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quarta-feira, 7 de agosto de 2024

"Adriane estava deitada triste para caramba porque já sabia", Gigi, Dono de Restaurante no Algarve

Mariana Madrinha, Vítor Rainho

21 de Setembro 2016 às 21:59



Recorda-se do que dia em que o Ayrton morreu?

Sim. Estava a Adriane Galisteu cá a dormir na casa dele da Quinta do Lago, eu fui lá a casa. No dia da morte dele quando lá fui, a Adriane estava deitada triste para caramba porque já sabia. Ele morreu na hora, a barra da direção tirou-lhe metade da massa encefálica. As pessoas ainda diziam que era mentira porque a corrida tinha continuado e tudo. O fax dele tinha aqueles rolinhos, o gabinete estava cheio de rolinhos espalhados pelo gabinete. É a imagem que tenho do 1º. de maio daquele ano. 

Gigi, Dono do "Restaurante do Gigi" no Algarve, Portugal


FONTE PESQUISADA

MADRINHA, Mariana; RAINHO, Vítor. Gigi: “As melhores redes sociais são as dos pescadores da Quarteira”. Disponível em: <https://sol.sapo.pt/2016/09/21/gigi-as-melhores-redes-sociais-sao-as-dos-pescadores-da-quarteira/>. Acesso em: 07 de agosto de 2025.










terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Jornalista Relembrou Adriane Galisteu no Grande Prêmio de Portugal 1993

Já que o jornalista resgatou suas memórias. Vamos relembrar um trecho do livro "Caminho das Borboletas", cujo Adriane Galisteu fala de Portugal:

"Vivemos na casa do Algarve assim como passamos momentos inesquecíveis nesta quinta de Sintra, neste anexo que passará à posteridade como "Casa do Ayrton" - aqui onde hoje cada detalhe me dá conta de sua ausência, no silêncio de nosso quarto fechado, isso mesmo,  trancado a sete chaves, já que eu, covarde, nunca mais quis olhar o cenário de tão doloridas recordações."


São dois lugares diferentes:

Ayrton Senna e Adriane Galisteu na Casa do Algarve em 1993, em Portugal, mansão que pertencia ao Piloto

"Casa do Ayrton", em Sintra, lugar que pertencia ao ex-banqueiro falecido e amigo do casal, Braguinha.

"Casa do Ayrton", em Sintra, lugar que pertencia ao ex-banqueiro falecido e amigo do casal, Braguinha

A mansão de Ayrton Senna no Algarve Portugal em 1993 (Essa era a que pertencia o piloto)

Adriane Galisteu, Ayrton Senna e Braguinha







terça-feira, 1 de agosto de 2023

O Plano Interrompido



Quase 29 anos atrás, ele perdeu a vida em um acidente no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália.

O plano interrompido era, logo após a corrida, voltar para a mansão em que morava no Algarve, em Portugal.

“A última coisa que me falou foi 'quando começar a corrida, já vai tomar banho, porque vou sair daqui direto para o aeroporto'. Ele já estava de mala [em Ímola], de lá iria ao aeroporto e direto para o Algarve, em Portugal, onde eu estava", lembra a apresentadora.”, Adriane Galisteu.

Ayrton Senna e Adriane Galisteu na mansão do Algarve

[Depois da morte de Ayrton Senna, a mala do piloto foi encontrada pronta em Ímola]

O que poucos sabem dessa história é que o bairro onde Ayrton Senna morava tem a cara de um condomínio fechado de alto luxo — afinal, não há casa ali à venda por menos de 3 milhões de euros.

A casa em que o brasileiro morou não ficava para trás: casa com seis quartos e sete banheiros em um terreno de 10.500 m² incluindo os jardins rebuscados e um campo de golfe privativo.

A ideia inicial de Ayrton Senna era ter "simplesmente" uma casa na Europa para usar durante as temporadas no continente. Mas o plano foi se moldando e ele acabou fazendo dali sua moradia, para onde se mudou com a namorada Adriane Galisteu, que deixou a mansão às pressas naquele 1º de maio.

Além do campo de golfe, Senna também tinha em casa uma quadra de tênis, campo de futebol e piscina aquecida com painéis solares.

Fonte: uol.com.br, 07/04/2023.

Trecho a seguir extraído do livro "Ayrton Senna, o herói revelado":

Na véspera ligou para Jo Ramirez, pedindo que ele providenciasse um helicóptero para levá-lo, logo depois da corrida, do autódromo para o aeroporto de Bolonha, onde já pedira a Owen O'Mahony que ele estivesse a postos com o avião. Senna queria estar logo com Adriane em Portugal.

Mais informações:

Em 2004 a Família Senna organizou uma exposição sobre ele no Shopping Eldorado de SP que acredito ter sido a mais completa de todas que já fizeram. Além de todos os troféus tinha a Mclaren de 1990, a Lotus de 1987 e a Lotus de 1986. Nessa exposição estavam expostas essas duas malas, exatamente da maneira que estão na foto. Na exposição, a descrição contava que a mala de roupas estava em Imola e que o Ayrton tinha organizado ela dessa maneira para que assim que acabasse a corrida, ele pegasse o helicóptero, ele deixou, inclusive, no cabide do motorhome da Williams, uma outra calça e camisa que seriam usadas na viagem.


