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quinta-feira, 20 de maio de 2021

"A família de Ayrton tinha certeza do amor dele por Adriane, e que ele ia casar com ela. Por isso humilharam ela depois da morte dele." J.N.

"A família de Ayrton tinha certeza do amor dele por Adriane, e que ele ia casar com ela. Por isso humilharam ela depois da morte dele." J.N.

Sim, exatamente, tem um livro que fala sobre isso. Disse que a preocupação da família era que ele casasse de repente com Adriane e então seria tarde demais para eles fazerem algo a respeito.

*O livro citado é o The Life of Senna.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A Última Mulher Que Amou Ayrton Senna

*Grande jornal da Espanha, da cidade de Madrid, destaca ausência de Adriane Galisteu no festival Senna Day

A família do piloto nunca aceitou seu relacionamento com Adriane Galisteu, 13 anos mais nova que ele

Ayrton Senna e Adriane Galisteu, em 1993 - Justin Thomas

Verónica Goyzueta
@goyzuet4
Correspondente em Sao Paulo - Atualizado: 04/05/2019 16: 55h

As homenagens organizadas pela família ao piloto Ayrton Senna, 25 anos após sua fatídica morte no circuito italiano de Ímola, foram marcadas em 1 de Maio pela ausência de Adriane Galisteu, sua última namorada e a mulher com quem o atleta passou os últimos dois anos de sua vida. A renomada atriz, que hoje tem 46 anos, viveu seu luto afastada, rejeitada pela mãe e pela família do piloto, que nunca reconheceram a relacionamento.

Em seu lugar, assim como foi no funeral de 1994 [funeral do Ayrton], quando Adriane foi obrigada a entrar na fila gigantesca de fãs para dizer adeus a seu companheiro, os Senna escolheram como viúva oficial a apresentadora da televisão brasileira, Xuxa Meneghel, que foi namorada piloto entre 1988 e 1990 [dezembro de 1988 a janeiro de 1990]. Xuxa (56 anos) tornou-se o centro das homenagens a familiares, amigos e imprensa, que teve lugar esta semana no autódromo de Interlagos, onde o tricampeão mundial levantou grande parte de seus troféus. "Neste momento no país, onde tantas coisas erradas acontecem, você precisa de um ídolo como ele", disse Xuxa, que hoje é uma das celebridades mais conhecidas do Brasil.

Críticas à família

Muitos seguidores [fãs] de Senna criticaram a atitude da família, que apagou Adriane das fotos e das homenagens divulgadas [e transmitidas] no Festival Senna Day, incluindo uma que estava ao lado da cantora Tina Turner, que foi editada. "Que desrespeito!", exclamou um fã. "Nesse dia ele estava com Galisteu", disse outro. "Onde está Adriane?", perguntou um terceiro na rede social do Instituto Ayrton Senna. "Senna a amava, quer queiram ou não", acrescentou outro ao coro de reprovações.


Os pais do piloto (Neyde Senna e Milton da Silva), junto com sua neta Bianca - REUTERS

Em entrevista ao portal "GShow" por ocasião deste aniversário [da morte de Ayrton Senna], Galisteu recordou os momentos felizes ao lado do piloto, a quem conheceu quando tinha 19 anos e com quem conviveu dois anos de sua vida, quando era uma jovem modelo de revista, com uma carreira insignificante em comparação à de Xuxa que, como Ayrton, se destacou internacionalmente. "Tudo o que sei é que ninguém vai me tirar nossa história", afirmou Adriane, que herdou do ídolo um pijama, uma camisa e uma escova de dentes que ele deixou em sua casa na noite em que estiveram juntos [na verdade eles moravam juntos]. Senna também deixou um pequeno Fiat, que lhe presenteou e que foi seu primeiro carro, e um relógio.

Em novembro de 1994, Galisteu publicou "O caminho das borboletas", um livro que já está na décima segunda edição, onde ela conta em primeira pessoa sua história de amor com Senna. "Eu tinha 19 anos, ele tinha 34 anos. Nós nos divertimos muito e acho que lhe dava jovialidade à sua rotina, que era cheia de responsabilidades. O maior legado que Ayrton me deixou foi ter força para realizar meus sonhos ", resumiu a modelo, que sofreu muito com a morte repentina do campeão. "Eu nunca imaginei que ele poderia morrer fazendo o que mais amava e o que melhor sabia fazer", revelou. E sentenciou: "Em um piscar de olhos, tudo muda e não volta mais".

Descendente de malaguenhos (o pai de Adriane nasceu em Málaga, na Espanha), Galisteu teve uma vida difícil. Com um pai alcoólatra, que morreu quando era uma debutante, aos 9 anos começou a desfilar como modelo infantil para ajudar a mãe e nunca mais parou de trabalhar.

Acostumada a lutar, ela nunca desmoronou com a grosseria dos Senna, pelo contrário: tirou forças para empreender uma elogiada carreira como modelo, apresentadora e atriz. Ela usou a fundo o mantra do piloto para conquistar uma vida luxuosa por seus próprios méritos.

Atualmente, está casada com o empresário de moda Alexandre Iódice, com quem tem um filho pequeno, Vittorio. «Eu falo muito sobre ele [Ayrton] ao meu filho. E meu marido, como todo brasileiro, era muito fã dele ", disse ela ao GShow. E concluiu: "Ninguém jamais quis apagar meu passado [se referindo ao marido] e meu senso de gratidão é por ter vivido tudo o que eu vivi com um ser humano único".


 Senna e Galisteu em foto do jornal ABC impresso (a reportagem saiu também na versão digital, no site do jornal) 


FONTE PESQUISADA

GOYZUETA, Verónica. La última mujer que amó a Ayrton Senna. Disponível em: <https://www.abc.es/estilo/gente/abci-ultima-mujer-ayrton-senna-201905040033_noticia.html>. Acesso em: 04 de maio 2019.


sábado, 4 de maio de 2019

La última mujer que amó a Ayrton Senna

La familia del piloto nunca aceptó su relación con Adriane Galisteu, 12 años menor que él

Ayrton Senna y Adriane Galisteu, en 1993 - Justin Thomas

Verónica Goyzueta
@goyzuet4
Corresponsal en Sao Paulo - Actualizado: 04/05/2019 16:55h
ABC - abc.es

Los homenajes organizados por la familia al piloto Ayrton Senna, 25 años después de su fatídica muerte en el circuito italiano de Imola, estuvieron marcados el pasado 1 de mayo por la ausencia de Adriane Galisteu, su última novia y la mujer con la que el atleta pasó los últimos dos años de su vida. La reconocida actriz, que hoy tiene 46, vivió su luto arrinconada, rechazada por la madre y la familia del piloto, que nunca reconocieron la relación.

