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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O dia em que Senna pilotou um McLaren com motor Lamborghini

Insatisfeita com o baixo rendimento do motor Ford ao longo de 1993, a McLaren fez testes com um V12 da Lamborghini

22/08/2019 - Rodrigo França e Luiz Felipe Chaguri / Fotos: Divulgação / Fonte: iCarros


Uma das histórias mais curiosas da carreira de Ayrton Senna foi o seu teste com uma McLaren de motor Lamborghini em 1993. Insatisfeita com o motor Ford-Corsworth daquela temporada, a equipe inglesa estudava uma parceria com um novo propulsor para 1994.

O momento mais marcante desse período de incertezas aconteceu no dia 20 de setembro de 1993, quando Senna apareceu na pista de Estoril, em Portugal, com uma McLaren inteiramente pintada de branco. Era justamente o McLaren-Lamborghini MP4/8B e no mesmo palco da primeira vitória do piloto na F1 oito anos depois.

A procura por um novo propulsor era mais que justificada. Afinal, o próprio tricampeão mundial de F1 também já pensava em outras alternativas caso o time inglês não conseguisse um bom pacote técnico. O brasileiro acabou anunciando sua transferência para a Williams a partir da temporada seguinte.

Detalhes do carro


Chefe de equipe da McLaren, Ron Dennis buscava um motor de 10 ou 12 cilindros para manter a competição com a Williams e a Benetton. Senna esteve nas conversas com o engenheiro Mauro Forghieri e exigiu um carro mais eficiente para pilotar, que contasse com muito torque em rotações médias e mais suavidade na potência dos giros mais elevados.

Para ser ter uma ideia, o motor Ford-Cosworth da McLaren era versão cliente e tinha aproximadamente 50 cavalos a menos de potência que o Ford oficial de fábrica, que era utilizado pela Benetton de Michael Schumacher e Riccardo Patrese. Na comparação com a Williams, o desempenho era ainda pior: cerca de 80 cavalos a menos que o motor Renault de Alain Prost e Damon Hill.

Este fator, por sinal, é determinante para valorizar vitórias históricas de Senna naquele ano, como a do GP Brasil e de Donington Park - ambas contando com a chuva como aliada.

O motor desenvolvido pela Lambo contava com 70 cavalos a mais de potência do que aquele utilizado pela McLaren em 1993, além de um propulsor V12. Tudo isso deixou Senna bastante animado.

Lamborghini na F1

A norte-americana Chrysler comprou a Lamborghini em 1987 e um dos focos era justamente competir na F1. Em 1989, o fornecimento de motores começou para a Lola, uma das pequenas do grid. Em 1990, a marca expandiu e também começou a equipar os carros da Lotus.

Em 1991, a Lamborghini esteve com os carros da Modena e da Ligier. O resultado foi um fracasso, sem marcar pontos com as duas equipes. Em 1992, as equipes foram Minardi, do brasileiro Christian Fittipaldi, e Larrousse. Em 1993, somente a Larrousse permaneceu com os motores Lambo. No total foram 80 Grandes Prêmios.

Os testes do “McLambo”

O primeiro teste de Senna com o motor da Lamborghini foi no dia 23 de setembro de 1993, com um carro era completamente branco, sem patrocínios. O brasileiro mostrou empolgação com a nova máquina, mas a McLaren surpreendentemente fechou com a Peugeot, que forneceu unidades de dez cilindros no ano seguinte para o time britânico.

Piloto de testes da McLaren até a 13ª corrida da temporada, Mika Hakkinen assumiu o posto de segundo piloto da equipe justamente no GP de Portugal, após um desempenho decepcionante do norte-americano Michael Andretti na categoria. No entanto, o finlandês também testaria o motor Lamborghini em Silverstone depois e cravaria um tempo 1s2 melhor do que aquele estabelecido com os motores Ford em 1993 no final de semana do GP da Inglaterra.

Senna, inclusive, já queria utilizar o novo motor nos últimos três GPs da temporada (Portugal, Japão e Austrália). No entanto, o tricampeão admitia que mais potência e sofisticação eram necessárias para adquirir mais competitividade. “Estou certo que será um ótimo motor para a próxima temporada”, disse Ayrton na época, que vivia também a indefinição de onde correria em 1994.

Os motores Peugeot escolhidos para 1994 não duraram mais de uma temporada na equipe. Após a saída de Ayrton para a Williams, a McLaren não venceu corridas em 1994 e trocou o fornecedor no ano seguinte, firmando uma parceria longa e duradoura com a Mercedes (1995-2014), que culminou com conquistas do Mundial com Hakkinen (1998-1999) e o primeiro título de Lewis Hamilton na F1 (2008).

