardíacos de Senna de 190 para 160 batidas por minuto. Com isso, melhoraram os reflexos, e o estresse durante a prova diminuiu. O exercício também servia para o atleta liberar a agressividade acumulada nos grandes prêmios.

Senna e Alain Prost, em março de 1988 | Foto de Carlos Ivan

Maranhão estava com os olhos grudados na TV no fatídico dia 1 de maio de 1994, quando Senna se chocou na curva Tamburello, no GP de Ímola, na Itália, e foi declarado morto horas depois. 

- Quando vi o que aconteceu, rezei muito para o socorro chegar logo, meus olhos se encheram d'água. Infelizmente, todos sabem como o acidente terminou. Foi um baque para o país inteiro - recorda-se o ex-atleta, que chegou a integrar a seleção brasileira dos 200 metros e dos 400 metros, antes de se aposentar, há cerca de dez anos. - Gosto tanto de carros que, hoje, sou dono de uma oficina (risos). Ainda vejo Fórmula 1 todo domingo. Outro dia meu filho de 8 anos me perguntou para quem estava torcendo. Fiz questão de falar do Senna, mostrei foto dele. 

Ayrton Senna comemora seu primeiro título mundial, em 1988 | Foto de arquivo/Reuters



FONTE PESQUISADA

FILHO, William helal. 'Grande piloto e pessoa muito simpática', diz ex-atleta que puxava treinos de Ayrton Senna, 30 anos após 1º título. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/grande-piloto-e-pessoa-muito-simpatica-diz-ex-atleta-que-puxava-treinos-de-ayrton-senna-30-anos-apos-1-titulo.html>. Acesso em: 14 de agosto 2018.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Bebeto de Freitas já Dirigiu Para Ayrton Senna na Itália


POR DANIEL BORTOLETTO  13 DE MARÇO DE 2018 ÀS 21:22

Reprodução da matéria de 3 de novembro de 2015.

Lance - blogs.lance.com.br

O dia do meu último encontro com Bebeto de Freitas. Ele foi um dos convidados especiais da CBV para o lançamento da Superliga, no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro. O ex-treinador estava ali para ser homenageado ao lado de Emanuel e Fofão, trio brasileiro eleito para fazer parte do Hall da Fama do vôlei mundial. Mas Bebeto ainda iria homenagear Antônio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, banqueiro, financiador do time da Atlântica Boavista na década de 80 e de outros tantos ícones do esporte brasileiro por várias décadas. Uma das raras aparições públicas de Braguinha, na época com 89 anos.


E Bebeto, apreciador de uma boa história, monopolizou o microfone por alguns minutos para contar um causo vivido por ele, Braguinha e Ayrton Senna, na Itália.

O então treinador do Parma foi convidado para jantar com Braguinha e Senna, em Ímola, às vésperas de um GP de Fórmula 1. Bebeto aceitou, mas já imaginou ter problemas, pois teve de pegar o carro popular da família, que costumava dar problemas mecânicos, já que o outro estava com a esposa.

Na estrada, os problemas realmente aconteceram. O farol acendia e apagava, mas Bebeto cumpriu os 120 quilômetros da viagem no horário estipulado. O passo seguinte era encontrar Braguinha e Ayrton Senna. Ele procurou o lugar mais distante possível para estacionar o carro, ao se aproximar do hotel dos pilotos na cidade.

Braguinha recebendo a homenagem de Bebeto de Freitas em 2015 (Alexandre Arruda/Divulgação)

E os piores pesadelos do treinador estavam por vir. Braguinha sugeriu que eles saíssem do hotel no carro do treinador até o restaurante. Um multimilionário e um campeão mundial de F-1, acostumados com carros caríssimos, de carona no popular de Bebeto. Sem opção, ele aceitou.

O vice-campeão olímpico e o empresário nos bancos da frente, com Senna e seu manager inglês atrás. E o carro foi piscando a luz durante todo o percurso. Senna fazia piada com Bebeto. O treinador, às gargalhadas ao relembrar a história, disse que o funcionário do restaurante precisou de um bom tempo para reconhecer que o piloto, aguardado por ele em um carrão da época, estava ali dentro em um popular com as luzes acendendo e apagando.



FONTES PESQUISADAS

BORBOLETTO, Daniel. Bebeto de Freitas já dirigiu para Ayrton Senna na Itália. Disponível em: <http://blogs.lance.com.br/volei/bebeto-de-freitas-ja-dirigiu-para-ayrton-senna/?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter>. Acesso em: 14 de março 2018.