En su lugar, así como fue en los funerales de 1994 -cuando Adriane fue obligada a formar la gigantesca fila de admiradores para despedirse de su pareja-, los Senna eligieron como viuda oficial a la presentadora de la televisión brasileña, Xuxa Meneghel, quien fue novia del piloto entre 1988 y 1990. Xuxa (56 años) se convirtió en el centro del homenaje para familiares, amigos y la prensa, que tuvo lugar esta semana en el autódromo de Interlagos, donde el tricampeón mundial levantó buena parte de sus trofeos. «En este momento del país, en que tantas cosas equivocadas ocurren, hace falta un ídolo como él», declaró Xuxa, quien ahora es una de las celebridades más conocidas de Brasil.

Críticas a la familia

Muchos seguidores de Senna han criticado la actitud de la familia, que ha borrado a Adriane de las fotos y de los homenajes difundidos en el Senna Day Festival, entre ellas, una donde estaba al lado de la cantante Tina Turner, que fue editada. «¡Qué falta de respeto!», exclamó un fan. «Ese día él estaba con Galisteu», declaró otro. «¿Dónde está Adriane?», preguntaba un tercero en la red social del Instituto Ayrton Senna. «Senna la amaba, quieran o no», añadía otro al coro de reprobaciones.

los padres del piloto (Neyde Senna y Milton da Silva), junto a su nieta Bianca - REUTERS

En una entrevista al portal «GShow» con motivo de este aniversario, Galisteu recordó los momentos felices al lado del piloto, al que conoció cuando tenía 19 y con quien convivió dos años de su vida, cuando era una joven modelo de revista, con una carrera insignificante en comparación a la de Xuxa quien, como Ayrton, destacó internacionalmente. «Lo único que sé es que nadie va a quitarme nuestra historia», afirmó Adriane, quien heredó del ídolo un pijama, una camiseta y un cepillo de dientes que él dejó en su casa la última noche en que estuvieron juntos. Senna también le dejó un pequeño Fiat, que le regaló y que fue su primer coche, y un reloj.

En noviembre de 1994, Galisteu publicó «El camino de las mariposas», un libro que ya va por la duodécima edición, donde cuenta en primera persona su historia de amor con Senna. «Yo tenía 19, él 31. Nos divertíamos mucho y creo que le daba jovialidad a su rutina, que estaba llena de responsabilidades. El mayor legado que Ayrton me ha dejado ha sido tener fuerza para realizar mis sueños», resumió la modelo, quien sufrió mucho la muerte repentina del campeón. «Jamás me imaginé que pudiera morir haciendo lo que más amaba y lo que mejor sabía hacer», reveló. Y sentenció: «En un parpadeo, todo cambia y no vuelve más».

Descendiente de malagueños, Galisteu tuvo una vida difícil. Con un padre alcohólico, que falleció cuando ella era una quinceañera, a los 9 años comenzó a desfilar como modelo infantil para ayudar a su madre y ya nunca dejó de trabajar.

Acostumbrada a luchar, jamás se vino abajo con los desplantes de los Senna, al contrario: sacó fuerzas para emprender una elogiada carrera como modelo, presentadora y actriz. Empleó a fondo el mantra del piloto para conquistar una lujosa vida por sus propios méritos.

Actualmente, está casada con el empresario de moda Alexandre Iodice, con quien tiene un hijo pequeño, Vittorio. «Le hablo mucho de él [de Ayrton] a mi hijo. Y mi marido, como todo brasileño, era muy fan suyo», contó al «GShow». Y concluyó: «Nunca nadie quiso borrar mi pasado y mi sensación de gratitud es por haber vivido todo lo que viví con un ser humano único».



FONTE PESQUISADA

GOYZUETA, Verónica. La última mujer que amó a Ayrton Senna. Disponível em: <https://www.abc.es/estilo/gente/abci-ultima-mujer-ayrton-senna-201905040033_noticia.html>. Acesso em: 04 de maio 2019.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

A história da menina pobre que virou namorada de Ayrton Senna



Muitos interpretam a história de Adriane Galisteu como um conto de fadas. Ela nasceu pobre. Aos 14 anos, após a morte do pai, começou a trabalhar para ajudar no sustento da família. Tornou-se independente. Em 1993 estava trabalhando como garota-propaganda no campeonato brasileiro de Fórmula-1 quando conheceu o piloto Ayrton Senna. Em pouco tempo, os dois estavam namorando. Uma semana antes do acidente fatal do piloto, em maio de 1994, foram capa da revista Caras. Nas páginas internas, Senna admitia a possibilidade de casamento. No enterro a família protelou a modelo e pavoneou uma ex, a apresentadora Xuxa, como viúva oficial. Não adiantou. Começava ali a ascensão da menina pobre.


(O Pioneiro, 02 e 03 de março de 1996)



FONTE PESQUISADA

F.B. - A história da menina pobre que virou namorada de Ayrton Senna. O Pioneiro, 02 e 03 de março de 1996, Comportamento, página 7.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Adriane Galisteu Recebeu um Tratamento Frio da Família de Ayrton Senna Logo Depois da Morte do Piloto




Trecho extraído do livro “The Life of Senna” escrito pelo jornalista britânico Tom Rubython

CAPÍTULO 32

Funeral em São Paulo

O longo adeus

O circo da Fórmula 1 deixou Ímola no domingo à noite e na segunda de manhã em transe. Para alguns, na semana seguinte haviam dois funerais pela frente. Quando Gerhard Berger chegou à sua casa na Áustria por volta das 21h do domingo, 1º de maio, ele se isolou. Ele estava sozinho em casa e não falou com ninguém, como ele se lembra: “Eu não falei com ninguém por dois dias. Eu olhava o telefone se enchendo de mensagens, mas eu não senti vontade de conversar com ninguém sobre isso, já que nada poderia mudar as coisas. Eu só queria passar algum tempo sozinho. Fiquei de fora das conversas por alguns dias e depois voei para o Brasil para o seu funeral. ”

