domingo, 18 de abril de 2021

Senna bate sua marca na pista de atletismo

Senna corre para melhor físico

O Globo, 22 de Janeiro de 1988

ALBERTO LUDUVIG

SÃO PAULO – De calção branco, tênis e sem camisa, Ayrton Senna entrou na pista do Centro Olímpico do Ibirapuera e foi logo brincando com o professor Nuno Cobra:

-É para quebrar o recorde de on­tem?

-Você tem condições para isso - respondeu o professor. ·

Eram ainda 9h30, mas a tempera­tura já estava a 35 graus quando o piloto começou a correr as 20 voltas programadas para ontem. A cada volta, Nuno Cobra anunciava o tem­po e incentivava Senna a manter o ritmo, mesmo sob o calor de um dos dias mais quentes do verão paulista.

Terminado o treino, Senna, que nesta temporada defenderá a McLa­ren ao lado de Alain Prost no Mundial de Fórmula-1, superou em dois segundos sua marca do dia anterior. Se o piloto estava contente por vencer mais um desafio, o professor também estava satisfeito por ter colocado Senna em boas condições físicas após 21 dias de trabalho, que deverá continuar por pelo menos mais duas semanas, antes do início da preparação do carro para o Grande Prêmio do Brasil, em abril.

Senna fez, também, três sessões por semana de ginástica localizada, para fortalecer os músculos dos braços, ombros e pescoço. O piloto quer voltar à Europa no auge de sua capacidade física, alcançada em 86. Na época, morava em Esher, localidade muito arborizada, perto de Londres. Lá, o piloto obedeceu às recomendações de Nuno Cobra, que irá este ano a Montecarlo – para onde Senna se mudou –, para definir um novo programa de treinamento. Depois disso, a preocupação do piloto será a de manter o condicionamento físico adquirido no Brasil.

-Mas isso não será difícil. Na pista ou fora dela, procuro sempre dar o máximo de mim. Se quiser resultados, sei que é preciso trabalhar com seriedade em todos os sentidos.

Quanto a isso, Nuno Cobra não tem qualquer dúvida e, entre os muitos atletas com quem trabalhou, considera Senna um dos mais disciplinados. Segundo  Nuno,  o piloto surpreende pela disposição com que chega para os treinos e nunca reclama do horário ou da quantidade de exercícios que é preciso cumprir. Senna, por sua vez, mesmo com tantos treinos, acha que esse é seu melhor período de férias desde sua entrada no "circo" da F-l.

- E a primeira vez que consigo passar dois meses inteiros no Brasil. Isso está sendo muito bom e quero aproveitar o máximo possível.


FONTE PESQUISADA

LUDUVIG, Alberto. Senna bate sua marca na pista de atletismo. O Globo, 22 de Janeiro de 1988, Matutina, Esportes, página 23.

sexta-feira, 16 de abril de 2021

FF1600 1981 - Thruxton (Fotos)





Ayrton Senna da Silva (BRA) Van Diemen.

Formula Ford 1600 (BARC) Championship, Thruxton, England, 20 April 1981.


Ayrton Senna da Silva (BRA) Van Diemen.

Formula Ford 1600 (BARC) Championship, Thruxton, England, 20 April 1981.

Há 28 anos, Ayrton Senna erguia o troféu com Sonic no GP da Europa

por Kao Tokio em 13 de abril de 2021

Em 1993, ao final do GP da Europa no circuito britânico de Donington Park, o piloto Ayrton Senna erguia vitorioso a taça de campeão no pódio, no dia 11 de abril.

À ocasião, a patrocinadora da corrida era ninguém menos que a produtora de games Sega, que ofereceu ao vencedor o troféu icônico, inspirado em Sonic, mascote da empresa e personagem de sucesso mundial até os dias de hoje.

No dia 12 de junho de 2020, a equipe da McLaren publicou nas redes sociais que o ‘Troféu do Sonic’, reencontrado em um depósito, integra sua nobre prateleira prêmios comemorativos.

Apesar de escondido por todos esses anos, o ouriço azul recebe seu devido reconhecimento no panteão de troféus da escuderia.

Vale lembrar, em 1992, Senna protagoninou o game Ayrton Senna’s Super Monaco GP II, desenvolvido pelo estúdio para Mega Drive, SG-1000 Mark III e Game Gear.






