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quinta-feira, 4 de março de 2021

OS ENIGMAS DE IMOLA

 


No horário da Itália, eram 13h27 do dia 1º de maio de 1994, quando Ayrton surgiu dos fundos do boxe da Williams, macacão amarrado à cintura, pronto para entrar no carro e seguir para o grid de largada. Como fazia em todas as corridas, o cinegrafista Armand Deus, da TV Globo, apertou o botão de sua câmera Betacam e começou a captar as imagens.

 

Procedimento de rotina. Não era uma transmissão ao vivo.

 

As imagens seriam usadas para ilustrar a reportagem sobre a corrida que o correspondente Roberto Cabrini editaria no final do dia, a tempo de ser gerada para o Rio de Janeiro e exibida no programa Fantástico.

 

Não era um dia de sorrisos para ninguém no autódromo de Imola.


Menos ainda para Ayrton, que havia anos já assombrava mecânicos, engenheiros, jornalistas e namoradas com sua capacidade de se concentrar nos momentos que antecediam à largada, tornando todos à sua volta rigorosamente invisíveis e inaudíveis. Seu olhar, naqueles momentos, parecia estar em outra dimensão. Sua seriedade formava uma muralha da qual poucos ousavam se aproximar, não importando a patente familiar ou a relação contratual.

 

Para alguns, naqueles momentos ele antecipava curvas e movimentos dos adversários. Para outros, rezava. Outros ainda achavam que aquela era uma travessia sensorial para um mundo cheio de fúria que só cabia e existia no cockpit. Uma travessia sem volta até que a corrida, a dele, terminasse.

 

A câmera de Armand Deus continuava gravando quando Ayrton se aproximou da parte traseira de sua Williams e pousou as mãos sobre o aerofólio.

 

Teve uma rápida conversa sobre a suspensão traseira com o engenheiro David Brown. Depois, seu olhar passou a se alternar entre o nada e a Williams, ainda suspensa nos cavaletes, sem as rodas, recebendo os últimos ajustes dos mecânicos.

 

Era mais do que a concentração de sempre. Havia uma contida inquietação. E também uma tristeza solene e impotente. Estavam ausentes, no seu semblante, como desde o início daquele ano, a intensidade e aquele olhar de predador dos tempos da Lotus e da McLaren. Nem mesmo o rápido comentário de Patrick Head, o diretor da Williams, pareceu diminuir a distância que ele mantinha de tudo que o rodeava.

 

Algum pensamento finalmente o resgatou daquela estranha dispersão para o ritual do cockpit: balaclava, capacete, macacão fechado até o pescoço e uma espera disciplinada, de pé, com as mãos cruzadas sobre a cintura, pela ordem de entrar no carro e ajustar o cinto de segurança.

 

As imagens gravadas por Armand Deus no boxe da Williams e, minutos depois, as que foram feitas no grid de largada, quando Ayrton mudou a rotina e tirou o capacete, se tornaram históricas. Deflagraram o sofrido exercício ao qual milhões de pessoas, especialmente os brasileiros, se entregaram nos dias seguintes: o que estava por trás daqueles últimos olhares, gestos e silêncios?

 

Havia muitas respostas possíveis, sozinhas ou combinadas. Dentro e fora da pista.

Schumacher estava ali, quase ao lado, mais do que nunca disposto a destroná-lo. Roland Ratzenberger morrera depois de uma batida centenas de metros à sua frente, no dia anterior, e o fizera, pelo menos por algumas horas, desistir de correr. Rubens Barrichello, que ele vinha tratando como uma espécie de irmão mais novo das pistas, sobrevivera a um acidente assustador, na sexta-feira. Aquela Williams que ele chamava de "cadeira elétrica", um carro arisco e difícil de guiar, estava consumindo pneus com preocupante rapidez.

 

A placa de um minuto foi erguida.

 

Vinte e cinco motores de Fórmula 1 começaram a rugir.

 

Ayrton, na hora de acelerar, costumava deixar todas as preocupações de lado. Não trocava as emoções do cockpit por nada da vida. Em mais alguns segundos, ele se entregaria de novo à aventura que tinha começado aos quatro anos de idade, ao soar de um motor de picadeira de cana, com três cavalos de potência.


FONTE PESQUISADA

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

 









quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Dirigentes são investigados



HUMBERTO SACCOMANDI
DA REPORTAGEM LOCAL

A Justiça italiana trabalha com hipótese de homicídio culposo para a morte de Ayrton Senna. Dirigentes do autódromo, da corrida e da equipe Williams estão sendo investigados.