Bastidores polêmicos

O que poucas pessoas souberam na época é que a McLaren já havia feito um acerto financeiro com a Peugeot antes dos testes com o motor Lamborghini e por isso o acordo com a Lambo não foi para a frente. Quem confirmou isso foi Martin Whitmarsh em depoimento ao britânico Tony Dodgins, autor do livro Ayrton Senna: All his Races.

Whitmarsh era um dos chefões da McLaren junto com Ron Dennis e lembrou do dia em que ambos foram na sede da Lambo.

“A Lamborghini chegou e nos mostrou os dados de telemetria e o motor era fantástico, com 50 ou 60 cavalos a mais do que o que nós tínhamos (Ford), e com 30 kg mais leve. Mas eu não acreditei naqueles dados porque eu via o quanto aqueles carros (da Larrousse) eram lentos. Eu lembro que fui na Lamborghini e colocamos o motor no dinamômetro e realmente vimos a agulha girar e alcançar os números de potência que eles realmente afirmavam”, disse Whitmarsh.

A decepção de Senna

“No final, não achamos que a Chrysler honraria o compromisso (de desenvolver o motor) e fizemos um acordo com a Peugeot em 1994. Contratualmente, apesar de termos testado esse motor da Lamborghini e até antes de executá-lo, eu disse ao gerente da equipe, Dave Ryan, o que deveria acontecer com o carro (no teste). Não deveria ir mais rápido que X. Se isso acontecesse, nos iria causar alguns grandes problemas contratuais. E acrescentei: ‘Mas não se preocupe, não vai (acontecer)’.

“Dave me ligou da pista e disse ‘Olha, eu não consigo parar o crescimento desse carro, ele está indo muito rápido. Parece muito bom e tem o Ayrton dentro’. Então eu disse a ele para colocar 100 kg de combustível e não dizer nada a ninguém.

“Aquilo era uma verdadeira bagunça e eu estava tendo que administrar isso. Mas o Ayrton, obviamente, percebeu que era mais rápido que o carro de motor Cosworth e queria competir com o Lamborghini nas últimas três corridas de 1993. Ele estava muito chateado que nós não faríamos isso”.

Mesmo sem os Lambo, a McLaren mostrou um desempenho melhor no final daquela temporada e venceu as últimas duas corridas com Senna no Japão e na Austrália, justamente as duas últimas vitórias do piloto brasileiro na F1. Após a decepção com a McLaren, a Lamborghini nunca mais voltou a correr na categoria.












FONTE PESQUISADA

FRANÇA, Rodrigo; CHAGURI, Luiz Felipe. O dia em que Senna pilotou um McLaren com motor Lamborghini. Disponível em: <https://www.icarros.com.br/noticias/automobilismo/o-dia-em-que-senna-pilotou-um-mclaren-com-motor-lamborghini/26965.html>. Acesso em: 22 de agosto 2019.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Teste em Jerez na Espanha 1991, Posa para os fotógrafos 1991 e Assiste às provas de tempo do GP da França 1991 (Fotos)


Piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna (1960-1994) do Brasil na foto durante testes em Jerez, na Espanha, por volta de fevereiro de 1991.


Formula One driver Ayrton Senna (1960-1994) of Brazil pictured during testing in Jerez, Spain, circa February 1991.


O campeão brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, posa para os fotógrafos em 7 de março de 1991, após a reunião geral de pilotos em preparação para o Grande Prêmio de Phoenix. - Phoenix abre a temporada do Grande Prêmio de 1991, seguida pelo Grande Prêmio do Brasil.

Brazilian Formula One champion Ayrton Senna poses for photographers on March 7, 1991 after the general drivers meeting in preparation for the Phoenix Grand Prix. - Phoenix opens the 1991 Grand Prix season followed by the Brazilian Grand Prix.



O campeão brasileiro da Fórmula 1 Ayrton Senna (esq.) assiste em 14 de maio de 1991 às provas de tempo do Grande Prêmio da Fórmula 1 em Magny-Cours, França, em julho.


Brazilian Formula One champion Ayrton Senna (L) watches on May 14, 1991 the time trials for the French F1 Grand Prix to be held in Magny-Cours, France in July.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Ayrton Senna testando o motor V12 da Chrysler-Lamborghini em um McLaren MP4/8B (Fotos)

Ayrton Senna testando o motor V12 da Chrysler-Lamborghini em um McLaren MP4/8B enquanto a equipe avaliava suas opções para 1994. Circuito do Estoril, Portugal, setembro de 1993.