FONTE PESQUISADA

TOKIO, Kao. Há 28 anos, Ayrton Senna erguia o troféu com Sonic no GP da Europa. Disponível em: <https://dropsdejogos.uai.com.br/noticias/cultura/ha-28-anos-ayrton-senna-erguia-o-trofeu-com-sonic-no-gp-da-europa/>. Acesso em: 16 de abril 2021. 

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Família de ex-namorada de Ayrton Senna está envolvida em disputa de terra em Eldorado dos Carajás

Revista Fórum - revistaforum.com.br

quarta, 07 de abr de 2021

Adriane Rocha Yamin, a irmã e o pai Amilcar, criador das Duchas Corona, declaram ser donos de fazenda contígua ao Acampamento Osmir Venuto, alvo de tiros e de incêndio na noite de segunda-feira, no Pará

Por Julinho Bittencourt 17 dez 2020 - 15:51

Foto: Montagem/Reprodução

Adriane Rocha Yamin, que foi namorada do piloto Ayrton Senna durante a adolescência, é filha do empresário e grileiro Amilcar Farid Yamin. O empresário, fundador da empresa de duchas Corona, tem suas terras ligadas a um dos principais conflitos agrários no sudeste do Pará. 


Matéria da Fórum publicada nesta terça-feira (15) aponta que famílias que vivem no acampamento Osmir Venuto da Silva, localizado em Eldorado dos Carajás, sul do Pará, denunciaram nesta terça-feira (15) a ocorrência de um ataque promovido por quatro pistoleiros contra suas moradias. O local foi incendiado.


O acampamento foi montado em área sob responsabilidade do DNIT após um acordo que fez com que os moradores desocupassem o Complexo de Fazendas do empresário e grileiro Amilcar Farid Yamin. Os camponeses buscam o direito à terra por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), que já reconheceu que os domínios de Yamin se expandiram através da grilagem.

Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o complexo de fazendas que eles possuem, entre Eldorado dos Carajás e Xinguara, é “um latifúndio com mais 20 mil hectares construído a partir de processos de grilagem de terras públicas, trabalho escravo e assassinatos de trabalhadores/as rurais”.


Namorada secreta

Foto: Reprodução

Adriane ficou conhecida nos últimos anos como a “namorada secreta” de Ayrton Senna. Ela namorou o piloto entre 1985, quando tinha 16 anos, e 1988, quando ele foi campeão do mundo pela primeira vez, aos 27 anos. Em novembro de 2019, Adriane, que agora é uma mulher de 51 anos, lançou um livro de 730 páginas sobre essa relação chamado “Minha Garota”.

O ponto de encontro quando ele estava em São Paulo era a Fazenda São Judas Tadeu do Chapadão, em Porto Feliz (SP), onde eles se refugiavam da imprensa e brincavam de jet-ski.

Com informações do De Olho nos Ruralistas


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Adriane Yamin, Ex-namorada de Ayrton Senna, disputa terras com acampados em Eldorado dos Carajás


DE OLHO NOS RURALISTAS - deolhonosruralistas.com.br

16/12/2020

Adriane Yamin namorou o piloto quando adolescente; ela, a irmã e o pai Amilcar, criador das Duchas Corona, declaram ser donos de fazenda contígua ao Acampamento Osmir Venuto, alvo de tiros e de incêndio na noite de segunda-feira, no Pará 

Por Alceu Luís Castilho

Adriane divulgou em livro imagens com Senna. (Foto: Reprodução)

De um lado, glamour. Adriane Rocha Yamin ficou conhecida nos últimos anos como a “namorada secreta” de Ayrton Senna. Ela namorou o piloto entre 1985, quando tinha 16 anos, e 1988, quando ele foi campeão do mundo pela primeira vez, aos 27 anos. Em novembro de 2019, a socialite — agora uma mulher de 51 anos — lançou um livro de 730 páginas sobre essa relação: “Minha Garota“. O ponto de encontro quando ele estava em São Paulo era a Fazenda São Judas Tadeu do Chapadão, em Porto Feliz (SP), onde eles se refugiavam da imprensa e brincavam de jet-ski.

