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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Ayrton Senna Discutiu Com a Irmã Viviane Por Causa de Adriane Galisteu


Na realidade Ayrton Senna discutiu com a família inteira por causa da Adriane Galisteu. Com seu pai Milton da Silva, e os irmãos, Viviane e Leonardo Senna, como já foi postado aqui no blog – acredito que menos com a mãe dona Neyde Senna. 


Adriane Galisteu foi o verdadeiro amor do Ayrton, o grande amor da vida dele. Quando, em sua vida, o Ayrton brigaria com a família, que ele tinha uma ligação fortissíma, por causa de uma mulher, como aconteceu com Adriane Galisteu? Nunca! Jamais! Em tempo algum! Antes, a família era mais importante do que qualquer outra mulher. Agora, Adriane era a pessoa mais importante e o que ele tinha de mais importante na vida. 



Ayrton Senna discutiu com a irmã Viviane por causa de Adriane Galisteu




Extraído do livro “Noventa e quatro. Os últimos dias de Ayrton Senna”, escrito por Martin Zustak.

De acordo com Assumpção [assessora de imprensa de Ayrton Senna], ele estava simplesmente cansado de fazer negócios enquanto atendia às demandas dos pilotos de F1 e exigia um sacrifício (em algum momento devido à diferença de fuso horário entre Europa e América, ele estava conversando com o Brasil às duas e meia da manhã). No entanto, a expressão ausente dos olhos sugeriu que a causa do seu humor tinha raízes mais profundas do que a fadiga. 

Senna encontrou-se na encruzilhada da vida, tendo que enfrentar vários problemas fundamentais de uma só vez, e isso inevitavelmente refletiu em seu comportamento cotidiano, incluindo negócios. Apenas alguns dias antes da apresentação foram alongadas discussões por telefone com sua irmã Viviane, que após a morte de seu irmão confirmou que ele estava muito triste, deprimido e tendo brigas com a família. "Mas eu não vou te dizer por quê." 

Embora Viviane nunca tenha confirmado, o motivo foi a namorada de Senna, Adriane Galisteu, uma modelo de 21 anos, a quem ele conheceu no GP do Brasil. O termo modelo sugere imediatamente uma linda figura em uma forma que lembra uma garrafa de Coca-Cola e uma cabeça vazia, mas Senna não teria gostado por tanto tempo, se isso fosse tudo. Galisteu era muito mais. Ayrton com Adriane era doce, delicado, autêntico, e foi muito feliz no amor com ela. O piloto Mahoney e outras pessoas próximas estavam convencidos disso. O casamento dos dois se torna provável. Ainda mais porque ele sempre falou sobre seu desejo de ter filhos e que maravilhosa experiência de vida deve ser. Provavelmente não por coincidência, poucos dias antes de Imola tocou sobre o tema do casamento.

O amor por Adriane, no entanto, se deparou com uma desaprovação categórica da família. Galisteu veio de uma camada [estirpe] social completamente diferente e como uma potencial parceira de vida de Ayrton Senna estava longe de ser ideal. O irmão Leonardo foi especialmente enviado para a Europa para persuadir Senna a terminar com ela. Sua ascensão resultou em uma tempestade na véspera da corrida e uma ruptura em público entre os irmãos.

Senna estava no coração de uma típica família latino-americana e alinhada com a cultura sulista, ele tinha laços emocionais profundos com seus próprios parentes. Sempre que a situação permitia, ele estava retornando entre os grandes apreços para os pais, o que é um entendimento Europeu um pouco distante [depois estarei falando sobre essa diferença entre as culturas]. Família para ele, era um dos valores centrais da vida, e muitas vezes ele não esquecia de enfatizar. Havia agora um sentimento por Adriane, com quem Senna estava sempre por perto, seu primeiro amor verdadeiro. Era difícil para seu pai, sua mãe e Viviane suportarem o fato de que o seu Ayrton não só decidiu passar o verão na Europa sem eles e não voltar para sua terra natal, mas ele também decidiu levar Adriane para casa no Algarve. O que nos primeiros meses eles passaram levemente como flertar em comum agora mudou rapidamente em sério conhecimento. Senna teria que resolver esse difícil dilema. Qual voz você prefere? Existe um terceiro caminho? Um homem para quem outrora a vitória significa mais do que qualquer outra pessoa, de repente, ele estava ciente de quão difícil este Grande Prêmio Privado seria uma corrida difícil para vencer.











REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ZUSTAK, Martin. Devadesát čtyři. Poslední dny Ayrtona Senny. Primeira edição. 1999.


terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os últimos dias no Algarve



26 de abril de 1994, 16h00. Um helicóptero levanta do Aeródromo de Tires. A bordo, Ayrton Senna acena simpaticamente para a câmara de filmar. José Pinto, jornalista da RTP requisitara um helicóptero a um amigo para filmar a participação de Senna na gravação de um spot publicitário para a Sega. «Mantínhamos uma boa relação e disse-me porque é que eu não aproveitava e ia com ele no seu avião para Imola. Já tinha tudo tratado com as viagens da RTP e acabei por recusar», recorda o comentador de F1 e autor dos programas «Rotações» e «Máquinas».