Ontem foi emitido um "avvisi di garanzia" para Federico Bendinelli, presidente da Sagis, a empresa que administra o autódromo de Imola, onde foi realizado o Grande Prêmio de San Marino.

A lei italiana determina que toda pessoa envolvida num inquérito policial receba um "avviso di garanzia" (aviso de garantia), uma notificação informando que ela está sendo investigada.

A suspeita contra o presidente da Sagis é de homicídio culposo. O aviso não significa que ele seja culpado, só diz que está sendo investigado num inquérito policial. A investigação está no começo.

A RAI, TV estatal italiana, disse ontem à noite que o diretor da corrida e dirigentes da Williams também receberão esses avisos e serão investigados por homicídio culposo. A TV não deu nomes.

Homicídio culposo significa que houve participação não intencional da pessoa envolvida na morte da vítima. Há responsabilidade, mas não intenção.

Essa acusação é menos grave que a de homicídio doloso, quando é constatado que houve intenção por parte do envolvido de matar a vítima.

Mesmo assim, a condenação por homicídio culposo é passível de pena de prisão, tanto no Brasil como na Itália.

A inquérito está sendo conduzido pela Procuradoria da Polícia de Bolonha. Imola fica na região da Emilia Romagna, cuja capital é Bolonha.

O encarregado dessas investigações é o juiz Maurizio Pazzarini. Foi ele que determinou o envio das notificações jurídicas aos dirigentes de equipe e administradores automobilísticos. O juiz Pazzarini pediu ontem à Polizia Stradale (polícia rodoviária) italiana que realize uma perícia no local do acidente.

"O juiz nos delegou parte das investigações técnicas", disse ontem à Folha o comandante Altizzu, da polícia de Bolonha. Ontem mesmo a equipe de perícia técnica da polícia visitou o autódromo.
Os restos da Williams de Ayrton Senna estão sob custódia policial e também serão objetos da perícia técnica.

Os dirigentes automobilísticos serão investigados também pela morte no sábado do piloto austríaco Roland Ratzenberger. Ele se acidentou durante a tomada de tempo para a corrida.

Nesse caso, estão implicados ainda os dirigentes da equipe Simtek, de Ratzenberger. Eles deverão receber notificações da Justiça italiana.

Segundo um outro juiz de Bolonha, Francesco Pintor, o inquérito vai "reunir toda a informação útil sobre as pessoas que tinham conhecimento dos fatos".


FONTE PESQUISADA


SACCOMANDI, Humberto. Dirigentes são investigados. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/04/esporte/6.html>. Acesso em: 13 de novembro 2019. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Só o diretor paralisa a prova


FLAVIO GOMES
DO ENVIADO ESPECIAL
Folha de São Paulo
São Paulo, quarta-feira, 4 de maio de 1994

Numa corrida de Fórmula 1, só uma pessoa pode interromper um GP ou treino, o diretor de prova.

No caso do GP de San Marino, esse diretor era o belga Roland Bruynseraede. Ele é também o responsável, na FIA, pela segurança dos autódromos que realizam provas da F-1.

O diretor de prova fica em contato permanente, por rádio, com os comissários de pista. É informado sobre o que acontece ao longo da pista.

Quando ocorre um acidente fora de sua visão, ele é avisado pelo rádio da gravidade da batida e das condições da pista.

O diretor, então, a seu critério, ordena ou não a paralisação do treino ou da corrida.

Isso é informado aos pilotos através do acionamento de bandeiras vermelhas.

Essa bandeira foi acionada domingo no instante do acidente de Senna. Na batida entre Pedro Lamy e J.J. Lehto, na largada, Bruynseraede preferiu colocar na pista o "safety-car" (carro de segurança), que mantém os carros em movimento enquanto a pista é limpa.

Senna conversando com Balestre e Roland Bruynseraede, Grande Prêmio da Inglaterra 1991



FONTE PESQUISADA

GOMES, Flávio. Só o diretor paralisa a prova. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/04/esporte/5.html>. Acesso em: 05 de novembro 2019. 

domingo, 3 de novembro de 2019

Dirigentes omitiram morte de Ratzenberger


FLAVIO GOMES
DO ENVIADO ESPECIAL
São Paulo, quarta-feira, 4 de maio de 1994
Folha de São Paulo - folha.uol.com.br

Os dirigentes da Fórmula 1 omitiram deliberadamente a informação sobre o momento e local da morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, 31, ocorrida sábado nos treinos para o GP de San Marino, em Imola.

