Mostrando postagens com marcador Adriane Desprezada Pela Família Senna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Adriane Desprezada Pela Família Senna. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de março de 2024

Adriane Galisteu Fora da Série Senna da Netflix


"A Netflix está prestes a lançar uma produção dedicada a Ayrton Senna, e a figura de Adriane Galisteu também estará presente [Só que não!]. A atriz Julia Foti dará vida à PERSONAGEM INSPIRADA na apresentadora, embora seu NOME NÃO SEJA MENCIONADO na obra." 


Fonte: Natelinha, natelinha.uol.com.br, 29/03/2024

O medo dessa família de perder a herança é grande, da Adriane reivindicar essa herança, mesmo passados 30 anos da morte dele. 

Vai ser muito estranho não ver o nome da Adriane Galisteu ser mencionado nessa série. Ela é o que, indigente? Não vai dar para sentir que é ela. Podem colocar todas as roupas dela, acessórios, tudo que remeta a ela (se é que acontecerá isso), ainda assim, para mim essa personagem não será ela Adriane jamais. Agora entendi tudo. Por isso Adriane não foi procurada. 

Já a personagem da Xuxa vai ter nome, sobrenome, endereço, CEP,... cenário e nave espacial do programa dela (sim, li que terá!).



FONTES PESQUISADAS

NATELINHA - Adriane Galisteu responde se marido tem ciúmes de Ayrton Senna. Disponível em: <https://natelinha.uol.com.br/famosos/2024/03/29/adriane-galisteu-responde-se-marido-tem-ciumes-de-ayrton-senna-209746.php#:~:text=A%20Netflix%20est%C3%A1%20prestes%20a,n%C3%A3o%20seja%20mencionado%20na%20obra.>. Acesso em: 30 de Março de 2024.

DUGAICH, Mayra. 'Senna': Netflix reproduz cenário de Xuxa para momento icônico da série. Disponível em: <https://www.terra.com.br/diversao/entre-telas/senna-netflix-reproduz-cenario-de-xuxa-para-momento-iconico-da-serie,606436347b621406d9fc4c0abc102bc8lqfyef1m.html>. Acesso em: 30 de Março de 2024.

sábado, 29 de julho de 2023

Adriane Galisteu Viveu Grande Humilhação no Velório de Senna Após Ser Ofuscada Por Xuxa

Adriane Galisteu, sozinha no velório de Ayrton Senna
Foto: revista argentina El Gráfico

Adriane Galisteu viveu um drama terrível no velório de Senna pois, mesmo ela sendo namorada do piloto na época, foi excluída pela família dele

Por: Marcela Carvalho

29 jul 2023 - 19h19

Terra - terra.com.br

As novas revelações de Viviane Senna no episódio desta semana de Xuxa, o documentário, criaram um verdadeiro rebuliço nas redes sociais, pois a obra mostrou que a família de Ayrton Senna sempre preferiu Xuxa Meneghel.

Mesmo separados há mais de um ano no momento da morte do piloto [Correção: Xuxa e Senna estavam separados há 3 anos, antes da morte dele], a eterna 'Rainha dos Baixinhos' foi tratada como a real 'viúva' durante a despedida do famoso. O caso gerou repercussão porque na época ele namorava Adriane Galisteu, que não teve papel de destaque no funeral. 

"A Xuxa sempre teve esse vínculo conosco. Tanto é que foi supernatural ela ir pra nossa casa, dormiu lá, o pouco que a gente dormiu naquele momento. Pessoas que tem um vínculo profundo, a gente sabe quanto tem. A gente sabe, a gente intui", explicou Viviane Senna no terceiro episódio do documentário.

Comentário do Blog: É mentira da Viviane Senna. Xuxa não era amiga da família. Foi ser no dia do funeral, quando ficou no lugar de destaque, este lugar que pertencia a Adriane Galisteu, junto à família, no posto de viúva. Viviane e Xuxa nunca foram amigas antes desse dia. Não tinham contato algum.

No velório, a modelo viveu uma situação inusitada. Quando chegou para se despedir do namorado, Adriane Galisteu foi obrigada a sentar ao lado de Xuxa. Ao notarem o constrangimento, a família de Senna retirou Xuxa. Após o enterro do corpo do piloto, mais uma humilhação: Galisteu foi retirada do carro da família, enquanto Xuxa entrou no mesmo veículo com Vivianne Senna, outra das irmãs do piloto. Ela dormiu na casa da família e recebeu todo o carinho no momento difícil. Enquanto isso, a modelo, que tinha apenas 21 anos na época, deixou o local a pé.

Veja as fotos de arquivo da Caras no dia do velório de Ayrton Senna:

Viviane Senna de mãos dadas com Xuxa Meneghel no enterro de Ayrton. A família do piloto amparou Xuxa.
Foto: Mais Novela

Agora dessa vez, Xuxa de mãos dadas com a filha de Viviane Senna, Bianca Senna
Foto: Mais Novela


FONTE PESQUISADA

CARVALHO, Marcela. Adriane Galisteu viveu grande humilhação no velório de Senna após ser ofuscada por Xuxa. Disponível em: <https://www.terra.com.br/diversao/gente/adriane-galisteu-viveu-grande-humilhacao-no-velorio-de-senna-apos-ser-ofuscada-por-xuxa,8a6d94ddda87aed3c58879a1825d4e32rc3xeyhu.html>. Acesso em: 29 de Julho de 2023.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

"A família de Ayrton tinha certeza do amor dele por Adriane, e que ele ia casar com ela. Por isso humilharam ela depois da morte dele." J.N.

"A família de Ayrton tinha certeza do amor dele por Adriane, e que ele ia casar com ela. Por isso humilharam ela depois da morte dele." J.N.

Sim, exatamente, tem um livro que fala sobre isso. Disse que a preocupação da família era que ele casasse de repente com Adriane e então seria tarde demais para eles fazerem algo a respeito.

