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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Livro de Flavio Gomes expõe desafios jornalísticos diante da morte de Senna

Jornalista lança 'Ímola 1994', obra que aborda sua carreira na cobertura de F1

Luciano Trindade

12.mai.2021 às 23h15

Folha de São Paulo - folha.uol.com.br

O dia 1º de maio de 1994 marca uma tragédia para os brasileiros: a morte do tricampeão de F1 Ayrton Senna. Enquanto fãs choravam, jornalistas buscavam entender o que causou o acidente.

Esse e outros questionamentos permeavam a mente de Flavio Gomes, à época enviado pela Folha à Itália para cobrir o GP de San Marino. Ele é autor do recém-lançado "Ímola 1994", obra em que narra a trajetória dele como jornalista até a cobertura de um dos piores momentos do esporte.

​Publicado pela editora Gulliver, o livro traz em formato de crônicas os bastidores do trabalho do repórter em veículos como a Folha e a revista Placar. De seus tempos no jornal da alameda Barão de Limeira, ele se recorda da liberdade que tinha para exercer seu ofício.

Acidente de Ayrton Senna no autódromo de Ímola, na Itália, durante o GP de San Marino de 1994 - 1.mai.94/Reuters

Gomes relembra ter sido designado para cobrir uma briga entre o jornal e o Sindicato dos Jornalistas sobre a obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão. Na ocasião, teve seus textos lidos diretamente pelo então diretor de Redação, Otavio Frias Filho (1957-2018), "que aprovava tudo sem mudar uma vírgula”, segundo ele.

A atenção aos detalhes lhe renderam boas entrevistas, como a última conversa com Senna antes do GP de San Marino. Do bate-papo, extraiu algo que hoje soa como um prenúncio:

"O maior problema da Williams é a falta de estabilidade em pisos irregulares. O carro ‘salta’ muito e não desfruta de seu potencial aerodinâmico. A suspensão, muito dura, agrava os defeitos de nascimento do projeto, originalmente concebido para utilizar um sistema computadorizado, que mantém o carro a uma altura constante do solo (eletrônica proibida naquele ano pelo regulamento da F1)", escreveu em trecho do texto publicado no periódico e reproduzido no livro.

Em 2007, a Suprema Corte italiana concluiu que a causa do acidente foi “a ruptura da barra de direção, causada por modificação mal projetada e executada”. Patrick Head, então diretor técnico da Williams, foi condenado por homicídio culposo (sem a intenção de matar), mas não cumpriu pena porque o crime prescrevera.

As causas da batida no muro de concreto logo após a curva Tamburello, porém, ainda são controversas entre alguns pilotos da época, como cita em trecho do livro que traz entrevista com Damon Hill, companheiro do brasileiro.​

"Ele [Senna] estava para uma parada [nos boxes], com o carro pesado e muito rápido, pneus frios, pressão baixa. Se numa curva daquela o carro oscila por alguma razão, é muito fácil perder o controle. Dá para ver claramente pela câmera do [Michael] Schumacher que o carro de Senna bate no chão."

Além da condição do carro, Gomes relata que o tricampeão estava “mais tenso do que o normal naquele fim de semana” por não ter pontuado nas duas corridas que fez na temporada.

Capa da Folha do dia 2 de maio de 1994, dia seguinte à morte de Ayrton Senna - Reprodução

Na segunda-feira pós-acidente, o desafio imposto aos jornalistas era de conseguir informações da Williams, da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e das autoridades italianas, que, afirma o jornalista, "se fecharam num silêncio sepulcral".

Antes do translado até o Brasil, o corpo do piloto passou pelo IML (Instituto Médico Legal), local onde o repórter tentou buscar informações sobre o ocorrido.

Por coincidência, uma antiga namorada dele, a italiana Maria Cristina Gervasi, fazia na época especialização em Medicina Legal. Os professores dela eram justamente os médicos que fizeram a autópsia em Senna.

