Mostrando postagens com marcador Carreira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carreira. Mostrar todas as postagens

sábado, 2 de abril de 2022

O Lendário Capacete Amarelo

O lendário capacete amarelo é sua marca registrada: Ayrton Senna se inscreveu nos livros de história da Fórmula 1 com três títulos mundiais e (na época) inúmeros recordes antes de morrer cedo demais, em 1º de maio de 1994. Nós olhamos para trás em sua carreira única na Fórmula 1...

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

3 Memórias de Ayrton Senna

Por Sérgio Veiga
F1 Flash - f1flash.com
01/05/2015

(Parte I): A Vitória no Estoril-85


Ayrton Senna da Silva comemoraria hoje o seu 55.º aniversário, se não tivesse sido aquele fim-de-semana maldito de Imola-94, em que todos os deuses se zangaram com a Fórmula 1… Tive a sorte de poder privar, em termos profissionais, com o enorme piloto brasileiro e aqui recupero, em jeito de homenagem, os três episódios que imediatamente me vêm à cabeça de cada vez que ouço o seu nome.

Abril de 1985, uma manhã de quarta-feira no aeroporto da Portela, espero a saída do brasileiro, passageiro do voo Varig 762. Naquela altura, em que a F1 ainda era novidade em Portugal (era o 2.º Grande Prémio da «era moderna» ainda era hábito ir esperar os pilotos mais importantes ao aeroporto para ter logo umas primeiras palavras. Para mais, o trissemanário «A Bola» saía à 5.ª feira, era bom arrancar com a reportagem da F1 logo com declarações da nova estrela em ascensão! Mas com tantos jornalistas à espera, era quase impossível ter uma conversa mais prolongada e consegui combinar com Senna um encontro para a tarde, já no autódromo do Estoril.

Despachados os cumprimentos a engenheiros, mecânicos e demais elementos da equipa Lotus, sentámo-nos junto do muro das «boxes» e, durante largos minutos, sem pressas, Senna foi respondendo a tudo o que lhe perguntava. Sentia o olhar desconfiado do brasileiro, ao ver que apenas tomava notas num daqueles grandes blocos «Castelo», mas falámos tranquilamente o tempo que foi necessário. Outros tempos, sem a pressão mediática actual…

No dia seguinte, reencontrámo-nos no autódromo logo pela manhã e ele, sorridente, agradeceu «o bom trabalho». Já tinha visto, obviamente, a página inteira de «A Bola» (ainda no formato… gigante!), encimada pelo título «Quando vou a 300 km/h só penso em ir mais e mais rápido!» e com tudo o que ele tinha dito, direitinho, por muito estranho que lhe tivesse parecido o esquema das notas no bloco «Castelo»… Desde esse dia que se criou uma relação de respeito mútuo, óbvio do meu lado pelo piloto que ele era, mas também da parte dele que sempre me «atendeu» com a máxima paciência e atenção.

Depois, viria a «pole» e a sua primeira vitória na Fórmula 1 (fará 30 anos a 21 de Abril), sob um dilúvio imenso, em que demonstrou um controlo superior do Lotus, numa prova com metade dos 16 abandonos por piões ou acidentes. E em que Senna deixou o 2.º a mais de um minuto, os 3.º e 4.º a 1 volta e o 5.º (Nigel Mansell num Williams/Honda) a 2 voltas! Apesar de muitas vezes ter pedido para que a corrida fosse parada, Senna nunca «tirou pé» e, sob condições dantescas, levou o Lotus/Renault à vitória e a crença popular ao ponto de perceber que estávamos perante alguém muito especial.



Entrou totalmente encharcado na sala das conferências de imprensa, trocámos sorrisos quase cúmplices pela entrevista que, agora, parecia um talismã e, durante um ror de tempo, ali o vi literalmente a bater o queixo e a tiritar de frio, mas a explicar com toda a tranquilidade como fora a sua primeira vitória. Porque muitas mais se seguiriam…

**************

(Parte II): da raiva… às desculpas


Embora todos tenhamos cultivado a imagem de um Ayrton Senna sereno, simpático, uma pessoa suave, o genial piloto brasileiro também tinha os seus momentos irascíveis, em que conseguia raiar o desagradável. Na sexta-feira dos treinos livres do G.P. da Alemanha de 1988 as coisas não lhe estavam a correr de feição e o McLaren/Honda não estava ao seu gosto, perdendo para o rival Alain Prost.