Alain Prost queria comparecer ao funeral, mas não tinha certeza se deveria. Ele estava desesperadamente triste, mas também satisfeito por ter terminado a rivalidade com Senna antes de morrer. Ele lembrou: “Ayrton e eu tivemos uma história (rixa) tão longa que eu realmente não sabia como o povo brasileiro entenderia: eles ficariam chateados se eu fosse, chateados se eu não fosse, ou o que?” Prost voou de volta para Paris na noite do acidente e Jean-Luc Lagardère, o presidente da Matra, ligou para ele para perguntar sobre o acidente. A esposa de Lagardère era brasileira e Prost perguntou o que ele deveria fazer. Lagardère disse a ele que o povo brasileiro ficaria chateado se ele não fosse.

Julian Jakobi esperou até segunda-feira para voltar a Londres. Ele arrumou uma muda de roupa e depois voou direto para o Brasil para o funeral. Ele foi claro sobre o seu papel nos próximos dias: "Porque eu não era da família, mas eu tinha que manter a família (cuidar, ajudar, guardar a família). Então, a gente continuou, na verdade, com adrenalina e tudo mais ”.

Josef Leberer havia voltado para a Áustria naquela manhã. Ele planejava voltar junto com o caixão de Senna para São Paulo, mas não tinha certeza dos preparativos e esperou em casa por notícias.

Antonio Braga ficou em Bolonha para fazer os arranjos para devolver o corpo de Senna a São Paulo. As autoridades de Bolonha se recusaram a liberar o corpo imediatamente, insistindo em uma autópsia completa. Leonardo da Silva foi colocado no primeiro vôo de volta a São Paulo para estar com sua família. Sua dor era infinita, agravada pelo fato de que seu irmão tinha ido para o túmulo com os dois brigados por causa de Adriane (desentendidos / desentendimentos sobre Adriane).

Adriane Galisteu acordou na manhã de segunda-feira em transe. Ela dormira muito pouco. Quando ela abriu os olhos, não sabia se tinha tido um sonho terrível. Ela esperou e rezou que tivesse sido um sonho. Seu futuro estava em risco. Ela logo percebeu que era o pior tipo de realidade.

Na segunda-feira, o corpo de Senna foi transferido para a funerária de Bolonha, de acordo com a lei italiana. O necrotério estava cercado de fãs. O corpo de Roland Ratzenberger também estava lá, aguardando sua própria autópsia.

A casa de Braga em Sintra, Portugal, também foi cercada por repórteres, ansiosos por entrevistar Adriane. Imagens de fora da casa estavam sendo transmitidas ao Brasil. A mídia do mundo todo estava interessada na história, à medida que a enormidade do que aconteceu se instalou. Com a família imediatamente incomunicável, o foco estava todo na bela modelo loira de 21 anos, que, no que diz respeito à mídia, era efetivamente a viúva de Senna.

Quando Braga ligou a casa de Bolonha, Adriane disse que queria vir e ver o corpo de Senna. Ela disse a ele que sentia uma necessidade desesperada de evidências sólidas, ver com seus próprios olhos que ele estava morto.

Braga aconselhou-a que não o fizesse e achou improvável que ela fosse permitida. Ela aceitou o conselho dele, acreditando que ela seria capaz de vê-lo pela última vez em São Paulo antes do funeral. No Brasil era tradicional que o caixão ficasse aberto, ou pelo menos ter um tampo de vidro. O que ela não sabia era que o amasso na cabeça de Senna e a ferida causada pelo pedaço afiado de suspensão que havia penetrado no capacete eram desfigurantes. Especialistas em cosméticos se desesperaram em tentar fazer o rosto dele suficientemente bom. O caixão continuaria fechado.

Com o tumulto do lado de fora da casa, Braga aconselhou sua esposa Luiza que a melhor opção era organizar uma coletiva de imprensa improvisada na casa para a mídia e então eles iriam embora. Adriane concordou em fazê-la. Mas durante a coletiva de imprensa, Adriane recebeu algumas perguntas macabras, especialmente de jornalistas brasileiros que haviam ouvido falar sobre o rompimento com a família da Silva e estavam inseguros de seu status agora que seu namorado estava morto. Uma jornalista perguntou se ela tinha passagem de ida e volta para São Paulo e quem pagaria pela passagem. Adriane sentiu como se estivesse sendo vitimada por uma mídia hostil à procura de histórias exclusivas sobre o drama da morte de Senna. Ela não estava em condições de suportar isso.

Não era o caso de Miriam Dutra, que trabalhava para a TV Globo e fora enviada com urgência para cobrir a história. Dutra era muito simpática a Adriane, que estava claramente em grande angústia. Depois Adriane perguntou a Dutra se ela poderia ter todas as imagens do acidente que a TV Globo tinha. Ela queria ver tudo o que pudesse sobre o acidente.

A segunda-feira (Senna havia morrido no domingo) veio e foi para a adormecida (entorpecida) Adriane, e ela foi sedada para ajudá-la a dormir naquela noite. Os sedativos tiveram pouco efeito, já que Adriane ainda estava atordoada pelos acontecimentos.

Enquanto isso, Antonio Braga e Galvão Bueno tentavam desesperadamente organizar o retorno do corpo de Senna a São Paulo. Naturalmente a família queria que voltasse ao Brasil o mais rápido possível. Eles achavam que isso seria relativamente simples até que as autoridades italianas dissessem que a autópsia não aconteceria até terça-feira. O corpo seria libertado naquela noite.

Na manhã de terça-feira, Miriam Dutra recolheu a filmagem da corrida em vídeo VHS e no dia seguinte enviou-a por mensageiro a Adriane Galisteu em Sintra. Adriane sentou-se no sofá e ficou assistindo várias vezes, acompanhada pelas filhas de Braga, Maria e Joanna. Elas estavam obcecados em descobrir o motivo de seu acidente.

