O lendário capacete amarelo é sua marca registrada: Ayrton Senna se inscreveu nos livros de história da Fórmula 1 com três títulos mundiais e (na época) inúmeros recordes antes de morrer cedo demais, em 1º de maio de 1994. Nós olhamos para trás em sua carreira única na Fórmula 1...
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sábado, 2 de abril de 2022
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
3 Memórias de Ayrton Senna
Por Sérgio Veiga
F1 Flash - f1flash.com
01/05/2015
(Parte I): A Vitória no Estoril-85
Ayrton Senna da Silva comemoraria hoje o seu 55.º
aniversário, se não tivesse sido aquele fim-de-semana maldito de Imola-94, em
que todos os deuses se zangaram com a Fórmula 1… Tive a sorte de poder privar,
em termos profissionais, com o enorme piloto brasileiro e aqui recupero, em
jeito de homenagem, os três episódios que imediatamente me vêm à cabeça de cada
vez que ouço o seu nome.
Abril de 1985, uma manhã de quarta-feira no
aeroporto da Portela, espero a saída do brasileiro, passageiro do voo Varig
762. Naquela altura, em que a F1 ainda era novidade em Portugal (era o 2.º
Grande Prémio da «era moderna» ainda era hábito ir esperar os pilotos mais
importantes ao aeroporto para ter logo umas primeiras palavras. Para mais, o
trissemanário «A Bola» saía à 5.ª feira, era bom arrancar com a reportagem da
F1 logo com declarações da nova estrela em ascensão! Mas com tantos jornalistas
à espera, era quase impossível ter uma conversa mais prolongada e consegui
combinar com Senna um encontro para a tarde, já no autódromo do Estoril.
Despachados os cumprimentos a engenheiros, mecânicos
e demais elementos da equipa Lotus, sentámo-nos junto do muro das «boxes» e,
durante largos minutos, sem pressas, Senna foi respondendo a tudo o que lhe
perguntava. Sentia o olhar desconfiado do brasileiro, ao ver que apenas tomava
notas num daqueles grandes blocos «Castelo», mas falámos tranquilamente o tempo
que foi necessário. Outros tempos, sem a pressão mediática actual…
No dia seguinte, reencontrámo-nos no autódromo logo
pela manhã e ele, sorridente, agradeceu «o bom trabalho». Já tinha visto,
obviamente, a página inteira de «A Bola» (ainda no formato… gigante!), encimada
pelo título «Quando vou a 300 km/h só penso em ir mais e mais rápido!» e com
tudo o que ele tinha dito, direitinho, por muito estranho que lhe tivesse
parecido o esquema das notas no bloco «Castelo»… Desde esse dia que se criou
uma relação de respeito mútuo, óbvio do meu lado pelo piloto que ele era, mas
também da parte dele que sempre me «atendeu» com a máxima paciência e atenção.
Depois, viria a «pole» e a sua primeira vitória na
Fórmula 1 (fará 30 anos a 21 de Abril), sob um dilúvio imenso, em que
demonstrou um controlo superior do Lotus, numa prova com metade dos 16
abandonos por piões ou acidentes. E em que Senna deixou o 2.º a mais de um
minuto, os 3.º e 4.º a 1 volta e o 5.º (Nigel Mansell num Williams/Honda) a 2
voltas! Apesar de muitas vezes ter pedido para que a corrida fosse parada,
Senna nunca «tirou pé» e, sob condições dantescas, levou o Lotus/Renault à vitória
e a crença popular ao ponto de perceber que estávamos perante alguém muito
especial.
Entrou totalmente encharcado na sala das
conferências de imprensa, trocámos sorrisos quase cúmplices pela entrevista
que, agora, parecia um talismã e, durante um ror de tempo, ali o vi
literalmente a bater o queixo e a tiritar de frio, mas a explicar com toda a
tranquilidade como fora a sua primeira vitória. Porque muitas mais se
seguiriam…
**************
(Parte II): da raiva… às desculpas
Embora todos tenhamos cultivado a imagem de um
Ayrton Senna sereno, simpático, uma pessoa suave, o genial piloto brasileiro
também tinha os seus momentos irascíveis, em que conseguia raiar o
desagradável. Na sexta-feira dos treinos livres do G.P. da Alemanha de 1988 as
coisas não lhe estavam a correr de feição e o McLaren/Honda não estava ao seu
gosto, perdendo para o rival Alain Prost.