Naqueles tempos, jornalistas a entrar nas «boxes» das equipas era algo mais ou menos normal e, para reportar para «A Bola», costumava aproveitar a «boleia» dos jornalistas brasileiros para falar também com Senna, agradando à enorme legião de fãs que ele sempre teve em Portugal. Naquele dia, contudo, algo me atrasou e perdi o «comboio brasileiro», descendo mais tarde à «boxe» da McLaren onde encontrei Senna a falar com o seu engenheiro, ar de poucos amigos. Esperei que a conversa acabasse e, quando lhe perguntei «o que se passa Ayrton?», ele olhou através de mim e disse-me com uma rudeza que não lhe conhecia: «Porque só vem agora e não veio com os outros?! Agora não falo com você!» e quase me expulsou da «boxe»… «Está o caldo entornado», pensei, «este agora nunca mais me vai falar por causa disto».

Horas mais tarde, dia de treinos arrumado, estava no «paddock» em amena cavaqueira com o Domingos Piedade e outras pessoas, a caminho do carro para sair do circuito, quando sinto alguém bater-me nas costas. Virei-me e era Senna. «Você me desculpe aquilo de há pouco, eu estava meio chateado e você apareceu na altura errada. Me desculpe, agora está tudo bem, ok?». Nem sei se cheguei a balbuciar algo, era a última coisa que esperava de um piloto de F1 com os seus gigantescos egos…

O grande Ayrton Senna, a caminho do seu primeiro título, estava ali humildemente a pedir-me desculpa? Quantos dos outros trinta pilotos presentes em Hockenheim teriam tido semelhante atitude? Aí confirmei não só o respeito mútuo que já levava alguns anos, mas a grandeza humana de Senna que, tendo tido um ataque de irascibilidade (talvez até compreensível…), tivera a humildade de desviar o seu caminho para vir pedir desculpas pela sua atitude. E lá continuámos a nossa relação profissional como se nada se tivesse passado.




**************

(Parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido


É inevitável… Quando ouço o nome Senna viajo imediatamente no tempo para 1 de Maio de 1994, o ponto mais fundo do fim-de-semana em que os deuses abateram toda a sua raiva sobre a F1. Tudo começara na 6.ª feira, com um acidente feito de Rubens Barrichello, com quem tinha grande afinidade por ter seguido a sua carreira na Fórmula Opel-Lotus (que corria juntamente com a F1) e pela ligação com Pedro Lamy. O susto foi enorme e lembro-me de Senna correr ao hospital do circuito para se inteirar do estado do seu benjamim.

No dia seguinte foi a tragédia da morte de Roland Ratzenberger que abanou todos quantos seguiam a F1. Recordo-me de Senna se meter no carro médico, com o seu amigo Syd Watkins, o médico da F1, e ir ao local do acidente perceber como tinha sido possível. Mais tarde, Watkins revelou que, nessa altura, disse a Senna para parar de correr…

Ainda mal refeito de dois violentos dias, nada me preparava para a tragédia de 1 de Maio… Primeiro o acidente no arranque em que só por milagre Pedro Lamy não se magoou seriamente, ao abalroar o Benetton parado de JJ Lehto. Mas muitas peças tinham voado para a bancada, provocando diversos feridos… Retomada a corrida, Senna despista-se na temível Tamburello, tem de estar tudo bem, pensamos todos, já muitos ali bateram e safaram-se com maiores ou menores mazelas. Olhos colados nos ecrãs, o capacete amarelo move-se, há um breve momento de alegria, está tudo bem ele mexe-se!, seguido por uma queda abrupta nas profundezas da tragédia quando assistimos aos meios médicos envolvidos no seu socorro.



Aproveito para descer à «box» da Lotus para saber como está Lamy que me despacha rapidamente com um «eu estou bem, mas como está o Ayrton?». Não há respostas, parece grave, mas, bolas, o capacete mexeu-se ele há-de estar razoavelmente bem, talvez algumas fracturas… Na altura apenas os socorristas sabiam a verdade e os momentos de desespero por que passava o brasileiro, já inconsciente, já em coma, de onde não mais sairia.