Ayrton Senna testing the Chrysler-Lamborghini V12 engine in a McLaren MP4/8B as the team weighed up their options for 1994. Estoril Circuit, Portugal, September 1993.





quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O primeiro e impressionante teste de Senna na McLaren em 1983

Em 25 de outubro de 1983, Ayrton Senna pilotou pela primeira vez um carro da McLaren, a mesma equipe pela qual conseguiria seus três títulos mundiais anos depois. Campeão da F-3 Inglesa dois dias antes, o piloto brasileiro recebeu a oportunidade da equipe britânica justamente pelo título da categoria, assim como o rival Martin Brundle, vice-campeão da mesma competição. Stefan Bellof, jovem talento alemão, foi o terceiro piloto convidado que também participou do dia de testes em Silverstone, na Inglaterra.



Logo que entrou na McLaren número 7 do titular John Watson, Senna impressionou Ron Dennis, chefe de equipe. O brasileiro em apenas seis voltas conseguiu cravar o tempo de 1min14s8, superando o melhor tempo de Watson no treino classificatório do GP da Inglaterra de 1983, que era de 1min15s609.
“Até agora ele tem se saído muito bem. O Ayrton foi consideravelmente o mais rápido com esses pneus que já havíamos usado em Silverstone. Esperamos mandar ele de volta à pista mais tarde e com certeza ele irá melhorar ainda mais”, disse Ron Dennis em entrevista para Reginaldo Leme nos boxes.
 



E Senna continuou acelerando firme e forte para baixar seu tempo. O piloto brasileiro entrou na McLaren de Niki Lauda, que tinha outra configuração de motor, e melhorou sua melhor marca para 1min13s9. No final do dia, Senna havia sido mais rápido que Brundle e Belloff.
“Eu me senti muito confiante no carro e ele era extremamente fácil de guiar. A velocidade aqui em Silverstone é muito grande, mas relativamente eu me senti muito à vontade no automóvel. Os resultados foram maravilhosos, melhor até do que eu esperava. Eu apenas começo a perceber como é que se ganha uma corrida de F-1. Está mais no carro do que no próprio piloto. Desde que o carro seja rápido e fácil de guiar, você se torna um ou dois segundos mais rápido, ou mais lento. Mas de uma forma geral eu estou muito contente e acho que foi maravilhoso esse teste”, disse Senna, também em entrevista para o jornalista da TV Globo.

Poucos dias depois de pilotar a McLaren, Senna acabou testando com a Toleman, equipe por onde iniciou sua trajetória de sucesso na F-1. Seu primeiro teste com um F-1 havia sido com a Williams ainda em julho.



FONTE PESQUISADA

AYRTON SENNA - O PRIMEIRO E IMPRESSIONANTE TESTE DE SENNA NA MCLAREN EM 1983. Disponível em: <http://www.ayrtonsenna.com.br/piloto/formula-1/1983-o-ano-dos-testes-na-f-1/senna-na-mclaren-em-1983-o-primeiro-e-impressionante-teste-da-historica-parceria-na-f-1/?utm_source=Facebook&utm_content=Post_2510>. Acesso em: 25 de outubro 2017.



quarta-feira, 19 de julho de 2017

GALERIA: Há 34 Anos, Senna Testava Pela Primeira Vez Um F1

Motorsport - br.motorsport.com
19/07/2017

Confira em 30 fotos o primeiro dia em que Ayrton Senna testou um carro de Fórmula 1, no ano de 1983 em Donington Park

O primeiro treino de Ayrton Senna na Fórmula 1 completa 34 anos nesta quarta-feira (19). No ano em que o sagrou campeão inglês de Fórmula 3, o brasileiro fez um teste surpreendente com a Williams, que na época tinha como pilotos Keke Rosberg e Jacques Laffite.

Aos 23 anos, Senna deu 83 voltas na ocasião. O piloto não só foi mais rápido que os dois, como quebrou o recorde do traçado do circuito de Donington Park naquela configuração, com 1min00s82. 

Não esqueçamos, é claro, do gesto que ficou imortalizado naquele dia antes do teste. Senna deu três batidas na base da asa traseira da Williams e disse: "É hoje". De fato, aquilo era o começo de tudo.