Naqueles tempos, jornalistas a entrar nas «boxes»
das equipas era algo mais ou menos normal e, para reportar para «A Bola»,
costumava aproveitar a «boleia» dos jornalistas brasileiros para falar também
com Senna, agradando à enorme legião de fãs que ele sempre teve em Portugal.
Naquele dia, contudo, algo me atrasou e perdi o «comboio brasileiro», descendo
mais tarde à «boxe» da McLaren onde encontrei Senna a falar com o seu
engenheiro, ar de poucos amigos. Esperei que a conversa acabasse e, quando lhe
perguntei «o que se passa Ayrton?», ele olhou através de mim e disse-me com uma
rudeza que não lhe conhecia: «Porque só vem agora e não veio com os outros?!
Agora não falo com você!» e quase me expulsou da «boxe»… «Está o caldo
entornado», pensei, «este agora nunca mais me vai falar por causa disto».
Horas mais tarde, dia de treinos arrumado, estava no
«paddock» em amena cavaqueira com o Domingos Piedade e outras pessoas, a
caminho do carro para sair do circuito, quando sinto alguém bater-me nas
costas. Virei-me e era Senna. «Você me desculpe aquilo de há pouco, eu estava
meio chateado e você apareceu na altura errada. Me desculpe, agora está tudo
bem, ok?». Nem sei se cheguei a balbuciar algo, era a última coisa que esperava
de um piloto de F1 com os seus gigantescos egos…
O grande Ayrton Senna, a caminho do seu primeiro
título, estava ali humildemente a pedir-me desculpa? Quantos dos outros trinta
pilotos presentes em Hockenheim teriam tido semelhante atitude? Aí confirmei
não só o respeito mútuo que já levava alguns anos, mas a grandeza humana de
Senna que, tendo tido um ataque de irascibilidade (talvez até compreensível…),
tivera a humildade de desviar o seu caminho para vir pedir desculpas pela sua
atitude. E lá continuámos a nossa relação profissional como se nada se tivesse
passado.
**************
(Parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter
existido
É inevitável… Quando ouço o nome Senna viajo
imediatamente no tempo para 1 de Maio de 1994, o ponto mais fundo do
fim-de-semana em que os deuses abateram toda a sua raiva sobre a F1. Tudo
começara na 6.ª feira, com um acidente feito de Rubens Barrichello, com quem
tinha grande afinidade por ter seguido a sua carreira na Fórmula Opel-Lotus
(que corria juntamente com a F1) e pela ligação com Pedro Lamy. O susto foi
enorme e lembro-me de Senna correr ao hospital do circuito para se inteirar do
estado do seu benjamim.
No dia seguinte foi a tragédia da morte de Roland
Ratzenberger que abanou todos quantos seguiam a F1. Recordo-me de Senna se
meter no carro médico, com o seu amigo Syd Watkins, o médico da F1, e ir ao
local do acidente perceber como tinha sido possível. Mais tarde, Watkins
revelou que, nessa altura, disse a Senna para parar de correr…
Ainda mal refeito de dois violentos dias, nada me
preparava para a tragédia de 1 de Maio… Primeiro o acidente no arranque em que
só por milagre Pedro Lamy não se magoou seriamente, ao abalroar o Benetton
parado de JJ Lehto. Mas muitas peças tinham voado para a bancada, provocando
diversos feridos… Retomada a corrida, Senna despista-se na temível Tamburello,
tem de estar tudo bem, pensamos todos, já muitos ali bateram e safaram-se com
maiores ou menores mazelas. Olhos colados nos ecrãs, o capacete amarelo
move-se, há um breve momento de alegria, está tudo bem ele mexe-se!, seguido
por uma queda abrupta nas profundezas da tragédia quando assistimos aos meios
médicos envolvidos no seu socorro.