O helicóptero de Ayrton Senna levava-o de volta ao Algarve, à sua Casa da Quinta do Lago, condomínio de luxo que André Jordan criara uns anos antes e onde Ayrton podia gozar da privacidade, do contacto com a natureza e do clima ameno para fazer o seu escrupuloso jogging. A casa da Quinta do Lago, avaliada atualmente em dez milhões de euros, era uma espécie de réplica europeia da sua casa em Angra dos Reis.

Ao contrário do que era habitual, Ayrton passava cada vez mais tempo no Algarve, sob os cuidados da fiel Juracy, que lhe preparava as lendárias canjas de galinha, cuidava da casa e do jardim e ainda lhe servia de competente motorista. Tudo aquilo que Ayrton chamava de «dieta espiritual» e que lhe permitia descomprimir como em nenhum outro lugar.

Ayrton parecia fugir da pressão familiar, que aumentava à medida que a sua relação com Adriane Galisteu parecia evoluir para coisa mais séria. Apenas a mãe, Neyde, parecia aceitar a relação com a plebeia de São Paulo.



Já que Ayrton se refugiava na Europa, a pressão familiar decidiu vir ter com ele, sob a forma do seu irmão Leonardo, que iria acompanhá-lo ao GP de São Marino – talvez uma das razões pelas quais Ayrton preferiu que Adriane fosse esperar por ele ao Algarve, evitando conflitos e a exposição da sua vida privada no paddock de línguas afiadas.



Ayrton estava certo. A missão do seu irmão Leonardo era convencê-lo de que aquela relação com Adriane era um erro. Naquela noite, durante o jantar preparado por Juracy, os dois irmãos discutiram, o que deixou Ayrton perturbado e irritado – ele não conseguia entender a animosidade da sua família com Adriane. O que fizera soar os alarmes fora um Fiat Uno prateado que Ayrton oferecera a Adriane e que despoletou no pai Milton uma preocupação explicada por António Almeida Braga, o Braguinha: «O Miltão achava que todo o mundo que se aproximava do Ayrton tinha interesses, queria tirar vantagens. Bastava um relacionamento durar mais para ele não gostar.» Agora sabemos de quem Ayrton herdou o seu caráter desconfiado.

No dia seguinte, 27 de abril, uma quarta-feira, Ayrton acordou mais bem disposto, apesar da hora madrugadora. Senna gostava de dormir 10 a 12 horas quando não estava nas corridas – aí não dormia mais de quatro horas.

Na sua espaçosa suíte no Algarve não podia entrar nem um ponto de luz. Ayrton sofria de fotofobia e tivera de ser a própria Juracy a isolar milimetricamente todas as fontes de luz que pudessem perturbar o sono do seu patrão. Ayrton não ficou totalmente satisfeito, porque descortinou um minúsculo ponto de luz pelas frestas do armário. Em entrevista a Monica Bergamo da revista Playboy, Ayrton confessou que costumava ser assaltado por um sonho: «Por vezes sonho que tenho um acidente, outras que estou oferecendo um bouquet de flores para a minha namorada». 

Naquela manhã solarenga, Senna acordou bem disposto e disse a Juracy: «Já viu como a vida é bela quando a gente se sente bem?». Depois de tomarem o pequeno-almoço no terraço junto à piscina, ele e o seu irmão foram conduzidos por Juracy até ao Aeroporto de Faro. Na pista, o comandante Owen O ´ Mahoney esperava por ele com o seu BAe HS125 jet, o jato particular que naquele dia o iria a levar a cruzar os céus de meia europa num autêntico air show de compromissos comerciais. Primeira escala em Munique para uma reunião com executivos da Audi, para discutir os pormenores do negócio que pretendia tornar a empresa de Senna a representante da marca alemã no Brasil. Depois do almoço, o comandante acionou os motores do jato e levantou voo. Próxima escala, Aeroporto de Forli, próximo de Bolonha. Owen O ´ Mahoney, que achara o seu patrão particularmente sorumbático naquele dia, despediu-se com o a habitual saudação antes de cada Grande Prémio: «Eu fiz o meu trabalho agora é a sua vez». Seria a última vez que faria aquele cumprimento.

Dali, Ayrton partia num helicóptero para Pádua, onde estaria presente no lançamento de uma nova bicicleta em fibra de carbono da marca Carraro com o logótipo do duplo esse de Senna.

Na conferência de imprensa que se seguiu à apresentação da bicicleta foi instado a comentar a vantagem da Benetton e de Michael Schumacher naquele início de campeonato, que Ayrton Senna desconfiava ser fruto de uma ilegalidade com o sistema de tração do Benetton:« É difícil falar de algo que não podemos provar.»

As desconfianças públicas de Ayrton Senna deviam-se ao péssimo arranque de temporada da Williams, contrastando com a eficácia da Benetton. Cumpridas que estavam duas provas do mundial – Brasil e GP do Pacífico em Aida –, Ayrton ainda não havia somado qualquer ponto, abandonando nas duas corridas, enquanto Schumacher somara duas surpreendentes vitórias.

Neste momento, e como noticiava o Autosport inglês, o campeonato estava «Michael 20 – Ayrton 0».

Senna, que tanto lutara para chegar à Williams, estava agora no centro da panela de pressão e afirmava que o campeonato iria começar em Imola, palco da terceira prova daquele mundial de 1994.

Os problemas da Williams manifestaram-se logo desde os testes de inverno no Paul Ricard e no Estoril, que levaram Ayrton a confessar aos seus amigos mais próximos: «Este carro é uma merda».