FONTES PESQUISADAS

MANCZYK, Natália. Luxo, mansão e avenida com nome: a presença de Senna em Algarve, onde morou. Disponível em: <https://www.bol.uol.com.br/entretenimento/2023/04/07/luxo-mansao-e-avenida-com-nome-a-presenca-de-senna-em-algarve-onde-morou.htm>. Acesso em: 01 de Agosto de 2023.

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

sábado, 8 de abril de 2023

Os Planos de Ayrton Senna Após o Grande Prêmio de San Marino

Quase 29 anos atrás, ele perdeu a vida em um acidente no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália.

O plano interrompido era, logo após a corrida, voltar para a mansão em que morava no Algarve, em Portugal. 

“A última coisa que me falou foi 'quando começar a corrida, já vai tomar banho, porque vou sair daqui direto para o aeroporto'. Ele já estava de mala [em Ímola], de lá iria ao aeroporto e direto para o Algarve, em Portugal, onde eu estava", lembra a apresentadora.”, Adriane Galisteu.

[Depois da morte de Ayrton Senna, a mala do piloto foi encontrada pronta no quarto de hotel onde estava hospedado]

O que poucos sabem dessa história é que o bairro onde Ayrton Senna morava tem a cara de um condomínio fechado de alto luxo — afinal, não há casa ali à venda por menos de 3 milhões de euros.

A casa em que o brasileiro morou não ficava para trás: casa com seis quartos e sete banheiros em um terreno de 10.500 m² incluindo os jardins rebuscados e um campo de golfe privativo.

A ideia inicial de Ayrton Senna era ter "simplesmente" uma casa na Europa para usar durante as temporadas no continente. Mas o plano foi se moldando e ele acabou fazendo dali sua moradia, para onde se mudou com a namorada Adriane Galisteu, que deixou a mansão às pressas naquele 1º de maio.

Além do campo de golfe, Senna também tinha em casa uma quadra de tênis, campo de futebol e piscina aquecida com painéis solares. 

Fonte: uol.com.br, 07/04/2023.

Trecho a seguir extraído do livro "Ayrton Senna, o herói revelado":

Apesar da frieza de Ron, Ayrton ainda mantinha laços com a McLaren, a ponto de, na véspera, ter ligado para Jo Ramirez, pedindo que ele providenciasse um helicóptero para levá-lo, logo depois da corrida, do autódromo para o aeroporto de Bolonha, onde já pedira a Owen O'Mahony que ele estivesse a postos com o avião. Senna queria estar logo com Adriane em Portugal e justificou ao velho amigo Jo:

- Espero que você não repare eu estar te ligando e te pedindo esse favor, agora que saí da McLaren. É que esse pessoal da Williams não faz nada pelos pilotos. Somos apenas empregados.

Mais informações: 

Em 2004 a Família Senna organizou uma exposição sobre ele no Shopping Eldorado de São Paulo, que acredito ter sido a mais completa de todas que já fizeram. Além de todos os troféus, tinha a Mclaren de 1990, a Lotus de 1987 e a Lotus de 1986. Nessa exposição estavam expostas essas duas malas, exatamente da maneira que estão nas fotos. Na exposição, a descrição contava que a mala de roupas estava em Ímola e que o Ayrton tinha organizado ela dessa maneira para que assim que acabasse a corrida, ele pegasse o helicóptero. Ele deixou, inclusive, no cabide do motorhome da Williams, uma outra calça e camisa que seriam usadas na viagem.

Ayrton e Adriane na mansão do Algarve


As Malas de Ayrton Senna


Mansão do Algarve


FONTES PESQUISADAS

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

MANCZYK, Natália. Luxo, mansão e avenida com nome: a presença de Senna em Algarve, onde morou. Disponível em:<https://www.uol.com.br/nossa/noticias/redacao/2023/04/07/luxo-mansao-e-avenida-com-nome-a-presenca-de-senna-em-algarve-onde-morou.htm>. Acesso em: 08 abril de 2023.

UOL - Galisteu revela conversa com Senna pouco antes de acidente fatal em 1994. Disponível em:<https://www.uol.com.br/esporte/ultimas-noticias/2022/04/14/galisteu-revela-conversa-com-senna-pouco-antes-de-acidente-fatal-em-1994.htm>. Acesso em: 08 abril de 2023.





terça-feira, 22 de novembro de 2022

Maurício Gugelmin e Ayrton Senna, GP de Portugal, anos 90


Maurício Gugelmin e Ayrton Senna com um menino durante o GP de Portugal, em Estoril. Começo dos anos 90.

