Piloto português recorda a proximidade com o seu ídolo
de sempre
01/05/2013 em Fórmula 1
Site Auto Portal
Pedro Lamy e Ayrton Senna
Foto: Sutton Images
Pedro Lamy assinou contrato
com a Lotus já na reta final da temporada de 1993. Fez as últimas quatro
corridas em substituição de Alessandro Zanardi. Por trás, a mexer os
cordelinhos para que tudo corresse bem, estava...Ayrton Senna.
Começava ali um relacionamento
que o português só lamenta que tenha durado pouco tempo. Para fora passava a
ideia de que os dois eram bons amigos. Em conversa com o Autoportal, Pedro
Lamy confirma-o.
“É verdade que éramos amigos
no paddok. Tive uma certa proximidade com o Ayrton, dentro do possível claro,
pois éramos de equipas diferentes. Aliás, ele ajudou-me a conseguir o meu
contrato com a Lotus, no início. Como ele morava em Portugal e também através
do Domingos Piedade, que era o grande amigo dele, fomo-nos aproximando. O facto
de eu ser português ajudou, também”, começa por contar.
Para Lamy era um privilégio
e, ao mesmo tempo, uma sensação estranha. “Eu tinha 21 anos e era bastante
estranho de repente estar a falar com o maior piloto de todos os tempos. Era o
meu ídolo, sempre foi. Era a minha principal referência no desporto”,
assume.
O problema, como se disse,
foi o pouco tempo que tudo durou. Depois das quatro corridas de 1993, Lamy só
esteve com Senna em mais três no ano seguinte. A terceira corrida da temporada
de 1994, no circuito de Ímola, em San Marino, ficaria para a história da
Fórmula 1 e do desporto em geral.
“Ele só dizia: dá graças a Deus por estares bem”
Antes do grande choque, dois
avisos. Rubens Barrichello, num aparatoso acidente durante os treinos de
sexta-feira, dá o mote para o fim-de-semana mais negro da história da Fórmula
1. No sábado um passo bem mais grave, com a morte
de Roland Ratzenberger durante a qualificação.
Lamy viveu tudo aquilo ao
lado de Ayrton Senna. No sábado, depois de confirmada a morte de Ratzenberger,
foi com o brasileiro visitar Barrichello ao hospital. Foi a última vez que
estiveram juntos.
“Fomos juntos ver o Rubinho.
O Ayrton estava diferente, estava emocionado com tudo o que tinha acontecido.
Houve o acidente grave do Rubinho, a morte do Ratzenberger. Estava mesmo
emocionado. Só dizia: dá graças a Deus por estares bem”, conta.
E tudo ainda estava a meio.
No domingo, logo no arranque, o próprio Pedro Lamy não se apercebe que J.J.
Letho tinha o carro parado na pista e bate. Destroços ferem espectadores.
“Naquele fim-de-semana aconteceu tudo”, limita-se a dizer o português sobre o
caso.
Depois, na sétima curva, com
Ayrton Senna na frente da corrida, dá-se o acidente fatal na curva Tamburello.
“Aqueles dias foram um abanão
na Fórmula 1 e no desporto em geral. De repente parecia que estava tudo a
acontecer. Foi uma altura difícil em que teve de haver algum travão nas
velocidades altas e uma mudança nas condições de segurança. Hoje já não tem
nada a ver. Há uma fase antes e depois de Ayrton Senna na Fórmula 1” , considera.
“Aquela corrida nunca deveria ter acontecido”
O próprio filme “Senna”, que
retrata a vida do piloto apenas com imagens reais, mostra que Senna estava
diferente naquele fim-de-semana. Como se soubesse que algo de grave iria
acontecer. As imagens suas antes da corrida, com olhar perdido no horizonte,
dentro do carro da Williams, marcaram e ficaram para sempre.
Lamy, hoje, não tem dúvidas:
“Aquela corrida nunca deveria ter acontecido. Mas isto é vendo agora, com o que
sei hoje. Na altura não pensava assim, ia encarar a corrida normalmente.”
“Foram tempos muito confusos.
A corrida seguinte foi no Mónaco e houve logo um acidente grave que deixou o
Karl Wendlinger em coma. Parecia que aquilo nunca mais parava! Eu próprio
também tive um acidente pouco depois que me deixou de fora por algum tempo. Foi
uma época um pouco difícil”, recorda.
A Fórmula 1, de facto, mudou.
Acabaram as mortes e a segurança aumentou e muito. No fundo, era o que Senna
sempre quis. Era para isso que lutava.
Lamy lembra uma pessoa “muito
determinada e profissional”. “Era muito objetivo, sobretudo quando falávamos de
competição. Dava-me conselhos, falava do meu estilo a pilotar, o que poderia
fazer. Acho que a ideia geral que as pessoas têm dele é a correta e isso
alegra-me. Como piloto era o fora de série que todos conheceram”, descreve.
E remata com uma ideia que é
sintomática: “Todos os pilotos são únicos. Mas o Ayrton tinha uma maneira de
ser e de estar no desporto que é impossível imitar. Dele não há cópias, isso é
certo.”
Foto: forum.autohoje.com
FONTE PESQUISADA
Senna, 19 anos depois: a última conversa
com o amigo Lamy. Disponível em: <http://www.autoportal.iol.pt/desporto/f1-desporto/senna-19-anos-depois-a-ultima-conversa-com-o-amigo-lamy>.
Acesso em: 01 de maio 2013.
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