Com efeito, a Williams perdera a sua vantagem baseada na eletrónica, porque a FIA havia banido todos os dispositivos que haviam dado a ponta do pelotão tecnológico à equipa de Didcot – suspensão ativa, controlo de tração, ABS, etc. Numa tentativa de travar a escalada tecnológica e devolver ao piloto o papel principal na F1, a FIA acabara de criar sérios problemas às equipas e aos pilotos. As primeiras foram obrigadas a um retrocesso tecnológico que, em última análise, comprometia a segurança. Os segundos tiveram de adaptar de novo a sua técnica pilotagem a carros que dispensavam ajuda eletrónica.

Mas mesmo um piloto com as extraordinárias qualidades e capacidade de adaptação de Ayrton se via a braços com um carro «mal nascido». O chassis do Williams FW16, supervisionado por Patrick Head, era instável e difícil de controlar e o pacote aerodinâmico, desenvolvido por Adrian Newey, estava longe de poder disfarçar as imperfeições do conjunto.

Nem mesmo o poderoso motor V10 da Renault, o mais potente de todos os carros da F1, conseguia dar ao FW16 um temperamento vencedor. A Williams estava consciente das deficiências do seu monolugar e na fábrica testavam-se afincadamente novas evoluções que permitissem a Ayrton Senna diminuir o fosso que o separava do Benetton de Michael Schumacher. Além da fraca competitividade do seu carro, Ayrton estava seriamente desconfiado da legalidade do Benetton.

No paddock circulava o rumor de que a equipa italiana estava a utilizar um sistema de controlo de tração no motor, que ficava à margem das regras impostas pela FIA no início daquele ano. Ayrton ligava várias vezes ao seu antigo rival Alain Prost, fazendo queixas da Williams e manifestando a sua desconfiança com a superioridade do Benetton: «Naqueles dois ou três meses antes de Imola, o comportamento do Ayrton comigo mudou radicalmente. Eu deixara de ser uma ameaça, agora era seu confidente. Ligava-me várias vezes e ficávamos falando imenso tempo. Ele estava preocupado com o Williams e com a segurança na F1, queria que eu integrasse uma comissão de pilotos para as questões de segurança», explicou o francês, em entrevista a uma série da BBC dedicada a lendas da competição automóvel.

Às 17h30 daquele dia 27 de abril, depois de terminar os seus compromissos comerciais em Pádua, Ayrton Senna apanhou de novo o helicóptero, agora com destino ao circuito de Imola, onde aterrou por volta das 18h00. Foi de imediato às boxes da equipa Williams, onde cumprimentou, como sempre, todos os membros da equipa.

Esteve alguns minutos à conversa, desta vez não com Giorgio Ascanelli, o seu engenheiro de pista da McLaren, mas com David Brown, que tinha as mesmas funções na Williams. Ayrton queria inteirar-se das evoluções que a equipa trazia para Imola e que testara no início da semana em Nogaro com o seu companheiro de equipa, Damon Hill.

Além de novos acertos aerodinâmicos, os engenheiro da Williams elevaram a posição do volante, o que obrigava os pilotos a expor mais os seus ombros, conforme depois notaria Emerson Fittipaldi.

Ayrton estava preocupado e sabia que apesar de o campeonato ainda estar na sua fase inicial, a vantagem de Schumacher era já preocupante. Senna queria acreditar que Imola iria marcar o ponto de viragem daquele campeonato, mas não estava muito confiante: «O carro é muito difícil de guiar, é tão duro que qualquer ondulação do piso faz ele saltar.»

O Autódromo Enzo e Dino Ferrari, perto da cidade de Imola, a quatro quilómetros da cidade de Bolonha e a 80 quilómetros da sede da Ferrari, em Maranello, era justamente considerado a «casa» da Ferrari e um dos mais perigosos e traiçoeiros circuitos do mundial. Ao contrário da maioria dos circuitos, este corria-se em sentido inverso aos ponteiros do relógio. Era um circuito de média-alta velocidade, com um ponto muito perigoso: a curva Tamburello.

Era uma curva de alta velocidade, normalmente feita de acelerador a fundo, com o ponteiro dos conta-quilómetros a passar dos 300 km/ h. As pequenas ondulações e ressaltos aconselhavam a que a suspensão fosse regulada com maior distância ao solo e que o apoio aerodinâmico fosse mais incisivo. O problema é que essa afinação mais segura para Tamburello iria penalizar o comportamento do monolugar nas zonas mais rápidas do circuito, fazendo-o perder velocidade de ponta e, logo, tempo, o bem mais precioso da Fórmula 1. Mas o principal problema da curva era a sua exígua escapatória, tendo em conta a velocidade que os carros atingiam naquela zona.

As dezenas de metros de brita não eram suficientes para travar embates com o muro de betão, conforme tão amargamente experimentara Gerhard Berger em 1989, quando o seu Ferrari embateu no muro e se incendiou. O austríaco foi retirado do carro em chamas e sobreviveu ao terrível acidente. No ano seguinte, ele e Ayrton Senna fizeram uma vistoria a pé à fatídica curva, na tentativa de identificar uma solução que permitisse torná-la mais segura. Quando espreitaram para lá do muro de betão, viram que por ali passava um ribeiro. Não havia nada a fazer e os dois amigos conformaram-se com a inevitabilidade daquele perigo que continuariam a desafiar todos os anos.

