O automobilismo brasileiro
está de luto desde ontem: morreu em São Paulo o preparador Lúcio Pascoal Gascon
(78), conhecido no meio do kartismo e do automobilismo como “Tchê”.
Nascido na Espanha e formado
em engenharia, Tchê veio para o Brasil em busca de emprego e encontrou no País
uma oportunidade de trabalhar com as maiores lendas do automobilismo
brasileiro, tendo grande destaque em uma parceria formada com promissor piloto
do kartismo daquela época: Ayrton Senna.
O início da parceria
aconteceu em 1974, ano em que Ayrton conquistou seu primeiro título na modalidade,
o Campeonato Paulista na categoria Júnior. É Tchê quem dá a Senna na foto da
famosa bandeirada ao kart 42 no Kartódromo de Interlagos.O espanhol era o
responsável pela preparação de motores no kart, inclusive possuía uma oficina
nos arredores do Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos.
A partir desta parceria de
sucesso, o brasileiro conquistou título seguido de título até chegar na
categoria mais famosa do automobilismo mundial. A relação de Ayrton com Tchê
era tão próxima que, em 1990, o ídolo mundial escreveu uma carta pública em
agradecimento a Tchê, que ele considerava como seu segundo pai.
"Es uma pessoa que tem uma responsabilidade
incrível no que diz respeito a minha vida, pois quem me pôs nesse mundo do kart
foi o meu pai, mas quem me colocou na direção certa, quem me ensinou quase tudo
que sei, quem me fez chegar onde estou e que é o maior responsável por minhas
glórias é você e nem imagina o quanto sou grato, mas na verdade você consegui
conquistar um grande afeto e carinho da minha parte, pois é uma pessoa
extraordinária a qual estou bastante ligado. Pode acreditar em tudo isso pois é
o que de mais sincero tenho para lhe dizer "Espanholo".
Quatro Rodas – Grid – quatrorodas.abril.com.br/grid
Allkart
O preparador de karts Lucio
Pascoal Gascon, conhecido como Tchê, morreu na madrugada de domingo em
decorrência de um infarto. O espanhol teve destaque na história do
automobilismo por preparar karts de pilotos como Ayrton Senna, Chico Serra,
Maurício Gugelmin, entre outros.
Tchê vivia em São Paulo e tinha uma oficina perto do autódromo de Interlagos.
Ele também fez parcerias com pilotos como Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet.
No início da carreira de
Senna, Tchê
apoiou o tricampeão de F-1 nos seus primeiros anos. Foram sete anos de
trabalho em parceria com o piloto no kart.
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Faleceu Lucio Pascual (TCHE)
o mago dos motores de Ayrton Senna
Publicado por Leandro Claro, 26/04/2015 ás
07:53:49
Kartonline - kartonline.com.br
O preparador de motores Lucio
Pascual Gascon (Tchê), espanhol de Segovia, morreu na madrugada deste domingo
(26/04) em São Paulo. Ele sofreu um infarto e estava internado, porém na
resistiu. Tchê ficou conhecido por trabalhos marcantes no kartismo nacional e a
atuação por mais de 8 anos, ao lado do ídolo Ayrton Senna, na sua fase como
kartista.
O kartismo brasileiro sofre
uma perda irreparável. Tchê deixa um legado genial, um artista dos
motores um gênio. Assista abaixo um depoimento especial e inédito, nunca
visto, gravado na TV KartOnline. A comunidade KartOnline deixa os votos de condolência aos familiares.
Tchê, o Lucio Pascual Gascon
por extenso, um mestre no preparo de kart não conseguiu se segurar. Saiu da
lateral da pista e num salto tomou a bandeira quadriculada das mãos do diretor
da prova e, eufórico, consagrou o vencedor. Tudo isso para marcar a vitória de
Ayrton Silva – na época ainda não assinava Senna — no dia 1o de julho de 1974,
às 3 da tarde, na corrida de kart novatos, em Interlagos.
Tchê dando a primeira bandeirada da carreira de Ayrton Senna
Foi Tchê, espanhol de Segovia, quem descobriu no menino Ayrton a vocação de
grande campeão.