TWITTER LANCENET - Bebeto de Freitas já dirigiu para Ayrton Senna na Itália. Disponível em: < https://twitter.com/lancenet/status/973729910052208641>. Acesso em: 14 de março 2018.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Lembranças de um Mítico Show em Adelaide


"Em 1993, o mítico circuito de Adelaide, na Austrália, abralou mais uma vez a última prova de um campeonato bastante competitivo. Apesar de ter subido ao lugar mais alto do pódio, a garrafa de champagne aberta por Ayrton era mais "pequena" do que a que Prost levara para casa. O piloto francês arrebatara o título de Campeão do Mundo, deixando Ayrton com pouca vontade para celebrações. Obviamente que queria que Ayrton tivesse sido Campeão do Mundo. Mas tal não aconteceu..."O próximo será meu!", disse-me Ayrton, com um ar de quem não estava a brincar. Com um ar de Campeão. A convite da organização, Rubinho, Fittipaldi e eu fomos assistir ao concerto da Tina Turner, que se realizava horas depois do GP de Adelaide. E ali estava eu, no backstage, a dois passos dos "monstros sagrados" da música mundial. Já Tina Turner tinha posto o público em verdadeiro delírio, quando chegaram Ayrton e Adriane Galisteu, que ali ficaram ao nosso lado, com Rubinho a desafinar, Fittipaldi a olhar para as pernas da Tina Turner e eu incrédulo, por estar a viver um momento inesquecível! O ambiente do próprio concerto fez com que Ayrton começasse a soltar aquele sorriso e acompanhasse a bela Adriane nas melodias da voz rouca sa musa norte-americana. Mas o melhor estava para acontecer. Com milhares de pessoas ao rubro, Tina Turner chamou ao palco Ayrton Senna! Ninguém sabia que o brasileiro estava no backstage, o que fez o público vibrar ainda mais. Em jeito de homenagem, Tina Turner cantou, com Senna a seu lado, a música "Simply the best", deixando-nos a todos arrepiados e Ayrton com uma lágrima no canto do olho! Sempre que oiço esta música, lembro-me com saudade deste episódio. Tina Turner tinha razão, Ayrton era, sem dúvida, simplesmente o melhor"


Por Pedro Lamy, piloto de corrida, em AutoSport "Ayrton Senna 10 anos depois"




quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

3 Memórias de Ayrton Senna

Por Sérgio Veiga
F1 Flash - f1flash.com
01/05/2015

(Parte I): A Vitória no Estoril-85


Ayrton Senna da Silva comemoraria hoje o seu 55.º aniversário, se não tivesse sido aquele fim-de-semana maldito de Imola-94, em que todos os deuses se zangaram com a Fórmula 1… Tive a sorte de poder privar, em termos profissionais, com o enorme piloto brasileiro e aqui recupero, em jeito de homenagem, os três episódios que imediatamente me vêm à cabeça de cada vez que ouço o seu nome.

Abril de 1985, uma manhã de quarta-feira no aeroporto da Portela, espero a saída do brasileiro, passageiro do voo Varig 762. Naquela altura, em que a F1 ainda era novidade em Portugal (era o 2.º Grande Prémio da «era moderna» ainda era hábito ir esperar os pilotos mais importantes ao aeroporto para ter logo umas primeiras palavras. Para mais, o trissemanário «A Bola» saía à 5.ª feira, era bom arrancar com a reportagem da F1 logo com declarações da nova estrela em ascensão! Mas com tantos jornalistas à espera, era quase impossível ter uma conversa mais prolongada e consegui combinar com Senna um encontro para a tarde, já no autódromo do Estoril.

Despachados os cumprimentos a engenheiros, mecânicos e demais elementos da equipa Lotus, sentámo-nos junto do muro das «boxes» e, durante largos minutos, sem pressas, Senna foi respondendo a tudo o que lhe perguntava. Sentia o olhar desconfiado do brasileiro, ao ver que apenas tomava notas num daqueles grandes blocos «Castelo», mas falámos tranquilamente o tempo que foi necessário. Outros tempos, sem a pressão mediática actual…

No dia seguinte, reencontrámo-nos no autódromo logo pela manhã e ele, sorridente, agradeceu «o bom trabalho». Já tinha visto, obviamente, a página inteira de «A Bola» (ainda no formato… gigante!), encimada pelo título «Quando vou a 300 km/h só penso em ir mais e mais rápido!» e com tudo o que ele tinha dito, direitinho, por muito estranho que lhe tivesse parecido o esquema das notas no bloco «Castelo»… Desde esse dia que se criou uma relação de respeito mútuo, óbvio do meu lado pelo piloto que ele era, mas também da parte dele que sempre me «atendeu» com a máxima paciência e atenção.

