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domingo, 18 de abril de 2021

Senna bate sua marca na pista de atletismo

Senna corre para melhor físico

O Globo, 22 de Janeiro de 1988

ALBERTO LUDUVIG

SÃO PAULO – De calção branco, tênis e sem camisa, Ayrton Senna entrou na pista do Centro Olímpico do Ibirapuera e foi logo brincando com o professor Nuno Cobra:

-É para quebrar o recorde de on­tem?

-Você tem condições para isso - respondeu o professor. ·

Eram ainda 9h30, mas a tempera­tura já estava a 35 graus quando o piloto começou a correr as 20 voltas programadas para ontem. A cada volta, Nuno Cobra anunciava o tem­po e incentivava Senna a manter o ritmo, mesmo sob o calor de um dos dias mais quentes do verão paulista.

Terminado o treino, Senna, que nesta temporada defenderá a McLa­ren ao lado de Alain Prost no Mundial de Fórmula-1, superou em dois segundos sua marca do dia anterior. Se o piloto estava contente por vencer mais um desafio, o professor também estava satisfeito por ter colocado Senna em boas condições físicas após 21 dias de trabalho, que deverá continuar por pelo menos mais duas semanas, antes do início da preparação do carro para o Grande Prêmio do Brasil, em abril.

Senna fez, também, três sessões por semana de ginástica localizada, para fortalecer os músculos dos braços, ombros e pescoço. O piloto quer voltar à Europa no auge de sua capacidade física, alcançada em 86. Na época, morava em Esher, localidade muito arborizada, perto de Londres. Lá, o piloto obedeceu às recomendações de Nuno Cobra, que irá este ano a Montecarlo – para onde Senna se mudou –, para definir um novo programa de treinamento. Depois disso, a preocupação do piloto será a de manter o condicionamento físico adquirido no Brasil.

-Mas isso não será difícil. Na pista ou fora dela, procuro sempre dar o máximo de mim. Se quiser resultados, sei que é preciso trabalhar com seriedade em todos os sentidos.

Quanto a isso, Nuno Cobra não tem qualquer dúvida e, entre os muitos atletas com quem trabalhou, considera Senna um dos mais disciplinados. Segundo  Nuno,  o piloto surpreende pela disposição com que chega para os treinos e nunca reclama do horário ou da quantidade de exercícios que é preciso cumprir. Senna, por sua vez, mesmo com tantos treinos, acha que esse é seu melhor período de férias desde sua entrada no "circo" da F-l.

- E a primeira vez que consigo passar dois meses inteiros no Brasil. Isso está sendo muito bom e quero aproveitar o máximo possível.


FONTE PESQUISADA

LUDUVIG, Alberto. Senna bate sua marca na pista de atletismo. O Globo, 22 de Janeiro de 1988, Matutina, Esportes, página 23.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Jornal do Brasil: Senna lamenta estrear carro novo na Espanha 14/02/1992


Senna revelou para o amigo Chico Serra que terá muito trabalho pela frente. "As Williams estão treinando muito e nós vamos ter que alcançá-los", afirmou.

A conversa entre os pilotos acabou seguindo para um dos assuntos prediletos do tricampeão mundial, a preparação física. "Descansei muito nestas férias e me preparei para a temporada", afirmou Senna.

Aproveitando a presença das câmeras de TV, Senna, ao final da visita, resolveu mostrar as qualidades de seu carro, cantando os pneus do Honda NSX preto que dirigia – o carro foi avaliado por Senna em US$ 180 mil. "Só nesta arrancada ele queimou, por baixo, US$ 1 mil em pneus", brincou Senna, que espera ter o modelo à disposição de seus clientes em breve.

*Senna ganhou esse e outros carros da Honda, por ser um dos consultores/desenvolvedores do modelo.

Leia a reportagem completa:




FONTE PESQUISADA

JORNAL DO BRASIL - Senna lamenta estrear carro novo na Espanha. Jornal do Brasil, 14 de fevereiro de 1992, Esportes/Turfe, 2º edição, página 11.


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Ayrton Senna: Um Excelente Processador de Dados

De René Fagnan,
Quinta-feira, 03 de abril de 2014
auto123.com

Aqui está a nossa segunda reportagem para celebrar o 20º aniversário da trágica morte de Ayrton Senna. Conversamos com o Dr. Jacques Dallaire, o cérebro por trás do treinamento físico e mental de Senna durante toda a sua carreira de Fórmula 1.