*O livro citado é o The Life of Senna.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os últimos dias no Algarve



26 de abril de 1994, 16h00. Um helicóptero levanta do Aeródromo de Tires. A bordo, Ayrton Senna acena simpaticamente para a câmara de filmar. José Pinto, jornalista da RTP requisitara um helicóptero a um amigo para filmar a participação de Senna na gravação de um spot publicitário para a Sega. «Mantínhamos uma boa relação e disse-me porque é que eu não aproveitava e ia com ele no seu avião para Imola. Já tinha tudo tratado com as viagens da RTP e acabei por recusar», recorda o comentador de F1 e autor dos programas «Rotações» e «Máquinas».

O helicóptero de Ayrton Senna levava-o de volta ao Algarve, à sua Casa da Quinta do Lago, condomínio de luxo que André Jordan criara uns anos antes e onde Ayrton podia gozar da privacidade, do contacto com a natureza e do clima ameno para fazer o seu escrupuloso jogging. A casa da Quinta do Lago, avaliada atualmente em dez milhões de euros, era uma espécie de réplica europeia da sua casa em Angra dos Reis.

Ao contrário do que era habitual, Ayrton passava cada vez mais tempo no Algarve, sob os cuidados da fiel Juracy, que lhe preparava as lendárias canjas de galinha, cuidava da casa e do jardim e ainda lhe servia de competente motorista. Tudo aquilo que Ayrton chamava de «dieta espiritual» e que lhe permitia descomprimir como em nenhum outro lugar.

Ayrton parecia fugir da pressão familiar, que aumentava à medida que a sua relação com Adriane Galisteu parecia evoluir para coisa mais séria. Apenas a mãe, Neyde, parecia aceitar a relação com a plebeia de São Paulo.



Já que Ayrton se refugiava na Europa, a pressão familiar decidiu vir ter com ele, sob a forma do seu irmão Leonardo, que iria acompanhá-lo ao GP de São Marino – talvez uma das razões pelas quais Ayrton preferiu que Adriane fosse esperar por ele ao Algarve, evitando conflitos e a exposição da sua vida privada no paddock de línguas afiadas.



Ayrton estava certo. A missão do seu irmão Leonardo era convencê-lo de que aquela relação com Adriane era um erro. Naquela noite, durante o jantar preparado por Juracy, os dois irmãos discutiram, o que deixou Ayrton perturbado e irritado – ele não conseguia entender a animosidade da sua família com Adriane. O que fizera soar os alarmes fora um Fiat Uno prateado que Ayrton oferecera a Adriane e que despoletou no pai Milton uma preocupação explicada por António Almeida Braga, o Braguinha: «O Miltão achava que todo o mundo que se aproximava do Ayrton tinha interesses, queria tirar vantagens. Bastava um relacionamento durar mais para ele não gostar.» Agora sabemos de quem Ayrton herdou o seu caráter desconfiado.

No dia seguinte, 27 de abril, uma quarta-feira, Ayrton acordou mais bem disposto, apesar da hora madrugadora. Senna gostava de dormir 10 a 12 horas quando não estava nas corridas – aí não dormia mais de quatro horas.

Na sua espaçosa suíte no Algarve não podia entrar nem um ponto de luz. Ayrton sofria de fotofobia e tivera de ser a própria Juracy a isolar milimetricamente todas as fontes de luz que pudessem perturbar o sono do seu patrão. Ayrton não ficou totalmente satisfeito, porque descortinou um minúsculo ponto de luz pelas frestas do armário. Em entrevista a Monica Bergamo da revista Playboy, Ayrton confessou que costumava ser assaltado por um sonho: «Por vezes sonho que tenho um acidente, outras que estou oferecendo um bouquet de flores para a minha namorada». 

Naquela manhã solarenga, Senna acordou bem disposto e disse a Juracy: «Já viu como a vida é bela quando a gente se sente bem?». Depois de tomarem o pequeno-almoço no terraço junto à piscina, ele e o seu irmão foram conduzidos por Juracy até ao Aeroporto de Faro. Na pista, o comandante Owen O ´ Mahoney esperava por ele com o seu BAe HS125 jet, o jato particular que naquele dia o iria a levar a cruzar os céus de meia europa num autêntico air show de compromissos comerciais. Primeira escala em Munique para uma reunião com executivos da Audi, para discutir os pormenores do negócio que pretendia tornar a empresa de Senna a representante da marca alemã no Brasil. Depois do almoço, o comandante acionou os motores do jato e levantou voo. Próxima escala, Aeroporto de Forli, próximo de Bolonha. Owen O ´ Mahoney, que achara o seu patrão particularmente sorumbático naquele dia, despediu-se com o a habitual saudação antes de cada Grande Prémio: «Eu fiz o meu trabalho agora é a sua vez». Seria a última vez que faria aquele cumprimento.

Dali, Ayrton partia num helicóptero para Pádua, onde estaria presente no lançamento de uma nova bicicleta em fibra de carbono da marca Carraro com o logótipo do duplo esse de Senna.

Na conferência de imprensa que se seguiu à apresentação da bicicleta foi instado a comentar a vantagem da Benetton e de Michael Schumacher naquele início de campeonato, que Ayrton Senna desconfiava ser fruto de uma ilegalidade com o sistema de tração do Benetton:« É difícil falar de algo que não podemos provar.»

As desconfianças públicas de Ayrton Senna deviam-se ao péssimo arranque de temporada da Williams, contrastando com a eficácia da Benetton. Cumpridas que estavam duas provas do mundial – Brasil e GP do Pacífico em Aida –, Ayrton ainda não havia somado qualquer ponto, abandonando nas duas corridas, enquanto Schumacher somara duas surpreendentes vitórias.

Neste momento, e como noticiava o Autosport inglês, o campeonato estava «Michael 20 – Ayrton 0».

Senna, que tanto lutara para chegar à Williams, estava agora no centro da panela de pressão e afirmava que o campeonato iria começar em Imola, palco da terceira prova daquele mundial de 1994.

Os problemas da Williams manifestaram-se logo desde os testes de inverno no Paul Ricard e no Estoril, que levaram Ayrton a confessar aos seus amigos mais próximos: «Este carro é uma merda».