Adriane também telefonou para Angelo Orsi, o fotógrafo italiano que tirou fotos de Senna depois do acidente. Adriane sentiu uma necessidade desesperada de alguma prova física de que ele estava morto. Orsi conseguiu permissão da família para lhe enviar algumas fotos.

As autópsias de Senna e Ratzenberger ocorreram, como planejado, na manhã de terça-feira. Foi simples. As causas da morte não foram mais complicadas do que em qualquer vítima de acidente de trânsito.

Na hora do almoço, os corpos foram autorizados a serem removidos. Braga e Bueno trabalharam febrilmente nos preparativos para levar o corpo de Senna para casa naquele dia. Eles tinham duas opções: um voo direto com a Força Aérea Italiana ou via Paris com a Varig. Os italianos ficaram muito felizes em levar o caixão de volta para São Paulo.

No final, os pais de Senna decidiriam.

De volta a Sintra, Adriane sentia um vento frio da família Senna em São Paulo. Na segunda e na terça-feira, tentara telefonar para os pais de Senna. Ela foi informada pela empregada da família que ambos estavam sob sedação e não podiam ser perturbados. Depois de um tempo, isso a incomodou, e ela se perguntou o que ela tinha feito, especialmente porque compartilhara sua dor com Neyde no domingo. Na tarde de terça-feira, ela foi até (telefonou) o marido de Viviane, Flavio Lalli, que lhe disse que era uma situação muito difícil na casa da família e que ele estava tendo dificuldade em conversar com sua própria esposa, que se despedaçou ao ponto da falta de palavras. Lalli disse a ela que era impossível alguém ter qualquer tipo de conversa com Milton ou Neyde da Silva. Eles levaram a notícia pior do que qualquer outra pessoa. Os pais permaneceram sedados e virtualmente silenciosos, quase inconscientes do que estava acontecendo ao redor deles.


CHAPTER 32


Funeral in São Paulo
The long goodbye

The Formula One circus left Imola on Sunday evening and Monday morning in a daze. For some, in the coming week there were two funerals ahead. When Gerhard Berger reached his home in Austria at around 9pm on Sunday 1st May, he shut himself away. He was alone in the house and spoke to no one, as he remembered: “I didn’t talk to anyone for two days. I watched the telephone filling up with messages but I didn’t feel like talking to anyone about it as nothing could change things. I just wanted to spend some time alone. I stayed out of conversations for a few days and then flew to Brazil for his funeral.”

Alain Prost wanted to attend the funeral but he was not sure whether he should. He was desperately sad, but also pleased he had ended the feud with Senna before he died. He remembered: “Ayrton and I had such a history for so long that I didn’t really know how the Brazilian people would perceive it: would they be upset if I went, upset if I didn’t go, or what?” Prost flew back to Paris on the evening of the accident and Jean-Luc Lagardère, the chairman of Matra, called him to ask about the accident. Lagardère’s wife was Brazilian and Prost asked him what he should do. Lagardère told him the Brazilian people would be upset if he didn’t go.

Julian Jakobi waited until Monday to fly back to London. He packed a change of clothing and then flew straight out to Brazil for the funeral. He was clear about his role in the coming days: “Because I wasn’t family, but I had to keep the family going. So one kept going, really, on adrenalin and everything else.”

Josef Leberer had driven home to Austria that morning. He planned to return with Senna’s coffin to São Paulo but was unsure of the arrangements, and waited at home for news.

Antonio Braga stayed in Bologna to make the arrangements to return Senna’s body to São Paulo. The Bologna authorities refused to release the body immediately, insisting on a full autopsy. Leonardo da Silva was put on the first flight back to São Paulo to be with his family. His grief was unbounded, made worse by the fact that his brother had gone to his grave with the two on bad terms over Adriane.

Adriane Galisteu woke up on Monday morning in a daze. She had slept very little. When she opened her eyes, she was unsure whether she had had a terrible dream. She hoped and prayed it had been a dream. Her future hung in the balance. She soon realised it was the worst kind of reality.

On Monday Senna’s body had been moved to Bologna’s mortuary in accordance with Italian law. The mortuary was surrounded by fans. The body of Roland Ratzenberger was also there, awaiting its own autopsy.

The Braga house in Sintra, Portugal was also surrounded by reporters, anxious to interview Adriane. Pictures from outside the house were being broadcast back to Brazil. The whole world’s media was interested in the story, as the enormity of what had happened sank in. With the immediate family incommunicado, the focus was all on the beautiful 21-year-old blonde model, who, as far as the media were concerned, was effectively Senna’s widow.

When Braga rang the house from Bologna, Adriane told him she wanted to come and see Senna’s body. She told him she felt a desperate need for firm evidence, seen with her own eyes that he was dead.

Braga advised her against it, and thought it unlikely that she would even be admitted. She took his advice, believing she would be able to see him for the last time in São Paulo before the funeral. In Brazil it was traditional for the coffin to be left open, or at least to have a glass top. What she didn’t know was that the indent to Senna’s head and the wound caused by the sharp piece of suspension that had penetrated the helmet were disfiguring. Cosmetic experts were to despair in trying to make his face good enough. The coffin would stay closed.

With the bedlam outside the house, Braga advised his wife Luiza that the best option was to stage a makeshift press conference in the house for the media and then they would go away. Adriane agreed to do it. But during the press conference Adriane was asked some ghoulish questions, especially from Brazilian journalists who had heard about the rift with the da Silva family and were unsure of her status now her boyfriend was dead. One female journalist asked her if she had a return ticket to São Paulo and who would be paying for her ticket. Adriane felt like she was being victimised by a hostile media looking for exclusive stories on the drama of Senna’s death. She was in no state to withstand that.
Not so Miriam Dutra, who worked for TV Globo and had been dispatched urgently to cover the story. Dutra was very sympathetic to Adriane, who was clearly in great distress. Afterwards Adriane asked Dutra if she could have all the footage of the crash that TV Globo had. She wanted to see everything she could about the accident.

Monday came and went for dazed Adriane, and she was sedated to help her sleep that night. The sedatives had little effect, as Adriane was still stunned from events.