Dr. Jacques Dallaire, especialista em desempenho com um doutorado em fisiologia do exercício, trabalhou em estreita colaboração com vários atletas profissionais e olímpicos, além de centenas de profissionais ocupacionais de alto desempenho.

Ayrton Senna, Toleman, 1984 (Foto: WRI2)

Desde que começou a se envolver com pilotos de F1 na McGill University, em Montreal, em 1983, Dallaire avaliou mais de 725 pilotos de carros de corrida de 47 países. Seu livro mais recente "Performance Thinking" oferece uma visão e estratégias para ajudar qualquer pessoa interessada em atuar no mais alto nível para desenvolver as habilidades mentais de um campeão.

“Ele era um garoto magro naquela época [em 1984]. Ele veio ao nosso laboratório antes do Grande Prêmio do Canadá, e se você se lembra, ele passou por um momento muito difícil naquela corrida ”, disse o Dr. Jacques Dallaire ao Auto123.com.

“Ele não estava ciente do nível de exigências físicas que a Fórmula 1 estava pedindo. Avaliamos sua aptidão física no laboratório e fornecemos a ele um programa de treinamento completo e personalizado ”.

Dr. Jacques Dallaire (Foto: Auto123.com)

Ayrton Senna encontrou um personal trainer [Nuno Cobra] em sua cidade natal, São Paulo, Brasil. Em apenas um ano ele conseguiu aumentar tremendamente sua aptidão física geral, mas especialmente seu consumo máximo de oxigênio.

“Ele foi um bom aluno. Ele colocou muito esforço em sua preparação física. Ele não teve medo de trabalhar muito e treinou intensamente durante toda a sua carreira ”, acrescentou Dallaire.

O jovem brasileiro admitiu que sabia que a aptidão era importante para pilotar um carro de F1, mas não em que medida.

“Ele sabia que era importante estar em forma, mas ele não tinha ideia de que poderia treinar especificamente para pilotar um carro de corrida. Ele não entendeu que certas coisas que lhe pedimos para fazer no treinamento foram especificamente projetadas para ajudá-lo em seu carro de F1. Em outras palavras, Ayrton – como a maioria dos outros pilotos de carros de corrida dos anos 80 – precisava ser instruído sobre o treinamento físico e mental ”, explicou Dallaire.

Então, o que fez Ayrton Senna tão especial?

Depois de uma longa pausa, Jacques Dallaire nos contou o que ele achava.

“Para mim, duas habilidades se destacaram. Em primeiro lugar, ele era extremamente curioso e ele sempre se esforçou para melhorar a si mesmo. Em segundo lugar, ele era excelente, processador central fenomenal ”, disse Dallaire.

 Ayrton Senna terminou o Grande Prêmio do Canadá de 1984 no centro médico (Foto: René Fagnan)

“Deixe-me ser mais preciso. Sua atitude foi um fator enorme em seu sucesso. Ele não teve medo de virar pedras para ver se havia alguns vermes. Ele era habitado por uma gigantesca curiosidade intelectual. Ele continuou fazendo perguntas. "Por que isso? Por que aquilo? Ele precisava de explicações para tudo. Ele sempre se esforçou para se sair melhor. E ele também empurrou suas equipes para fazer o melhor ”, continuou Dallaire.

O médico admitiu que raramente viu em sua carreira um atleta com um poder mental tão surpreendente.

“Ayrton poderia pilotar, sim. Mas sua principal vantagem veio de sua incrível capacidade de se concentrar na tarefa à sua frente. Na verdade, nada poderia desviá-lo do que ele precisava realizar ”, explicou Dallaire.

“Ele estava comprometido, assim como vários outros pilotos estavam comprometidos. Mas foi seu foco absoluto no momento e sua resistência mental que fez a grande diferença.

Ayrton Senna com Gerard Ducarouge, Lotus, 1985 (Foto: WRI2)

“Ayrton foi capaz de ajustar seu desempenho para reduzir o impacto de um problema com seu carro de corrida. Deixe-me enfatizar que ele nem sempre conseguiu superar o problema, mas foi sua reação natural. A maioria dos outros pilotos ficam perturbados e perdem o foco se o seu carro tiver algum problema. Senna nunca foi pego de surpresa por um revés e, se aconteceu, imediatamente adaptou sua performance  – continuou Dallaire.