Numa sala de imprensa com muitas centenas de jornalistas, o silêncio era sepulcral, havia quem não contivesse as lágrimas, era demais num só fim-de-semana. Porque a corrida prosseguira e ainda houvera mais quatro feridos nas «boxes», por uma roda que se saltara do Minardi de Alboreto. «Morte» foi coisa que só se começou a ouvir muito mais tarde, já a corrida estava a terminar. Os rumores foram-se avolumando, até à confirmação do «press officer» da FIA que varreu a sala de imprensa com uma violenta onda de choque. Não, o Ayrton não!...

Na altura senti-me totalmente vazio e exausto, totalmente exausto de três dias de tragédias permanentes… Lembro-me de ligar para Lisboa e pedir ao chefe de redacção d’ «A Bola», Santos Neves, que me dispensasse do trabalho, não tinha condições para escrever uma única linha. Mas os leitores não têm nada a ver com os estados de alma do jornalista e foi o que percebi quando, do outro lado, ouvi um seco (e sei que muito difícil de dizer!) «está bem, vê se te acalmas e depois tens duas páginas para escrever».

Às vezes, «enfiarmo-nos» num teclado serve quase de terapia, de exorcismo dos fantasmas que nos esmagam. E foi assim que apareceram os textos para as tais duas páginas (ainda das grandes…), as mais difíceis de toda a minha vida! Já passava da uma da manhã quando saí de Imola, um sentimento de tremendo vazio, as lágrimas a quererem saltar. Acabara de viver o maior pesadelo de sempre… E a Fórmula 1 acabara de perder milhões de adeptos. Ainda hoje há quem me diga que deixou de seguir a F1 no dia em que Senna morreu. Compreendo mas não aceito. Porque tenho a certeza de que o próprio Ayrton não o aprovaria!

**************

SÉRGIO VEIGA

Enviado-especial do jornal «A Bola» a largas dezenas de Grandes Prémios, nunca deixou de reportar sobre o Mundial, tendo nos últimos anos alargado a sua experiência aos comentários televisivos.

**************

FONTES PESQUISADAS

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte I): a vitória no Estoril-85. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-a-vitoria-no-Estoril-85>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte II): da raiva… às desculpas. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-da-raiva-as-desculpas>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-o-fim-de-semana-terrivel>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

sábado, 23 de setembro de 2017

Ayrton Senna Faz Reunião Com Ron Dennis e Sai Chateado (Vídeo)

Cavalheiro, Ayrton abre a porta do carro para amada após deixarem a reunião


Ayrton Senna acompanhado de Adriane Galisteu faz reunião com Ron Dennis para tratar de contrato na McLaren F1 e saí muito chateado. Pode ser na ocasião que Ayrton não renovou o contrato com a equipe. O piloto é confortado por Adriane.

Inglaterra - Ano 1993.

Vídeo extraído do documentário Ayrton Senna Documentary da BBC de 1995.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sonhos de um Campeão

"Um dia vou casar com você, e eu vou correr na Ferrari."


Adriane Galisteu: Pouco antes da tragédia de Imola, Ayrton me disse: "Um dia eu vou casar com você, e eu vou correr na equipe Ferrari". “Mais dois anos”, ele calculou, “e a equipe italiana terá um carro mais competitivo. E mesmo que não tiver, é lá que eu quero ter minha última corrida e dar minha última volta.”"

Ayrton Senna e Adriane Galisteu no GP de Mônaco em 1993

Fonte: Revista Francesa VSD, número 946, 12 de outubro de 1995.


****************************

Senna negociou com a Ferrari dias antes de morrer, diz dirigente

Do UOL, em São Paulo
 30/04/2014 | 08h54


O presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, revelou em entrevista ao site oficial da escuderia que o tricampeão mundial Ayrton Senna "deixou claro" em um encontro com o dirigente no dia 27 de abril de 1994, dias antes de sua morte, que terminaria a carreira na equipe italiana.

"Ele quis vir para a Ferrari, e eu queria que ele viesse para a equipe. Quando esteve na Itália, para disputar o GP de San Marino, nos reunimos na minha casa em Bolonha na quarta-feira, 27 de abril. Me disse que gostou muito da posição que havíamos adotado contra o excesso do uso de ajudas eletrônicas na pilotagem, que não deixavam claro o real valor de cada piloto. Falamos durante um bom tempo e me deixou claro que queria terminar sua carreira na Ferrari", afirmou Montezemolo.