Do outro lado, conflitos de terra na Amazônia. Adriane, a irmã Christiane e o pai — Amilcar Farid Yamin é o fundador da Corona, aquela mesmo das duchas — estão ligados a um dos principais conflitos por terra no sudeste do Pará. Segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o complexo de fazendas que eles possuem, entre Eldorado dos Carajás e Xinguara, é “um latifúndio com mais 20 mil hectares construído a partir de processos de grilagem de terras públicas, trabalho escravo e assassinatos de trabalhadores/as rurais”.

A Liga dos Camponeses Pobres (LCP) mantém ao lado do Complexo Surubim um acampamento que o movimento chama de Área Revolucionária Osmir Venuto, em referência à defesa de uma revolução agrária. Na noite de segunda-feira (14), pistoleiros atiraram contra os acampados e atearam fogo em suas casas. Cerca de 150 famílias moram no local, na BR-155, em uma área do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério da Infraestrutura. Isto após despejos movidos pela família Yamin.

FOGO DESTRUIU A MORADIA DE TODAS AS FAMÍLIAS DO ACAMPAMENTO

Fogo no acampamento: segundo CPT, pistoleiros gritavam e atiravam. (Fotos: Reprodução)

Eram 23h40 quando os pistoleiros chegaram ao acampamento, informou a CPT de Xinguara, com base em imagens e nos relatos dos camponeses. Deram tiros e, aos gritos, incendiaram os barracos: “O fogo consumiu todos os pertences das famílias que aguardam serem inseridas em políticas de reforma agrária. No momento do ataque, os camponeses, entre eles mulheres, crianças, pessoas idosas e também portadores de deficiência, foram acordados pelo barulho dos disparos, momento em que fugiram para a mata para não serem assassinados. Muitos estão feridos”.

A contiguidade com a Fazenda Surubim não significa que a família Yamin esteja sendo investigada. A polícia ainda não divulgou informações sobre o crime. O procurador da República Sadi Flores Machado, que atua na região, instaurou ontem uma Notícia de Fato no Ministério Público Federal (MPF) com a seguinte ementa: “Conflito ocorrido no complexo de Fazendas Surubim, em área na qual se noticia possível grilagem de terras públicas e objeto de ação judicial em trâmite perante a Subseção Judiciária de Marabá”.

Em 2018, um procedimento aberto pela 12ª Promotoria de Justiça de Marabá apontava Amilcar Yamin como “pretenso proprietário da Fazenda Surubim”. E falava em “provável incidência de terra pública”.

Em dezembro de 2019, a PM do Pará atirou em acampados que colhiam castanhas dentro da Fazenda Surubim, em área que eles consideram públicas. A região é conhecida como Polígono dos Castanhais. Segundo a CPT, em nota assinada também por organizações de direitos humanos e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Pará), os policiais não tinham mandado judicial. Seis camponeses foram alvejados com balas de borracha, à queima-roupa. Um deles registrou a ação por meio de seu celular.

A CPT e os juristas informaram na época que essa não tinha sido a primeira violência contra os acampados. Em 2018, Eudes Veloso Rodrigues foi assassinado por pistoleiros. No ano anterior, Denizart Alves de Souza, da Liga dos Camponeses Pobres, já tinha sofrido um atentado. “Muito embora os casos tenham ganhado repercussão”, informava a Pastoral da Terra, “não há notícias das investigações referentes aos crimes praticados pelas milícias que atuam na Fazenda, ou com relação aos mandantes”.

EMPRESÁRIO É REFERÊNCIA NA REPRODUÇÃO DE GADO BOVINO

Mais conhecido pelas Duchas Corona, Amilcar Yamin é uma referência nacional em genética bovina. Ele criou gado das raças holandês e pardo suíço. Depois, trouxe da França a raça limousin. Sempre com fama de eficiência. Em seguida, apostou no gado guzerá. E no nelore. O nome do chuveiro elétrico de plástico migrou para o gado, com um certo “Projeto Corona” — o empresário não poderia imaginar a pandemia do novo coronavírus. Em 2015, a Corona foi incorporada pela Duratex, empresa do grupo Itaú. E cede seu nome à marca principal, a Hydra.

Christiane, fã de Bolsonaro, e Amilcar Yamin. (Foto: Reprodução)

Um perfil da revista Dinheiro Rural, em 2016, falava em 16 mil hectares de Yamin na região de Marabá. O município contíguo a Eldorado dos Carajás é o principal da região, no sudeste do Pará. E em 15 mil cabeças de gado.

