quarta-feira, 1 de maio de 2013

“BELO E SERENO”

quarta-feira, 1 de maio de 2013 - 13:55
Por Flávio Gomes

Grande Prêmio

SÃO PAULO (como todos) – Em maio de 2004, no décimo aniversário da morte de Ayrton Senna (hoje faz 19; o tempo passa, o tempo voa e nem poupança do Bamerindus tenho mais…), fui atrás da médica Maria Teresa Fiandri. Foi ela quem recebeu o piloto no Hospital Maggiore de Bolonha. Queria conversar com ela sobre o acidente, sobre aquele domingo, sobre os dias seguintes à tragédia.



Era uma dívida que tinha comigo mesmo. Na semana do acidente, foi a única pessoa que quis muito entrevistar e não consegui. Entre outras coisas porque me demiti do jornal. E, de certa forma, ela foi a grande responsável por umas das matérias mais importantes que fiz, minha última na “Folha”. Porque a forma que imaginei para chegar a ela passava por encontrar uma antiga namorada que eu sabia que tinha voltado à Itália, 13 anos antes, para estudar medicina em Bolonha. Encontrei essa ex-namorada procurando a doutora Fiandri. Cristina, o nome dela, tinha se formado em Bolonha e trabalhava como médica legal. Fez parte da equipe que realizou a autópsia em Senna. E me contou muita coisa sobre a morte, o estado do piloto, detalhes que só mesmo quem chegou muito perto teria condições de relatar.
Foi uma boa entrevista, essa com a doutora Fiandri dez anos depois. Mas, curiosamente, meu gravador não funcionou. Tenho problemas com gravadores quando se trata do Senna. Ainda em 1994, eu e o Nilson Cesar, então meu colega de Jovem Pan, fomos à quinta perto do Estoril onde estava vivendo Adriane Galisteu. A casa pertencia ao Braguinha, empresário conhecido, ex-presidente do Bradesco, muito amigo de Senna e tal. Adriane ficou lá por meses depois da morte do namorado.
Era a primeira vez que a namorada de Ayrton falava após o acidente e fizemos ao vivo, por telefone, durante o programa “São Paulo Agora”, da Pan. Era semana do GP de Portugal. Ficou ótima e está gravada nos arquivos da rádio, possivelmente. Mas eu também gravei. Coloquei o gravador ali do lado, play e REC e vamos embora. Quando terminamos, entramos no carro e eu disse ao Nilson: vamos escutar pra ver se ficou legal. Coloquei no toca-fitas, estava tudo OK, boa tarde ouvintes, estamos aqui em tal lugar e tal, começo, primeira pergunta, segunda e, de repente, silêncio total. Por alguma razão, o bendito gravador parou de gravar. Nunca vou entender essa porra. Fiz todos os testes e estava funcionando direitinho. Mas não gravou a Adriane na quinta de Portugal. Só o começo.
Com a doutora Fiandri foi parecido. O Fábio Seixas estava comigo e deve lembrar de mais detalhes. Ou o gravador não funcionou, ou eu apertei o botão errado, ou esqueci de levar um gravador. Só sei que não gravei. Por sorte, anotei as respostas num bloquinho. E, também curiosamente, elas estavam muito bem gravadas na minha cabeça, de forma clara e cristalina, quando sentei para escrever o texto.
Enfim, essa entrevista foi publicada quando este blog ainda não existia e acho que não coloquei aqui antes. Então coloco agora.
O prédio é idêntico aos milhares que perpassam a paisagem das cidades do norte da Itália: baixo, quatro andares, pintado de bege, numa rua tranquila e arborizada da periferia de Bolonha. Via dei Lamponi, número 1. Ali, no segundo andar, vive a pessoa que avisou ao mundo, há dez anos, que Ayrton Senna não mais vivia. Foi por suas mãos que ele passou ao chegar ao Hospital Maggiore, 32 minutos depois de bater no muro da curva Tamburello, em Imola, a 35 km dali. Foi de sua boca que saiu, após uma agonia de quatro horas, a notícia que abalou as estruturas da Fórmula 1, chocou o mundo e deixou um país dobrado sobre sua própria dor.
A médica Maria Teresa Fiandri parou de trabalhar no Maggiore em 2001, depois de 36 anos de serviços. Naquele 1º de maio, era a chefe do setor de Anestesia e Reanimação. Como sempre, desde que o circuito passou a receber a F-1, em 1980, fazia parte das equipes de emergência que poderiam ser chamadas a qualquer momento para atendimento em casos de acidente.
Naquele 1º de maio, não precisou esperar o bip convocá-la. Quando Senna bateu, ela se levantou, vestiu o jaleco branco e já estava pronta para sair de casa rumo ao hospital quando o piloto mexeu a cabeça pela última vez.
Fiandri estacionava seu carro no pátio reservado aos médicos do Maggiore quando viu o helicóptero cor-de-laranja se aproximar. Trazia Senna e uma equipe de reanimação que tentava mantê-lo vivo. No helicóptero mesmo ele já havia recebido uma transfusão de 4,5 litros de sangue.
Ayrton tinha batido na abertura da sétima volta do GP de San Marino, a segunda sem o safety-car na pista. Seu carro, na entrada da Tamburello, guinou para a direita. Ele freou e reduziu marchas, de acordo com a telemetria. O impacto frontal, às 14h12 locais, aconteceu a 216 km/h. A barra da suspensão dianteira direita voltou-se contra o capacete, penetrou a viseira e atingiu sua cabeça pouco acima do olho direito. Ele morreu na hora. “Da pista, o doutor Gordini já tinha me avisado que havia pouco a fazer”, conta Maria Teresa.
Mas, como todo médico, Maria Teresa Fiandri fez o possível, mesmo sabendo que o quadro era irreversível. “Do ponto de vista cerebral, já não havia mais atividade imediatamente após a batida. Ele chegou ao hospital com o pulso fraquíssimo, quase sem pressão. Mas, depois, voltou ao normal. Só que não havia mais atividade cerebral, era apenas uma questão de tempo para que ele fosse legalmente considerado morto.”
Maria Teresa Fiandri, cinco filhos, três netos, todos homens, lembra de tudo, em detalhes. Ela diz ter consciência de que participou de um episódio histórico, mas não revela, no tom de voz suave e tranquilo, nenhum tipo de emoção especial, não diferente da que provavelmente teria se relatasse outros casos de pacientes que passaram por suas mãos.
E guarda, de Senna, uma imagem bem diferente daquela transmitida pelos que viram seu rosto, horas depois do acidente: “Ele chegou a mim pálido, mas belo e sereno”.
Pergunta – Doutora, em que condições Ayrton chegou aos seus cuidados, logo depois de descer do helicóptero?
Fiandri – Ele já havia recebido os primeiros socorros na pista e no helicóptero. Estava pálido, mas belo, sereno… Um jovem bonito, com os cabelos revoltos, os olhos fechados. É a imagem que guardo. Tinha um corte na testa, três ou quatro centímetros. Mais nada. Era a única ferida. Chegou ainda de macacão. Mas quando o viramos, vi que tinha muito sangue. E eu me perguntava: “mas de onde vem tanto sangue?” Saía de trás, da base do crânio. Lembro do macacão, quando lavamos, para devolver à família, tinha tanto sangue… E eu disse à Monica, uma assistente de enfermagem: “Não podemos entregar isso a eles assim”. Mas era colocar na água e a água ficar vermelha.
Pergunta – Ficou gravada na memória de todos aquele sangue na pista…
Fiandri – Foi da traqueostomia. O sangue era dele.
Pergunta – Onde a senhora estava no momento do acidente?
Fiandri – Em casa, assistindo à corrida pela TV. Quando vi a batida, e a cabeça dele caindo para o lado, já me vesti, antes mesmo de me chamarem. Nem esperei pelo bip. Sabia que seria necessária minha presença no hospital. Eu estava chegando com meu carro quando o helicóptero estava descendo.
Pergunta – Pela TV, deu para ter idéia da gravidade?
Fiandri – Pelo movimento da cabeça, eu concluí na hora que era algo muito grave. Ali ele já entrava em coma, mas o coma é um fenômeno muito estranho. Por isso foi só quando vimos o resultado da tomografia que tive certeza de que não havia nada a fazer, embora o doutor Gordini [Giovanni Gordini, que o atendeu na pista] já tivesse me avisado que não tinha volta. Aí fizemos um eletroencefalograma. Já não havia mais atividade elétrica. Quando ele chegou, o pulso estava fraquíssimo e quase sem pressão. Mas antes do eletro, tinha voltado tudo ao normal. Por isso, até ver a tomografia, quem sabe… Mas quando vimos, todos nós… Bem, aqui não há nada a fazer.
Pergunta – Já no hospital, como a notícia foi dada àqueles que estavam no 12º andar?
Fiandri – Eu me lembro de seu irmão, não sei se ele tinha noção da gravidade da situação. Eu o levei para ver os resultados dos exames. Expliquei que já não havia mais atividade elétrica. Mas quem assumiu o controle de tudo foi uma moça, que parecia tomar as decisões naquele momento [ela se refere a Betise Assumpção, então assessora de imprensa de Senna, hoje casada com Patrick Head, um dos sócios da Williams].
Pergunta – A senhora tinha a percepção de que participava, de certa forma, de um momento histórico?
Fiandri – Tinha. Mas mesmo assim, nessas horas você deixa isso de lado e segue os protocolos precisos de atendimento. A, B, C, D, todos os procedimentos. Isso ajuda a vencer a emoção. Alguns anos antes, houve um acidente de trem em Bolonha, e as primeiras vítimas que chegaram ao hospital eram crianças de 3, 4, 5 anos. Aí a disciplina é importante, senão você não faz nada. Eu fui para um canto e chorei por 30 segundos. “Agora chega”, disse. “Ao trabalho”. Com Senna, não chorei. Segurei a emoção. É uma forma de disciplina. Estávamos todos emocionados, mas isso não condicionou nosso trabalho.
Pergunta – Houve alguma chance de sobrevivência?
Fiandri – Não. Quando vimos o resultado do eletro… Bem, pela lei ele não estava morto, era preciso esperar o coração parar de bater. Mas não, não havia nenhuma esperança. Foi imediata a profundidade do coma na batida.
Pergunta – A senhora se lembra se dormiu naquela noite?
Fiandri – Em dias como aquele não se dorme sem umas 20 gotas de Valium… Era um jovem, um piloto, ele em particular, um pouco herói, carismático… Eu recebi muitas cartas do Brasil, de gente me perguntando se ele tinha recuperado a consciência… As pessoas tinham necessidade de saber algo.
Pergunta – A senhora é religiosa?
Fiandri – Não praticante. Mas penso em Deus, e isso ajuda. Depois vim a saber que ele era assim. Sabe, me parece que ele sempre achou que iria morrer jovem. “Morre jovem quem ao céu é caro”, dizem os mais antigos. Talvez se envelhecesse, não teria havido essa comoção. Ele deixou uma história que não deixaria se envelhecesse. É só uma opinião, mas eu acho que se ele pudesse escolher entre morrer jovem e envelhecer… Acho que pagaria esse preço.


