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sexta-feira, 17 de abril de 2020

Emerson Fittipaldi diz qual foi o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos



N° Edição: 432Texto: Emerson Fittipaldi 16/04/2020
Motor Show - motorshow.com.br

Para Emerson, muitos pilotos merecem destaque, mas Senna foi o melhor deles (Foto: Divulgação)

As pessoas sempre me perguntam quem acho que foi o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos, e frequentemente sugerem que deveria responder “Ayrton Senna”. É extremamente difícil – talvez impossível – comparar pilotos em diferentes épocas, e exatamente por isso não gosto de fazer isso.

Meus heróis são caras como Tazio Nuvolari, o chamado “Mantuan voador” dos anos 1920 e 1930, que Ferdinand Porsche descreveu como “maior piloto do passado, do presente e do futuro”, e que dirigiu tão imperiosamente bólidos da Bugatti, Alfa Romeo, Maserati e Auto Union; Achille Varzi, grande amigo e rival de Nuvolari, que venceu mais de 30 corridas pelas mesmas quatro marcas durante o mesmo período.

Admiro pilotos como Rudolph Caracciola, que venceu o Campeonato Europeu de Pilotos (precursor do Campeonato de F1) pela Mercedes-Benz em 1935, 1937 e 1938; Bernd Rosemeyer, quase imbatível pela Auto Union na assustadora Nurburgring na década de 1930 – que certa vez venceu sob névoa espessa.

Não posso deixar de citar Juan Manuel Fangio, com 24 vitórias e cinco campeonatos de F1 nos anos 1950, participando de apenas 51 provas. Nem Jim Clark, que levou dois campeonatos e 25 grandes prêmios para a Lotus entre 1962 e 1968, mas terminou em segundo lugar em apenas um grande prêmio, uma homenagem numérica à incrível estratégia “tudo ou nada” dele e de meu futuro chefe na Lotus, Colin Chapman.

Também há Jackie Stewart, que venceu três campeonatos e 27 GPs em 99 disputas, rival que mais estimei durante minha carreira na F1. E, claro, Michael Schumacher, que venceu 91 GPs e conquistou sete campeonatos, obra-prima que pode ou não ser derrotada por Sebastian Vettel, que pode ficar entre estes melhores que selecionei aqui.

Sem dúvida, Ayrton está nesta lista – e talvez porque era brasileiro como eu, talvez por ser meu amigo, tenho prazer de nomeá-lo como, na minha opinião, o melhor de todos os tempos. Senna era inacreditavelmente bom. Ele é famoso pelo talento natural, e até por isso, sua ética de trabalho prodigiosa fosse subestimada.

Ele treinava assiduamente, e por isso era apto fisicamente. Estudava detalhadamente os dados com os engenheiros e refletia muito sobre seu ofício. Sim, fora agraciado por Deus com uma habilidade sublime, mas sabia que isso, por si só, não seria suficiente. Então trabalhava seu talento, o aprimorava, e por isso uso o termo “ofício” para falar de como pilotava, em vez de “habilidade” ou “arte”.

Sim, ele era habilidoso. Sim, sua pilotagem era uma arte. Mas a razão pela qual foi tão bem-sucedido é que era um artesão dentro e fora do cockpit, não deixando pedra sobre pedra em seus esforços para melhorar. Ele sofreu para conquistar seu sucesso, não tenham dúvida disso.


FONTE PESQUISADA

FITTIPALDI, Emerson. Emerson Fittipaldi diz qual foi o melhor piloto de Fórmula 1 de todos os tempos. Disponível em: <https://motorshow.com.br/emerson-fittipaldi-diz-qual-foi-o-melhor-piloto-de-formula-1-de-todos-os-tempos/>. Acesso em: 17 de abril 2020. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

"A Fórmula-Indy é um show e não um desafio" (1994)


Uma coisa é certa: não pretendia encerrar a carreira na Fórmula-Indy que, filosoficamente, definia assim:

"A Fórmula-Indy é uma alternativa de viagem para os que não têm mais espaço na Fórmula-1. É um show e não um desafio. Não é válida para quem começa, mas é boa para quem está acabando."