Depois de partilhar uma macarronada com alguns jornalistas brasileiros na motorhome da Williams, Ayrton Senna dirigiu-se ao Castello, o hotel onde habitualmente se hospedava desde os tempos da McLaren na pequena estância termal de Castel San Pietro. À sua espera, atempadamente reservado, o quarto número 200. Ayrton era um animal de hábitos e gostava de jantar nos mesmos restaurantes de sempre e ficava quase sempre nos mesmos hotéis. Gostava desta familiaridade, ainda que fictícia. Naquela noite, depois de jantar com o irmão Leonardo, com o seu empresário Julian Jakobi, com o seu amigo e preparador físico Josef Leberer, com o seu compagnon de route António Almeida Braga e com outros amigos brasileiros, igualmente hospedados no hotel, Ayrton Senna retirou-se, cansado de um dia de frenéticas viagens. Ligou para Adriane, no Brasil, que preparava as malas para embarcar no dia seguinte para Lisboa.




FONTE PESQUISADA

PELEJÃO, Rui. A paixão de Senna. Edição 1. Editora Leya Portugal. S.A., julho de 2014. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

No Vácuo do Campeão



ROBERTO BASCCHERA, de São Paulo 

Jornal do Brasil, dezembro 1994

Como vivem os irmãos e pais de Ayrton Senna sete meses após a morte do piloto

Nos sonhos que perseguem Leonado Senna da Silva, o irmão Ayrton bate seu Williams a mais de 200 quilômetros por hora num muro de concreto, o carro rodopia e para. Segundos depois, ao contrário do desastre de 1° de maio em Ímola, na Itália, o tricampeão mundial destrava o cinto de segurança e deixa rapidamente o cockpit destroçado, tentando se livrar do possível impacto de outros carros que participam do Grande Prêmio de San Marino. O sonho – na verdade um grande pesadelo – é a única ligação que o empresário Leonardo e toda a família Senna da Silva dizem manter com as corridas de automóveis nesses sete meses que se seguiram à morte do maior e mais conhecido ídolo do esporte nacional depois de Pelé.


Apesar da tragédia de Ímola, não se pode dizer que os Senna da Silva abdicaram da emoção da velocidade. Aproveitando a oportunidade oferecida pelo Salão do Automóvel, na última semana de outubro, Leonardo arrematou para os momentos de lazer, numa opção aos videogames que mantém em seu amplo apartamento dos Jardins, um Lamborghini Diablo VT, um bólido equipado com motor de 12 cilindros e que vai da imobilidade aos 100 quilômetros por hora em pouco mais de quatro segundos. O brinquedo, recomendado apenas para os iniciados, custa US$ 391 mil, o preço de um bom apartamento na Zona Sul de São Paulo. "É quase um carro de pista, como eu sempre quis", afirmou Leonardo, radiante e ao mesmo tempo incomodado com a descoberta de sua compra.


A irmã Viviane optou por abandonar temporariamente os clientes de seu consultório de psicologia para se dedicar exclusivamente a organizar a Fundação Ayrton Senna. Por conta desses compromissos, tem passado a maior parte do tempo no exterior, representado a família nas centenas de homenagens que pipocaram em memória do piloto. Quando está em São Paulo, ela é protegida por uma secretária fiel e pouco humorada, responsável pela triagem da correspondência e das ligações que chegam ao escritório no bairro de Santana. Ao fax enviado pelo Jornal do Brasil com um pedido formal de entrevista, Viviane respondeu tão gentil quanto negativamente. "Devido ao próprio estabelecimento da Fundação, estou dedicando todo o meu tempo disponível para isso, não sendo possível atendê-lo no momento."

A família Senna continua vivendo em função de Ayrton não somente em razão dos inúmeros negócios iniciados pelo piloto, como a venda dos automóvies alemães Audi e dos eletrodomésticos italianos DeLonghi. Tudo o que cerca os Senna da Silva continua sendo notícia. Coincidência ou não, a velocidade permanece como o principal mote. A revista inglesa Autosport trouxe na edição de duas semanas atrás a informação de que o Grupo Ayrton Senna estaria estudando a viabilidade econômica de montar sua própria equipe de Fórmula-1. A família, porém, mantém silêncio sobre o caso – que agita a Europa e desperta a cobiça de muitos pilotos endinheirados e desempregados pelo mundo.


Os símbolos de status e riqueza que se tornaram marcas registradas do piloto quando vivo continuam ativos, embora de forma bem menos cinematográfica. O helicóptero Esquilo utilizado pelo piloto para as fugas à mansão de Angra dos Reis hoje transporta a família para os fins de semana na fazenda de Tatuí. O Lear Jet 35, que durante muito tempo serviu como opção aos aborrecidos vôos comerciais que Ayrton era obrigado a frequentar é o meio mais prático de levar os executivos da Senna Import em inauguração de concessionárias Audi pelo país.

A mansão de US$ 4 milhões em Angra ainda serve como refúgio para Leonardo e amigos nos fins de semana prolongados e de muito calor.

A vida social da família Senna da Silva também mudou, mas não radicalmente. Milton e Neyde, os pais de Ayrton, continuam tão arredios quanto antes do acidente. Eles se preocupam com assaltos e sequestros, motivos que levaram o casal a se mudar, há dois anos, da ampla casa da Avenida Cantareira, Zona Norte, para um apartamento duplex no Pacaembu.