Ele lembra em detalhes a primeira vez que viu Ayrton. Foi na tarde de 26
de junho de 1974, que aquele menino de 14 anos bateu no balcão da pequena
oficina que Tchê ,tinha na rua Tabajara, no bairro da Mooca, em São Paulo.
“Era um pirralho franzino, desajeitado, mas objetivo e foi direto ao assunto”,
resume Tchê, garantindo que havia alguma coisa de especial naquele moleque.
Numa quase ordem disse ao preparador que precisava que o mecânico arrumasse
imediatamente o seu motor quebrado.
Tchê nunca entendeu porque varou duas madrugadas seguidas para entregar o
motorzinho ao freguês petulante. Aprontou o motor e vibrou com a corrida de
Ayrton que, largando em 3º e chegou à vitória sem suar. Proeza que Tchê carrega
na carteira, nos cartões de visita que imprimiu com a foto da,
sua única, mas famosa bandeirada.
Tchê guardava tudo que lembrava Ayrton Senna. Ou o que sobrou do assalto à
oficina em 1991. Levaram troféus e taças, mas ficou o que ele considera a maior
relíquia de Senna: a carta de próprio punho em Ayrton confidência ao mestre as
corridas europeias de kart. Felizmente ele tinha o original guardado no cofre
Também foi Tchê quem sugeriu que o Ayrton tirasse partido de ser canhoto.
Como o menino tinha muita força na mão esquerda, completava uma curva a 125
km/h, só com a mão esquerda no volante, deixando a direita livre para dar gás
no motor com maior facilidade, porque o carburador – a época — ficava no lado
direito do kart.
“Era lindo vê-lo chegar na curva, soltar a mão direita, balançar o
kart, não frear, ficar de lado e quando acelerava o kart já estava em linha
reta, era só dar gás” – recorda Tchê com o rosto iluminado.
Uma das grandes frustrações do preparador foi não ter acompanhado Ayrton nos
campeonatos mundiais de Portugal e da Bélgica. Para Tchê ele perdeu os
campeonatos nas duas vezes porque faltou a ele um chefe de equipe. A
DAP-Parrilla, a quem a Federação Brasileira de Kart pediu que apoiasse Ayrton,
era somente a fábrica que fornecia o equipamento. E, por ser italiana, não
estava habilitada a interceder por um piloto brasileiro”.
“Em Portugal – relembra Tchê –, ele venceu o holandês Peter Koene, foi
anunciado campeão do mundo, mas acabaram dando o título ao Koene. Para
tirar-lhe a conquista, descobriram um 4 centésimos de uma bateria de
classificação em que o gringo foi mais rápido.. E como a Comissão Internacional só
aceita reclamação se ela partir do chefe de equipe, o Ayrton foi roubado e
ainda teve que calar o bico.
Ayrton Senna após ter pedido o título mundial de Kart 1979
Foto: Reprodução / Documentário Ayrton Senna do Brasil
Na Bélgica, no Autódromo de Nivelles-Baulers, houve um jogo de equipe contra o
Ayrton. Ele estava em segundo e o Marcel Gysin, um suíço que podia ser campeão,
estava em terceiro, porém não acompanhava o ritmo do Ayrton. Aí armaram uma
emboscada para o menino. O piloto que estava em primeiro, também suíço, mas
sem chance ao título, fechou o Ayrton de maneira a permitir que o Gysin pudesse
ultrapassar os dois a uma volta e meia do fim da bateria. O Ayrton ainda foi
reclamar com o comissário que estava na curva da pancada, mas acabou sendo advertido
e tendo de escutar se ele não tinha chefe de equipe. Faltou a bandeira
brasileira para ele ser respeitado”. (LM)
Por Leandro Maraccini Claro,
editor-chefe do Portal KartOnline | Lemyr Lartins
Fotos: Leandro Clro | Vídeo: Leandro Claro e Jayme Barbarisi
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FONTES PESQUISADAS
Preparador de kart que trabalhou com Senna
morre em São Paulo. Disponível em: <http://quatrorodas.abril.com.br/grid//noticias//preparador-kart-trabalhou-senna-morre-sao-paulo-858521.shtml>.
Acesso em: 27 de abril 2015.