Ayrton Senna, Mauricio Gugelmin and a boy in Portugal for the GP in Estoril. Early 90s.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

25 anos depois, Adriane Galisteu de volta a Portugal

Foto: Ricardo Santos

Adriane Galisteu está de passagem por Portugal, onde viveu com Ayrton Senna no Algarve e morou em Sintra durante 1 ano depois da morte do piloto. Por lá ela tem reencontrado amigos, foi convidada para a festa de uma emissora de TV portuguesa, a TVI, e concedeu entrevistas, como essa para a Revista Caras lusitana. A edição está nas bancas dessa semana.



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Print do site da Revista Caras Portugal

De passagem pelo Algarve, Adriane Galisteu confessa sobre a educação do filho, Vittorio, de oito anos: "A maior responsabilidade que existe na vida é educar um filho. É difícil. Rapaz é ainda mais difícil Para mim, os momentos em família são luxuosos."


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ADRIANE GALISTEU: "A MAIOR RESPONSABILIDADE QUE EXISTE NA VIDA É EDUCAR UM FILHO"

No Algarve, a apresentadora brasileira falou sobre o trabalho, o casamento e o papel de mãe.

FAMOSOS  CARAS  24 DE JULHO DE 2019, 07:10
  
Adriane Galisteu tem uma relação próxima com o Algarve, para onde vinha com bastante frequência há 25 anos, quando namorava com o malogrado tricampeão mundial de Fórmula 1, Aytrton Senna. Por isso a apresentadora brasileira quis apresentador a região à mãe, Emma Kelemen, e ao filho, Vittorio, de oito anos, nascido do seu casamento com o empresário Alexandre Iódice. Foi no final da sua estada no Anantara Vilamoura Algarve Resort que conversámos com Adriane sobre a sua aposta como atriz, o seu papel de mãe e a forma como, aos 46 anos, está bem na sua pele.

"O Vittorio está numa idade em que só quer saber de brincar e de fazer amigos novos, mas divertimo-nos muito sempre que estamos os três. A maior responsabilidade que existe na vida é educar um filho. É difícil. Rapaz é ainda mais difícil Mas tento de alguma maneira mostrar-lhe que podemos conquistar tudo no mundo com delicadeza, com educação."

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Capa da revista


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FONTES PESQUISADAS

CARAS - ADRIANE GALISTEU: "A MAIOR RESPONSABILIDADE QUE EXISTE NA VIDA É EDUCAR UM FILHO". Disponível em: <http://caras.sapo.pt/famosos/2019-07-24-Adriane-Galiesteu-A-maior-responsabilidade-que-existe-na-vida-e-educar-um-filho>. Acesso em: 24 de julho 2019.

CARAS - NA CARAS DESTA SEMANA, CUCA ROSETA MOSTRA-SE APAIXONADA: "SENTIMO-NOS CADA VEZ MAIS UM SÓ". Disponível em: <http://caras.sapo.pt/famosos/2019-07-24-Na-CARAS-desta-semana-Cuca-Roseta-mostra-se-apaixonada-Sentimo-nos-cada-vez-mais-um-so>. Acesso em: 24 de julho 2019.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

O Amor de Ayrton Senna Por Portugal

O campeão se apaixonou pelo país europeu nos anos 80. Ayrton escreveu prefácio de um livro em 1986 citando tudo que o encantava no país até aquele momento. Antes de morrer, Senna realizou um sonho antigo. Ele se mudou definitivamente para Portugal no começo de 1994, onde viveria com Adriane Galisteu, já como sua noiva. Isso significa que a última residência de Ayrton foi em Portugal.



Jamais esquecerei o lugar onde consegui minha primeira vitória

Não são poucas as razões que me fazem lembrar Portugal. Mais do que isso, são muitas e boas, e vão bem além do facto de que nesse País consigo sentir-me em casa por causa da lingua...

Foi no Estoril que venci o primeiro Grande Prémio de minha carreira na Fórmula 1, no início da época passada [temporada passada - ano passado]. Passei momentos difíceis ali dentro do "cockpit" do meu JPS Lotus, mas sobrevivi para comemorar a vitória mais marcante da minha vida, algumas coisa que há muito tempo vinha lutando para conseuguir.

Mas essa é apenas uma das razões que me faz apreciar a hora de ir correr a Portugal. Aliás, não é apenas por ocasião do Grande Prémio que tenho visitado Lisboa, Porto e outras cidades portuguesas.

O grande número de amigos que tenho entre os lusitanos sempre justifica uma escapada entre uma e outra corrida, quando não ficamos todos loucos com testes e mais testes, atrás de centésimos de segundo que vão melhorar o rendimento do meu carro na próxima etapa do campeonato.

E entre tantos amigos, sempre acabo passando bons momentos pois, como já disse, além de falar a mesma língua, consigo ficar à vontade frente a tantas coisa boas e bonitas como os belos pratos de peixe e as belas praias do Sul. No final acabo encontrando um problema: perder os quilos que levo para casa depois de tanta mordomia.