FONTE PESQUISADA


GOMES, Flávio. “BELO E SERENO”. Disponível em: <http://flaviogomes.warmup.com.br/2013/05/belo-e-sereno/>. Acesso em: 01 de maio 2013.

Relatos Sobre o Acidente de Ayrton Senna

A morte de Senna salvou muitas vidas

Foto: Divulgação




Estadão
Por Lívio Orichio
01/V/13
São Paulo

Lauda, campeão do mundo em 1975, 1977 e 1984, assessor do presidente da Ferrari e seu amigo, Luca di Montezemolo, já havia conversado com Ayrton sobre a necessidade de recriar a associação dos pilotos (GPDA) a fim de cobrar maior segurança na Fórmula 1. Naquele instante, pouco depois das 13 horas do dia 1.º de maio, todos se preparavam para a largada da corrida, a terceira da temporada, profundamente chocados.
No dia anterior o austríaco Roland Ratzenberger falecera em decorrência do violento choque de seu Simtek no muro da curva Villeneuve. E sexta-feira Rubens Barrichello, da Jordan, havia sofrido terrível acidente também, na Variante Baixa, mas sobrevivera apenas com fratura no nariz e leves lesões generalizadas.
Ayrton ouviu Lauda e, sério, lhe lembrou que na reunião programada para quarta-feira os dois iriam discutir a questão. Desde a etapa anterior, em Aida, no Japão, Ayrton nos dizia que aqueles carros estavam "incrivelmente nervosos". A FIA proibiu quase todos os recursos eletrônicos em 1994 e não reduziu a potência dos motores.
Recursos como a suspensão ativa, responsável por garantir grande geração de pressão aerodinâmica, e o controle de tração, importante para manter a dirigibilidade do carro nas saídas de curva, não mais podiam ser utilizados. "Está claro para todo mundo que esses carros são difíceis de pilotar e é muito fácil o piloto perder seu controle", comentou Lauda com os jornalistas. Eu estava dentre eles.
Ayrton trazia o mesmo semblante do primeiro dia no autódromo Enzo e Dino Ferrari, quinta-feira: tenso. Nós os esperávamos, no início da tarde, para entrevistá-lo e, quando chegou, seu estado de espírito era evidente. Estava finalmente na equipe Williams, "a de outro planeta", como a definia, time oficial da Renault, com seu motor V-10, e depois de duas provas não somara nenhum ponto.
Já Michael Schumacher, da Benetton, escuderia oficial da Ford com seu motor V-8 apenas, vencera as duas etapas anteriores, no Brasil e em Aida. Para complicar seu quadro emocional, o amigo Rubinho dera um susto em todos, na primeira classificação, sexta-feira - eu estava no Hospital Maggiore de Bolonha quando Ayrton foi visitá-lo à noite - e no sábado Ratzemberger morreu.
ELE NÃO DEVERIA ESTAR ALIAnos mais tarde, o médico da Fórmula 1, e amigo de Ayrton, o notável doutor Sid Watkins nos contou que o orientou a não disputar o GP de San Marino. "No sábado à noite conversamos, ele me expôs suas aflições e fiquei impressionado. Um ser humano não poderia competir numa atividade com a Fórmula 1 naquele estado emocional. Disse a Ayrton para não correr."
Ayrton lhe respondeu não ser possível. O que diria a Frank Williams e aos representantes das empresas que investiam na escuderia, por exemplo? Já no sábado, depois do anúncio da morte de Ratzemberger, Ayrton não regressou à pista. Mas seu tempo lhe garantiu a pole position. O neurocirurgião inglês Sid Watkins faleceu em setembro do ano passado, aos 84 anos.
Na realidade, Ayrton reagia de maneira distinta do comum desde a quinta-feira, quando pediu para sentarmos com ele no motorhome da Williams, enquanto almoçava, já depois das 15 horas. Acabara de chegar de uma cidade próxima, onde estivera para o lançamento de um bicicleta com o seu nome. Tinha os cabelos longos, olhar distante, como se algo, ou um conjunto de coisas dominasse seus pensamentos.
Havia a pressão do campeonato, em que todos esperavam muito dele, mas até então não somara pontos, e as incerterzas de um enorme investimento realizado dias antes, ao se tornar representante da marca Audi no Brasil. Mais para a frente no fim de semana teve de conviver com novas tragédias na Fórmula 1.
Esse era o quadro assustador de Ayrton antes da largada daquele GP de San Marino. Lembro-me de vê-lo passar do meu lado, sábado, ao deixar o centro médico do autódromo, quando foi se informar sobre Ratzemberger. Ayrton claramente havia chorado muito lá dentro. Quem chorou mais, no entanto, foram milhões e milhões de fãs de Ayrton, no mundo todo, no dia seguinte, quando a doutora Maria Tereza Fiandri anunciou às 19h05, hora local, 14h05 de Brasília, no Hospital Maggiore de Bolonha, para nós, jornalistas: "Senhores, por favor. Desde as 18h40 Senna não registra mais atividade cardíaca. Ele está morto".
Caso você tenha interesse, disponibilizo a seguir o nono capítulo que redigi no seriado sobre a perda de Ayrton Senna. Foi há bons anos. É um texto direto, sem grandes preocupações formais, mas relata em detalhes o que experimentei logo depois do choque da Williams no muro da curva Tamburello. Boa leitura!
Capítulo 9: A doutora Fiandre anuncia no Hospital Maggiore de Bolonha: "Senna está morto"Faz tempo, reconheço, mas estamos de volta. E acho que valeu a pena esperar. Para quem quer saber mais detalhes daquele triste 1.° de maio de 1994, o capítulo de hoje, acredito, irá impressionar. Nós viajaremos desde a minha saída do autódromo Enzo e Dino Ferrari, no início da tarde, depois do acidente, até o momento do anúncio da morte de Ayrton Senna, no Hospital Maggiore de Bolonha, para onde ele foi transportado de helicóptero depois do impacto na curva Tamburello.
A não ser o nome dos médicos com quem conversei naquele dia, resgatados em meus arquivos, o que você lerá a seguir vem puramente do que ficou registrado em minha memória e até hoje não contato para ninguém, ao menos no nível de aprofundamento que iremos abordar. Repito: são descrições chocantes, que só interessam aos que, de fato, buscam conhecer os detalhes de tudo o que cercou a morte do maior ídolo esportivo da história do nosso país.
Enquanto me dirigia pela terceira vez de Ímola para o Hospital Maggiore no fim de semana, várias vezes recordo-me de ter recorrido a Deus, solicitando-lhe que preservasse a vida de Senna. No princípio eu imaginava que o impacto não fora fatal, mas depois de ouvir de Angelo Orsi,o fotógrafo amigo de Senna, uma descrição mais precisa do que se passara durante o atendimento médico ainda na pista, tinha consciência de que o quadro era grave. Só não imaginava que se tratava de uma situação irreversível.