Com efeito, a Williams perdera a sua vantagem baseada na eletrónica, porque a FIA havia banido todos os dispositivos que haviam dado a ponta do pelotão tecnológico à equipa de Didcot – suspensão ativa, controlo de tração, ABS, etc. Numa tentativa de travar a escalada tecnológica e devolver ao piloto o papel principal na F1, a FIA acabara de criar sérios problemas às equipas e aos pilotos. As primeiras foram obrigadas a um retrocesso tecnológico que, em última análise, comprometia a segurança. Os segundos tiveram de adaptar de novo a sua técnica pilotagem a carros que dispensavam ajuda eletrónica.

Mas mesmo um piloto com as extraordinárias qualidades e capacidade de adaptação de Ayrton se via a braços com um carro «mal nascido». O chassis do Williams FW16, supervisionado por Patrick Head, era instável e difícil de controlar e o pacote aerodinâmico, desenvolvido por Adrian Newey, estava longe de poder disfarçar as imperfeições do conjunto.

Nem mesmo o poderoso motor V10 da Renault, o mais potente de todos os carros da F1, conseguia dar ao FW16 um temperamento vencedor. A Williams estava consciente das deficiências do seu monolugar e na fábrica testavam-se afincadamente novas evoluções que permitissem a Ayrton Senna diminuir o fosso que o separava do Benetton de Michael Schumacher. Além da fraca competitividade do seu carro, Ayrton estava seriamente desconfiado da legalidade do Benetton.

No paddock circulava o rumor de que a equipa italiana estava a utilizar um sistema de controlo de tração no motor, que ficava à margem das regras impostas pela FIA no início daquele ano. Ayrton ligava várias vezes ao seu antigo rival Alain Prost, fazendo queixas da Williams e manifestando a sua desconfiança com a superioridade do Benetton: «Naqueles dois ou três meses antes de Imola, o comportamento do Ayrton comigo mudou radicalmente. Eu deixara de ser uma ameaça, agora era seu confidente. Ligava-me várias vezes e ficávamos falando imenso tempo. Ele estava preocupado com o Williams e com a segurança na F1, queria que eu integrasse uma comissão de pilotos para as questões de segurança», explicou o francês, em entrevista a uma série da BBC dedicada a lendas da competição automóvel.

Às 17h30 daquele dia 27 de abril, depois de terminar os seus compromissos comerciais em Pádua, Ayrton Senna apanhou de novo o helicóptero, agora com destino ao circuito de Imola, onde aterrou por volta das 18h00. Foi de imediato às boxes da equipa Williams, onde cumprimentou, como sempre, todos os membros da equipa.

Esteve alguns minutos à conversa, desta vez não com Giorgio Ascanelli, o seu engenheiro de pista da McLaren, mas com David Brown, que tinha as mesmas funções na Williams. Ayrton queria inteirar-se das evoluções que a equipa trazia para Imola e que testara no início da semana em Nogaro com o seu companheiro de equipa, Damon Hill.

Além de novos acertos aerodinâmicos, os engenheiro da Williams elevaram a posição do volante, o que obrigava os pilotos a expor mais os seus ombros, conforme depois notaria Emerson Fittipaldi.

Ayrton estava preocupado e sabia que apesar de o campeonato ainda estar na sua fase inicial, a vantagem de Schumacher era já preocupante. Senna queria acreditar que Imola iria marcar o ponto de viragem daquele campeonato, mas não estava muito confiante: «O carro é muito difícil de guiar, é tão duro que qualquer ondulação do piso faz ele saltar.»

O Autódromo Enzo e Dino Ferrari, perto da cidade de Imola, a quatro quilómetros da cidade de Bolonha e a 80 quilómetros da sede da Ferrari, em Maranello, era justamente considerado a «casa» da Ferrari e um dos mais perigosos e traiçoeiros circuitos do mundial. Ao contrário da maioria dos circuitos, este corria-se em sentido inverso aos ponteiros do relógio. Era um circuito de média-alta velocidade, com um ponto muito perigoso: a curva Tamburello.

Era uma curva de alta velocidade, normalmente feita de acelerador a fundo, com o ponteiro dos conta-quilómetros a passar dos 300 km/ h. As pequenas ondulações e ressaltos aconselhavam a que a suspensão fosse regulada com maior distância ao solo e que o apoio aerodinâmico fosse mais incisivo. O problema é que essa afinação mais segura para Tamburello iria penalizar o comportamento do monolugar nas zonas mais rápidas do circuito, fazendo-o perder velocidade de ponta e, logo, tempo, o bem mais precioso da Fórmula 1. Mas o principal problema da curva era a sua exígua escapatória, tendo em conta a velocidade que os carros atingiam naquela zona.

As dezenas de metros de brita não eram suficientes para travar embates com o muro de betão, conforme tão amargamente experimentara Gerhard Berger em 1989, quando o seu Ferrari embateu no muro e se incendiou. O austríaco foi retirado do carro em chamas e sobreviveu ao terrível acidente. No ano seguinte, ele e Ayrton Senna fizeram uma vistoria a pé à fatídica curva, na tentativa de identificar uma solução que permitisse torná-la mais segura. Quando espreitaram para lá do muro de betão, viram que por ali passava um ribeiro. Não havia nada a fazer e os dois amigos conformaram-se com a inevitabilidade daquele perigo que continuariam a desafiar todos os anos.

Depois de partilhar uma macarronada com alguns jornalistas brasileiros na motorhome da Williams, Ayrton Senna dirigiu-se ao Castello, o hotel onde habitualmente se hospedava desde os tempos da McLaren na pequena estância termal de Castel San Pietro. À sua espera, atempadamente reservado, o quarto número 200. Ayrton era um animal de hábitos e gostava de jantar nos mesmos restaurantes de sempre e ficava quase sempre nos mesmos hotéis. Gostava desta familiaridade, ainda que fictícia. Naquela noite, depois de jantar com o irmão Leonardo, com o seu empresário Julian Jakobi, com o seu amigo e preparador físico Josef Leberer, com o seu compagnon de route António Almeida Braga e com outros amigos brasileiros, igualmente hospedados no hotel, Ayrton Senna retirou-se, cansado de um dia de frenéticas viagens. Ligou para Adriane, no Brasil, que preparava as malas para embarcar no dia seguinte para Lisboa.