Mordomias à parte, o assunto nessas reuniões varia um pouco e acaba caindo no mesmo ponto: Fórmula 1. Chega então a hora de lembrar as curvas do Autódromo do Estoril, construídas em desnível, num modo que tem ficado esquecido nos projectos dos circuitos mais modernos. Felizes de vocês portugueses, que podem contar com um autódromo assim... A recta, nem curta nem longa em demasia, permite que o público sinta a diferença entre um motor ruim e um forte... Uma sensação que nenhum piloto gosta de experimentar quando está a bordo de um carro mais lento.

Em resumo, voltar a Portugal para o Grande Prémio só me deixa contente, não apenas porque sempre consegui bons resultados neste circuito – fui terceiro em 84 e ganhei em 85 – como também porque este ano quero manter a tradição, para continuar na briga pelo título desta temporada.

Ayrton Senna

PS.: Este prefácio foi amavelmente escrito por Ayrton Senna antes do Grande Prémio de Portugal de 1986, como se depreende do texto.


Prefácio do livro "Grande Prémio Portugal 58/59/60/ 84/85/86/87" de José Miguel Barros



terça-feira, 23 de outubro de 2018

Os últimos dias no Algarve



26 de abril de 1994, 16h00. Um helicóptero levanta do Aeródromo de Tires. A bordo, Ayrton Senna acena simpaticamente para a câmara de filmar. José Pinto, jornalista da RTP requisitara um helicóptero a um amigo para filmar a participação de Senna na gravação de um spot publicitário para a Sega. «Mantínhamos uma boa relação e disse-me porque é que eu não aproveitava e ia com ele no seu avião para Imola. Já tinha tudo tratado com as viagens da RTP e acabei por recusar», recorda o comentador de F1 e autor dos programas «Rotações» e «Máquinas».

O helicóptero de Ayrton Senna levava-o de volta ao Algarve, à sua Casa da Quinta do Lago, condomínio de luxo que André Jordan criara uns anos antes e onde Ayrton podia gozar da privacidade, do contacto com a natureza e do clima ameno para fazer o seu escrupuloso jogging. A casa da Quinta do Lago, avaliada atualmente em dez milhões de euros, era uma espécie de réplica europeia da sua casa em Angra dos Reis.

Ao contrário do que era habitual, Ayrton passava cada vez mais tempo no Algarve, sob os cuidados da fiel Juracy, que lhe preparava as lendárias canjas de galinha, cuidava da casa e do jardim e ainda lhe servia de competente motorista. Tudo aquilo que Ayrton chamava de «dieta espiritual» e que lhe permitia descomprimir como em nenhum outro lugar.

Ayrton parecia fugir da pressão familiar, que aumentava à medida que a sua relação com Adriane Galisteu parecia evoluir para coisa mais séria. Apenas a mãe, Neyde, parecia aceitar a relação com a plebeia de São Paulo.



Já que Ayrton se refugiava na Europa, a pressão familiar decidiu vir ter com ele, sob a forma do seu irmão Leonardo, que iria acompanhá-lo ao GP de São Marino – talvez uma das razões pelas quais Ayrton preferiu que Adriane fosse esperar por ele ao Algarve, evitando conflitos e a exposição da sua vida privada no paddock de línguas afiadas.



Ayrton estava certo. A missão do seu irmão Leonardo era convencê-lo de que aquela relação com Adriane era um erro. Naquela noite, durante o jantar preparado por Juracy, os dois irmãos discutiram, o que deixou Ayrton perturbado e irritado – ele não conseguia entender a animosidade da sua família com Adriane. O que fizera soar os alarmes fora um Fiat Uno prateado que Ayrton oferecera a Adriane e que despoletou no pai Milton uma preocupação explicada por António Almeida Braga, o Braguinha: «O Miltão achava que todo o mundo que se aproximava do Ayrton tinha interesses, queria tirar vantagens. Bastava um relacionamento durar mais para ele não gostar.» Agora sabemos de quem Ayrton herdou o seu caráter desconfiado.

No dia seguinte, 27 de abril, uma quarta-feira, Ayrton acordou mais bem disposto, apesar da hora madrugadora. Senna gostava de dormir 10 a 12 horas quando não estava nas corridas – aí não dormia mais de quatro horas.

Na sua espaçosa suíte no Algarve não podia entrar nem um ponto de luz. Ayrton sofria de fotofobia e tivera de ser a própria Juracy a isolar milimetricamente todas as fontes de luz que pudessem perturbar o sono do seu patrão. Ayrton não ficou totalmente satisfeito, porque descortinou um minúsculo ponto de luz pelas frestas do armário. Em entrevista a Monica Bergamo da revista Playboy, Ayrton confessou que costumava ser assaltado por um sonho: «Por vezes sonho que tenho um acidente, outras que estou oferecendo um bouquet de flores para a minha namorada». 