O PAÍS PAROU DIANTE DA TEVÊ No Brasil, era domingo de manhã, e não me lembro de ter ligado para os jornais que trabalhava e onde estou até hoje, Estadão, Jornal da Tarde e Agência Estado, para informar-lhes de que havia deixado o autódromo. Para mim a Fórmula 1 não interessava mais. Tudo o que eu precisava saber, como cidadão e jornalista, era se Senna sobreviveria. O resultado do GP de San Marino tonara-se irrelevante.
Várias vezes tive de dizer a mim mesmo, nos cerca de 50 quilômetros que separam o circuito do hospital, que eu estava sonhando. Aquilo era realidade. Eu me dirigia até Bolonha para saber se Senna ainda estava vivo. Era a minha terceira corrida como contratado da empresa para cobrir a Fórmula 1. Eu pensei comigo: se Senna morresse, todas as atenções estariam lá na Itália, ao menos até o embarque do corpo para o Brasil.
Eu estava sozinho, seria o responsável por levar aos leitores dos jornais de casa um painel de informações de tudo. Que responsabilidade! Isso fez eu me concentrar quase doentiamente no meu trabalho e deixar as emoções, ao menos as maiores, de lado. Frieza, exigi de mim mesmo, no caminho enquanto dirigia o carro. Ao mesmo tempo, comecei a elaborar uma estratégia de cobertura. As notícias estariam no hospital, mas também no autódromo. Era imprescindível ouvir também Frank Williams, dono da equipe de Senna, Patrick Head e Adrian Newey, os homens que assinaram o projeto do modelo FW16 pilotado por Senna.
Estacionei o carro no hospital e até então não deparei com nada de diferente na sua rotina. Eu imaginava que haveria gente por todo o lado a fim de acompanhar uma eventual cirurgia em Senna. De imediato compreendi que eu chegara bastante cedo ao hospital, a ponto de entrar no edifício e não ver um único jornalista. No fim de uma rampa que dá acesso a um saguão central, para onde todos se direcionam ao entrar no hospital, vi a primeira manifestação de que Senna estava lá.
Um policial, um carabinieri, estava agitadíssimo. Alguém acabara de lhe dizer que o piloto se acidentara e há pouco havia chegado ao hospital, transportado de helicóptero. Ele tinha o chapéu na mão e gritava, sem controle: "Meu Deus, o que é isso, não existe mais piloto como Senna, que corre com o coração". Eu o ouvi e rapidamente entrei no saguão atrás de notícias. Estava meio trêmulo. Apesar da tentativa de manter-me tranquilo, nunca fui um exemplo de equilíbrio emocional e com um agravante, costuma somatizar os dramas.
Mas ali não havia jeito. Se eu falhasse estaria desperdiçando a minha grande chance profissional, que eu tanto lutara na vida, ou seja, cobrir o Mundial de Fórmula 1 para a grande mídia imprensa brasileira. Cada vez que me lembrava disso ganhava força para deixar de lado as minha emoções. Deixei de pensar também nas reações que estavam ocorrendo no Brasil por conta do acidente de Senna, o que colaborou para eu me controlar.
Nesse momento vi Roberto Cabrini, repórter da TV Globo, com quem sempre tive boa relação profissional, e um pouco mais tarde Celso Itiberê, o correspondente do jornal o Globo em Milão e responsável pela cobertura do campeonato para a empresa carioca. Fui informado pela administração do hospital de que o centro de recuperação, ou a UTI, era no 11.° andar do edifício.
Não encontrei no hospital um único cidadão que tivesse um mínimo de sensibilidade com o que estava se passando: um piloto de Fórmula 1, ídolo em dezenas de países, lutava para viver e esses pseudo-profissionais continuavam sendo mal-educados, grossos e desinteressados. Mais para frente vou lhes contar um episódio envolvendo-os que é de chocar. O que faltava de bom senso aos funcionários do hospital sobrava aos médicos deslocados para o atendimento. Todos solícitos e não escondendo nenhumam informação.
Nos foi orientado que não subíssemos ao 11.° andar, mas era impossível atender o pedido do hospital. A notícia estava lá. E eu não errei ao decidir pagar para ver. Logo que sai do elevador encontrei um médico com as roupas usadas no centro cirúrgico. O senhor veio lá de dentro, viu o Senna, pode me dizer alguma coisa? Perguntei, meio afobado, imaginando ouvir um desaforo. Se ele fosse um animal irracional como os outros que trabalhavam no hospital, essa deveria ser a sua reação.
Para a minha surpresa, nada disso ocorreu. Descobri tratar-se do doutor Servadei, umdos que atendeu Senna ainda na pista e o acompanhou no helicóptero até o hospital. Apesar de profissional, ele estava abalado. Com voz baixa, começou a descrever o que vivera naquela última hora. Ele é quem fala:
"Antes mesmo de retirar o capacete, ficamos impressionados com a quantidade de sangue que o piloto perdia. Alguma artéria havia sido atingida com certeza e minha primeira preocupação era, uma vez exposta a cabeça de Senna, tentar conter a hemorragia. Quem orientou a complexa retirada do capacete foi o doutor Watkins, o médido da FIA. Mas tão logo tivemos acesso a sua cabeça, sem o capacete e a balaclava, compreendi que Senna não sobreviveria.
Vimos que toda a base craniana estava aberta e ele perdia massa cefálica, cérebro, pelo corte de mais de um centímetro de largura, que corria por trás das orelhas, de lado a lado da cabeça, aberta. Para mim ele havia batido a cabeça no muro da curva Tamburello, em alta velocidade. Isso explicava aquele traumatismo generalizado da caixa craniana."
Depois de ouvir aquilo, estava claro para mim que não havia mais o que fazer. A morte de Senna era uma questão de tempo. Pouco tempo. Lembro-me de ter procurado um lugar para sentar e dizer a mim mesmo que aquilo era verdade. Nesse instante passou a circular a informação de que os médicos do caso falariam no centro de conferências do hospital, no térreo. Profundamente abatido, sem saber o que pensar, fui para lá, sempre transportando o meu bloco de anotações o velho computador laptop Toshiba 1000, uma peça de museu se comparada aos que uso hoje.
Na mesa do centro de conferência ficaram de pé, nenhum deles sentou, o doutor Domenico Cosco, a doutora Maria Tereza Fiandri, que entrou para a história por ter anunciado, oficialmente, às 19h05, a morte de Senna, o doutor Andreolli, neurocirurgião, o doutor Servadei e o doutor Gordini, anestesista.
O primeiro a falar foi Andreolli, que descreveu o quadro como o mais traumático possível, citando um valor numa escala desenvolvida por um medalhão da neurocirurgia que não me recordo. "Não existe uma área específica do cérebro que podemos atuar para a reparação, tudo foi danificado no acidente. O traumatismo é genérico bem como os danos a todo o tecido nervoso", dizia ele.
