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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Carros de Senna

Murilo Góes/UOL
Divulgação/McLaren Divulgação/McLaren

Nos 25 anos da morte de Ayrton, testamos as máquinas do tricampeão
Eugênio Augusto Brito, João Anacleto
Do UOL, em São Paulo (SP)


Senna Day
Data da morte é convertida em dia de memória

Domingo, 1º de maio de 1994. Talvez um dos dias mais tristes da história do esporte, com a morte de Ayrton Senna da Silva. Mas, 25 anos depois, a data virou um dia para celebrar a memória do piloto que o Brasil aprendeu a reverenciar a cada alegria nos domingos de vitórias e títulos.

Esta data tornou-se o "Senna Day", com direito a festival que dura o dia todo na pista do Autódromo de Interlagos, em São Paulo (SP), com música, mini-eventos esportivos, venda de lembrancinhas e, claro, muita troca de informação sobre campeonatos de corrida e sobre automóveis.

UOL Carros aproveita este dia, uma quarta-feira em 2019, para falar não de tristeza, mas do legado deixado pelo tricampeão de Fórmula 1. E da melhor forma possível: vamos mostrar e acelerar os carros de uso pessoal, peças raríssimas deixadas na garagem por nosso Ayrton Senna... do Brasil.

Legado do tricampeão
UOL Carros, S4 Avant, NSX-R e McLaren Senna em Interlagos


Toni Pires/Folhapress Toni Pires/Folhapress


Senna, um amante de carros
Ayrton desenvolveu, usou e ainda inspira ícones automotivos

Considerado um piloto de essência refinada, Senna era arrojado não apenas nos circuitos de corrida, mas também quando o assunto era carro de passeio. Vidrado em máquinas potentes para seu uso pessoal na Europa, o piloto também dirigia modelos poderosos nas ruas brasileiras. Em sua garagem, dois ícones: Honda NSX Type R e Audi S4.

UOL Carros teve acesso aos modelos após cinco meses de negociação, iniciada ainda às vésperas do Salão do Automóvel de São Paulo 2018, que aconteceu em novembro do ano passado, e encerrada apenas há duas semanas. Durante aquele evento, a McLaren Brasil apresentou o Senna, supercarro de R$ 8,5 milhões (o valor original em euros segue tendo seu câmbio ampliado pela perda de poder do real), 800 cavalos de potência e força equivalente a mais de 10 Chevrolet Onix Joy somados, em ação coordenada com o Instituto Ayrton Senna.

Essa foi a ponte para que tivéssemos, finalmente, o aval de Leonardo Senna, irmão do piloto e guardião legal dos carros de Ayrton. A partir daí, foi tentar colocar os carros para rodar em local digno: conseguimos um espaço no autódromo de Interlagos, passando por trechos do antigo traçado, que curiosamente foi deixado de lado por conta das reformas pedidas por Senna (com a construção do "S" da curva que leva o nome do piloto) para o retorno da Fórmula 1 nos anos 1990.

Murilo Góes/UOL Murilo Góes/UOL


Uma luz que volta a se acender

Desenvolvido na Inglaterra, o McLaren Senna (que já tem duas versões) contou com participação pontual do piloto Bruno Senna, sobrinho do tricampeão, no acerto de detalhes dinâmicos durante seu desenvolvimento. Bruno, aliás, tornou-se dono de uma unidade do bólido. Apesar de dar nome ao carro, honraria inédita entre os campeões de Fórmula 1, Ayrton Senna nunca soube ou participou de qualquer ação da McLaren para o desenvolvimento de algum carro de passeio.

Mas fez isso, no final dos anos 1980 para a Honda, que era fornecedora dos motores para a equipe de Fórmula 1 da McLaren, time pelo qual o brasileiro conquistou três títulos e as principais de suas 65 pole positions (a primeira posição no grid de largada de uma corrida) e 41 vitórias. Sim, Senna ajudou a desenvolver o Honda NSX. E uma unidade da versão mais potente, a NSX Type R (ou NSX-R), virou carro pessoal do piloto em São Paulo. Outra unidade estava à disposição na Europa, mas acabou leiloada com o passar dos anos.

Não é exagero dizer, porém, que a chegada do McLaren Senna ao Brasil reacendeu uma curiosidade sobre essa história de paixão do piloto pelos carros de rua, bem como o interesse de muita gente sobre o que piloto guardou durante a vida em sua garagem.