O resultado da autópsia realizada ontem no corpo do piloto não deixa dúvidas. Ratzenberger morreu com o impacto de seu carro no muro de concreto da curva Villeneuve, a mais de 300 km/h.


Segundo os médicos, em nenhum momento depois do choque Roland recobrou seus sinais vitais. As massagens cardíacas realizadas ainda na pista não tiveram efeito. Ratzenberger morreu no autódromo –clínica e legalmente, pela legislação italiana.


A FIA e a Foca omitiram essa informação. O corpo do piloto foi embarcado num helicóptero e transferido para o hospital Maggiore, de Bolonha.


O teatro incluiu massagens cardíacas no lado direito do peito de Roland. Oficialmente, ele morreu oito minutos depois de ser hospitalizado. Esse curto espaço de tempo, de certa forma, exime o hospital de uma suposta participação na farsa montada pelos dirigentes.


Oito minutos foi o tempo necessário para remover seu corpo do helicóptero, colocá-lo numa ambulância, levá-lo até a ala de traumatologia e subir de elevador até a unidade de reanimação.
Se fosse declarada sua morte no circuito, a Justiça Italiana interditaria imediatamente o autódromo para a abertura de inquérito.


A morte de Ratzenberger foi "transferida" para o hospital, livrando o GP da ameaça de suspensão. Se não tivesse sido enganada pela FIA e pela Foca, a Justiça da Itália poderia ter impedido a realização da prova que matou Ayrton Senna, 34, e feriu mais dez pessoas. Uma delas, um torcedor atingido por um pneu do carro de Pedro Lamy, está em coma.


(FG)



FONTE PESQUISADA


GOMES, Flávio. Dirigentes omitiram morte de Ratzenberger. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/04/esporte/4.html>. Acesso em: 03 de novembro 2019. 

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

VÍDEO “RECRIA” FIM DE SEMANA DA MORTE DE AYRTON SENNA USANDO IMAGENS DE ARQUIVO

Cena Pop - cenapop.uol.com.br
06 de outubro de 2019

Vídeo “recria” fim de semana da morte de Ayrton Senna usando imagens de arquivo – Foto: Reprodução

A morte de Ayrton Senna foi um dos grandes marcos na história da cultura popular brasileira. No dia 1° de Maio de 1994, o tricampeão bateu seu carro a quase 300 quilômetros por hora na curva Tamburello, em Ímola, na Itália.

No entanto, não foi apenas esse acidente que marcou aquele fim de semana. Outras tragédias também aconteceram – ou quase. Roland Ratzemberger bateu seu carro na curva Villeneuve no dia anterior e teve morte instantânea; na sexta, foi a vez de Rubens Barrichello, então iniciante na categoria, ter seu carro “voando” e batendo na proteção de pneus em um acidente impressionante.

Um vídeo na internet recria o fim de semana inteiro em mais de duas horas de imagens de arquivo, que começa com o acidente de Barrichello e termina com o enterro de Senna, na semana seguinte – evento que comoveu e paralisou o Brasil. O webdoc usa imagens de diversas emissoras de televisão para recriar a experiência de assistir a cobertura daquele GP negro.

No vídeo, não há nenhuma narração, apenas algumas indicações escritas na tela. Todas as falas são as originais feitas ao vivo: jornais que fizeram a cobertura dos acidentes, narrações ao vivo, imagens impressionantes e até mesmo os tão famosos Plantões da Globo que deram, passo a passo, a agonia de Senna no hospital Maggiore, de Bolonha – incluindo o já lendário plantão narrado por Roberto Cabrini, anunciando a morte do piloto.

Assista:




FONTE PESQUISADA

GLOBO ESPORTE - "Senna estaria se retorcendo no túmulo" com punições, diz Jo Ramírez, maior amigo na McLaren. Disponível em: <https://cenapop.uol.com.br/2019/10/06/189380-video-recria-fim-de-semana-da-morte-de-ayrton-senna-usando-imagens-de-arquivo/>. Acesso em: 02 de outubro 2019. 

quinta-feira, 23 de maio de 2019

3 lugares que provam o quanto a Itália é fã de Ayrton Senna

O país europeu homenageia grande ídolo mundial em vários locais

22/05/2019 - 15H59 - POR REDAÇÃO GQ
gq.globo.com

Ayrton Senna (Foto: Getty Images)

Para os apaixonados por Fórmula 1 e fãs de Ayrton Senna que visitam a Itália, há três lugares que não se pode deixar de visitar. A travel designer Ana Grassi nos passou algumas dicas de quais são os pontos turísticos que marcam a tradição da velocidade no país.