Aproveito para descer à «box» da Lotus para saber
como está Lamy que me despacha rapidamente com um «eu estou bem, mas como está
o Ayrton?». Não há respostas, parece grave, mas, bolas, o capacete mexeu-se ele
há-de estar razoavelmente bem, talvez algumas fracturas… Na altura apenas os
socorristas sabiam a verdade e os momentos de desespero por que passava o
brasileiro, já inconsciente, já em coma, de onde não mais sairia.
Numa sala de imprensa com muitas centenas de
jornalistas, o silêncio era sepulcral, havia quem não contivesse as lágrimas,
era demais num só fim-de-semana. Porque a corrida prosseguira e ainda houvera
mais quatro feridos nas «boxes», por uma roda que se saltara do Minardi de
Alboreto. «Morte» foi coisa que só se começou a ouvir muito mais tarde, já a
corrida estava a terminar. Os rumores foram-se avolumando, até à confirmação do
«press officer» da FIA que varreu a sala de imprensa com uma violenta onda de
choque. Não, o Ayrton não!...
Na altura senti-me totalmente vazio e exausto,
totalmente exausto de três dias de tragédias permanentes… Lembro-me de ligar
para Lisboa e pedir ao chefe de redacção d’ «A Bola», Santos Neves, que me
dispensasse do trabalho, não tinha condições para escrever uma única linha. Mas
os leitores não têm nada a ver com os estados de alma do jornalista e foi o que
percebi quando, do outro lado, ouvi um seco (e sei que muito difícil de dizer!)
«está bem, vê se te acalmas e depois tens duas páginas para escrever».
Às vezes, «enfiarmo-nos» num teclado serve quase de
terapia, de exorcismo dos fantasmas que nos esmagam. E foi assim que apareceram
os textos para as tais duas páginas (ainda das grandes…), as mais difíceis de
toda a minha vida! Já passava da uma da manhã quando saí de Imola, um
sentimento de tremendo vazio, as lágrimas a quererem saltar. Acabara de viver o
maior pesadelo de sempre… E a Fórmula 1 acabara de perder milhões de adeptos.
Ainda hoje há quem me diga que deixou de seguir a F1 no dia em que Senna
morreu. Compreendo mas não aceito. Porque tenho a certeza de que o próprio
Ayrton não o aprovaria!
**************
SÉRGIO VEIGA
Enviado-especial do jornal «A Bola» a largas dezenas
de Grandes Prémios, nunca deixou de reportar sobre o Mundial, tendo nos últimos
anos alargado a sua experiência aos comentários televisivos.
**************
FONTES PESQUISADAS
VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte I): a
vitória no Estoril-85. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-a-vitoria-no-Estoril-85>.
Acesso em: 25 de janeiro 2018.
VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte II):
da raiva… às desculpas. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-da-raiva-as-desculpas>.
Acesso em: 25 de janeiro 2018.
VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte III):
o fim-de-semana que nunca devia ter existido. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-o-fim-de-semana-terrivel>.
Acesso em: 25 de janeiro 2018.
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sábado, 23 de setembro de 2017
Ayrton Senna Faz Reunião Com Ron Dennis e Sai Chateado (Vídeo)
Cavalheiro, Ayrton abre
a porta do carro para amada após deixarem a reunião
Ayrton Senna acompanhado de Adriane Galisteu faz
reunião com Ron Dennis para tratar de contrato na McLaren F1 e saí muito chateado. Pode ser na ocasião que Ayrton não renovou o contrato com a equipe. O
piloto é confortado por Adriane.
Inglaterra - Ano 1993.
Vídeo extraído do documentário Ayrton Senna
Documentary da BBC de 1995.
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Videos Adriane Galisteu e Ayrton Senna
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Sonhos de um Campeão
"Um dia vou
casar com você, e eu vou correr na Ferrari."