Entre eu conversar com o doutor Servadei no 11.° andar e a conferência passou cerca de uma hora e já havia muitos repórteres para acompanhar o caso. Na sala de conferência pude observar até mesmo doentes de pijama, que sabiam da internação de Senna em estado de emergência.
A consternação pelo anunciado pelo doutor Andreolli foi impressionante. As pessoas tomaram consciência de que Senna, quase um ídolo da humanidade, aquele que parecia imortal, morreria no máximo em questão de horas.
Entrei em contato com o nosso chefe de reportagem na época, coordenador do "pool" de jornalistas de esportes do Estadão e JT, Castilho de Andrade, hoje editor do JT, para lhe informar onde estava, o que já apurara e o que viria pela frente. Como eu teria de escrever um volume respeitável de textos naquele dia, Castilho sugeriu que eu já enviasse o primeiro com o que apurara até então. Achei prudente. Sentei nuna das cadeiras da sala de conferência e conectei meu laptop em uma tomada que descobrira ali, próximo da mesa dos médicos, que já deixaram o local.
Nesta hora surge um cidadão, daqueles imbecis que há pouco citei, dizendo-me que não poderia ficar aí. "Vou fechar esta sala", disse-me com a maior agressividade pensável. Eu lhe pedi que me desse uns 50 minutos para redigir um texto, isso em nada alteraria a rotina do hospital. Quase sem olhar para mim o animal foi até o centro de controle de luzes da sala e me ameaçou, com a mão nas chaves elétricas, ao me informar que se eu não saísse de lá naquele instante ele desligaria a luz do ambiente. Não tive alternativa. Minha vontade era de agredi-lo. Não disse nada e saí.
Voltei a falar com o doutor Servadei, o do helicóptero. Ele me deu mais detalhes: "A hemorragia que Senna tinha ainda na pista era tão violenta que durante o vôo até o hospital nós lhe re-implantamos 4,5 litros de sangue, enquanto circula pelo nosso organismo cerca de 6 litros de sangue." Ele também falou da perda de líquor, líquido existente entre as camadas nervosas que envolem todo o tecido nervoso, a fim de protegê-lo. "Na delaceração ocorrida no seu cérebro, Senna perdia massa cinzenta e líquor, o que começou a deformar rapidamente suas feições."
Toda vez que essas camadas são rompidas, o líquor, mantido sob elevada pressão entre elas, se espalha pelas cavidades que encontra, causando o edemaciamento (inchaço) de todos os tecidos. Em outras palavras, o rosto, a cabeça de Senna estava se deformando rapidamente, ganhando volume.
O doutor Gordini, o anestesista, contou-me também o que ocorreu no helicóptero: "Senna teve uma depressão respiratória bastante séria. Nós administramos drogas que reveteram o quadro, mas mesmo que ele não tivesse sofrido os estragos todos no cérebro, decorrentes do impacto no muro, só aquela depressão já lhe teria causado danos irrevesíveis no tecido nervoso. Ele teria apenas vida vegetativa. Seu cérebro recebeu pouco oxigênio durante alguns segundos preciosos. No centro de treinamento, Senna chegou a ter uma parada respiratória, quando o que restou do seu cérebro ainda exibia atividade elétrica. De novo nós o reanimamos."
Observe, amigo internauta, que em nenhum momento os médicos falaram em afundamento do frontal, causado por algum componente do carro que se projetou na direção da cabeça no momento do impacto. Hoje acredita-se que a barra que conecta a roda do carro ao conjunto mola-amortecedor, denominada push-rod, é que perfurou a viseira do capacete, presisonando a cabeça de Senna contra a parte de trás do cockpit. Essa compressão é que teria causado a fratura da base do crânio. Os médicos apenas me citaram intensa hemorragia originada do rompimento da artéria temporal.
RECAPITULANDOPouco antes das 16 horas eu já estava no Hospital Maggiore e conversava com o doutor Servadei, na porta do centro de reabilitação. Às 16h30 a doutora Fiandri anunciou no centro de conferências do hospital que o neurocirurgião, doutor Adreoli, falaria sobre o estado de Senna. Ficamos sabendo que não havia como intervir cirurgicamente e que a morte era uma questão de horas. Depois voltei a falar com os médicos que me deram mais informações do atendimento. A doutora Fiandri, que se tornou uma espécie de porta-voz do grupo médico, nos avisou que só se pronunciaria se tivesse "alguma novidade."
Às 17h55, ela surge novamente no saguão principal do hospital, na porta do pronto-socorro. A esta altura o hospital não mais permitia o acesso ao 11.° andar, onde estava Senna, no centro de recuperação. Visivelmente emocionada, a doutora Fiandri informou que o eletro-encefalograma de Senna não acusava mais atividade elétrica. "Senna tem morte cerebral".
Boa parte dos profissionais de imprensa que estava no autódromo, a esta altura, lotava o hospital. Para a maioria, aquele foi o primeiro contaro com os médicos que cuidavam de Senna. A notícia, esperada pelos que estavam lá, novidade para eles, causou comoção em todos.
Estava difícil falar nos raros telefones públicos do hospital. A telefonia celular de longa distância apenas começava. O comunicado da doutra Fiandre era, no fundo, a morte de Senna. Seu coração continuava batendo, mas não por muito tempo. Vi pessoas chorando, dentre eles jornalistas muito emocionados também. Eu ainda não chorara, talvez por conta daquele preparo a que me submeti, dizendo a mim mesmo que ao menos enquanto estivesse ali, atrás de informações, eu mantivesse a situação sob controle.
Todos nós, jornalistas, precisávamos nos comunicar com nossas bases, para de novo informar do andamento das notícias. A doutora Fiandri, por exemplo, disse que só voltaria a falar com a imprensa às 21 horas, ou se "tivesse alguma novidade". Isso depois de anunciar a morte cerebral do piloto, às 18h05, dez minutos após sair pela porta do pronto-socorro e depois que o empurra-empurra que se estabeleceu a sua volta se acalmasse.
Sua previsão para a morte legal de Senna falhou. Às 19h05 ela surgiu de novo, proveniente do pronto-socorro. Não era onde estava o piloto. Com os olhos marejados, ela falou em voz pausada, carregada de emoção, enquanto não se ouvia um ruído sequer a sua volta, apesar da presença de centenas de jornalistas. Todos precisavam ouvir para acreditar: "Senhores, por favor. Desde às 18h40 Senna não registra mais atividade cardíaca. Ele está morto". 