Depois, viria a «pole» e a sua primeira vitória na Fórmula 1 (fará 30 anos a 21 de Abril), sob um dilúvio imenso, em que demonstrou um controlo superior do Lotus, numa prova com metade dos 16 abandonos por piões ou acidentes. E em que Senna deixou o 2.º a mais de um minuto, os 3.º e 4.º a 1 volta e o 5.º (Nigel Mansell num Williams/Honda) a 2 voltas! Apesar de muitas vezes ter pedido para que a corrida fosse parada, Senna nunca «tirou pé» e, sob condições dantescas, levou o Lotus/Renault à vitória e a crença popular ao ponto de perceber que estávamos perante alguém muito especial.



Entrou totalmente encharcado na sala das conferências de imprensa, trocámos sorrisos quase cúmplices pela entrevista que, agora, parecia um talismã e, durante um ror de tempo, ali o vi literalmente a bater o queixo e a tiritar de frio, mas a explicar com toda a tranquilidade como fora a sua primeira vitória. Porque muitas mais se seguiriam…

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(Parte II): da raiva… às desculpas


Embora todos tenhamos cultivado a imagem de um Ayrton Senna sereno, simpático, uma pessoa suave, o genial piloto brasileiro também tinha os seus momentos irascíveis, em que conseguia raiar o desagradável. Na sexta-feira dos treinos livres do G.P. da Alemanha de 1988 as coisas não lhe estavam a correr de feição e o McLaren/Honda não estava ao seu gosto, perdendo para o rival Alain Prost.

Naqueles tempos, jornalistas a entrar nas «boxes» das equipas era algo mais ou menos normal e, para reportar para «A Bola», costumava aproveitar a «boleia» dos jornalistas brasileiros para falar também com Senna, agradando à enorme legião de fãs que ele sempre teve em Portugal. Naquele dia, contudo, algo me atrasou e perdi o «comboio brasileiro», descendo mais tarde à «boxe» da McLaren onde encontrei Senna a falar com o seu engenheiro, ar de poucos amigos. Esperei que a conversa acabasse e, quando lhe perguntei «o que se passa Ayrton?», ele olhou através de mim e disse-me com uma rudeza que não lhe conhecia: «Porque só vem agora e não veio com os outros?! Agora não falo com você!» e quase me expulsou da «boxe»… «Está o caldo entornado», pensei, «este agora nunca mais me vai falar por causa disto».

Horas mais tarde, dia de treinos arrumado, estava no «paddock» em amena cavaqueira com o Domingos Piedade e outras pessoas, a caminho do carro para sair do circuito, quando sinto alguém bater-me nas costas. Virei-me e era Senna. «Você me desculpe aquilo de há pouco, eu estava meio chateado e você apareceu na altura errada. Me desculpe, agora está tudo bem, ok?». Nem sei se cheguei a balbuciar algo, era a última coisa que esperava de um piloto de F1 com os seus gigantescos egos…

O grande Ayrton Senna, a caminho do seu primeiro título, estava ali humildemente a pedir-me desculpa? Quantos dos outros trinta pilotos presentes em Hockenheim teriam tido semelhante atitude? Aí confirmei não só o respeito mútuo que já levava alguns anos, mas a grandeza humana de Senna que, tendo tido um ataque de irascibilidade (talvez até compreensível…), tivera a humildade de desviar o seu caminho para vir pedir desculpas pela sua atitude. E lá continuámos a nossa relação profissional como se nada se tivesse passado.




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(Parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido


É inevitável… Quando ouço o nome Senna viajo imediatamente no tempo para 1 de Maio de 1994, o ponto mais fundo do fim-de-semana em que os deuses abateram toda a sua raiva sobre a F1. Tudo começara na 6.ª feira, com um acidente feito de Rubens Barrichello, com quem tinha grande afinidade por ter seguido a sua carreira na Fórmula Opel-Lotus (que corria juntamente com a F1) e pela ligação com Pedro Lamy. O susto foi enorme e lembro-me de Senna correr ao hospital do circuito para se inteirar do estado do seu benjamim.

No dia seguinte foi a tragédia da morte de Roland Ratzenberger que abanou todos quantos seguiam a F1. Recordo-me de Senna se meter no carro médico, com o seu amigo Syd Watkins, o médico da F1, e ir ao local do acidente perceber como tinha sido possível. Mais tarde, Watkins revelou que, nessa altura, disse a Senna para parar de correr…

Ainda mal refeito de dois violentos dias, nada me preparava para a tragédia de 1 de Maio… Primeiro o acidente no arranque em que só por milagre Pedro Lamy não se magoou seriamente, ao abalroar o Benetton parado de JJ Lehto. Mas muitas peças tinham voado para a bancada, provocando diversos feridos… Retomada a corrida, Senna despista-se na temível Tamburello, tem de estar tudo bem, pensamos todos, já muitos ali bateram e safaram-se com maiores ou menores mazelas. Olhos colados nos ecrãs, o capacete amarelo move-se, há um breve momento de alegria, está tudo bem ele mexe-se!, seguido por uma queda abrupta nas profundezas da tragédia quando assistimos aos meios médicos envolvidos no seu socorro.