Murilo Góes/UOL Murilo Góes/UOL


Perfeccionista

Falar do legado do Senna para os carro de passeio é falar de sua obsessão pela perfeição -- algo emocionanante para os apaixonados por carros, e claro, apaixonados por Senna. Basta olhar para os dois carros que Ayrton mantinha aqui no Brasil, em ótimo estado de conservação até hoje.

Deixa para falarmos de novo do Honda NSX 1991, modelo 1992, a lendária "Ferrari japonesa" que Ayrton ajudou a desenvolver. Melhor: ajudou a salvar de um possível fracasso. Foi Senna quem fez os ajustes finais do NSX. Mas a primeira parte do desenvolvimento teve participação ativa de Satoru Nakajima, piloto japonês de Fórmula 1, companheiro de Senna nos tempos de Lotus, e que em cinco anos de competição a categoria máxima ficou conhecido por não somar pontos e colecionar trapalhadas.

Não tinha como dar assim tão certo para quem conhece a história.

Com protótipo pronto, Senna pegou o carro para acelerar alguns dias na lendária pista de Nürburgring (Alemanha), área preferencial para testes de supercarros, e deu as dicas para o sucesso. Deu tão certo, que a marca japonesa guardou as indicações passadas pelo brasileiro e as utilizou, acredite você ou não, na segunda geração do NSX, que só ganhou vida 22 anos após a morte do piloto.

Foi o primeiro esportivo de verdade da marca, com motor central traseiro e tração traseira, por coincidência a mesma concepção do McLaren Senna hoje. O motor V6 de 3 litros gerava 270 cv e 30 kgfm de torque só em 5.500 rpm, rotações bem altas e dignas de carros feitos para a pista.

Com isso, era mais rápido que a Ferrari 328, custando a metade do preço. Ia de 0 a 100 em 5,9 segundos e chegava aos 272 km/h de máxima, um absurdo para um carro japonês da época.

Esse carro tinha uma posição de guiar espetacular, controle de tração que era algo bem raro na época, faróis escamoteáveis, um câmbio manual magnífico e algumas coisas especiais que nos anos 1990, só gente com a grana e a importância do Ayrton Senna poderiam exigir.

Caso do sistema de som Bose, com equalizador Kenwood e som tridimensional padrão Dolby (em dobradinha nipo-americana), bem como do... telefone celular onboard. Sim, um telefone móvel no carro, que tinha sinal via antena colocada no alto do cockpit.

Carro pronto, Senna recebeu uma unidade para uso em São Paulo em 1991, ano de seu terceiro e último título com a imbatível dupla McLaren-Honda na F-1, e na placa tratou de homenagear sua mais importante conquista, a do primeiro mundial, em 1988.

Na placa cinza do carro estão as letras BSS. Elas significam "Beco", apelido de família, "Senna" e "Silva". O numeral 8888 faz referência à primeira conquista e também ao apreço de Senna pelo número 8. Só isso já tornaria o exemplar único e especial, na raridade sem preço que é. Aliás, Senna também usou padrão parecido em outro modelo, este com a placa BSS-8855.

Murilo Góes/UOL Murilo Góes/UOL


Negócio com os alemães

Visionário, Senna parecia antever a onda de utilitários esportivos que hoje unem todo tipo de comprador de carros no Brasil e no mundo. Seu outro carro era a perua Audi S4 Avant 1993, um dos primeiros Audi importados para o Brasil, ainda da linha 100.

Senna e seu irmão Leonardo decidiram, após conversa com um executivo alemão ligado ao Grupo Volkswagen, apostar na vendas de carros: iriam iniciar a importação de modelos da Audi, mas só com exemplares "completões" de série. Com a morte de Senna, o irmão tocou o negócio primeiro total, depois parcialmente, até devolver as últimas ações de controle aos alemães em 2005.

Daí a maior curiosidade sobre a S4 Avant: Ayrton Senna a escolheu para ser o carro de imagem da marca porque era o primeiro modelo com motor V8 para o Brasil; e a unidade de Ayrton, que também era levada a eventos de divulgação, tinha rodas exclusivas, modelo "Avus", com seis raios, aro de 16 polegadas, que faziam alusão ao protótipo Avus, que muito tempo depois daria vida ao R8.