1. Monumento a Ayrton Senna
O monumento dedicado ao piloto encontra-se dentro do Parco delle Acque Minerali desde 26 de abril de 1997. Criado pelo artista Stefano Pierotti, fica bem perto da curva Tamburello, onde aconteceu o acidente que tirou a vida do tricampeão mundial no dia 1º de maio de 1994. O local se tornou um ponto de peregrinação, onde fãs do mundo todo vão prestar homenagem e deixam fotografias, mensagens e fotos.

Monumento Ayrton Senna (Foto: divulgação)

2. Museo Checco Costa
O museu localiza-se dentro do autódromo de Ímola, onde foi inaugurada a mostra 'Ayrton Mágico – a alma além dos limites', que vai até 30 de novembro de 2019. Lá é possível conhecer a história do campeão brasileiro através de uma narrativa inovadora de imersão na vida do piloto, mostrando como ele viveu além dos limites. Vídeos, imagens e entrevistas fazem parte do repertório da mostra. A peça mais importante é a Lotus 98T John Player Special, que ele dirigiu no campeonato de 1986.

Museo Checco Costa (Foto: divulgação)

3. Visita ao autódromo Enzo e Dino Ferrari
É possível fazer visitas guiadas pelo autódromo para descobrir onde a magia do automobilismo ganha vida, conhecer o pit lane, os boxes, a sala de controle e o tão sonhado pódio. Além disso, há visita exclusiva no circuito, com parada nos pontos mais importantes e vista panorâmica a partir da Torre Dekra.

Depois de 25 anos da morte de Ayrton Senna, o país, que foi cenário de sua última corrida, presta suas homenagens ao ídolo brasileiro. “Para os fãs de Fórmula 1 sempre sugiro esses lugares ícones da tradição do esporte de velocidade na Itália. Agora com esta mostra a experiência para esse público se torna ainda mais rica e inesquecível”, comenta a profissional.

Autódromo em Imola (Foto: divulgação)



FONTE PESQUISADA

GQ - 3 lugares que provam o quanto a Itália é fã de Ayrton Senna. Disponível em: <https://gq.globo.com/Prazeres/Turismo/noticia/2019/05/3-lugares-que-provam-o-quanto-italia-e-fa-de-ayrton-senna.html>. Acesso em: 23 de maio 2019.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Pilotos e Especialistas Tentam Explicar o Acidente Fatal de Ayrton Senna (Vídeo)

Ayrton Senna na última corrida de sua vida em San Marino, 01 de maio de 1994





São diversos fatores que podem ter causado o acidente do piloto brasileiro, mas a unanimidade é que não houve falha humana.

Documentário “Ayrton, retratos e memórias”, TV Brasil, 09/11/2015

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Senna Pensou em Não Correr, Diz Namorada

São Paulo, terça-feira, 3 de maio de 1994

JAIR RATTNER 

DE LISBOA, ESPECIAL PARA A FOLHA



Adriane, namorada de Senna, chora com amiga na casa onde se hospedou em Portugal

Depois do acidente que matou o piloto Roland Ratzenberger, Ayrton Senna disse à sua namorada, Adriane Galisteu, que não queria correr em Ímola.

"Eu falei com ele pelo telefone. Perguntei se estava tudo bem e ele disse que não estava nada bem, que não ia mais correr, que estava muito impressionado", conta Adriane.

À noite do mesmo dia, Senna já estava mais calmo. "Falei com ele de novo e ele me disse para não me preocupar. Disse: `Não se esqueça de uma coisa, eu sou forte, muito forte'."

Adriane contou isso numa entrevista coletiva realizada em Sintra, a 20 quilômetros de Lisboa.

Ela afirmou que Senna não sofreu nenhuma pressão da equipe para correr. "Ele queria correr com o carro. Ele só conseguia fazer a pole, mas não conseguia correr com ele."

Adriane assistiu à corrida numa casa do seu namorado que fica em Algarve, sul de Portugal. "Fiquei apavorada na hora que vi o acidente. Aquele minuto e meio até ele ser atendido foram horas", comentou.

Bastante emocionada, avaliou: "Foi uma tremenda perda para mim, para o esporte e o mundo".


A primeira reação de Adriane foi pegar um avião e ir para a Itália. Quando o avião estava para decolar, recebeu a notícia da morte de Senna.