O dirigente disse ainda que Senna deixou pendente um novo encontro para tratar de uma possível ida para a Ferrari. "Ficamos de voltar a nos reunir logo, para tentar averiguar como poderíamos superar as obrigações contratuais que ele tinha naquele momento. Ambos estávamos de acordo que, para um piloto como ele, a Ferrari seria o lugar ideal para continuar com sua carreira, até aquele momento já brilhantíssima, única", disse o presidente da escuderia.

Senna morreu no dia 1° de maio de 1994 após sua Williams escapar na curva Tamburello do Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália, e atingir o muro de proteção a quase 300 km/h. O brasileiro teve fraturas no crânio após um dos braços da suspensão ser arremessado junto com uma das rodas em direção ao seu capacete no momento da batida.

"Por desgraça, o destino nos roubou Ayrton e Roland Ratzenberger (morto no dia 30 de abril, em um acidente durante o treino classificatório) em um dos finais de semana mais tristes da história da Fórmula 1. Do Senna, recordo sua gentileza e simplicidade, quase timidez, em absoluto contraste com o Senna piloto, um lutador sempre decidido a tirar o máximo", concluiu Montezemolo.


Na época piloto da Mclaren, Senna aparece com Luca Cordero di Montezemolo, então presidente da Ferrari, num jantar de gala, durante o fim de semana do GP de Mônaco, em 1992

Senna fazia sua primeira temporada na Williams em 1994, após seis anos correndo pela McLaren. A equipe de Grove havia dominado os dois campeonatos anteriores, com os títulos mundiais de Nigel Mansell, em 1992, e Alain Prost, em 1993, deixando o brasileiro com um carro muito inferior sobretudo por causa dos recursos eletrônicos sofisticados da Williams, como a suspensão ativa.

Com a mudança de regulamento para a temporada de 1994, que baniu recursos eletrônicos, a Williams teve problemas no projeto do FW16, carro com o qual Ayrton Senna tentaria conquistar seu quarto título mundial. O piloto brasileiro não conquistou nenhum ponto nas duas provas anteriores, o GP do Brasil e o GP do Pacífico, após rodar em Interlagos e ser atingido por outro carro logo após a largada no circuito de Aida, no Japão.


A Ferrari vivia uma má fase na Fórmula 1 desde a perda do título de Alain Prost, em 1990, justamente para Senna. O brasileiro forçou uma batida no carro do francês logo na largada do GP do Japão, em Suzuka, e garantiu o bi mundial. No ano seguinte, Prost foi demitido da Ferrari antes do fim do campeonato por fazer duras críticas ao carro da escuderia italiana, que o francês comparou a um "caminhão". 

A equipe italiana só voltaria a viver dias melhores quando contratou o então bicampeão mundial Michael Schumacher. Após uma temporada difícil de adaptação em 1996, o alemão disputou o título até a última corrida em 1997 com Jacques Villeneuve, da Williams. Perdeu e ainda teve o vice-campeonato cassado por provocar uma batida contra o canadense. O jejum de títulos de pilotos da Ferrari só acabaria no ano 2000, quando Schumi começou uma sequência de cinco títulos e uma era de domínio absoluto do time de Maranello na categoria.


****************************
FONTES PESQUISADAS

PARMENTIER, Frederic. Senna intime raconté par Adriane. VSD, Paris, edição 946, ano 37, nº 15, p.78-81. 12 de outubro 1995.

UOL ESPORTE - Senna negociou com a Ferrari dias antes de morrer, diz dirigente. Disponível em: <https://esporte.uol.com.br/f1/ultimas-noticias/2014/04/30/senna-disse-que-iria-terminar-a-carreira-na-ferrari-revela-montezemolo.htm#fotoNav=1>. Acesso em: 26 de abril 2017.

sábado, 15 de abril de 2017

Ayrton Senna: Os 10 Momentos Que Criaram Um Mito

Motor 24 - motor24.pt

Como conquistar a imortalidade? Gravando na memória de milhões de adeptos pelo mundo inteiro alguns momentos inesquecíveis em pista, onde Ayrton Senna conquistou um estatuto único. A forte personalidade, a propensão mística e as polémicas com Prost ou Piquet construíram também uma aura que não se apagou no dia 1 de Maio de 1994. Muitos outros seriam possíveis, mas escolhemos os momentos e os acontecimentos que guindaram Ayrton Senna da Silva ao Olimpo do desporto. O primeiro deles foi precisamente há 24 anos, 11 de abril de 1993, Donington, dia em que Ayrton Senna da Silva escreveu um dos melhores capítulos da história da F1.