Cristina contou detalhes de tudo o que pôde acompanhar. Segundo ela, “no estudo das meninges cerebrais, foram encontradas lesões que lembravam ferimentos típicos de soldados que morreram em conflitos militares por explosões próximas de bombas".

Ela disse, ainda, que o macacão usado pelo piloto naquele dia foi entregue à família pelos médicos, que antes tiveram de submetê-lo a várias lavagens para retirar todo o sangue.

Após essa apuração, Flavio esperava retornar ao Brasil para fazer a cobertura do velório, mas, segundo conta no livro, a ordem da Secretaria de Redação da Folha era para que ele ficasse na Itália para acompanhar o inquérito do acidente.

O jornalista diz ter argumentado que uma investigação como essa levaria anos e não faria sentido permanecer lá, mas não houve concordância com a chefia do jornal, e ele acabou desobedecendo a instrução de permanecer na Itália.

O conflito acabaria por encerrar a passagem dele na Folha. Gomes foi desligado oficialmente no dia 9 de maio de 1994, por insubordinação, segundo conta.

Ficha técnica

Título: Ímola 1994 — A trajetória de um repórter até o acidente que chocou o mundo

Autor: Flavio Gomes

Número de páginas: 263

Editora: Gulliver

Preço: R$ 69,90, disponível no site da editora: https://gullivereditora.com.br/

Capa do livro Ímola 1994 - Divulgação


FONTE PESQUISADA

TRINDADE, Luciano. Livro de Flavio Gomes expõe desafios jornalísticos diante da morte de Senna. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/esporte/2021/05/livro-de-flavio-gomes-expoe-desafios-jornalisticos-diante-da-morte-de-senna.shtml>. Acesso em: 14 de maio 2021. 


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

F1 1994 - Pacífico e Brasil (Fotos)




Tanaka International, Aida, Japão.
15-17 de abril de 1994.
Ayrton Senna (Williams FW16 Renault), retrato.

Campeonato: Fórmula 1 1994
Evento: GP do Pacífico
Data: domingo, 17 de abril de 1994
Piloto: Ayrton Senna
Equipe: Williams

Tanaka International, Aida, Japan.
15-17 April 1994.
Ayrton Senna (Williams FW16 Renault), portrait.

Championship: Formula 1 1994 (Formula 1, 1994)
Event: Pacific GP
Date taken: Sunday, April 17, 1994
Driver: Ayrton Senna
Team: Williams






Ayrton Senna

Campeonato: Fórmula 1 1994
Evento: GP do Pacífico
Data: domingo, 17 de abril de 1994
Localização: Circuito Internacional de Okayama, Japão
Fotógrafo: Rainer Schlegelmilch

Ayrton Senna

Championship: Formula 1 1994 (Formula 1, 1994)
Event: Pacific GP
Date taken: Sunday, April 17, 1994
Location: Okayama International Circuit, Japan
Photographer: Rainer Schlegelmilch



Ayrton Senna, Williams FW16 Renault.

Campeonato: Fórmula 1 1994
Evento: GP do Brasil
Data: domingo, 27 de março de 1994
Localização: Autódromo José Carlos Pace, Brasil

Ayrton Senna, Williams FW16 Renault.

Championship: Formula 1 1994
Event: Brazilian GP
Date taken: Sunday, March 27, 1994
Location: Autódromo José Carlos Pace, Brazil

terça-feira, 5 de novembro de 2019

F1 1994 - San Marino (Fotos)


Ayrton Senna (BRA) Williams (esquerda) e Michael Schumacher (GER) Benetton (direita) são questionados sobre a reforma do GPDA após o acidente fatal dos dias anteriores. Tragicamente, Senna não veria o outro dia.

Grande Prêmio de San Marino, Rd 3, Ímola, Itália, 1 de maio de 1994.

Campeonato: Fórmula 1 1994 (Fórmula 1, 1994)
Evento: GP de San Marino
Data: domingo, 01 de maio de 1994
Localidade: Imola, Itália
Times: Williams, Benetton
Fotógrafo: Sutton Images


Ayrton Senna (BRA) Williams (Left) and Michael Schumacher (GER) Benetton (Right) are quizzed on the reformation of the GPDA following the previous days fatal accident. Tragically Senna would not see out the day.