Mas Senna também a escolheu porque era um dos poucos veículos que o permitiam levar os aeromodelos que tanto gostava no porta-malas. Naquela época não tinha essa onda SUV por aqui, né? Carro bom de porta-malas era perua e essa tinha 390 litros. Não só espaço para bagagem: o compartimento escondia ainda, sob o assoalho, dois bancos extras, voltados para trás, de forma "invertida", somando espaço para sete pessoas.

Falando do poderio, o motor V8 de 280 cv era pareado a câmbio manual de seis marchas e tração interal, com bloqueio de diferencial traseiro. Esportividade que era a cara de Senna, seja para se deslocar em São Paulo, seja para viajar com a família quando esteve de férias no Brasil entre o fim de 1993 e o começo de 1994.

Essa station wagon podia ir de 0 a 100 km/h em apenas 6,6 segundos, mas não se pode duvidar que nas mãos do Senna poderia até fazer menos. Certamente, quando viajava sozinho, Ayrton aproveitava para desfrutar o som de fitas K7 no sistema Bose ou então algum de seus CDs na disquteira para 10 discos instalada em um nicho no porta-malas.

Murilo Góes/UOL Murilo Góes/UOL


Fonte de inspiração

Nessa viagem pelo legado de Ayrton Senna, retornamos ao presente e ao McLaren Senna. Praticamente feito à mão, tem chassi e carroceria de fibra de carbono, 1.198 kg, 42 kg mais leve do que um Audi A3 Sedan, modelo fabricado pela Audi no Brasil.

Feito para acelerar nas pistas, o Senna tem aparência até meio estranha, e aquela asa de apenas 5 kg ali atrás suporta nada menos do que 500 kg de peso. Com tudo isso, faz o 0 a 100 kmh em 2,8 segundos e chegar aos 200 km/h antes que você termine esta frase: só 6,3 segundos. O motorzaço V8 de 4 litros biturbo gera 800 cv e 81,6 kgfm de torque.

Tudo transmitido para as rodas traseiras por um câmbio automatizado de 7 marchas, de embreagem única e não dupla. Sim, monoembreagem, mas desse automatizado ninguém ousará falar mal. Nunca!





Fichas técnicas

Audi 100 S4 Plus Avant

Ano/modelo: 1992/1993. Motor: V8, 4.2. Potência: 280 cv. Torque: 40,8 kgfm. Câmbio: 6 marchas, manual. Velocidade máxima: 250 km/h. 0-100 km/h: 6,6 s. Comprimento: 4,79 m. Entre-eixos: 2,69 m. Porta-malas: 390 litros. Preço: ND
Imagem: Murilo Góes/UOL

Honda NSX Type R
Ano/modelo: 1991/1992. Motor: V6, 3.0, aspirado. Potência: 270 cv. Torque: 30 kgfm. Câmbio: 5 marchas, manual. Velocidade máxima: 272 km/h. 0-100 km/h: 5,1 s. Comprimento: 4,43 m. Entre-eixos: 2,53 m. Porta-malas: 157 litros. Preço: ND
Imagem: Murilo Góes/UOL
   
McLaren Senna
Ano/modelo: 2018/2018. Motor: V8, 4.0, biturbo. Potência: 800 cv. Torque: 81,6 kgfm. Câmbio: 7 marchas, automatizado. Velocidade máxima: 340 km/h. 0-100 km/h: 2,8 s. Comprimento: 4,74 m. Entre-eixos: 2,67 m. Porta-malas: "dois capacetes, dois macacões e, talvez, dois sanduíches". Preço: R$ 8,5 milhões
Imagem: Murilo Góes/UOL

UOL Carros agradece: Leonardo Senna, Instituto Ayrton Senna, McLaren Brasil, Charles Marzanasco e Interlagos Motor Clube.