1. A corrida da sua vida: Donington 93


“Pinta o carro dele de vermelho e branco, dá para mim, e vocês vão ver como o Williams anda na chuva!” com esta simples frase, Ayrton Senna resumia o que foi o GP da Europa de 1993. Uma corrida fabulosa onde ao volante do pouco competitivo McLaren-Ford, humilhou todos os seus adversários, especialmente Alain Prost. Antes disso, na partida, caíra para sexto mas no final da primeira volta já estava no comando, com quatro segundos de vantagem sobre o francês! Para muitos, esta corrida foi uma das melhores prestações individuais da história da F1.

2. A rivalidade com Alain Prost na McLaren


Em qualquer livro, filme ou artigo sobre os grandes duelos da Fórmula 1, a rivalidade Ayrton Senna e Alain Prost é sempre referida como aquela que mais efervesceu. A imensa rivalidade entre ambos iniciou-se em 1988 quando foram companheiros de equipa pela primeira vez na McLaren e prolongou-se no tempo, até ao final de 1993, quando francês abandonou a F1. Pelo meio ficaram demasiadas guerras, polémicas, mas acima de tudo corridas memoráveis e um imenso respeito entre ambos. Em poucos meses, a F1 perdeu, por motivos diferentes dois dos seus expoentes máximos, que ainda hoje granjeiam o respeito e a admiração de milhões de fãs.

3. A primeira vitória, no GP de Portugal


Pouco faltou para que a primeira vitória de Ayrton Senna tivesse tido lugar no GP do Mónaco em 1984 mas quis o destino que fosse no Estoril, em Portugal, no ano seguinte, após um autêntico bailado à chuva. Numa pista perfeitamente alagada a exibição permitiu-lhe dar uma volta a quase todos os adversários e vencer com mais de um minuto para o segundo classificado. Para muitos foi esse o momento em que Senna entrou definitivamente na galeria dos grandes pilotos de F1.

4. O primeiro título mundial em 1988


Após três anos na Lotus com um carro que ficava sempre um degrau abaixo da competitividade necessária, Ayrton Senna foi contratado pela McLaren e não demorou muito a mostrar que não tinha medo do mais experiente Alain Prost. Apesar de alguns erros críticos no Mónaco e em Monza, o piloto brasileiro foi imparável na Bélgica (à chuva) e no Japão (após uma partida falhada), num rasgo de fogosidade que mostrou que um verdadeiro campeão nunca pode ter medo quando está em pista. No seu primeiro ano de McLaren teve a seu lado um ‘monstro’ Alain Prost, com o qual repartiu as vitórias em 15 dos 16 Grandes Prémios desse ano. Numa luta sem quartel, Senna venceu oito corridas contra sete de Prost o que lhe permitiu assegurar no Japão o seu primeiro título. Três pontos apenas separaram os dois pilotos numa época em que as tensões vividas entre os dois extravasaram e muito os limites da pista, numa apaixonante luta que se estendeu aos anos seguintes.

5. As polémicas com Nelson Piquet


Quando Senna chegou à Fórmula 1, Nélson Piquet estava no pico da sua carreira, tendo conquistado dois títulos até ali. Naturalmente, o carioca não ficou nada satisfeito por ter que partilhar a atenção da imprensa brasileira quando apareceu um paulista novato. O ódio entre os dois brasileiros cresceu rapidamente e as críticas à pilotagem rapidamente se transformaram em insultos pessoais que ultrapassavam todas as noções de decoro. Por exemplo, a história do “Pergunta para tua mulher…” Quando em 1988 Nelson Piquet insinuou aos jornalistas que o seu compatriota não gostava de mulheres – inflamando boatos sobre a natureza da relação de Ayrton com o amigo Américo Jacoto Júnior, Senna ripostou numa entrevista à Playboy em 1990. “Eu conheci a Katherine (Valentin)”, referiu sobre a companheira belga de Piquet. “Mas conheceu como?”, insistiu o jornalista. “Eu a conheci como mulher…”.