Segundo a CPT, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) constatou a existência de terras públicas federais na área da fazenda. E, por isso, ajuizou uma ação contra Amilcar, Adriane e Christiane Yamin, pedindo que se imponha a eles o dever de “não oferecer obstáculo à realização de vistoria em imóvel rural que lhes pertence”.

Ainda de acordo com a Pastoral da Terra, o Complexo Surubim é composto pelas Fazendas Surubim, São José, Canta Galo e Cedro. Em uma ação movida em 2012, pai e filhas afirmaram à Justiça que eles “sempre exerceram o domínio e a posse mansa e pacificamente” e que a propriedade “cumpre todos os requisitos da função social”.

A família do fazendeiro possui terras no Pará e no interior paulista. Em Angatuba (SP) ele mantém a empresa Santa Fé Administração de Bens Próprios Empreendimentos e Participações Ltda, voltada para a pecuária, em sociedade com a mulher, Marilene Rocha Yamin. A empresa Central de Genética Limousin Limitada, em Porto Feliz (SP), está no nome dela.

É em Porto Feliz que fica a Fazenda São Judas Tadeu do Chapadão, uma referência na criação de gir leiteiro. A ex de Ayrton Senna, Adriane Yamin, costuma se referir a ela de forma abreviada, como neste post no Instagram: “A Fazenda Chapadão, da minha família, era nosso ponto de encontro social quando Beco (apelido carinhoso de infância para o Ayrton) estava em São Paulo. Era nosso refúgio, longe do agito da capital e do olhar sempre atento dos jornalistas”.

| Alceu Luís Castilho é diretor de redação do De Olho nos Ruralistas. |

Imagem principal: fotos de Adriane Yamin (Reprodução) e do Acampamento Osmir Venuto (Ellan Lustosa/AND)

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FONTE PESQUISADAS

BITTENCOURT, Julinho. Família de ex-namorada de Ayrton Senna está envolvida em disputa de terra em Eldorado dos Carajás. Disponível em: <https://revistaforum.com.br/brasil/familia-de-ex-namorada-de-ayrton-senna-esta-envolvida-em-disputa-de-terra-em-eldorado-dos-carajas/>. Acesso em: 15 de abril 2021. 

CASTILHO, Alceu Luís. Adriane Yamin, Ex-namorada de Ayrton Senna, disputa terras com acampados em Eldorado dos Carajás. Disponível em: <https://deolhonosruralistas.com.br/2020/12/16/ex-namorada-de-ayrton-senna-disputa-terras-com-acampados-em-eldorado-dos-carajas/>. Acesso em: 15 de abril 2021. 






terça-feira, 30 de março de 2021

Adriane Galisteu se emociona ao falar de Senna e ouve recados de amigos (Vídeo)


Apresentadora ainda ganhou uma mensagem especial do amigo Jô Soares

HORA DO FARO

28/03/2021 - 20H01 

O Hora do Faro preparou uma linha do tempo da vida e da carreira de Adriane Galisteu. Familiares e amigos contam segredos da história da apresentadora e ela ainda ganhou uma surpresa do amigo Jô Soares











quinta-feira, 4 de março de 2021

OS ENIGMAS DE IMOLA

 


No horário da Itália, eram 13h27 do dia 1º de maio de 1994, quando Ayrton surgiu dos fundos do boxe da Williams, macacão amarrado à cintura, pronto para entrar no carro e seguir para o grid de largada. Como fazia em todas as corridas, o cinegrafista Armand Deus, da TV Globo, apertou o botão de sua câmera Betacam e começou a captar as imagens.

 

Procedimento de rotina. Não era uma transmissão ao vivo.

 

As imagens seriam usadas para ilustrar a reportagem sobre a corrida que o correspondente Roberto Cabrini editaria no final do dia, a tempo de ser gerada para o Rio de Janeiro e exibida no programa Fantástico.

 

Não era um dia de sorrisos para ninguém no autódromo de Imola.


Menos ainda para Ayrton, que havia anos já assombrava mecânicos, engenheiros, jornalistas e namoradas com sua capacidade de se concentrar nos momentos que antecediam à largada, tornando todos à sua volta rigorosamente invisíveis e inaudíveis. Seu olhar, naqueles momentos, parecia estar em outra dimensão. Sua seriedade formava uma muralha da qual poucos ousavam se aproximar, não importando a patente familiar ou a relação contratual.