CLARO, Leandro. Faleceu Lucio Pascual
(TCHE) o mago dos motores de Ayrton Senna. Disponível em: <http://www.kartonline.com.br/noticias.php?exibe=4312-faleceu-lucio-pascual-tche-o-mago-dos-motores-de-ayrton-senna#axzz3YVaUSLrC>.
Acesso em: 27 de abril 2015.
Faleceu nessa madrugada Lucio Pascual Gascón, o querido "Tchê", preparador de Kart de
Ayrton Senna, grande amigo e
considerado um segundo pai por Ayrton. Descanse
em Paz Espanhol!
Graças a Deus Ayrton teve muitos pais nessa vida, Tchê, Armando Botelho e Braguinha.
Há a possibilidade de Tchê
ser cremado e suas cinzas jogadas no kartódromo de Interlagos, o que seria muito significativo, a vida dele foi ali.
Lucio Pascoal Gascon,
conhecido como Tchê, foi uma das figuras mais respeitadas do kartismo no Brasil.
O espanhol ficou conhecido pelo trabalho com Ayrton Senna
Tchê e Senna
LUTO: FALECEU O PREPARADOR “TCHÊ”
allkart.net
26.4.2015 - 9:45
Lucio Pascual, uma referência na preparação de motores conhecido pelo trabalho com Ayrton Senna, nos deixou nesta madrugada
Lucio Pascual, o Tchê. (Foto: Arquivo Allkart.net)
Para falar da história do kart no Brasil, automaticamente devemos deixar uma boa parte reservada ao preparador Lucio Pascual, o “Tchê”. Conhecido mundialmente como o preparador de motor do Ayrton Senna, “Tchê” trabalhou com inúmeros pilotos do kartismo nacional. Com sua oficina em Interlagos foi responsável por vários títulos nacionais.
No dia de ontem sofreu um enfarto e não resistiu, falecendo na madrugada deste domingo em São Paulo. O velório será às 11h no Cemitério da Vila Alpina, na Vila Prudente, em São Paulo.
O Allkart solidariza-se com toda a família Pascual neste momento de profunda dor e pesar e, em nome de todos os kartistas do país, agradece a história de vida do Sr. “Tchê” para com o kartismo nacional.
História
Nascido na Espanha e com formação em engenharia, Lucio Pascual chegou ao Brasil em 1960 em busca de emprego, e não demorou a se envolver com a preparação de motores. No kartismo, a qualidade de seu trabalho atraiu alguns dos mais importantes nomes do esporte a motor no Brasil, com destaque para o tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna, que tornou Tchê famoso mundialmente. Mas Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Chico Serra e Roberto Pupo Moreno foram alguns dos nomes que tiveram motores preparados na oficina de Lucio Pascual.
Lucio Pascual foi, durante anos, o “alfabetizador” de Ayrton Senna no kart. (Foto: Arquivo Allkart.net)
O último encontro de Ayrton Senna com Tchê foi no GP Brasil 1994, após dois meses o piloto faleceria em um trágico acidente em 1º de maio. Confira nas fotos abaixo:
Na foto Senna, quase chorando, reclama com seu antigo mestre que o carro Williams FW16 estava difícil de guiar e machucava seus quadris. Após dois meses desse encontro, Senna perderia a vida nesse mesmo carro.
Vídeo
Tchê conta seu último encontro com Ayrton Senna.
Na entrevista, direto de sua oficina próximo a Interlagos, muitas lembranças de seu "filho" no automobilismo, como quadros, capacetes, motores e bandeiras.
Vídeo
Emocionado Tchê lê uma das cartas que seu pupilo Ayrton Senna lhe enviou quando foi tentar a vida no automobilismo europeu. O depoimento do preparador de karts foi concedido um ano antes de sua partida.
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Lucio Pascual, o
"Tchê"
Domingo, 26 de Abril de 2015 - 07h33
Fonte: Portal Kart Motor
- Erno Drehmer
Tchê segurando a placa que identificava o kart de Ayrton Senna, o número 42
Hoje literalmente
acordamos com uma notícia triste. O "plim" do smartphone, às cinco
horas da manhã, nos avisava do falecimento de um grande nome do kartismo
nacional. Lucio Pascual, o "Tchê", nos deixou nesta madrugada, em
razão de problemas cardíacos.