San Marino Grand Prix, Rd 3, Imola, Italy, 1 May 1994.

Championship: Formula 1 1994 (Formula 1, 1994)
Event: San Marino GP
Date taken: Sunday, May 01, 1994
Location: Imola, Italy
Teams: Williams , Benetton
Photographer: Sutton Images



Ayrton Senna (BRA) Williams FW16 embarca em sua última volta antes de perder tragicamente sua vida em um acidente na sétima volta.

Campeonato Mundial de Fórmula 1, Rd 3, Grande Prêmio de San Marino, Imola, 1 de maio de 1994.

Campeonato: Fórmula 1 1994 (Fórmula 1, 1994)
Data: domingo, 01 de maio de 1994
Localidade: Ímola, Itália
Fotógrafo: Sutton Images

Ayrton Senna (BRA) Williams FW16 embarks on his final lap before tragically losing his life in an accident on lap seven.

Formula One World Championship, Rd 3, San Marino Grand Prix, Imola, 1 May 1994.

Championship: Formula 1 1994 (Formula 1, 1994)
Date taken: Sunday, May 01, 1994
Location: Imola, Italy
Teams: Williams
Photographer: Sutton Images



Ayrton Senna (BRA) Williams FW16 lidera o grid atrás do safety car após um acidente na largada.

Momentos depois, no recomeço, o próprio Senna se envolveu em um acidente fatal.

Grande Prêmio de San Marino, Ímola, 1 de maio de 1994

Data: domingo, 01 de maio de 1994
Localidade: Ímola, Itália
Fotógrafo: Sutton Images


Ayrton Senna (BRA) Williams FW16 leads the field behind the safety car after a start line crash.

Moments later at the restart Senna himself was involved in a fatal accident.

San Marino Grand Prix, Imola, 1 May 1994

Date taken: Sunday, May 01, 1994
Location: Imola, Italy
Photographer: Sutton Images



Ayrton Senna conduz Michael Schumacher pelo cênico circuito de Interlagos.
Grande Prêmio do Brasil, Interlagos, 27 de março de 1994

Data: domingo, 27 de março de 1994
Fotógrafo: Sutton Images


Ayrton Senna leads Michael Schumacher around the scenic Interlagos circuit.
Brazilian Grand Prix, Interlagos, 27 March 1994

Date taken: Sunday, March 27, 1994
Photographer: Sutton Images

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

"Senna era fascinante", diz Williams


FÁBIO SEIXAS
da Reportagem Local 
São Paulo, Domingo, 22 de Agosto de 1999

Folha de São Paulo - folha.uol.com.br


DIRETO AO PONTO! OS TRECHOS QUE FRANK WILLIAMS FALA SOBRE AYRTON SENNA:

Para dono da equipe que completa 30 anos na categoria, tricampeão tinha "intelecto para vida e negócios"

No Brasil, porém, Frank Williams será sempre lembrado como o dono do carro em que Ayrton Senna morreu, em 1994.

Em entrevista exclusiva à Folha, ele fala sobre o atual momento ("não estamos bem"), sobre a rival McLaren ("admiro a maneira como eles operam") e sobre Senna ("há uma responsabilidade enorme sobre nosso ombros").


Folha - O senhor trabalhou com alguns pilotos brasileiros: José Carlos Pace...
Williams - 
Um grande piloto.

Folha - Nelson Piquet e Ayrton Senna...
Williams - 
Todos eles eram grandes pessoas.

Folha - Como o senhor pode comparar esses pilotos?
Williams - 
Eram bem diferentes. E correram em eras diferentes. Mas cada um tinha um talento. Ayrton tinha um intelecto incomum, não só para correr, mas para os negócios, para a vida e para a filosofia. Uma pessoa fascinante.