Meanwhile Antonio Braga and Galvao Bueno were desperately trying to organise the return of Senna’s body to São Paulo. Naturally the family wanted it returned to Brazil as soon as possible. They thought this would be relatively simple until the Italian authorities told them the autopsy, would not take place until Tuesday. The body would be released that evening.

On Tuesday morning, Miriam Dutra collected the footage of the race on VHS videotape and the following day sent it by messenger to Adriane Galisteu in Sintra. Adriane sat on the sofa and watched it over and over, accompanied by the Braga children, Luiza and Joanna. They were obsessed with finding the reason for his crash.

Adriane also telephoned Angelo Orsi, the Italian photographer who had taken pictures of Senna after the accident. Adriane felt a desperate need for some physical proof he was dead. Orsi got permission from the family to send her some photographs.

The autopsies of Senna and Ratzenberger both took place, as planned, on Tuesday morning. It was straightforward. The causes of death were no more complicated than in any road accident victim.

By lunchtime the bodies had been authorised for removal. Braga and Bueno worked feverishly on the arrangements to get Senna’s body home that day. They had two options: a direct flight with the Italian Air Force, or via Paris with Varig. The Italians were quite happy to fly the coffin straight back to São Paulo.

In the end Senna’s parents would decide.

Back in Sintra, Adriane was feeling a cool wind from the Senna family in São Paulo. On both Monday and Tuesday she had tried to telephone Senna’s parents. She was told by the family’s maid that both were under sedation and could not be disturbed. After a while this annoyed her, and she wondered what she had done, especially as she had shared her grief with Neyde on the Sunday. On Tuesday afternoon she got through to Viviane’s husband Flavio Lalli, who told her it was a very difficult situation at the family house and that he was having difficulty talking to his own wife, who was shattered to the point of speechlessness. Lalli told her it was impossible for anyone to have any sort of conversation with either Milton or Neyde da Silva. They had taken the news worse than anyone else. The parents remained sedated and virtually silent, almost unaware of what was going on around them.



FONTE PESQUISADA


RUBYTHON, Tom. The Life of Senna. 1º Edição Sofback. London: BusinessF1 Books, 2006.



sexta-feira, 15 de junho de 2018

Eu, Adriane Galisteu



Era uma vez uma menina de cabelos loiros que era pobre mas muito bonita. Um dia, trabalhando em meio a um bosque de carros, ela encontrou um príncipe encantado que logo se admirou de sua beleza e quis levá-la para seu castelo. O príncipe era forte, bonito e não temia nenhum perigo. A menina não sabia o que fazer e perguntava-se, a toda hora: por que eu, por que eu? O príncipe, por sua vez, abria-se num sorriso de felicidade e pedia para esquecer aquela dúvida: seja assim como você é, porque é assim que eu a quero. O príncipe levou a menina para uma viagem a um principado estrangeiro onde todos sabiam que, na verdade, o príncipe era ele. Depois, convidou-a para muitas outras viagens em volta do mundo, onde a menina se assustou com os dentes dos tubarões, os dragões de fumaça e os cavaleiros encouraçados que desafiavam o príncipe. A menina foi alvo de variadas bruxarias, por parte de pessoas invejosas que temiam que o príncipe fizesse dela sua princesa. Até que um dia ele saiu e nunca mais voltou. O sonho da menina estilhaçou à sua frente, numa telinha de TV. A cinderela eletrônica, estilhaçada ela também, em seu coração, quis morrer e voltou a ser o que era antes, sem o seu príncipe. Resolveu contar sua triste história. Mas a história da princesa continua mesmo depois da morte do príncipe e mesmo depois de ela ter saído a contar a triste história da morte de seu amor. Assim, a história que você vai ouvir, daqui para frente, é outra história. A menina sozinha, à espera de um novo e por ora improvável príncipe, já que ela não consegue esquecer aquele outro, forte, belo e sem medo do perigo.


Por NIRLANDO BEIRÃO









FONTE PESQUISADA


BEIRÃO, Nirlando. – Eu Adriane Galisteu, 21 anos, solteira... Playboy, São Paulo, dezembro 1994.



segunda-feira, 19 de março de 2018

Família de Ayrton Senna Boicota Adriane Galisteu em Novo Site Sobre o Piloto


A família (Viviane Senna e sua filha Bianca) lançou um site de gifs sobre Ayrton Senna. Gif é uma imagem animada, geralmente um fragmento de algum vídeo. Pois bem, elas colocaram gifs do Ayrton com toda a família e quando foram postar dele com a namorada, optaram por, claro, Xuxa, a queridinha delas (e de toda a família), como sempre acontece em outras “homenagens” que fazem para o Ayrton.  Sempre dando um jeito de meter a Xuxa em tudo, e excluindo Adriane, desde o funeral do piloto. Só porque Xuxa era rica e famosa e Adriane era pobre na época, ela não tem direito de aparecer em nada? Pois nesses anos todos ela nunca apareceu em quase nada devido a condição social que tinha quando namorava o Ayrton e seria sua esposa. Aliás, Xuxa já era passado, tinha 4 anos que haviam rompido quando ele faleceu. Agem como se Adriane não tivesse existido. Repugante! Prepotentes! Arrogantes! Família Nojenta! Ridículo! 

Família Senna da Silva anunciando nas redes sociais do Instituto Ayrton Senna a nova página de gifs



Família postou gif de Ayrton com Xuxa e usou as hashtags:

#love #sports #kiss #sport #f1 #flirting #formula 1 #driver #motorsport #beijo #brazilian #motorsports #racer #xuxa #motor sports #ayrton senna #race car driver #racecar driver #senna #ayrtonsenna #ayrton #motor sport


Não vou divulgar o site deles aqui para não fazer propaganda e compactuar com isso que fazem com Adriane Galisteu. Mas são gifs que se encontram facilmente na internet como esse abaixo de Ayrton e Adriane. Aqui no blog mesmo tem alguns gifs da carreira e vida pessoal. Se eles quisessem, agissem de boa fé, teria como postar gifs de Ayrton com Adriane também, a legítima companheira dele na ocasião de seu falecimento, pois com certeza retiraram todos da internet. Xuxa fez Ayrton sofrer muito, Adriane o fez muito feliz, e mesmo assim essa família prefere favorecer Xuxa em detrimento de Adriane. 