FONTE PESQUISADA

PELEJÃO, Rui. A paixão de Senna. Edição 1. Editora Leya Portugal. S.A., julho de 2014. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Adriane Galisteu Descreve em Seu Livro a Ótima Relação Que Tinha Com a Família de Ayrton Senna

Ayrton Senna, Adriane Galisteu e Viviane Senna passeando de lancha por Angra dos Reis em 1994

Nossa primeira viagem internacional incluiu uma vitória, muita alegria e muito amor. Era hora de voltar à realidade - e, por mais que eu tivesse certeza de meu amor, não tinha a menor certeza de que realidade seria essa. Mas o próprio Béco - eu já podia chamá-lo assim, sem medo de parecer abusadamente íntima - me deu uma dica e uma lustrada na vaidade:
- Quero você sempre assim como você é.
- O que você quer dizer com isso? - vacilei.
- Por favor, não mude jamais. Se eu tivesse que lhe pedir alguma coisa, seria ser exatamente o que você é. Só não precisa tomar tanta Coca-Cola, freqüentar tanto McDonald's e, agora, falando sério, acho que você deveria estudar inglês.
Senti que estava implícito, ali, o convite para acompanhá-lo no circuito internacional. Foi o avião tocar o chão em Cumbica, dia 26 de maio, e eu corri para festejar com a minha melhor e mais incondicional confidente, minha mãe: - Foi um sonho!
Olhando com os olhos de hoje, entendo que houve uma conjunção favorável: meu primeiro giro no exterior com ele seria o mais gostoso de todos. Porque depois  as coisas se complicaram na pista, surgiram problemas na McLaren, as vitórias escassearam, a tensão cresceu e por mais que ele me pedisse, me implorasse, "me ajuda a separar minha vida profissional da minha vida pessoal", você sabe que nem sempre isso é possível.
- Quando estou com você, eu me esqueço dos problemas - recostava-se ele em mim. Da mesma forma, com ele eu me esquecia de meus problemas.
Minha carreira de modelo eu não tinha como abandonar. Contas a pagar, um reforcinho aqui e ali no orçamento doméstico da mamãe... Reapresentei-me na Elite e voltei à ciranda dos testes. Mas uma transformação tinha acontecido na minha vida. Definitivamente, mudei de turma.
Mesmo quando o Béco viajava sozinho, a negócio ou para correr, como aconteceu logo depois, no GP do Canadá, dia 13 de junho, era com o Leozinho Senna que eu ia jantar, com a patota de Angra, sob a estrita vigilância dos amigos dele, da velha camaradagem de Santana e da Vila Maria. Ao Léo, por exemplo, quantas vezes eu não emprestei meu ombro, para ele chorar suas dúvidas. Gosto ou não gosto da Luciana? (Luciana Sargologos, uma morenona imponente, tinha sido namorada dele por muitos anos.) Sentia-o completamente diferente do irmão. Mas gostava dele. E da Sonaly, outra modelo da Elite, um metro e oitenta de mulher que passou a acompanhá-lo em nossas jornadas de Angra. Era eu que fazia o supermercado, que ia ao Santa Luzia fazer as compras do apartamento da Paraguai. Léo e eu éramos confidentes. Para mim, nada melhor para definir uma genuína amizade. Aos 21 anos, já aprendi da vida que amizade é um produto muito mais raro do que parece ser.
Para nós, o que Angra era no Brasil, o Algarve era na Europa. Há dois anos e meio Ayrton fazia daquele cantinho ensolarado do sul de Portugal o seu mix de refúgio e escritório ao longo de toda a temporada européia - que, com uma ou outra alteração de calendário, coincidia com o período mais agradável de final de primavera, verão e comecinho de outono. De mais a mais, as férias escolares brasileiras, em julho, sempre davam chance para que a família, ou parte dela, se achegasse - como aconteceu em 1993. Pude curtir meus primeiros momentos de verdadeira  intimidade com a Zaza, mãe dele - a quem eu ainda tratava pelo cerimonioso "dona Neide". Intimidade é isso: café da manhã juntas, preparar na cozinha uma comidinha especial para o filho, sair às compras com ela e a Juraci, a caseira. Viver essas coisas banais do cotidiano. Viviane, a irmã mais velha de Ayrton, apareceu com as meninas, Bia e Paulinha. Bruno ficou com o avô na fazenda de Tatuí, treinando no seu kart.
Pude sentir, nas palavras trocadas à mesa ou à beira da piscina, o que o Béco significava para eles: o xodó, o filho vitorioso, o arrimo, o eixo, quase a motivação de cada uma daquelas vidas. Uma mulher a mais, uma namorada, seria sempre uma ameaça à ordem natural da rotina familiar, um perigo. Namoradinha, que fosse - mas  que não passasse daí. Isso eu vejo agora. Não pela cabeça naqueles dias, naquelas semanas. Eu só sabia repartir com eles, o Béco e a família, coisas boas.
Por exemplo, a vontade súbita de fazer umas comprinhas em outras cidades da Europa. O jato do Béco estava quase sempre disponível, nos intervalos entre as provas e lá fomos nós, a mãe, a irmã e as crianças para uma temporada de aquisições em Londres. Sendo que, uma tarde, saindo só nós duas, Bia e eu, ela simplesmente evaporou, dentro da Harrods. Eu, desesperada, descabelada, procurando. Nada. Perguntei por ela, no meu inglês estropiado. Nada. Fui até a porta. Nada. Meu desespero me obrigou  a uma última saída:
- Biiiiaaaaaa!
Dei um berro que toda a gigantesca loja de departamentos ouviu.
Inclusive ela, ainda bem. Calmamente, experimentava roupa num daqueles provadores.
Próxima escala: Paris. Desembarcamos no hotel e saímos em disparada, à procura de um táxi. Estava tudo estranhamente calmo. O porteiro nos deteve:
- Mesdames, vocês sabem que dia é hoje?
14 de julho, feriado nacional. Tudo fechado. E só tínhamos mais um dia. Saímos assim mesmo, lambendo as vitrines. Conseguimos descobrir duas lojinhas antipatrióticas: uma de perfumes, outra de cristais.
Béco foi nos encontrar lá, já a caminho dos testes do GP da Alemanha. Abriu nossos quartos e quase desmaiou:
- Vocês estão malucas?
Teve a pachorra de contar: 38 malas, para quatro mulheres. O paciente Mahonney conseguiu acomodá-las, todas, no avião. Posou, antes, para uma foto que mostrasse toda aquela bagagem. Simpaticíssimo personagem, do qual sentirei falta, o Mahonney. Lembro-me de que ele reclamava apenas de uma coisa: de tão próximo do Béco, nunca ninguém se lembrara de fotografá-los juntos, piloto e piloto. Soube, aliviada, que às vésperas do acidente fatal em Ímola a foto foi feita.