FONTE PESQUISADA


BRITO, Eugênio Augusto; ANACLETO, João.  Os carros de Ayrton Senna. Disponível em: https://www.uol.com.br/carros/reportagens-especiais/carros-de-senna/index.htm#senna-day>. Acesso em: 29 de julho 2019.

sábado, 23 de março de 2019

Cinco automóveis que pertenceram a Ayrton Senna

Por Bruno Machado
Jornal dos Clássicos - jornaldosclassicos.com
21 Mar 2019





Hoje celebra-se o aniversário do maior piloto de Fórmula 1 de todos os tempos: o grande Ayrton Senna (opinião muito subjectiva, sim eu sei)! Para comemorar este dia fazendo a ligação com os nossos clássicos, vejamos aqui cinco automóveis pessoais deste grande piloto:

Alfasud Ti


Quando partiu para o Reino Unido, disputar o campeonato de Fórmula Ford em 1981, o jovem Senna utilizou um Alfasud 1.5 Ti cinzento, que, pela sua tendência para a corrosão, não era o automóvel mais indicado para o clima chuvoso inglês. Em compensação, Ayrton Senna teve certamente muito prazer em conduzi-lo, desfrutando da melodia do 4 cilindros Boxer!

Audi S4 Avant


Além de piloto, Ayrton Senna era igualmente homem de negócios, tendo sido pioneiro na importação da Audi no mercado brasileiro. Para as suas deslocações pessoais no Brasil, podia contar com os 280 cavalos do V8 4.2 e com o sistema “quattro” do seu Audi S4 Avant, versão desportiva da carrinha Audi 100, futuro A6 (e não do A4, que ainda nem sequer existia).

Ford Escort XR3


Logo no início da sua carreira na Fórmula 1, Ayrton Senna foi um nome muito solicitado pelos publicitários, sobretudo depois do brilharete no Grande Prémio do Mónaco, ao volante de um modesto Toleman. Assim, o antigo vencedor da Fórmula Ford, foi o rosto da campanha publicitária do Ford Escort XR3 no Brasil, onde o 1.6 litros carburador tinha apenas 83 cavalos. No fim do anúncio Senna dizia: “Eu tenho um!”. E tinha mesmo!

Honda NSX


O NSX é indissociável de Ayrton Senna. O desenvolvimento do desportivo nipónico coincide com o auge da parceria McLaren-Honda-Senna na Fórmula 1, pelo que os engenheiros da marca japonesa aproveitaram os serviços do piloto para o desenvolvimento do NSX. O resultado foi um automóvel mítico! O exemplar preto que Senna utilizava no Brasil está ainda hoje na posse da família.

Mercedes-Benz 190 2.3 16


Em Maio de 1984, um principiante na Fórmula 1, um tal Ayrton Senna, participa, juntamente com os tubarões da altura (Lauda, Prost ou Rosberg, por exemplo), numa corrida organizada para promover o novo Mercedes-Benz 190 E 2.3 16 e o novo Nürburgring, mais pequeno que a grande Nordschleife. Tendo sido provavelmente o único piloto a levar a corrida a sério, Senna vence a prova! E vence em pé de igualdade com os outros pilotos. As apresentações estavam feitas! Depois da corrida, o exemplar da pista (com baquets e roll-bar) foi para o museu da Mercedes-Benz e uma versão de estrada foi directamente para a garagem de Senna.



FONTE PESQUISADA

MACHADO, Bruno. Cinco automóveis que pertenceram a Ayrton Senna. Disponível em: <https://www.jornaldosclassicos.com/2019/03/21/cinco-automoveis-pessoais-de-ayrton-senna/>. Acesso em: 23 de março 2018.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Alto Giro Blog Avista Honda NSX de Ayrton Senna Rodando Por São Paulo (Vídeo)

[Alto-Giro Avistamentos] Honda NSX de Ayrton Senna

Honda NSX


O post de hoje serve para mostrar para certas "publicações especializadas" o que é um um Honda NSX de verdade, ao contrário do que foi publicado na reportagem mostrada recentemente no post aqui do Alto-Giro.

Tive o imenso prazer de avistar esse espetacular esportivo nipônico rodando nas ruas, em um dia ensolarado normal na capital paulista. Ainda bem que eu não o confundi com um reles Mitsubishi 3000 GT! Muito pelo contrário, tive o prazer imenso de reconhecê-lo como um NSX muito especial.

Sob o apelido de "Ferrari Japonesa" atribuído por muitas dessas "publicações especializadas", esses esportivos por si só já são uma atração à parte, muito raros em ruas brasileiras, e muito especiais em qualquer lugar do mundo.