FONTE PESQUISADA

Oricchio, Lívio. A morte de Senna salvou muitas vidas. Disponível em: <http://blogs.estadao.com.br/livio-oricchio/a-morte-de-senna-salvou-muitas-vidas/>. Acesso em: 01 de maio 2013.

Ayrton Senna na Véspera de Sua Morte Pede Mais Segurança na F1

Morte de Ayrton Senna acabou salvando a vida de muitos pilotos da Fórmula 1

Há 19 anos, o esporte perdia um dos seus maiores ídolos; jornalista relembra o dia da triste tragédia

Livio Oricchio - O Estado de S. Paulo
01 de maio de 2013 | 11h 35

Ayrton Senna conversa com Niki Lauda depois do treino livre para o GP de Ímola 30 de Abril de 1994
Foto: Rainer W. Schlegelmilch/Getty Images

SÃO PAULO - Há exatos 19 anos registrei em minha memória uma experiência que jamais será esquecida. Vi Niki Lauda dizendo, em tom de cobrança, a Ayrton Senna, pouco antes da largada do GP de San Marino de 1994, em Ímola: "Você tem de tomar a iniciativa, só você tem força para liderar um movimento desses".


Lauda, campeão do mundo em 1975, 1977 e 1984, assessor do presidente da Ferrari e seu amigo, Luca di Montezemolo, já havia conversado com Ayrton sobre a necessidade de recriar a associação dos pilotos (GPDA) a fim de cobrar maior segurança na Fórmula 1. Naquele instante, pouco depois das 13 horas do dia 1.º de maio, todos se preparavam para a largada da corrida, a terceira da temporada, profundamente chocados.
No dia anterior o austríaco Roland Ratzenberger falecera em decorrência do violento choque de seu Simtek no muro da curva Villeneuve. E sexta-feira Rubens Barrichello, da Jordan, havia sofrido terrível acidente também, na Variante Baixa, mas sobrevivera apenas com fratura no nariz e leves lesões generalizadas.
Ayrton ouviu Lauda e, sério, lhe lembrou que na reunião programada para quarta-feira os dois iriam discutir a questão. Desde a etapa anterior, em Aida, no Japão, Ayrton nos dizia que aqueles carros estavam "incrivelmente nervosos". A FIA proibiu quase todos os recursos eletrônicos em 1994 e não reduziu a potência dos motores.
Recursos como a suspensão ativa, responsável por garantir grande geração de pressão aerodinâmica, e o controle de tração, importante para manter a dirigibilidade do carro nas saídas de curva, não mais podiam ser utilizados. "Está claro para todo mundo que esses carros são difíceis de pilotar e é muito fácil o piloto perder seu controle", comentou Lauda com os jornalistas. Eu estava dentre eles.
Ayrton trazia o mesmo semblante do primeiro dia no autódromo Enzo e Dino Ferrari, quinta-feira: tenso. Nós os esperávamos, no início da tarde, para entrevistá-lo e, quando chegou, seu estado de espírito era evidente. Estava finalmente na equipe Williams, "a de outro planeta", como a definia, time oficial da Renault, com seu motor V-10, e depois de duas provas não somara nenhum ponto.
Já Michael Schumacher, da Benetton, escuderia oficial da Ford com seu motor V-8 apenas, vencera as duas etapas anteriores, no Brasil e em Aida. Para complicar seu quadro emocional, o amigo Rubinho dera um susto em todos, na primeira classificação, sexta-feira - eu estava no Hospital Maggiore de Bolonha quando Ayrton foi visitá-lo à noite - e no sábado Ratzemberger morreu.