 

Para alguns, naqueles momentos ele antecipava curvas e movimentos dos adversários. Para outros, rezava. Outros ainda achavam que aquela era uma travessia sensorial para um mundo cheio de fúria que só cabia e existia no cockpit. Uma travessia sem volta até que a corrida, a dele, terminasse.

 

A câmera de Armand Deus continuava gravando quando Ayrton se aproximou da parte traseira de sua Williams e pousou as mãos sobre o aerofólio.

 

Teve uma rápida conversa sobre a suspensão traseira com o engenheiro David Brown. Depois, seu olhar passou a se alternar entre o nada e a Williams, ainda suspensa nos cavaletes, sem as rodas, recebendo os últimos ajustes dos mecânicos.

 

Era mais do que a concentração de sempre. Havia uma contida inquietação. E também uma tristeza solene e impotente. Estavam ausentes, no seu semblante, como desde o início daquele ano, a intensidade e aquele olhar de predador dos tempos da Lotus e da McLaren. Nem mesmo o rápido comentário de Patrick Head, o diretor da Williams, pareceu diminuir a distância que ele mantinha de tudo que o rodeava.

 

Algum pensamento finalmente o resgatou daquela estranha dispersão para o ritual do cockpit: balaclava, capacete, macacão fechado até o pescoço e uma espera disciplinada, de pé, com as mãos cruzadas sobre a cintura, pela ordem de entrar no carro e ajustar o cinto de segurança.

 

As imagens gravadas por Armand Deus no boxe da Williams e, minutos depois, as que foram feitas no grid de largada, quando Ayrton mudou a rotina e tirou o capacete, se tornaram históricas. Deflagraram o sofrido exercício ao qual milhões de pessoas, especialmente os brasileiros, se entregaram nos dias seguintes: o que estava por trás daqueles últimos olhares, gestos e silêncios?

 

Havia muitas respostas possíveis, sozinhas ou combinadas. Dentro e fora da pista.

Schumacher estava ali, quase ao lado, mais do que nunca disposto a destroná-lo. Roland Ratzenberger morrera depois de uma batida centenas de metros à sua frente, no dia anterior, e o fizera, pelo menos por algumas horas, desistir de correr. Rubens Barrichello, que ele vinha tratando como uma espécie de irmão mais novo das pistas, sobrevivera a um acidente assustador, na sexta-feira. Aquela Williams que ele chamava de "cadeira elétrica", um carro arisco e difícil de guiar, estava consumindo pneus com preocupante rapidez.

 

A placa de um minuto foi erguida.

 

Vinte e cinco motores de Fórmula 1 começaram a rugir.

 

Ayrton, na hora de acelerar, costumava deixar todas as preocupações de lado. Não trocava as emoções do cockpit por nada da vida. Em mais alguns segundos, ele se entregaria de novo à aventura que tinha começado aos quatro anos de idade, ao soar de um motor de picadeira de cana, com três cavalos de potência.


FONTE PESQUISADA

RODRIGUES, Ernesto. Ayrton, o herói revelado. Edição 1. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2004.

 









domingo, 14 de fevereiro de 2021

A reportagem com Ayrton Senna que a Quatro Rodas nunca publicou

por  Claudio Carsughi | 11 de fevereiro de 2021

carsughi.uol.com.br

Senna e o Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira

Texto de abertura: Douglas Mendonça


Era final de fevereiro quando nosso tricampeão mundial de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva, havia pautado uma reportagem exclusiva com a revista Quatro Rodas em que anunciaria oficialmente que a Senna Import seria o representante oficial da Audi AG no Brasil. O então editor da Quatro Rodas, Eduardo Pincigher, foi designado para a nobre missão de receber nosso ídolo em Interlagos, onde ele apresentaria dois dos quatro modelos que a Senna Import comercializaria no país: o S4, versão esportiva do Audi 100, e o S2, a versão esportiva do Audi 80 – que mais tarde teria o A4 como sucessor.


O editor executou seu trabalho com maestria, fotografado pelo proeminente e amigo pessoal de Ayrton, Cláudio Laranjeira. A reportagem seria publicada na edição de maio de 1994 da Quatro Rodas, logo nos primeiros dias do mês, e teria na capa a foto do nosso tricampeão junto da máquina que ele sonhou em trazer para o nosso mercado.