 **********************

Descemos. Esperava por mim um Uno Mille Electronic zero, prata, igualzinho ao que eu queria comprar. Com um buquê de rosas no capô e o detalhe da chapa: DRI 7770. Só faltava laçarote e papel celofane.

- Isso é um presente de agosto.
- Mas por que agosto? - estranhei. - Não é Dia dos Namorados, não é nada...
- Por isso mesmo: não tem data nenhuma. É um presente de agosto.
Enchi o Béco de beijos. Fiquei sem palavras. Entrei como louca no carro e corri para mostrar a minha mãe. Liguei também para a mãe dele:
- Ganhei um carro novinho.
- Ele me contou - disse a Zaza. - Vem cá que eu quero dar uma volta.
Zaza, Bia, a sobrinha mais velha, e eu, lá fomos nós - depois, jantamos todos no apartamento do Pacaembu. Nosso convívio na Europa me dava a idéia de fazer parte da família. A Bia - Bix, eu a chamava - era como uma irmã mais novinha. Passamos aquele fim de semana na fazenda de Tatuí e, na volta, acompanhei a Zaza ao shopping. Éramos confidentes de copa e cozinha, do tipo de ficar conversando enquanto se fazem as unhas. Tanto que, depois de levar o Béco ao aeroporto, no Mercedes dele, naquela noite de terça-feira, 24 de agosto, para Frankfurt e, de lá, para o GP da Bélgica, fiz o que achei mais natural: Eu fui dormir na casa dos pais dele, na cama dele.

 **********************

Senna foi buscar a mãe, a irmã e a namorada Adriane, que estavam em Paris, para levá-las para a casa que alugou em Fontveille, ao lado de Montecarlo. Amanhã, todos seguirão para o Algarve, em Portugal, onde o piloto ficará até a ida para Hockenheim, marcada para quinta-feira de manhã. (jornalista Celso Itiberê, jornal O Globo, 16 de julho de 1993)




 **********************

Natal, para mim, é um convite à tristeza. Desde que meu pai morreu, em 1989, era como se a festa não existisse. Ele faleceu em outubro, como eu já contei, numa  situação inesperada, de repente - e nossa casa nunca mais foi a mesma. Minha avó materna, Agnes, que morava ao lado, tipo da mulher determinada, uma fortaleza, ainda tentava levantar nosso astral, naquele dia de má memória, recorrendo a velhas receitas de rabanadas e pães húngaros rabiscadas em cadernos antiquíssimos - e, num ano do qual não me lembro, mamãe, que sempre foi mais desanimada que vovó, bem que preparou um peru recheado com farofa e ameixas. Mas a gente não cultivava o ritual da ceia. Era um jantar comum, quem quisesse se servir que se servisse e nada de árvore enfeitada, os presentes ficando esparramados por aqui e por ali. Cada um de nós buscava, no Natal, um certo recolhimento para cicatrizar a nossa grande ferida na alma que era a ausência prematura de papai.

Agora, porém, era diferente. Béco e eu voltamos da Europa, vivíamos sob o mesmo teto no apartamento da Rua Paraguai, compartilhávamos os mesmos amigos, saíamos para jantar invariavelmente juntos, éramos dois namorados na plena acepção da palavra - se não havia aliança de noivado, sobravam intimidades do tipo dormir na mesma cama na casa da mãe e do pai dele, no Pacaembu. Sentia, no íntimo, que ele até gostava de me mostrar um pouquinho. Meu Natal, portanto, seria com ele. Zaza, pessoalmente, reiterou o convite. Quatro ou cinco dias antes,  toda a família se deslocaria para a fazenda de Tatuí, e a festa teria o duplo sentido de celebrar a ceia com filhos, sobrinhos, genros, noras e de inaugurar o casarão novo, todo restaurado.
Árvore de Natal, presentes que se acumulavam ao pé do pinheiro, a expectativa da criançada, os passeios a cavalo por aquele paraíso, as nossas pescarias, as competições de kart na pista particular construída segundo o traçado de quem começara sua carreira ali, a torcida pelo sobrinho Bruno, filho da Viviane e promessa de campeão - naquela preguiça dos compridos cafés da manhã, de almoços deliciosos e cheios de falatório e de tardes iluminadas como aquela em que um fotógrafo italiano, conhecido do Ayrton, fez nosso ensaio amoroso que correu o mundo, resgatei um  pouco da alegria da data do nascimento de Cristo.
Eu me sentia absolutamente em família, com a primazia do lugar de honra ao lado do príncipe da casa. Nem mesmo àquelas eventuais alfinetadas que cheguei a ouvir, em relação a antigas namoradas de Ayrton, especialmente a mais famosa delas, eu quis atribuir alguma intenção malévola. Iludia-me com a idéia de que, no fundo, o que eles - elas, seria mais correto dizer - queriam era me agradar.
O casarão tinha cheiro de novo, entulho das últimas obras e um quarto feito sob medida para nós. Nosso quarto tinha espaço suficiente para resguardar a intimidade recíproca tanto quanto para atulhar os armários de creminhos, loções e lavandas. Como sempre, não estranhei cama ou ambiente, mas fui despertada de madrugada por uma algazarra monumental e pela ausência dele, a meu lado, na cama. Corri para a janela e assisti a uma cena que faria a delícia daquelas câmeras indiscretas de programas como o do Faustão - que, todo domingo, era também, de uma certa maneira, um bem-vindo hóspede nosso.