Que o Emerson Fittipaldi não saiba disso... 











FONTE PESQUISADA

BIANCHI, Ney. Ayrton Senna no vácuo do tetra. Revista Manchete, Rio de Janeiro, nº 2184, ano 42, p. 28-31, Bloch Editores S.A., 12 de fevereiro de 1994.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

F1: Que Futuro Para a Língua Portuguesa?




13/02/2018
Autosport - .motor24.pt

Infelizmente a F1 nunca foi uma competição que recebesse os portugueses de braços abertos. Não por falta de talento pois felizmente nesse capítulo temos para dar e vender, mas o tamanho do nosso país, aliado ao tamanhos dos “bolsos” dos nossos pilotos foram grandes entraves à subida mais que merecida de alguns dos nossos compatriotas. Mas tínhamos sempre a possibilidade de ver pilotos brasileiros em pista, o que no fundo servia de pequena compensação. O Brasil sempre foi um país muito ligado à F1 e deu-nos alguns dos melhores pilotos de sempre da modalidade. Infelizmente a crise também lhes bateu à porta e este ano não terão um piloto em pista.

É preciso recuar 48 anos para que voltar a encontrar uma situação assim. 48 anos de presença brasileira no Grande Circo agora interrompida, com a saída de Felipe Massa. Desde 1970 que o Brasil é representado na F1, e alguns dos maiores talentos que pudemos ver em pista falam a língua de Camões, com sotaque. São 3 campeões mundiais, mais precisamente um bicampeão e dois tricampeões. Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna dispensam apresentação onde quer que se pronuncie os seus nomes.

A experiência brasileira na classe rainha começou em 1951, o segundo ano do Campeonato de Fórmula 1. Francisco Sacco Landi foi o piloto pioneiro, mas na sua primeira experiência no campeonato do mundo só completou 1 volta no GP de Itália, tendo pilotado um Ferrari antes de o trocar por um Maserati e manteve-se na F1 até 53.

Fittipaldi foi o grande impulsionador da paixão brasileira pela F1, sendo o primeiro responsável por colocar o país na lista de vencedores. Estávamos em 1970, no GP dos EUA. Dois anos depois o primeiro título pela mão do mesmo homem. O Brasil começou a exportar grandes talentos que se destacaram para além de Fittipaldi. O fogoso Piquet mostrou a chama latina em pista e Ayrton Senna trouxe uma dimensão ainda maior à paixão brasileira (e portuguesa) pela F1.

O Brasil ocupa o 3º lugar na lista de países com mais vitórias na F1, com 101, atrás da Alemanha (173) e da Grã-Bretanha (266). É também o 3º país com mais poles (126) e o 4º com mais pódios (293). O Brasil tem 8 títulos mundiais.

A crise vive-se também fora da pista, com os rumores a não realização do GP do Brasil a surgirem com mais frequência. Mas Interlagos é daquelas pistas que deveria ser obrigatória manter pela história e pela envolvência do público.

Qual o futuro do Brasil na F1? Para já é uma incógnita e os jovens talentos que começam a despontar estão ainda longe da F1 (Sérgio Sette Câmara, Pietro Fittipaldi, Enzo Fittipaldi, Matheus Leist, Pedro Piquet) e Nasr já mudou o seu foco para os protótipos. Mas faz falta o caráter, a postura e o talento típico do piloto brasileiro.

Fábio Mendes



FONTE PESQUISADA

MENDES, Fábio. F1: Que futuro para a língua portuguesa?. Disponível em: <https://www.motor24.pt/sites/autosport/f1-futuro-lingua-portuguesa/>. Acesso em: 14 de fevereiro 2018.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

‘Emerson botando fogo’: Relembre do teste de Senna na Indy, há 25 anos

Cleber Bernuci
21 Dezembro 2017 | 15h09
#FERA - esportefera.com.br

A quase bem-sucedida aventura de Fernando Alonso na Formula Indy, neste ano, nos fez lembrar de outra incursão de um piloto de Fórmula 1 na categoria norte-americana. Há 25 anos, Ayrton Senna deixava a F1 em choque e testava um carro da Indy pela primeira e única vez. Foi com a Penske, em dezembro de 1992, a convite de Emerson Fittipaldi, que Senna acelerou o PC-21 equipado com motor turbo Chevrolet e calçado com pneus Goodyear no curto circuito de Firebird, próximo a Phoenix, no Arizona.


