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sábado, 2 de maio de 2020

VECTRA PODE TER CONTRIBUÍDO PARA O ACIDENTE FATAL DE AYRTON SENNA?

Teoria explica a possível influência do sedã da Chevrolet na colisão sofrida pelo tricampeão mundial de Fórmula 1 no GP de San Marino, em 1994

por RODRIGO RIBEIRO


01/05/2020 10h17 - atualizado às 10h17 em 01/05/2020




Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4 (Foto: Divulgação)

O VECTRA USADO NA FÓRMULA 1 ERA DE PRIMEIRA GERAÇÃO, VENDIDO NO BRASIL PELA CHEVROLET (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Hoje, 1º de maio, completam-se 26 anos do acidente que tirou a vida de Ayrton Senna, durante o GP de San Marino da Fórmula 1. O motivo da morte do piloto foi revelado logo após a colisão: uma parte da suspensão dianteira se projetou como uma lança e perfurou o capacete do tricampeão.


Mas uma miríade de teorias tenta explicar o motivo de Senna ter perdido o controle na rápida, mas tecnicamente fácil, curva Tamburello. E um dos "culpados" pode ter sido um Chevrolet Vectra, vendido na Europa como Opel.

Para entender o que um simples sedã médio tem a ver com um dos momentos mais trágicos do esporte primeiro é preciso voltar ao regulamento da Fórmula 1.

No início dos anos 90 a competição tinha muito menos cuidados com a segurança: não havia limite de velocidade nos boxes, as equipes podiam circular no pitlane durante a prova e, quando ocorria um acidente, usavam-se apenas bandeiras amarelas enquanto era feito o resgate. Em casos mais graves, a corrida era interrompida.

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4 Safety Car (Foto: Reprodução)


O CARRO DE SEGURANÇA PASSOU A ASER USADO DE FORMA FIXA NA TEMPORADA DE 1994 (FOTO: REPRODUÇÃO)

Após alguns testes bem sucedidos no ano anterior, a FIA (Federação Internacional do Automóvel) resolveu tornar obrigatório o uso do safety car. A ideia era que um veículo à frente dos pilotos estabelecesse um ritmo mais lento, sobretudo no local onde fiscais e médicos faziam o atendimento de acidentes.

Em cada prova era utilizado um veículo diferente, e o modelo escolhido para o GP de San Marino de 1994 foi um Opel Vectra 2.0 turbo 4x4. A versão era a topo de linha para o sedã na época, e a exposição à frente dos carros de Fórmula 1 seria uma excelente forma de publicidade para a fabricante alemã.

E o sedã entrou em ação logo após a largada daquele dia 1º de maio, quando Pedro Lamy bateu no carro parado de J.J. Lehto e espalhou detritos pela pista. E aí começa a teoria de como o Vectra pode ter contribuído para o acidente fatal de Senna.

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4  (Foto: Divulgação)


A VERSÃO DO VECTRA USADA NA FÓRMULA 1 TINHA MOTOR 2.0 TURBO E TRAÇÃO 4X4, QUE NUNCA FORAM OFERECIDOS NO BRASIL (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Quem vê pela TV pode ter a sensação de que os monopostos de Fórmula 1 andam bem devagar atrás do safety car. Mas é só impressão: apesar de a velocidade, de fato, ser reduzida, os pilotos sempre trafegam acima dos 100 km/h, exceto quando estão em curvas fechadas ou se precisam passar muito próximos dos profissionais de resgate.

O principal motivo para isso é que os radiadores de um Fórmula 1 não são projetados para refrigerar o motor com o veículo parado. Isso os deixa menores e mais leves, pois também não há ventoinha para jogar ar frio quando o carro está imobilizado.

Esse é um dos motivos pelo qual a primeira medida a se realizar quando o piloto é recolhido aos boxes é colocação de ventiladores nos radiadores, para resfriá-los.

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4 Safety Car (Foto: Divulgação)


O VECTRA LIDEROU O PELOTÃO NAS CINCO PRIMEIRAS VOLTAS DO GP DE SAN MARINO (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Voltemos a 1994. Naquela época, essa limitação técnica dos carros da Fórmula 1 não era motivo de preocupação, até por conta do quase ineditismo do safety car — que chegou a ser utilizado em eventos do passado, mas nunca de forma obrigatória.

Por conta disso, os organizadores consideraram que o Vectra turbo, com 204 cv de potência e capaz de chegar aos 225 km/h, seria suficiente para liderar o pelotão.

Só que o sedã sofria para manter o comboio liderado por Ayrton Senna a velocidades satisfatórias. E isso perdurou por quase cinco voltas, até que o safety car fosse recolhido e a corrida continuasse.

Duas voltas depois, ocorreria o acidente que marcou a memória de uma geração de brasileiros.

Sem pressão

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4  (Foto: Divulgação)


PEDIMOS DESCULPAS PELA FOTO MACHISTA: RETRATOS DE UMA ÉPOCA QUE, FELIZMENTE, NÃO VOLTA MAIS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Já vamos chegar na suposta culpa do Vectra. Mas antes é preciso reforçar outra característica da Fórmula 1. Seus pneus são preenchidos com nitrogênio a uma pressão muito menor do que em um carro de passeio.

Nas últimas temporadas, a pressão regulamentada poderia variar, em média, entre 15 lb/pol² a 24 lb/pol². Como referência, um automóvel convencional normalmente parte de 28 lb/pol², e facilmente ultrapassa as 30 lb/pol².