Mas este, além disso tudo, é talvez o Honda NSX mais valioso do mundo inteiro, e que guarda os sentimentos e a história do automobilismo do nosso país inteiro nele:
Este veículo de placa BSS-8888, senhores, é nada menos do que o Honda NSX que pertenceu a Ayrton Senna da Silva.



Nosso lendário piloto possuiu este exato Honda NSX preto, que eu tive o privilégio de filmar e fotografar, em plena Marginal Pinheiros. Pelo fato deste carro ainda ser patrimônio da família Senna, creio que seus ocupantes possam ser da mesma linhagem do nosso eterno campeão. Me sinto um grande privilegiado pelo simples fato de poder ter rodado ao lado do carro que tantas vezes levou Ayrton em corridas citadinas.



O projeto NS-X foi idealizado em 1984, tendo como objetivo, elevar a imagem da Honda com a criação de um novo esportivo que equivalesse ou excedesse o desempenho da Ferrari 328. Esse objetivo foi revisado, já que no final do projeto a Ferrari 328 foi substituída pela 348, passando ser este o novo alvo da Honda.
Além de ser superior ao esportivo de Maranello, o Honda deveria oferecer a confiabilidade japonesa e preço de entrada menor. Daí veio o tão famoso apelido de "Ferrari Japonesa". Mas a Honda pretendia que a "sua Ferrari" fosse superior às Ferraris propriamente ditas, e para isso, tinha uma carta na manga tão preciosa, que só ela tinha esse recurso no mundo: Ayrton Senna da Silva.

Sendo a fornecedora de motores para a equipe Mclaren, que levou Ayrton ao tricampeonato mundial de Fórmula 1, a Honda tinha em mãos o maior piloto de todos os tempos à disposição, e não desperdiçou essa oportunidade para refinar o acerto de seu novo esportivo. No projeto NS-X, o carro teve o privilégio de ter seu chassi, motor e suspensão acertados pelos sentidos ultra-aguçados do nosso gênio tricampeão, que convenceu a engenharia a enrijecer o chassis após testes severos com protótipos no circuito de Suzuka. Tal feito pode ser apreciado e admirado no vídeo abaixo. É de tirar o fôlego a tranquilidade como Ayrton conduz o carro, mostrando como seus limites são muito superiores aos do carro.


Assim, após intenso e longo desenvolvimento, a Honda lançava em 1990 seu novo superesportivo de motor central-traseiro, já devidamente nomeado de NSX (sem o hífen de NS-X que nomeava o projeto, de New Sportscar Experimental).
Extremamente avançado, utilizava massivamente o alumínio na sua estrutura, sendo o primeiro carro de produção a utilizar o chassi todo feito deste leve material. Aplicava a elegante e elaborada suspensão de duplos braços sobrepostos (double wishbones) em todas as rodas, fazia-se uso de bielas de titânio, de alta resistência, para permitir que o motor girasse livremente até altas rotações, sendo o mesmo controlado pelo consagrado sistema de variação de abertura de válvulas VTEC da Honda. A Honda superava a Ferrari nas pistas, e agora desafiava-a nas ruas.

E como agradecimento, a Honda presentou Ayrton Senna com dois exemplares do NSX, sendo que o único que permanece na família é este exemplar preto de 1993. As letras da placa BSS-8888 era em homenagem às iniciais Beco (um apelido de infância) Senna Silva, e os númerais 8, eram em referência ao ano de 1988, que Senna conquistou pela primeira vez o título de campeão mundial de Fórmula 1.
Na época, com o custo do uso extensivo de fibra-de-carbono ainda mais proibitivo do que hoje em dia, a Honda conseguiu um grande feito ao manter o baixo peso do NSX, graças ao alumínio. Assim, com um desenho futurista, um V6 3.0L controlado pelo sistema VTEC com 274 cv @ 7100 rpm, e 30 kgmf @ 5300 rpm instalado na posição central-traseira de um conjunto que somava apenas 1350 kg, o NSX colocava a Honda no rarefeito mundo dos fabricantes de supercarros. O NSX passava a ser, provavelmente, o único esportivo japonês categorizado popularmente como um "superesportivo". Talvez o único esportivo japonês antes dele tenha sido o raríssimo e belíssimo Toyota 2000GT. E hoje, quem sabe, o ultra-capaz Lexus LFA.