“Ayrton era um processador mental impressionante. Ele conseguiu processar grandes quantidades de informações em apenas uma fração de segundo. Nós tivemos testes que demonstraram claramente isso. Vários engenheiros dizem que sem qualquer tipo de sistema de aquisição de dados, Senna era capaz de recordar todos os seus tempos de volta, assim como as rotações do motor, turbo, temperatura da água e do óleo e comportamento detalhado do carro de ponta a ponta, volta após volta. Ele foi simplesmente fenomenal e dedicado exclusivamente ao sucesso ”, concluiu Dallaire.


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Ayrton Senna: An outstanding data processor



By René Fagnan,

Thursday, April 03, 2014

auto123.com 

Here is our second feature to commemorate the 20th anniversary of Ayrton Senna’s tragic death. We talked to Dr. Jacques Dallaire, the mastermind behind Senna’s physical and mental training during his entire Formula 1 career.

Dr. Jacques Dallaire, a performance specialist with a doctorate in exercise physiology, has worked closely with a number of professional and Olympic athletes, as well as hundreds of high performance occupational professionals.

Ayrton Senna, Toleman, 1984 (Photo: WRI2)

Since he first began his involvement with F1 drivers at McGill University in Montreal in 1983, Dallaire has evaluated more than 725 race car drivers from 47 countries. His most recent book “Performance Thinking” offers insight and strategies to help anyone interested in performing at their highest level to develop the mental skills of a Champion.

“He was a skinny kid back then [in 1984]. He came to our lab prior to the Canadian Grand Prix, and if you remember he endured a very tough time in that race,” Dr. Jacques Dallaire told Auto123.com.

“He was not aware of the level of physical demands Formula 1 was asking for. We evaluated his physical fitness in the lab and provided him with a tailored, complete training program.”

Dr. Jacques Dallaire (Photo: Auto123.com)

Ayrton Senna found a personal trainer in his hometown of Sao Paulo, Brazil. In just one year he managed to increase tremendously his overall physical fitness, but especially his maximum oxygen consumption.

“He was a very good student. He put a lot of effort in his physical preparation. He was not afraid to work very hard, and he trained intensively during his entire career,” Dallaire added.

The young Brazilian admitted he knew fitness was important to drive an F1 car, but not to what extent.

“He knew it was important to be fit, but he had no idea that he could train specifically for driving a racecar. He did not understand that certain things we asked him to do in training were specifically designed to help him in his F1 car. In other words, Ayrton -- like most other race car drivers of the ‘80s -- needed to be educated about physical and mental training,” Dallaire explained.

So, what made Ayrton Senna so special?

After a (very) long pause, Jacques Dallaire told us what he thought.

“For me, two abilities stood out. Firstly, he was extremely curious and he always pushed hard to improve himself. Secondly, he was an outstanding, phenomenal central processor,” Dallaire said.

Ayrton Senna ended the 1984 Canadian Grand Prix at the medical centre.(Photo: René Fagnan)

“Let me be more precise. His attitude was a huge factor in his success. He was not afraid to turn over rocks to see if there were any worms. He was inhabited by a gigantic intellectual curiosity. He kept asking questions. ‘Why’s this? Why’s that?’ He needed explanations for everything. He always pushed himself hard to perform better. And he also pushed his teams hard to do better,” Dallaire continued.

The doctor admitted that he has rarely seen in his career an athlete with such an astonishing mind power.

“Ayrton could drive, yes. But his main advantage came from his amazing ability to focus on the task in front of him. In fact, nothing could divert him from what he needed to accomplish,” Dallaire explained.

“He was committed, just like several other fellow drivers were committed. But it was his absolute focus in the moment and his mental toughness that made the big difference.

Ayrton Senna with Gerard Ducarouge, Lotus, 1985 (Photo: WRI2)

“Ayrton was able to adjust his performance to reduce the impact of a problem with his racecar. Let me emphasise that he was not always able to overcome the problem, but it was his natural reaction. Most other racers are disturbed and lose focus if their car has a problem. Senna was never really caught off guard by a setback, and if it happened he immediately adapted his performance,” Dallaire continued.