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4  (Foto: Divulgação)

A VERSÃO 2.0 TURBO 4X4 ERA A TOPO DE LINHA DO VECTRA EM ALGUNS MERCADOS NA ÉPOCA (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Esses valores menores tornam os compostos proporcionalmente muito sensíveis à qualquer variação de pressão. E todo o ajuste de aerodinâmica e suspensão é feito levando em conta o tamanho que o pneu terá durante a corrida — o ar quente expande, e muda o formato da borracha como em um balão.

Aí entra a teoria do "safety car" inadequado. Segundo essa explicação, as cinco voltas percorridas por Ayrton Senna em baixa velocidade atrás do Vectra fizeram com que seus pneus esfriassem muito e, por sua vez, perdessem pressão.

O volume menor dos pneus também teria deixado o carro mais baixo. Isso teria feito com que o assoalho do Williams FW16 batesse no chão pouco após a Tamburello, levando Ayrton Senna a perder o controle e colidir contra a mureta de proteção.

Opel Vectra 2.0 Turbo 4x4  (Foto: Divulgação)

O MOTOR 2.0 TURBO ALCANÇAVA OS 204 CV, INSUFICIENTES PARA MANTER A ALTA VELOCIDADE QUE OS F1 PRECISAM (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Apesar de usar elementos técnicos verdadeiros, essa teoria já foi desmitificada por especialistas há anos.

Além de nenhum outro piloto ter sofrido o mesmo problema na ocasião, foi comprovado que uma solda malfeita na barra de direção do Williams levou à quebra da coluna, provocando o acidente.

Por outro lado, as críticas em torno da lentidão do safety car perduraram, e só foram completamente sanadas em 1999, quando a FIA fechou um acordo com a Mercedes e passou a usar somente esportivos da marca alemã para liderar os monopostos.

Mercedes-AMG GT R Safety Car Fórmula 1 (Foto: Divulgação)

ATUALMENTE UM GT R DE 585 CV FAZ AS VEZES DE SAFETY CAR. E HÁ QUEM DIGA QUE NÃO É O SUFICIENTE (FOTO: DIVULGAÇÃO)

E não pense que isso resolveu todas as críticas. Mais de uma vez pilotos como Lewis Hamilton reclamaram que o piloto Bernd Mayländer não dirigia o Mercedes-AMG GT R de 585 cv rápido o suficiente para manter pneus (e freios) dos monopostos aquecidos. Não é nada fácil estar à frente de um pelotão de carros da F1, afinal.




FONTE PESQUISADA

RIBEIRO, Rodrigo. VECTRA PODE TER CONTRIBUÍDO PARA O ACIDENTE FATAL DE AYRTON SENNA?. Disponível em: <https://revistaautoesporte.globo.com/Noticias/noticia/2020/05/vectra-pode-ter-contribuido-para-o-acidente-fatal-de-ayrton-senna.html>. Acesso em: 02 de maio 2020. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

VÍDEO “RECRIA” FIM DE SEMANA DA MORTE DE AYRTON SENNA USANDO IMAGENS DE ARQUIVO

Cena Pop - cenapop.uol.com.br
06 de outubro de 2019

Vídeo “recria” fim de semana da morte de Ayrton Senna usando imagens de arquivo – Foto: Reprodução

A morte de Ayrton Senna foi um dos grandes marcos na história da cultura popular brasileira. No dia 1° de Maio de 1994, o tricampeão bateu seu carro a quase 300 quilômetros por hora na curva Tamburello, em Ímola, na Itália.

No entanto, não foi apenas esse acidente que marcou aquele fim de semana. Outras tragédias também aconteceram – ou quase. Roland Ratzemberger bateu seu carro na curva Villeneuve no dia anterior e teve morte instantânea; na sexta, foi a vez de Rubens Barrichello, então iniciante na categoria, ter seu carro “voando” e batendo na proteção de pneus em um acidente impressionante.

Um vídeo na internet recria o fim de semana inteiro em mais de duas horas de imagens de arquivo, que começa com o acidente de Barrichello e termina com o enterro de Senna, na semana seguinte – evento que comoveu e paralisou o Brasil. O webdoc usa imagens de diversas emissoras de televisão para recriar a experiência de assistir a cobertura daquele GP negro.

No vídeo, não há nenhuma narração, apenas algumas indicações escritas na tela. Todas as falas são as originais feitas ao vivo: jornais que fizeram a cobertura dos acidentes, narrações ao vivo, imagens impressionantes e até mesmo os tão famosos Plantões da Globo que deram, passo a passo, a agonia de Senna no hospital Maggiore, de Bolonha – incluindo o já lendário plantão narrado por Roberto Cabrini, anunciando a morte do piloto.

Assista:




FONTE PESQUISADA

GLOBO ESPORTE - "Senna estaria se retorcendo no túmulo" com punições, diz Jo Ramírez, maior amigo na McLaren. Disponível em: <https://cenapop.uol.com.br/2019/10/06/189380-video-recria-fim-de-semana-da-morte-de-ayrton-senna-usando-imagens-de-arquivo/>. Acesso em: 02 de outubro 2019. 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Pilotos e Especialistas Tentam Explicar o Acidente Fatal de Ayrton Senna (Vídeo)

Ayrton Senna na última corrida de sua vida em San Marino, 01 de maio de 1994





São diversos fatores que podem ter causado o acidente do piloto brasileiro, mas a unanimidade é que não houve falha humana.