6. O Rei do Mónaco


O circuito urbano de Monte Carlo é considerado um dos mais difíceis do mundo, mas Ayrton Senna fez dele o seu ‘circuito-fétiche’ depois um impressionante andamento em 1984 à chuva com o Toleman. A sua primeira vitória no principado ocorreu em 1987 na Lotus, mas um erro infantil custou-lhe o triunfo em 1988 (já na McLaren) quando comandava folgadamente. Foi uma lição porque de 1989 até 1993, a última vez que correu nas ruas de Monte Carlo, o brasileiro ganhou todas as corridas no traçado monegasco, Senna sabia exatamente onde extrair cada milésimo de segundo, mesmo com carros inferiores à concorrência. Por isso, ainda hoje, Ayrton Senna continua a ser o Príncipe Perfeito do Mónaco, com um total de seis vitórias, cinco delas consecutivas, um reinado precocemente interrompido naquela tarde fatídica em Imola, duas semanas antes do GP de Mónaco de 1994, onde o brasileiro abdicaria postumamente do seu reinado.

Mas, o mais exigente e mítico circuito de F1 começara a forjar uma lenda chamada Ayrton Senna precisamente dez anos antes, em 1984, ano de estreia na disciplina que o iria imortalizar. Foi a inesquecível primeira “serenata à chuva” de Senna, quando levou o modesto Toleman-Hart ao segundo lugar, depois de partir da sétima fila e galgar lugares, sob intenso temporal, até se colar na traseira de Prost e só não vencer porque Jackie Ickx (director de prova) decidiu dar por terminada a corrida. Para a primeira vitória no Mónaco, Ayrton teria ainda de esperar três anos, já que em 1985 (já na Lotus Renault) o prémio de consolação foi a sua primeira pole position em Monte Carlo (acabou por desistir com o turbo partido), e em 1986 não foi além do último degrau do pódio.

A primeira vitória em 1987


A primeira vitória de Ayrton Senna, simultaneamente a primeira de um brasileiro e de um motor Honda no GP do Mónaco, foi em 1987, num momento em que as relações com Peter Warr e a equipa Lotus Honda já não eram propriamente as melhores, devido à pouca competitividade do chassis Lotus.

Para corrigir as violentas vibrações do motor a Lotus adotou a revolucionária suspensão activa, mas acabou por pagar o preço do pioneirismo com a falta de fiabilidade nas primeiras provas da temporada, onde os Williams de Piquet e Mansell se mostraram superiores. O irascível Mansell (que havia tentado agredir Senna nas boxes em Spa) alcançara a pole position e partindo da frente dominou a seu bel-prazer o primeiro terço da corrida com mais de 10 segundos de vantagem para o brasileiro, mas o coletor de escape do Williams acabou por partir, deixando assim o caminho aberto para Ayrton Senna.

No final, Senna reconhecia que, “foi mais fácil esta vitória, do que o terceiro lugar no ano passado.”

O reinado de Senna no Mónaco conheceu uma breve interrupção no ano seguinte, num Grande Prémio que apesar de tudo marcaria fortemente a carreira do piloto. Já na McLaren-Honda como companheiro de equipa de Alain Prost, o paulista arrancou uma pole position absolutamente impressionante, com uma série de voltas “sobrenaturais”, e dominou por completo a corrida, depois de um mau arranque de Prost. Distendido na liderança, Senna acabou por desconcentrar-se e cometer um erro fatal para as suas aspirações, raspando na parede do interior da curva Poitiers, e indo embater nos rails.

A longa soberania de Senna no Mónaco iniciar-se ia no ano seguinte (1989) com uma vitória esclarecedora, num fim-de-semana marcado pelo corte de relações com o seu companheiro de equipa Alain Prost. Em 1990, Senna bisa no Mónaco, recolhendo como habitualmente o seu “dote” monegasco – pole position, vitória e recorde da pista. Uma demonstração de clara superioridade no ano do seu segundo título, o mesmo tónico que marcou a sua 30ª vitória em GP`s, comemorada em 1991 no Mónaco, onde completou também um início de temporada arrasador com quatro vitórias seguidas, que lhe foram preciosas para garantir o seu terceiro título, numa altura em que os Williams-Renault começavam a emergir como a nova potência dominante.