Adriane Galisteu: Pouco antes da tragédia de Imola, Ayrton me disse: "Um dia eu vou casar com você, e eu vou correr na equipe Ferrari". “Mais dois anos”, ele calculou, “e a equipe italiana terá um carro mais competitivo. E mesmo que não tiver, é lá que eu quero ter minha última corrida e dar minha última volta.”"
Ayrton Senna e Adriane Galisteu no GP de Mônaco em 1993
Fonte: Revista Francesa VSD,
número 946, 12 de outubro de 1995.
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Senna negociou com a Ferrari dias
antes de morrer, diz dirigente
Do UOL, em São Paulo
30/04/2014 | 08h54
O presidente da Ferrari, Luca
di Montezemolo, revelou em entrevista ao site oficial da escuderia que o
tricampeão mundial Ayrton Senna "deixou claro" em um encontro com o
dirigente no dia 27 de abril de 1994, dias antes de sua morte, que terminaria a
carreira na equipe italiana.
"Ele quis vir para a Ferrari, e eu queria que ele viesse para a equipe. Quando esteve na Itália, para disputar o GP de San Marino, nos reunimos na minha casa em Bolonha na quarta-feira, 27 de abril. Me disse que gostou muito da posição que havíamos adotado contra o excesso do uso de ajudas eletrônicas na pilotagem, que não deixavam claro o real valor de cada piloto. Falamos durante um bom tempo e me deixou claro que queria terminar sua carreira na Ferrari", afirmou Montezemolo.
O dirigente disse ainda que Senna deixou pendente um novo encontro para tratar de uma possível ida para a Ferrari. "Ficamos de voltar a nos reunir logo, para tentar averiguar como poderíamos superar as obrigações contratuais que ele tinha naquele momento. Ambos estávamos de acordo que, para um piloto como ele, a Ferrari seria o lugar ideal para continuar com sua carreira, até aquele momento já brilhantíssima, única", disse o presidente da escuderia.
Senna morreu no dia 1° de maio de 1994 após sua Williams escapar na curva Tamburello do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália, e atingir o muro de proteção a quase300
km/h . O brasileiro teve fraturas no crânio após um dos
braços da suspensão ser arremessado junto com uma das rodas em direção ao seu
capacete no momento da batida.
"Por desgraça, o destino nos roubou Ayrton e Roland Ratzenberger (morto no dia 30 de abril, em um acidente durante o treino classificatório) em um dos finais de semana mais tristes da história da Fórmula 1. Do Senna, recordo sua gentileza e simplicidade, quase timidez, em absoluto contraste com o Senna piloto, um lutador sempre decidido a tirar o máximo", concluiu Montezemolo.
"Ele quis vir para a Ferrari, e eu queria que ele viesse para a equipe. Quando esteve na Itália, para disputar o GP de San Marino, nos reunimos na minha casa em Bolonha na quarta-feira, 27 de abril. Me disse que gostou muito da posição que havíamos adotado contra o excesso do uso de ajudas eletrônicas na pilotagem, que não deixavam claro o real valor de cada piloto. Falamos durante um bom tempo e me deixou claro que queria terminar sua carreira na Ferrari", afirmou Montezemolo.
O dirigente disse ainda que Senna deixou pendente um novo encontro para tratar de uma possível ida para a Ferrari. "Ficamos de voltar a nos reunir logo, para tentar averiguar como poderíamos superar as obrigações contratuais que ele tinha naquele momento. Ambos estávamos de acordo que, para um piloto como ele, a Ferrari seria o lugar ideal para continuar com sua carreira, até aquele momento já brilhantíssima, única", disse o presidente da escuderia.
Senna morreu no dia 1° de maio de 1994 após sua Williams escapar na curva Tamburello do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália, e atingir o muro de proteção a quase
"Por desgraça, o destino nos roubou Ayrton e Roland Ratzenberger (morto no dia 30 de abril, em um acidente durante o treino classificatório) em um dos finais de semana mais tristes da história da Fórmula 1. Do Senna, recordo sua gentileza e simplicidade, quase timidez, em absoluto contraste com o Senna piloto, um lutador sempre decidido a tirar o máximo", concluiu Montezemolo.