“Ayrton was a stunning mental processor. He was able to process massive quantities of information in just a fraction of a second. We had tests that clearly demonstrated that. Several engineers say that without any sort of data acquisition systems, Senna was able to recall all his lap times, as well as the engine revs, turbo boost, water and oil temperatures and detailed car behaviour from corner to corner, lap after lap. He was just phenomenal, and solely dedicated to success,” Dallaire ended.

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FONTE PESQUISADA

FAGNAN, René. Ayrton Senna: An outstanding data processor. Disponível em: <https://www.auto123.com/en/racing-news/ayrton-senna-an-outstanding-data-processor?artid=166186>. Acesso em: 10 de setembro 2018.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

'Grande piloto e pessoa muito simpática', diz ex-atleta que puxava treinos de Ayrton Senna, 30 anos após 1º título


POR WILLIAM HELAL FILHO
O Globo - blogs.oglobo.globo.com
14/08/2018 06:00

Ayrton Senna corre na pista da USP com o velocista Geraldo Maranhão, em 1988 | Foto de Fernando Pereira

Mesmo acostumado com a adrenalina dos mais de 300km/h que alcançava com seu McLaren nos grandes prêmios de Fórmula-1, o ídolo Ayrton Senna não dispensava os treinos correndo a 14km/h na pista de atletismo da Universidade de São Paulo (USP). No dia 14 de agosto de 1988, ano em que o brasileiro ganharia seu primeiro título mundial, O GLOBO publicou uma reportagem sobre a preparação física de Senna para resistir ao estresse e exaustão das provas de automobilismo. Na época com 28 anos de idade, ele costumava dar 20 voltas no trajeto da USP, muitas delas ao lado do então velocista Geraldo Maranhão Junior, que entrava na pista quando o piloto começava a dar sinais de cansaço. 

- Eu era tipo um coelho (jargão do atletismo usado para definir o atleta que entra no treino para marcar o ritmo dos demais). Entrava depois de um tempo para dar estímulo e não deixar o rendimento dele cair muito até o final das voltas - relembra Maranhão, então com 19 anos e fã declarado de Senna. - Treinamos juntos durante muito tempo, e eu assistia a todas as provas dele. Era um grande piloto e uma pessoa muito simpática também. Sempre perguntava como eu estava, se estava precisando de alguma coisa.  

Ayrton Senna corre na pista de atletismo da USP, em agosto de 1988 | Foto de Fernando Pereira

Aquele era o primeiro ano de Ayrton Senna pilotando pela McLaren e formando uma dupla endiabrada com o francês e grande rival Alain Prost, que na época já era bicampeão mundial. A reportagem sobre a preparação do brasileiro foi publicada dias depois do GP da Hungria, décima prova daquela temporada de 30 anos atrás. Em primeiro lugar no ranking, Senna tinha vencido seis etapas, contra quatro de Prost. O francês se recuperou e venceu mais três provas no segundo semestre, mas o paulista se segurou, vencendo mais dois circuitos. Senna terminou o ano apenas três pontos na frente e conquistou o primeiro de seus três títulos mundiais. 

O treinamento com os pés no chão foi essencial. Segundo a reportagem, publicada num domingo, o trabalho com o preparador físico Nuno Cobra Ribeiro, da USP, baixou a média de batimentos cardíacos de Senna de 190 para 160 batidas por minuto. Com isso, melhoraram os reflexos, e o estresse durante a prova diminuiu. O exercício também servia para o atleta liberar a agressividade acumulada nos grandes prêmios.

Senna e Alain Prost, em março de 1988 | Foto de Carlos Ivan

Maranhão estava com os olhos grudados na TV no fatídico dia 1 de maio de 1994, quando Senna se chocou na curva Tamburello, no GP de Ímola, na Itália, e foi declarado morto horas depois. 

- Quando vi o que aconteceu, rezei muito para o socorro chegar logo, meus olhos se encheram d'água. Infelizmente, todos sabem como o acidente terminou. Foi um baque para o país inteiro - recorda-se o ex-atleta, que chegou a integrar a seleção brasileira dos 200 metros e dos 400 metros, antes de se aposentar, há cerca de dez anos. - Gosto tanto de carros que, hoje, sou dono de uma oficina (risos). Ainda vejo Fórmula 1 todo domingo. Outro dia meu filho de 8 anos me perguntou para quem estava torcendo. Fiz questão de falar do Senna, mostrei foto dele. 