FONTE PESQUISADA

Oricchio, Lívio. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,morte-de-ayrton-senna-acabou-salvando-a-vida-de-muitos-pilotos-da-formula-1,1027408,0.htm>. Acesso em: 01 de maio 2013.

Carreira de Ayrton Senna

Personalidades Estadão


Ayrton Senna da Silva 
21/3/1960, São Paulo (SP) - 1/5/1994, Bolonha (Itália)
San Marino - Imola - 1994
Foto: Divulgação

Entrou pela primeira vez em um kart aos quatro anos de idade. Seu pai Milton Senna, empresário no ramo de autopeças na zona norte de São Paulo, montou para ele um pequeno veículo com um motor de cortador de grama de 1 cv de potência. A família percebeu que o garoto era excepcional aos sete anos, quando na fazenda de seu pai pegou um jipe e sem força para pisar na embreagem, trocava as marchas de ouvido, orientado pelo ronco do motor. Com isso ganhou seu segundo kart, desta vez mais profissional. Aos nove participou de sua primeira prova, ainda uma brincadeira, nas ruas de Campinas.
Sua estreia em competições foi somente aos treze anos, em julho de 1973. Um ano depois foi campeão paulista na categoria junior. Perfeccionista, treinava sempre que podia e chegou a virar noites limpando e consertando seu kart. Enquanto isso na escola não ia tão bem. Cursou o primário no Ginásio Santana. Aos onze foi transferido para o Colégio Rio Branco. Nunca foi um aluno exemplar, se destacou mais pela educação e timidez.

O único título que faltou no Kart foi o de campeão mundial. Se formou em 1977 e cursou o profissionalizante como Auxiliar de Escritório Técnico de Edificações. Nunca foi buscar o diploma. Seus pais desejavam que ele assumisse os negócios da família, mas logo viram que o que Senna queria era competir.
Em 1978 foi tentar a sorte na Europa. Três anos depois em 1981 estreou na Fórmula Ford 1600, pela equipe de Ralf Firman. Em 1982 mudou de categoria e de equipe, passando a correr na Fórmula Ford 2000 pela equipe de Dennis Rushen. Nessa temporada, venceu e fez a volta mais rápida nas seis primeiras corridas. 
Senna continuou subindo no mundo do automobilismo. Em 1983 estreou na Fórmula 3 pela West Rey. Novamente obteve grande destaca vencendo as nove primeiras provas e garantindo o título de campeão inglês. Com o tricampeonato nas competições inglesas, diversas equipes passaram a oferecer a chance de testar seus modelos de Fórmula 1.

Sua primeira vez dentro de um F1 foi em julho de 83, em Donnington Park, depois do Grande Prêmio da Inglaterra. Frank Williams o convidou para dar uma volta no modelo. Senna bateu o recorde da pista.
No ano seguinte estreava na maior competição do automobilismo mundial pela Toleman. Foi nessa temporada que começou uma das grandes rivalidades da história do automobilismo entre Senna e Alain Prost. O novato incomodou o francês durante o GP de Mônaco, terminando a prova em segundo lugar.  O brasileiro conquistou na temporada três pódios e treze pontos. Acabou assinando com a Lotus para o ano seguinte e foi suspenso por sua equipe e não podendo correr o GP da Itália.

Logo em seu ano de estreia conseguiu alcançar sua primeira vitória em 21 de abril de 1985 no GP de Portugal. Conquistou seis pole positions na temporada e terminou o ano na quarta colocação no mundial de pilotos. Conseguiu liderar a competição no ano seguinte mas terminou repetindo a campanha com duas vitórias e oito poles.

Em 1987, terminou na terceira colocação com 57 pontos conquistados. Foi contratado no final do ano pela McLaren, onde encontrou seu grande rival Alain Prost. A dupla venceu 15 das 16 corridas disputadas em 1988 (8 vitórias de Senna e 7 do francês). Nascia um novo campeão mundial.

No ano seguinte a dupla continuou imbatível, mas quem levou a melhor na rivalidade interna foi Prost que terminou em primeiro na disputa de pilotos. Em 1990, Senna e Prost (na Ferrari) disputaram até a última corrida, quando o francês precisava vencer para ser campeão. O brasileiro então tocou a roda traseira dele impedindo-o de completar a corrida. Foi o segundo título mundial de Ayrton.

Acabou conquistando seu terceiro e último título em 1991. Terminou a temporada seguinte em quarto lugar e em 1993 foi novamente vice de Prost. A transferência para a equipe Williams, considerada a melhor da categoria foi anunciada no final da temporada. O campeonato de 1994 era a esperança de um novo título para o brasileiro, que morreu num trágico acidente no Grande Prêmio de San Marino. A morte do piloto comoveu o mundo e o Brasil. Na chegada do corpo a São paulo, mais de um milhão de pessoas foram o homenagear nas ruas da cidade.




FONTE PESQUISADA

Ayrton Senna da Silva . Disponível em: <http://acervo.estadao.com.br/noticias/personalidades,ayrton-senna,506,0.htm>. Acesso em: 01 de maio 2013.

Senna, 19 anos depois: a última conversa com o amigo Lamy

Piloto português recorda a proximidade com o seu ídolo de sempre
01/05/2013 em Fórmula 1

Site Auto Portal

Pedro Lamy e Ayrton Senna
Foto: Sutton Images

Pedro Lamy assinou contrato com a Lotus já na reta final da temporada de 1993. Fez as últimas quatro corridas em substituição de Alessandro Zanardi. Por trás, a mexer os cordelinhos para que tudo corresse bem, estava...Ayrton Senna. 

Começava ali um relacionamento que o português só lamenta que tenha durado pouco tempo. Para fora passava a ideia de que os dois eram bons amigos. Em conversa com o Autoportal, Pedro Lamy confirma-o.

“É verdade que éramos amigos no paddok. Tive uma certa proximidade com o Ayrton, dentro do possível claro, pois éramos de equipas diferentes. Aliás, ele ajudou-me a conseguir o meu contrato com a Lotus, no início. Como ele morava em Portugal e também através do Domingos Piedade, que era o grande amigo dele, fomo-nos aproximando. O facto de eu ser português ajudou, também”, começa por contar. 


Para Lamy era um privilégio e, ao mesmo tempo, uma sensação estranha. “Eu tinha 21 anos e era bastante estranho de repente estar a falar com o maior piloto de todos os tempos. Era o meu ídolo, sempre foi. Era a minha principal referência no desporto”, assume. 


O problema, como se disse, foi o pouco tempo que tudo durou. Depois das quatro corridas de 1993, Lamy só esteve com Senna em mais três no ano seguinte. A terceira corrida da temporada de 1994, no circuito de Ímola, em San Marino, ficaria para a história da Fórmula 1 e do desporto em geral. 