Na época piloto da Mclaren,
Senna aparece com Luca Cordero di Montezemolo, então presidente da Ferrari, num
jantar de gala, durante o fim de semana do GP de Mônaco, em 1992
Com a mudança de regulamento para a temporada de 1994, que baniu recursos eletrônicos, a Williams teve problemas no projeto do FW16, carro com o qual Ayrton Senna tentaria conquistar seu quarto título mundial. O piloto brasileiro não conquistou nenhum ponto nas duas provas anteriores, o GP do Brasil e o GP do Pacífico, após rodar em Interlagos e ser atingido por outro carro logo após a largada no circuito de Aida, no Japão.
A Ferrari vivia uma má fase
na Fórmula 1 desde a perda do título de Alain Prost, em 1990, justamente para
Senna. O brasileiro forçou uma batida no carro do francês logo na largada do GP
do Japão, em Suzuka, e garantiu o bi mundial. No ano seguinte, Prost foi
demitido da Ferrari antes do fim do campeonato por fazer duras críticas ao
carro da escuderia italiana, que o francês comparou a um
"caminhão".
A equipe italiana só voltaria
a viver dias melhores quando contratou o então bicampeão mundial Michael
Schumacher. Após uma temporada difícil de adaptação em 1996, o alemão disputou
o título até a última corrida em 1997 com Jacques Villeneuve, da Williams.
Perdeu e ainda teve o vice-campeonato cassado por provocar uma batida contra o
canadense. O jejum de títulos de pilotos da Ferrari só acabaria no ano 2000,
quando Schumi começou uma sequência de cinco títulos e uma era de domínio
absoluto do time de Maranello na categoria.
****************************
FONTES PESQUISADAS
PARMENTIER, Frederic. Senna intime raconté
par Adriane. VSD, Paris, edição 946, ano 37, nº 15, p.78-81. 12 de outubro 1995.
UOL ESPORTE - Senna negociou com a Ferrari
dias antes de morrer, diz dirigente. Disponível em: <https://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2014/04/30/senna-disse-que-iria-terminar-a-carreira-na-ferrari-revela-montezemolo.htm#fotoNav=1>.
Acesso em: 26 de abril 2017.
sábado, 15 de abril de 2017
Ayrton Senna: Os 10 Momentos Que Criaram Um Mito
Motor 24 - motor24.pt
Como conquistar a imortalidade? Gravando na memória de milhões de adeptos pelo mundo inteiro alguns momentos inesquecíveis em pista, onde Ayrton Senna conquistou um estatuto único. A forte personalidade, a propensão mística e as polémicas com Prost ou Piquet construíram também uma aura que não se apagou no dia 1 de Maio de 1994. Muitos outros seriam possíveis, mas escolhemos os momentos e os acontecimentos que guindaram Ayrton Senna da Silva ao Olimpo do desporto. O primeiro deles foi precisamente há 24 anos, 11 de abril de 1993, Donington, diaem que Ayrton Senna
da Silva escreveu um dos melhores capítulos da história da F1.
Como conquistar a imortalidade? Gravando na memória de milhões de adeptos pelo mundo inteiro alguns momentos inesquecíveis em pista, onde Ayrton Senna conquistou um estatuto único. A forte personalidade, a propensão mística e as polémicas com Prost ou Piquet construíram também uma aura que não se apagou no dia 1 de Maio de 1994. Muitos outros seriam possíveis, mas escolhemos os momentos e os acontecimentos que guindaram Ayrton Senna da Silva ao Olimpo do desporto. O primeiro deles foi precisamente há 24 anos, 11 de abril de 1993, Donington, dia
“Pinta o carro dele de vermelho e branco, dá para mim, e vocês vão ver como o
Williams anda na chuva!” com esta simples frase, Ayrton Senna resumia o que foi
o GP da Europa de 1993. Uma corrida fabulosa onde ao volante do pouco
competitivo McLaren-Ford, humilhou todos os seus adversários, especialmente
Alain Prost. Antes disso, na partida, caíra para sexto mas no final da primeira
volta já estava no comando, com quatro segundos de vantagem sobre o francês!