 **********************

Realmente uma pena! A Fazenda no interior de TATUÍ/SP, onde possuía uma verdadeira mansão,  não conseguiu aproveitar nada.. terminou de construir no final de 1993 e ele faleceu em maio de 1994...quem usufrui tudo lá hoje em dia é seu pai, já bem idoso e sozinho, pois os outros membros [da família] querem é estar em outros lugares. Deixou tudo para a família.. uma bela mansão e fazenda. (Sandra A., moradora de Tatuí, via redes sociais)


 **********************

Mais fotos de Adriane Galisteu com a família de Senna





 Ayrton Senna, Viviane Senna (irmã de Ayrton), Adriane e Bruno Senna (sobrinho) no GP Brasil 1994

Adriane e Ayrton em Hocknheim na Alemanha e atrás a sobrinha de Ayrton, Bianca e a mãe do piloto dona Neyde

Ayrton, Viviane, Bruno, Adriane e um funcionário da Williams no GP Brasil 1994

Ayrton Senna, Viviane Senna (irmã de Ayrton), Adriane e Bruno Senna (sobrinho) no GP Brasil 1994

Bruno, Adriane e Ayrton cavalgando na fazenda Tatuí em 1994


Bruno, Adriane e Ayrton cavalgando na fazenda Tatuí em 1994

Leonardo Senna (irmão de Ayrton), Ayrton Senna e Adriane Galisteu



Adriane, Leonardo (atrás) e Ayrton




*******************

MULHER IDEAL



Ayrton estava muito feliz com Adriane pois encontrou finalmente uma mulher que se mantivese ao seu lado nas viagens, se sentia solitário e já maduro, pelas entrevistas, falava de formar uma família e isso só seria possível ao lado de uma mulher disposta a renunciar muitas coisas, e ela deu essa prova de amor.

Marcia Lima, através do Youtube em 2016.




A chegada de Adriane a Portugal marcaria o início de um longo período vivendo juntos quando Ayrton não voltaria ao Brasil por seis meses, algo que ele nunca tinha feito antes. Provavelmente eles se casariam no fim desse período. - Tom Rubython, biógrafo de Ayrton Senna, em seu livro The Life of Senna.


"Ayrton realmente amava Adriane e ela não era mais uma garotinha na vida dele, como ele falou para pessoas chegadas..." - Francisco Santos, biógrafo de Ayrton Senna, em seu livro “Ayrton Senna Saudade”.

*******************

FONTES PESQUISADAS

GALISTEU, Adriane. Caminho das Borboletas. Edição 1. São Paulo: Editora Caras S.A., novembro de 1994. 

ITIBERÊ, Celso. Senna já se considera líder do mundial. O Globo, 16 de Julho de 1993, Matutina, Esportes, página 24.

RUBYTHON, Tom. The Life of Senna. 1º Edição Sofback. London: BusinessF1 Books, 2006.

SANTOS, Francisco. Ayrton Senna Saudade. Edição Brasileira. São Paulo: EDIPROMO, 1999.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Adriane Galisteu Recebeu um Tratamento Frio da Família de Ayrton Senna Logo Depois da Morte do Piloto




Trecho extraído do livro “The Life of Senna” escrito pelo jornalista britânico Tom Rubython

CAPÍTULO 32

Funeral em São Paulo

O longo adeus

O circo da Fórmula 1 deixou Ímola no domingo à noite e na segunda de manhã em transe. Para alguns, na semana seguinte haviam dois funerais pela frente. Quando Gerhard Berger chegou à sua casa na Áustria por volta das 21h do domingo, 1º de maio, ele se isolou. Ele estava sozinho em casa e não falou com ninguém, como ele se lembra: “Eu não falei com ninguém por dois dias. Eu olhava o telefone se enchendo de mensagens, mas eu não senti vontade de conversar com ninguém sobre isso, já que nada poderia mudar as coisas. Eu só queria passar algum tempo sozinho. Fiquei de fora das conversas por alguns dias e depois voei para o Brasil para o seu funeral. ”

Alain Prost queria comparecer ao funeral, mas não tinha certeza se deveria. Ele estava desesperadamente triste, mas também satisfeito por ter terminado a rivalidade com Senna antes de morrer. Ele lembrou: “Ayrton e eu tivemos uma história (rixa) tão longa que eu realmente não sabia como o povo brasileiro entenderia: eles ficariam chateados se eu fosse, chateados se eu não fosse, ou o que?” Prost voou de volta para Paris na noite do acidente e Jean-Luc Lagardère, o presidente da Matra, ligou para ele para perguntar sobre o acidente. A esposa de Lagardère era brasileira e Prost perguntou o que ele deveria fazer. Lagardère disse a ele que o povo brasileiro ficaria chateado se ele não fosse.

Julian Jakobi esperou até segunda-feira para voltar a Londres. Ele arrumou uma muda de roupa e depois voou direto para o Brasil para o funeral. Ele foi claro sobre o seu papel nos próximos dias: "Porque eu não era da família, mas eu tinha que manter a família (cuidar, ajudar, guardar a família). Então, a gente continuou, na verdade, com adrenalina e tudo mais ”.

Josef Leberer havia voltado para a Áustria naquela manhã. Ele planejava voltar junto com o caixão de Senna para São Paulo, mas não tinha certeza dos preparativos e esperou em casa por notícias.

Antonio Braga ficou em Bolonha para fazer os arranjos para devolver o corpo de Senna a São Paulo. As autoridades de Bolonha se recusaram a liberar o corpo imediatamente, insistindo em uma autópsia completa. Leonardo da Silva foi colocado no primeiro vôo de volta a São Paulo para estar com sua família. Sua dor era infinita, agravada pelo fato de que seu irmão tinha ido para o túmulo com os dois brigados por causa de Adriane (desentendidos / desentendimentos sobre Adriane).