Ayrton Senna comemora seu primeiro título mundial, em 1988 | Foto de arquivo/Reuters



FONTE PESQUISADA

FILHO, William helal. 'Grande piloto e pessoa muito simpática', diz ex-atleta que puxava treinos de Ayrton Senna, 30 anos após 1º título. Disponível em: <https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/grande-piloto-e-pessoa-muito-simpatica-diz-ex-atleta-que-puxava-treinos-de-ayrton-senna-30-anos-apos-1-titulo.html>. Acesso em: 14 de agosto 2018.

sábado, 23 de setembro de 2017

Nuno Cobra Chora Muito ao Deixar Prisão (Vídeo)


Nuno Cobra paga fiança e deixa prisão

Após pagar R$ 42 mil de fiança para não ficar preso por crime de abuso e violação sexual, o ex-preparador de Ayrton Senna recebeu liberdade provisória.

Band Notícias - 15/09/2017

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

O Globo: Senna, Um Corpo Que Corre 24 02 1984



Para fazer um campeão não bastam talento e audácia: boas condições orgânicas são fundamentais para um piloto de Fórmula 1. Para consegui-las, Ayrton Senna começou um rigoroso trabalho de preparação física, com bases científicas, orientado por Nuno Cobra.







FONTE PESQUISADA

CUNHA, Odir. Senna: um corpo que corre. O Globo, 26 de Fevereiro de 1984, Matutina, Esportes, página 40


terça-feira, 5 de setembro de 2017

Ministério Público pede a condenação de ex-preparador de Ayrton Senna por violação sexual durante voo

Nuno Cobra em entrevista a rádio Jovem Pan no último 24/08
Foto: Johnny Drum/Jovem Pan

Culpado ou Inocente? O professor sempre foi muito respeitoso – até onde sei. Nunca houveram comentários nesse sentido durante décadas de carreira. Será que Nuno teria ficado sem-vergonha depois de velho? Ou tudo não passou de um mal entendido? Vamos acompanhar o caso.

O comentarista da SporTV, Sérgio Xavier Filho, descreveu bem Nuno Cobra na maneira de ser e tratar as pessoas:

"Nuno Cobra passou a vida tocando nos outros. Abraços demorados, por exemplo. Antes de condená-lo ou absolvê-lo, sugiro mais calma." - Sérgio Xavier Filho via Twitter 04/09/2017.

Nuno Cobra ficou conhecido por ter sido o preparador físico de Ayrton Senna

Gabriela Moreira, blogueira do ESPN.com.br
Publicado em 04/09/2017, 16:30
Atualizado em 04/09/2017, 16:37

Famoso e consagrado por ter sido o preparador físico de Ayrton Senna, Nuno Cobra, de 79 anos, está sendo acusado pelo crime de violação sexual contra uma mulher durante um voo de Curitiba para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação do preparador físico.  O processo é de 2015 e corre em segredo de justiça na 3ª Vara Federal de São Paulo.  Os advogados de Cobra negam a acusação.

Segundo relato da vítima e de testemunhas,  o preparador físico "sentou-se ao lado da mulher e começou a conversar com ela, dizendo que trabalhava com o corpo e manipulação de energias. Porém, durante a decolagem, passou a tocar os seios e pernas da mulher várias vezes. Enquanto tocava a passageira, o homem dizia que o formato do corpo da vítima lhe despertava pontos energéticos que não sentia havia muito tempo", narra o MPF  sem divulgar os nomes dos envolvidos. 

De acordo com o MPF,  "ficou demonstrado que o agressor sentou-se ao lado da vítima e passou a agir de uma forma e numa posição que dificultava que outros passageiros percebessem o ato. Além da dissimulação, o acusado aproveitou-se da vítima estar em local fechado e durante a decolagem do avião, impedindo-a de abandonar o assento, surpreendendo-a e dificultando uma eventual reação para que ela se livrasse das investidas do acusado." 

Ainda de acordo com os relatos, a mulher só teria conseguido se desvencilhar do agressor quando a aeronave estabilizou após a decolagem. Foi quando ela pôde se levantar e procurou a ajuda dos comissários de bordo. Ao chegar em Congonhas, ela prestou depoimento na Polícia Federal.
  
Defesa afirma inocência 

O advogado Sergei Cobra, que defende o preparador físico, disse que seu cliente é inocente e nada ficou provado nos autos. 