Confira fotos daquele dia:

































FONTE PESQUISADA

MOTORSPORT - GALERIA: Há 34 anos, Senna testava pela primeira vez um F1. Disponível em: <https://br.motorsport.com/f1/news/senna-testa-primeira-vez-um-f1-932821/#image-ayrton-senna-was-to-test-the-williams-fw08c-for-the-first-time-13966626>. Acesso em: 19 de julho 2017.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Relembre o Teste de Senna Com o Audi S4 Para Quatro Rodas

Avaliação foi a última colaboração que Senna fez para a revista, pouco antes de sua morte

Por Eduardo Pincigher / Fotos: Marco de Bari 
22 dez 2016, 21h00 - Atualizado em 22 dez 2016, 21h04 

Ayrton Senna testando o Audi S4

* Reportagem originalmente publicada em junho de 1994

Pouco mais de dois meses antes de sofrer o acidente fatal no Grande Prêmio de San Marino, Ayrton Senna esteve no Autódromo de Interlagos.

Daquela vez, porém, o tricampeão mundial não se encontrava ali para competir. Mas para dar, com exclusividade a QUATRO RODAS, suas impressões ao dirigir o Audi S4. Um dos modelos que ele mesmo, através da Senna Import, começava a trazer ao país.

Garoava forte, o que tornava a ocasião propícia para avaliar o carro. Ainda mais com o Rei da Chuva ao volante. Na Curva do Sol, o velocímetro já marcava 130 km/h, em terceira marcha. Consciente de que era preciso aquecer os pneus, o piloto diminuiu o ritmo, enquanto contornava o traçado.


Na reta dos boxes, as marchas eram trocadas a 6.000 rpm, exceto na passagem da quinta para a sexta, quando o conta-giros apontava 5.200 rpm. “Jamais havia guiado antes um carro de passeio tão veloz, aqui em Interlagos”, impressionou-se Ayrton, ao olhar para o velocímetro, que marcava 195 km/h.

Aquilo era só o começo. No instante da freada para o S do Senna, o Audi chegou a 205 km/h. Ayrton, então, parou de falar. Iniciou a frenagem, reduzindo marchas com invejável rapidez, sempre intercaladas com punta-tacos. A tomada apontava para dentro da curva, como se ele estivesse a bordo de um Fórmula 1. Feita a manobra, o carro escapou levemente para fora.

Ayrton Senna testando o Audi S4

Mas seu piloto se chamava Ayrton Senna da Silva. Com um contragolpe no volante, ele fez com que o Audi retomasse a trajetória original sem maiores dificuldades. E, quando beliscou a zebra, a Curva do Sol já reaparecia, bem à frente. Chegando à Curva do Lago, pé no freio, reduções de marcas, acelerador a fundo novamente. Uma manobra perfeita, e fim de test drive.

“Cabem cinco pessoas com folga no interior do S4. Ele é um automóvel muito confortável, e você pode sentir isso andando em qualquer velocidade”, resumia um entusiasmado Ayrton, ao tirar o capacete. “Além disso, carros turbinados, como este, são mais divertidos de acelerar. isso tudo sem deixar de lado a segurança, nossa principal preocupação ao trazê-lo para o Brasil”.

Ayrton Senna testando o Audi S4


Opiniões de Senna

Tração permanente: “É a maior vantagem sobre os concorrentes. Com ela, ganha-se muito em estabilidade. Como as quatro rodas tracionam, não há perigo de um dos eixos derrapar em uma curva veloz. Na chuva, então, esse sistema é fantástico. Garante muita segurança aos passageiros.”

Segurança: “Na Alemanha, guiei uma Avant S4 (versão station do carro testado) nas autobahnen, a mais de 240 km/h. Fiz, então, a seguinte experiência: tirei as mãos do volante e subi no pedal de freio. A perua parou em linha reta, e não apresentou fading. Fiquei impressionado com o sistema de freios e com a eficiência do ABS.”


Overboost: “É um recurso que utilizávamos nos Fórmula 1 da era turbo. Na hora de ultrapassar outro carro, bastava apertar um botão no volante que a turbina exercia pressão extra sobre o motor. O S4 tem o mesmo sistema, só que é automático. O motor recebe 25 cv a mais instantaneamente. Ao ultrapassar um caminhão numa estrada de mão dupla, o overboost garante a realização da manobra com maior rapidez e segurança.”


FONTE PESQUISADA

PINCIGHER, Eduardo. Relembre o teste de Senna com o Audi S4 para QUATRO RODAS. Disponível em: <http://quatrorodas.abril.com.br/noticias/relembre-o-teste-de-senna-com-o-audi-s4-para-quatro-rodas/>. Acesso em: 24 de dezembro 2016.