Folha - Uma questão que precisa ser feita diz respeito à morte de Ayrton Senna...
Williams - 
Posso falar pouco sobre isso, porque foi um acidente. Há duas ou três teorias, mas até agora nada foi provado, nada foi descartado. É claro que há uma responsabilidade enorme sobre nossos ombros, e, quando fui para seu funeral, entendi o que sua morte significou para o Brasil. Foi a maior demonstração de amor, simpatia e respeito que já vi.

Folha - O senhor chegou a ter algum sentimento de culpa?
Williams - 
Não divido minhas emoções com ninguém e não vou fazer isso hoje. Foi um dia triste para a Williams, para a McLaren, para a F-1 e para o Brasil. Foi um dos piores dias da história da F-1.




"Senna era fascinante", diz Williams



Para dono da equipe que completa 30 anos na categoria, tricampeão tinha "intelecto para vida e negócios"

FÁBIO SEIXAS
da Reportagem Local 
São Paulo, Domingo, 22 de Agosto de 1999
Folha de São Paulo - folha.uol.com.br


No início do ano, ele recebeu da rainha da Inglaterra o título de "sir", recompensa pelos "serviços prestados ao automobilismo".

Segundo conta, "foi o reconhecimento pelas conquistas da equipe na história da categoria".

Frank Williams, 57, completa nesta temporada 30 anos na F-1.

Estreou no GP da Espanha de 1969 comprando um Brabham, que cedeu para um amigo íntimo, o piloto inglês Piers Courage, morto em um acidente em Zandvoort, Holanda, no ano seguinte.

Foi o primeiro momento de baixa de sua equipe. De 1970 até hoje, a Williams, equipe mais vencedora da história da categoria -nove títulos de construtores-, viveu outros períodos difíceis.

Ou "curvas de aprendizado", como prefere definir.

"Em 84, por exemplo, estávamos em curva de aprendizado, adaptando-nos ao turbo e mudando para uma fábrica nova."

Hoje, a equipe, segundo ele, passa por situação parecida. Campeã de construtores e pilotos em 1997, viu seu rendimento cair no ano passado, quando perdeu os motores da Renault.

Em 1999, vive uma temporada de espera, preparando-se para iniciar, no próximo Mundial, uma parceria com a BMW.

No Brasil, porém, Frank Williams será sempre lembrado como o dono do carro em que Ayrton Senna morreu, em 1994.

Em entrevista exclusiva à Folha, ele fala sobre o atual momento ("não estamos bem"), sobre a rival McLaren ("admiro a maneira como eles operam") e sobre Senna ("há uma responsabilidade enorme sobre nosso ombros").

Folha - No ano passado, a Wil- liams foi a terceira colocada no Mundial de Construtores. Que possibilidades o senhor enxerga para a equipe nesta temporada?
Sir Frank Williams - 
Neste início de ano, não estamos muito bem. Mas acho que podemos ficar em quarto, quinto...

Folha - O senhor pode fazer uma comparação entre o carro deste ano e o de 1998?
Williams - 
Não muito. É um carro diferente. Os pilotos dizem que é muito melhor que o carro de 1998, mas isso é competição. Os outros times também evoluíram.

Folha - A Williams neste ano está com o Alessandro Zanardi, que foi bicampeão na Indy, mas que parece ainda estar com algumas dificuldades na F-1...
Williams - 
Não se trata de dificuldades dele. O problema é que nosso carro ainda não é suficientemente confiável. Ele é um excelente piloto, foi bem em testes recentes. Acho que ainda ninguém viu seu verdadeiro potencial.

Folha - Há especulações sobre uma eventual quebra de contrato da Williams com o Zanardi. O que há de verdade nisso?
Williams - 
Temos um contrato de três anos e não vamos interrompê-lo nem trocar pilotos. Não pensamos nisso. É óbvio que algumas vezes os jornalistas escrevem essas coisas. Acho que deveriam escrever sobre o que vêem.

Folha - O colombiano Juan Pablo Montoya foi seu piloto de testes e agora vem conseguindo sucesso na Indy. O senhor não se sente tentado a buscá-lo?
Williams - 
Não. Ele tem um contrato de três anos com a equipe Ganassi. Não é algo que tem que partir da gente.