Ontem, ele ainda não tinha se recuperado do choque. "Eu ainda não acordei."

Com 21 anos feitos há duas semanas, ela namorava o piloto havia pouco mais de um ano. Conheceu Senna na festa da vitória do GP do Brasil do ano passado.

Adriane vem amanhã ao Brasil. "Pretendo chegar ao Brasil junto com ele. Vou tentar chegar o mais em cima da hora possível e voltar o mais rápido que der", para evitar o assédio.

Pretende ficar em Portugal até decidir o que fazer. "Vai sair uma capa minha numa revista, mas nem tenho vontade de ver as fotos."

Nesta semana, os dois deveriam se encontrar na Inglaterra, onde Senna faria testes com vistas ao GP de Mônaco. 





FONTE PESQUISADA

RATTNER, Jair. Senna pensou em não correr, diz namorada. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/03/esporte/4.html>. Acesso em: 21 de maio 2018.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Reginaldo Leme Relata Momentos Dramáticos Após Acidente Fatal de Ayrton Senna na Itália

Trecho do livro Ayrton Senna: As time goes by escrito pelo jornalista britânico Christopher Hilton



TRADUÇÃO LIVRE

Reginaldo Leme trabalhou para o canal brasileiro TV Globo ao longo da carreira de Senna. "Eu estava [no dia do acidente de Ayrton] comentando junto com Galvão Bueno. Fiz a análise. No Brasil é diferente da Inglaterra: chamamos o comentarista de analista, e você chama o comentarista de pessoa que lhe conta o que está acontecendo. Bueno fez isso e eu era o analista "

"Galvão era o melhor amigo de Senna e, é uma incrível coincidência, mas naquele momento do acidente em Ímola - naquele exato momento - Galvão não estava olhando o monitor. A antiga cabine de transmissão em Ímola era muito pequena, não podíamos ver os carros e os pits, e Galvão estava tentando ver alguma coisa nos boxes. Eu empurrei-o com muita força para prestar atenção no monitor. Quando ele se virou e viu o monitor foi terrível.O rosto dele mudou.

*Pits: a parada dos pilotos nos boxes.
*Box: Local que fica alojado tudo de uma equipe: carros, peças...

"Senna bateu, bateu forte e Galvão ficou em silêncio. Durante os 15, 20, 30 minutos seguintes, estimadamente, eu tive que falar e as imagens estavam ficando cada vez piores. Normalmente ele fala e eu fico esperando a minha vez. Eu não achava que Senna estivesse morto, mas eu tinha a sensação de que ele estava muito, muito mal e eu tinha o sentimento preciso do que o povo brasileiro estava sentindo naqueles momentos. Senti que era necessário dizer que não sabia exatamente qual era a situação, mas sabia que era crítica. Eu não poderia dizer que ele provavelmente morreria. Ninguém sabia - e era especialmente importante porque a TV Globo e toda a sua família e amigos estariam assistindo."

Leonardo saiu em rapidamente ao ver acidente de Ayrton Senna


O irmão de Senna, Leonardo, no entanto, estava em Ímola, na cabine de transmissão. Reginaldo Leme viu o rosto de Leonardo e "Leonardo imediatamente saiu da cabine". Um dos parceiros de negócios de Senna também estava lá, mas ele ficou. Leme olhou para ele e ele olhou para Leme. "Estávamos em apuros, mas não falámos uma só palavra - sabíamos que era um problema [grave]". Nem a transmissão se dissolveu em abandono emocional, com a histeria voltando da conexão do Brasil com Leme. As pessoas que lidavam com isso eram experientes e, como Leme relata, propriamente profissionais. É invariavelmente assim: você faz o seu trabalho e derrama suas lágrimas depois, em particular.


IDIOMA ORIGINAL

Reginaldo Leme worked for the Brazilian channel TV Globo throughout Senna's carrer. "I was commentating together with Galvao Bueno. I did the analysis. In Brazil it's different to England: we call a commentator the analyst, and you call the commentator the person who tells you what is happening. Bueno did that and I was the analyst."

"Galvao was the very best friend of Senna and, it's an incredible coincidence, but that moment of the crash at Imola - at that exact moment - Galvao was not watching the monitor. The old commentary booth at Imola was very small, we couldn't see the cars and the pits, and Galvao was trying to see something in the pits. I pushed him very strongly to pay attention to the monitor. When he turned and saw the monitor it was terrible. His face changed.

