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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Rivais No Brasil e Europa Analisam Ayrton Senna Nos 21 Anos da Morte da Lenda

Postado por Bernardo Bercht em 1 de maio de 2015 


Senna puxando a fila em Tarumã, com Neco "na pressão". Foto Arquivo Pessoal

Durante a realização do especial dos 20 anos da morte de Ayrton Senna, no ano passado, reunimos extenso material a partir de grandes entrevistas com rivais do tricampeão de Fórmula 1. Muitas passagens interessantes acabaram recebendo destaque secundário, ou nem foram para a reportagem principal. Agora, nos 21 anos, a gente recupera as falas dos adversários do kart Maurizio Sandro Sala, o gaúcho Neco Fornari e o maior rival Terri Fullerton; e acrescenta o depoimento do adversário nas pistas inglesas Enrique Mansilla, para traçar um perfil de pilotagem do piloto mais consagrado do Brasil.  Acima, assista à entrevista com o preparador [de kart] e ex-piloto Neco Fornari, que em 1981 duelou em Tarumã com Senna.

Senna disputou 161 corridas durante 10 anos na Fórmula 1, mas até chegar lá sua jornada pelo automobilismo foi bem mais extensa. Num total de 18 anos nas pistas, divididos entre kart, Fórmula Ford, Fórmula 2000 e Fórmula 3, o tricampeão transformou muitos pilotos em rivais e fez algumas amizades nos bastidores. Parte dessa história que formou o tricampeão mundial pode ser contada nos trechos abaixo.

Dedicação


Paulistas foram rivais no kartismo paulista dos anos 70. Fotos arquivo pessoal

A dedicação do Ayrton sempre foi enorme. Ele quase sempre se deu melhor que eu, era mais rápido e tinha essa necessidade de ser. Superei para valer apenas em uma prova com chuva, na qual o Ayrton acabou batendo e talvez tenha reforçado os treinos dele no molhado. Eu acredito que ele não “curtia” o automobilismo, não era um apaixonado como eu, por exemplo. O Ayrton era dedicado, sim, a ser o melhor. Acredito que se ele fosse jogar tênis, também trabalharia até ser um dos melhores do mundo. (Sandro Sala)

Um amigo obstinado



Troca de informações acabou em acidente dos companheiros de Formula Ford, Quique e Da Silva

Comigo sempre foi um cara de grande coração. Era muito eficiente e introvertido, com uma grande cabeça que lhe permitia trabalhar de uma maneira muito séria. Acredito que isso foi aplicado em toda a sua vida. Era uma pessoa muito intensa, ainda mais quando colocava o capacete. Era arrojado e lutador, tanto que nas fórmulas de base teve vários acidentes quando não ganhava, acabou até em cima do carro de Martin Brundle, em Oulton Park em 1983.(Quique)


"Acabou até em cima do carro de Martin Brundle, em Oulton Park em 1983" (Quique)

O jovem Ayrton era muito focado nos automóveis

Ele era muito introvertido. Frequentava a minha casa, onde usualmente iam os pilotos da época, pessoal que corria em Interlagos, pilotos de moto também para se divertirem, falar bobagem… Mas o Ayrton ficava mesmo no assunto das corridas, da pista; ele era pouco enturmado para festas e outras questões sociais. (Sandro Sala)

O Ayrton era calado, vivia seu mundo, comentava muito da parte técnica. O automobilismo tomava conta dos assuntos. (Quique)

O Ayrton era muito dedicado. Ele não pensava nisso (festa e badalação) em certas horas, pois estava focado. Foi ele quem puxou aquilo de ginástica, ser atleta e ter toda aquela obstinação. Aí o pessoal meio que confundiu, ainda teve a brincadeira do Piquet de que não gostava de mulher… Já viu… Eu acredito que ele não estava prestando atenção nisso e o Piquet sempre me falou que era tudo uma piada, que nunca acreditou naquilo tudo. (Neco Fornari)

Da ajuda às vias de fato…


Dupla sul-americana dominou os campeonatos britânicos em 1981, mas quando se topavam era encrenca