Folha - Esse relacionamento com a Ganassi é algo que surgiu de uma eventualidade ou vocês estão pensando em uma espécie de intercâmbio permanente?
Williams - 
Não é bem assim. Ele (Montoya) foi nosso piloto de testes, e sua carreira é dirigida pelo David Sears (dono da Supernova, de F-3.000). E foi o David que achou que ainda era cedo para colocá-lo na F-1, especialmente neste ano, em que estamos nos despedindo de um motor (os Supertec, que equipam a Williams, serão substituídos pelos BMW no próximo ano). Acho que na Indy ele vai ganhar confiança.

Folha - A McLaren hoje ocupa uma posição que por algum tempo foi da Williams, o de melhor equipe da F-1. Como o senhor vê o futuro da McLaren?
Williams - 
Não falo sobre outros times, mas gostaria de dizer que eu admiro a maneira como a McLaren opera. Estou na F-1 há 30 anos, e a McLaren sempre foi nossa maior rival. Agora, a Wil- liams vive um período de baixa, mas vamos voltar ao topo.

Folha - Desde o ano passado, vocês usam gasolina fornecida pela Petrobras. Como o senhor avalia o trabalho da empresa?
Williams - 
Em primeiro lugar, nosso relacionamento com eles, até do ponto de vista pessoal, é muito bom. Eles são muito sinceros. E a tecnologia de combustível da Petrobras é muito forte, impressionante. Conseguiram bons resultados nos Supertec e agora estamos olhando para o futuro.

Folha - Como está o trabalho com a BMW para o ano 2000?
Williams - 
Estamos tentando cobrir a maior área possível. Eles estão aplicando recursos substanciais muito importantes, pessoal e tecnologia nesse programa. Vai ser difícil por um período, isso nós sabemos. Nosso plano é encurtar essa fase. Estamos muito, muito felizes de estar com eles.

Folha - O senhor trabalhou com alguns pilotos brasileiros: José Carlos Pace...
Williams - 
Um grande piloto.

Folha - Nelson Piquet e Ayrton Senna...
Williams - 
Todos eles eram grandes pessoas.

Folha - Como o senhor pode comparar esses pilotos?
Williams - 
Eram bem diferentes. E correram em eras diferentes. Mas cada um tinha um talento. Ayrton tinha um intelecto incomum, não só para correr, mas para os negócios, para a vida e para a filosofia. Uma pessoa fascinante.

Folha - Uma questão que precisa ser feita diz respeito à morte de Ayrton Senna...
Williams - 
Posso falar pouco sobre isso, porque foi um acidente. Há duas ou três teorias, mas até agora nada foi provado, nada foi descartado. É claro que há uma responsabilidade enorme sobre nossos ombros, e, quando fui para seu funeral, entendi o que sua morte significou para o Brasil. Foi a maior demonstração de amor, simpatia e respeito que já vi.

Folha - O senhor chegou a ter algum sentimento de culpa?
Williams - 
Não divido minhas emoções com ninguém e não vou fazer isso hoje. Foi um dia triste para a Williams, para a McLaren, para a F-1 e para o Brasil. Foi um dos piores dias da história da F-1.

Folha - Continuando a falar sobre brasileiros, o senhor conversou com Rubens Barrichello em 94 e no ano passado. Porque ele nunca chegou à Williams?
Williams - 
É sempre complicado. Algumas vezes você quer um contrato, mas o piloto não pode. Outras vezes um piloto que nos interessa nos procura, mas aí nós é que estamos de mãos atadas.

Folha - Os pilotos hoje reclamam dos pneus com sulcos. Qual é sua opinião sobre isso?
Williams - 
Eu nunca pilotei esses carros, então acho que não sou qualificado para falar sobre esse assunto. É uma questão entre os pilotos, a FIA (entidade máxima do automobilismo) e a empresa que fabrica os pneus.