“Ele só dizia: dá graças a Deus por estares bem” 

Antes do grande choque, dois avisos. Rubens Barrichello, num aparatoso acidente durante os treinos de sexta-feira, dá o mote para o fim-de-semana mais negro da história da Fórmula 1. No sábado um passo bem mais grave, com a morte de Roland Ratzenberger durante a qualificação. 

Lamy viveu tudo aquilo ao lado de Ayrton Senna. No sábado, depois de confirmada a morte de Ratzenberger, foi com o brasileiro visitar Barrichello ao hospital. Foi a última vez que estiveram juntos. 


“Fomos juntos ver o Rubinho. O Ayrton estava diferente, estava emocionado com tudo o que tinha acontecido. Houve o acidente grave do Rubinho, a morte do Ratzenberger. Estava mesmo emocionado. Só dizia: dá graças a Deus por estares bem”, conta. 


E tudo ainda estava a meio. No domingo, logo no arranque, o próprio Pedro Lamy não se apercebe que J.J. Letho tinha o carro parado na pista e bate. Destroços ferem espectadores. “Naquele fim-de-semana aconteceu tudo”, limita-se a dizer o português sobre o caso. 

Depois, na sétima curva, com Ayrton Senna na frente da corrida, dá-se o acidente fatal na curva Tamburello.

“Aqueles dias foram um abanão na Fórmula 1 e no desporto em geral. De repente parecia que estava tudo a acontecer. Foi uma altura difícil em que teve de haver algum travão nas velocidades altas e uma mudança nas condições de segurança. Hoje já não tem nada a ver. Há uma fase antes e depois de Ayrton Senna na Fórmula 1”, considera. 

“Aquela corrida nunca deveria ter acontecido”

O próprio filme “Senna”, que retrata a vida do piloto apenas com imagens reais, mostra que Senna estava diferente naquele fim-de-semana. Como se soubesse que algo de grave iria acontecer. As imagens suas antes da corrida, com olhar perdido no horizonte, dentro do carro da Williams, marcaram e ficaram para sempre. 

Lamy, hoje, não tem dúvidas: “Aquela corrida nunca deveria ter acontecido. Mas isto é vendo agora, com o que sei hoje. Na altura não pensava assim, ia encarar a corrida normalmente.”

“Foram tempos muito confusos. A corrida seguinte foi no Mónaco e houve logo um acidente grave que deixou o Karl Wendlinger em coma. Parecia que aquilo nunca mais parava! Eu próprio também tive um acidente pouco depois que me deixou de fora por algum tempo. Foi uma época um pouco difícil”, recorda. 

A Fórmula 1, de facto, mudou. Acabaram as mortes e a segurança aumentou e muito. No fundo, era o que Senna sempre quis. Era para isso que lutava. 

Lamy lembra uma pessoa “muito determinada e profissional”. “Era muito objetivo, sobretudo quando falávamos de competição. Dava-me conselhos, falava do meu estilo a pilotar, o que poderia fazer. Acho que a ideia geral que as pessoas têm dele é a correta e isso alegra-me. Como piloto era o fora de série que todos conheceram”, descreve.


E remata com uma ideia que é sintomática: “Todos os pilotos são únicos. Mas o Ayrton tinha uma maneira de ser e de estar no desporto que é impossível imitar. Dele não há cópias, isso é certo.”
Foto: forum.autohoje.com


FONTE PESQUISADA


Senna, 19 anos depois: a última conversa com o amigo Lamy. Disponível em: <http://www.autoportal.iol.pt/desporto/f1-desporto/senna-19-anos-depois-a-ultima-conversa-com-o-amigo-lamy>. Acesso em: 01 de maio 2013.


Pilotos que estavam em Imola relembram morte de Senna

01/05/2013 09h41 - Atualizado em 01/05/2013 18h21
Site Globo Esporte
Por Alexander Grünwald
São Paulo


Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi e Tony Kanaan contam os bastidores do trágico 1º de maio de 1994, quando um acidente matou o tricampeão




Este roteiro todo brasileiro conhece: há exatos 19 anos, Ayrton Senna liderava o GP de San Marino de Fórmula 1 quando a quebra de um componente mecânico de sua Williams fez o carro parar de responder aos comandos do volante, passando reto na curva Tamburello até ir ao encontro do muro de concreto. No impacto, uma peça que se soltou da suspensão atingiu em cheio o capacete do tricampeão mundial, que não resistiu ao impacto. Aos 34 anos, Senna morreu no auge da carreira e da fama, tornando-se um ícone ainda maior do que já era na época. Um choque que atingiu milhões de brasileiros e que deixou marcas em três compatriotas, também pilotos, que estiveram no circuito de Imola naquele fatídico fim de semana: Rubens Barrichello, Christian Fittipaldi e Tony Kanaan.


Adversários desde o kart, Rubinho e Christian ainda começavam suas carreiras na F-1 quando Senna sofreu seu acidente fatal. Ambos sonhavam repetir, mesmo em parte, o sucesso alcançado por Senna em dez anos na categoria. A 65ª pole position de Ayrton, marcada justamente naquele fim de semana, somava-se às suas 41 vitórias e seus três títulos mundiais, criando uma aura que ia além dos números. O que fez o jovem Fittipaldi duvidar que pudesse ter ocorrido algo mais grave na batida. O piloto, então com 23 anos, confessa que não pensou no pior quando desviou dos destroços da Williams de Senna.
Com a Williams, Ayrton largou na pole e liderou a prova até seu acidente fatal (Foto: Getty Images)
- Eu passei pelo local alguns segundos depois e sabia que era ele que tinha batido. No momento em que eu passei, não havia chegado ninguém (do resgate). Aí pararam a corrida e saímos dos carros. Mas, sinceramente, ele era uma figura tão imortal que nem me passou pela cabeça a hipótese de ter acontecido algo tão grave como o que aconteceu. O que eu pensava era: “paciência, ele no máximo quebrou um braço ou uma perna, daqui a 40 dias estará de volta no carro acelerando” – lembra Christian, que atualmente corre provas de longa duração nos EUA.


Já Rubens Barrichello admite que “não faz questão de lembrar” daquele fim de semana. Então com 21 anos, o futuro recordista de GPs na F-1 bateu forte em um dos treinos livres de sexta-feira e encerrou ali sua participação no GP de San Marino. A pancada, que fez o carro da Jordan capotar, causou a quebra de um braço, um corte profundo na boca e uma amnésia temporária que dá um tom de filme a tudo o que aconteceu ao seu redor nos 20 dias seguintes. Inclusive a morte e o funeral de Senna. Mesmo assim, ele se lembra de alguns momentos daquele fim de semana.
Dpois dias antes, Barrichello bateu forte e não disputou a fatídica corrida de Imola (Foto: Getty Images)
- Eu tenho certa dificuldade em saber se o que eu lembro é o que eu vi na foto ou o que eu realmente lembro. Todas as cenas de hospital, saída de autódromo, volta ao autódromo para falar com o Ayrton no dia seguinte, eu tenho uma vaga memória disso tudo. Eu já estava na Inglaterra, no domingo, quando o acidente dele ocorreu. E disso eu me lembro, assistindo à televisão: o último movimento do Ayrton nos pareceu uma coisa ótima, que ele estava tranquilo. É uma situação muito difícil de uma memória doída, que, ao mesmo tempo, não faço questão de lembrar, porque foi uma coisa que machucou. É um dia trágico em que tive até um pouco de sorte em ter a memória apagada – revela Barrichello, que corre atualmente na Stock Car.