Das nossas disputas em 1981, lembro de um momento bacana, mas que também criou grande rivalidade na quarta prova do ano, em Mallory Park. Ayrton vinha atrás de mim e depois que saímos do carro, me disse. “Quique, você está errando aqui e ali. Na próxima volta me siga que vou te mostrar as linhas”. Assim aconteceu, fui atrás ele classificou na pole, eu em segundo.
Na corrida, larguei bem e fugi da briga, pulei para primeiro, enquanto Ayrton brigava com o inglês Rick Morris e outros. Mas faltando duas ou três voltas ele conseguiu se livrar dos adversários e veio para cima. Aí tivemos um famoso “contato”. Ele interpretou que eu havia tocado por intensão, apesar dele ter batido. Ali começou alguma rivalidade, pois até então como pessoas não tínhamos qualquer problema. O chefe, Ralph Firman, teve de nos separar, cada um correndo no seu campeonato. (Quique)


Senna parte para briga e aperta o pescoço do rival  em um dos vários desentediamentos que os dois tiveram

De onde surgem os Ayrtons

Para termos um grande piloto como Ayrton, o mais importante é desenvolver a personalidade de um vencedor, de um grande competidor quando o garoto é jovem, dos 9 aos 13 anos. Não apenas a habilidade, mas o espírito e atitudes vencedoras. O desenvolvimento físico é muito importante, mas é preciso concentrar muito no aspecto mental do esporte. (Fullerton)

1º de maio de 1994


Senna perseguindo Sala na chuva, na adolescência, uma oportunidade rara de liderar o tricampeão

Estava velejando quando Ayrton morreu, naquele primeiro de maio. Me choquei com a morte, mas não o acidente. Pela postura dele, de sempre explorar o limite, a “carreira” dele não ia terminar de uma maneira normal. Não dava para esperar que ele “deixasse” as corridas simplesmente.(Sandro Sala)

A última vez que o encontrei em pessoa foi no Grande Prêmio de Phoenix, quando já tinha saído do automobilismo, em 1991. Como estava nos Estados Unidos, chamei Ayrton e Martin Brundle para almoçamos juntos. Foi nosso último contato pessoal em que falamos bastante de Fórmula 1, pois ele tinha sido campeão mundial. Acompanhei pela TV o acidente em 1994. Fiquei muito triste e abalado, pois tínhamos a mesma idade e via ele como um garoto de origens parecidas e o mesmo sonho. (Quique)

Toleman na chuva, o show em Mônaco


Isso não vai dar certo... E não deu, Senna travou rodas, e colidiu com Mansilla em Mallory Park

A corrida mais impressionante do Ayrton foi aquela de 1984 em Mônaco com a Toleman. Mostrou para todo mundo o que ele podia fazer, quem estava vindo ali. Ele foi fantástico também no ano seguinte em 1985, assim com em Donington 1993, tinha um controle do carro diferenciado na chuva.(Fullerton)

Rival assistia F-1 por causa de Senna

Eu não era um grande fã de Fórmula 1 naquela época, mas acompanhei muitos momentos do Ayrton, exatamente por ter sido meu adversário. (Fullerton)

Divisão dos garagistas e “patrocinados”


Senna atravessando à frente de Sala. Rivalidade que seguiu para Europa, ainda que em categorias diferentes

A gente se encontrou na Europa algumas vezes quando fui para lá. Ele acabou viajando dois anos antes e eu concorria era contra o Maurício Gugelmin (também piloto), que morava com o Ayrton e se tornou amigo. Ali tinha uma rivalidade emprestada, por competir contra o parceiro de residência, daí e a gente nunca trocou informações ou acabou tentando se ajudar. Sempre foi muito grande essa “disputa”.

Tinha uma certa divisão, pois eu e o Roberto Moreno fomos os únicos pilotos a irem para Europa sem apoio de qualquer patrocinador. A gente era da turma garagista, que dormia no fundo da oficina, enquanto o Senna e até o Piquet tiveram uma estrutura melhor. O Ayrton morava numa casa e tinha um carro para se locomover perto do autódromo. Eu morava longe de tudo e acompanhava sempre a equipe. (Sandro Sala)

A última confusão dos latinos

Um dia, em Brands Hatch pela Fórmula Ford, o Alfonso Toledano pressionava o Ayrton, que passava Alfonso e vinha para cima de mim (Mansilla), todos da mesma equipe destruindo seus carros. Enquanto isso, o inglês Rick Morris aguardava de camarote. Brigamos tanto que Morris passou. Quando ele subiu ao pódio declarou: “muito obrigado aos pilotos do Ralph Firman por me deixarem ganhar”. Ralph ficou furioso e nos deu o ultimato. “Ou correm de forma civilizada, ou mando os três embora”. (Quique)