Documentário “Ayrton, retratos e memórias”, TV Brasil, 09/11/2015

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Senna era fascinante", diz Williams


FÁBIO SEIXAS
da Reportagem Local 
São Paulo, Domingo, 22 de Agosto de 1999

Folha de São Paulo - folha.uol.com.br


DIRETO AO PONTO! OS TRECHOS QUE FRANK WILLIAMS FALA SOBRE AYRTON SENNA:

Para dono da equipe que completa 30 anos na categoria, tricampeão tinha "intelecto para vida e negócios"

No Brasil, porém, Frank Williams será sempre lembrado como o dono do carro em que Ayrton Senna morreu, em 1994.

Em entrevista exclusiva à Folha, ele fala sobre o atual momento ("não estamos bem"), sobre a rival McLaren ("admiro a maneira como eles operam") e sobre Senna ("há uma responsabilidade enorme sobre nosso ombros").


Folha - O senhor trabalhou com alguns pilotos brasileiros: José Carlos Pace...
Williams - 
Um grande piloto.

Folha - Nelson Piquet e Ayrton Senna...
Williams - 
Todos eles eram grandes pessoas.

Folha - Como o senhor pode comparar esses pilotos?
Williams - 
Eram bem diferentes. E correram em eras diferentes. Mas cada um tinha um talento. Ayrton tinha um intelecto incomum, não só para correr, mas para os negócios, para a vida e para a filosofia. Uma pessoa fascinante.

Folha - Uma questão que precisa ser feita diz respeito à morte de Ayrton Senna...
Williams - 
Posso falar pouco sobre isso, porque foi um acidente. Há duas ou três teorias, mas até agora nada foi provado, nada foi descartado. É claro que há uma responsabilidade enorme sobre nossos ombros, e, quando fui para seu funeral, entendi o que sua morte significou para o Brasil. Foi a maior demonstração de amor, simpatia e respeito que já vi.

Folha - O senhor chegou a ter algum sentimento de culpa?
Williams - 
Não divido minhas emoções com ninguém e não vou fazer isso hoje. Foi um dia triste para a Williams, para a McLaren, para a F-1 e para o Brasil. Foi um dos piores dias da história da F-1.




"Senna era fascinante", diz Williams



Para dono da equipe que completa 30 anos na categoria, tricampeão tinha "intelecto para vida e negócios"

FÁBIO SEIXAS
da Reportagem Local 
São Paulo, Domingo, 22 de Agosto de 1999
Folha de São Paulo - folha.uol.com.br


No início do ano, ele recebeu da rainha da Inglaterra o título de "sir", recompensa pelos "serviços prestados ao automobilismo".

Segundo conta, "foi o reconhecimento pelas conquistas da equipe na história da categoria".

Frank Williams, 57, completa nesta temporada 30 anos na F-1.

Estreou no GP da Espanha de 1969 comprando um Brabham, que cedeu para um amigo íntimo, o piloto inglês Piers Courage, morto em um acidente em Zandvoort, Holanda, no ano seguinte.

Foi o primeiro momento de baixa de sua equipe. De 1970 até hoje, a Williams, equipe mais vencedora da história da categoria -nove títulos de construtores-, viveu outros períodos difíceis.

Ou "curvas de aprendizado", como prefere definir.

"Em 84, por exemplo, estávamos em curva de aprendizado, adaptando-nos ao turbo e mudando para uma fábrica nova."

Hoje, a equipe, segundo ele, passa por situação parecida. Campeã de construtores e pilotos em 1997, viu seu rendimento cair no ano passado, quando perdeu os motores da Renault.

Em 1999, vive uma temporada de espera, preparando-se para iniciar, no próximo Mundial, uma parceria com a BMW.

No Brasil, porém, Frank Williams será sempre lembrado como o dono do carro em que Ayrton Senna morreu, em 1994.

Em entrevista exclusiva à Folha, ele fala sobre o atual momento ("não estamos bem"), sobre a rival McLaren ("admiro a maneira como eles operam") e sobre Senna ("há uma responsabilidade enorme sobre nosso ombros").

Folha - No ano passado, a Wil- liams foi a terceira colocada no Mundial de Construtores. Que possibilidades o senhor enxerga para a equipe nesta temporada?
Sir Frank Williams - 
Neste início de ano, não estamos muito bem. Mas acho que podemos ficar em quarto, quinto...

Folha - O senhor pode fazer uma comparação entre o carro deste ano e o de 1998?
Williams - 
Não muito. É um carro diferente. Os pilotos dizem que é muito melhor que o carro de 1998, mas isso é competição. Os outros times também evoluíram.

Folha - A Williams neste ano está com o Alessandro Zanardi, que foi bicampeão na Indy, mas que parece ainda estar com algumas dificuldades na F-1...
Williams - 
Não se trata de dificuldades dele. O problema é que nosso carro ainda não é suficientemente confiável. Ele é um excelente piloto, foi bem em testes recentes. Acho que ainda ninguém viu seu verdadeiro potencial.

Folha - Há especulações sobre uma eventual quebra de contrato da Williams com o Zanardi. O que há de verdade nisso?
Williams - 
Temos um contrato de três anos e não vamos interrompê-lo nem trocar pilotos. Não pensamos nisso. É óbvio que algumas vezes os jornalistas escrevem essas coisas. Acho que deveriam escrever sobre o que vêem.