Infelizmente, para nós brasileiros e para todo o mundo, naquele fatídico dia 01 de maio de 1994, um acidente fatal em Ímola, no GP da Itália, não permitiu que Senna voltasse vivo ao Brasil. Esse triste episódio fez com que a direção da revista Quatro Rodas, às pressas, imprimisse outra capa para a edição de maio/1994, e retirasse a reportagem prevista para sete páginas da revista daquele mês, em respeito à comoção que tomou conta de todo o País.


Um simples teste de uma versão com apresentação da marca foi feita de maneira modesta e sem alardes na edição de junho de 1994. Por isso, a reportagem exclusiva que segue abaixo, nunca foi publicada, e, só agora, quase 27 anos depois, você terá o privilégio de ler tudo que Ayrton Senna contou sobre a Audi e seus produtos ao editor Eduardo Pincigher na época de lançamento da marca. Um relato importante que ficará na história da imprensa automotiva brasileira.

 


O Carro do Homem

Ayrton Senna anuncia que será importador da Audi no Brasil e testa com exclusividade para Quatro Rodas o esportivo S2 em Interlagos

Senna e o Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira


Texto: Eduardo Pincigher | Fotos: Cláudio Laranjeira


Bem ao gosto do personagem: garoava forte naquela manhã de terça-feira, finalzinho de fevereiro, no Autódromo de Interlagos. Prestes a anunciar que seria o representante brasileiro da marca alemã Audi, em evento realizado no final de março, o “empresário” Ayrton Senna da Silva chegou de helicóptero à pista. Com absoluta exclusividade para Quatro Rodas, o piloto daria suas impressões ao dirigir o Audi S2, sedã esportivo trazido pela recém-criada Senna Import, após investimento de 5 milhões de dólares.


Mas e de onde vem essa tal de Audi? Vamos lá. A Audi é herdeira da Auto Union, um conglomerado de quatro montadoras alemãs do período pré-guerra, daí o símbolo das “quatro argolas”. Uma delas, inclusive, bem conhecida dos brasileiros: DKW (as demais são Horch, Wanderer e a própria Audi). Um dos engenheiros mais famosos da Auto Union, inclusive, foi Ferdinand Porsche.


“A Audi se tornará rapidamente conhecida e respeitada no Brasil, como já é no resto do mundo”, disse Senna. “São carros extremamente modernos e seguros”. Hoje, a marca é subsidiária do grupo Volkswagen e rivaliza, no mercado europeu, com BMW e Mercedes-Benz. Teve grandes resultados nas provas de rally da década passada, com o mítico Audi quattro. E é justamente a partir da principal tecnologia desse modelo, criada nas competições, que surge uma interessante particularidade dos carros de rua frente às rivais: as versões top de linha da Audi costumam adotar tração permanente nas quatro rodas, frente à tradicional tração traseira das rivais. E foi exatamente por isso que Ayrton chegou a Interlagos bastante sorridente: “essa garoa vai revelar, de cara, um dos principais atributos desse carro: a aderência em pisos escorregadios”, prometia. E cumpriu. Mas isso a gente conta mais adiante.


“Cheguei” – O slogan da Audi dá o tom de sua aparente ousadia: “BMW e Mercedes, cheguei!” Se parece atrevido desembarcar por aqui como uma ilustre desconhecida já com essa empáfia toda, vejamos. Na Europa, a marca tem tido êxito nessa empreitada, conquistando cada vez mais adeptos no segmento de luxo. Além da qualidade inquestionável de produção – marca registrada da Volkswagen AG –, a tração integral será um trunfo tecnológico importante para conquistar consumidores afeitos à performance e à segurança. Ainda que os modelos alemães tragam suspensões construtivamente elogiáveis, a Audi sempre levará vantagem em curvas com suas quatro rodas motrizes. Sempre. E mais: a marca irá se pendurar na figura vencedora de um dos maiores esportistas brasileiros de todos os tempos. Nada mau para o início. “Fiz constar no contrato com a Williams neste ano a vinculação de minha imagem com a Audi no Brasil”, explicou o piloto.


“A tração permanente é a maior vantagem sobre os concorrentes. Com ela, ganha-se muito em estabilidade. Como as quatro rodas tracionam, não há perigo de um dos eixos derrapar em uma curva veloz. Na chuva, então, esse sistema é fantástico. Garante muita segurança aos passageiros”, destacou nosso piloto “convidado”.