Aproveito para descer à «box» da Lotus para saber como está Lamy que me despacha rapidamente com um «eu estou bem, mas como está o Ayrton?». Não há respostas, parece grave, mas, bolas, o capacete mexeu-se ele há-de estar razoavelmente bem, talvez algumas fracturas… Na altura apenas os socorristas sabiam a verdade e os momentos de desespero por que passava o brasileiro, já inconsciente, já em coma, de onde não mais sairia.

Numa sala de imprensa com muitas centenas de jornalistas, o silêncio era sepulcral, havia quem não contivesse as lágrimas, era demais num só fim-de-semana. Porque a corrida prosseguira e ainda houvera mais quatro feridos nas «boxes», por uma roda que se saltara do Minardi de Alboreto. «Morte» foi coisa que só se começou a ouvir muito mais tarde, já a corrida estava a terminar. Os rumores foram-se avolumando, até à confirmação do «press officer» da FIA que varreu a sala de imprensa com uma violenta onda de choque. Não, o Ayrton não!...

Na altura senti-me totalmente vazio e exausto, totalmente exausto de três dias de tragédias permanentes… Lembro-me de ligar para Lisboa e pedir ao chefe de redacção d’ «A Bola», Santos Neves, que me dispensasse do trabalho, não tinha condições para escrever uma única linha. Mas os leitores não têm nada a ver com os estados de alma do jornalista e foi o que percebi quando, do outro lado, ouvi um seco (e sei que muito difícil de dizer!) «está bem, vê se te acalmas e depois tens duas páginas para escrever».

Às vezes, «enfiarmo-nos» num teclado serve quase de terapia, de exorcismo dos fantasmas que nos esmagam. E foi assim que apareceram os textos para as tais duas páginas (ainda das grandes…), as mais difíceis de toda a minha vida! Já passava da uma da manhã quando saí de Imola, um sentimento de tremendo vazio, as lágrimas a quererem saltar. Acabara de viver o maior pesadelo de sempre… E a Fórmula 1 acabara de perder milhões de adeptos. Ainda hoje há quem me diga que deixou de seguir a F1 no dia em que Senna morreu. Compreendo mas não aceito. Porque tenho a certeza de que o próprio Ayrton não o aprovaria!

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SÉRGIO VEIGA

Enviado-especial do jornal «A Bola» a largas dezenas de Grandes Prémios, nunca deixou de reportar sobre o Mundial, tendo nos últimos anos alargado a sua experiência aos comentários televisivos.

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FONTES PESQUISADAS

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte I): a vitória no Estoril-85. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-a-vitoria-no-Estoril-85>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte II): da raiva… às desculpas. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-da-raiva-as-desculpas>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-o-fim-de-semana-terrivel>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

terça-feira, 10 de junho de 2014

'Não Curto a Vida Na Inglaterra': BBC Abre Arquivo e Revisita Início de Carreira de Senna

Senna na Formula Ford 1600
Foto: Keith Sutton



    01/05/2014 07h37
    Uol Notícias
    http://noticias.uol.com.br/


Um documentário de rádio da BBC trouxe à tona a história pouco conhecida - mas nem por isso menos movimentada ou dramática - de um dos momentos mais importantes na carreira de Senna: os anos em que ele viveu e correu na Inglaterra, antes de entrar na Fórmula 1.

A história começa com a chegada, em 1981, de um jovem Ayrton Senna da Silva à região de Norfolk, no extremo leste da Inglaterra.

A região já tinha atraído pilotos brasileiros antes, como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Chico Serra, Raul Boesel e Roberto Pupo Moreno, principalmente por duas razões: por abrigar uma conhecida escola de pilotagem, a Jim Russell Racing Driver School, e por abrigar também as principais fábricas e equipes ligadas à Fórmula Ford e Fórmula 3, categorias tidas como os principais degraus que levavam para a Fórmula Um.

"Quando chegavam na Grã-Bretanha, muitos (dos pilotos brasileiros) não falavam uma palavra de inglês", contou à BBC o piloto inglês Martin Brundle, "e não sabiam nada além de aterrissar em Heathrow, chegar em Attleborough (Norwich) e procurar por Ralph Firman".

Firman era o dono da Van Diemen, a principal fábrica de carros de Fórmula Ford. Ele já tinha ouvido falar de Senna pela reputação conquistada nos anos em que correu no circuito de kart no continente europeu.