"A acusação não foi provada. Foi um mal entendido e ele será inocentado", disse o advogado ao blog. 

Pedido de condenação 

Todos já foram ouvidos no processo e o veredito deve ser divulgado nos próximos dias.  A procuradora Ana Carolina Previtalli Nascimento pediu a condenação do acusado pelo crime 215 do Código Penal que enquadra os casos de "estupro ou ato libidinoso cometido mediante fraude ou meio que impeça ou dificulte a defesa da vítima". 

De acordo com o MPF, a vítima "não conseguiu gritar, nem pedir auxílio imediatamente pois viu-se paralisada e surpresa com a agressão repentina, reação bastante comum em agressões sexuais".

A procuradora ainda lembrou casos recentes de atos libidinosos cometidos em transporte público e criticou a forma como a lei vem sendo interpretada. 

“O crime do artigo 215 protege as vítimas não somente nos casos de `fraude´, quando a mulher é enganada pelo agressor de alguma maneira, mas também nas vezes em que o agressor se utiliza de meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade da vítima, impedindo-a de reagir ou dificultando a sua reação. Todavia, infelizmente, vem sendo aplicado de forma muito restrita pelos operadores do direito, o que precisa ser revisto.  Os casos frequentes de agressões em transportes coletivos demonstram que os agressores sabem que as vítimas estão vulneráveis, muito embora em situação de aparente segurança porque pode haver outras pessoas próximas. Os agressores aproveitam-se do fato de muitas vezes a mulher estar distraída e surpreendem a vítima, que fica paralisada pelo susto ou demora para entender o que ocorre a tempo de esboçar uma reação”, afirmou. 

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MP-SP pede condenação de Nuno Cobra, preparador físico de Senna, por assédio sexual


Por Jovem Pan | 05/09/2017 08h04

                                                    Johnny Drum/Jovem Pan
De acordo com a investigação do Ministério Público, durante a decolagem, o agressor "passou a tocar os seios e pernas da mulher várias vezes"

Rádio Jovem Pan, 05/09/2017



O Ministério Público de São Paulo pediu a condenação de Nuno Cobra, preparador físico de Ayrton Senna, por assediar sexualmente uma mulher durante um voo de Curitiba para Congonhas, São Paulo, em 2015.

Segundo o relato da vítima e de testemunhas, o agressor se sentou ao lado da mulher no avião e começou a conversar com ela, dizendo que trabalhava com o corpo e manipulação de energias. De acordo com a investigação do Ministério Público, durante a decolagem, o agressor “passou a tocar os seios e pernas da mulher várias vezes”.

O homem foi denunciado com base no artigo 215 do Código Penal.

Segundo a procuradora da República Ana Carolina Previtalli, Nuno Cobra foi enquadrado no artigo 215 do Código Penal que se aplica em situações de violação à liberdade sexual cometidos em transportes coletivos.

“Esse crime ele vem sendo mais utilizado nas hipóteses de fraude, que seria quando a pessoa pratica ato libidinoso mediante fraude, caso típico de médico que engana paciente, enquanto a examina pratica ato libidinoso. Essa é a forma mais comum”, explicou.

No pedido de condenação, o Ministério Público sustentou que a vítima não conseguiu gritar, nem pedir auxílio, pois ficou paralisada e surpresa, reação considerada bastante comum em agressões sexuais.

O artigo 215 prevê pena de dois a seis anos de prisão. As investigações estão concluídas e a Justiça agora aguarda um veredito da juíza responsável.

O advogado de Nuno Cobra, procurado pela reportagem, preferiu não se manifestar devido ao caso estar mantido sob segredo de justiça.


*Informações do repórter Felipe Palma

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FONTES PESQUISADAS

MOREIRA, Gabriela. Ministério Público pede a condenação de ex-preparador de Ayrton Senna por violação sexual durante voo. Disponível em: <http://espn.uol.com.br/post/724390_ministerio-publico-pede-a-condenacao-de-ex-preparador-de-ayrton-senna-por-violacao-sexual-durante-voo>. Acesso em: 05 de setembro 2017.