O casal cumpre poucos compromissos, geralmente em família, e se refugia na fazenda de Tatuí nos fins de semana – foi lá, por sinal, que Milton da Silva fraturou o fêmur numa queda na sauna, semanas antes da tragédia de Ímola. Ele não recobrou totalmente os movimentos da perna, mas já não usa bengala.

Dona Neide continua se dedicando aos assuntos familiares. A mãe do Senna e a irmã dele sempre andam acompanhadas de motoristas e seguranças. Milton da Silva voltou a trabalhar na semana seguinte à tragédia que se abateu sobre a família. Do alto da torre de vidro de 16 andares que Ayrton construiu no bairro de Santana há três anos, ele continua atuando como "conselheiro" nos negócios tocados por Leonardo, pelo genro Flávio Lalli e pelo sobrinho Fábio Machado.

Às saídas noturnas de Leonardo Senna continuam sendo frequentes. Leonardo frequenta semanalmente a boate Gallery e é uma das figuras mais requisitadas da casa. Ultimamente, tem requisitado também os bons restaurantes para divulgar os resultados dos negócios da família, que vão muito bem, obrigado.

Uma das tarefas mais penosas que se seguiram à morte de Ayrton foi localizar a modelo e mais famosa namorada do tricampeão. Ela andava nesses meses todos totalmente reclusa. Portugal? Campinas? São Paulo? Onde esteve Adriane?

Nos últimos sete meses, Adriane praticamente não teve contato com a família do ex-namorado, em especial com dona Zaza (como trata dona Neyde, mãe de Ayrton), mas nega que senha sido simplesmente ignorada pelos Senna da Silva. Diplomaticamente, justifica a distância com o argumentos que "perdeu Ayrton depois de um ano e meio, enquanto os pais e a família o perderam depois de 34 anos". Adriane também não gosta de falar no episódio do cancelamento, por parte de Leonardo Senna, da conta conjunta que mantinha com o namorado. "Isso tudo é abobrinha. E ponto final", encerra, irritada.





FONTE PESQUISADA

BASCCHERA, Roberto. No vácuo do campeão. Jornal do Brasil, dezembro de 1994, páginas 35 - 38.


sábado, 30 de junho de 2018

Nome: Leonardo Senna / Profissão: Irmão

Pois é!!!

Até hoje, né!?


Veja São Paulo, março - abril de 1993

Leonardo Senna, 27 anos, diretor da Ayrton Senna Promoções e Empreendimentos
Profissão: irmão

As aventuras do Senna que anda no vácuo do tricampeão

sábado, 16 de junho de 2018

Família Senna Tentou Comprar o Silêncio de Adriane Galisteu

Família de Ayrton Senna tentou comprar as lembranças e o silêncio de Adriane Galisteu

Por Nirlando Beirão
Revista Playboy, dezembro de 1994




Conta conjunta bloqueada. O féretro mal tinha passado

Passado, para ela, é também a família Senna da Silva. Ela teve de engolir, sozinha, lentamente, a surpresa pelo tratamento que recebeu no próprio velório em São Paulo, ao pé do caixão do namorado, num flagrante desrespeito à ocasião e ao morto. Na sua perplexidade, Adriane Galisteu, que se considerava parte da família, guardou o ressentimento na geladeira. "Eu estava catatônica", justifica. "Só depois as cartas que recebi (de fãs e admiradores do Ayrton e seus) e o que li na imprensa me despertaram de meu torpor." Poderia ter requentado o seu eventual ressentimento e despejado no seu livro. Preferiu elegantemente jogar fora o prato envenenado. Mas as confidências de amigos que sabiam o que ela significava para o campeão, viam como ela era tratada na casa dele e depois assistiram ao triste espetáculo do enterro mostram como o mundo pode dar uma reviravolta, por nada.

É estranho que irmãos dilacerados pela morte súbita de alguém tenham tempo e ânimo para fazer uma ligação internacional para se certificar se a namorada já foi devidamente despachada da casa de veraneiro no Algarve – isso na mesma noite da tragédia. Felizmente para Adriane Galisteu, ela tinha tomado a decisão de partir por conta própria. Certa vez, ela deixou escapar, ela própria, que a família bloqueou sua conta bancária no Brasil – aquela em que o namorado depositava o dinheiro de bolso para as despesas do dia-a-dia dela depois que, por insistência dele, o namorado famoso, Adriane abandonou de vez a profissão de modelo.

Da herança, ela não ficou nem com o troco, embora se saiba que a mãe do ídolo, dona Neyde – até aquele dia, para Adriane, ela era a "Záza" –, tocou no assunto dinheiro na conversa de 45 minutos que ela diligentemente quis ter com a ex-futura nora, no dia seguinte do enterro. Abalou-se em viajar uma hora de carro até a fazenda de Almeida Braga, em Campinas, onde Adriane Galisteu buscara o colo de seus protetores, para tentar comprar dela, por um humilhante pacotinho de dólares que não pagam uma passagem aérea, todas as suas lembranças do passado. Que ela esquecesse tudo, inclusive que ele a tinha amado. Em outras palavras: se quisesse, Adriane Galisteu poderia ter escrito um livro de escândalos. Acabou escrevendo uma love story.