"Eu nunca tive dúvida de que ele seria muito especial", disse Firman. "Ele precisou de apenas duas ou três corridas para entender que o carro não é o mesmo que um kart, mas uma vez que pegou o jeito, nada pôde segurá-lo, era só ganhar, ganhar e ganhar."

Senna na Formula Ford 1600
Foto: Keith Sutton


Vida em Norfolk

Senna chegou a Norfolk em 1981 para correr para Ralph Firman e depois para Dennis Rushen, da equipe Rushen Green, em 1982. Ele dominou primeiro os campeonatos de Fórmula Ford na Grã-Bretanha e em seguida os europeus, e imediatamente deixou forte impressão no mundo do automobilismo.

Se adaptar à vida em Norfork levou um pouco mais de tempo, como lembra Dennis Rushen.

"Seu inglês era praticamente nulo. E quando ele se envolveu mais comigo e com os meus mecânicos, seu vocabulário era formado basicamente por palavrões, e ele inclusive me mandou um cartão de Natal com palavrões, porque na verdade ele não sabia exatamente o que estava dizendo!"

Senna vivia em Eaton, na periferia da cidade de Norwich, 160km ao noroeste de Londres.



Casa de Senna em Norwich
Foto: Google Streetview


Em entrevista à BBC em 1983, o piloto contou que "não curtia a vida na Inglaterra".

"O estilo de vida dos ingleses, mais o fator de eu ser brasileiro, de ter os meus amigos, a minha família, as minhas raízes no Brasil, influenciam automaticamente para que eu goste do meu país, goste de viver lá e não curta muito a Inglaterra", disse ele.

Para Senna, a vida em Norfolk era totalmente concentrada no automobilismo. "Vivo o automobilismo as 24 horas do dia. Só penso nas minhas corridas, nos meus treinos, e vivo em função disso."

"Nas minhas horas vagas eu trato da minha casa, tenho uma casa aqui, vivo sozinho, e trato das minhas coisas particulares, necessárias para qualquer pessoa. Fora isso é o tempo todo automobilismo, de vez em quando eu vejo alguns amigos, brasileiros também, que vivem aqui na Inglaterra, que fazem automobilismo. A minha atividade é corrida de automóvel, só no Brasil é que eu diversifico um pouco, eu gosto de esqui aquático, eu gosto de estar na minha casa, com minha família, gosto de música. No Brasil eu levo uma vida mais normal, mas na Inglaterra é uma vida específica ligada à minha profissão.

Depois de seu sucesso na Fórmula Ford, em 1983 Senna foi competir no campeonato de Fórmula 3 da Grã-Bretanha. Ele via a categoria como "importantíssima" para o seus planos de ingressar na Fórmula 1.

"Quanto melhor eu fizer a Fórmula 3, melhor vai ser a minha posição para ingressar na Fórmula 1, numa equipe melhor, com condições contratuais melhores", disse ele àBBC Brasil, no início da temporada de 1983.

"Tudo aquilo que eu consegui até hoje, em Formula Ford, Super Ford, atualmente na Fórmula 3, eu aplico na minha carreira, tenho à disposição a melhor equipe, o melhor equipamento, a infraestrutura necessária para que os resultados sejam os melhores possíveis."

Rivalidade

A temporada de Fórmula 3 foi marcada pela rivalidade com o melhor piloto britânico na época, Martin Brundle.

"As coisas começaram a ficar um pouco tensas", diz Brundle. "Estava tudo bem enquanto ele estava ganhando, o que aconteceu nas nove primeiras corridas, mas depois eu comecei a ganhar, e ele não gostou muito disso. Porque isso não combinava com ele. Ele era muito forte, muito rápido, naturalmente talentoso. E então nossos carros se bateram em Snetterton, em Oulton Park, e ele quase bateu em mim pela segunda vez em Oulton Park. Nós tivemos alguns momentos tensos. Ele foi magnânimo na última corrida em Thruxton, mas ele podia ser pois tinha vencido o campeonato."

O sucesso de Senna o levou à Fórmula 1 no ano seguinte, para a pequena equipeToleman. Mas em 85, o destino quis que ele voltasse para a região de Norfolk, ao assinar com uma equipe maior, a Lotus, baseada na cidade de Hethel.

Para Clive Chapman, filho do fundador da Lotus, Colin Chapman, os três anos em que Senna competiu pela escuderia representam os últimos dias de glória da equipe. Senna conquistou 6 vitórias pela escuderia britânica.

"Ele foi o último piloto a ganhar um Grande Prêmio pela Lotus (a escuderia original)", Clive explica. "Após um período de resultados inexpressivos, ele reviveu o período áureo da equipe. Ele estendeu a reputação da Lotus para além do meu pai, e isso foi ótimo para a equipe."