 Cartaz promocional da prova que os latinos Senna e Mansilla "deixaram" o inglês Rick Morris ganhar


REFERÊNCIA

BERCHT, Bernardo. Rivais no Brasil e Europa analisam Ayrton Senna nos 21 anos da morte da lenda. Disponível em: <http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/?p=25919>. Acesso em: 10 de julho 2015.

sábado, 28 de março de 2015

Primeiro Rival de Senna Ignorou F-1, Não Guardou Troféus e Queria Amizade Que Não Teve

Publicado em 20/03/2015, 09:35 /Atualizado em 20/03/2015, 09:56
Thiago Arantes, de Barcelona, para o ESPN.com.br

                             ARQUIVO PESSOAL
Senna lidera, seguido por Fullerton: rivalidade no kart foi intensa e acabou em inimizade

Terry Fullerton é um senhor inglês de 62 anos, que vive em Norwich e pede desculpas ao repórter ao atender o telefone. "Não teremos muito tempo, daqui a pouco preciso pegar o carro na oficina".

Uma vida comum, com obrigações cotidianas; quase anônima, parecida à de tantos outros senhores de Norwich, de qualquer parte da Inglaterra, da Europa, do mundo inteiro.

Mas Terry Fullerton, com seus cabelos e bigode grisalhos, é uma figura importante na história de um dos maiores pilotos de todos os tempos.

O inglês foi o primeiro grande rival de Ayrton Senna. Juntos, eles duelaram no kart entre 1978 e 1980. Naquela época, Fullerton já era um piloto experiente, campeão mundial em 1973; Senna, um piloto "com muita velocidade, mas ainda pouco profissional", como define o inglês.

Em 1993, depois de sua última vitória na Fórmula 1, em Adelaide, o brasileiro foi questionado sobre qual foi o rival contra quem mais gostou de correr.

A resposta esperada era Alain Prost, francês que havia se aposentado naquela prova. Mas Senna surpreendeu.


"Eu teria de voltar a 1978, 1979, 1980... quando estava no kart. Eu tinha um companheiro de equipe... Fullerton, o nome dele era Fullerton. Era muito experiente, e eu gostei muito de correr contra ele. Porque ele era rápido, era consistente, ele era, para mim, um piloto muito completo. E era só corrida, era pura corrida. Não havia política, nem dinheiro envolvido. Tenho uma ótima lembrança daquela época".

Uma declaração que ficou perdida no tempo, mas acabou resgatada no documentário "Senna", de 2010. A sequência encerra o filme e deixa uma dúvida: afinal, o que Terry Fullerton teria a dizer sobre o tricampeão?

Para responder a esta pergunta - e a tantas outras - o ESPN.com.br procurou Fullerton. A conversa, que teria "de ser rápida", acabou se estendendo. "Avise que vou atrasar, estou falando sobre corridas com um jornalista do Brasil".

ESPN.com.br - O seu nome ficou muito famoso no Brasil por causa do filme "Senna". Mas hoje, em 2015, quem é e o que faz Terry Fullerton, o adversário com quem Ayrton Senna mais gostou de correr?

Terry Fullerton - Hoje o senhor Fullerton já não é mais um jovem (risos). Estou com 62 anos, tenho uma filha e moramos em Norwich, na Inglaterra. Trabalho muito com pilotos jovens, como instrutor de pilotagem, e viajo muito fazendo este trabalho - toda a Europa, Estados Unidos, Filipinas... Neste ano comecei algo novo, estou fazendo meus próprios karts, e recentemente fui instrutor do programa de jovens pilotos da Force India no kart, com três pilotos indianos. Os últimos anos têm sido muito movimentados e eu tenho aproveitado muito, porque adoro o que faço.

                                        ARQUIVO PESSOAL
 Nos tempos do kart, quando inspirava Senna

ESPN.com.br - A referência do Senna à rivalidade de vocês foi feita no fim de 1993, mas muita gente só tomou conhecimento dela com o lançamento do filme. O senhor sabia que ele tinha dito aquilo?

Fullerton - Eu soube da declaração dele na época, porque um amigo estava em Adelaide e ele me contou, não me lembro como. Mas eu fiquei sabendo, fiquei bem surpreso, aliás. Só que, com o tempo, eu me esqueci disso. Depois, com o documentário, a história voltou a aparecer.