Ao longo de sua longa jornada, o NSX não teve alterações significativas - somente uma remodelação leve em 2002, junto com motor 3.2 L um pouco mais potente. E suas vendas nunca foram muito expressivas. Mas seu objetivo já havia sido plenamente alcançado: mostrar que a Honda era capaz sim, de fazer uma Ferrari melhor que os próprios italianos.
Apesar de abandonar os entusiastas, como há muito a Honda vem fazendo, já não fazia mais tanto sentido melhorar o NSX, já que os benefícios de imagem a Honda já havia alcançado, e o projeto não traria mais lucros pra empresa devido ao caro processo de desenvolvimento.

É com um misto de nostalgia e saudade, que encerro esse post. Afinal, não é todo dia que me deparo com um pedaço da história automotiva mundial, quanto mais sendo este também um pedaço da história automobilística nacional. Gostaria de prestar minha homenagem a este campeão que deixou tantos órfãos, e que criou tantos sonhos de uma nação inteira.


- Jackson


FONTE PESQUISADA

JACKSON. [Alto-Giro Avistamentos] Honda NSX de Ayrton Senna. Disponível em: <http://alto-giro.blogspot.com.br/2011/08/alto-giro-avistamentos-honda-nsx-de.html>. Acesso em: 10 de agosto 2017.




terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Mercedes Conversível Que Ayrton Senna e Adriane Galisteu Andavam Pela Cidade de São Paulo


Modelo do carro: Mercedes-Benz 600SL Conversível 1993

"Zaza, Bia, a sobrinha mais velha, e eu, lá fomos nós - depois, jantamos todos no apartamento do Pacaembu. Nosso convívio na Europa me dava a idéia de fazer parte da família. A Bia - Bix, eu a chamava - era como uma irmã mais novinha. Passamos aquele fim de semana na fazenda de Tatuí e, na volta, acompanhei a Zaza ao shopping. Éramos confidentes de copa e cozinha, do tipo de ficar conversando enquanto se fazem as unhas. Tanto que, depois de levar o Béco ao aeroporto, no Mercedes dele, naquela noite de terça-feira, 24 de agosto, para Frankfurt e, de lá, para o GP da Bélgica, fiz o que achei mais natural: Eu fui dormir na casa dos pais dele, na cama dele." - (Adriane Galisteu - trecho do livro Caminho das Borboletas)

Hoje o veículo se encontra exposto para visitação no Museu da Ulbra, em Canoas, Rio Grande do Sul, Brasil, e tem emocionado muitos fãs.

Especificações:

Este carro tem apenas 49 000 km originais e pertenceu ao Tri-campeão Mundial de F1, Ayrton Senna da Silva. O Mercedes-Benz 600 SL 1993 foi dado pela marca ao piloto após sua vitória no Grande Prêmio do Brasil de 1993. 

Detalhe da placa CSE-8888 (Campeão Senna e 88 para o ano que foi campeão pela 1ª vez na Fórmula 1). 









Fontes: Livro Caminho das Borboletas, Quatro Rodas 2003, Fanpage Julio Raridades.

Atenção: posteriormente estarei postando mais detalhes sobre as fontes de pesquisa. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Como Ayrton Senna Ajudou a Criar o Mito do Honda NSX



aquelamaquina.pt
13:22 - 05-07-2016

Vinte e seis anos distanciam estes dois Honda NSX, mas há muito mais a uni-los que a separá-los! Para começar, a busca constante da perfeição que sempre foi o objectivo supremo de Soichiro Honda, o fundador da marca que ainda assistiu ao nascimento da primeira geração do superdesportivo, comercializado um ano antes do seu desaparecimento. Mas também a busca dos avanços tecnológicos mais importantes em cada época: se agora é todo o sistema híbrido, na altura era a busca do baixo peso.


O Honda NSX foi o primeiro automóvel produzido em grande série com toda a carroçaria em alumínio. A Ferrari faria o mesmo… dez anos depois! Tinha também um motor V6 3.0 em alumínio com o então novo sistema VTEC de variação da abertura das válvulas, debitando 270 cv. Em 1997 seria substituído pelo 3.2 com 290 cv.