Em 1988, Senna foi para a McLaren, com quem viria a conquistar três campeonatos mundias, antes de sua trágica morte em Ímola, na Itália, aos 34 anos.

Mesmo assim, Senna continuou mantendo contato com o pessoal da região de Norfolk, que lembra dele com carinho.

"Ele era um cara muito legal", diz Ralph Firman. "Muito honesto, correto, e não tinha meias palavras. Era um gentleman".

*Com informações de Paul Hayes, BBC Norfolk. Hayes produziu e escreveu o documentário 'Ayrton Senna: The Boy From Brazil', para as rádios BBC Norfolk e Radio 5 Live. 


FONTE PESQUISADA

HAYES, Paul. 'Não curto a vida na Inglaterra': BBC abre arquivo e revisita início de carreira de Senna. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2014/05/01/nao-curto-a-vida-na-inglaterra-bbc-abre-arquivo-e-revisita-inicio-de-carreira-de-senna.htm>. Acesso em: 10 de junho 2014.


FOTOS AYRTON SENNA FORMULA FORD 1600 - IMAGENS - PHOTOS - PICTURES









segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ayrton Senna: Mais Que Piloto, Atleta

20 anos após sua morte, seu treinador físico e mental, Nuno Cobra, fala sobre a dedicação e o dom de um dos grande heróis do esporte nacional


Por: Olavo Guerra - São Paulo - 30/04/2014

Ayrton Senna correndo
Foto: Nelson Coelho


Há exatos 20 anos, o Brasil perdia um de seus grandes esportistas de toda a história. Mais do que isso, um herói nacional: Ayrton Senna da Silva. Sua obsessão em ser sempre o primeiro o transformou em um atleta impressionante. Ele contou com uma ajuda fundamental. O treinador físico e mental, Nuno Cobra, esteve ao lado de Senna desde que o piloto tinha 22 anos. O jovem franzino, com uma capacidade cardiovascular muito fraca, começou a correr (muito) e se exercitar para se transformar em um esportista completo. “Ele [Senna] não tinha o dom de pilotar, isso ele aprendeu e aprimorou. Tinha o dom do fazer”, afirma. Em entrevista ao Sua Corrida, Cobra conta um pouco de sua experiência com um dos grandes nomes da história do automobilismo.

O início
“Eu tive que mudar alguns hábitos dele”, lembra o treinador. “Ele tinha 22 anos, era jovem, com a testosterona exalando pela pele, e tinha aquela coisa da noite. Ele ia dormir sempre muito tarde, por volta das 2h.” Cobra convenceu Senna de que dormir mais cedo seria importante para a sua recuperação. “Ele também era uma máquina de comer. Engolia tudo muito rápido, sem mastigar. Eu disse a ele: ‘Ayrton, estômago não tem dentes’.” Logo, com os conselhos do treinador, o piloto passou a mastigar a ponto de a comida virar um líquido em sua boca.

Não é à toa que Cobra insiste que o dom de Senna era o ‘fazer’. “Essa determinação dele fez com que chegasse onde chegou.” Segundo o treinador, “o mais difícil foi impor um outro estilo de vida, com novos hábitos”. Nuno lembra de uma entrevista que o atleta conscedeu à TV Globo, no início de sua carreira – antes mesmo da Fórmula 1 –, dizendo que detestava correr.

Na época da Fórmula 3, o piloto acreditava que tinha algum problema de coração, pois se sentia mal após as corridas. “Eu fiz todos os testes nele e, obviamente, descobri que ele não tinha problema nenhum, apenas não trabalhava esse músculo o quanto era necessário para toda a atividade que ele praticava.” Os primeiros passos de Senna foram caminhando, por conta de sua debilidade cardiovascular. “Pouco a pouco, foi evoluindo, sempre treinando na pista de atletismo.”

Evolução
Depois que Senna adquiriu certo preparo físico, ele começou a fazer uma preparação especial. “A temporada terminava em outubro e eu dava alguns dias para ele descansar”, revela Cobra. “Em seguida, começávamos a preparação. Ele passava outubro, novembro, dezembro, janeiro, fevereiro e início de março, quando, na época, o Grande Prêmio de Jacarepaguá abria o calendário da Fórmula 1, treinando quatro horas por dia.” Ou seja, o sucesso era fruto de muita dedicação.

“O Ayrton pegou o final da era romântica, em que os pilotos só queriam sair para a noite”, comenta Nuno. “Senna introduziu esse trabalho de preparação, não só física, mas da pessoa”, pois, de acordo com o treinador, a transformação não é só do corpo, e sim, da pessoa como um todo.