ESPN.com.br - Nos já conhecemos as memórias de Ayrton Senna sobre o Mundial de kart entre 1978 e 1980, quando vocês foram companheiros. Quais são as suas memórias daquela competição?

Fullerton - Minhas memórias são bem diferentes das dele. Eu lembro dele chegando à nossa equipe. Um jovem muito bom, rápido, mas que não era um piloto completo, não era profissional. Era um garoto com velocidade pura, mas que ainda não conseguia entender algumas coisas. Dava pra ver que ele tinha muito talento e vontade de aprender. Eu gostei daquela época, eu precisava estar sempre no auge para competir contra ele. Infelizmente, até pelo jeito de ele ver as coisas, ele logo começou a me ver como um inimigo, nós praticamente não nos falávamos mais, mas ele me respeitava. Nós poderíamos ter sido amigos, mas não aconteceu.

ESPN.com.br - Senna afirmou que o senhor foi o rival com quem mais se divertiu em uma pista. E qual foi o rival com quem o senhor mais gostou de competir?

Fullerton - Senna poderia ser um deles. Mas houve outro piloto com quem eu aprendi muito e que acabou sendo minha inspiração. Um belga chamado François Goldstein, que foi cinco vezes campeão mundial de kart. Ele foi quatro vezes campeão antes de mim, daí eu consegui vencê-lo em 1973. Esse cara sabia tudo: era muito rápido e entendia de acerto, de testes, era o melhor daquela época. Eu não gostava muito dele como pessoa, mas admito que ele me ensinou muito, mesmo em equipes diferentes.

                            ARQUIVO PESSOAL
Fullerton (à esquerda) e Senna, ainda sem o capacete amarelo, em 1979

ESPN.com.br - Sua rivalidade com o Ayrton Senna acirrou-se depois de uma corrida em que, na opinião dele, o senhor teria feito uma manobra ilegal...

Fullerton - Isso! Eu me lembro muito bem: Champions Cup de 1980, na Itália. Corríamos juntos na DAP, e ele já tinha melhorado muito como piloto, era nosso terceiro ano juntos. Ele chegou a essa etapa, a última do campeonato, na liderança dos pontos e largava na pole. Eu era o vice-líder e largava em quarto. Quem vencesse a corrida seria campeão, e, logo no início, ele abriu uns 120 metros de vantagem em primeiro e eu fiquei em segundo. A partir da metade da corrida, comecei a ver que estava encostando nele. Faltando dez voltas, ele começou a olhar para trás nas curvas. Na última volta, cheguei muito perto e, na segunda curva, joguei o kart na linha de dentro, fiz ele travar as rodas para não nos chocarmos, e me mantive na frente. Fizemos a volta inteira lado a lado, ganhei por 6 ou 8 metros de vantagem no fim. Não foi uma manobra ilegal, mas ele reagiu mal, não conseguia aceitar que havia perdido. Depois disso, ele falou muitas coisas que não aconteceram, eu talvez teria ficado chateado e falado também, se fosse comigo... Depois, na carreira dele, vimos ele reclamando assim outras vezes. Mas aquela foi talvez a primeira vez em que isso aconteceu. Eu prefiro lembrar daquela corrida como uma das melhores que fiz na vida.

ESPN.com.br - Naquela época, já dava para perceber que ele era um piloto especial, mesmo não tendo vencido o Mundial de kart?

Fullerton - Não dá para falar que ele seria um campeão de Fórmula 1. Mas dá pra dizer que ele tinha uma maneira de pilotar e uma paixão por vencer que era muito forte, muito grande. Isso dava pra notar muito bem. Ele tinha uma capacidade física e mental boa, e podíamos pensar que, quando fosse experiente, seria um grande piloto. Naquele tempo, não dava pra ver 100%, mas olhando hoje, eu consigo ver os sinais. O mesmo vale para Michael Schumacher: eu corri contra ele algumas vezes, quando ele era um garoto, e foi parecido - dava pra ver que era muito bom, mas não que seria um campeão de Fórmula 1.

ESPN.com.br - Depois daquela época em que correram juntos, o senhor voltou a encontrar-se com Ayrton Senna? Como foi esse encontro?