Para muitos, esta corrida foi uma das melhores prestações individuais da
história da F1.
Em qualquer livro, filme ou
artigo sobre os grandes duelos da Fórmula 1, a rivalidade Ayrton Senna e Alain Prost é
sempre referida como aquela que mais efervesceu. A imensa rivalidade entre
ambos iniciou-se em 1988 quando foram companheiros de equipa pela primeira vez
na McLaren e prolongou-se no tempo, até ao final de 1993, quando francês
abandonou a F1. Pelo meio ficaram demasiadas guerras, polémicas, mas acima de
tudo corridas memoráveis e um imenso respeito entre ambos. Em poucos meses, a
F1 perdeu, por motivos diferentes dois dos seus expoentes máximos, que ainda
hoje granjeiam o respeito e a admiração de milhões de fãs.
Pouco faltou para que a
primeira vitória de Ayrton Senna tivesse tido lugar no GP do Mónaco em 1984 mas
quis o destino que fosse no Estoril, em Portugal, no ano seguinte, após um
autêntico bailado à chuva. Numa pista perfeitamente alagada a exibição
permitiu-lhe dar uma volta a quase todos os adversários e vencer com mais de um
minuto para o segundo classificado. Para muitos foi esse o momento em que Senna entrou
definitivamente na galeria dos grandes pilotos de F1.
4. O primeiro título mundial
em 1988
Após três anos na Lotus com
um carro que ficava sempre um degrau abaixo da competitividade necessária,
Ayrton Senna foi contratado pela McLaren e não demorou muito a mostrar que não
tinha medo do mais experiente Alain Prost. Apesar de alguns erros críticos no
Mónaco e em Monza, o piloto brasileiro foi imparável na Bélgica (à chuva) e no
Japão (após uma partida falhada), num rasgo de fogosidade que mostrou que um
verdadeiro campeão nunca pode ter medo quando está em pista. No seu primeiro
ano de McLaren teve a seu lado um ‘monstro’ Alain Prost, com o qual repartiu as
vitórias em 15 dos 16 Grandes Prémios desse ano. Numa luta sem quartel, Senna
venceu oito corridas contra sete de Prost o que lhe permitiu assegurar no Japão
o seu primeiro título. Três pontos apenas separaram os dois pilotos numa época
em que as tensões vividas entre os dois extravasaram e muito os limites da
pista, numa apaixonante luta que se estendeu aos anos seguintes.
5. As polémicas com Nelson
Piquet
Quando Senna chegou à Fórmula
1, Nélson Piquet estava no pico da sua carreira, tendo conquistado dois títulos
até ali. Naturalmente, o carioca não ficou nada satisfeito por ter que
partilhar a atenção da imprensa brasileira quando apareceu um paulista novato.
O ódio entre os dois brasileiros cresceu rapidamente e as críticas à pilotagem
rapidamente se transformaram em insultos pessoais que ultrapassavam todas as
noções de decoro. Por exemplo, a história do “Pergunta para tua mulher…” Quando
em 1988 Nelson Piquet insinuou aos jornalistas que o seu compatriota não
gostava de mulheres – inflamando boatos sobre a natureza da relação de Ayrton
com o amigo Américo Jacoto Júnior, Senna ripostou numa entrevista à
Playboy em 1990. “Eu conheci a Katherine (Valentin)”, referiu sobre a
companheira belga de Piquet. “Mas conheceu como?”, insistiu o jornalista. “Eu a
conheci como mulher…”.