Preparador de motores de
Ayrton Senna em todo o período que o grande ídolo brasileiro competiu no
kartismo, "Tchê" nasceu na Espanha e em 1960 veio ao Brasil. Pelas
mãos dele passaram motores de pilotos como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet,
Chico Serra, Maurizio Sandro Sala, Mauricio Gugelmin e Roberto Pupo Moreno e
até mesmo Alain Prost, que em seus primeiros passos no kartismo competiu com um
motor Komet preparado pelo espanhol.
Lucio Pascual foi também
mestre de preparadores como Altamir Mauro Dias, o Maurão, que desde muito jovem
trabalhou com "Tchê".
Ainda não temos informações
de quando e onde será o velório, mas fomos informados de que existe a
possibilidade da cremação do corpo e de que suas cinzas seja jogadas no
Kartódromo de Interlagos.
Ao lendário preparador
"Tchê" rendemos todas as nossas homenagens, ao mesmo tempo em que nos
solidarizamos e abraçamos toda a família Pascual, especialmente seus filhos,
que seguem o trabalho do pai no
kartismo brasileiro.
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Tchê: Preparador de kart
de Senna
por Marcos Júnior
Terceiro Tempo - terceirotempo.bol.uol.com.br
O espanhol Lucio
Pascual Gascón, o "Tchê", principal preparador de motores de kart de
Ayrton Senna, morreu na madrugada de 26 de abril de 2015, vítima de infarto.
Sua última aparição pública
aconteceu há pouco mais de um mês, no dia 10 de março de 2015, na
Velocult, Semana Cultural da Velocidade, realizada no Conjunto Nacional,
em São Paulo, ocasião em que foi homenageado.
Ayrton Senna disse por várias
vezes que Tchê havia sido seu melhor preparador nos tempos de kart. O espanhol,
por sua vez, sempre elogiava o tricampeão de Fórmula 1, pela
dedicação e talento.
Engenheiro de formação, Tchê
chegou ao Brasil em 1960 e antes de se especializar na mecânica de
karts, trabalhou em carros em algumas competições, como as Mil Milhas Brasileiras,
entre as décadas de 60 e 70.
Além de trabalhar com
Ayrton Senna, Tchê também trabalhou com Chico Serra, Emerson Fittipaldi,
Roberto Pupo Moreno, Maurizio Sala e Maurizio Gugelmin, entre outros.
Foto: Marcos Júnior/Portal TT
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Primeiro preparador de kart
de Ayrton Senna, Tchê morre em decorrência de infarto em São Paulo
26/04/2015 09:53
Lucio Pascoal Gascon,
conhecido como Tchê, foi um das uma das figuras mais respeitadas do kartismo no
Brasil. O espanhol ficou conhecido pelo trabalho com Ayrton Senna, mas também
viveu parcerias com Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Tchê morreu na
madrugada deste domingo (26) em decorrência de um infarto
GRANDE PRÊMIO - WARM UP - grandepremio.uol.com.br
Redação GP, de Curitiba
Lucio Pascoal Gascon,
conhecido como Tchê, morreu na madrugada deste domingo (26) em decorrência de
um infarto na cidade de São Paulo. O espanhol foi um dos mais importantes
preparadores de kart no Brasil e ficou bastante conhecido na história do
automobilismo no país por conta do trabalho feito com Ayrton Senna ainda no
início da carreira do tricampeão.
Dono de uma oficina nas
proximidades do autódromo de Interlagos, também viveu parcerias com Emerson
Fittipaldi e Nelson Piquet, e ajudou diversos pilotos do kartismo nacional.
Também trabalhou com nomes como Chico Serra, Maurício Gugelmin, Roberto Pupo
Moreno e Maurizio Salas.
Lucio Pascoal Gascon, conhecido como Tchê, morreu em São
Paulo neste domingo (Foto: Arquivo Allkart.net)
Nascido na Espanha, Tchê
chegou ao Brasil em 1960 em busca de emprego. Com estudos em engenharia, o
preparador logo se encontrou no esporte a motor e passou a trabalhar com
Silvano Pozzi, um dos pioneiros do kartismo brasileiro. E daí para frente, foi
só aperfeiçoando a técnica na preparação de motores para a categoria que é o
primeiro degrau no automobilismo.