Folha - O colombiano Juan Pablo Montoya foi seu piloto de testes e agora vem conseguindo sucesso na Indy. O senhor não se sente tentado a buscá-lo?
Williams - 
Não. Ele tem um contrato de três anos com a equipe Ganassi. Não é algo que tem que partir da gente.

Folha - Esse relacionamento com a Ganassi é algo que surgiu de uma eventualidade ou vocês estão pensando em uma espécie de intercâmbio permanente?
Williams - 
Não é bem assim. Ele (Montoya) foi nosso piloto de testes, e sua carreira é dirigida pelo David Sears (dono da Supernova, de F-3.000). E foi o David que achou que ainda era cedo para colocá-lo na F-1, especialmente neste ano, em que estamos nos despedindo de um motor (os Supertec, que equipam a Williams, serão substituídos pelos BMW no próximo ano). Acho que na Indy ele vai ganhar confiança.

Folha - A McLaren hoje ocupa uma posição que por algum tempo foi da Williams, o de melhor equipe da F-1. Como o senhor vê o futuro da McLaren?
Williams - 
Não falo sobre outros times, mas gostaria de dizer que eu admiro a maneira como a McLaren opera. Estou na F-1 há 30 anos, e a McLaren sempre foi nossa maior rival. Agora, a Wil- liams vive um período de baixa, mas vamos voltar ao topo.

Folha - Desde o ano passado, vocês usam gasolina fornecida pela Petrobras. Como o senhor avalia o trabalho da empresa?
Williams - 
Em primeiro lugar, nosso relacionamento com eles, até do ponto de vista pessoal, é muito bom. Eles são muito sinceros. E a tecnologia de combustível da Petrobras é muito forte, impressionante. Conseguiram bons resultados nos Supertec e agora estamos olhando para o futuro.

Folha - Como está o trabalho com a BMW para o ano 2000?
Williams - 
Estamos tentando cobrir a maior área possível. Eles estão aplicando recursos substanciais muito importantes, pessoal e tecnologia nesse programa. Vai ser difícil por um período, isso nós sabemos. Nosso plano é encurtar essa fase. Estamos muito, muito felizes de estar com eles.

Folha - O senhor trabalhou com alguns pilotos brasileiros: José Carlos Pace...
Williams - 
Um grande piloto.

Folha - Nelson Piquet e Ayrton Senna...
Williams - 
Todos eles eram grandes pessoas.

Folha - Como o senhor pode comparar esses pilotos?
Williams - 
Eram bem diferentes. E correram em eras diferentes. Mas cada um tinha um talento. Ayrton tinha um intelecto incomum, não só para correr, mas para os negócios, para a vida e para a filosofia. Uma pessoa fascinante.

Folha - Uma questão que precisa ser feita diz respeito à morte de Ayrton Senna...
Williams - 
Posso falar pouco sobre isso, porque foi um acidente. Há duas ou três teorias, mas até agora nada foi provado, nada foi descartado. É claro que há uma responsabilidade enorme sobre nossos ombros, e, quando fui para seu funeral, entendi o que sua morte significou para o Brasil. Foi a maior demonstração de amor, simpatia e respeito que já vi.

Folha - O senhor chegou a ter algum sentimento de culpa?
Williams - 
Não divido minhas emoções com ninguém e não vou fazer isso hoje. Foi um dia triste para a Williams, para a McLaren, para a F-1 e para o Brasil. Foi um dos piores dias da história da F-1.

Folha - Continuando a falar sobre brasileiros, o senhor conversou com Rubens Barrichello em 94 e no ano passado. Porque ele nunca chegou à Williams?
Williams - 
É sempre complicado. Algumas vezes você quer um contrato, mas o piloto não pode. Outras vezes um piloto que nos interessa nos procura, mas aí nós é que estamos de mãos atadas.

Folha - Os pilotos hoje reclamam dos pneus com sulcos. Qual é sua opinião sobre isso?
Williams - 
Eu nunca pilotei esses carros, então acho que não sou qualificado para falar sobre esse assunto. É uma questão entre os pilotos, a FIA (entidade máxima do automobilismo) e a empresa que fabrica os pneus.

Folha - Como o senhor pode comparar a F-1 dos anos 60, quando o senhor iniciou sua equipe, com a de hoje?
Williams - 
Hoje há muito mais gente, tecnologia, recursos financeiros. Provavelmente, está mais competitiva, mais difícil.



FONTE PESQUISADA

SEIXAS, Fábio. "Senna era fascinante", diz Williams. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk22089931.htm>. Acesso em: 15 de novembro 2018.















domingo, 4 de março de 2018

Justiça Italiana Mostra o Que Matou Ayrton Senna

Inquérito da justiça italiana mostra que soldagem malfeita na coluna de direção foi a causa do acidente de Ayrton Senna


Veja, 01/05/1995

O carro continuou na sua trajetória reta quando Ayrton Senna virou o volante para a esquerda na curva Tamburello, no autódromo de Imola, na Itália. A coluna de direção da Williams-Renault quebrou-se, e o piloto ficou sem nenhum controle sobre sua máquina. Tirou o pé do acelerador, brecou em seguida, mas não houve jeito. Faz um ano que Senna se estatelou contra o muro de concreto a 216 quilômetros por hora. A coluna de direção partiu-se devido ao trabalho inepto da equipe da Williams, responsável por um remendo grosseiro na peça, que não suportou, o esforço ao qual foi submetida. Ao menos em teoria, Senna poderia ter escapado com vida, não fosse a seqüência de fatalidades que se desencadeou a partir da peça mal soldada. Com a violência da batida, a suspensão dianteira direita quebrou-se. Um dos braços da suspensão, uma haste de metal longa e fina, ainda presa à roda, foi arremessada contra a cabeça do piloto como uma lança e perfurou seu capacete exatamente no ponto de junção da viseira. Além do buraco que lhe abriu na altura do supercílio, afundando o cérebro, o impacto da baste de metal, com a roda junto, provocou fraturas na base do crânio. As lesões foram mortais.