Naquela manhã solarenga, Senna acordou bem disposto e disse a Juracy: «Já viu como a vida é bela quando a gente se sente bem?». Depois de tomarem o pequeno-almoço no terraço junto à piscina, ele e o seu irmão foram conduzidos por Juracy até ao Aeroporto de Faro. Na pista, o comandante Owen O ´ Mahoney esperava por ele com o seu BAe HS125 jet, o jato particular que naquele dia o iria a levar a cruzar os céus de meia europa num autêntico air show de compromissos comerciais. Primeira escala em Munique para uma reunião com executivos da Audi, para discutir os pormenores do negócio que pretendia tornar a empresa de Senna a representante da marca alemã no Brasil. Depois do almoço, o comandante acionou os motores do jato e levantou voo. Próxima escala, Aeroporto de Forli, próximo de Bolonha. Owen O ´ Mahoney, que achara o seu patrão particularmente sorumbático naquele dia, despediu-se com o a habitual saudação antes de cada Grande Prémio: «Eu fiz o meu trabalho agora é a sua vez». Seria a última vez que faria aquele cumprimento.

Dali, Ayrton partia num helicóptero para Pádua, onde estaria presente no lançamento de uma nova bicicleta em fibra de carbono da marca Carraro com o logótipo do duplo esse de Senna.

Na conferência de imprensa que se seguiu à apresentação da bicicleta foi instado a comentar a vantagem da Benetton e de Michael Schumacher naquele início de campeonato, que Ayrton Senna desconfiava ser fruto de uma ilegalidade com o sistema de tração do Benetton:« É difícil falar de algo que não podemos provar.»

As desconfianças públicas de Ayrton Senna deviam-se ao péssimo arranque de temporada da Williams, contrastando com a eficácia da Benetton. Cumpridas que estavam duas provas do mundial – Brasil e GP do Pacífico em Aida –, Ayrton ainda não havia somado qualquer ponto, abandonando nas duas corridas, enquanto Schumacher somara duas surpreendentes vitórias.

Neste momento, e como noticiava o Autosport inglês, o campeonato estava «Michael 20 – Ayrton 0».

Senna, que tanto lutara para chegar à Williams, estava agora no centro da panela de pressão e afirmava que o campeonato iria começar em Imola, palco da terceira prova daquele mundial de 1994.

Os problemas da Williams manifestaram-se logo desde os testes de inverno no Paul Ricard e no Estoril, que levaram Ayrton a confessar aos seus amigos mais próximos: «Este carro é uma merda».

Com efeito, a Williams perdera a sua vantagem baseada na eletrónica, porque a FIA havia banido todos os dispositivos que haviam dado a ponta do pelotão tecnológico à equipa de Didcot – suspensão ativa, controlo de tração, ABS, etc. Numa tentativa de travar a escalada tecnológica e devolver ao piloto o papel principal na F1, a FIA acabara de criar sérios problemas às equipas e aos pilotos. As primeiras foram obrigadas a um retrocesso tecnológico que, em última análise, comprometia a segurança. Os segundos tiveram de adaptar de novo a sua técnica pilotagem a carros que dispensavam ajuda eletrónica.

Mas mesmo um piloto com as extraordinárias qualidades e capacidade de adaptação de Ayrton se via a braços com um carro «mal nascido». O chassis do Williams FW16, supervisionado por Patrick Head, era instável e difícil de controlar e o pacote aerodinâmico, desenvolvido por Adrian Newey, estava longe de poder disfarçar as imperfeições do conjunto.

Nem mesmo o poderoso motor V10 da Renault, o mais potente de todos os carros da F1, conseguia dar ao FW16 um temperamento vencedor. A Williams estava consciente das deficiências do seu monolugar e na fábrica testavam-se afincadamente novas evoluções que permitissem a Ayrton Senna diminuir o fosso que o separava do Benetton de Michael Schumacher. Além da fraca competitividade do seu carro, Ayrton estava seriamente desconfiado da legalidade do Benetton.

No paddock circulava o rumor de que a equipa italiana estava a utilizar um sistema de controlo de tração no motor, que ficava à margem das regras impostas pela FIA no início daquele ano. Ayrton ligava várias vezes ao seu antigo rival Alain Prost, fazendo queixas da Williams e manifestando a sua desconfiança com a superioridade do Benetton: «Naqueles dois ou três meses antes de Imola, o comportamento do Ayrton comigo mudou radicalmente. Eu deixara de ser uma ameaça, agora era seu confidente. Ligava-me várias vezes e ficávamos falando imenso tempo. Ele estava preocupado com o Williams e com a segurança na F1, queria que eu integrasse uma comissão de pilotos para as questões de segurança», explicou o francês, em entrevista a uma série da BBC dedicada a lendas da competição automóvel.

Às 17h30 daquele dia 27 de abril, depois de terminar os seus compromissos comerciais em Pádua, Ayrton Senna apanhou de novo o helicóptero, agora com destino ao circuito de Imola, onde aterrou por volta das 18h00. Foi de imediato às boxes da equipa Williams, onde cumprimentou, como sempre, todos os membros da equipa.