Tchê conheceu Senna em junho de 1974 em São Paulo e era o preparador de motores
do futuro piloto da F1. Os dois trabalharam juntos por sete anos.
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FONTE PESQUISADA
DREHMER, Erno. Domingo amanheceu triste:
faleceu o preparador Lucio Pascual, o Tchê. Disponível em: <http://www.kartmotor.com.br/web/index.php?menu=Noticia¬icia=26257>.
Acesso em: 26 de abril 2015.
JÚNIOR, Marcos. Tchê: Preparador de
kart de Senna. Disponível em: <http://terceirotempo.bol.uol.com.br/que-fim-levou/tche>.
Acesso em: 26 de abril 2015.
Primeiro preparador de kart de Ayrton
Senna, Tchê morre em decorrência de infarto em São Paulo. Disponível em: <http://grandepremio.uol.com.br/allkart/noticias/primeiro-preparador-de-kart-de-ayrton-senna-tche-morre-em-decorrencia-de-infarto-em-sao-paulo>.
Acesso em: 26 de abril 2015.
Lucio “Tchê) Pascual, com
Ayrton Senna nos tempos do kart
Tchê, o Lucio Pascual Gascon
por extenso, um mestre no preparo de kart não conseguiu se segurar. Saiu da
lateral da pista e num salto tomou a bandeira quadriculada das mãos do diretor
da prova e, eufórico, consagrou o vencedor. Tudo isso para marcar a vitória de
Ayrton Silva – na época ainda não assinava Senna — no dia 1o de julho de
1974, às 3 da tarde, na corrida de kart novatos, em Interlagos.
Foi Tchê, espanhol de
Segovia, quem descobriu no menino Ayrton a vocação de grande campeão.
Ele lembra em detalhes
a primeira vez que viu Ayrton. Foi na tarde de 26 de junho de 1974, que aquele
menino de 14 anos bateu no balcão da pequena oficina que Tchê ,tinha na rua
Tabajara, no bairro da Mooca, em São Paulo.
“Era um pirralho franzino,
desajeitado, mas objetivo e foi direto ao assunto”, resume Tchê, garantindo que
havia alguma coisa de especial naquele moleque. Numa quase ordem disse ao
preparador que precisava que o mecânico arrumasse imediatamente o seu motor
quebrado.
Tchê nunca entendeu porque
varou duas madrugadas seguidas para entregar o motorzinho ao freguês petulante.
Aprontou o motor e vibrou com a corrida de Ayrton que, largando em 3º e chegou
à vitória sem suar. Proeza que Tchê carrega na carteira, nos cartões de visita
que imprimiu com a foto da, sua única, mas famosa bandeirada.
Tchê guardava tudo que
lembrava Ayrton Senna. Ou o que sobrou do assalto à oficina em 1991. Levaram
troféus e taças, mas ficou o que ele considera a maior relíquia de Senna: a
carta de próprio punho em Ayrton confidência ao mestre as corridas europeias de
kart. Felizmente ele tinha o original guardado no cofre Também foi Tchê quem
sugeriu que o Ayrton tirasse partido de ser canhoto.
Como o menino tinha muita
força na mão esquerda, completava uma curva a 125 km/h, só com a mão esquerda
no volante, deixando a direita livre para dar gás no motor com maior
facilidade, porque o carburador – a época — ficava no lado direito do kart.
“Era lindo vê-lo chegar na
curva, soltar a mão direita, balançar o kart, não frear, ficar de lado e quando
acelerava o kart já estava em linha reta, era só dar gás” – recorda Tchê
com o rosto iluminado.
Uma das grandes frustrações
do preparador foi não ter acompanhado Ayrton nos campeonatos mundiais de
Portugal e da Bélgica. Para Tchê ele perdeu os campeonatos nas duas vezes
porque faltou a ele um chefe de equipe. A DAP-Parrilla, a quem a Federação
Brasileira de Kart pediu que apoiasse Ayrton, era somente a fábrica que
fornecia o equipamento. E, por ser italiana, não estava habilitada a interceder
por um piloto brasileiro”.