Tecnologia das pistas

Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira

Antes de levarmos o carro a Interlagos para esse encontro exclusivo com Ayrton, pusemos o Audi S2 à prova nas pistas de Limeira e Indaiatuba.


Possui altos recursos tecnológicos, a começar pela tração permanente e passando pelo motor de cinco cilindros turboalimentado, com quatro válvulas por cilindros, duplo comando e 2,2 litros de capacidade cúbica. Rende 230 cv de potência a 5.900 rpm, mas pode chegar a 255 cv quando exigido a fundo, graças à ação do overboost. O câmbio é manual de seis velocidades.


“É um recurso que utilizávamos nos Fórmula 1 da era turbo. Na hora de ultrapassar outro carro, bastava apertar um botão no volante que a turbina exercia pressão extra sobre o motor. O S2 tem o mesmo sistema, só que é automático. O motor recebe 25 cv a mais durante 15 segundos. Ao ultrapassar um caminhão numa estrada de mão dupla, o overboost garante a realização da manobra com maior rapidez e segurança”, explicou Ayrton.


Nas medições de pista, o desempenho do Audi S2 foi exemplar. Nem parecia tratar-se de um sedã de 4,51 metros de comprimento e 1.497 kg de massa. Obtida em sexta marcha, a velocidade máxima alcançou a marca de 239,5 km/h – mais lento que o BMW M5 (252 km/h) e mais veloz que o Mercedes C280 (221 km/h). O estreante da Audi garantiu o décimo lugar no ranking de importados.


Nas arrancadas, entretanto, a ação da tração permanente impressiona. Não há pneus derrapando na largada, ainda que o piloto despeje o torque de 35,7 kgfm de uma só vez. Ele salta à frente como uma aranha e engole a pista de forma impressionante: 0 a 100 km/h em 6s78.


A polêmica do 0 a 100 km/h

Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira

“O número oficial é 6s2. Por que será que ele foi tão mais lento?”, questionou Ayrton ao repórter. “Você nos forneceu um carro praticamente zero km para o teste, sem um motor amaciado. Além disso, Ayrton, as montadoras divulgam números de 0 a 100 km/h onde o piloto de testes não tira o pé do acelerador nas trocas de marchas. Quatro Rodas não concorda com esse procedimento. E é claro que perde alguns décimos”, defendeu-se, modéstia à parte, bem, o repórter.


Vale mencionar que esse vigor não se traduz, porém, em um alto consumo, conforme seria de se esperar em um conjunto motriz repleto de diferenciais, semi-eixos, cardãs etc. Fez 8,51 km/l na cidade e 12,29 km/l nos trajetos rodoviários nos testes padronizados por Quatro Rodas. Um de seus concorrentes já mencionados, o BMW M5, não passou de 6,36 km/l e 11,65 km/l, respectivamente.


Mas é, de fato, na segurança que o sedã alemão do Ayrton dá um show. E nem estamos falando ainda da experiência em andar com o “dono do carro” em Interlagos… Junto com a suspensão independente e as rodas aro 16 e tala de 7,5 polegadas, a tração quattro promoveu um excelente resultado em nossa prova de aceleração lateral: 0,96g – para efeito de comparação, o Mercedes C280 não passou de 0,91g, sendo que, neste caso, com grande tendência ao sobresterço (saída da traseira). O S2? Neutro, totalmente “na mão”.


Segurança é ponto alto


O sistema de freios, com discos ventilados nas quatro rodas e sistema antitravamento ABS, permitiu que o sedã precisasse de apenas 26,4 metros para ir de 80 km/h até a parada total. “Na Alemanha, guiei uma Avant S2 (versão station do carro testado) numa autobahn a mais de 240 km/h. Fiz, então, a seguinte experiência: tirei as mãos do volante e subi no pedal de freio. A perua parou em linha reta e não apresentou fading. Fiquei impressionado com o sistema de freios e com a eficiência do ABS”, destacou Ayrton.


E isso não é tudo. Ele oferece dispositivos de segurança passiva, como air bag para motorista e passageiro, barras laterais de proteção nas portas e o exclusivo sistema Procon-Tem (Programmed Contraction and Tension, ou Tensão e Contração Programadas). Em caso de colisão frontal acima de 25 km/h, os cintos de segurança são automaticamente tensionados, os dois air bags se inflam, o conjunto motor/câmbio se desloca para baixo e a coluna de direção é puxada para frente.