*Diligentemente: prontamente, rápido, ligeiro. 

No livro, há numerosas referências a confidências ao pé do fogão, viagens com a família, noites dormidas com o namorado na casa da mãe e do pai dele – às vezes, na casa dos pais dele, mas sem ele. Um psicanalista talvez deduzisse que, até então, a família apenas tolerasse a namorada como um capricho passageiro do filho e irmão. Deviam estar imaginando coisa melhor para ele – a futura mãe dos filhos, de preferência uma mocinha insossa e cordata. Esqueceram-se de combinar com o principal interessado. Pouco antes de morrer, ele pagou para Adriane Galisteu um curso de imersão total de inglês no Berlitz de São Paulo. Convidou-a para acompanhá-lo em toda a temporada européia – aquela que começou exatamente no dia que, para ele, terminou, em Ímola, no Grande Prêmio de San Marino. Seriam cinco meses de convivência cotidiana, na casa do Algarve. Os dois, a sós, com os caseiros. Se isso não se chama casamento, é difícil arranjar outro nome.

*Insossa é sinônimo de: insulsa, insípida, monótona, tediosa, desinteressante.

*Significado de cordata: Que está em concordância com; que não se opõe a; que se encontra sempre de acordo.





FONTE PESQUISADA


BEIRÃO, Nirlando. – Eu Adriane Galisteu, 21 anos, solteira... Playboy, São Paulo, p. 82 – 86, dezembro 1994.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Reginaldo Leme Relata Momentos Dramáticos Após Acidente Fatal de Ayrton Senna na Itália

Trecho do livro Ayrton Senna: As time goes by escrito pelo jornalista britânico Christopher Hilton



TRADUÇÃO LIVRE

Reginaldo Leme trabalhou para o canal brasileiro TV Globo ao longo da carreira de Senna. "Eu estava [no dia do acidente de Ayrton] comentando junto com Galvão Bueno. Fiz a análise. No Brasil é diferente da Inglaterra: chamamos o comentarista de analista, e você chama o comentarista de pessoa que lhe conta o que está acontecendo. Bueno fez isso e eu era o analista "

"Galvão era o melhor amigo de Senna e, é uma incrível coincidência, mas naquele momento do acidente em Ímola - naquele exato momento - Galvão não estava olhando o monitor. A antiga cabine de transmissão em Ímola era muito pequena, não podíamos ver os carros e os pits, e Galvão estava tentando ver alguma coisa nos boxes. Eu empurrei-o com muita força para prestar atenção no monitor. Quando ele se virou e viu o monitor foi terrível.O rosto dele mudou.

*Pits: a parada dos pilotos nos boxes.
*Box: Local que fica alojado tudo de uma equipe: carros, peças...

"Senna bateu, bateu forte e Galvão ficou em silêncio. Durante os 15, 20, 30 minutos seguintes, estimadamente, eu tive que falar e as imagens estavam ficando cada vez piores. Normalmente ele fala e eu fico esperando a minha vez. Eu não achava que Senna estivesse morto, mas eu tinha a sensação de que ele estava muito, muito mal e eu tinha o sentimento preciso do que o povo brasileiro estava sentindo naqueles momentos. Senti que era necessário dizer que não sabia exatamente qual era a situação, mas sabia que era crítica. Eu não poderia dizer que ele provavelmente morreria. Ninguém sabia - e era especialmente importante porque a TV Globo e toda a sua família e amigos estariam assistindo."

Leonardo saiu em rapidamente ao ver acidente de Ayrton Senna


O irmão de Senna, Leonardo, no entanto, estava em Ímola, na cabine de transmissão. Reginaldo Leme viu o rosto de Leonardo e "Leonardo imediatamente saiu da cabine". Um dos parceiros de negócios de Senna também estava lá, mas ele ficou. Leme olhou para ele e ele olhou para Leme. "Estávamos em apuros, mas não falámos uma só palavra - sabíamos que era um problema [grave]". Nem a transmissão se dissolveu em abandono emocional, com a histeria voltando da conexão do Brasil com Leme. As pessoas que lidavam com isso eram experientes e, como Leme relata, propriamente profissionais. É invariavelmente assim: você faz o seu trabalho e derrama suas lágrimas depois, em particular.


IDIOMA ORIGINAL

Reginaldo Leme worked for the Brazilian channel TV Globo throughout Senna's carrer. "I was commentating together with Galvao Bueno. I did the analysis. In Brazil it's different to England: we call a commentator the analyst, and you call the commentator the person who tells you what is happening. Bueno did that and I was the analyst."

"Galvao was the very best friend of Senna and, it's an incredible coincidence, but that moment of the crash at Imola - at that exact moment - Galvao was not watching the monitor. The old commentary booth at Imola was very small, we couldn't see the cars and the pits, and Galvao was trying to see something in the pits. I pushed him very strongly to pay attention to the monitor. When he turned and saw the monitor it was terrible. His face changed.

"Senna crashed, crashed hard and Galvao was quite silent. During the next 15, 20, 30 minutes probably I had to speak and the pictures were getting worse and worse and worse. Normally he speaks and I am waiting for my turn. He couldn't speak. I didn't think Senna was dead but I had a feeling that he was very, very bad and I had the precise feeling of what Brazilian people were feeling in those moments. I felt it was necessary to say I don't know exactly what the situation is but I do know it is critical. I could not say he would probably die. Nobody knew - and it was specially important because it was TV Globo and all his family and friends would be watching."