Fullerton - Nos encontramos algumas vezes quando ele ainda estava no início da carreira nos carros, e depois uma vez quando ele estava de Fórmula 3, em Silverstone. Nos vimos nos boxes, depois de uma corrida em que ele ganhou. Conversamos bastante sobre os anos de kart, e eu disse que ele estava muito bem e havia feito uma grande corrida. Não éramos amigos, mas naquele dia ficou claro que não precisávamos ser inimigos, também.

ESPN.com.br - Onde estão os troféus que o senhor ganhou em sua carreira no kart? Existe alguma sala, alguma espécie de museu onde o senhor os coloca?

Fullerton - Se eu te falar, você não vai acreditar: eu não tenho quase nenhum dos meus troféus! Nunca guardei direito, não fazia questão. Se você um dia vier até a minha casa, não terá a menor ideia de que fui um campeão Inglês, Europeu e Mundial de kart.

ESPN.com.br - Mas por que o senhor nunca os guardou?

Fullerton - A maioria dos troféus que eu ganhei eram tão vagabundos que nem valia a pena guardar. O importante era ganhar a corrida. Os troféus eram horrorosos, ganhei muito troféu feio nessa vida. Tenho muito poucos...

ESPN.com.br - O senhor jamais deixou as competições de kart, por causa da morte de seu irmão em uma competição de motos...

Fullerton - Isso é uma parte da verdade. A outra é que eu gostava muito de kart, gostava mesmo, então nunca tive muito interesse em correr de carros. É claro que ver o meu irmão morrendo em uma pista de motos não ajudou, mas a verdade é que nunca tive muito interesse.

ESPN.com.br - Mas houve alguma proposta na época?

Fullerton - Não, os tempos eram outros. Se você chegasse para uma equipe de Fórmula 1 em 1973 e falasse "Oi, esse é o Terry Fullerton, campeão mundial de kart", eles iam rir na tua cara. Não existia essa cultura de que o kart preparava o piloto para as outras categorias, eles não entendiam que o talento vinha do kart. Depois, com pilotos como [Riccardo] Patrese, [Nigel] Mansell e Senna, essa coisa mudou. A partir do sucesso deles, a percepção passou a ser outra.

ESPN.com.br - O senhor é até hoje um dos melhores instrutores de pilotagem do mundo. Dos pilotos com os quais trabalhou, qual era o mais talentoso?

Fullerton - Eu poderia te citar três nomes, todos muito conhecidos: Anthony Davidson, Danny Wheldon e o mais talentoso de todos com que já trabalhei: Allan McNish. Esses são os três melhores.

ESPN.com.br - Ainda acompanha a Fórmula 1 atualmente? Como vê o momento atual da categoria?

Fullerton - Eu vejo algumas corridas, mas não sou um apaixonado. Gosto de ver, sobretudo os pilotos mais jovens. E também acompanhava os pilotos com quem trabalhei. Paul di Resta, por exemplo, foi meu aluno em 2001.

                             REPRODUÇÃO
Fullerton, aos 62 anos, é instrutor de karts e empresário

ESPN.com.br - Em sua declaração, no filme, Senna diz que a disputa com o senhor era interessante porque era "pura pilotagem, sem dinheiro envolvido". Para encontrar "pura pilotagem" no automobilismo atualmente, é preciso ir até o kart?

Fullerton - Acho que o que ele quis dizer é que havia pouca influência política. Mas, na verdade, tinha influência, sim. Ele apenas não tinha a capacidade de ver isso naquela época, ele era jovem, talvez um pouco inocente... Ele não percebia as influências que afetavam as corridas de kart, inclusive a carreira dele e a minha.

ESPN.com.br - Com toda sua experiência no automobilismo, quem é o melhor piloto que o senhor já viu?

Fullerton - É muito difícil responder isso. O melhor de todos é uma pergunta muito ampla. Mas, levando em conta o talento e a habilidade, seria o Ayrton. Ele era muito rápido, incrivelmente habilidoso...

ESPN.com.br - Mas, contra o senhor, Senna perdeu mais do que venceu...

Fullerton - Ah, se falarmos só do kart... É difícil ser honesto com isso de falar sobre si mesmo, e todos os pilotos se consideram os melhores. Mas eu me colocaria no top 3 kart pós anos-1960. Eu realmente achava que, no kart, eu era o melhor. Claro é uma opinião suspeita, mas eu era bom, apaixonado pelo que fazia, trabalhava muito... E os meus resultados contra o Ayrton me mostram uma coisa interessante, porque eu me medi contra um campeão de Fórmula 1. Isso já me fez pensar no que teria acontecido. Será que eu seria um grande piloto de Fórmula 1? Possivelmente eu seria bom... Mas seria espetacular? Aí não sei, é o tipo de resposta impossível de dar. Foi bom ter essa fase com o Ayrton, foram bons tempos e que me fazem pensar nisso.