A primeira aparição pública do NSX – acrónimo de New Sportscar eXperimental – foi no salão de Chicago, no início de 1989, a um ano da sua comercialização e numa altura em que, nos bastidores, se vivia um autêntico drama! Após longos meses de testes, os engenheiros da Honda achavam que tinham um desportivo capaz de fazer frente aos Ferrari e Porsche. Aproveitando a presença de Ayrton Senna no Japão para testar o McLaren/Honda, em Fevereiro de 89, pediram-lhe para guiar o protótipo do NSX na pista de Suzuka.

O campeão brasileiro procurou ser o mais diplomático possível mas… deixou-os em choque! "Não sei se serei a pessoa indicada para dar uma opinião sobre um carro de produção mas… parece-me algo frágil", comentou Senna. A apresentação do carro à imprensa mundial estava marcada para esse Verão, mas os engenheiros nipónicos conseguiram

aumentar a rigidez do NSX em 50% e o piloto brasileiro ainda os ajudou na afinação das suspensões. Um último teste no Nürburgring tirou as dúvidas, tinham de facto um dos melhores superdesportivos do mercado e pronto a ser comercializado em 1990!

Senna lavando seu Honda NSX em Portugal

O resultado final foi tão bom que o próprio Ayrton Senna adorava o carro e costumava guiar dois nas suas longas estadias em Portugal: o vermelho (SX-25-59) era um carro de serviço que pertencia à Honda Portugal mas que lhe estava entregue e que estava muitas vezes na sua casa do Algarve, na Quinta do Lago; o preto era do seu grande amigo António Carlos de Almeida Braga ("Braguinha"), em cuja casa de Sintra costumava ficar. E chegou a filmar, na serra da Arrábida, anúncios televisivos do NSX.

No final de 1992, quando a McLaren deixou de usar motores Honda, Senna devolveu o seu NSX de serviço à Honda Portugal. Mas as saudades… Na época seguinte, embora já não fosse piloto Honda, quando veio para o G.P. de Portugal, pediu o "seu" NSX emprestado para aqueles dias…

Por essa altura, o Honda NSX custava vinte mil contos, o equivalente a actuais cem mil euros. Metade do que custará o novo (A entrega das primeiras unidades na Europa está marcada para o outono de 2016). Mas foi pela contribuição de Ayrton Senna que aquele modelo desportivo da Honda se tornou num automóvel de culto. Justificando que, um quarto de século depois, a marca nipónica tenha recuperado uma sigla célebre para o seu novo superdesportivo. Porque basta invadir a memória e o imaginário dos apaixonados por automóveis de excepção para mais de metade do trabalho de "marketing" estar feito!

Senna testando o Honda NSX em 1988

Senna testando o Honda NSX em 1988

Imagens do novo Honda NSX 2016 no Autódromo de Estoril:






FONTES PESQUISADAS

AQUELA MÁQUINA - Como Ayrton Senna ajudou a criar o mito do Honda NSX. Disponível em: <http://www.aquelamaquina.pt/noticias/actualidade/detalhe/como-ayrton-senna-ajudou-a-criar-o-mito-do-honda-nsx.html>. Acesso em: 06 de julho 2016.

RAZÃO AUTOMÓVEL - Novo Honda NSX exibe-se no Circuito do Estoril (c/galeria de imagens). Disponível em: <http://www.razaoautomovel.com/2016/07/novo-honda-nsx-exibe-no-circuito-do-estoril-cgaleria-imagens>. Acesso em: 06 de julho 2016.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Ayrton Senna Fora Das Pistas: Os Carros De Rua Do Tricampeão EM CONSTRUÇÃO

Mitsubishi 3000 GT 1991


Por Nirlando Beirão, O Estado de S. Paulo, 25 de abril de 1991



FONTE PESQUISADA


BEIRÃO, Nirlando. Bala. O Estado de S. Paulo, 25 de abril de 1991, Caderno 2, página 83.



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ayrton Senna Testando o Lotus Excel S.E. com 183 cv - Setembro 1986 - Fotos

Fotos e Texto Revista Húngara “Automotor”, setembro de 1986

TRADUÇÃO LIVRE DO HÚNGARO 

- Mr. Senna, o que você acha sobre este esportivo?