Folha - Como o senhor pode comparar a F-1 dos anos 60, quando o senhor iniciou sua equipe, com a de hoje?
Williams - 
Hoje há muito mais gente, tecnologia, recursos financeiros. Provavelmente, está mais competitiva, mais difícil.



FONTE PESQUISADA

SEIXAS, Fábio. "Senna era fascinante", diz Williams. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk22089931.htm>. Acesso em: 15 de novembro 2018.















segunda-feira, 30 de abril de 2018

segunda-feira, 12 de março de 2018

Halo Teria Evitado Morte de Ayrton Senna? Opinem!


Pilotos da Fórmula 1 treinam com o Halo, novo equipamento de proteção da categoria

Apesar de garantir mais segurança, peça causou polêmica na F1.

Jornal Nacional, Sexta, 9 de março de 2018


domingo, 4 de fevereiro de 2018

Galvão Relembra Morte do Senna (Vídeo)


Jornalista se emociona ao falar do ídolo e amigo 





Galvão afirma que Senna não trazia preocupações antes da corrida fatal e dá a entender que uma das famosas cenas finais de sua vida (imagens acima - Senna pensativo com as mãos sobre o aerofólio de seu carro Williams FW16 poucos minutos antes da corrida) foi na verdade por ele estar chateado com a morte de Ratzenberger e pelo acidente grave do compatriota e amigo Barrichello. O narrador esportivo, ao falar também que Senna pediu uma bandeira da Áustria para homenagear Ratzenberger, quer dizer, com isso, que o piloto brasileiro só pensava em vencer a corrida e tinha convicção realmente disso, que venceria o GP de Ímola.

Altas Horas com Serginho Groisman - Globo - 03/02/2018













quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

3 Memórias de Ayrton Senna

Por Sérgio Veiga
F1 Flash - f1flash.com
01/05/2015

(Parte I): A Vitória no Estoril-85


Ayrton Senna da Silva comemoraria hoje o seu 55.º aniversário, se não tivesse sido aquele fim-de-semana maldito de Imola-94, em que todos os deuses se zangaram com a Fórmula 1… Tive a sorte de poder privar, em termos profissionais, com o enorme piloto brasileiro e aqui recupero, em jeito de homenagem, os três episódios que imediatamente me vêm à cabeça de cada vez que ouço o seu nome.

Abril de 1985, uma manhã de quarta-feira no aeroporto da Portela, espero a saída do brasileiro, passageiro do voo Varig 762. Naquela altura, em que a F1 ainda era novidade em Portugal (era o 2.º Grande Prémio da «era moderna» ainda era hábito ir esperar os pilotos mais importantes ao aeroporto para ter logo umas primeiras palavras. Para mais, o trissemanário «A Bola» saía à 5.ª feira, era bom arrancar com a reportagem da F1 logo com declarações da nova estrela em ascensão! Mas com tantos jornalistas à espera, era quase impossível ter uma conversa mais prolongada e consegui combinar com Senna um encontro para a tarde, já no autódromo do Estoril.

Despachados os cumprimentos a engenheiros, mecânicos e demais elementos da equipa Lotus, sentámo-nos junto do muro das «boxes» e, durante largos minutos, sem pressas, Senna foi respondendo a tudo o que lhe perguntava. Sentia o olhar desconfiado do brasileiro, ao ver que apenas tomava notas num daqueles grandes blocos «Castelo», mas falámos tranquilamente o tempo que foi necessário. Outros tempos, sem a pressão mediática actual…

No dia seguinte, reencontrámo-nos no autódromo logo pela manhã e ele, sorridente, agradeceu «o bom trabalho». Já tinha visto, obviamente, a página inteira de «A Bola» (ainda no formato… gigante!), encimada pelo título «Quando vou a 300 km/h só penso em ir mais e mais rápido!» e com tudo o que ele tinha dito, direitinho, por muito estranho que lhe tivesse parecido o esquema das notas no bloco «Castelo»… Desde esse dia que se criou uma relação de respeito mútuo, óbvio do meu lado pelo piloto que ele era, mas também da parte dele que sempre me «atendeu» com a máxima paciência e atenção.