Primeiro, o contexto. Senna estava profundamente descontente com a falta de competitividade da McLaren na Fórmula 1, com a dominância da Williams de suspensão ativa e repleta de controles eletrônicos, e com o fato de que sua equipe usaria motores Ford de segunda geração em 1993 com a saída da Honda da categoria. Por isso, o tricampeão estava livre, leve e solto no mercado – tanto que, no ano seguinte, correu a temporada com contratos assinados a cada corrida.

Assim, o teste de Senna na Indy era também uma forma de pressionar a própria F1, que acabara de perder uma de suas estrelas – Nigel Mansell, campeão antecipado de 1992 com AQUELA Williams, correria nos Estados Unidos pela Newman-Haas, onde acabou sagrando-se também campeão. A “pulada de cerca” de Ayrton visava mostrar à F1 que ela poderia perder seu principal piloto, bem como apertar a McLaren em busca de mais competitividade – e porque não, um salário mais alto.

Foi neste cenário que Ayrton aceitou o convite de Emerson Fittipaldi para testar com a Penske nos Estados Unidos. O jornalista Bruce Martin, da revista inglesa Autosport, falou com personagens daquele dia frio no Arizona para relembrar, 25 anos depois, daquilo que poderia ter sido caso o brasileiro ficasse para correr na ascendente Fórmula Indy.




O jovem canadense Paul Tracy, que fizera algumas etapas pela Penske em 1992, estava em estado de definição de seu contrato com a equipe para 93. Ele ainda não sabia se faria toda a temporada ou parte dela com o time. Como o próprio se recorda, ele já estava amarrado ao carro quando viu duas limousines chegando ao circuito. “O teste já havia iniciado. Estou nos pits e vejo as limousines chegando do lado de fora. O pessoal da equipe abriu os portões do circuito para que os carros entrassem, e achei aquilo muito estranho. Aí, saem Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna”, lembra.

“Senna trazia uma bolsa com seu capacete, no que pensei: ‘meu Deus, lá vamos nós’. A equipe tinha outro carro pronto para o teste. Eu estava pisando em ovos porque ainda não sabia se faria toda a temporada com a Penske. Havia alguns rumores circulando de que Senna iria assinar com a equipe e eu queria ver se ele iria entrar no carro”, contra Tracy.

Roger Penske, dono da equipe, conta como se deu o acerto para que Senna fizesse o teste. “Emerson me ligou e perguntou se Ayrton poderia experimentar o carro. Claro que aceitei na hora”, disse, lembrando que havia certo interesse do brasileiro em disputar as 500 Milhas de Indianápolis. Roger redigiu um contrato de uma página somente para o teste, Ayrton assinou e aí foi só vestir macacão e capacete para acelerar.

Abaixo, a matéria da Band cobrindo o teste de Ayrton.


Senna testou o carro da Indy antes mesmo que Mansell o fizesse – na mesma pista, aliás. O inglês já estava assinado, mas àquela altura ainda não havia experimentado o Lola-Ford da equipe.

Emerson foi primeiro à pista fazendo um teste de verificação dos componentes do carro. Depois disso, Senna estava livre para acelerar. Em matéria à Band, contou que precisou de umas dez voltas para aquecer os pneus corretamente, já que fazia muito frio na região à época. Os mecânicos, então, foram ao carro para ajustar a posição dos pedais para que Senna pudesse pilotar, já que Ayrton era mais baixo que Emerson. Já sentado, o tricampeão disse que não precisaria.


Rick Mears, que anunciara sua aposentadoria dias antes, esteve presente ao teste de Ayrton. “Era visível que ele estava à frente do carro, embora fosse um equipamento em que ele jamais havia andado antes, em uma pista que ele não conhecia. Lembro de vê-lo contornando a curva antes da reta, uma curva apertada e lenta à direita; ele entrou forçando, com o carro saindo de traseira e ele corrigindo de uma maneira que nos mostrou o tamanho de seu talento – não que ele precisasse nos provar nada”.