- Bem, em comparação com carro esportivo de rua, mais surpreendente, extraordinário. Fácil de usar, estável e dirigibilidade perto da própria perfeição. É claro, no entanto, está longe de ser comparável a um carro de Fórmula 1 e isto é compreensível, porque tem que ser levado em consideração que o carro foi projetado para uso diário também. Somando Excel mais o Esprit turbo, o resultado foi um carro muito confortável e esportivo dinâmico.

A primeira vez que um piloto de Fórmula 1 pilota uma Lótus Excel, foi na edição especial da revista Automotor, verão de 1986









FONTE PESQUISADA

AUTÓ-MOTOR - Így tesztelt Ayrton Senna egy Lotus Excelt
. Disponível em: < http://www.automotor.hu/extra/igy-tesztelt-ayrton-senna-egy-lotus-excelt-637200>. Acesso em: 01 de novembro 2015.



domingo, 1 de novembro de 2015

Um Toque de Mestre

honda.pt


Desde o seu lançamento em 1990, o NSX assombrou o mundo. Mas não antes de a lenda das corridas Ayrton Senna o ter aperfeiçoado.


Durante uma visita ao Japão em fevereiro de 1989, Senna deu uma volta no circuito Suzuka GP com o protótipo do NSX. Naturalmente, ficou impressionado. Como estava habituado ao desempenho extremo do seu automóvel de corrida da Fórmula 1 McLaren-Honda, pensou que o NSX podia ser ainda melhor.




FONTE PESQUISADA

HONDA PT - Herança NSX, desempenho puro. Disponível em: <http://www.honda.pt/cars/new/coming-soon/2015-nsx/heritage.html>. Acesso em: 01 de novembro 2015.




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

O Piloto e Suas Máquinas

Alguns carros pessoais de Ayrton Senna e suas especificações

01 de maio de 2014
quatrorodas.abril.com.br

HONDA NSX


Motor Motor central, V6, 2.977 cm³, bloco de alumínio
Potência 280 cv a 7.300 rpm
Torque 30 mkgf entre 5.400 e 8.000 rpm
Câmbio Câmbio manual de cinco marchas ou automático de quatro
Tração traseira
De 0 a 100 km/h 6 segundos
Velocidade máxima 270 km/h


AUDI S4


Motor dianteiro, longitudinal, 5 cilindros em linha, 2.226 cm³
Potência 230 cv a 5.900 rpm
Torque 35,7 mkgf a 1.950 rpm
Câmbio manual de seis marchas
Tração integral
De 0 a 100 km/h 7,2 segundos
Velocidade máxima 236 km/h


MERCEDES-BENZ 300TE


Motor dianteiro, 2.962 cm³, seis cilindros em linha
Potência 180 cv a 5.700 rpm
Torque 26 mkgf a 4.400 rpm
Câmbio manual de cinco marchas
Tração dianteira
De 0 a 100 km/h 9,1 segundos
Velocidade máxima 212 km/h


MERCEDES-BENZ 190E 2.3-16

 

Motor dianteiro, 2.299 cm³, 4 cilindros em linha
Potência 185 cv a 6.200 rpm
Torque 24 mkgf a 4.500 rpm
Câmbio manual de cinco marchas
Tração traseira
De 0 a 100 km/h 7,8 segundos
Velocidade máxima -


FORD ESCORT XR3


Motor Motor dianteiro, 1.555 cm³
Potência 82,9 cv a 5.600 rpm
Torque 12,8 mkgf a 4.000 rpm
Câmbio manual de cinco marchas
Tração dianteira
De 0 a 100 km/h 13,4 segundos
Velocidade máxima 163 km/h







FONTE PESQUISADA

Quatro Rodas
20 ANOS SEM SENNA
Edição: Marcio Ishikawa
Produção: Bruno Roberti
Texto e pesquisa: André Biernath, Gian Kojikovski, Rodrigo Furlan e Vitor Matsubara
Edição de arte: Abraão Marcos Corazza
Design: Juliana Moreira
Ilustrações: Felipe Thiroux e Juliana Moreira
Desenvolvimento: André Cabral, Allyson Kitamura, Cah Felix e Leonam Dias
Imagens: Dedoc Abril e Photo-4
Analista de Redes Sociais: Lucas Baranyi

QUATRO RODAS - O piloto e suas máquinas. Disponível em: <http://quatrorodas.abril.com.br/20-anos-sem-senna/?fullsite#>. Acesso em: 02 de outubro 2015.