"Senna crashed, crashed hard and Galvao was quite silent. During the next 15, 20, 30 minutes probably I had to speak and the pictures were getting worse and worse and worse. Normally he speaks and I am waiting for my turn. He couldn't speak. I didn't think Senna was dead but I had a feeling that he was very, very bad and I had the precise feeling of what Brazilian people were feeling in those moments. I felt it was necessary to say I don't know exactly what the situation is but I do know it is critical. I could not say he would probably die. Nobody knew - and it was specially important because it was TV Globo and all his family and friends would be watching."

Senna's brother Leonardo, however, was at Imola and in a commentary booth. Leme saw Leonardo's face and "Leonardo immediately left the booth." One of Senna's business partners was in the too, but he stayed. Leme looked at him and he looked at Leme. "We were in trouble but we did not speak one word - we knew it was trouble." Nor did the broadcast dissolve into emotional abandon, with hysteria coming back down the line from Brasil to Leme. The people handling it were experienced and, as Leme recounts it, properly professional. It is invatiably so: you do your job and shed your tears afterwards, privately.



FONTE PESQUISADA

HILTON, Christopher. Ayrton Senna: As time goes by. 1º Edição. Sparkford: Haynes Publishing, 1999.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Ayrton Senna o Fim de uma Era 1960 - 1994





O vídeo tenta passar o que Ayrton pensou ao ver, pela primeira vez na vida, uma morte na F1 a do piloto Roland Ratzenberger, morreu na sua frente, no GP de San Marino, onde ele próprio viria a falecer também no dia seguinte. Sua carreira, suas vitórias, passaram como um filme em sua mente. É o que o vídeo mostra.

Os chefes da FIA deveriam ter cancelado a Prova, quando Roland faleceu, mas por ter que devolver o dinheiro dos ingressos e de patrocinadores, continuaram, e Senna veio sofrer um Acidente e também falecer.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Ayrton Senna e Damon Hill na apresentação da equipe Rothmans Williams para a temporada de 1994



Ayrton Senna e Damon Hill na apresentação da equipe Rothmans Williams para a temporada de 1994. Este seria o carro em que morreria o piloto brasileiro no mesmo ano em Imola no Grande Prêmio de San Marino a 1 de Maio.



FONTE PESQUISADA


CATARINO, Nuno. 1994-Damon-Hill-Williams-Ayrton-Senna_2717910. Disponível em: <http://www.maismotores.net/2014/03/os-mais-belos-carros-de-f1-de-todos-os-tempos/1994-damon-hill-williams-ayrton-senna_2717910/>. Acesso em: 15 de março 2017.


terça-feira, 14 de março de 2017

Alguns Fatos Que Você Ainda Não Sabe Sobre a Morte de Ayrton Senna

POR FABRÍZIA RIBEIRO   EM ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS    01 MAI 2014 — 17H56   
Mega Curioso - megacurioso.com.br


No dia 1º de maio de 1994, Ayrton Senna da Silva sofria um acidente fatal. Naquela manhã de domingo, o tricampeão mundial deixaria uma falta irreparável nos milhares de fãs que tinha no Brasil e no mundo. O acidente, que aconteceu na curva Tamburello do GP de San Marino, hoje é lembrado por muitos com pesar.

Ayrton Senna era conhecido por seu carisma e sempre foi descrito como uma pessoa simpática e muito atenciosa por todos os fãs e jornalistas que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Uma dessas pessoas foi o jornalista Livio Oricchio, que acompanhou a carreira do piloto e estava presente nos últimos instantes da vida de um de nossos maiores heróis.

Depois de presenciar as vitórias e, infelizmente, relatar a partida do grande piloto, Oricchio preparou um especial para o UOL em que revela maiores detalhes sobre os últimos dias da carreira de Senna. Abaixo você confere alguns dos fatos retirados do especial:

Ayrton Senna no GP de San Marino.
Reprodução/Pascal Rondeau – ALLSPORT

*O carro que Senna pilotava naquela temporada era o Willians FW16, cujo projeto era de responsabilidade do engenheiro Adrian Newey. O brasileiro já havia tido dificuldades em pilotar o carro por conta da instabilidade do veículo ao passar sobre qualquer irregularidade no asfalto. Senna chegou a solicitar a Frank Williams, dirigente da escuderia, que pudesse treinar com o FW15C;