Mears conta, na reportagem, que o brasileiro era um sujeito legal, quieto, e com os pés no chão. E conta da alegria de Ayrton a ter o carro nas mãos. “Lembro dele falando dos carros de Fórmula 1 com os paddleshifts (borboletas de troca de marcha atrás do volante), e suspensão ativa. E ele disse ‘isso é legal, eu posso pilotar o carro novamente'”.


Ayrton Senna completou cerca de 15 voltas com o Penske-Chevrolet, anotando sua melhor volta em 49,09 segundos, um tempo 0,61 segundo mais rápido que o de Emerson, que pilotara pouco antes. O recorde de Fittipaldi naquela pista, com aquele carro, era de 48,5 segundos.

Segundo a equipe, a reunião de depois do teste, com os engenheiros, foi mais uma prova da maestria e do talento do brasileiro. “O debrief foi fascinante, porque ele identificou de cara as forças e as fraquezas do carro, coisas com as quais tivemos de lidar durante toda a temporada”, lembra Chuck Sprague, chefe da equipe. “Ele elogiou os freios, gostou do câmbio manual e disse que no geral era um carro muito equilibrado. Logo de cara, Ayrton estava confortável e integrado ao carro – e é o que se espera quando um cara desse naipe senta em um carro de corrida”, aponta.


O chefe dos mecânicos, Rick Rinaman, também se impressionou com o feedback de Senna. “O que mais me lembro foi dele falando quando a aerodinâmica do carro parava de fazer efeito, em que ponto da pista, e não só sobre as asas, mas também da parte de baixo do carro. Aquilo foi incrível, porque não era o tipo de coisa que estávamos acostumados a ouvir”.

Roger Penske também foi um dos que se impressionou. Confira recente entrevista do dono da equipe ao canal Senna TV:


Ayrton Senna gostou. E mostrou ter feito acordar dentro de si a paixão pelas corridas, arrefecida com o carro pouco competitivo que teve em 1992, com poucas chances contra equipes mais fortes. “Carro de corrida é uma droga no sangue da gente. Quando ligaram o motor eu lembrei da época dos turbo que tínhamos na F1, então o vírus acordou dentro de mim, porque ele estava meio adormecido”, contou, em entrevista à repórter Silvia Vinhas, que acompanhou o teste. “Depois, vendo o Emerson andar, o tesão fica muito grande pela coisa, e depois de experimentar o carro, a sensação foi ótima”, disse Senna, ressaltando que a pista era lenta e que o carro funciona de uma maneira bastante particular à que ele estava acostumado na Fórmula 1.

O brasileiro ainda passou mais uns dias com a Penske e acompanhou um teste de Emerson no oval de Phoenix, no mesmo estado. Foi oferecida a chance de pilotar no oval, mas ele declinou dizendo que queria ver mais antes de tentar. Acabou não tentando.


No dia do teste, Emerson já sabia da importância do que acabava de acontecer. “Para nós, é um dia histórico. O Ayrton gostou muito. Mais dia, menos dia, ele vai estar aqui conosco”, disse à Band. “O Emerson ficou botando fogo para eu vir. Estava tranquilo no Brasil, curtindo meu jet-ski na praia. Um dia vou guiar esse carro. É só uma questão de tempo. A gente só tem de esperar o momento e a oportunidade certa”, afirmou Senna.

Antes de ir embora, Ayrton agradeceu e cumprimentou cada um dos integrantes do time pessoalmente. O resto da história, todos sabemos. Roger Penske lembra da felicidade de ter um ícone do automobilismo em um de seus carros – ao lado de outro ícone, Fittipaldi. A pergunta que ficou foi se Senna chegou perto de assinar um contrato para correr com a Penske na Fórmula Indy. “Nunca saberemos. Ficamos muito felizes de tê-lo em nosso carro. Uma pena que ele nunca chegou a correr conosco”, diz Penske. Alívio para Paul Tracy.