Senna's brother Leonardo, however, was at Imola and in a commentary booth. Leme saw Leonardo's face and "Leonardo immediately left the booth." One of Senna's business partners was in the too, but he stayed. Leme looked at him and he looked at Leme. "We were in trouble but we did not speak one word - we knew it was trouble." Nor did the broadcast dissolve into emotional abandon, with hysteria coming back down the line from Brasil to Leme. The people handling it were experienced and, as Leme recounts it, properly professional. It is invatiably so: you do your job and shed your tears afterwards, privately.



FONTE PESQUISADA

HILTON, Christopher. Ayrton Senna: As time goes by. 1º Edição. Sparkford: Haynes Publishing, 1999.

sábado, 7 de abril de 2018

Viviane e Leonardo Senna Foram os Mais Afetados Com Planos de Ayrton Senna e Adriane Galisteu, Revela Livro



Após uma temporada de cinco meses na Europa sem voltar ao Brasil, Ayrton e Adriane se casariam – inclusive o piloto planejou pedir a amada em casamento no dia do acidente, quando se reencontrassem, no primeiro dia que começariam uma nova vida em Portugal. As novidades caíram como uma bomba na família de Ayrton e não agradaram principalmente seus dois irmãos Viviane e Leonardo.



Retirado do livro "Fatal Weekend" do jornalista britânico Tom Rubython

TRADUÇÃO LIVRE

Para a recepção da noite [festa de lançamento da Audi no Brasil, Ayrton era o representante licenciado da marca alemã no país], Adriane o acompanhou vestida com esmero. Senna anunciou que também teria acordos com motocicletas Ducati e canetas Mont Blanc para o Brasil. Estes seriam os primeiros de muitos produtos que ele importaria para o Brasil para sua nova vida de negócios, quando planejava efetuar uma mudança contínua de piloto de corridas para um poderoso empresário. Ele havia visto o efeito desmoralizante da aposentadoria de outros pilotos e não pretendia que isso acontecesse com ele.


Ayrton Senna e Adriane Galisteu chegando na festa da Audi

Assista:


*A parceria entre a Audi e o grupo Senna começou em 1993, através de contrato exclusivo para a venda dos veículos da marca Audi através da Senna Import — empresa fundada pelo tricampeão mundial de F-1, Ayrton Senna. (Folha de São Paulo, 18 de março de 2005)

Depois disso, Adriane teve o incômodo trabalho de se desculpar com Milton e Neyde da Silva [pais de Ayrton] pelas fotos da Caras. Eles também estavam chateados. Mas depois de uma conversa franca, ela pensou que eles tinham deixado isto para trás.

No entanto, havia outros assuntos que incomodavam a família, assuntos que não foram discutidos. Durante as semanas de verão em Angra, Senna e Adriane elaboraram um plano pelo qual ela iria se juntar a ele em Portugal em sua casa no Algarve durante toda a temporada do GP da Europa e ficariam lá permanentemente por cinco meses, e não retornariam ao Brasil. Seu estilo habitual era voltar para casa depois de qualquer outra corrida por uma semana. Incomodava a família imensamente, mas eles não podiam dizer ou fazer nada. Criou uma fenda invisível entre eles e Adriane e que irromperia na semana antes do Grande Prêmio de San Marino, culminando com Leonardo sendo enviado à Europa para persuadi-lo a desistir de Adriane.

A decisão de Senna de não voltar para casa por cinco meses foi recebida muito mal pela família e foi diretamente atribuída à influência de Adriane, o que afetou particularmente sua irmã, Viviane, e seu irmão, Leonardo. Na verdade, foi decisão do Senna e Adriane concordou com isso como seu desejo. Ele queria uma temporada ininterrupta com ela no Algarve. A família estava tendo que aprender a lição de que seu filho famoso estava finalmente pronto para fugir do ninho e se estabelecer com o amor de sua vida. Eles não aceitaram bem. Mas Adriane não sabia nada disso na época.

Os planos de seu irmão Ayrton Senna com Adriane afetaram particularmente Viviane e Leonardo

Em 3 de abril de 1994, Adriane viu Senna pela última vez. Ele estava indo para o Japão e ela ficou por um mês em São Paulo para fazer um curso intensivo de inglês. Se ela se instalasse na Europa durante metade do ano, teria que falar inglês.

Ela levou Senna para o aeroporto em seu Fiat Uno prata para seu voo. Ele não voltaria ao Brasil até o final de setembro. Ela deixaria o Brasil quatro semanas depois e se mudaria para a casa dele em Portugal e eles morariam juntos. Era claramente o prelúdio de algo grande. Ela sentiu que ele quase havia proposto casamento várias vezes e ela esperava voltar ao Brasil como sua noiva.