Esteve alguns minutos à conversa, desta vez não com Giorgio Ascanelli, o seu engenheiro de pista da McLaren, mas com David Brown, que tinha as mesmas funções na Williams. Ayrton queria inteirar-se das evoluções que a equipa trazia para Imola e que testara no início da semana em Nogaro com o seu companheiro de equipa, Damon Hill.

Além de novos acertos aerodinâmicos, os engenheiro da Williams elevaram a posição do volante, o que obrigava os pilotos a expor mais os seus ombros, conforme depois notaria Emerson Fittipaldi.

Ayrton estava preocupado e sabia que apesar de o campeonato ainda estar na sua fase inicial, a vantagem de Schumacher era já preocupante. Senna queria acreditar que Imola iria marcar o ponto de viragem daquele campeonato, mas não estava muito confiante: «O carro é muito difícil de guiar, é tão duro que qualquer ondulação do piso faz ele saltar.»

O Autódromo Enzo e Dino Ferrari, perto da cidade de Imola, a quatro quilómetros da cidade de Bolonha e a 80 quilómetros da sede da Ferrari, em Maranello, era justamente considerado a «casa» da Ferrari e um dos mais perigosos e traiçoeiros circuitos do mundial. Ao contrário da maioria dos circuitos, este corria-se em sentido inverso aos ponteiros do relógio. Era um circuito de média-alta velocidade, com um ponto muito perigoso: a curva Tamburello.

Era uma curva de alta velocidade, normalmente feita de acelerador a fundo, com o ponteiro dos conta-quilómetros a passar dos 300 km/ h. As pequenas ondulações e ressaltos aconselhavam a que a suspensão fosse regulada com maior distância ao solo e que o apoio aerodinâmico fosse mais incisivo. O problema é que essa afinação mais segura para Tamburello iria penalizar o comportamento do monolugar nas zonas mais rápidas do circuito, fazendo-o perder velocidade de ponta e, logo, tempo, o bem mais precioso da Fórmula 1. Mas o principal problema da curva era a sua exígua escapatória, tendo em conta a velocidade que os carros atingiam naquela zona.

As dezenas de metros de brita não eram suficientes para travar embates com o muro de betão, conforme tão amargamente experimentara Gerhard Berger em 1989, quando o seu Ferrari embateu no muro e se incendiou. O austríaco foi retirado do carro em chamas e sobreviveu ao terrível acidente. No ano seguinte, ele e Ayrton Senna fizeram uma vistoria a pé à fatídica curva, na tentativa de identificar uma solução que permitisse torná-la mais segura. Quando espreitaram para lá do muro de betão, viram que por ali passava um ribeiro. Não havia nada a fazer e os dois amigos conformaram-se com a inevitabilidade daquele perigo que continuariam a desafiar todos os anos.

Depois de partilhar uma macarronada com alguns jornalistas brasileiros na motorhome da Williams, Ayrton Senna dirigiu-se ao Castello, o hotel onde habitualmente se hospedava desde os tempos da McLaren na pequena estância termal de Castel San Pietro. À sua espera, atempadamente reservado, o quarto número 200. Ayrton era um animal de hábitos e gostava de jantar nos mesmos restaurantes de sempre e ficava quase sempre nos mesmos hotéis. Gostava desta familiaridade, ainda que fictícia. Naquela noite, depois de jantar com o irmão Leonardo, com o seu empresário Julian Jakobi, com o seu amigo e preparador físico Josef Leberer, com o seu compagnon de route António Almeida Braga e com outros amigos brasileiros, igualmente hospedados no hotel, Ayrton Senna retirou-se, cansado de um dia de frenéticas viagens. Ligou para Adriane, no Brasil, que preparava as malas para embarcar no dia seguinte para Lisboa.




FONTE PESQUISADA

PELEJÃO, Rui. A paixão de Senna. Edição 1. Editora Leya Portugal. S.A., julho de 2014. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Treinos de Ayrton Senna no Estoril em 1994 (Vídeo)



Autódromo do Estoril, Portugal, piloto da Formula 1 Ayrton Senna em treinos da Fórmula 1.

Senna testando o carro da Williams.

RTP - 21 de janeiro de 1994



sábado, 17 de fevereiro de 2018

Treinos de Fórmula 1 (Vídeo)




Estoril, Autódromo do Estoril, declarações de Ayrton Senna, piloto de fórmula 1 da McLaren, a propósito do novo carro da marca.

RTP - TV PORTUGUESA - 26/02/1990

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

3 Memórias de Ayrton Senna

Por Sérgio Veiga
F1 Flash - f1flash.com
01/05/2015

(Parte I): A Vitória no Estoril-85


Ayrton Senna da Silva comemoraria hoje o seu 55.º aniversário, se não tivesse sido aquele fim-de-semana maldito de Imola-94, em que todos os deuses se zangaram com a Fórmula 1… Tive a sorte de poder privar, em termos profissionais, com o enorme piloto brasileiro e aqui recupero, em jeito de homenagem, os três episódios que imediatamente me vêm à cabeça de cada vez que ouço o seu nome.