*Uma das dificuldades de Senna era que ele machucava as mãos enquanto pilotava. Ao virar o volante, o piloto esbarrava com as mãos na parte superior do cockpit e se feria. A configuração do volante foi alterada para evitar o problema e muitos acreditam que isso foi determinante para o acidente;

*Tudo indica que a pressão psicológica também influenciou diretamente o piloto. Senna estava indo para a terceira etapa do mundial sem ter marcado nenhum ponto, enquanto Michael Schumacher – seu principal adversário – havia vencido as duas corridas do campeonato e estava na liderança com 20 pontos;

Foto: Norio Koike

*Na sexta-feira (29 de abril de 1994), logo no início do treino, Rubens Barrichello – com 21 anos na época – sofreu um acidente que também deixou Senna preocupado. Barrichello bateu contra um muro a cerca de 200 km/h e capotou. O jovem piloto ficou desacordado por alguns instantes e Senna, que foi conferir a cena de perto, saiu de lá visivelmente abalado;

*No sábado (30 de abril), a situação ficou ainda pior. O piloto austríaco Roland Ratzenberger morreu ao colidir a 300 km/h na curva Villeneuve do circuito de Ímola. Senna, que já estava abalado pelo acidente de Barrichello no dia anterior, ficou ainda mais entristecido. O piloto chegou a ir até o local da pista onde havia ocorrido o acidente e depois chorou compulsivamente pela perda do colega. Para agravar a situação, o brasileiro ainda recebeu uma advertência do belga Roland Bruynseraede, delegado de segurança da F1 e diretor de prova, por ter ido até o local do acidente;


Foto: Lemyr Martins

*Sid Watkins, médico da Fórmula 1 e amigo do piloto brasileiro, chegou a aconselhá-lo a não disputar o GP de San Marino no sábado à noite, poucas horas do acidente. “Ele me disse: ‘O que é que eu vou alegar para a equipe, nessa situação em que estamos, 20 pontos atrás de Schumacher na classificação? Apenas que não estou bem?’”, revelou o médico anos depois;

*No domingo (1º de maio), logo na largada da prova, um acidente com o carro da Benetton fez com que o safety car entrasse na pista. Nesse momento, Senna estava em primeiro lugar, seguido de Schumacher. Como naquela época o safety car era um veículo de série, a velocidade percorrida no circuito era menor do que o necessário para manter a temperatura dos pneus e dos freios, o que facilitaria a retomada da competição. A baixa velocidade fez com que a pressão dos pneus da Williams caísse e isso também pode ter contribuído para o acidente;

*Depois de passar pela tangente da curva Tamburello e se chocar gravemente, Senna recebeu pronto atendimento. Os comissários de prova do circuito de Ímola revelaram que foi encontrada uma bandeira da Áustria em meio aos destroços do carro do brasileiro. Provavelmente, Senna havia planejado fazer uma homenagem a Roland Ratzenberger, que havia falecido no dia anterior;


O corpo de Ayrton Senna foi trazido ao Brasil na classe executiva em um voo que partiu de Paris para São Paulo. Com as cortinas fechadas, apenas a tripulação sabia que o caixão do piloto estava na aeronave e nenhum dos passageiros foi informado para que não houvesse tumulto. Demais aeronaves que estavam no ar naquele momento e foram avisadas que o corpo do piloto estava sendo transportado passaram pelo avião fazendo sinal de luzes e algumas tripulações enviaram mensagens;



FONTE PESQUISADA


RIBEIRO, Fabrízia.  Alguns fatos que você ainda não sabe sobre a morte de Ayrton Senna. Disponível em: <http://www.megacurioso.com.br/acontecimentos-historicos/43070-alguns-fatos-que-voce-ainda-nao-sabe-sobre-a-morte-de-ayrton-senna.htm>. Acesso em: 14 de março 2017.

sexta-feira, 3 de março de 2017

O Pressentimento de Senna: O Piloto Relata Problemas no Asfalto em Imola - Março 1994 - Imola Pista (Vídeo)





O pressentimento de Senna: o piloto relata problemas no asfalto da pista de Imola em Março de 1994.

Ayrton Senna, durante os testes em Ímola, quase dois meses antes da tragédia, reporta ao diretor do circuito, Giorgio Poggi, e o administrador do autódromo, Federico Bendinelli, os problemas no asfalto daquela pista. O vídeo foi filmado por Alberto Castioni, cinegrafista e então treinador do Jornal de Mantova. Foi exibido pela emissora italiana de TV RAI e propagado por outros jornais repercutindo em todo o mundo.