Depois, viria a «pole» e a sua primeira vitória na Fórmula 1 (fará 30 anos a 21 de Abril), sob um dilúvio imenso, em que demonstrou um controlo superior do Lotus, numa prova com metade dos 16 abandonos por piões ou acidentes. E em que Senna deixou o 2.º a mais de um minuto, os 3.º e 4.º a 1 volta e o 5.º (Nigel Mansell num Williams/Honda) a 2 voltas! Apesar de muitas vezes ter pedido para que a corrida fosse parada, Senna nunca «tirou pé» e, sob condições dantescas, levou o Lotus/Renault à vitória e a crença popular ao ponto de perceber que estávamos perante alguém muito especial.



Entrou totalmente encharcado na sala das conferências de imprensa, trocámos sorrisos quase cúmplices pela entrevista que, agora, parecia um talismã e, durante um ror de tempo, ali o vi literalmente a bater o queixo e a tiritar de frio, mas a explicar com toda a tranquilidade como fora a sua primeira vitória. Porque muitas mais se seguiriam…

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(Parte II): da raiva… às desculpas


Embora todos tenhamos cultivado a imagem de um Ayrton Senna sereno, simpático, uma pessoa suave, o genial piloto brasileiro também tinha os seus momentos irascíveis, em que conseguia raiar o desagradável. Na sexta-feira dos treinos livres do G.P. da Alemanha de 1988 as coisas não lhe estavam a correr de feição e o McLaren/Honda não estava ao seu gosto, perdendo para o rival Alain Prost.

Naqueles tempos, jornalistas a entrar nas «boxes» das equipas era algo mais ou menos normal e, para reportar para «A Bola», costumava aproveitar a «boleia» dos jornalistas brasileiros para falar também com Senna, agradando à enorme legião de fãs que ele sempre teve em Portugal. Naquele dia, contudo, algo me atrasou e perdi o «comboio brasileiro», descendo mais tarde à «boxe» da McLaren onde encontrei Senna a falar com o seu engenheiro, ar de poucos amigos. Esperei que a conversa acabasse e, quando lhe perguntei «o que se passa Ayrton?», ele olhou através de mim e disse-me com uma rudeza que não lhe conhecia: «Porque só vem agora e não veio com os outros?! Agora não falo com você!» e quase me expulsou da «boxe»… «Está o caldo entornado», pensei, «este agora nunca mais me vai falar por causa disto».

Horas mais tarde, dia de treinos arrumado, estava no «paddock» em amena cavaqueira com o Domingos Piedade e outras pessoas, a caminho do carro para sair do circuito, quando sinto alguém bater-me nas costas. Virei-me e era Senna. «Você me desculpe aquilo de há pouco, eu estava meio chateado e você apareceu na altura errada. Me desculpe, agora está tudo bem, ok?». Nem sei se cheguei a balbuciar algo, era a última coisa que esperava de um piloto de F1 com os seus gigantescos egos…

O grande Ayrton Senna, a caminho do seu primeiro título, estava ali humildemente a pedir-me desculpa? Quantos dos outros trinta pilotos presentes em Hockenheim teriam tido semelhante atitude? Aí confirmei não só o respeito mútuo que já levava alguns anos, mas a grandeza humana de Senna que, tendo tido um ataque de irascibilidade (talvez até compreensível…), tivera a humildade de desviar o seu caminho para vir pedir desculpas pela sua atitude. E lá continuámos a nossa relação profissional como se nada se tivesse passado.




**************

(Parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido


É inevitável… Quando ouço o nome Senna viajo imediatamente no tempo para 1 de Maio de 1994, o ponto mais fundo do fim-de-semana em que os deuses abateram toda a sua raiva sobre a F1. Tudo começara na 6.ª feira, com um acidente feito de Rubens Barrichello, com quem tinha grande afinidade por ter seguido a sua carreira na Fórmula Opel-Lotus (que corria juntamente com a F1) e pela ligação com Pedro Lamy. O susto foi enorme e lembro-me de Senna correr ao hospital do circuito para se inteirar do estado do seu benjamim.