FONTE PESQUISADA

ARANTES, Thiago. Primeiro rival de Senna ignorou F-1, não guardou troféus e queria amizade que não teve. Disponível em: <http://espn.uol.com.br/noticia/493776_primeiro-rival-de-senna-ignorou-f-1-nao-guardou-trofeus-e-queria-amizade-que-nao-teve?utm_content=buffer65802&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer>. Acesso em: 28 de março 2015.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Pilotos na Infância - Contemporâneos de Ayrton Senna quando crianças

Alain Prost, francês, tetra-campeão de F-1, foi o maior rival da carreira de Ayrton Senna


Niki Lauda, austríaco, tricampeão mundial de Fórmula 1 e ídolo de Senna, correu as temporadas de 1984 e 1985 com o brasileiro, a últimas da carreira dele na F1 e as primeiras temporadas de Ayrton


Terry Fullerton, inglês, companheiro de equipe e rival de Ayrton no Kart. Foi o primeiro britânico a conquistar o título mundial de kart, em 1973. Em 1993, Ayrton afirmou que o piloto com quem mais gostou de duelar na pista foi Fullerton. Ele não citou Alain Prost, Nigel Mansell, Nelson Piquet e outros contemporâneos de F-1.


Michael Schumacher, alemão, sete vezes campeão na Fórmula 1. Pouco antes de sua morte, Senna desconfiava de que o alemão estaria trapaceando na temporada de Fórmula 1 de 1994. A carreira de Schumacher foi marcada por vitórias e quebra de recordes mas também por muitas acusações de trapaças, manobras sujas, favorecimentos da FIA (Federação Internacional do Automobilismo) e em muito de seus títulos mundiais recebeu a ajuda de companheiros de equipe, como o brasileiro Rubens Barrichello, o mais atuante a seu lado. Por essas condutas o alemão ganhou mais tarde o apelido de "kid vigarista".



Roland Ratzenberger, morreu naquele fim de semana negro da Fórmula 1 em Ímola 1994, assim como Ayrton Senna. Ele era austríaco 


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Maior Rival Diz Que Senna Não Era o Melhor Dos Tempos de Kart

Publicado em 16/01/2015, 13:44 /Atualizado em 16/01/2015, 13:44
ESPN.com.br

DIVULGAÇÃO - TERRY FULLERTON
Cartaz com Ayrton Senna e Terry Fullerton no kart na década de 1970

O documentário "Senna", lançado em 2010, trouxe uma revelação surpreendente do brasileiro tricampeão da Fórmula 1. Em uma entrevista dada em 1993, um ano antes de sua morte no acidente durante o GP de Ímola, Ayrton afirmou que o piloto com quem mais gostou de duelar na pista foi... Terry Fullerton. Quem?

Sim, ele não citou Alain Prost, Nigel Mansell, Nelson Piquet e outros contemporâneos de F-1. O brasileiro lembrou do piloto britânico de kart que o deixava "no chinelo" no final da década de 1970 e que o fez, uma vez, empurrá-lo paradentro da piscina de um hotel por causa de uma derrota.

"Eu teria que voltar para 1978, 1979 e 1980, quando eu estava correndo de kart e era companheiro de equipe de Fullerton. Ele era muito experiente, e eu gostei muito de dirigir com ele, porque ele era rápido, consistente, era para mim um piloto muito completo. Era pilotagem pura, corrida pura. Não existia qualquer política lá, certo? E sem dinheiro envolvido também. Então era corrida pura, e eu tenho isso como uma memória muito boa", afirmou Senna na hoje icônica lembrança.

"Isso abriu para o público o fato de que Senna teve uma vida antes da F-1. E também o fato que ele nem sempre foi considerado o melhor piloto do mundo. Porque quando ele estava no kart, não era. À época era provavelmente eu. Se você fizer um ranking da época, ele estaria provavelmente em quinto ou sexto", garantiu o hoje senhor Terry Fullerton, de 62 anos, em entrevista à agência Reuters.