O método de treinamento ensinado por Cobra utiliza apenas o corpo, sem aparelhos de academia. “Um dia, perguntei para o Ayrton o que ele mais gostaria de fazer com o corpo e ele me respondeu que era se erguer em uma barra, pois alguns amigos dele faziam isso.” Com o preparo adquirido, Senna conseguiu realizar o feito – e muito mais. “Aquilo que era impossível, ficou fácil. Houve uma mudança espiritual para ele, que começou a ver o poder que tinha e isso dava muita confiança na hora das corridas.”

Curiosidades
De acordo com o treinador, não havia um exercício que Senna não gostasse. “Eu costumo brincar que o cara que se exercita e se dedica bastante, faz aquilo por que gosta, bem como o cara que não faz nada é assim porque adora!” Senna gostava de correr e fazer os exercícios passados por Nuno, pois percebia que sua saúde melhorava e sua capacidade dentro das pistas também.

Outra passagem curiosa é a influência do piloto para que, até hoje, Adriane Galisteu – com quem Senna namorava quando faleceu, em 1994 – corra. “Um dia, o Ayrton me pediu para dar uma ajuda, pois a Adriane acordava e tomava dois copos de Coca-Cola.” Senna não se conformava com isso. “Ele tinha um carinho muito especial por ela, maior do que pelas outras. E olha que eu conheci todas”, brinca. Com o auxílio de Nuno, a modelo começou a caminhar no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Na edição 25, de novembro de 2012, da revista W Run, ela confirmou a história. “Aprendi a gostar de correr com o Nuno Cobra, preparador físico do Ayrton Senna.”

Ayrton e Adriane

O treinador fez uma revelação. “Acho que nunca contei essa história antes, mas a Adriane estava se preparando bastante, pois queria correr ao lado do Ayrton. Ela viajou para Imola naquele fatídico fim de semana para fazer uma surpresa para ele”, diz. “Ela ia, pela primeira vez, correr lado a lado com Senna. Estava bem preparada, mas, infelizmente, não deu tempo.”

Se estivesse vivo, Senna correria até hoje?
“Sem dúvida”, responde, de bate-pronto. “Ao longo dos dez anos que trabalhamos juntos, ele jamais se machucou e fazia aquilo, não só porque ficava mais preparado para pilotar, mas porque gostava e fazia bem para a sua saúde.”

Cobra faz uma última colocação a respeito do piloto. “Queria que as pessoas se espelhassem nessa figura impressionante que ele era. Senna é o maior exemplo de que podemos transformar completamente nossas vidas.” Para o treinador, “Ayrton teria sucesso em qualquer atividade que quisesse por conta da sua dedicação e comprometimento sem igual”.

Sobre o treinador
Nuno Cobra, 75, é graduado em educação física pela Escola de Educação Física de São Carlos. Escreveu o best-seller A Semente da Vitória, em que exibe seu método de treinamento. Além de Senna, Cobra treinou pilotos como Christian Fittipaldi, Gil de Ferran, Rubens Barrichelo e o finlandês Mika Hakkinen.







FONTE PESQUISADA


GUERRA, Olavo. AYRTON SENNA: MAIS QUE PILOTO, ATLETA. Disponível em: <http://www.suacorrida.com.br/sua-historia-finisher/ayrton-senna-mais-que-piloto-atleta/>. Acesso em: 12 de maio 2014.


FOTOS AYRTON SENNA COM NUNO COBRA - PHOTOS - IMAGES - IMAGENS - PICTURES











sábado, 12 de abril de 2014

Beppe Donazzan: Ayrton, L’immortale Campione Di Tutti

12.04.2014, 19.40
http://www.f1passion.it/



12 aprile 2014 – Era giovedi 28 aprile 1994 quando Ayrton Senna atterra con il suo jet Hawker 800 all’aeroporto “Allegri” di Padova, prima di proseguire in elicottero per Imola…


Beppe Donazzan, giornalista e capo dei servizi sportivi del quotidiano Il Gazzettino di Venezia, autore del libro “Immortale – Ayrton Senna, il campione di tutti”, per anni ha seguito la carriera di Ayrton, sulle piste del Mondiale come inviato del giornale e accompagnandolo nei suoi viaggi nel Veneto dove incontrava le aziende che sponsorizzavano la sua attività in Formula 1 – l’industria di elettrodomestici De Longhi e il produttore del caffè Segafredo – o che realizzavano prodotti con il marchio “Senna”, come le biciclette Carraro e le penne stilografiche Montegrappa.



Beppe Donazzan ricorda:Giovedì 28 aprile 1994, Ayrton fece una sosta a Padova prima di raggiungere Imola per disputare il Gran Premio di San Marino. In programma la presentazione del modello speciale di mountain-bike che avrebbe portato il suo nome. Prodotto dalla Cicli Carraro di Saccolongo, paese alle porte della città.