“Em Portugal – relembra Tchê
–, ele venceu o holandês Peter Koene, foi anunciado campeão do mundo, mas
acabaram dando o título ao Koene. Para tirar-lhe a conquista, descobriram um 4
centésimos de uma bateria de classificação em que o gringo foi mais rápido.. E
como a Comissão Internacional só aceita reclamação se ela partir do chefe de
equipe, o Ayrton foi roubado e ainda teve que calar o bico.
Na Bélgica, no Autódromo de
Nivelles-Baulers, houve um jogo de equipe contra o Ayrton. Ele estava em
segundo e o Marcel Gysin, um suíço que podia ser campeão, estava em terceiro,
porém não acompanhava o ritmo do Ayrton. Aí armaram uma emboscada para o
menino. O piloto que estava em primeiro, também suíço, mas sem chance ao
título, fechou o Ayrton de maneira a permitir que o Gysin pudesse ultrapassar
os dois a uma volta e meia do fim da bateria. O Ayrton ainda foi reclamar com o
comissário que estava na curva da pancada, mas acabou sendo advertido e tendo
de escutar se ele não tinha chefe de equipe. Faltou a bandeira brasileira para
ele ser respeitado”. (LM)
FONTE PESQUISADA
MARTINS, Lemyr. Memória: O descobrir de
Ayrton Senna. Disponível em: <http://lemyrmartins.com.br/site/?p=434>. Acesso
em: 10 de fevereiro 2015.
Ayrton Senna
correu de kart na cidade em 1978. Empresário hospedou o ídolo e recebeu do
mecânico a notícia de que o piloto estava obcecado pela Fórmula 1
UM GÊNIO, UM OBSTINADO E O MELHOR
Calixto guarda fotos, álbuns e presentes dados por Senna
(Foto: Caroline Aleixo)
São das imagens amareladas,
fotografias exclusivas e do boné recebido em gratidão que vêm as recordações de
um hóspede fora do comum. O empresário Carlos Roberto Calixto, de 64 anos, teve
o privilégio e exclusividade de ser o anfitrião de Ayrton Senna quando o piloto
correu em Uberlândia, na inauguração do Kartódromo José Carlos Pace, no Clube
Caça e Pesca, em 1978. Momentos que também estão na memória de Eduardo Cardoso,
que competiu com Senna no kart e, por pouco, não foi substituído pelo piloto na
Fórmula Ford. Os dois ex-kartistas relembraram da amizade com o eterno ídolo
nos tempos dourados do kartismo, da personalidade forte de Senna e das 'barbaridades'
e características que, já naquela época, faziam com que as pessoas que o
conheceram o definissem como gênio e obstinado.
O convite a Senna foi
possível graças ao espírito empreendedor dos irmãos Oliveira, Sérgio e Rogério,
que construíram o kartódromo. Calixto afirmou que o contato com Senna foi
intermediado por um mecânico espanhol que também ficou hospedado na casa dele.
– Nossa amizade começou
por meio do Tchê, um mecânico espanhol. A gente conversava muito, mesmo que ele
fosse bastante introspectivo. Na época ele chegou a me contar que iria correr na
Europa e que estava com um bom patrocinador – relembrou.
Ex-pilotos de kart recordam momentos ao lado de
Senna em Uberlândia (Foto: Caroline Aleixo)
Na ocasião, outros pilotos de
renome como Alex Dias Ribeiro, Roberto Moreno e Ingo Hoffman também correram,
contudo, comparações discretas com o até então campeão brasileiro.
– O Ayrton barbarizou.
Durante os treinos ele se manteve com dois segundos de diferença do
adversários. Era um obstinado, um talento incomum – afirmou.
Senna foi campeão em duas categorias na etapa (Foto: Luiz
Fernando Siquieroli/Arquivo Pessoal)
O que poucos sabem é que a
estada de Ayrton Senna da Silva em Minas Gerais não foi uma maravilha. Calixto
relembrou que na última volta da corrida, um grupo uberlandense jogou um pneu
na pista no intuito de atingi-lo e atrapalhá-lo. Sem sucesso. Porque o pole
position venceu as categorias de 100 e 125 cilindradas de ponta a ponta.