Pena que nunca aconteceu.



FONTE PESQUISADA


BERNUCI, Cleber. ‘Emerson botando fogo’: Relembre do teste de Senna na Indy, há 25 anos. Disponível em: < http://esportefera.com.br/blogs/p1-nas-pistas/emerson-botando-fogo-relembre-como-foi-o-teste-de-ayrton-senna-na-indy-25-anos-atras/>. Acesso em: 22 de dezembro 2017.


sábado, 30 de setembro de 2017

O Globo: Senna Não Crê na Volta de Emerson à F-1 03 02 1984

Ayrton Senna(E), piloto da equipe BanerjTranzero de Fómula Ford 2.000, recebe um troféu das mãos de Robert Gerrety







FONTE PESQUISADA

GLOBO - Senna não crê na volta de Emerson à F-1. O Globo, 03 de Fevereiro de 1984, Matutina, Esportes, página 20. 

sábado, 26 de agosto de 2017

A Morte de Ayrton, Para a F1 e Para Mim

“Minha opinião é que, se não tivesse morrido, Ayrton poderia ter sido campeão em 1994, 1995 e 1996 e talvez até em 1997, superando os títulos ganhos por Michael”

N° Edição: 408 Texto: Emerson Fittipaldi 25/08/2017


Quando penso na morte de Ayrton e no fim de sua carreira na Fórmula 1, inevitavelmente penso em Michael Schumacher, que começava a fazer sucesso quando Ayrton foi morto. Hoje, Michael continua em recuperação depois de um acidente de ski em 2013. Rezo por ele sempre, espero que se recupere. Michael é, claro, o mais bem-sucedido piloto da história da F1, com sete títulos mundiais. Porém, se Ayrton tivesse sobrevivido sem sequelas ao acidente de Ímola em 1994, tenho certeza que teria sido campeão naquele ano, derrotando Michael. Afinal, o parceiro de Ayrton na equipe Williams, Damon Hill, quase levou o campeonato naquele ano – não fosse aquela questionável manobra de Michael em Adelaide, no fim da temporada, teria ganhado – e, nos GPs antes de Imola, Ayrton tinha sido muito mais rápido que Damon.

Muitos especialistas já disseram que Damon deveria ter ganhado em 1995 – mais uma vez, foi batido por Michael. E finalmente Damon foi campeão em 1996, derrotando Michael de forma limpa e inquestionável. Minha opinião é que, se Ayrton tivesse saído sem ferimentos do acidente em Ímola, teria conquistado o título pela Williams em todos esses anos – 1994, 1995 e 1996 –, o que resultaria em um total de seis títulos, contra cinco de Michael. Na verdade, também poderia ser campeão pela Williams em 1997, com 37 anos, no lugar de Jacques Villeneuve, chegando a sete títulos mundiais. Mas, como disse, essa é só minha opinião.

Isso é o que a morte de Senna significou para a F1. Mas o que ela significou para mim? Pergunta difícil, mas vou tentar responder. Penso em Ayrton todo dia. Como homem de fé, sinto a presença dele em minha vida, e ela me faz melhor. Quando vejo fotos dele, especialmente sorrindo, ouço sua risada. Quando assisto a vídeos dele pilotando um F1 – especialmente em Mônaco, onde superou em muito o que qualquer homem jamais havia feito lá, ou fez depois – sinto a mais genuína admiração. De fato, tinha um talento único. De fato, ele era brilhantemente rápido. De fato, jamais veremos alguém como ele.


Tenho uma história que resume bem Ayrton. Em 1992, eu o convenci a testar meu Penske da Indycar em Phoenix uma pista oval curta. Antes de ele pilotar, ele pediu para eu dar algumas voltas para ele observar de fora. Eu estava andando rápido, com médias acima de 274 km/h. De repente, no meio da Curva Dois, eu passando a oito ou dez centímetros do muro, ele enfia a cabeça por um vão da cerca, para ver melhor como eu saía da curva.