Uno dei tanti contratti di licenza per alimentare il suo grande progetto, la Fondazione per aiutare i bambini poveri del “suo” Brasile. Sogno  trasformato in realtà. Quello con la Carraro era il secondo accordo “veneto” di Senna. Un anno prima c’era stata la firma con la  De Longhi per la commercializzazione in Brasile degli elettrodomestici dell’azienda di Treviso. L’agenzia di pubbliche relazioni, che curava l’evento di Padova, un mese prima mi aveva contattato per la presentazione all’hotel Sheraton. Un programma calcolato al minuto per il campione brasiliano: arrivo all’aeroporto “Allegri”, spostamenti in elicottero. Proprio perché tutto funzionasse alla perfezione, martedì 26 aprile, era giunta Betise Assunçao,  press agent, l’ombra di Ayrton sulle piste della Formula 1. Assieme anche, Celso Lemos, responsabile dei contratti della Fondazione, per controllare che l’organizzazione rispettasse il protocollo stilato. Tempi, location, cartelle stampa…, tutto doveva essere perfetto.



Faceva caldo, molto caldo, quando l’Hawker 800 di Senna atterrò sulla piccola pista di Padova. Il profilo dei colli Euganei era sfuocato dall’afa.  Un saluto, il sorriso timido, lo  sguardo triste, una breve intervista con Dues Armand di Rede O Globo, poi via verso l’elicottero. Cinque minuti di volo ed ecco il piazzale erboso della fabbrica di biciclette. Un centinaio di persone ad attenderlo. Si fermò  a parlare, firmò autografi, sensibilità e cortesia, uno dei segreti dell’incredibile successo con la gente. I Carraro lo invitarono a visitare lo stabilimento, le linee di montaggio. Ayrton raccontò la storia della biciclettina gialla che tanto desiderava e che era stata il  primo regalo della sua vita: “Avevo quattro anni e quella bicicletta l’avevo vista nella vetrina di un negozio. Dopo pochi giorni ho portato là mio padre Milton per acquistarla. Ci ho giocato tanto. Ero talmente affezionato  che ho continuato ad usarla anche quando ero diventato grande e facevo fatica a pedalare. Con gli amici organizzavamo gare strane. Vinceva chi arrivava per ultimo. I miei surplace erano interminabili. Ero abile, andavo pianissimo…”.Tutti si misero a ridere ascoltando il racconto di Senna.



Il tempo passava, c’era l’appuntamento allo Sheraton ad attenderlo. E il bagno di folla. Più di 300 persone avevano riempito fino all’inverosimile la grande sala Mantegna. Nella mia scaletta di presentazione avevo previsto di illustrare il nuovo progetto della mountain-bike, poi a ruota libera con Senna: l’imminente Gran Premio di San Marino, il giovane arrembante Michael Schumacher, la Williams che non si aspettava, il sogno Ferrari, il futuro della Formula 1… Quasi un’ora di botta e risposta anche con il pubblico. Che Ayrton aveva ammalìato e coinvolto. Il successo di sempre. Prima che ripartisse per Imola gli chiesi, assieme al collega Carlo Grandini, inviato del Corriere della Sera, se fosse stato disponibile per qualche altra domanda. Una gentilezza senza eguali, la sua. Ho ritrovato tempo fa la cassetta di quella intervista. E’ stato un colpo al cuore…”

“Immortale – Ayrton Senna, il campione di tutti” (edizioni UltraSport) è il libro che Beppe Donazzan ha scritto e sarà presentato, insieme a immagini e documenti audio inediti, nell’ambito della manifestazione Ayrton Senna Tribute 1994/2014: “Il primo maggio 1994 Ayrton Senna, il pilota più amato e idolatrato della storia, perde la vita a causa di un terribile incidente alla curva del Tamburello sulla pista di Imola. Sono trascorsi vent’anni, ma il ricordo delle sue gesta fa ancora emozionare i tifosi nel mondo.
Morendo, Ayrton Senna, il campione di tutti, è divenuto immortale. Beppe Donazzan quel giorno a Imola c’era. Ha assistito al drammatico schianto, è stato testimone degli ultimi quattro giorni del pilota brasiliano, descrivendo l’inquietudine e i tanti misteri prima dell’ultima partenza. Ha raccontato il dolore della gente, le feroci polemiche e il processo. Oggi Donazzan celebra Senna in un libro che narra la storia, la morte e l’eredità lasciata dal grande campione, riannodando il filo che lega le sue imprese a quelle di chi lo ha seguito e che, nella straordinaria personalità di Ayrton, continua a ritrovare un’inimitabile lezione di sport e di vita.”

LINK: http://www.f1passion.it/2014/04/beppe-donazzan-ayrton-limmortale-campione-di-tutti/