Adriane Galisteu acordou na manhã de segunda-feira em transe. Ela dormira muito pouco. Quando ela abriu os olhos, não sabia se tinha tido um sonho terrível. Ela esperou e rezou que tivesse sido um sonho. Seu futuro estava em risco. Ela logo percebeu que era o pior tipo de realidade.

Na segunda-feira, o corpo de Senna foi transferido para a funerária de Bolonha, de acordo com a lei italiana. O necrotério estava cercado de fãs. O corpo de Roland Ratzenberger também estava lá, aguardando sua própria autópsia.

A casa de Braga em Sintra, Portugal, também foi cercada por repórteres, ansiosos por entrevistar Adriane. Imagens de fora da casa estavam sendo transmitidas ao Brasil. A mídia do mundo todo estava interessada na história, à medida que a enormidade do que aconteceu se instalou. Com a família imediatamente incomunicável, o foco estava todo na bela modelo loira de 21 anos, que, no que diz respeito à mídia, era efetivamente a viúva de Senna.

Quando Braga ligou a casa de Bolonha, Adriane disse que queria vir e ver o corpo de Senna. Ela disse a ele que sentia uma necessidade desesperada de evidências sólidas, ver com seus próprios olhos que ele estava morto.

Braga aconselhou-a que não o fizesse e achou improvável que ela fosse permitida. Ela aceitou o conselho dele, acreditando que ela seria capaz de vê-lo pela última vez em São Paulo antes do funeral. No Brasil era tradicional que o caixão ficasse aberto, ou pelo menos ter um tampo de vidro. O que ela não sabia era que o amasso na cabeça de Senna e a ferida causada pelo pedaço afiado de suspensão que havia penetrado no capacete eram desfigurantes. Especialistas em cosméticos se desesperaram em tentar fazer o rosto dele suficientemente bom. O caixão continuaria fechado.

Com o tumulto do lado de fora da casa, Braga aconselhou sua esposa Luiza que a melhor opção era organizar uma coletiva de imprensa improvisada na casa para a mídia e então eles iriam embora. Adriane concordou em fazê-la. Mas durante a coletiva de imprensa, Adriane recebeu algumas perguntas macabras, especialmente de jornalistas brasileiros que haviam ouvido falar sobre o rompimento com a família da Silva e estavam inseguros de seu status agora que seu namorado estava morto. Uma jornalista perguntou se ela tinha passagem de ida e volta para São Paulo e quem pagaria pela passagem. Adriane sentiu como se estivesse sendo vitimada por uma mídia hostil à procura de histórias exclusivas sobre o drama da morte de Senna. Ela não estava em condições de suportar isso.

Não era o caso de Miriam Dutra, que trabalhava para a TV Globo e fora enviada com urgência para cobrir a história. Dutra era muito simpática a Adriane, que estava claramente em grande angústia. Depois Adriane perguntou a Dutra se ela poderia ter todas as imagens do acidente que a TV Globo tinha. Ela queria ver tudo o que pudesse sobre o acidente.

A segunda-feira (Senna havia morrido no domingo) veio e foi para a adormecida (entorpecida) Adriane, e ela foi sedada para ajudá-la a dormir naquela noite. Os sedativos tiveram pouco efeito, já que Adriane ainda estava atordoada pelos acontecimentos.

Enquanto isso, Antonio Braga e Galvão Bueno tentavam desesperadamente organizar o retorno do corpo de Senna a São Paulo. Naturalmente a família queria que voltasse ao Brasil o mais rápido possível. Eles achavam que isso seria relativamente simples até que as autoridades italianas dissessem que a autópsia não aconteceria até terça-feira. O corpo seria libertado naquela noite.

Na manhã de terça-feira, Miriam Dutra recolheu a filmagem da corrida em vídeo VHS e no dia seguinte enviou-a por mensageiro a Adriane Galisteu em Sintra. Adriane sentou-se no sofá e ficou assistindo várias vezes, acompanhada pelas filhas de Braga, Maria e Joanna. Elas estavam obcecados em descobrir o motivo de seu acidente.

Adriane também telefonou para Angelo Orsi, o fotógrafo italiano que tirou fotos de Senna depois do acidente. Adriane sentiu uma necessidade desesperada de alguma prova física de que ele estava morto. Orsi conseguiu permissão da família para lhe enviar algumas fotos.

As autópsias de Senna e Ratzenberger ocorreram, como planejado, na manhã de terça-feira. Foi simples. As causas da morte não foram mais complicadas do que em qualquer vítima de acidente de trânsito.

Na hora do almoço, os corpos foram autorizados a serem removidos. Braga e Bueno trabalharam febrilmente nos preparativos para levar o corpo de Senna para casa naquele dia. Eles tinham duas opções: um voo direto com a Força Aérea Italiana ou via Paris com a Varig. Os italianos ficaram muito felizes em levar o caixão de volta para São Paulo.

No final, os pais de Senna decidiriam.

De volta a Sintra, Adriane sentia um vento frio da família Senna em São Paulo. Na segunda e na terça-feira, tentara telefonar para os pais de Senna. Ela foi informada pela empregada da família que ambos estavam sob sedação e não podiam ser perturbados. Depois de um tempo, isso a incomodou, e ela se perguntou o que ela tinha feito, especialmente porque compartilhara sua dor com Neyde no domingo. Na tarde de terça-feira, ela foi até (telefonou) o marido de Viviane, Flavio Lalli, que lhe disse que era uma situação muito difícil na casa da família e que ele estava tendo dificuldade em conversar com sua própria esposa, que se despedaçou ao ponto da falta de palavras. Lalli disse a ela que era impossível alguém ter qualquer tipo de conversa com Milton ou Neyde da Silva. Eles levaram a notícia pior do que qualquer outra pessoa. Os pais permaneceram sedados e virtualmente silenciosos, quase inconscientes do que estava acontecendo ao redor deles.


CHAPTER 32


Funeral in São Paulo
The long goodbye

The Formula One circus left Imola on Sunday evening and Monday morning in a daze. For some, in the coming week there were two funerals ahead. When Gerhard Berger reached his home in Austria at around 9pm on Sunday 1st May, he shut himself away. He was alone in the house and spoke to no one, as he remembered: “I didn’t talk to anyone for two days. I watched the telephone filling up with messages but I didn’t feel like talking to anyone about it as nothing could change things. I just wanted to spend some time alone. I stayed out of conversations for a few days and then flew to Brazil for his funeral.”