Quando voltei aos boxes, disse “Ayrton, você é louco! Eu podia ter arrancado sua cabeça! Você não sabe que nas pistas ovais da Indy sempre passamos lambendo os muros?” Ele não respondeu nada, mas, sempre quando lembro da conversa, vejo perfeitamente seu sorriso irônico, escuto perfeitamente sua risadinha inconfundível.




FONTE PESQUISADA

FITTIPALDI, Emerson. A morte de Ayrton, para a F1 e para mim. Disponível em: <http://motorshow.com.br/a-morte-de-ayrton-para-a-f1-e-para-mim/>. Acesso em: 26 de agosto 2017.

domingo, 30 de abril de 2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

Três Gerações


Emerson Fittipaldi, Chico Landi e Senna (na foto, da esquerda para a direita) tiveram um encontro histórico no autódromo de Interlagos, em 1984, durante uma prova de Fórmula Ford. Landi foi o primeiro brasileiro a marcar pontos na Fórmula 1, no GP da Argentina de 1956; Emerson foi o primeiro brasileiro campeão da F-1, em 1972.


FONTE PESQUISADA

FOLHA DE SÃO PAULO - Três Gerações. Folha de São Paulo, São Paulo, 02 de maio 1994, Esporte, p. 11.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Senna Realiza Teste Secreto Com Carro da Penske em Phoenix


Sem fazer alarde, Ayrton Senna pegou um avião rumo ao Arizona em dezembro de 1992 para testar, em Phoenix, com o carro da Penske na Indy. E bateu o tempo do campeão Emerson Fittipaldi por meio segundo

RENAN DO COUTO, de São Paulo
WARM UP - grandepremio.uol.com.br
20/12/2016 08:00

Ayrton Senna não queria correr para a McLaren em 1993 — e um dos estágios da novela daquela intertemporada da F1 envolveu uma viagem para o deserto do Arizona em dezembro de 1992.
 
No dia 20 de dezembro, o tricampeão da F1 entrou no cockpit do carro que a Penske usava na CART para um teste secreto em Phoenix.
 
O arranjo para a atividade envolveu o bicampeão Emerson Fittipaldi, que corria para Roger Penske na época. E também marcou presença John Hogan, o homem que assinava o cheque da Marlboro tanto para a McLaren, quanto para a Penske.

Ayrton Senna testa carro da Penske em Phoenix, 1992 (Foto: Sutton)

 Se Senna não queria ficar na McLaren para 1993, também não queria ir para a Indy naquele momento. Era um plano para o futuro. De qualquer forma, a incerteza se dava porque a Honda havia deixado o time que dominou a F1 entre 1988 e 1991, e seria preciso utilizar motores comprados da Ford. O pacote dificilmente seria páreo para o da Williams Renault de Alain Prost — que havia bloqueado sua transferência para lá.
 
Senna observou Fittipaldi dar algumas voltas no oval antes de sentar para fazer seu treino no misto — Roger achava que seria melhor desta forma.
 
No misto, Emerson cravou sua melhor volta em 49s7. Senna, em seu primeiro contato com o carro, deu 28 voltas e cravou 49s25.

Ayrton Senna testa carro da Penske em Phoenix, 1992 (Foto: Reprodução)

 “Ele voltou para os boxes e disse ‘obrigado, aprendi o que eu precisava aprender’. Saiu do carro e foi isso”, conta o engenheiro Nigel Beresford. “Ele gostou bastante. Disse que ficou bastante impressionado com a aceleração. Não estava contente depois da primeira saída, mas na segunda foi muito rápido”, comentou Fittipaldi.
 
Naturalmente, a notícia vazou, causando ainda mais especulações a respeito do que Senna faria. Em 27 de janeiro, a Penske anunciou Fittipaldi e Paul Tracy como titulares. E, em 10 de fevereiro, a inscrição da FIA indicou Michael Andretti e Mika Häkkinen como os pilotos da McLaren. Mas, como se sabe, houve espaço para o retorno de Ayrton em 1993 e as últimas cinco vitórias de sua carreira.