O vídeo mostra o brasileiro indicando alguns trechos potencialmente perigosos presentes no asfalto. Em maio de 1994, durante o Grande Prêmio de Imola o brasileiro morreu na curva Tamburello. (Alberto Castioni Video - Música de Chris Zabriskie)

l presentimento di Senna: segnala i problemi dell'asfalto a Imola
Marzo 1994, autodromo di Imola.

Ayrton Senna, durante i test sul circuito di Imola, quasi due mesi prima della tragedia, segnala al direttore del circuito, Giorgio Poggi, e all'amministratore della Sagis, Federico Bendinelli, i problemi dell'asfalto. Il video fu girato da Alberto Castioni, cineoperatore, allora tecnico della Gazzetta di Mantova. Fu trasmesso dalla Rai e ripreso da altre testate con una vasta eco in tutto il mondo.

Mostra il campione brasiliano che indica alcuni scalini presenti sull'asfalto, potenzialmente pericolosi. Il primo maggio del 1994 durante il Gran Premio di Imola il pilota brasiliano morì nella curva del Tamburello. (Video Alberto Castioni - Musiche di Chris Zabriskie)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

De Acordo Com Documentário, Senna Sabia Que Ratzenberger Havia Morrido Na Pista E Fia Manipulou Laudo Médico



Por Artur de Figueiredo
Publicado às 21:51 de 15/02/17
torcedores.com

Passados quase 23 anos de um dos piores GPs da história, quiçá, a corrida mais trágica de todos os tempos, em que vitimou o ídolo eterno Ayrton Senna e o piloto austríaco Roland Ratzenberger. A história de terror daquele fim de semana começa com uma batida assustadora do novato Rubens Barrichello no treino classificatório. A batida forte serviu de prévia para o pior que poderia vir e que de fato, aconteceu, consequentemente. Barrichello mesmo ter escapado ileso, já dava sinais que o Grande Prêmio de San Marino, tinha tudo pra dar errado. Já se questionava naquela época, em 1994, os moldes da Fórmula 1, com os carros que não davam sustentabilidade, segurança total aos pilotos e as pistas, sem as devidas proteções. O fim de semana que intercalava as datas de 30 de abril e o dia 1º de maio foram momentos divisores de água na categoria.

O que circula nos bastidores de Ímola é que o piloto Ayrton Senna sabia da morte do austríaco na pista, acontecida no treino classificatório (30) coisa que foi desmentida pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo). O fato é grave e por si só já merece toda atenção. A suposta ideia de ‘morte na pista’ invalidaria a corrida. Sabendo disso, a maior entidade do automobilismo mundial, teria manipulado o resultado de ‘morte súbita’ na pista.

No dia seguinte, em clima de luto, Senna com sua garra e obstinação, faria sua derradeira corrida, justamente para homenagear o colega Roland Ratzenberger, prometendo a ele a vitória do GP de San Marino. Levava com ele, a bandeira da Áustria. A curva de Tamburello acabou com o sonho do piloto. Sonho que virou pesado no coração de cada brasileiro, fãs ao redor do planeta, com a batida trágica. O documentário de um dos jornalistas mais próximos do piloto, Roberto Cabrini, inclusive.

Em seu programa no SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), “Conexão Repórter”, na edição especial de 20 anos, sem Ayrton Senna, mostra detalhes da vida do piloto e os bastidores que envolveram a tragédia, do fim de semana mais triste da história da F1. O programa especial fala dos detalhes que envolveram aquela data, desde os acidentes ocorridos no “Qualifying” com Barrichello e de forma trágica, com Ratzenberger.

O documentário afirma ainda que Senna sabia do atual estágio do piloto austríaco após o acidente, afirmando que a Federação Internacional ignorou o fato do piloto ter morrido na pista, o que invalidaria a corrida, consequentemente. Além disso, o especial mostrou a relação do piloto com o repórter e amigo Roberto Cabrini, a vida íntima do piloto e todas as nuances da tragédia.

Confiram o teaser do especial “20 anos sem Ayrton Senna”





FONTE PESQUISADA

FIGUEIREDO, Arthur de. DE ACORDO COM DOCUMENTÁRIO, SENNA SABIA QUE RATZENBERGER HAVIA MORRIDO NA PISTA E FIA MANIPULOU LAUDO MÉDICO. Disponível em: <http://torcedores.com/noticias/2017/02/de-acordo-documentario-senna-ratzenberger-morrido-pista-fia-manipulou-laudo>. Acesso em: 21 de fevereiro 2017.