PALMA, Felipe. MP-SP pede condenação de Nuno Cobra, preparador físico de Senna, por assédio sexual. Disponível em: <http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/mp-sp-pede-condenacao-de-nuno-cobra-preparador-fisico-de-senna-por-assedio-sexual.html>. Acesso em: 05 de setembro 2017.


sábado, 19 de agosto de 2017

"Senna Era Muito Difícil, Quase Não Falava Com Ninguém" - Nuno Cobra, Preparador Físico e Mental de Ayrton Senna

Entrevista: Nuno Cobra, preparador físico



"Dava aula para um pedra"

Erika Klingl,
Do “Correio Braziliense”

03 de junho de 2004

Poucas pessoas eram tão próximas a Ayrton Senna como o preparador físico Nuno Cobra, com quem o piloto conviveu intimamente nos últimos dez anos de sua vida. Nuno não disfarça o orgulho de ter participado das vitórias. Ele lembra que, ao chegar a seu consultório pela primeira vez, em São Paulo, Ayrton era um homem tímido e fechado. "Dava aula para uma pedra", confessa, ao destacar que Senna foi um dos casos mais difíceis da sua carreira de quase 50 anos.

Nuno conta que o segredo das conquistas de Senna está ligado à descoberta do prazer de viver. Com o treinamento baseado em respiração, alimentação adequada e condicionamento físico, o piloto superou um suposto problema cardíaco e deixou de ser chamado de "franzino Ayrton Senna". O apelido era odiado pelo ídolo, segundo conta o preparador físico, que também treinou Mika Hakkinen e Christian Fittipaldi.

Todo método de Nuno Cobra está resumido no livro "A Semente da Vitória", da Editora Senac. Na publicação de sucesso, o treinador explica que não existe segredo no resgate das raízes de um vencedor. Formado em educação física em São José de Rio Pardo, no interior paulista, ele defende que o corpo, a mente e o espírito devem ser trabalhados em conjunto. E garante que quem é feliz não adoece.

Nuno conversou com o Correio na semana em que a morte de Senna completa dez anos.

O bate-papo aconteceu depois de mais uma palestra sobre qualidade de vida, proferida para funcionários do Banco do Brasil, em Brasília.

CORREIO BRAZILIENSE
­– Como foi trabalhar com Senna?
NUNO COBRA
­– Foi uma experiência luminosa na minha vida. Admito que não foi o meu caso mais emocionante. Foi, sem dúvida, o mais notório. Os trabalhos mais emocionantes de toda minha carreira foram com presidiários e com excepcionais, há mais de 40 anos.

CORREIO ­– Senna era uma pessoa fácil de trabalhar?
COBRA
­– Ao contrário. Ele era muito difícil, quase não falava com ninguém. Era como dar aula para uma pedra.

CORREIO ­– Essa imagem é muito diferente do que passava para o público aqui no Brasil.
NUNO
­– Mas acredite. Algumas vezes eu ficava até quatro horas com Senna, trabalhando a auto-estima dele, e o máximo que eu ouvia era um "oi" atravessado no início do encontro. Em outros momentos, ele só me observava com o canto dos olhos e não falava uma palavra. Se tivesse aparecido na minha vida antes, eu não teria feito esse trabalho com ele. Não estaria pronto para alcançar um bom resultado.

CORREIO ­– O senhor pensou em desistir?
NUNO
­– Eu não, mas meu filho ficava arrasado. Ele era meu ajudante na época e depois de horas de trabalho com Senna chegava em casa e chorava. Ficava realmente arrasado. Nós dois crescemos muito com o trabalho com Senna.

CORREIO ­– Como vocês se conheceram?
NUNO
­ – Ele me procurou na Universidade de São Paulo (USP). Veio por um jornalista que conhecia meu trabalho com outros atletas, principalmente de tênis e vôlei. O Ayrton tinha lido algumas entrevistas minhas e me procurou.

CORREIO ­– Ele queria melhorar o condicionamento físico quando te procurou?
NUNO
­– Na verdade ele achava que tinha problemas graves no coração, porque ainda no início da carreira, quando corria na Fórmula 3, ele desmaiava no fim das provas. Ele era muito fraquinho, sem massa muscular.

CORREIO ­– Mas ele tinha problemas cardíacos?
NUNO
­– Não. A primeira coisa que verifiquei foi o coração dele. Depois de vários anos confirmei que ele não tinha nada mesmo. Nesse momento, tive minha primeira conversa franca com ele. Contei para o Ayrton que ele tinha coração de passarinho, que bate, bate mas não manda sangue suficiente para todo o corpo.