Abril de 1985, uma manhã de quarta-feira no aeroporto da Portela, espero a saída do brasileiro, passageiro do voo Varig 762. Naquela altura, em que a F1 ainda era novidade em Portugal (era o 2.º Grande Prémio da «era moderna» ainda era hábito ir esperar os pilotos mais importantes ao aeroporto para ter logo umas primeiras palavras. Para mais, o trissemanário «A Bola» saía à 5.ª feira, era bom arrancar com a reportagem da F1 logo com declarações da nova estrela em ascensão! Mas com tantos jornalistas à espera, era quase impossível ter uma conversa mais prolongada e consegui combinar com Senna um encontro para a tarde, já no autódromo do Estoril.

Despachados os cumprimentos a engenheiros, mecânicos e demais elementos da equipa Lotus, sentámo-nos junto do muro das «boxes» e, durante largos minutos, sem pressas, Senna foi respondendo a tudo o que lhe perguntava. Sentia o olhar desconfiado do brasileiro, ao ver que apenas tomava notas num daqueles grandes blocos «Castelo», mas falámos tranquilamente o tempo que foi necessário. Outros tempos, sem a pressão mediática actual…

No dia seguinte, reencontrámo-nos no autódromo logo pela manhã e ele, sorridente, agradeceu «o bom trabalho». Já tinha visto, obviamente, a página inteira de «A Bola» (ainda no formato… gigante!), encimada pelo título «Quando vou a 300 km/h só penso em ir mais e mais rápido!» e com tudo o que ele tinha dito, direitinho, por muito estranho que lhe tivesse parecido o esquema das notas no bloco «Castelo»… Desde esse dia que se criou uma relação de respeito mútuo, óbvio do meu lado pelo piloto que ele era, mas também da parte dele que sempre me «atendeu» com a máxima paciência e atenção.

Depois, viria a «pole» e a sua primeira vitória na Fórmula 1 (fará 30 anos a 21 de Abril), sob um dilúvio imenso, em que demonstrou um controlo superior do Lotus, numa prova com metade dos 16 abandonos por piões ou acidentes. E em que Senna deixou o 2.º a mais de um minuto, os 3.º e 4.º a 1 volta e o 5.º (Nigel Mansell num Williams/Honda) a 2 voltas! Apesar de muitas vezes ter pedido para que a corrida fosse parada, Senna nunca «tirou pé» e, sob condições dantescas, levou o Lotus/Renault à vitória e a crença popular ao ponto de perceber que estávamos perante alguém muito especial.



Entrou totalmente encharcado na sala das conferências de imprensa, trocámos sorrisos quase cúmplices pela entrevista que, agora, parecia um talismã e, durante um ror de tempo, ali o vi literalmente a bater o queixo e a tiritar de frio, mas a explicar com toda a tranquilidade como fora a sua primeira vitória. Porque muitas mais se seguiriam…

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(Parte II): da raiva… às desculpas


Embora todos tenhamos cultivado a imagem de um Ayrton Senna sereno, simpático, uma pessoa suave, o genial piloto brasileiro também tinha os seus momentos irascíveis, em que conseguia raiar o desagradável. Na sexta-feira dos treinos livres do G.P. da Alemanha de 1988 as coisas não lhe estavam a correr de feição e o McLaren/Honda não estava ao seu gosto, perdendo para o rival Alain Prost.

Naqueles tempos, jornalistas a entrar nas «boxes» das equipas era algo mais ou menos normal e, para reportar para «A Bola», costumava aproveitar a «boleia» dos jornalistas brasileiros para falar também com Senna, agradando à enorme legião de fãs que ele sempre teve em Portugal. Naquele dia, contudo, algo me atrasou e perdi o «comboio brasileiro», descendo mais tarde à «boxe» da McLaren onde encontrei Senna a falar com o seu engenheiro, ar de poucos amigos. Esperei que a conversa acabasse e, quando lhe perguntei «o que se passa Ayrton?», ele olhou através de mim e disse-me com uma rudeza que não lhe conhecia: «Porque só vem agora e não veio com os outros?! Agora não falo com você!» e quase me expulsou da «boxe»… «Está o caldo entornado», pensei, «este agora nunca mais me vai falar por causa disto».

Horas mais tarde, dia de treinos arrumado, estava no «paddock» em amena cavaqueira com o Domingos Piedade e outras pessoas, a caminho do carro para sair do circuito, quando sinto alguém bater-me nas costas. Virei-me e era Senna. «Você me desculpe aquilo de há pouco, eu estava meio chateado e você apareceu na altura errada. Me desculpe, agora está tudo bem, ok?». Nem sei se cheguei a balbuciar algo, era a última coisa que esperava de um piloto de F1 com os seus gigantescos egos…

O grande Ayrton Senna, a caminho do seu primeiro título, estava ali humildemente a pedir-me desculpa? Quantos dos outros trinta pilotos presentes em Hockenheim teriam tido semelhante atitude? Aí confirmei não só o respeito mútuo que já levava alguns anos, mas a grandeza humana de Senna que, tendo tido um ataque de irascibilidade (talvez até compreensível…), tivera a humildade de desviar o seu caminho para vir pedir desculpas pela sua atitude. E lá continuámos a nossa relação profissional como se nada se tivesse passado.