O contato do ex-kartista
Eduardo Cardoso com o ídolo nacional também foi intermediado por meio dos
palpites vindos do preparador italiano Rino Genovese. Além de terem o mesmo
professor, o uberlandense competia praticamente os mesmos campeonatos que
Senna, vendo de perto o talento e a personalidade incomparável do adversário.
Um ponto forte entre os dois
foi o fato de Eduardo ser assediado durante um ano para deixar a vaga da equipe
de Fórmula Ford, em São Paulo. Ele iria correr na Europa e Senna ocuparia o seu
lugar na Ford, porém, os planos foram deixados de lado porque a família do
brasileiro achou melhor ele começar a correr de carro na Europa.
Resultado da etapa do Campeonato Brasileiro de
Kart de 1978 em Uberlândia
(Foto: Divulgação/Automóvel Clube de Uberlândia)
Na corrida em Uberlândia,
Cardoso não completou a prova por problemas mecânicos. Genovese havia
convencido o mineiro de correr de Sulam, uma marca nova de chassis que Ayrton
tinha testado com sucesso, só que o kart chegou em cima da hora e não foi
possível fazer os ajustes e treinar a tempo. O resultado foi a queda do piloto
na oitava curva após a largada, rendendo algumas escoriações e o último lugar.
Ao contrário de Cardoso, o adversário foi espetacular, pontuou.
– Ele era a perfeição
para pilotar. Tinha uma precisão de milímetros, a 160 km/h, o que é
humanamente impossível. Por isso acho que ele era de outro planeta – afirmou
Eduardo.
Nas conversas com o mecânico
Tchê, em meados de 90, Calixto afirmou que surgiu o presságio.
– Estávamos aqui em casa
e o Tchê me falou que o Ayrton iria morrer. Fiquei assustado, meio sem entender
e ele me disse que morreria por causa da obsessão dele em querer vencer o
Schumacher. O Ayrton realmente estava obcecado, ninguém conseguiu pará-lo –
relembrou com pesar.
O uberlandense afirmou que assistia à corrida quando viu o acidente e ligou
imediatamente ao amigo mecânico. Logo, veio a lastimável notícia.
– Quando o Tchê atendeu à ligação me confirmou a morte do Ayrton e disse
"Eu tinha te avisado" – disse.
UM GÊNIO, UM
OBSTINADO E O MELHOR
Os dois pilotos da melhor
época do kart no Triângulo Mineiro lidaram por muitas vezes com a personalidade
forte de Ayrton Senna. Eles contam que a cada volta e pista percorrida, o
tricampeão brasileiro e bicampeão sul-americano de kart deixava rastros de que
seria um dos melhores do mundo. Queria chegar à Fórmula 1, queria ser o melhor,
sempre quis desde o início e nunca escondeu de ninguém.
Senna na pole durante prova de kart em Uberlândia
(Foto: Luiz Fernandp Siquieroli/Arquivo Pessoal)
– Ele era muito bacana
com quem não o ameaçava na pista e muito ranzinza com qualquer pessoa que
pudesse significar alguma ameaça aos seus planos de ser o melhor da história.
Eu o entendo perfeitamente. Separava as coisas, era um obstinado. Primeiro as
corridas e as vitórias, depois o resto – concluiu Eduardo.
Carlos Calixto viu ainda mais
de perto a obstinação e determinação daquele que foi 65 vezes o pole position e
acumulou 41 vitórias na F-1. Em Interlagos, assistiu a algumas corridas e até
hoje guarda fotografias exclusivas das provas do amigo e eterno ídolo.
– Ele tinha o objetivo de ser
o melhor do mundo, dirigia para isso. Quando a gente conversava com ele ou até
mesmo quando via ele correndo, sentia que essa vontade estava impregnada no
sangue – concluiu.
FONTE PESQUISADA
ALEIXO, Caroline. Ex-pilotos de kart
recordam de Senna em Uberlândia: "Gênio e obstinado". Disponível em:
<http://globoesporte.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2014/04/ex-pilotos-de-kart-recordam-de-senna-em-uberlandia-genio-e-obstinado.html>.
Acesso em: 15 de julho 2014.
FOTOS AYRTON SENNA NO KART - IMAGENS - IMAGES - PHOTOS - PICTURES