6. O Rei do Mónaco
O circuito urbano de Monte
Carlo é considerado um dos mais difíceis do mundo, mas Ayrton Senna fez dele o
seu ‘circuito-fétiche’ depois um impressionante andamento em 1984 à chuva com o
Toleman. A sua primeira vitória no principado ocorreu em 1987 na Lotus, mas um
erro infantil custou-lhe o triunfo em 1988 (já na McLaren) quando comandava
folgadamente. Foi uma lição porque de 1989 até 1993, a última vez que correu nas
ruas de Monte Carlo, o brasileiro ganhou todas as corridas no traçado
monegasco, Senna sabia exatamente onde extrair cada milésimo de segundo, mesmo
com carros inferiores à concorrência. Por isso, ainda hoje, Ayrton Senna
continua a ser o Príncipe Perfeito do Mónaco, com um total de seis vitórias,
cinco delas consecutivas, um reinado precocemente interrompido naquela tarde
fatídica em Imola, duas semanas antes do GP de Mónaco de 1994, onde o
brasileiro abdicaria postumamente do seu reinado.
Mas, o mais exigente e mítico
circuito de F1 começara a forjar uma lenda chamada Ayrton Senna precisamente
dez anos antes, em 1984, ano de estreia na disciplina que o iria imortalizar.
Foi a inesquecível primeira “serenata à chuva” de Senna, quando levou o modesto
Toleman-Hart ao segundo lugar, depois de partir da sétima fila e galgar
lugares, sob intenso temporal, até se colar na traseira de Prost e só não
vencer porque Jackie Ickx (director de prova) decidiu dar por terminada a
corrida. Para a primeira vitória no Mónaco, Ayrton teria ainda de esperar três
anos, já que em 1985 (já na Lotus Renault) o prémio de consolação foi a sua
primeira pole position em
Monte Carlo (acabou por desistir com o turbo partido), e em
1986 não foi além do último degrau do pódio.
A primeira vitória em 1987
A primeira vitória de Ayrton
Senna, simultaneamente a primeira de um brasileiro e de um motor Honda no GP do
Mónaco, foi em 1987, num momento em que as relações com Peter Warr e a equipa
Lotus Honda já não eram propriamente as melhores, devido à pouca
competitividade do chassis Lotus.
Para corrigir as violentas
vibrações do motor a Lotus adotou a revolucionária suspensão activa, mas acabou
por pagar o preço do pioneirismo com a falta de fiabilidade nas primeiras
provas da temporada, onde os Williams de Piquet e Mansell se mostraram
superiores. O irascível Mansell (que havia tentado agredir Senna nas boxes em
Spa) alcançara a pole position e partindo da frente dominou a seu bel-prazer o
primeiro terço da corrida com mais de 10 segundos de vantagem para o
brasileiro, mas o coletor de escape do Williams acabou por partir, deixando
assim o caminho aberto para Ayrton Senna.
No final, Senna reconhecia
que, “foi mais fácil esta vitória, do que o terceiro lugar no ano passado.”
O reinado de Senna no Mónaco
conheceu uma breve interrupção no ano seguinte, num Grande Prémio que apesar de
tudo marcaria fortemente a carreira do piloto. Já na McLaren-Honda como
companheiro de equipa de Alain Prost, o paulista arrancou uma pole position
absolutamente impressionante, com uma série de voltas “sobrenaturais”, e
dominou por completo a corrida, depois de um mau arranque de Prost. Distendido
na liderança, Senna acabou por desconcentrar-se e cometer um erro fatal para as
suas aspirações, raspando na parede do interior da curva Poitiers, e indo
embater nos rails.
A longa soberania de Senna no
Mónaco iniciar-se ia no ano seguinte (1989) com uma vitória esclarecedora, num
fim-de-semana marcado pelo corte de relações com o seu companheiro de equipa
Alain Prost. Em 1990, Senna bisa no Mónaco, recolhendo como habitualmente o seu
“dote” monegasco – pole position, vitória e recorde da pista. Uma demonstração
de clara superioridade no ano do seu segundo título, o mesmo tónico que marcou
a sua 30ª vitória em GP`s, comemorada em 1991 no Mónaco, onde completou também
um início de temporada arrasador com quatro vitórias seguidas, que lhe foram
preciosas para garantir o seu terceiro título, numa altura em que os
Williams-Renault começavam a emergir como a nova potência dominante.