Para chegar a essas conclusões, durante dez dias VEJA entrevistou em Bolonha, na Itália, doze peritos. técnicos e advogados ligados à investigação oficial das causas do acidente de Ayrton Senna. VEJA pôde ver também o relatório final das investigações, ainda não divulgado, incluindo fotos e desenhos espalhados em três grandes volumes e numa pasta vermelha. Os investigadores judiciais italianos convocaram vários peritos renomados e os dividiram em três grandes grupos de trabalho. O primeiro grupo analisou as condições da pista; o segundo, as medidas de segurança do autódromo; o terceiro, a parte mecânica do carro. O caminho que levou à hipótese de quebra da coluna de direção foi aberto peia experiência de um policial de trânsito que, se entendia pouco de Fórmula 1, estava acostumado a lidar todo ano com 3.000 acidentes na região de Bolonha: Marcello Gentile, chefe da Polizia Stradale, uma polícia rodoviária que executa também as tarefas de polícia técnica. Dois dias depois do acidente, revendo as imagens da televisão, Gentile notou que o volante e um pedaço da coluna de direção - aquele cano comprido que transmite o movimento giratório do volante para as engrenagens que fazem as rodas mudar de trajetória - estavam ao lado do carro acidentado enquanto Senna era atendido pelos médicos. Só então ficou sabendo que, para sair rapidamente do carro, os pilotos podem remover o volante, mas nunca se desloca a coluna de direção. "Naquele instante não tive mais dúvida de que a causa do acidente teria de estar relacionada com aquela coluna de direção, partida de maneira tão limpa", diz Gentile.

A comprovação da suspeita inicial foi feita por meio de exame da peça em um microscópio eletrônico - o Scanning Electronic Microscope, conhecido pela sigla Semi -, que mostrou sinais de "fadiga" no metal da haste da direção. Esse lado da investigação, a cargo de um ex-diretor de competição da Ferrari, Mauro Forghieri, e do presidente da Faculdade de Engenharia da Universidade de Bolonha, Enrico Lorenzini, avançou rapidamente. Menos de dois meses depois da morte, já havia testes de laboratório comprovando que a coluna de direção se quebrou antes da batida do carro contra o muro, e não depois. Os peritos, no entanto, aprofundaram a investigação, para provar que nenhuma outra causa poderia ter sido tão decisiva no acidente. Ou seja, dedicaram-se a eliminar hipóteses. As imagens de vídeo produzidas por câmaras dentro e fora do carro e os dados eletrônicos transmitidos de diversos sensores no carro para a equipe no boxe - a telemetria - provaram apenas que tudo funcionava quando a Williams se espatifou contra o muro. No caso, "tudo" significa as partes do carro monitoradas eletronicamente - rotação do motor, temperatura, pressão do óleo, consumo de gasolina, além de velocidade e comportamento da suspensão.

O estado do asfalto na curva Tamburello, uma das hipóteses iniciais para explicar o acidente, foi descartado depois que técnicos da polícia rodoviária e da Universidade de Bolonha colocaram algumas máquinas na pista de Imola, que permaneceu interditada até outubro. Realizadas com aparelhos ingleses, medições no local apontaram que a pista oferecia excelente aderência e não apresentava ondulação. "As marcas de batidas no chão que encontramos naquele trecho da pista não eram fortes o suficiente para explicar nenhuma quebra mecânica", diz o professor Alberto Bucchi, chefe do Instituto de Infra-Estrutura Viária e Geotécnica da Universidade de Bolonha, responsável pelo exame da pista de Imola. As medições feitas no local comprovam também que não havia problema com os pneus. Eram visíveis as marcas de freada, que teriam sido impossíveis caso os pneus tivessem apresentado qualquer defeito anterior ao choque.

Os dados da telemetria foram conclusivos em dois outros pontos, relevantes para entender o comportamento do piloto nos instantes que precederam a batida: Senna aliviou o pé do acelerador, reduzindo sua pressão em cerca de 40%, quando nada havia à sua frente que pudesse justificar essa atitude. A seguir, pisou violentamente no freio, provocando urna desaceleração brutal, calculada pela própria Williams em cerca de 4 g - cada "g", ou gravidade, eqüivale uma vez ao peso do corpo. A freada reduziu a velocidade de 310 para 216 quilômetros por hora em 1 segundo e 3 décimos. Frear numa curva na qual os pilotos costumavam passar em sexta marcha pisando ao máximo no acelerador significava que esse era o único, e desesperado, recurso de um profissional hábil como Senna para tentar escapar de uma situação de emergência. A constatação é reforçada pelas imagens de vídeo. Na câmara colocada dentro do carro, a mão de Senna tenta uma correção de trajetória para a esquerda, mas as rodas permanecem retas, perfeitamente alinhadas. Em outras palavras, o volante já não agia sobre o carro, e o breque era última escapatória. "Quando se tem um defeito mecânico, normalmente a única reação é pular no pedal do freio", diz Nelson Piquet.