O piloto nascido em Londres foi o primeiro britânico a conquistar o título mundial de kart, em 1973, e tem orgulho disso até hoje. Afinal, esse sempre foi seu sonho.

"Meu sonho quando eu tinha 13 anos ser ser um piloto profissional de kart. Esse era meu sonho, enquanto para todas as crianças hoje o sonho é estar na Fórmula 1. Quando eu cheguei aos 19 ou 20, me tornei um kartista profissional. Então meu sonho se tornou realidade. Eu amei isso. No final, eu não me conectei com automobilismo. Eu não costumava assistir à F-1, eu só amava o kart", revelou Fullerton.

O britânico explicou na entrevista que conseguia se sustentar no kart durante a adolescência com o salário do pai, um professor de matemática, e lamentou que hoje a situação seja bem diferente, com pilotos gastando 100 mil libras (400 mil reais) para correr uma temporada inteira nos tempos atuais.

"Houve uma grande mudança de fazer isso como algo individual e por diversão para fazer com uma equipe e mais seriamente com todos os dados e outras coisas. As crianças mesmo de nove ou dez anos sabem seus dados e velocidade média. E existem mais pais desesperados. Existem crianças ricas antes, e ainda existem crianças ricas hoje, mas existem mais pessoas desesperadas", analisou.

A propósito: Ayrton Senna foi duas vezes vice-campeão mundial de kart, um título que lhe faltou no currículo e do qual sempre quis conquistar.



FONTE PESQUISADA

Maior rival diz que Senna não era o melhor dos tempos de kart. Disponível em: <http://espn.uol.com.br/noticia/475452_maior-rival-diz-que-senna-nao-era-o-melhor-dos-tempos-de-kart>. Acesso em: 16 de janeiro 2015.


Fullerton hoje



terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Um Dos Últimos Karts de Ayrton Senna Está à Venda!

DALMO HERNANDES 10 JANEIRO, 2015
Flatout - flatout.com.br

Foto: Bonhams

Antes de se tornar tricampeão de Fórmula 1, Ayrton Senna começou sua carreira como boa parte dos pilotos de F1: nos karts, com os quais competiu entre 1977 e 1981. O Mundial de Kart foi o único que Senna não conseguiu vencer e foi nesta época que ele conheceu seu maior rival, segundo ele mesmo: Terry Fullerton. E agora, um dos karts que Ayrton pilotou naquela época será leiloado no mês que vem — no mínimo, um souvenir e tanto.

Nascido em 1960, Senna começou a competir oficialmente com karts ainda muito novo, com um kart com motor de 1 cv feito por seu pai usando o motor de um cortador de grama. Aos treze, entrou em sua primeira competição regional de kart e, em 1977, conquistou seu primeiro título em um campeonato de grande porte, o Sul-Americano de Kart, que levaria mais uma vez em 1980.

Foto: Bonhams

Ayrton Senna também ficou com o título do Brasileiro de Kart em 1977, 1978 e 1980. O ano de 1978 marcou sua estreia no Campeonato Mundial da categoria. Senna viajou para Le Mans, onde conheceu Fullerton — o britânico e o brasileiro seriam companheiros de equipe no Mundial, defendendo a equipe DAP. Fullerton já competia desde a década de 1960 e não foi apenas um grande rival para Senna, mas também o cara que lhe ensinou muita coisa, nas palavras do próprio Ayrton em uma entrevista.


Senna foi vice-campeãono Mundial de Kart em 1979 e 1980 — no Autódromo do Estoril, em Portugal, e no circuito de Nivelles-Baulers, na Bélgica, respectivamente — seus melhores resultados no campeonato. Em 1981, mudou-se para a Inglaterra para começar a correr com monopostos da Fórmula Ford 1600. Ele venceu o campeonato, mas ainda achou tempo para tentar a sorte no Mundial de Kart daquele ano.

Foto: Bonhams

O mundial aconteceu no Kartódromo de Parma, na Itália, e Senna correria com um kart novo fornecido pela DAP. Só que naquele ano houve mudanças no regulamento e Ayrton acabou correndo com um equipamento inferior ao dos seus rivais: o DAP Chassi BH 33 — exatamente o que aparece nestas fotos e que, como mostra o Kart Online, será leiloado pela Bonhams no próximo dia 5 de fevereiro. O vencedor foi o italiano Mike Wilson, Senna acabou o campeonato em quarto lugar. Imediatamente após a corrida, no dia 20 de setembro de 1981,  o kart foi vendido pelo próprio fundador da DAP, Angelo Parrilla, a seu atual proprietário.