(tem muitos gifs dos dois, Senna e Galisteu, espelhados pela internet, mais do que da Xuxa inclusive, não postaram porque não quiseram.)


domingo, 5 de novembro de 2017

Preconceito Social

Se inspirando e aprendendo o que é preconceito social...

Hugo Bonemer, ator que interpretará Ayrton Senna no teatro

Preparando-se para viver Ayrton Senna em musical, Hugo Bonemer recebeu um presente da família do piloto, de sua irmã Viviane, para ajudá-lo na inspiração para compor o personagem, o livro Ayrton Senna – uma lenda a toda velocidade. Nesta madrugada o ator compartilhou uma imagem desse livro acompanhado da legenda: "Me preparando pro meu Enem... :) Boa sorte pra todos, hoje!!!" (fazendo referencia ao Exame Nacional do Ensino Médio, que acontece neste domingo). Em sua leitura, Hugo, além de tentar a inspiração que precisa, deve ter percebido que o livro não tem fotos e qualquermenção a Adriane Galisteu, a última namorada de Ayrton Senna, e para muitos a mulher mais importante, seu grande amor. Embora tenham lembrado de outras mulheres que passaram pela vida de Ayrton antes de Adriane, como a mulher que teve um casamento relâmpago com Ayrton no começo dos anos 80, Lilian, e duas ex-namoradas Xuxa e a Cristine Ferracciu.

O livro "Ayrton Senna – uma lenda a toda velocidade", lançado pela família Senna nos 15 anos da morte do ídolo nacional, em 2009

Ironicamente, em livro lançado para ajudar crianças pobres, Viviane Senna excluiu a única namorada pobre que Ayrton teve na vida


O ídolo mundial do automobilismo Ayrton Senna viveu um grande amor com Adriane Galisteu, na época uma simples modelo e Grid Girl, mas teve muita resistência de sua família por causa da condição social da namorada

Bem diferente das outras que apareceram no livro, sobretudo a famosa e milionária Xuxa, Adriane foi a única mulher pobre que Ayrton namorou e pretendia inclusive se casar. A família de Ayrton, o pai Milton da Silva e os irmãos Viviane e Leonardo, eram totalmente contra o relacionamento devido exatamente a condição social da modelo. Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna, não queria de jeito algum Adriane como esposa do irmão. Ela rejeitou e humilhou deliberadamente a cunhada, até mesmo publicamente, após a morte de Ayrton, simplesmente por ela ser pobre, e acolheu totalmente (e sem necessidade) a ex-namorada famosa e milionária de Ayrton, a apresentadora Xuxa Meneghel. Colocando Xuxa no lugar da verdadeira viúva de seu irmão, Adriane Galisteu, ao lado de toda a família na cerimônia funebre.


Muito estranho uma mulher que detesta pobre, não quis que pobre entrasse para a família dela, hoje ter uma instituição de caridade para ajudar crianças necessitadas. Digo até incoerente. O motivo são as vantagens que a família tem com esse Instituto, e não tiram nenhum centavo da fortuna que Ayrton deixou para ajudar, os recursos vem de patrocínios de empresas, doações e da exploração da imagem do falecido (já confessaram que apenas 10% do montante arrecado com os produtos vendidos vão realmente para caridade). 




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 


CASTRO, Daniel. Xuxa é acolhida; Adriane fica a pé. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/5/06/caderno_especial/12.html>. Acesso em: 29 de junho 2016.

HUGO BONEMER INSTAGRAM - Me preparando pro meu Enem... :) Boa sorte pra todos, hoje!!!. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/BbGf7gRhlUw>. Acesso em: 05 de novembro 2017. 


RUBYTHON, Tom. The Life of Senna. 1º Edição Sofback. London: BusinessF1 Books, 2006.

RUBYTHON, Tom. Fatal Weekend. 1º Edição. Great Britain: The Myrtle Press, 12 de novembro de 2015.

domingo, 29 de outubro de 2017

Adriane Galisteu Comenta Veto de Seu Nome em Musical Sobre Ayrton Senna

Por Daniela Pessoa
vejario.abril.com.br - 28 out 2017, 18h00



Nem mesmo assuntos espinhosos, como o veto da família de Ayrton Senna à citação de seu nome em um musical sobre o piloto, com estreia prevista para novembro, afeta seu bom humor. “Foi uma história linda que vivi com ele, e isso ninguém vai apagar, por mais que tente.”

FONTE PESQUISADA

PESSOA, Daniela. Adriane Galisteu comenta veto de seu nome em musical sobre Senna. Disponível em: <https://vejario.abril.com.br/blog/beira-mar/adriane-galisteu-comenta-veto-de-seu-nome-em-peca-sobre-senna/>. Acesso em: 29 de outubro 2017.


Adriane está certa em responder. Diz que família vetou namoradas em musical por causa dela e ainda por cima ela foi a última, e uma mulher muito importante na vida do Ayrton, tinha que ter ela no musical sim.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

NÃO GOSTO DA F1 - DIZ EM ENTREVISTA EXCLUSIVA BETISE ASSUMPÇÃO

ESTA MATÉRIA TEVE UM UPDATE NO DIA 20/09.2017 ÀS 9h15m.

por Ialdo Belo
terça-feira, 19 de setembro de 2017
formulai.us

Maria Beatris Assumpção Head, ou simplesmente Betise Assumpção, como é conhecida no mundo esportivo internacional, é uma mulher que se destaca pela franqueza e pelo espírito de liderança. Bonita de corpo e de alma, Betise possui um lindo sorriso contagiante, mas, não se engane, na hora do "vamos ver" essa mulher resoluta traz à tona toda a sua força. Não poderia ser diferente, afinal ela foi a ungida da família Senna da Silva para domar o temperamento arredio do seu membro mais famoso no trato sempre difícil com a imprensa.
O que a própria Betise, nem ninguém, poderia imaginar é que, devido à circunstâncias trágicas, ela seria testada até o seu extremo limite, tendo que enfrentar o impensável, como veremos a seguir.

Ialdo Belo: Você conheceu Ayrton através de um amigo da sua irmã, foi isso?