CORREIO ­– E como ele superou isso?
NUNO
­– Ele se envolveu muito no treinamento. Uma dedicação máxima que eu nunca tinha visto igual. Por exemplo, era comum o Ayrton estar acordado ainda às 2 da manhã. Aos poucos fomos mudando seus hábitos. Mas, para chegar ao ponto de ir para cama à meia-noite, demorou meses. Me lembro que em um dia, em 1991, liguei para ele em Angra antes de 21 horas e ele já estava dormindo. No dia seguinte, ele me contou que tinha descoberto o enorme prazer de dormir cedo e bem.

CORREIO ­– O que o treinamento fez com ele?
NUNO
­– Quando ele começou na Fórmula 1, Ayrton era frágil e se irritava porque os jornais o chamavam de franzino Ayrton Senna. Ele odiava isso. Em dez anos, o consumo máximo de oxigênio de Senna subiu de 34ml para 80ml. Isso possibilitou que ele corresse mais, se movimentasse mais e ganhasse massa muscular. Senna ficou mais aberto, comunicativo e carinhoso. Ayrton descobriu o prazer de viver, de mastigar bem os alimentos e sentir o gosto da comida. 



Fonte: correioweb.com.br, 03 de junho de 2004.


Leonardo Senna sobre o temperamento fechado do irmão : "Ele é imprevisível, nunca sabemos (ele, Leonardo Senna e família) se está aborrecido ou alegre." 
(jornal O Globo em 13 de janeiro de 1990).


"Ayrton Senna era uma pessoa muito difícil de relação", diz Nelson Piquet, rival dentro e fora das pistas do piloto paulista.



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"O momento mais feliz da vida do Senna com uma pessoa foi quando ele conheceu a Adriane Galisteu. Ele estava apaixonadérrimo, ele estava feliz da vida, ele fazia tudo para ficar com ela'." - Nuno Cobra


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"Alegre, ele estava, quando ele conheceu Adriane Galisteu. Ele ficou outra pessoa. Mais alegre, mais falante, mais solto, dava para perceber uma diferença no Ayrton." - Walderez Zanetti (Amiga e Cabeleireira de Ayrton Senna)

Assista: 



Documentário "Ayrton Senna do Brasil" do programa "Esporte Espetacular" da TV Globo, ano 2014.

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Ayrton Senna Diz Que é Muito Feliz Com Adriane Galisteu 

Assista:


Vídeo de 1993

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FONTES PESQUISADAS

KLINGL, Erika. Entrevista: Nunco Cobra, preparador físico. Disponível em: <http://www.correioweb.com.br/hotsites/senna/entrevista.htm>. Acesso em: 19 de agosto 2017.

BERNARDO, A.A., 1998. Efeito Tamburello: um estudo antropológico sobre as imagens de Ayrton Senna. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis. Santa Catarina. Brasil.


DE MORAES, Marcelo. Férias com a família e muito esporte à beira-mar. O Globo, 13 de Janeiro de 1990, Matutina, Esportes, página 26

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Desejos de Ayrton Senna Demonstram intenções de dar maiores passos na relação com Adriane Galisteu, Afirma Nuno Cobra



Lembranças de Fãs

Lembro-me perfeitamente, que no dia do velório a Globo (emissora de TV) transmitia tudo e entrevistava pessoas próximas ao Ayrton. Um depoimento me marcou muito, o do preparador físico dele, o Nuno Cobra. Disse ele: “O Ayrton estava estimulando a Adriane a aperfeiçoar o Inglês, queria a sua companhia a todo instante”. Ainda finalizou dizendo que “Isso são desejos de quem está com intenções de dar maiores passos numa relação, como casar e constituir uma família”. E que ele percebia que quando o Ayrton estava com a Adriane ele era mais feliz.

Dulce Cordoni - mensagem enviada pelas redes sociais - 05/06/2017



*Realmente tudo estava se encaminhando para esse desfecho, não há qualquer dúvida quanto a isso, mas como sabemos o destino interrompeu os planos de Ayrton. Ele tinha uma profissão muito perigosa e infelizmente acabou acontecendo o pior.

*Nuno Cobra foi amigo pessoal, confidente, preparador físico e mental de Ayrton Senna. Ele conhecia o piloto desde 1984.