Os peritos voltaram, então, à coluna de direção. Advogados da Williams ouvidos no inquérito admitiram que ela se quebrara, mas sustentaram que a coluna se rompeu quando o carro trombou no muro - foi decorrência do acidente, e não sua causa. Nessa hora, o testemunho dos especialistas foi decisivo. Eles explicaram que, quando um metal se rompe repentinamente, como no caso de um choque violento contra o muro, ele apresenta deformações em ângulos e formas característicos, facilmente verificáveis, através de microscópios. Mas a ruptura da haste poderia ter sido provocada pelo processo de "fadiga do material", expressão que se emprega quando um metal se rompe devido a solicitação ou esforço repetido. Se o rompimento é causado pela fadiga, há outro tipo de sinais característicos, as estrias. Essas marcas surgem a cada ciclo de solicitação, isto é, a cada vez que o metal é submetido a um tipo de esforço, como torção ou flexão. No caso da coluna de direção do carro de Senna, esses dois esforços ocorriam. A torção se dava quando ele virava o volante para manobrar o carro. E a flexão era produzida pela trepidação e vibração da Williams.

Colocada no microscópio eletrônico do Instituto de Metalurgia da Faculdade de Engenharia de Bolonha, a parte fraturada da coluna de direção do carro de Senna mostrou uma área com estrias de fadiga de 60%. "Esse método é usado em qualquer parte do mundo; do ponto de científico, não há como contestar os resultados", diz um técnico que participou do exame de laboratório. No dia 28 de junho, outros peritos, incluindo um engenheiro da Williams, foram chamados ao Instituto de Metalurgia. Na tela do microscópio, comparável à de uma televisão pequena, surgiram as estrias. "O engenheiro da Williams calou a boca imediatamente: qualquer um se lembra das lições elementares do tempo da faculdade", diz o técnico italiano. "Eu mesmo fiquei muito surpreendido com o que constatei, quando ouvia falar de Fórmula 1 pensava em tecnologia sofisticada, e o que vi não tinha nada disso."

Mas como foi possível que uma coluna de direção gasta, "fatigada", propensa a se partir, fosse instalada na FW16 de Senna? O erro começou a ser arquitetado nos primeiros testes do carro, no início de março, na França. Ao segurar o volante, as mãos de Senna raspavam na parte de fibra de carbono do cockpit. Havia duas alternativas para solucionar t problema. A primeira, mais trabalhosa, era refazer o cockpit. A outra, aumentar o comprimento da coluna de direção, aproximando o volante do piloto em alguns centímetros. A Williams se decidiu pela segunda alternativa, mais rápida e fácil de executar. A coluna de direção foi cortada pouco antes do suporte que a fixa no cockpit. A maioria dos carros de Fórmula 1 tem colunas de direção com ligas de titânio, material extremamente leve e resistente, desenvolvido pela indústria aeroespacial. A Williams utilizava material menos nobre: aço aeronáutico, que atende às especificações técnicas, ainda que mais pesado que o titânio.

A alternativa adotada pela Williams também deixou de lado princípios básicos da física e metalurgia. Os mecânicos fizeram o que um encanador chama de "luva", soldando-a numa das extremidades da coluna de direção já seccionada. O outro lado dessa luva, de diâmetro ligeiramente inferior ao da haste de direção, foi encaixado por dentro da coluna e soldado. Ocorre que a maior incidência de forças sempre se concentra na parte interna de um ângulo. Basta apoiar um garfo com força no prato para constatar onde ele dobra primeiro. Um ângulo reto surgiu quando foi feita a luva. "Qualquer estudante sabe que a fadiga começa sempre onde há um defeito de superfície", diz o técnico italiano que participou dos exames de laboratório. "E foi ali que a peça do carro de Senna começou a quebrar." A barra rompeu-se exatamente onde, segundo os manuais. teria de romper: antes da solda, próxima ao ângulo reto da luva. Para que não restasse nenhuma dúvida, os investigadores pediram uma contraprova. Assim, a mesma peça foi encaminhada ao laboratório do Centro dell'Aeronautica Militare di Pratica di Mare, em Pornezia, próximo a Roma. Seu microscópio eletrônico apontou que 70% do setor ao redor do local de fratura apresentava as famosas estrias de fadiga. Os engenheiros fizeram ainda outro cálculo, o dos fatores de intensificação de esforço. A conclusão é clara: Senna nunca teria terminado a prova em Imola. Isso porque é a velocidade, e não o raio da curva, que estabelece o maior esforço sobre a direção. Quanto maior a velocidade, maior o esforço para tirar as rodas de sua trajetória. "Uma peça de metal submetida a esse tipo de esforço e com apenas 30% de sua superfície ainda em ordem não agüentaria mais tempo", diz um dos peritos.

A fadiga poderia ter sido detectada com antecedência? Toda vez que um carro de Fórmula 1 termina uma competição é submetido a testes destinados a detectar fadiga de material. Um dos exames é o de magnetoscopia, que se aplica sobretudo a partes como componentes da suspensão, mas ninguém costuma fazer passar por ele a coluna de direção. A outra possibilidade seria examinar o veículo inteiro com equipamento de ultrasom, o mesmo utilizado em aviões quando há suspeita de fadiga de material. Lendo as declarações de Senna nos dias que precederam o acidente, os técnicos que participaram da comissão de investigação acham que o piloto havia detectado algo errado, mas não soubera determinar a causa. Senna falava de vibrações estranhas no carro e perdera um bom tempo ajustando suspensão e jogo de pneus. "No caso de fadiga em estado tão avançado, era essa vibração que ele sentia na mão, ao pegar o volante", diz um técnico.