Adriane diz agora sobre 3 de abril: “Foi um dia muito especial e eu não sabia porque na época. Antes de irmos, tivemos uma longa tarde de amor. Chegamos ao aeroporto cedo e ficamos no carro e conversamos, nos abraçamos e nos beijamos. Ele me disse: "Vou ficar de olho em você, garotinha". Ele se despediu e me deu um longo beijo no carro. ”Ela relembra as palavras dele na última vez em que estiveram juntos em Angra:“ Um dia vou me casar com você e um dia vou correr na Ferrari. Eu terminarei minha carreira lá e terminarei minha vida com você. ”

E foi isso. Ela nunca mais o veria. Ela se jogou em tempo integral no curso de inglês, que ocupou todo o seu tempo - além de fazer as malas para cinco meses. Senna foi para o Japão, mas se retirou do Grande Prêmio do Pacífico, enquanto seu rival no campeonato, Michael Schumacher, venceu novamente. Mais tarde, ele contou a Adriane, assim como ele disse a todos que estavam próximos a ele, que achava que a Benetton de Schumacher estava, de tempos em tempos, usando componentes eletrônicos proibidos. Diferenças de tempo [fuso horário] e um forte compromisso de patrocinador significava que ele sentia falta de falar com ela em seu aniversário e não conseguiu até as seis da manhã do dia seguinte, pedindo desculpas desesperadamente por acordá-la tão cedo. Ela entendia as pressões sobre ele no Brasil, como ela mesma testemunhara no ano anterior. Em 21 de abril, Senna estava de volta à casa do Algarve. Ela estava estudando aulas de inglês também à noite. Mais tarde naquele dia, ela enviou por fax sua primeira carta de amor em inglês. Continuou com as lições até o voo da Varig para Lisboa na sexta-feira, 29 de abril.



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Opinião Blog Senna Vive

Desfrutavam da fortuna do irmão, sua fama e prestígio, o exploravam (por ele ter o coração generoso), o pouco prestígio que tinham e tudo que conseguiram foi através do irmão famoso e milionário, é por isso que não gostaram das boas novas, por despeito e temor de tudo mudar (a tal "harmonia familiar" deles), o que até então estava fluindo maravilhosamente bem, ótimo para eles. Simples: uma garota pobre, intrusa, era vista como uma ameaça. Assim se juntam ao pai (Milton), que também não queria esse casamento, e armam para separar os dois, sem sucesso.

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IDIOMA ORIGINAL


For the evening reception, Adriane accompanied him dressed to the nines. Senna announced he would also have deals with Ducati motorcycles and Mont Blanc pens for Brazil. These would be the first of many products he would import to Brazil for his new business life, when he planned to effect a seamless change from top racing driver to top businessman. He had seen the demoralising effect of retirement on drivers and he did not intend that to happen to him.

Afterwards Adriane had the uncomfortable job of apologising to Milton and Neyde da Silva for the Caras photos. They were also upset. But after a heart-to-heart discussion, she thought they had put it behind them.

However, there were other matters rankling the family, matters that were not discussed. Over the winter weeks at Angra, Senna and Adriane had hatched a plan whereby she would join him in Portugal at his Algarve house for the whole of the European Grand Prix season and they would stay there permanently for five months, and not return to Brazil. His usual style had been to return home after every other race for a week. It bothered the family immensely, but they could say nothing, and do nothing. It created an unseen rift between them and Adriane and that would erupt in the week before the San Marino Grand Prix culminating in Leonardo being sent to Europe to persuade him to give Adriane up.

Senna’s decision not to come home for five months was received very badly by the family and was squarely blamed on Adriane’s influence and it particularly upset his sister, Viviane, and brother, Leonardo. In truth, it had been Senna’s decision and Adriane had gone along with it as his wish. He wanted an uninterrupted summer with her in the Algarve. The family were having to learn the lesson that their famous son was at last ready to flee the nest and settle down with the love of his life. They didn’t take it well. But Adriane knew none of this at the time.

On 3rd April 1994, Adriane saw Senna for the last time. He was going to Japan and she was staying on for a month in São Paulo to take an intensive English language course. If she was to settle in Europe for half the year, she would have to be able to speak English.

She drove Senna to the airport in her silver Fiat Uno for his flight. He would not return to Brazil until the end of September. She would leave Brazil four weeks later and move into his house in Portugal and they would live together. It was clearly the prelude for something big. She felt he had nearly proposed several times and she expected to come back to Brazil as his fiancée.

Adriane says now of 3rd April: “It was a very special day and I didn’t know why at the time. Before he went we had a long afternoon of love. We got to the airport early and we stayed in the car and talked, hugged and kissed. He said to me ‘I’ll keep an eye on you little girl’. He said goodbye, and gave me a long kiss in the car.” She recalls his words the last time they were at Angra together: “One day I will marry you and one day I will work for Ferrari. I will end my career there and end my life with you.”

And that was it. She would never see him again. She threw herself full-time into the English course, which occupied all her time – as well as packing for five months away. Senna went to Japan but retired from the Pacific Grand Prix as his rival for the championship, Michael Schumacher, won again. He later told Adriane, as he told everyone close to him, that he thought Schumacher’s Benetton was running banned electronic aids from time to time. Time differences and a heavy sponsor commitment meant he missed speaking to her on her birthday and did not get through until 6am the following day, desperately apologising for waking her so early. She understood the pressures on him in Brazil, as she had witnessed them herself the previous year. By 21st April, Senna was back at the Algarve house. She was cramming English lessons into the evenings as well. Later that day, she faxed him her first love-letter in English. She carried on with the lessons right up to her Varig flight to Lisbon on Friday 29th April.



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FONTE PESQUISADA

RUBYTHON, Tom. Fatal Weekend. 1º Edição. Great Britain: The Myrtle Press, 12 de novembro de 2015.