Betise Assumpção: Não, na realidade eu já havia entrevistado ele algumas vezes quando ele ainda corria de F-Ford inglesa e vinha se destacando. Eu era "foca" (repórter iniciante) na seção de esportes do Estadão e eles passavam essas matérias consideradas Esporte Amador pra gente. Depois eu estava trabalhando na Placar e o Ayrton foi indicado para o prêmio de "Desportista do Ano", foi a primeira vez que um atleta que não era de futebol foi indicado e ele venceu, então, me encarregaram de fazer a matéria. Fui lá, entrevistei, conheci a família, etc...
Um dia eu estava em Londres, na casa da minha irmã e o Paulo, um amigo em comum dele e dela, ligou e perguntou se o Ayrton poderia estacionar o carro na vaga da casa dela para ir ao torneio de tênis Wimbledon. Quando Ayrton chegou lá e me viu, perguntou o que eu estava fazendo ali. Expliquei que tinha deixado o Brasil e estava tentando conseguir trabalho na Inglaterra. Ele me convidou para jantar no dia seguinte.

Ialdo Belo: Foi um "date" (encontro)?

Betise Assumpção: Nãoooo... Era um jantar de comemoração com a Honda, estavam juntos o Paulo e mais um seis japoneses. Ayrton não me contou nada, depois soube que ele estava levando a Honda para McLaren com ele.

Ialdo Belo: E o convite para trabalharem juntos?

Betise Assumpção: Veio mais ou menos um ano e meio depois. O pai dele me ligou e aceitei.

Ialdo Belo: A família dele se fazia muito presente, né?

Betise Assumpção: Sim, eles não confiavam em ninguém.

Ialdo Belo: Outro dia li uma matéria numa publicação inglesa que dizia que Senna tinha vindo de uma família milionária. Achei estranho...

Betise Assumpção: Eles eram de classe média, da Zona Norte de São Paulo, mais conservadores.
Acho que o pai dele tinha uma indústria de autopeças.

Ialdo Belo: Não sei... E como foi no início do trabalho?

Betise Assumpção: Uma loucura! Na época, nenhum piloto tinha um assessor de imprensa. Comecei acompanhando Ayrton nos finais de semana de corridas, chegava na quinta-feira e ficava até segunda-feira.
Era uma bagunça, não existia essa organização de hoje. Os repórteres apareciam e iam perguntando o que queriam, depois publicavam o que não tinha sido dito... Os da TV se achavam mais importantes do que os outros, tinha empurra-empurra e até briga. Cheguei e fui logo botando ordem na casa! "Você é da TV? Ótimo, seu lugar é ali. Mídia impressa? Por aqui." Então estabelecia coisas como "cada um tem direiro a duas perguntas, em inglês ou português." e gravava tudo, sempre. Se publicasse o que não foi dito, nunca mais teria uma entrevista com o Ayrton. A gente saía do autódromo lá pelas cinco e meia da tarde e se não dava para atender todo mundo eu anotava o nome e depois retornava. O Ayrton não gostava, mas eu dizia pra ele que era importante, que havia prometido.

Sempre gravando as entrevistas de Senna

IB: Na verdade você implantou a sistemática que a F1 adotou e utiliza até hoje... E como era ele no dia-a-dia?

BA: Muito ativo, sempre.

IB: Quais eram os verdadeiros amigos dele?

BA: Braguinha, Galvão e o Marquinhos do Banco Nacional, mas Braguinha era o único pra quem ele contava tudo.

IB: Conta uma história engraçada.

BA: Uma vez ele estava com a Adriane Galisteu no McDonald´s e o confundiram com Alain Prost (risos).

IB: E uma marcante?

BA: Quando o Piquet sofreu aquele acidente na Indy, os pilotos da F1 pegaram um pôster e foram escrevendo mensagens, um por um. Aí vieram me pedir para levar pro Ayrton escrever também. Eu peguei e falei: "Ok! Esperem que tem que ser na hora certa." Fiquei aguardando o momento propício e fui lá falar com ele, que olhou e fez questão de ler cada mensagem. Tinha uma de um piloto italiano, o Nicola Larini. Nela estava escrito: "Nelson, não se preocupe que a perna mais importante é a do meio." Ayrton deu uma risada e disse: "Essa aqui é a que ele vai gostar mais." Daí pegou a caneta e escreveu a mensagem dele. Senti que foi de coração. Eles eram inimigos, ele poderia ter tido "não vou escrever m#$% nenhuma!" Mas, realmente ele quis escrever.

IB: Eu estava no Brasil quando Senna morreu e a Globo achou o Piquet lá em Santa Catarina e foi entrevistá-lo. Não sei se você teve a oportunidade de ver isso depois, Betise, mas eu nunca tinha visto o Nelson tão abalado...

BA: Acho que vi o tape depois...

 
Com Rubinho e Senna

IB: O que você tem a dizer sobre o acidente?

BA: Tudo o que eu tinha pra dizer está lá no meu blog. Vai lá e lê.

IB: Eu li seu blog, mas existem diversas versões na imprensa atribuídas a você. Essa história de confundir "head" com "dead"...

BA: O Bernie foi muito seco. Ele chamou o Leonardo (irmão de Ayrton) no motorhome e não queria me deixar entrar. Então eu disse: "Mas ele não fala inglês." e ele teve que permitir meu acesso. Simplesmente olhou pra mim e falou: "Senna está morto, mas não vamos anunciar até o final da corrida." Só, mais nada! Então eu me virei pro Leonardo e traduzi, pedindo para que ele avisasse a família. Ele entrou em desespero, chorava muito. Pegou o telefone e ligou para o Brasil. Depois entrou na sala o assessor de imprensa da FIA Martin Whitaker falando que ele tinha dito à imprensa que Ayrton estava vivo, que tinha sofrido lesões na cabeça e aí eu me revoltei porque o Leonardo já tinha avisado aos pais que ele estava morto e o Martin continuava afirmando que não, que ele estava vivo. Daí o Leonardo ligou de novo para o Brasil contando a nova versão.

IB: Se você sabia que era mentira, por que não foi lá e contou pra imprensa brasileira?

BA: Porque não era meu papel. Eu era assessora do Ayrton. Imagina minha situação, eu tendo que tirar a esperança que tinha sido dada a família? Pra ser sincera, eu mesma comecei a acreditar naquilo.