Alain Prost wanted to attend the funeral but he was not sure whether he should. He was desperately sad, but also pleased he had ended the feud with Senna before he died. He remembered: “Ayrton and I had such a history for so long that I didn’t really know how the Brazilian people would perceive it: would they be upset if I went, upset if I didn’t go, or what?” Prost flew back to Paris on the evening of the accident and Jean-Luc Lagardère, the chairman of Matra, called him to ask about the accident. Lagardère’s wife was Brazilian and Prost asked him what he should do. Lagardère told him the Brazilian people would be upset if he didn’t go.

Julian Jakobi waited until Monday to fly back to London. He packed a change of clothing and then flew straight out to Brazil for the funeral. He was clear about his role in the coming days: “Because I wasn’t family, but I had to keep the family going. So one kept going, really, on adrenalin and everything else.”

Josef Leberer had driven home to Austria that morning. He planned to return with Senna’s coffin to São Paulo but was unsure of the arrangements, and waited at home for news.

Antonio Braga stayed in Bologna to make the arrangements to return Senna’s body to São Paulo. The Bologna authorities refused to release the body immediately, insisting on a full autopsy. Leonardo da Silva was put on the first flight back to São Paulo to be with his family. His grief was unbounded, made worse by the fact that his brother had gone to his grave with the two on bad terms over Adriane.

Adriane Galisteu woke up on Monday morning in a daze. She had slept very little. When she opened her eyes, she was unsure whether she had had a terrible dream. She hoped and prayed it had been a dream. Her future hung in the balance. She soon realised it was the worst kind of reality.

On Monday Senna’s body had been moved to Bologna’s mortuary in accordance with Italian law. The mortuary was surrounded by fans. The body of Roland Ratzenberger was also there, awaiting its own autopsy.

The Braga house in Sintra, Portugal was also surrounded by reporters, anxious to interview Adriane. Pictures from outside the house were being broadcast back to Brazil. The whole world’s media was interested in the story, as the enormity of what had happened sank in. With the immediate family incommunicado, the focus was all on the beautiful 21-year-old blonde model, who, as far as the media were concerned, was effectively Senna’s widow.

When Braga rang the house from Bologna, Adriane told him she wanted to come and see Senna’s body. She told him she felt a desperate need for firm evidence, seen with her own eyes that he was dead.

Braga advised her against it, and thought it unlikely that she would even be admitted. She took his advice, believing she would be able to see him for the last time in São Paulo before the funeral. In Brazil it was traditional for the coffin to be left open, or at least to have a glass top. What she didn’t know was that the indent to Senna’s head and the wound caused by the sharp piece of suspension that had penetrated the helmet were disfiguring. Cosmetic experts were to despair in trying to make his face good enough. The coffin would stay closed.

With the bedlam outside the house, Braga advised his wife Luiza that the best option was to stage a makeshift press conference in the house for the media and then they would go away. Adriane agreed to do it. But during the press conference Adriane was asked some ghoulish questions, especially from Brazilian journalists who had heard about the rift with the da Silva family and were unsure of her status now her boyfriend was dead. One female journalist asked her if she had a return ticket to São Paulo and who would be paying for her ticket. Adriane felt like she was being victimised by a hostile media looking for exclusive stories on the drama of Senna’s death. She was in no state to withstand that.
Not so Miriam Dutra, who worked for TV Globo and had been dispatched urgently to cover the story. Dutra was very sympathetic to Adriane, who was clearly in great distress. Afterwards Adriane asked Dutra if she could have all the footage of the crash that TV Globo had. She wanted to see everything she could about the accident.

Monday came and went for dazed Adriane, and she was sedated to help her sleep that night. The sedatives had little effect, as Adriane was still stunned from events.

Meanwhile Antonio Braga and Galvao Bueno were desperately trying to organise the return of Senna’s body to São Paulo. Naturally the family wanted it returned to Brazil as soon as possible. They thought this would be relatively simple until the Italian authorities told them the autopsy, would not take place until Tuesday. The body would be released that evening.

On Tuesday morning, Miriam Dutra collected the footage of the race on VHS videotape and the following day sent it by messenger to Adriane Galisteu in Sintra. Adriane sat on the sofa and watched it over and over, accompanied by the Braga children, Luiza and Joanna. They were obsessed with finding the reason for his crash.

Adriane also telephoned Angelo Orsi, the Italian photographer who had taken pictures of Senna after the accident. Adriane felt a desperate need for some physical proof he was dead. Orsi got permission from the family to send her some photographs.

The autopsies of Senna and Ratzenberger both took place, as planned, on Tuesday morning. It was straightforward. The causes of death were no more complicated than in any road accident victim.

By lunchtime the bodies had been authorised for removal. Braga and Bueno worked feverishly on the arrangements to get Senna’s body home that day. They had two options: a direct flight with the Italian Air Force, or via Paris with Varig. The Italians were quite happy to fly the coffin straight back to São Paulo.

In the end Senna’s parents would decide.

Back in Sintra, Adriane was feeling a cool wind from the Senna family in São Paulo. On both Monday and Tuesday she had tried to telephone Senna’s parents. She was told by the family’s maid that both were under sedation and could not be disturbed. After a while this annoyed her, and she wondered what she had done, especially as she had shared her grief with Neyde on the Sunday. On Tuesday afternoon she got through to Viviane’s husband Flavio Lalli, who told her it was a very difficult situation at the family house and that he was having difficulty talking to his own wife, who was shattered to the point of speechlessness. Lalli told her it was impossible for anyone to have any sort of conversation with either Milton or Neyde da Silva. They had taken the news worse than anyone else. The parents remained sedated and virtually silent, almost unaware of what was going on around them.



FONTE PESQUISADA


RUBYTHON, Tom. The Life of Senna. 1º Edição Sofback. London: BusinessF1 Books, 2006.