FONTE PESQUISADA

Do Couto, Renan. Na Garagem: Senna realiza teste secreto com carro da Penske em Phoenix. Disponível em: <http://grandepremio.uol.com.br/indy/noticias/na-garagem-senna-realiza-teste-secreto-com-carro-da-penske-em-phoenix?cmpid=native-calhau>. Acesso em: 29 de janeiro 2017.














segunda-feira, 6 de junho de 2016

Sem Vitória há 2458 Dias, Brasil Passa a Amargar Maior Jejum do País na F1

Último triunfo do país foi há quase 7 anos, com Barrichello, em setembro de 2009. Jejum anterior durou da última vitória de Senna em 1993 até 1ª de Rubinho, em 2000

Por GloboEsporte.com
Rio de Janeiro
06/06/2016 07h58 - Atualizado em 06/06/2016 10h28

Rubens Barrichello venceu o GP da Itália de 2009 (Foto: Getty Images)

Nesta segunda-feira, 6 de junho, o Brasil passa a amargar seu maior jejum desde que começou a vencer na Fórmula 1, em 1970, com Emerson Fittipaldi. De lá para cá, foram 101 triunfos, o último deles, até o momento, no dia 13 de setembro de 2009, quando Rubens Barrichello cruzou a linha de chegada em primeiro no GP da Itália. Desde então, o "Tema da Vitória" nunca mais tocou. São quase 7 anos. Mais precisamente 2.458 dias. Período que passa a ser maior que o intervalo entre a vitória de Ayrton Senna no GP da Austrália em 7 de novembro de 1993 até o triunfo do próprio Rubinho no GP da Alemanha em 30 de julho de 2000, antigo maior jejum (2457 dias). Um intervalo grande e raro para um dos países de maior sucesso na categoria. Com mais de 100 triunfos e oito títulos mundiais, o Brasil está atrás apenas de Reino Unido (16 títulos e 248 vitórias) e Alemanha (11 títulos e 163 vitórias) na lista das nações de maior sucesso na F1.

Última vitória de Senna, no GP da Austrália de 1993 (Foto: Getty Images)

Primeira vitória de Rubens Barrichello, no GP da Alemanha de 2000 (Foto: Getty Images)


MAIORES JEJUNS DO BRASIL NA FÓRMULA 1:

2458 dias: Rubens Barrichello (GP da Itália 2009) - em andamento

2457 dias: Ayrton Senna (GP da Austrália 1993) - Rubens Barrichello (GP da Alemanha 2000)

1716 dias: Emerson Fittipaldi (GP da Inglaterra 1975) - Nelson Piquet (GP dos EUA 1980)

Atualmente, o país conta com dois representantes: Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber). A Williams não dá sinais de que pode vencer corridas este ano, muito menos a Sauber, que sequer pontuou. Por isso, o jejum tende a se estender, pelo menos, até o fim da temporada. Para 2017, a história pode mudar. Com novidades no regulamento, historicamente é uma grande oportunidade para a ordem de forças entre as equipes se alterar. Além disso, Massa e Nasr estão nos últimos anos de seus contratos e podem pintar em novos times.

No pior cenário possível, caso ambos não consigam vagas - o que não parece que acontecerá - aí a situação do país na F1 fica ainda mais complicada. Sem representantes na GP2, principal categoria de base, as promessas brasileiras mais próximas de chegar à categoria são Pedro Piquet e Sergio Sette Câmara (Fórmula 3 europeia), e Pietro Fittipaldi e Bruno Baptista (Fórmula V8 - antiga F-Renault 3.5). Os quatro, no entanto, ainda possuem poucos anos de experiência em monopostos e não devem chegar à F1 antes de 2018.

Última vitória de Felipe Massa na Fórmula 1 foi em Interlagos, em 2008 (Foto: AFP)

 Emerson Fittipaldi conquistou as primeiras vitórias do Brasil na Fórmula 1 (Foto: Getty Images)

HISTÓRIA DE VITÓRIAS E TÍTULOS:

O Brasil demorou a começar a vencer. Quem abriu as portas foi Emerson Fittipaldi, no GP dos EUA de 1970. Era o início de uma Era de Ouro para o automobilismo no país. Dali até 1993, poucos foram os anos que o país passou em branco. Emmo não venceu em 1971, mas voltou a subir ao alto do pódio no ano seguinte, quando conquistou seu primeiro título. Ele venceu pelo menos uma corrida por temporada até 1975, ano que contou também com o triunfo de José Carlos Pace em Interlagos. Quando Fittipaldi, já bicampeão mundial, foi para a Coperscuar, em 1976, veio o primeiro grande jejum do país. Foram cinco anos até surgir outra grande estrela: Nelson Piquet. O carioca crescido em Brasília debutou em 1978 e levou a primeira em 1980. Tomou gosto pela coisa e virou frequentador assíduo do topo do pódio, sendo campeão de 1981 e 1983 com a Brabham.

José Carlos Pace conquistou uma vitória na Fórmula 1, no GP do Brasil de 1975 (Foto: Reprodução)

Em 1985, passou a dividir as atenções com um jovem promissor que viria a ser mais um gigante brasileiro das pistas, Ayrton Senna. Nos dois anos seguintes, Nelsão, tri em 1987, seguia como o presente e Senna como o futuro do Brasil na categoria. A transição veio em 1988. Já na McLaren, Ayrton passou a ser a estrela maior, com dezenas de vitórias que culminaram nos títulos de 1988, 1990 e 1991, enquanto os triunfos de Piquet passaram a ser mais espaçados até a aposentadoria. Vale lembrar que no fim de 1990 e no início de 1991, a dupla emplacou uma série de sete vitórias consecutivas para o Brasil. Senna ainda continuou vencendo por mais duas temporadas. Foram nada menos que 14 anos seguidos com pelo menos uma vitória brasileira de 1980 a 1993.
José Carlos Pace conquistou uma vitória na Fórmula 1, no GP do Brasil de 1975 (Foto: Reprodução)

A sequência foi interrompida na fatídica temporada de 1994. Sem Piquet, já aposentado, o Brasil perdeu também Senna, vítima do trágico acidente em Ímola. A esperança da torcida para que fosse dada sequência ao período de ouro caiu precocemente nos ombros de Rubens Barrichello, ainda um jovem de 22 anos, em sua segunda temporada, guiando pela modesta Jordan. Após alguns anos na Stewart, Rubinho entrou no hall dos vencedores em 2000, com a Ferrari, em um emocionante GP da Alemanha onde largou em 18º.

Ayrton Senna em vitória no GP do Brasil de 1993 (Foto: Edu Garcia / Ag. Estado) 

Barrichello passou em branco em 2001, mas venceu mais oito provas entre 2002 e 2004. Em 2006, deu lugar ao compatriota Felipe Massa na Ferrari. E Massa deu sequência à tradição de vitórias brasileiras na F1. Foram 11 até 2008. A última, até o momento, foi naquele histórico GP do Brasil, quando cruzou a linha de chegada como campeão mundial, mas viu Lewis Hamilton ficar com o título após passar Timo Glock nas últimas curvas. De lá para cá, Massa não venceu mais. Seu jejum é maior do que o do país, pois em 2009 Rubinho, com o "cometa" Brawn GP, venceu mais duas.

De lá para cá, outros pilotos do pais, como Bruno Senna, Lucas di Grassi e Nelsinho Piquet também correram na F1, mas apenas Felipe Massa competia em uma equipe forte. Ele, porém, teve poucas oportunidades de vitória. Quem dava as cartas na categoria era a RBR. Em 2014, Massa seguiu para a Williams e voltou a ser competitivo, mas a soberania hoje em dia é da Mercedes. Atualmente, além de Massa, o Brasil conta com a presença de Felipe Nasr. Porém, se a Sauber tem dificuldades até de marcar pontos, a vitória ainda segue um sonho muito distante para o jovem de 23 anos.

Felipe Nasr e Felipe Massa são os representantes do Brasil na Fórmula 1 atualmente (Foto: EFE)



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GLOBO ESPORTE - Sem vitória há 2458 dias, Brasil passa a amargar maior jejum do país na F1. Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2016/06/sem-vitoria-ha-2458-dias-brasil-passa-amargar-maior-jejum-do-pais-na-f1.html>. Acesso em: 06 de junho 2016.