Apesar da nova era, Ayrton
Senna manteve inexpugnável o seu reinado em 1992, quando bateu os supersónicos
Williams-Renault de Mansell e Patrese, interrompendo uma série de cinco
vitórias seguidas de Mansell. A taça de Rainer (Príncipe de Mônaco) voltava a fugir das mãos do
britânico, quando a dez voltas do fim foi obrigado a parar nas boxes por causa
de uma porca mal aparafusada na roda! Nas quatro últimas voltas Senna
defendeu-se estoicamente dos ataques do furioso Mansell, erguendo uma magistral
barreira defensiva. O reinado de Senna no Mónaco termina em 1993, quando vence,
a guiar com um contrato “por grande prémio” com a McLaren-Ford e já de “namoro
pegado” com a Williams, (onde vira a sua entrada barrada por Alain Prost). O
brasileiro termina com quase um minuto de vantagem sobre o Williams de Damon
Hill e bate o recorde de vitórias em Monte Carlo , na posse de Graham Hill desde 1968.
Dez anos passados sobre a sua morte, esse é dos poucos reinados intactos.
7. O misticismo de Senna
Uma das facetas mais
polémicas e discutidas de Senna era o seu misticismo e fé, que se foi
acentuando ao longo da sua carreira. Numa entrevista à Playboy brasileira,
Senna explicou a “experiência” no GP do Mónaco de 1990. Lutando contra um
McLaren desequilibrado, Senna pediu força a Deus e afirmou ter tido uma visão
“Eu podia ver-me fora do carro. Em torno da máquina e de meu corpo havia uma
linha branca, uma espécie do auréola, que me proporcionava força e proteção.
(…) Entrei em uma outra dimensão. Tive uma paz incrível e certeza de que estava
equilibrado, no corpo e na alma.” Esta espiritualidade foi também uma marca
forte na personalidade do piloto.
8. As 65 pole-positions
A primeira foi no GP de
Portugal de 1985 e a última, precisamente no fatídico GP de São Marino de 1994.
Ao todo foram 65 pole-positions, o recorde que Michael Schumacher mais tempo
levou a bater (mesmo tendo o dobro de tempo de carreira do brasileiro: 20 anos). A tremenda capacidade de concentração e a precisão milimétrica
em qualificação, mesmo com carros menos competitivos, eram uma das marcas de
água da pilotagem de Ayrton Senna, celebrado pelas inesquecíveis ‘voltas
canhão’ que faziam de qualquer qualificação de um Grande Prémio de F1, um
grande espectáculo.
9. 1991: O ano do
tricampeonato
Nenhum título foi mais
difícil para Ayrton Senna que o terceiro. Depois de um bom começo, com vitórias
nas quatro primeiras corridas, o brasileiro foi ultrapassado de repente por
Nigel Mansell e pelo mais competitivo Williams. Recorrendo à sua força de
vontade e superior capacidade de afinação, o brasileiro conseguiu dar a volta à
situação com três vitórias consecutivas na Hungria, Bélgica e Itália e arrumou
a questão definitivamente na penúltima prova, no Japão.
10. Vitória ao milésimo no GP
de Espanha de 1986
O que dizer duma corrida de 300 km que se decide
ao…centímetro. Ayrton Senna e Nigel Mansell necessitaram de ‘photo-finish’ para
saber quem tinha ganho, mas esse foi somente o culminar de uma das corridas
mais emocionantes da história da F1. 14 milésimos de segundo, apenas, separaram
ambos, de tal forma que o inglês queria ver uma foto que lhe provasse que tinha
perdido. Para Senna esta foi apenas a terceira vitória da sua carreira,
curiosamente a primeira em que a pista estava totalmente seca.
FONTE PESQUISADA
MOTOR 24 - Ayrton Senna: Os 10 momentos que
criaram um mito. Disponível em: <http://www.motor24.pt/sites/autosport/ayrton-senna-os-10-momentos-criaram-um-mito/>.
Acesso em: 15 de abril 2017.
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