Clima pesado e poucas informações

Apesar de estar na pista no momento do acidente de Senna, Christian reforça que as informações sobre o estado de saúde do tricampeão e Senna eram escassas e confusas. Segundo ele, durante o período em que a prova ficou interrompida para o resgate do tricampeão, os demais pilotos saíram de seus carros, mas não se tinha ideia alguma do que havia ocorrido com o brasileiro, que só foi oficialmente declarado morto meia hora após o término da corrida.

- Às vezes você não sabe se a demora é por causa do atendimento ou porque a batida danificou demais a pista. Eles poderiam estar reparando algum muro de proteção. Eu não sabia nada, não chegava informação, era tudo muito nebuloso. Tanto que o Berger, que era extremamente próximo dele, relargou na corrida. O que quer dizer que provavelmente não chegou informação alguma. Depois, por rádio, acabaram falando alguma coisa para ele durante a prova, que a situação era muito mais crítica do que tudo aquilo que estava se imaginando, e ele acabou parando. Quando terminou a prova, saí do motorhome depois de me trocar e já senti o clima mais pesado, todo mundo mais quieto. Foi o JJ Lehto que me contou o que havia acontecido – recorda Christian.

Após a entrada do safety car, o GP de San Marino de 1994 foi reiniciado na sexta volta (Foto: Getty Images)
Lehto é um piloto finlandês que disputou 62 GPs entre 1989 e 1994, e que fazia sua estreia pela Benetton naquele GP de San Marino. Mas a primeira prova pela nova equipe não durou nem cem metros, pois ele acabou se chocando com a Lotus de Pedro Lamy, que ficou parada no grid. O acidente provocou a entrada do carro de segurança, que só deixou a pista cinco voltas depois. Quando os pilotos puderam acelerar seus carros novamente, a Williams sofreu a quebra na coluna de direção que culminou na morte de Ayrton Senna. Desde então, 19 anos e 331 GPs depois, nenhum piloto morreu ao volante de um carro de Fórmula 1.

Duras lembranças para Kanaan

Atualmente um consagrado competidor da Fórmula Indy, Tony Kanaan também estava em Imola no momento do acidente de Ayrton Senna. Com 19 anos de idade e competindo na F-Alfa-Boxer, uma divisão de base da Fórmula 1 na época, o piloto morava na Itália e havia ido acompanhar o amigo Rubens Barrichello, e ficou no autódromo para acompanhar a prova. Mesmo com as poucas informações que chegavam, Tony se recorda de algo que o impactou naquele dia, diante da hipótese de perder um ídolo da dimensão de Senna.


Atendimento médico ao tricampeão causou a paralisação da corrida e muita apreensão (Foto: Getty Images)


- Na pista, todo mundo ficava naquele murmurinho. E para quem entende um pouquinho de corrida, na hora que o helicóptero levantou e tinha aquela poça de sangue no chão... ali você pode até achar que o cara não morreu, mas não dava para você achar que ele ia ficar bem. Acho que foi o pior dia da minha carreira, uma sensação esquisita. Era um cara que era um ídolo. Lembro do Rubinho machucado, com a boca “deste tamanho” e o cara batendo. Foi triste demais, uma coisa que marcou – afirma Tony, que foi campeão da Indy em 2004.




FONTE PESQUISADA
GRÜNWALD, Alexander. Disponível em: <http://m.globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2013/05/apos-19-anos-pilotos-que-estavam-em-imola-relembram-morte-de-senna.html>. Acesso em: 01 de maio 2013.


O Acidente de Ayrton Senna

01/05/2013 00:15
Site do Globo Esporte

Foto: Divulgação


Senna liderava o GP de San Marino com o alemão Michael Schumacher em sua cola quando escapou da pista na sétima volta da corrida e bateu forte contra o muro de proteção. A cabeça do tricampeão foi atingida por um braço da suspensão do FW16. A morte foi confirmada horas depois da corrida, vencida por Schumacher, então na Benetton, e a causa real do acidente é incerta até hoje.

Aquele fatídico fim de semana foi marcado por acidentes desde o início. Na sexta-feira, Rubens Barrichello capotou sua Jordan depois de decolar ao passar sobre uma zebra na Variante Bassa. O piloto, que estava em sua segunda temporada na F1, sofreu uma fratura no nariz e voltou ao cockpit duas semanas mais tarde, no GP de Mônaco.

No sábado, durante o treino classificatório, o austríaco Roland Ratzenberger, da Simtek, virou passageiro quando a asa dianteira de seu bólido se desprendeu. Aos 33 anos, o novato na F1 faleceu após bater a mais de 320 km/h contra o muro da curva Gilles Villeneuve, que vem depois da Tamburello no traçado de Ímola.

Diante da morte de Ratzenberger, Senna ameaçou não disputar o GP do San Marino, mas decidiu entrar na pista e carregando uma bandeira da Áustria no bolso do macacão, para homenagear o colega em caso de pódio. A prova já começou tumultuada após JJ Lehto ficar parado no grid e ser atingido em cheio por Pedro Lamy. Destroços dos carros voaram por cima do alambrado e deixaram nove espectadores feridos.

O safety-car foi acionado para que a sujeira fosse limpa. A relargada foi autorizada na sexta volta, a última que Senna completou em sua carreira.

Números da carreira de Ayrton Senna

Temporadas: 11
Equipes: Toleman (1984), Lotus (1985 a 1987), McLaren (1988 a 1993) e Williams (1994)
GPs: 161 (26º na história)
Títulos: três (1988, 1990 e 1991)
Vitórias: 41 (terceiro)
Pole-positions: 65 (segundo)
Voltas mais rápidas: 19 (12º)
Pódios: 80 (quarto)
Pontos: 614
Mais vitórias consecutivas: quatro – GP da Inglaterra a GP da Bélgica de 1988 e GP dos Estados Unidos a GP de Mônaco de 1991 (11ª e 12ª sequências)
Mais pole-positions consecutivas: oito – GP da Espanha de 1988 a GP dos Estados Unidos de 1989 (maior sequência da história)
Largadas na primeira fila: 87 (segundo)
Voltas lideradas: 2931 (segundo)


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Morte de Senna no GP de San Marino de 1994 completa 19 anos nesta quarta-feira. Disponível em: <http://www.grandepremio.com.br/f1/noticias/morte-de-senna-no-gp-de-san-marino-de-1994-completa-19-anos-nesta-quarta-feira>. Acesso em: 1 de maio 2013.