No interior, muito conforto


O couro está presente no revestimento das laterais das portas, na forração dos bancos, no painel de instrumentos e no volante – tudo de série. As poltronas dianteiras têm regulagem elétrica de distância e altura do assento e reclinação do encosto. Há um bom espaço interno, e o nível de ruído médio, de 61,5 decibéis, faz do Audi S2 um sedã silencioso, bem abaixo da média entre 65 e 70 decibéis, aceitável para um carro de luxo. O ar-condicionado possui programação de temperatura, com correção automática. O painel traz, como novidades, teclas de acionamento de luz direcionadora traseira (utilizada para que o carro de trás se guie na neblina) e controle elétrico de regulagem de altura dos faróis. A coluna de direção, onde se localizam os comandos do piloto automático, permite regulagens de altura e profundidade.


Correndo atrás de Status

Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira

O design segue a tradição de discrição e elegância dos Audi. Na traseira, linhas determinam um perfil conservador. Perguntamos a respeito dessa característica à Ayrton Senna: “O consumidor que busca esse tipo de automóvel prefere um estilo mais clássico. Se bem que, para mim, ele é muito bonito!”. A gente entende sua opinião, Ayrton, fique tranquilo.


A despeito desse senão, dá para afirmar que isso não pesa em nada no conjunto. Com uma respeitável combinação virtuosa de desempenho, segurança, equipamentos e conforto, o Audi S2 ainda não tem o status de BMW e Mercedes, mas, mesmo assim, tende a incomodar bastante os rivais no futuro. Serão 8 concessionárias credenciadas pela Senna Import neste início (Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Guarujá, Recife, Rio de Janeiro e duas lojas em São Paulo).


Além do S2 (vendido por 82.000 dólares), a linha será composta pelo Audi 80 2.6E sedã (55.000 dólares), o 100 2.8 (62.000) o esportivo S4 (92.000).


Na pista com Ayrton Senna

Audi S2 1994
Foto: Cláudio Laranjeira

Dissemos lá no início da reportagem que Ayrton havia descido do helicóptero bastante sorridente devido à garoa que castigava a pista. Esse cenário tornava a ocasião propícia para avaliar o carro. Ainda mais com o Rei da Chuva ao volante. Entramos na pista e ele começa a descrição de cada particularidade mecânica do S2. Mas era Ayrton Senna, né?


Na reta dos boxes, as marchas eram trocadas a 6.000 rpm, exceto na passagem da quinta para a sexta, quando o conta-giros apontava 5.200 rpm. “Jamais havia guiado antes um carro de passeio tão veloz, aqui em Interlagos”, impressionou-se Ayrton, ao olhar para o velocímetro, que marcava 195 km/h.


Aquilo era só o começo. No instante da freada para o S do Senna, o Audi chegou a 205 km/h. Ayrton, então, parou de falar. Iniciou a frenagem, reduzindo marchas com invejável rapidez, sempre intercaladas com punta-tacos. A tomada apontava para dentro da curva, como se ele estivesse a bordo de um Fórmula 1. Feita a manobra, o carro escapou levemente para fora.


Mas seu piloto se chamava Ayrton Senna da Silva. Com um contragolpe no volante, ele fez com que o Audi retomasse a trajetória original sem maiores dificuldades. E, quando beliscou a zebra, a Curva do Sol já reaparecia, bem à frente. Chegando à Curva do Lago, pé no freio, reduções de marcas, acelerador a fundo novamente. Uma manobra perfeita.


“Cabem cinco pessoas com folga no interior do S2. Ele é um automóvel muito confortável, e você pode sentir isso andando em qualquer velocidade”, resumia o entusiasmado Ayrton, ao tirar o capacete. “Além disso, carros turbinados, como este, são mais divertidos de acelerar. isso tudo sem deixar de lado a segurança, nossa principal preocupação ao trazê-lo para o Brasil”.


FONTE PESQUISADA

CARSUGHI, Claudio.. A reportagem com Ayrton Senna que a Quatro Rodas nunca publicou. Disponível em: <https://carsughi.uol.com.br/2021/02/a-reportagem-com-ayrton-senna-que-a-quatro-rodas-nunca-publicou/>. Acesso em: 11 de fevereiro 2021.