Foto: Bonhams

O kart BH33 número 9 foi vendido sem motor mas recebeu outro, idêntico. Em todos estes anos, foi usado apenas por algumas horas e, por isso, a descrição da Bonhams diz que ele está “como novo”. Estima-se que o carro seja arrematado por algo entre € 24 mil e € 28 mil — cerca de R$ 75-88 mil. Em qualquer situação, diríamos que é dinheiro demais por um kart. Só que a gente está falando de um dos últimos karts que Senna pilotou profissionalmente! Sem dúvida, seu valor histórico é imensurável, e muito maior do que qualquer cifra.

[ Sugestão do leitor Rodrigo Passos via Kart Online ]


FONTE PESQUISADA

HERNANDES, Dalmo. Um dos últimos karts de Ayrton Senna está à venda!. Disponível em: <http://www.flatout.com.br/um-dos-ultimos-karts-de-ayrton-senna-esta-a-venda/>. Acesso em: 13 de janeiro 2015.





O adversário que Ayrton Senna não conseguiu superar

LEONARDO CONTESINI 12 JANEIRO, 2014



Em 1993 o repórter britânico Mark Fogerty perguntou a Ayrton Senna quem havia sido seu maior rival até então. Muita gente esperava ouvir o nome do francês narigudo tetracampeão do mundo. Mas não foi essa a resposta de Ayrton.

Na época Senna já era tricampeão, reconhecido até mesmo por Juan Manuel Fangio, fã declarado da pilotagem do brasileiro. Ele poderia ter dito qualquer um dos grandes nomes da época, mas por algum motivo Senna foi direto à sua época de kart, e voltou ao único campeonato que não conseguiu vencer – o mundial de kart, que disputou entre 1978 e 1982.


Depois de vencer o campeonato paulista, três títulos brasileiros e outros três sul-americanos de kart, Senna partiu para Le Mans, onde disputaria o campeonato mundial de 1978 pela equipe DAP. Ele seria parceiro de Terry Fullerton, um piloto britânico que corria de kart desde a década de sessenta e havia sido campeão mundial em 1973. Fullerton tinha 25 anos, estava no auge da carreira e inicialmente não viu nada de especial no brasileiro introvertido de 17 anos.

Até a hora do primeiro teste.

Senna montou no kart e foi para a pista. Deu três voltas, voltou ao box, fez algumas alterações e depois de sete voltas igualou o tempo de Fullerton. A equipe não acreditava no que via. Em apenas 10 voltas aquele novato pagante brasileiro igualara o tempo de um dos maiores nomes do kartismo mundial.


Senna havia encontrado seu rival. Fullerton teve a certeza de que o brasileiro seria uma estrela.

Os dois pilotos disputariam o título mundial de kart em 1978, 1979 e 1980. Senna chegou ao vice-campeonato duas vezes, à frente do britânico, que jamais voltaria a conquistar o título. Ele ainda seria superado por Fullerton na Champions Cup, quando o britânico usou sua experiência para tirar Senna da disputa da última curva da corrida. Talvez tenha sido quando Senna aprendeu a forçar o adversário a tirar o pé para não bater e assim manter a dianteira.

Talvez também tenha sido o momento que Senna lembrou quando o repórter britânico perguntou quem havia sido seu maior e melhor rival. Senna respondeu:

Fullerton. Ele era muito experiente e gostei de correr com ele por que ele era rápido e consistente. Ele era, pra mim, um piloto completo. Tenho boas lembranças disso. Era competição pura, automobilismo puro. Sem política nem dinheiro envolvido. Aprendi muito com ele.

Ele foi o único adversário que Senna não conseguiu superar.

Fullerton continuou correndo de kart até 1984. Depois disso abriu uma academia de pilotagem de kart, onde foi instrutor de Dan Wheldon, Allan McNish e Paul DiResta.


[Fotos: TerryFullerton.com e Instituto Ayrton Senna (carta do piloto) – via imagem escaneada por Jérémy Talbot ]



FONTE PESQUISADA


CONTESINI, Leonardo. O adversário que Ayrton Senna não conseguiu superar. Disponível em: <http://www.flatout.com.br/o-adversario-que-ayrton-senna-nao-conseguiu-superar/>. Acesso em: 13 de janeiro 2014.