Apesar da nova era, Ayrton Senna manteve inexpugnável o seu reinado em 1992, quando bateu os supersónicos Williams-Renault de Mansell e Patrese, interrompendo uma série de cinco vitórias seguidas de Mansell. A taça de Rainer (Príncipe de Mônaco) voltava a fugir das mãos do britânico, quando a dez voltas do fim foi obrigado a parar nas boxes por causa de uma porca mal aparafusada na roda! Nas quatro últimas voltas Senna defendeu-se estoicamente dos ataques do furioso Mansell, erguendo uma magistral barreira defensiva. O reinado de Senna no Mónaco termina em 1993, quando vence, a guiar com um contrato “por grande prémio” com a McLaren-Ford e já de “namoro pegado” com a Williams, (onde vira a sua entrada barrada por Alain Prost). O brasileiro termina com quase um minuto de vantagem sobre o Williams de Damon Hill e bate o recorde de vitórias em Monte Carlo, na posse de Graham Hill desde 1968. Dez anos passados sobre a sua morte, esse é dos poucos reinados intactos.

7. O misticismo de Senna


Uma das facetas mais polémicas e discutidas de Senna era o seu misticismo e fé, que se foi acentuando ao longo da sua carreira. Numa entrevista à Playboy brasileira, Senna explicou a “experiência” no GP do Mónaco de 1990. Lutando contra um McLaren desequilibrado, Senna pediu força a Deus e afirmou ter tido uma visão “Eu podia ver-me fora do carro. Em torno da máquina e de meu corpo havia uma linha branca, uma espécie do auréola, que me proporcionava força e proteção. (…) Entrei em uma outra dimensão. Tive uma paz incrível e certeza de que estava equilibrado, no corpo e na alma.” Esta espiritualidade foi também uma marca forte na personalidade do piloto.

8. As 65 pole-positions


A primeira foi no GP de Portugal de 1985 e a última, precisamente no fatídico GP de São Marino de 1994. Ao todo foram 65 pole-positions, o recorde que Michael Schumacher mais tempo levou a bater (mesmo tendo o dobro de tempo de carreira do brasileiro: 20 anos). A tremenda capacidade de concentração e a precisão milimétrica em qualificação, mesmo com carros menos competitivos, eram uma das marcas de água da pilotagem de Ayrton Senna, celebrado pelas inesquecíveis ‘voltas canhão’ que faziam de qualquer qualificação de um Grande Prémio de F1, um grande espectáculo.

9. 1991: O ano do tricampeonato


Nenhum título foi mais difícil para Ayrton Senna que o terceiro. Depois de um bom começo, com vitórias nas quatro primeiras corridas, o brasileiro foi ultrapassado de repente por Nigel Mansell e pelo mais competitivo Williams. Recorrendo à sua força de vontade e superior capacidade de afinação, o brasileiro conseguiu dar a volta à situação com três vitórias consecutivas na Hungria, Bélgica e Itália e arrumou a questão definitivamente na penúltima prova, no Japão.

10. Vitória ao milésimo no GP de Espanha de 1986


O que dizer duma corrida de 300 km que se decide ao…centímetro. Ayrton Senna e Nigel Mansell necessitaram de ‘photo-finish’ para saber quem tinha ganho, mas esse foi somente o culminar de uma das corridas mais emocionantes da história da F1. 14 milésimos de segundo, apenas, separaram ambos, de tal forma que o inglês queria ver uma foto que lhe provasse que tinha perdido. Para Senna esta foi apenas a terceira vitória da sua carreira, curiosamente a primeira em que a pista estava totalmente seca.


FONTE PESQUISADA

MOTOR 24 - Ayrton Senna: Os 10 momentos que criaram um mito. Disponível em: <http://www.motor24.pt/sites/autosport/ayrton-senna-os-10-momentos-criaram-um-mito/>. Acesso em: 15 de abril 2017.


56 Fotos Variadas da Carreira de Ayrton Senna