IB: Que situação terrível...

BA: Pura canalhice!

IB: E vocês foram para o hospital.

BA: Sim e chegando lá eu encontrei o Sid Watkins e exigi a verdade. Ele então disse que Ayrton realmente havia morrido na pista, que pela gravidade dos ferimentos não seria possível não ter morte cerebral, e eu com a família dele ao telefone lá do Brasil me indagando, aí me virei pra ele e falei: "Você explica aqui a situação." E passei o telefone pra ele.

IB: No Brasil, um monte de gente vive dizendo que viu Senna morto. Quem realmente teve acesso ao corpo?

BA: Somente Berger e um padre que chamaram. Aí eu estou lá e veio um brasileiro que trabalhava em rádio, não lembro quem foi, me avisar: "Betise, o padre tá lá dando entrevista pra TV dizendo que a cabeça do Senna tá do tamanho de uma melancia!" E lá fui eu correndo pra ver o que estava acontecendo. O filho da mãe do padre dando detalhes, um horror!

IB: E você tomou controle da situação com respeito ao traslado do corpo, essas coisas?

BA: A parte burocrática ficou com o Celso Melo. Dona Neide não queria que o traslado fosse feito na área de carga do avião. Vieram juntos, na Executiva improvisada para transportar o caixão, o Galvão, Reginaldo, eu e mais umas poucas pessoas. Os outros jornalistas estavam na Turística.

IB: Aí houve o funeral no Brasil e teve uma hora em que você teve que tomar a frente da história tipo quem ia carregar o caixão, a Adriane Galisteu...

BA: Tá tudo lá no blog...

IB: E você ficou no Brasil?

BA: Fiquei até agosto. Aí voltei para a Europa e fui pedir uma credencial para assistir ao GP em Spa. O Bernie se recusou. Quem conseguiu pra mim foi o Jayme (Brito, responsável pelas transmissões da F1 pela Rede Globo), ele me credenciou como se fosse uma produtora da TV. Fui assistir nos boxes da Williams.

IB: E daí reencontrou Sir Patrick Head...

Sir Patrick, o filho Luke e Betise


BA: Sim e depois de uns meses começamos a namorar. Ele já tinha me chamado para sair algumas vezes e eu havia recusado, mas aí de repente veio a química e ficou complicado.

IB: Por quê?

BA: Porque eu havia mudado para Paris no início de 1994. Queria uma mudança na minha vida. O Patrick morava em Londres e depois de um tempo eu disse pra ele que teríamos que tomar uma decisão e foi aí que nós casamos e voltei para a Inglaterra. Ficamos juntos por treze anos, tivemos um casal de filhos e hoje estamos divorciados.

IB: Os brasileiros são muito passionais, sabia que tem pessoas com raiva de você por ter se casado com Sir Patrick, condenado por homicídio involuntário pela justiça italiana no caso da morte do Senna, tipo "ela está dormindo com o inimigo?

BA: A minha relação com o Ayrton era puramente profissional. com Patrick é pessoal. Ainda existe, pois sou mãe de dois filhos dele.
O que aconteceu foi um acidente, ninguém queria matar o Ayrton. Ele correu porque quis. O Sid Watkins falou pra ele no sábado: "O Ratzenberger morreu na pista, esta corrida não deveria acontecer. Não corra. Vá pra casa, vá pescar. Largue a F1, você não precisa disso."
Ele quis correr assim mesmo. Aconteceu, foi uma fatalidade.

IB: O Emerson me disse que nunca pensou que o Senna pudesse morrer numa corrida e eu também pensava a mesma coisa.

BA: Eu também.

IB: E seus filhos, gostam da F1?

Os filhos, em foto de sete anos atrás

BA: Detestam! O Luke ainda tentou assistir umas duas vezes, mas não passou da largada. Acha tudo muito chato. O negócio dele é participar de campeonatos de jogos no computador. Está treinando para em dezembro participar de um com premiação de um milhão! Já minha filha é roqueira, guitarrista de uma banda. Adora tocar uma música chamada "Brazil", do Declan McKenna.

Betise e o filho Luke, The Video Gamer

IB: E como é a sua vida hoje, ainda ligada de alguma forma a F1?

 
Tempos felizes na F1 com as então esposas de Montoya, Brito e Berger

BA: De jeito nenhum! Nunca gostei da F1 antes de trabalhar com o Ayrton, achava chata! Passei a gostar enquanto trabalhava com ele e depois quando acompanhava meu então marido. Hoje está mais difícil para um brasileiro vencer, então, nem assisto mais. Não fui à nenhuma corrida depois que me separei do Patrick.

Tenho uma empresa especializada em marketing de imagem corporativa, não mais só assessoria de imprensa. Realizamos trabalhos para as Olimpíadas de Londres e do Rio e para a Copa do Mundo no Brasil, mas não somos restritos só ao esporte, temos clientes de outros segmentos.

A honra de carregar a tocha olímpica

Vou dar um exemplo do nosso trabalho: imagine uma empresa de moda acertar com a Kim Kardashian para ela usar um determinado colar. Isto vai ter um custo X. Mas temos na nossa equipe pessoas que ficam só monitorando as redes sociais e aí elas descobrem que se acertarmos com dez seguidores da Kim, formadores de opinião e com alta credibilidade, teremos um alcance e uma resposta muito maiores pagando muito menos, entendeu?

IB: Claro, também sou publicitário e este é o marketing do século XXI.
Vou publicar seus contatos aqui porque nada me faria mais feliz do que ver você fechar um contrato graças ao Formula i.

BA: Eu também!

Ambos caem na gargalhada.

Twitter @betisehead
Instagram @betisehead

Blog www.betisesportsworld.net


No conforto do lar em Londres


TODAS AS FOTOS SÃO DO ARQUIVO PESSOAL DE M. BEATRIS ASSUMPÇÃO HEAD



FONTE PESQUISADA

BELO, Ialdo. Não gosto da F1 - diz em entrevista exclusiva Betise Assumpção. Disponível em: <http://www.formulai.us/2017/09/odeio-formula-1-desabafa-em-entrevista.html?spref=fb>. Acesso em: 20 de setembro 2017.