A combinação de indícios e exames permitiu aos peritos chegar ao veredicto: as estrias de fadiga na coluna de direção (exames de laboratório), a mão de Senna que vai para a esquerda enquanto as rodas permanecem retas (imagens da câmara em seu carro), as marcas de frenagem (exame da pista na curva Tamburello) e a violenta desaceleração (registrada pela telemetria) mostram que o piloto sentiu que não controlava mais o carro. Só teve tempo de pisar no freio e reduzir uma marcha - estava deitado dentro de um sarcófago com quatro rodas, acoplado a um motor de 700 HP, e sem possibilidade de determinar sua direção.

Mesmo depois dos exames, a Williams continuou sustentando que a coluna de direção se rompeu depois, e não antes do choque. A equipe alega que não se pode provar num laboratório o segundo exato da quebra da peça. Portanto, se não está provado 100% que a peça se quebrou antes do acidente, não se pode excluir que ela se tenha partido depois do choque. A Williams apresentou simulações severas de testes de resistência feitos com a coluna de direção provando que ela resistiria às solicitações de esforço - mas eram peças nas especificações originais, e não a que foi remendada. Isso tem servido também de argumento na disputa judicial: "Enquanto não recebermos o carro, nós não poderemos apresentar nossas contraprovas", diz Claudio Naccarato, o advogado da Williams em Bolonha, onde o carro de Senna está interditado, dentro de um quartel da polícia.

Os médicos legistas admitem que, mesmo com a velocidade com que foi jogado contra o muro, Senna ainda assim poderia Ter sobrevivido. O carro formava um ângulo de 22 graus com o muro, o que consideram bom, pois o impacto não foi frontal. A fatalidade ocorreu no momento em que o braço da suspensão foi arremessado contra o piloto como uma lança, atravessou a viseira do capacete e provocou um afundamento do crânio na altura do supercílio direito. A força brutal do braço da suspensão, aliada ao peso da roda, jogou a cabeça do piloto para trás. O choque contra a proteção traseira do cockpit causou, segundo os médicos legistas, a fratura da base do crânio e de várias vértebras cervicais. A forma da haste de metal coincide exatamente com o tipo de buraco deixado na frente do capacete de Senna. Ainda todo ensangüentado, ele está guardado numa sala da sede da Polizia Stradale, em Bolonha. A parte de trás do capacete apresenta uma grande rachadura circular, causada pelo golpe contra a proteção atrás do cockpit.

Logo que examinaram Senna, instantes após sua chegada ao hospital, os médicos italianos achavam que ele não poderia ter sobrevivido, em conseqüência da violenta desaceleração. O laudo dos legistas, apresentado em 7 de maio do ano passado, apenas uma semana depois da tragédia, muda esse quadro. Não fosse a pancada do braço da suspensão em sua cabeça, Senna provavelmente teria escapado. Fora a série de traumatismos cranianos provocados pelo braço da suspensão, nenhum outro órgão vital do piloto apresentava ferimentos graves. O laudo dos legistas reforça também a tese da Williams, segundo a qual mesmo uma grave falha mecânica eludiria conseqüências fatais, não fosse a fatalidade de um braço de suspensão, acoplado a um pneu, voando em direção ao piloto e o atingindo no único ponto vulnerável do capacete.

O juiz Maurizio Passarini, encarregado da instrução do processo sobre a morte do piloto brasileiro, notificou judicialmente doze pessoas, cuja responsabilidade no acidente está sendo investigada. Entre os notificados estão o dono da equipe inglesa, Frank Williams e o projetista do carro, Patrick Head. Ao juiz cabem agora duas alternativas: arquiva o caso ou continua o processo, abrindo a via para que os eventuais culpados sejam incriminados.

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Todos ficaram contristados com a morte de Ayrton Senna — uma morte estúpida, trágica, de grande dramaticidade, e que havia sido prevista pelo próprio piloto brasileiro, de acordo com depoimento de sua namorada, Adriane Galisteu, a quem, em telefonema na véspera do enlutado acontecimento, Senna confessou que, se pudesse escolher, não participaria da prova fatídica.

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FONTE PESQUISADA

ASM TREINAMENTOS - Inquérito da justiça italiana mostra que soldagem malfeita na coluna de direção foi a causa do acidente de Ayrton Senna. Disponível em: <http://www.asmtreinamentos.com.br/ver.php?id=7>. Acesso em: 04 de março 2018.

Livro Anais da Câmara dos Deputados, Volume 20,Edição 11



domingo, 24 de setembro de 2017

Patrick Head e Betise Assumpção

Alguns brasileiros e fãs de Ayrton Senna acreditam que Patrick Head (apontado como um dos culpados pela morte de Ayrton Senna e que foi absolvido por falta de provas) se aproximou de Betise Assumpção, ex-assessora de imprensa de Ayrton, devido as investigações pela morte do piloto. E é isso que o jornalista Ialdo Belo se referiu na última entrevista concedida por Betise, ao perguntá-la sobre o começo do namoro com Head – logo após a morte de Ayrton –, e seu casamento (três anos depois) com ele, co-fundador da Williams e projetista do carro que matou Ayrton Senna.