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(Parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido


É inevitável… Quando ouço o nome Senna viajo imediatamente no tempo para 1 de Maio de 1994, o ponto mais fundo do fim-de-semana em que os deuses abateram toda a sua raiva sobre a F1. Tudo começara na 6.ª feira, com um acidente feito de Rubens Barrichello, com quem tinha grande afinidade por ter seguido a sua carreira na Fórmula Opel-Lotus (que corria juntamente com a F1) e pela ligação com Pedro Lamy. O susto foi enorme e lembro-me de Senna correr ao hospital do circuito para se inteirar do estado do seu benjamim.

No dia seguinte foi a tragédia da morte de Roland Ratzenberger que abanou todos quantos seguiam a F1. Recordo-me de Senna se meter no carro médico, com o seu amigo Syd Watkins, o médico da F1, e ir ao local do acidente perceber como tinha sido possível. Mais tarde, Watkins revelou que, nessa altura, disse a Senna para parar de correr…

Ainda mal refeito de dois violentos dias, nada me preparava para a tragédia de 1 de Maio… Primeiro o acidente no arranque em que só por milagre Pedro Lamy não se magoou seriamente, ao abalroar o Benetton parado de JJ Lehto. Mas muitas peças tinham voado para a bancada, provocando diversos feridos… Retomada a corrida, Senna despista-se na temível Tamburello, tem de estar tudo bem, pensamos todos, já muitos ali bateram e safaram-se com maiores ou menores mazelas. Olhos colados nos ecrãs, o capacete amarelo move-se, há um breve momento de alegria, está tudo bem ele mexe-se!, seguido por uma queda abrupta nas profundezas da tragédia quando assistimos aos meios médicos envolvidos no seu socorro.



Aproveito para descer à «box» da Lotus para saber como está Lamy que me despacha rapidamente com um «eu estou bem, mas como está o Ayrton?». Não há respostas, parece grave, mas, bolas, o capacete mexeu-se ele há-de estar razoavelmente bem, talvez algumas fracturas… Na altura apenas os socorristas sabiam a verdade e os momentos de desespero por que passava o brasileiro, já inconsciente, já em coma, de onde não mais sairia.

Numa sala de imprensa com muitas centenas de jornalistas, o silêncio era sepulcral, havia quem não contivesse as lágrimas, era demais num só fim-de-semana. Porque a corrida prosseguira e ainda houvera mais quatro feridos nas «boxes», por uma roda que se saltara do Minardi de Alboreto. «Morte» foi coisa que só se começou a ouvir muito mais tarde, já a corrida estava a terminar. Os rumores foram-se avolumando, até à confirmação do «press officer» da FIA que varreu a sala de imprensa com uma violenta onda de choque. Não, o Ayrton não!...

Na altura senti-me totalmente vazio e exausto, totalmente exausto de três dias de tragédias permanentes… Lembro-me de ligar para Lisboa e pedir ao chefe de redacção d’ «A Bola», Santos Neves, que me dispensasse do trabalho, não tinha condições para escrever uma única linha. Mas os leitores não têm nada a ver com os estados de alma do jornalista e foi o que percebi quando, do outro lado, ouvi um seco (e sei que muito difícil de dizer!) «está bem, vê se te acalmas e depois tens duas páginas para escrever».

Às vezes, «enfiarmo-nos» num teclado serve quase de terapia, de exorcismo dos fantasmas que nos esmagam. E foi assim que apareceram os textos para as tais duas páginas (ainda das grandes…), as mais difíceis de toda a minha vida! Já passava da uma da manhã quando saí de Imola, um sentimento de tremendo vazio, as lágrimas a quererem saltar. Acabara de viver o maior pesadelo de sempre… E a Fórmula 1 acabara de perder milhões de adeptos. Ainda hoje há quem me diga que deixou de seguir a F1 no dia em que Senna morreu. Compreendo mas não aceito. Porque tenho a certeza de que o próprio Ayrton não o aprovaria!

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SÉRGIO VEIGA

Enviado-especial do jornal «A Bola» a largas dezenas de Grandes Prémios, nunca deixou de reportar sobre o Mundial, tendo nos últimos anos alargado a sua experiência aos comentários televisivos.

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FONTES PESQUISADAS

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte I): a vitória no Estoril-85. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-a-vitoria-no-Estoril-85>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte II): da raiva… às desculpas. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-da-raiva-as-desculpas>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.

VEIGA, Sérgio. 3 memórias de Ayrton Senna (parte III): o fim-de-semana que nunca devia ter existido. Disponível em: <http://www.f1flash.com/Artigos/Historias/Senna-o-fim-de-semana-terrivel>. Acesso em: 25 de janeiro 2018.