No dia seguinte foi a tragédia da morte de Roland Ratzenberger que abanou todos quantos seguiam a F1. Recordo-me de Senna se meter no carro médico, com o seu amigo Syd Watkins, o médico da F1, e ir ao local do acidente perceber como tinha sido possível. Mais tarde, Watkins revelou que, nessa altura, disse a Senna para parar de correr…

Ainda mal refeito de dois violentos dias, nada me preparava para a tragédia de 1 de Maio… Primeiro o acidente no arranque em que só por milagre Pedro Lamy não se magoou seriamente, ao abalroar o Benetton parado de JJ Lehto. Mas muitas peças tinham voado para a bancada, provocando diversos feridos… Retomada a corrida, Senna despista-se na temível Tamburello, tem de estar tudo bem, pensamos todos, já muitos ali bateram e safaram-se com maiores ou menores mazelas. Olhos colados nos ecrãs, o capacete amarelo move-se, há um breve momento de alegria, está tudo bem ele mexe-se!, seguido por uma queda abrupta nas profundezas da tragédia quando assistimos aos meios médicos envolvidos no seu socorro.



Aproveito para descer à «box» da Lotus para saber como está Lamy que me despacha rapidamente com um «eu estou bem, mas como está o Ayrton?». Não há respostas, parece grave, mas, bolas, o capacete mexeu-se ele há-de estar razoavelmente bem, talvez algumas fracturas… Na altura apenas os socorristas sabiam a verdade e os momentos de desespero por que passava o brasileiro, já inconsciente, já em coma, de onde não mais sairia.

Numa sala de imprensa com muitas centenas de jornalistas, o silêncio era sepulcral, havia quem não contivesse as lágrimas, era demais num só fim-de-semana. Porque a corrida prosseguira e ainda houvera mais quatro feridos nas «boxes», por uma roda que se saltara do Minardi de Alboreto. «Morte» foi coisa que só se começou a ouvir muito mais tarde, já a corrida estava a terminar. Os rumores foram-se avolumando, até à confirmação do «press officer» da FIA que varreu a sala de imprensa com uma violenta onda de choque. Não, o Ayrton não!...

Na altura senti-me totalmente vazio e exausto, totalmente exausto de três dias de tragédias permanentes… Lembro-me de ligar para Lisboa e pedir ao chefe de redacção d’ «A Bola», Santos Neves, que me dispensasse do trabalho, não tinha condições para escrever uma única linha. Mas os leitores não têm nada a ver com os estados de alma do jornalista e foi o que percebi quando, do outro lado, ouvi um seco (e sei que muito difícil de dizer!) «está bem, vê se te acalmas e depois tens duas páginas para escrever».

Às vezes, «enfiarmo-nos» num teclado serve quase de terapia, de exorcismo dos fantasmas que nos esmagam. E foi assim que apareceram os textos para as tais duas páginas (ainda das grandes…), as mais difíceis de toda a minha vida! Já passava da uma da manhã quando saí de Imola, um sentimento de tremendo vazio, as lágrimas a quererem saltar. Acabara de viver o maior pesadelo de sempre… E a Fórmula 1 acabara de perder milhões de adeptos. Ainda hoje há quem me diga que deixou de seguir a F1 no dia em que Senna morreu. Compreendo mas não aceito. Porque tenho a certeza de que o próprio Ayrton não o aprovaria!

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SÉRGIO VEIGA

Enviado-especial do jornal «A Bola» a largas dezenas de Grandes Prémios, nunca deixou de reportar sobre o Mundial, tendo nos últimos anos alargado a sua experiência aos comentários televisivos.

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FONTES PESQUISADAS

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte I): a vitória no Estoril-85. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-a-vitoria-no-Estoril-85>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte II): da raiva… às desculpas. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-da-raiva-as-desculpas>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-o-fim-de-semana-terrivel>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.