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Ialdo Belo: Aí houve o funeral no Brasil e teve uma hora em que você teve que tomar a frente da história tipo quem ia carregar o caixão, a Adriane Galisteu...

Betise Assumpção: Tá tudo lá no blog...

Ialdo Belo: E você ficou no Brasil?

Betise Assumpção: Fiquei até agosto. Aí voltei para a Europa e fui pedir uma credencial para assistir ao GP em Spa. O Bernie se recusou. Quem conseguiu pra mim foi o Jayme (Brito, responsável pelas transmissões da F1 pela Rede Globo), ele me credenciou como se fosse uma produtora da TV. Fui assistir nos boxes da Williams.

Ialdo Belo: E daí reencontrou Sir Patrick Head...

Sir Patrick, o filho Luke e Betise


BA: Sim e depois de uns meses começamos a namorar. Ele já tinha me chamado para sair algumas vezes e eu havia recusado, mas aí de repente veio a química e ficou complicado.

Ialdo Belo: Por quê?

Betise Assumpção: Porque eu havia mudado para Paris no início de 1994. Queria uma mudança na minha vida. O Patrick morava em Londres e depois de um tempo eu disse pra ele que teríamos que tomar uma decisão e foi aí que nós casamos e voltei para a Inglaterra. Ficamos juntos por treze anos, tivemos um casal de filhos e hoje estamos divorciados.

Ialdo Belo: Os brasileiros são muito passionais, sabia que tem pessoas com raiva de você por ter se casado com Sir Patrick, condenado por homicídio involuntário pela justiça italiana no caso da morte do Senna, tipo "ela está dormindo com o inimigo?

Betise Assumpção: A minha relação com o Ayrton era puramente profissional. com Patrick é pessoal. Ainda existe, pois sou mãe de dois filhos dele.
O que aconteceu foi um acidente, ninguém queria matar o Ayrton. Ele correu porque quis. O Sid Watkins falou pra ele no sábado: "O Ratzenberger morreu na pista, esta corrida não deveria acontecer. Não corra. Vá pra casa, vá pescar. Largue a F1, você não precisa disso."
Ele quis correr assim mesmo. Aconteceu, foi uma fatalidade.

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Justiça não encontrou culpados pela morte de Senna

01 de maio de 2009 • 00h01 • atualizado às 02h26
Terra - esportes.terra.com.br

Foram abertos processos legais contra seis pessoas por causa da morte de Ayrton Senna, ocorrida em 1º de maio de 1994, no circuito de Ímola, na Itália. Os acusados foram Frank Williams, Patrick Head e Adrian Newey, da Williams; Fedrico Bendinelli, representando os proprietários do Autódromo Enzo e Dino Ferrari; Giorgio Poggi, como diretor do circuito, e Roland Bruynserarde, diretor de prova e que aprovou o circuito para a corrida.

A primeira sentença foi dada em 16 de dezembro de 1997, declarando como inocente todos os acusados de homicídio involuntário.

Segundo a Justiça, a morte de Senna ocorreu por causa de uma ruptura na barra de direção do carro do brasileiro. Ela havia sido cortada e soldada novamente a pedido de Senna, para que ele pudesse se acomodar melhor no cockpit do carro.

Logo após a decisão da corte, uma apelação foi apresentada por um procurador do Estado contra Patrick Head e Adrian Newey.

Em 22 de novembro de 1999, a corte de apelação absolveu Head e Newey de todas as acusações, afirmando que não havia nenhuma evidência contra a dupla (faltavam informações da caixa preta do carro de Senna, que havia se danificado, e 1s6 de vídeo da câmera instalada no carro do brasileiro - isso porque a transmissão de TV mudou para outra câmera pouco antes do acidente.

Diante da ausência de provas claras e de acordo com o Código Penal da Itália, o julgamento teve de ser declarado como "não-existente ou que já não estava em vigor".

Essa decisão foi anulada em janeiro de 2003, quando a Corte Suprema da Itália considerou que os artigos tinham sido mal interpretados. Um novo julgamento foi ordenado em 27 de maio de 2005, com Head e Newey sendo absolvidos novamente.

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Patrick Head eliminou provas em seguida a morte de Ayrton Senna

Patrick Head lutou para colocar as mãos nas caixas do gravador de dados (caixa preta do carro Williams FW16) imediatamente após o acidente de Senna.

Livro: Fatal Weekend escrito pelo jornalista britânico Tom Rubython, ano 2015.

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FONTES PESQUISADAS

BELO, Ialdo. Não gosto da F1 - diz em entrevista exclusiva Betise Assumpção. Disponível em: <http://www.formulai.us/2017/09/odeio-formula-1-desabafa-em-entrevista.html?spref=fb>. Acesso em: 20 de setembro 2017.

TERRA - Justiça não encontrou culpados pela morte de Senna. Disponível em: <http://esportes.terra.com.br/automobilismo/formula1/2009/interna/0,,OI3737135-EI12988,00-Justica+nao+encontrou+culpados+pela+morte+de+Senna.html>. Acesso em: 24 de setembro 2017.

RUBYTHON, Tom. Fatal Weekend. 1º Edição. Great Britain: The Myrtle Press, 12 de novembro de 2015.

terça-feira, 23 de maio de 2017